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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n3/artigos.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size=5><b>CRISE AMBIENTAL E AS ENERGIAS RENOV&Aacute;VEIS</b></font></p>     <p align="center"><font size="3"> <b>C&eacute;lio Bermann</b></font></p>     <p>&nbsp; </p>     <p><font size="3">Oitenta e um porcento da atual oferta energ&eacute;tica mundial,    estimada em 11.435 milh&otilde;es de toneladas equivalentes de petr&oacute;leo,    &eacute; baseada nos combust&iacute;veis f&oacute;sseis (IEA, 2007). As mudan&ccedil;as    clim&aacute;ticas decorrentes das emiss&otilde;es dos gases de efeito estufa    apontam uma crise ambiental em escala planet&aacute;ria sem precedentes. </font></p>     <p><font size="3"> Neste contexto, as energias renov&aacute;veis aparecem como    alternativa para reduzir os efeitos dessa crise. Entretanto, &eacute; extremamente    dif&iacute;cil prever-se que essas fontes possam ser capazes de substituir a    energia f&oacute;ssil em um futuro pr&oacute;ximo.</font></p>     <p><font size="3"> A esse respeito, as perspectivas est&atilde;o longe de ser    animadoras. As previs&otilde;es para 2030 apontam para um cen&aacute;rio tendencial    em que o petr&oacute;leo manter&aacute; uma participa&ccedil;&atilde;o de 35%    da oferta energ&eacute;tica mundial, enquanto o carv&atilde;o mineral responder&aacute;    por 22% e o g&aacute;s natural por 25% (2).</font></p>     <p><font size="3"> Por seu turno, as assim denominadas fontes renov&aacute;veis    – hidr&aacute;ulica, biomassa, solar, e&oacute;lica, geot&eacute;rmica    –, que atualmente respondem por 12,7% da oferta energ&eacute;tica mundial,    poder&atilde;o chegar a n&atilde;o mais do que 14% da oferta em 2030 (2).</font></p>     <p><font size="3"> Estima-se que o potencial e&oacute;lico bruto mundial, seja    de ordem de 500.000 TWh/ano (terawatt-hora por ano), o que significa mais de    30 vezes o atual consumo mundial de eletricidade. Desse potencial, no m&iacute;nimo    10% &eacute; teoricamente aproveit&aacute;vel, o que corresponde a cerca de    quatro vezes o consumo mundial de eletricidade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"> Por seu turno, estima-se a exist&ecirc;ncia de 2 trilh&otilde;es    de toneladas de biomassa no globo terrestre, ou seja, cerca de 400 toneladas    <i>per capita</i>, o que, em termos energ&eacute;ticos, corresponde a oito vezes    o consumo mundial de energia prim&aacute;ria, hoje da ordem de 400 EJ (exa-joules)    por ano. Proje&ccedil;&otilde;es da Ag&ecirc;ncia Internacional de Energia (IEA)    indicam que o peso relativo da biomassa na gera&ccedil;&atilde;o mundial de    eletricidade, dever&aacute; passar de 10 TWh em 1995, para 27 TWh em 2020.</font></p>     <p><font size="3"> No contexto internacional, os esfor&ccedil;os na dire&ccedil;&atilde;o    da amplia&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o das energias renov&aacute;veis    s&atilde;o hoje objeto de um intenso debate. Particularmente no que se refere    aos biocombust&iacute;veis, as controv&eacute;rsias alcan&ccedil;am maior vigor    nas discuss&otilde;es que op&otilde;em a expans&atilde;o das monoculturas &agrave;    produ&ccedil;&atilde;o alimentar. No que se refere &agrave; gera&ccedil;&atilde;o    de eletricidade, a principal quest&atilde;o reside nos altos custos das fontes    alternativas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s fontes tradicionais, o que imp&otilde;e    a necessidade da implementa&ccedil;&atilde;o de diversas estrat&eacute;gias    de apoio a essas fontes, via-de-regra baseada na ado&ccedil;&atilde;o de subs&iacute;dios.    </font></p>     <p><font size="3"> No Brasil, esse debate tamb&eacute;m se apresenta de forma    aguda. Segundo dados preliminares do Balan&ccedil;o Energ&eacute;tico Nacional    (BEN, 2007) cerca de 45,8% da Matriz Energ&eacute;tica do Brasil &eacute; renov&aacute;vel,    frente aos 12,7% correspondentes &agrave; oferta energ&eacute;tica mundial,    como j&aacute; assinalado. No entanto, 75% da energia el&eacute;trica do pa&iacute;s    &eacute; gerada em grandes usinas hidrel&eacute;tricas, o que provoca significativos    impactos ambientais, tais como o alagamento dessas &aacute;reas e a conseq&uuml;ente    perda da biodiversidade local. Os problemas sociais n&atilde;o s&atilde;o menores,    como o da remo&ccedil;&atilde;o de fam&iacute;lias das &aacute;reas atingidas    pelos empreendimentos hidrel&eacute;tricos. Cerca de 250 mil fam&iacute;lias,    ou quase um milh&atilde;o de pessoas j&aacute; foram expulsas de suas terras,    sendo que menos de 10% receberam algum tipo de indeniza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3"> Por seu turno, a lenha e carv&atilde;o vegetal que representam    12% da oferta energ&eacute;tica nacional, s&atilde;o entendidos como fontes    renov&aacute;veis, muito embora nesta conta n&atilde;o se considere a propor&ccedil;&atilde;o    ainda relevante da lenha e do carv&atilde;o vegetal obtidos da mata nativa.</font></p>     <p><font size="3"> Ainda, 15,7% correspondem aos derivados da cana-de-a&ccedil;&uacute;car    (etanol e baga&ccedil;o) obtidos a partir da atividade sucroalcooleira, cujos    problemas sociais e ambientais n&atilde;o podem ser desprezados.</font></p>     <p><font size="3"> Este artigo faz uma an&aacute;lise das pol&iacute;ticas de    inser&ccedil;&atilde;o das fontes renov&aacute;veis de energia no Brasil, assinalando    os problemas sociais e ambientais dos biocombust&iacute;veis (etanol e biodiesel)    e das fontes alternativas de gera&ccedil;&atilde;o de eletricidade (e&oacute;lica;    biomassa e pequenas centrais hidrel&eacute;tricas). O objetivo &eacute; reunir    elementos para contribuir para o debate do papel das energias renov&aacute;veis    frente &agrave; atual crise energ&eacute;tica de fundo ambiental.</font></p>     <p><font size="3"><b>1. BIOCOMBUST&Iacute;VEIS</b></font></p>     <p><font size="3">1.1. E<small>TANOL</small></font></p>     <p><font size="3">O Pro&aacute;lcool – Programa Nacional do &Aacute;lcool    –, criado em novembro de 1975, &eacute; hoje a express&atilde;o mais elaborada    das dificuldades de implanta&ccedil;&atilde;o de um programa de substitui&ccedil;&atilde;o    de combust&iacute;veis f&oacute;sseis sob a&ccedil;&atilde;o dos mecanismos    de mercado, que se seguiram &agrave; primeira fase onde prevaleceram os subs&iacute;dios    governamentais. &Eacute; tamb&eacute;m o exemplo mais evidente de como eventuais    benef&iacute;cios ambientais s&atilde;o apropriados para manter privil&eacute;gios.    Por exemplo, durante os primeiros vinte anos, o programa foi fortemente subsidiado    pelo governo. Em 1996, os usineiros deviam US$ 4 bilh&otilde;es ao setor financeiro    e US$ 5 bilh&otilde;es &agrave; Petrobr&aacute;s (Conta &Aacute;lcool), d&iacute;vidas    estas que nunca foram saldadas.</font></p>     <p><font size="3"> Lan&ccedil;ado em 1975, ap&oacute;s o primeiro choque mundial    do petr&oacute;leo, o Pro&aacute;lcool foi sendo aperfei&ccedil;oado at&eacute;    absorver 8% da &aacute;rea cultivada do pa&iacute;s e criar mais de um milh&atilde;o    de empregos – 800 mil diretos e 250 mil indiretos – em todo o pa&iacute;s    (dados para 1991). Segundo dados da FAO (Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es    Unidas para Agricultura e Alimenta&ccedil;&atilde;o), para 2005, dos 19 milh&otilde;es    de hectares de cana plantados no mundo, 5,8 milh&otilde;es est&atilde;o no Brasil.    Ainda conforme dados para 2005, o pa&iacute;s queima, por ano, 6,2 bilh&otilde;es    de metros c&uacute;bicos (m3) de &aacute;lcool hidratado, o carburante que mistura    96% de &aacute;lcool e 4% de &aacute;gua. Al&eacute;m disso, s&atilde;o mais    7,8 bilh&otilde;es de m3 de &aacute;lcool anidro que s&atilde;o adicionados    &agrave; gasolina na propor&ccedil;&atilde;o de 22-25% (MME/EPE, 2006).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"> Verifica-se que os volumes de produ&ccedil;&atilde;o do &aacute;lcool    hidratado seguem a inconst&acirc;ncia que marca o Pro&aacute;lcool nos &uacute;ltimos    trinta anos. A crise de abastecimento ocorrida em 1989, marcada pela falta intermitente    do produto nas principais cidades do pa&iacute;s, come&ccedil;ou em abril de    1989 e n&atilde;o poupou nem mesmo os postos de abastecimento da regi&atilde;o    de Ribeir&atilde;o Preto e Sert&atilde;ozinho, que concentrava 40% da produ&ccedil;&atilde;o    de &aacute;lcool do estado de S&atilde;o Paulo, respons&aacute;vel pela produ&ccedil;&atilde;o    de 7 bilh&otilde;es dos 11 bilh&otilde;es de &aacute;lcool que eram produzidos    no Brasil. </font><font size="3">A retomada da produ&ccedil;&atilde;o do &aacute;lcool    hidratado a partir de 2003, se deveu a entrada da produ&ccedil;&atilde;o dos    ve&iacute;culos <i>flex fuel</i>, que possibilitam a utiliza&ccedil;&atilde;o    da gasolina e/ou do &aacute;lcool em propor&ccedil;&otilde;es variadas.</font></p>     <p><font size="3"> Por seu turno, a produ&ccedil;&atilde;o do &aacute;lcool anidro    est&aacute; associada &agrave;s varia&ccedil;&otilde;es do mix gasolina/&aacute;lcool    anidro, que s&atilde;o definidas pelo Conselho Interministerial de A&ccedil;&uacute;car    e &Aacute;lcool (Cima), numa propor&ccedil;&atilde;o que varia entre 22% e 25%.    Cabe salientar os benef&iacute;cios de ordem ambiental decorrentes da substitui&ccedil;&atilde;o    da gasolina pelo &aacute;lcool et&iacute;lico. Adicionado na propor&ccedil;&atilde;o    de 22-25% &agrave; gasolina, o &aacute;lcool anidro atua como anti-detonante,    o que permitiu a substitui&ccedil;&atilde;o do venenoso chumbo tetra-etila.    Sem d&uacute;vida, o coquetel de emiss&otilde;es formado pelo mon&oacute;xido    de carbono, hidrocarbonetos, &oacute;xidos de nitrog&ecirc;nio e de enxofre,    al&eacute;m de metais pesados como o chumbo, seria bem mais prejudicial para    a sa&uacute;de humana que vive hoje nas grandes aglomera&ccedil;&otilde;es urbanas    brasileiras, n&atilde;o fosse esse mix constitu&iacute;do pela gasolina e etanol.</font></p>     <p><font size="3"> Os benef&iacute;cios ambientais da adi&ccedil;&atilde;o do    &aacute;lcool anidro &agrave; gasolina podem ser visualizados no <a href="#grf01">Gr&aacute;fico    1</a>, que compara a redu&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es de mon&oacute;xido    de carbono (CO), hidrocarbonetos (HC) e &oacute;xidos de nitrog&ecirc;nio (NOx),    considerando como 100% as emiss&otilde;es do motor a gasolina pura.</font></p>     <p><a name="grf01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n3/a10grf01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"> O mon&oacute;xido de carbono &eacute; um g&aacute;s t&oacute;xico,    incolor e inodoro emitido pela combust&atilde;o incompleta na queima do combust&iacute;vel.    Essa subst&acirc;ncia reduz sensivelmente a capacidade do sangue de transportar    oxig&ecirc;nio causando problemas de oxigena&ccedil;&atilde;o nos tecidos dos    &oacute;rg&atilde;os, causando problemas como a diminui&ccedil;&atilde;o do    racioc&iacute;nio e percep&ccedil;&atilde;o. Verifica-se que a mistura com 22%    de &aacute;lcool anidro reduz em 15% as emiss&otilde;es de CO enquanto que com    o &aacute;lcool hidratado, as emiss&otilde;es se reduzem pela metade.</font></p>     <p><font size="3"> Quanto aos hidrocarbonetos (HC), subst&acirc;ncias compostas    por hidrog&ecirc;nio e carbono, conhecidos como um dos precursores na forma&ccedil;&atilde;o    do oz&ocirc;nio troposf&eacute;rico (de baixa altitude) – subst&acirc;ncia    considerada t&oacute;xica, pois em altas concentra&ccedil;&otilde;es, reduz    a fun&ccedil;&atilde;o pulmonar e a resist&ecirc;ncia respirat&oacute;ria a    infec&ccedil;&otilde;es –, a redu&ccedil;&atilde;o com a mistura com 22%    de &aacute;lcool anidro atinge 20%, enquanto que com o &aacute;lcool hidratado,    a exemplo do que ocorre com o CO, as emiss&otilde;es tamb&eacute;m se reduzem    pela metade. </font></p>     <p><font size="3"> No que se refere aos &oacute;xidos de nitrog&ecirc;nio (NOx)    que, a exemplo do que ocorre com os hidrocarbonetos, s&atilde;o tamb&eacute;m    precursores na forma&ccedil;&atilde;o do oz&ocirc;nio de baixa altitude, a mistura    com 22% de &aacute;lcool anidro aumenta a emiss&atilde;o, sendo que com o &aacute;lcool    hidratado, as emiss&otilde;es se reduzem em 14%.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"> Ainda, a emiss&atilde;o de alde&iacute;dos, subst&acirc;ncias    provenientes da oxida&ccedil;&atilde;o incompleta de alco&oacute;is, &eacute;    bastante elevada para o &aacute;lcool hidratado, alcan&ccedil;ando o dobro em    rela&ccedil;&atilde;o &agrave; gasolina pura, enquanto que para a mistura com    22% de &aacute;lcool anidro, a emiss&atilde;o de alde&iacute;dos &eacute; a    mesma.</font></p>     <p><font size="3"> Apesar do aumento dos hidrocarbonetos e dos alde&iacute;dos,    o impacto na qualidade do ar n&atilde;o &eacute; significativa, pois os acetatos    emitidos pelo &aacute;lcool s&atilde;o menos nocivos &agrave; sa&uacute;de quando    comparados aos emitidos pelos combust&iacute;veis f&oacute;sseis (3).</font></p>     <p><font size="3"><b>Queimadas </b></font></p>     <p><font size="3"> O per&iacute;odo que antecede a colheita da cana tem sido marcado    pela emiss&atilde;o de grandes quantidades de material particulado decorrente    da queima da palha. Esse material particulado ultrapassa a barreira nasal e    deposita-se nos br&ocirc;nquios causando processos infecciosos.</font></p>     <p><font size="3"> Franco (4) apresentou as seguintes considera&ccedil;&otilde;es    sobre as queimadas de cana-de-a&ccedil;&uacute;car e a sa&uacute;de humana:    (a) durante a &eacute;poca das queimadas dos canaviais h&aacute; uma piora na    qualidade do ar na regi&atilde;o; (b) a queimada dos canaviais n&atilde;o &eacute;    o &uacute;nico fator de agravamento da qualidade do ar, mas em conseq&uuml;&ecirc;ncia    da extens&atilde;o da &aacute;rea plantada e da dura&ccedil;&atilde;o das queimadas,    final de abril a in&iacute;cio de novembro, as descargas de gases e de outros    poluentes na atmosfera da regi&atilde;o ganham um significado importante e n&atilde;o    podem ser menosprezados; (c) a popula&ccedil;&atilde;o de risco, que tem sua    qualidade de vida e de sa&uacute;de agravada em condi&ccedil;&otilde;es atmosf&eacute;ricas    adversas, &eacute; bastante significativa; (d) a maioria das pessoas que comp&otilde;em    a popula&ccedil;&atilde;o de risco demanda um n&uacute;mero muito maior de consultas,    interna&ccedil;&otilde;es, medica&ccedil;&atilde;o e atendimentos ambulatoriais.    Isso onera n&atilde;o s&oacute; os servi&ccedil;os m&eacute;dicos, mas as economias    das fam&iacute;lias. </font><font size="3">Com a utiliza&ccedil;&atilde;o do    expediente das queimadas, realizadas nos per&iacute;odos secos (julho a setembro),    verifica-se nesses per&iacute;odos, um significativo aumento das concentra&ccedil;&otilde;es    de mon&oacute;xido de carbono (CO) e de oz&ocirc;nio (O<sub>3</sub>), al&eacute;m    de material particulado, hidrocarbonetos, &oacute;xidos de nitrog&ecirc;nio    e di&oacute;xido de carbono (CO<sub>2</sub>), este na propor&ccedil;&atilde;o    de 2,1 toneladas de CO<sub>2</sub> por hectare de cana queimada.</font></p>     <p><font size="3"> No estado de S&atilde;o Paulo, a Lei Estadual 11.241, de 19    de setembro de 2002, estabeleceu a redu&ccedil;&atilde;o gradativa da queima    pr&eacute;via da cana nas &aacute;reas mecaniz&aacute;veis, com elimina&ccedil;&atilde;o    total desse procedimento at&eacute; o ano de 2021. Nas &aacute;reas n&atilde;o    mecaniz&aacute;veis, com extens&atilde;o superior a 150 hectares, a queima deve    ser eliminada at&eacute; o ano de 2031. </font></p>     <p><font size="3"> Com a obrigatoriedade da extin&ccedil;&atilde;o gradual das    queimadas como forma de facilitar o corte manual da cana, a colheita mecanizada    teve uma expans&atilde;o acelerada, provocando a redu&ccedil;&atilde;o de diversos    postos de trabalho.</font></p>     <p><font size="3"><b>Uso da &aacute;gua </b></font></p>     <p><font size="3"> Na produ&ccedil;&atilde;o de um litro de &aacute;lcool gasta-se    13 litros de &aacute;gua, e ainda sobram 12 litros de vinhoto, sub-produto extremamente    poluente normalmente utilizado na aduba&ccedil;&atilde;o dos canaviais.</font></p>     <p><font size="3"> Um estudo do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) mostra uma    redu&ccedil;&atilde;o significativa no consumo de &aacute;gua pelas usinas no    Centro-Sul do pa&iacute;s na &uacute;ltima d&eacute;cada. Segundo o levantamento,    o consumo m&eacute;dio de &aacute;gua em 1990 era de 5,6 metros c&uacute;bicos    por tonelada de cana-de-a&ccedil;&uacute;car produzida. Sete anos depois, esse    consumo m&eacute;dio estava em 5,07 metros c&uacute;bicos por tonelada. O dado    mais recente, de 2005, revela que, na m&eacute;dia, as usinas captam 1,8 metro    c&uacute;bico de &aacute;gua por tonelada produzida.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"> Os circuitos fechados de &aacute;gua s&atilde;o os principais    respons&aacute;veis pela redu&ccedil;&atilde;o no consumo por permitirem o reuso    da &aacute;gua, ou seja, o reaproveitamento do mesmo efluente. A lavagem da    cana, por exemplo, &eacute; uma das etapas da produ&ccedil;&atilde;o que consome    muita &aacute;gua. H&aacute; duas maneiras de reduzir o consumo da &aacute;gua    neste caso: uma &eacute; adotar o circuito fechado, a outra &eacute;, simplesmente,    parar de lavar a cana. E, para que seja poss&iacute;vel, &eacute; preciso outro    avan&ccedil;o das usinas na prote&ccedil;&atilde;o ao meio ambiente: a elimina&ccedil;&atilde;o    gradativa da queima da cana na colheita. </font></p>     <p><font size="3"> A cana crua, obtida com a mecaniza&ccedil;&atilde;o da colheita,    n&atilde;o pode ser lavada porque h&aacute; muita perda de a&ccedil;&uacute;car    no processo. Por isso, as usinas que j&aacute; adotam a colheita da cana crua    contribuem para a redu&ccedil;&atilde;o no uso de &aacute;gua na produ&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3"><b>Destino do vinhoto</b></font></p>     <p><font size="3"> O vinhoto, tamb&eacute;m denominado vinha&ccedil;a ou restilo,    &eacute; um subproduto do processo de fabrica&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car    e &aacute;lcool de grande import&acirc;ncia, n&atilde;o apenas devido a quantidade    produzida (aproximadamente 12 litros para cada litro de &aacute;lcool processado),    mas principalmente em raz&atilde;o de seu poder poluidor. </font></p>     <p><font size="3"> Caso o vinhoto seja despejado em cursos d'&aacute;gua,    estes tornam-se impr&oacute;prios para a utiliza&ccedil;&atilde;o humana e provoca    a morte de fauna e flora aqu&aacute;ticas devido &agrave;s elevadas taxas de    Demanda Bioqu&iacute;mica de Oxig&ecirc;nio (DBO) e Demanda Qu&iacute;mica de    Oxig&ecirc;nio (DQO). Por exemplo, o vinhoto, em conjunto com as &aacute;guas    residu&aacute;rias apresentam um grande volume (10,85 / litro de &aacute;lcool)    e carga org&acirc;nica com cerca de 175 g DBO5 / litro de &aacute;lcool (5).    A vinha&ccedil;a &eacute; aplicada na lavoura de cana conjuntamente com as &aacute;guas    residu&aacute;rias (lavagem de pisos, purgas de circuitos fechados, sobra de    condensados), promovendo a fertirriga&ccedil;&atilde;o (aplica&ccedil;&atilde;o    de fertilizantes atrav&eacute;s da &aacute;gua de irriga&ccedil;&atilde;o) com    aproveitamento dos nutrientes.</font></p>     <p><font size="3"> A partir do ano de 1978, a Portaria Ministerial nº 323, de    29 de novembro, proibiu o lan&ccedil;amento direto ou indireto do vinhoto em    corpos d'&aacute;gua de qualquer natureza. Desde ent&atilde;o, iniciou-se a    aplica&ccedil;&atilde;o da vinha&ccedil;a como fertilizante nas lavouras de    cana-de-a&ccedil;&uacute;car, pr&aacute;tica realizada at&eacute; os dias de    hoje. </font><font size="3">Atualmente, o vinhoto &eacute; integralmente utilizado    na fertirriga&ccedil;&atilde;o. O percentual da &aacute;rea atingida pela fertirriga&ccedil;&atilde;o    &eacute; muito vari&aacute;vel, sendo que algumas usinas aplicam o vinhoto em    at&eacute; 70% da &aacute;rea de cultivo e outras apresentam valores bem menores.    Mas, de maneira geral, a cada safra esse valor tem aumentado, pois as usinas    t&ecirc;m buscado a utiliza&ccedil;&atilde;o mais racional do vinhoto visando    maior produtividade agr&iacute;cola e redu&ccedil;&atilde;o no uso de fertilizantes    qu&iacute;micos. </font></p>     <p><font size="3"><b>O etanol da cana-de-a&ccedil;&uacute;car no contexto internacional    </b> </font></p>     <p><font size="3"> A diversidade de mat&eacute;ria-prima utilizada, que se verifica    na produ&ccedil;&atilde;o de etanol nos v&aacute;rios pa&iacute;ses produtores,    imp&otilde;e a necessidade de se avaliar comparativamente as caracter&iacute;sticas    do processo de produ&ccedil;&atilde;o de cada uma dessas mat&eacute;rias-primas.</font></p>     <p><font size="3"> Um dos par&acirc;metros que pode ser analisado se refere &agrave;    rela&ccedil;&atilde;o entre quantidade de energia f&oacute;ssil gasta em toda    a cadeia produtiva do etanol, e a quantidade de energia renov&aacute;vel que    &eacute; obtida. Este n&uacute;mero &eacute; importante para caracterizar a    substitui&ccedil;&atilde;o do combust&iacute;vel f&oacute;ssil – o qu&atilde;o    bom o combust&iacute;vel novo &eacute; como substituto do f&oacute;ssil. Outro    par&acirc;metro importante &eacute; a produtividade, determinada pelas caracter&iacute;sticas    da mat&eacute;ria-prima com respeito ao uso de solo, produ&ccedil;&atilde;o    de alimentos e de energia.</font></p>     <p><font size="3"> A <a href="#tab01">Tabela 1</a> apresenta os dados desses dois    par&acirc;metros para as v&aacute;rias mat&eacute;rias-primas utilizadas para    a produ&ccedil;&atilde;o de etanol.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="tab01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n3/a10tab01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"> Observa-se que a cana-de-a&ccedil;&uacute;car se destaca por    sua produtividade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s demais mat&eacute;rias-primas,    mas tamb&eacute;m, e principalmente, pela significativa propor&ccedil;&atilde;o    entre a energia renov&aacute;vel obtida em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; energia    f&oacute;ssil gasta.</font></p>     <p><font size="3"> Vale ressaltar outros dados referentes &agrave; produ&ccedil;&atilde;o    de etanol a partir da cana-de-a&ccedil;&uacute;car em compara&ccedil;&atilde;o    com as demais mat&eacute;rias-primas. Em termos de emiss&atilde;o de di&oacute;xido    de carbono, no caso do etanol da cana o valor &eacute; de 0,4 tCO<sub>2</sub>    equivalente por metro c&uacute;bico de etanol anidro, enquanto que o etanol    de milho &eacute; de 1,9 tCO<sub>2</sub> equivalente por metro c&uacute;bico.    Ainda, os custos de produ&ccedil;&atilde;o do etanol de cana no Brasil se situam    na faixa de US$ 0,20-0,25/litro, enquanto que os custos avaliados para o etanol    de milho nos Estados Unidos s&atilde;o de US$ 0,33/litro, para o etanol de trigo    na Europa s&atilde;o de US$ 0,48/litro, e para o etanol de beterraba na Europa    alcan&ccedil;am US$ 0,52/litro.</font></p>     <p><font size="3"> Verifica-se, portanto, que em todos os par&acirc;metros considerados    o etanol da cana produzido no Brasil apresenta as maiores vantagens comparativas.    </font></p>     <p><font size="3"> O governo brasileiro est&aacute; atualmente empenhado na implanta&ccedil;&atilde;o    de um processo de certifica&ccedil;&atilde;o do agrocombust&iacute;vel (etanol    e do biodiesel), que confira ao combust&iacute;vel alternativo um selo de qualidade    que lhe permita obter reconhecimento internacional. A certifica&ccedil;&atilde;o    identificar&aacute; que tipos de combust&iacute;veis s&atilde;o produzidos de    forma sustent&aacute;vel, ou seja, aqueles que cumprem todos os requisitos de    prote&ccedil;&atilde;o ambiental e social, ao n&atilde;o explorar a m&atilde;o-de-obra    na cadeia produtiva. Ela tamb&eacute;m criar&aacute; as condi&ccedil;&otilde;es    para que os combust&iacute;veis alternativos possam ser negociados internacionalmente,    com cota&ccedil;&atilde;o em Bolsa, a exemplo das demais <i>commodities</i>.</font></p>     <p><font size="3">1.2. B<small>IODIESEL</small></font></p>     <p><font size="3">No Brasil, o Programa Nacional de Produ&ccedil;&atilde;o e Uso    do Biodiesel foi implantado a partir da Lei no 11.097, de 13 de janeiro de 2005    (Lei do Biodiesel), que disp&otilde;e sobre a introdu&ccedil;&atilde;o do biodiesel    na matriz energ&eacute;tica brasileira, altera as leis 9478, 9847 e 10.636,    d&aacute; prazos para introdu&ccedil;&atilde;o do consumo de biodiesel na matriz    energ&eacute;tica brasileira, que s&atilde;o de 2% em volume at&eacute; 2008    e 5% em volume em 2013, e que rege v&aacute;rios dispositivos, como altera&ccedil;&otilde;es    nas atribui&ccedil;&otilde;es da Ag&ecirc;ncia Nacional de Petr&oacute;leo,    G&aacute;s Natural e Biocombust&iacute;veis (ANP) na comercializa&ccedil;&atilde;o    dos biocombust&iacute;veis.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"> Por sua vez, o Decreto no 5.448, de 20 de maio de 2005, regulamentou    a Lei no 11.097, que fixou em 2% o porcentual da mistura de biodiesel de car&aacute;ter    obrigat&oacute;rio, e autoriza percentuais maiores de mistura de biodiesel ao    diesel de origem f&oacute;ssil para uso em geradores, locomotivas, embarca&ccedil;&otilde;es    e frotas veiculares cativas.</font></p>     <p><font size="3"><b>Vantagens e desvantagens ambientais do biodiesel </b></font></p>     <p><font size="3"> A utiliza&ccedil;&atilde;o do biodiesel representa um ganho    ambiental significativo no que se refere &agrave; redu&ccedil;&atilde;o das    emiss&otilde;es. Isso porque boa parte do g&aacute;s carb&ocirc;nico emitido    na queima do combust&iacute;vel &eacute; absorvida durante o crescimento da    cultura da mat&eacute;ria-prima utilizada na sua produ&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3"> Na Europa, as emiss&otilde;es de gases de efeito estufa da    queima de biodiesel t&ecirc;m sido avaliadas desde a &uacute;ltima d&eacute;cada,    considerando-se o uso de canola e soja, e &eacute;teres met&iacute;licos. Os    resultados, relativos ao biodiesel puro, indicam uma redu&ccedil;&atilde;o de    40% a 60% das emiss&otilde;es verificadas no diesel mineral.</font></p>     <p><font size="3"> A <a href="#tab02">Tabela 2</a> apresenta os dados comparativos    de emiss&otilde;es de gases poluentes, segundo a propor&ccedil;&atilde;o de    biodiesel presente no combust&iacute;vel.</font></p>     <p><a name="tab02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n3/a10tab02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"> Observa-se que o biodiesel promove uma redu&ccedil;&atilde;o    das principais emiss&otilde;es associadas ao diesel derivado de petr&oacute;leo,    como por exemplo, de &oacute;xidos de enxofre (SOx). A redu&ccedil;&atilde;o    &eacute; proporcional &agrave; quantidade misturada com o &oacute;leo diesel.    Verifica-se tamb&eacute;m uma sens&iacute;vel diminui&ccedil;&atilde;o (10%)    das emiss&otilde;es de materiais particulados quando se usa a mistura de 20%    de biodiesel e, segundo Knothe <i>et al</i>. (9), o uso desse combust&iacute;vel    tamb&eacute;m diminui as emiss&otilde;es de hidrocarbonetos poliarom&aacute;ticos,    que s&atilde;o respons&aacute;veis pelo desenvolvimento de v&aacute;rios tipos    de c&acirc;ncer.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"> Todavia, &eacute; importante salientar que os &oacute;xidos    de nitrog&ecirc;nio (NO<sub>x</sub>) s&atilde;o as &uacute;nicas subst&acirc;ncias    cujas emiss&otilde;es aumentam quando se compara as emiss&otilde;es do biodiesel    com as do diesel mineral. Os &oacute;xidos de nitrog&ecirc;nio reagem na atmosfera,    principalmente sob a&ccedil;&atilde;o da luz solar, formando um conjunto de    gases agressivos denominados oxidantes fotoqu&iacute;micos.</font></p>     <p><font size="3"> O mais importante dentre eles &eacute; o oz&ocirc;nio, que    nas camadas inferiores da atmosfera exerce a&ccedil;&atilde;o nociva sobre os    vegetais, animais, materiais e o homem, mesmo em concentra&ccedil;&otilde;es    relativamente baixas. Nas plantas, o oz&ocirc;nio age como inibidor da fotoss&iacute;ntese,    produzindo les&otilde;es caracter&iacute;sticas nas folhas. No homem, o oz&ocirc;nio    provoca danos na estrutura pulmonar, reduzindo sua capacidade e diminuindo a    resist&ecirc;ncia &agrave;s infec&ccedil;&otilde;es deste &oacute;rg&atilde;o,    causando ainda o agravamento das doen&ccedil;as respirat&oacute;rias, aumentando    a incid&ecirc;ncia de tosse, asma, irrita&ccedil;&otilde;es no trato respirat&oacute;rio    superior e nos olhos.</font></p>     <p><font size="3"> Nesse sentido, uma maior participa&ccedil;&atilde;o do biodiesel    na composi&ccedil;&atilde;o do combust&iacute;vel, especialmente se for utilizado    nos principais centros urbanos, contribuir&aacute; para aumentar ainda mais    os &iacute;ndices de satura&ccedil;&atilde;o do oz&ocirc;nio na baixa altitude,    j&aacute; presentes em v&aacute;rias cidades do pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="3"> Portanto, apesar de parecer evidente as vantagens ambientais    do biodiesel, estudos devem ser realizados para se comparar se o volume de subs&iacute;dios    que esse biocombust&iacute;vel receber&aacute; ser&aacute; menor do que os custos    com sa&uacute;de p&uacute;blica que ocorreriam, caso n&atilde;o houvesse a inser&ccedil;&atilde;o    desse combust&iacute;vel na matriz energ&eacute;tica brasileira. Trata-se de    verificar se n&atilde;o haveriam outras tecnologias mais eficientes do ponto    de vista ambiental, do que a ado&ccedil;&atilde;o do biodiesel. Por exemplo,    deveria se investigar se a ado&ccedil;&atilde;o de padr&otilde;es mais r&iacute;gidos    de n&iacute;vel de poluentes no petrodiesel poderia trazer resultados ambientais    mais satisfat&oacute;rios do que o pr&oacute;prio biodiesel.</font></p>     <p><font size="3"> Estudos realizados para a Alemanha apontam que, a partir de    uma porcentagem a substituir o diesel pelo biodiesel, a pol&iacute;tica do biodiesel    seria menos eficiente do que outras medidas de mitiga&ccedil;&atilde;o de poluentes    atmosf&eacute;ricos devido ao n&iacute;vel de subs&iacute;dios necess&aacute;rios    para esse combust&iacute;vel (10). J&aacute; para os Estados Unidos, Wassel    e Dittmer (11) realizaram um estudo em que chegam &agrave; conclus&atilde;o    de que para o pa&iacute;s, o volume de dinheiro a ser dado para os produtores    de biodiesel compensa os custos n&atilde;o incorridos em sa&uacute;de e tamb&eacute;m    pela ado&ccedil;&atilde;o de novas tecnologias pelo menos at&eacute; 2030.</font></p>     <p><font size="3"> Espera-se que o Brasil realize a an&aacute;lise dessas quest&otilde;es    para que a pol&iacute;tica de investimentos nesse setor n&atilde;o se caracterize    pelo uso ineficiente de recursos p&uacute;blicos. A Embrapa (12) estima que    apenas para a recupera&ccedil;&atilde;o dos solos para o cultivo de biodiesel    ser&atilde;o necess&aacute;rios recursos da ordem de 40 bilh&otilde;es de reais.    N&atilde;o se pode tratar a quest&atilde;o da inser&ccedil;&atilde;o de um novo    combust&iacute;vel na matriz energ&eacute;tica de modo simplista e apressado,    uma vez que seu n&iacute;vel de complexidade requer uma investiga&ccedil;&atilde;o    sistem&aacute;tica das quest&otilde;es tecnol&oacute;gicas, econ&ocirc;micas,    ambientais e sociais envolvidas.</font></p>     <p><font size="3"><b>A quest&atilde;o da soja </b></font></p>     <p><font size="3"> Atualmente, no Brasil, 75% das emiss&otilde;es de gases efeito-estufa    s&atilde;o provenientes das mudan&ccedil;as de uso da terra, dentre estas as    que mais se destacam s&atilde;o as queimadas que ocorrem principalmente no cerrado    a nas bordas da floresta amaz&ocirc;nica e, mais recentemente, alcan&ccedil;ando    &aacute;reas mais profundas da floresta. Hoje, a expans&atilde;o da &aacute;rea    plantada com soja &eacute; uma das principais causas do desmatamento das florestas    do estado do Mato Grosso. Ela &eacute; a maior respons&aacute;vel pelo n&uacute;mero    recorde de 26.130 quil&ocirc;metros quadrados de desmatamento da Amaz&ocirc;nia,    entre agosto de 2003 e agosto de 2004, um crescimento de 6% em rela&ccedil;&atilde;o    ao per&iacute;odo anterior (13). O problema se estende tamb&eacute;m para o    restante da floresta amaz&ocirc;nica. Nos &uacute;ltimos anos, mais de 1 milh&atilde;o    de hectares de florestas foram convertidos em campos de soja na Amaz&ocirc;nia.    Deve-se, dessa maneira, considerar se o benef&iacute;cio proveniente da produ&ccedil;&atilde;o    do biodiesel nessas regi&otilde;es, em que poder&aacute; haver redu&ccedil;&atilde;o    da floresta, ter&aacute; um saldo positivo de emiss&otilde;es de gases de efeito    estufa.</font></p>     <p><font size="3"> Estudos apontam que a din&acirc;mica do desmatamento ocorre,    sobretudo, pela expans&atilde;o das grandes propriedades que se aliam &agrave;s    madeireiras da regi&atilde;o. A primeira busca aumentar sua &aacute;rea de pecu&aacute;ria    extensiva, principalmente, e de plantio; enquanto que a segunda captura madeira    para a comercializa&ccedil;&atilde;o ilegal (14). Nesse contexto, o cultivo    da soja em solo amaz&ocirc;nico n&atilde;o se sustenta por mais de tr&ecirc;s    anos, devido a fragilidade do solo dessa regi&atilde;o. Al&eacute;m disso, os    len&ccedil;&oacute;is fre&aacute;ticos de algumas regi&otilde;es da Amaz&ocirc;nia    se caracterizam por baixa profundidade, o que os deixa mais facilmente expostos    &agrave; contamina&ccedil;&atilde;o pelo uso de agrot&oacute;xicos.</font></p>     <p><font size="3"> A soja ser&aacute; uma das principais oleaginosas do programa    de biodiesel, pois &eacute;, notadamente, a cultura mais bem estabelecida no    territ&oacute;rio brasileiro. Mas, como demonstrado acima, isso poder&aacute;    colaborar para uma altera&ccedil;&atilde;o ainda maior da paisagem geogr&aacute;fica    do pa&iacute;s, causando malef&iacute;cios para a biodiversidade e podendo contaminar    os len&ccedil;&oacute;is fre&aacute;ticos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"> Al&eacute;m desses impactos ambientais, em termos sociais,    a expans&atilde;o dessa monocultura poder&aacute; causar o deslocamento de popula&ccedil;&otilde;es    para outras regi&otilde;es, provavelmente para as cidades tamb&eacute;m numa    mesma regi&atilde;o, devido &agrave; falta de emprego no campo, como observado    anteriormente. Entre 1996 e 2004, a produ&ccedil;&atilde;o de soja mais do que    dobrou, enquanto o n&uacute;mero de trabalhadores envolvidos caiu pela metade.    A din&acirc;mica da produ&ccedil;&atilde;o de soja tem se pautado pelo aumento    da produtividade marcado por redu&ccedil;&atilde;o de m&atilde;o-de-obra, mecaniza&ccedil;&atilde;o,    uso de fertilizantes e de sementes geneticamente modificadas. </font><font size="3">Al&eacute;m    de empregar pouco, essa monocultura tamb&eacute;m apresenta uma din&acirc;mica    concentradora de terra. A grande propriedade expande suas fronteiras assediando    o pequeno produtor para que lhe venda suas terras a pre&ccedil;os acima do mercado.    Vendida a propriedade, o pequeno propriet&aacute;rio migra para terras mais    distantes e compra o dobro ou at&eacute; o triplo de hectares que possu&iacute;a    anteriormente (13), amea&ccedil;ando as florestas. </font></p>     <p><font size="3"> Cabe assinalar que, nos dias de hoje, esse processo de expans&atilde;o    da fronteira agr&iacute;cola est&aacute; se esgotando. O pequeno propriet&aacute;rio    j&aacute; n&atilde;o est&aacute; encontrando mais terras e o fechamento da fronteira    o impele para as grandes cidades.</font></p>     <p><font size="3"> Outro ponto que merece destaque &eacute; a presen&ccedil;a    de grandes empresas, situadas no Centro-Oeste e Sudeste, com produ&ccedil;&atilde;o    de soja em larga escala.</font></p>     <p><font size="3"><b>A redu&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o de outras    culturas </b></font></p>     <p><font size="3"> O Brasil pode ser um dos grandes exportadores de biocombust&iacute;veis    em n&iacute;vel mundial. Entretanto, n&atilde;o se pode permitir que a expans&atilde;o    dos cultivos de plantas oleaginosas destinadas &agrave; produ&ccedil;&atilde;o    de biodiesel ameace a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos. Segundo estudos,    hoje j&aacute; se observa a redu&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o    de algumas culturas usadas na alimenta&ccedil;&atilde;o, como feij&atilde;o,    em prol do aumento da expans&atilde;o das monoculturas (13).</font></p>     <p><font size="3"> Deve-se assegurar que as culturas b&aacute;sicas sejam produzidas    para o mercado interno, ou seja, as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas devem ser    desenhadas de modo que o pre&ccedil;o dessas culturas n&atilde;o aumente muito    e sua garantia de suprimento seja adequada &agrave;s necessidades da popula&ccedil;&atilde;o.    Mas que tamb&eacute;m assegure a adequada remunera&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o    baseada na agricultura familiar.</font></p>     <p><font size="3"> Acredita-se que expans&atilde;o do cultivo de plantas para    a produ&ccedil;&atilde;o de biocombust&iacute;veis deve ser dar em &aacute;reas    dispon&iacute;veis, degradadas ou j&aacute; desflorestadas. Entretanto, na maioria    dos casos, tais &aacute;reas necessitariam de investimentos para serem adaptados    ao plantio. De acordo com informa&ccedil;&otilde;es da Embrapa (12), a necessidade    de investimentos para a recupera&ccedil;&atilde;o dessas &aacute;reas tornaria    mais vantajoso o desmatamento de &aacute;reas novas. Ou seja, pode ser mais    barato derrubar florestas que recuperar &aacute;reas j&aacute; dispon&iacute;veis.    Junto com todas as considera&ccedil;&otilde;es relativas ao meio ambiente, no    que diz respeito &agrave; soja e &agrave; mamona, essa informa&ccedil;&atilde;o    coloca d&uacute;vidas com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; capacidade do governo    de articular o programa de modo que ele n&atilde;o se torne mais um vetor de    desmatamento. </font></p>     <p><font size="3"> Al&eacute;m disso, deve-se recordar que os agrot&oacute;xicos    podem causar a contamina&ccedil;&atilde;o dos len&ccedil;&oacute;is fre&aacute;ticos    e o uso indiscriminado de fertilizantes agr&iacute;colas pode interferir no    equil&iacute;brio &aacute;cido-base dos solos. </font></p>     <p><font size="3"> Espera-se que os &oacute;rg&atilde;os ambientais como o Conselho    Nacional do Meio Ambiente (Conama) trabalhem no sentido de criar resolu&ccedil;&otilde;es    que garantam a expans&atilde;o segura das culturas usadas na produ&ccedil;&atilde;o    de biodiesel. Al&eacute;m disso, fica evidente que aumenta o desafio dos &oacute;rg&atilde;os    ambientais de fiscaliza&ccedil;&atilde;o para que se acompanhe esse processo.    Apenas dessa maneira poder&aacute; se evitar que os benef&iacute;cios ambientais    obtidos na queima do biodiesel n&atilde;o sejam perdidos na sua produ&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3"> Em termos ambientais, tamb&eacute;m &eacute; necess&aacute;rio    que o governo federal d&ecirc; condi&ccedil;&otilde;es &agrave; ANP de cumprir    seu papel de agente fiscalizador do segmento de combust&iacute;veis, evitando    que seja usado combust&iacute;vel fora das especifica&ccedil;&otilde;es e sem    controle do n&iacute;vel de emiss&otilde;es. Tamb&eacute;m &eacute; necess&aacute;rio    um acompanhamento do trabalho das distribuidoras, respons&aacute;veis pela mistura    do biodiesel ao diesel. A elimina&ccedil;&atilde;o do contingenciamento de recursos    do or&ccedil;amento da ag&ecirc;ncia poderia colaborar nesse sentido, na medida    em que daria plenas condi&ccedil;&otilde;es da mesma cumprir suas fun&ccedil;&otilde;es    e contratar pessoal especializado para tanto. Para que esse controle seja feito,    tamb&eacute;m h&aacute; necessidade de investimentos na instala&ccedil;&atilde;o    de laborat&oacute;rios de aferi&ccedil;&atilde;o de qualidade do combust&iacute;vel.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n3/a10img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"> Outro ponto importante a se destacar &eacute; a qualidade dos    empregos gerados pelo programa at&eacute; agora, neste caso os referentes a    todas as oleaginosas usadas. Se o objetivo do governo federal de fato &eacute;    gerar empregos de qualidade, de modo a permitir a implanta&ccedil;&atilde;o    de uma estrat&eacute;gia de desenvolvimento ambientalmente sustent&aacute;vel,    economicamente sustentada e socialmente inclusiva, &eacute; necess&aacute;ria    a revis&atilde;o de alguns procedimentos adotados at&eacute; agora no programa.    Devem ser estudadas formas alternativas de modo que os agricultores tenham uma    participa&ccedil;&atilde;o mais intensa e eficiente no processo tecnol&oacute;gico,    n&atilde;o se limitando apenas &agrave; produ&ccedil;&atilde;o das mat&eacute;rias-primas.    Uma sugest&atilde;o, nesse sentido, &eacute; o fomento de cooperativas que atuem    em todos ositens da cadeia de produ&ccedil;&atilde;o do biodiesel.</font></p>     <p><font size="3"> Com rela&ccedil;&atilde;o ao uso do biodiesel, destaca-se ainda    o fato de que, pelo menos aparentemente, n&atilde;o houve uma preocupa&ccedil;&atilde;o    do governo para fazer com que a produ&ccedil;&atilde;o do combust&iacute;vel    se d&ecirc; nas proximidades dos centros de consumo. Nesse sentido, a obrigatoriedade    dos mesmos porcentuais de mistura em todas as regi&otilde;es do pa&iacute;s    pode ser considerada uma falha. Isso porque algumas regi&otilde;es t&ecirc;m    condi&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o muito grandes e ter&aacute;    de ser gasto tanto diesel como biodiesel para levar essa produ&ccedil;&atilde;o    para os centros consumidores. Uma alternativa, nesse caso, seria as normas preverem    um consumo superior do biocombust&iacute;vel em regi&otilde;es com maior potencial    de produ&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3"> Considerando o programa do biodiesel como um programa de inclus&atilde;o    social, – uma vez que, ao lan&ccedil;&aacute;-lo, o governo federal apresentou-o    como um dos pilares de sua a&ccedil;&atilde;o de inser&ccedil;&atilde;o social    –, observou-se que a atua&ccedil;&atilde;o do aparelho estatal, no que    tange a gera&ccedil;&atilde;o de empregos, limitou-se a uma restrita amplia&ccedil;&atilde;o    do excedente gerado pelos grandes produtores de gr&atilde;os. Os subs&iacute;dios    &agrave; agricultura familiar, da forma como est&atilde;o dispostos, permitem    ao grande produtor que amplie sua margem apenas por comprar mat&eacute;ria-prima    de propriedades que possuam o selo social. Os contratos de compra e venda entre    os agricultores e as empresas ser&atilde;o negociados e os pre&ccedil;os fixados    pelos compradores, gerando uma depend&ecirc;ncia dos primeiros em rela&ccedil;&atilde;o    aos &uacute;ltimos. </font></p>     <p><font size="3"> Al&eacute;m disso, a aparente contradi&ccedil;&atilde;o entre    a agricultura familiar e o agrobusiness n&atilde;o existe, pois o processo de    obten&ccedil;&atilde;o de um biodiesel que atenda &agrave;s especifica&ccedil;&otilde;es    requeridas n&atilde;o &eacute; simples, pois h&aacute; necessidade de laborat&oacute;rio    de controle de qualidade, entre outros aparatos. Deste modo, os dois modelos    atuar&atilde;o de modo a se complementarem, pois o modelo familiar ser&aacute;    apenas um fornecedor de mat&eacute;ria-prima, enquanto que os grandes produtores    ficar&atilde;o respons&aacute;veis pela fabrica&ccedil;&atilde;o do biodiesel    propriamente dito. Assim, o grande produtor, devido &agrave; isen&ccedil;&atilde;o    de impostos, poder&aacute; operar com uma margem muito superior a que teria,    caso comprasse a mat&eacute;ria-prima de fabricantes que n&atilde;o utilizassem    m&atilde;o-de-obra dos agricultores em regime familiar.</font></p>     <p><font size="3"> O que se sugere &eacute; que dentro do &acirc;mbito do programa    se reavalie o papel da agricultura familiar. O programa deveria, como j&aacute;    assinalado, garantir uma porcentagem da produ&ccedil;&atilde;o em regime familiar    e incentivar a forma&ccedil;&atilde;o de cooperativas pr&oacute;ximas a assentamentos    e pequenas propriedades rurais para a produ&ccedil;&atilde;o do biocombust&iacute;vel    e forma&ccedil;&atilde;o de um desenvolvimento rural que privilegie a emancipa&ccedil;&atilde;o    dessas fam&iacute;lias. Tal perspectiva, entretanto, parece long&iacute;nqua,    pois esse modelo necessitaria de uma profunda transforma&ccedil;&atilde;o do    programa e da atua&ccedil;&atilde;o do Estado no que tange &agrave;s pol&iacute;ticas    de reforma agr&aacute;ria. </font><font size="3">O Brasil sempre foi conhecido    como um pa&iacute;s com grande potencial agr&iacute;cola, mas, devido ao processo    ca&oacute;tico de urbaniza&ccedil;&atilde;o, pelo qual passou ao longo do s&eacute;culo    XX, ocorreram grandes migra&ccedil;&otilde;es para as cidades. Boa parte delas    deveu-se ao crescimento da agricultura de grande escala. Na maioria dos casos,    trata-se de um modelo agr&iacute;cola que utiliza pouca m&atilde;o-de-obra e    &eacute; grande concentrador de renda. </font></p>     <p><font size="3"> A partir do fim do regime militar, importantes movimentos sociais    iniciaram sua pauta de reivindica&ccedil;&atilde;o, antes represada pela viol&ecirc;ncia    do modelo autorit&aacute;rio, em prol de melhor distribui&ccedil;&atilde;o das    terras do pa&iacute;s, iniciando, assim, um processo mais intenso de reforma    agr&aacute;ria (15). O Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), apesar de    cr&iacute;ticas de setores da sociedade ligados &agrave;s oligarquias rurais,    vem catalisando o processo de reforma agr&aacute;ria no pa&iacute;s, rompendo,    ou ao menos tentando equilibrar, o poder de barganha dos grandes propriet&aacute;rios    de terra frente aos governos (16).</font></p>     <p><font size="3"> H&aacute; muito a se fazer no que se refere &agrave; quest&atilde;o    agr&aacute;ria no pa&iacute;s, pois, se por um lado o processo de assentamento    de fam&iacute;lias foi intensificado, a expans&atilde;o das monoculturas tem    alcan&ccedil;ado grande crescimento devido, principalmente, &agrave; cultura    da soja. Desse modo, desenvolver alternativas econ&ocirc;micas que garantam    &agrave;s pequenas propriedades e aos novos assentamentos da reforma agr&aacute;ria    a gera&ccedil;&atilde;o de renda e a fixa&ccedil;&atilde;o na terra &eacute;    extremamente importante.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"> Dentre os principais entraves para esses objetivos, Sachs (17)    aponta a descren&ccedil;a pol&iacute;tica das elites brasileiras, e inclusive    de uma parcela da esquerda brasileira, na viabilidade econ&ocirc;mica da agricultura    familiar e na capacidade inovadora das sociedades rurais. </font></p>     <p><font size="3"> O biodiesel poderia lograr um papel importante no alcance desse    contexto de melhoria do quadro social brasileiro, al&eacute;m de colaborar para    a reorienta&ccedil;&atilde;o da trajet&oacute;ria de desenvolvimento econ&ocirc;mico    do pa&iacute;s, devendo ser encarado como um projeto de defini&ccedil;&atilde;o    estrutural da agenda pol&iacute;tica brasileira para a gera&ccedil;&atilde;o    de empregos decentes no campo e para distribui&ccedil;&atilde;o de renda. </font><font size="3">O    programa de biodiesel prev&ecirc; uma forte participa&ccedil;&atilde;o da agricultura    familiar, principalmente nas regi&otilde;es Norte e Nordeste do pa&iacute;s,    com a utiliza&ccedil;&atilde;o de &oacute;leo de dend&ecirc; e de mamona, respectivamente.    Nas outras regi&otilde;es, a soja &eacute; apontada como uma das principais    mat&eacute;rias-primas. Entretanto, outras oleaginosas poder&atilde;o fazer    parte do mercado do biodiesel. </font></p>     <p><font size="3"> O Brasil possui grande expertise na produ&ccedil;&atilde;o    de energia atrav&eacute;s da biomassa. Segundo Peres et al. (18), o pa&iacute;s    possui 90 milh&otilde;es de hectares que podem ser incorporados de maneira sustent&aacute;vel    ao processo produtivo. Somente na Amaz&ocirc;nia, milh&otilde;es de hectares    de &aacute;reas desmatadas poderiam ser utilizados para planta&ccedil;&atilde;o    de dend&ecirc;. Al&eacute;m disso, em &aacute;reas das regi&otilde;es Centro-Oeste    e Sudeste outras culturas como o amendoim, a soja e o girassol podem ser vi&aacute;veis.</font></p>     <p><font size="3"> Entretanto, cabe ressaltar que nesse desenvolvimento rural,    para que se possa alcan&ccedil;ar condi&ccedil;&otilde;es ambientalmente sustent&aacute;veis    e socialmente inclusivas, &eacute; necess&aacute;ria a implanta&ccedil;&atilde;o    de um processo estrat&eacute;gico de modo que as pequenas propriedades possam    ser um dos principais atores do processo. Para tanto, &eacute; importante que    as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas sejam formuladas de modo a garantir os interesses    dos pequenos propriet&aacute;rios de terra. Segundo Sachs (19), o desafio est&aacute;    em aliar o desenvolvimento rural e a garantia de uma agricultura sustent&aacute;vel    que garanta a efici&ecirc;ncia na utiliza&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais    e a gera&ccedil;&atilde;o de emprego atrav&eacute;s da forma&ccedil;&atilde;o    de cooperativas.</font></p>     <p><font size="3"> Al&eacute;m disso, cabe citar que o desenvolvimento de uma    nova classe de empreendedores no meio rural &eacute; importante para que cadeias    produtivas din&acirc;micas surjam no campo, gerando demanda por servi&ccedil;os    rurais. Entretanto, vencer esse desafio n&atilde;o &eacute; simples. H&aacute;    in&uacute;meras barreiras a serem superadas, tais como a falta de aparato institucional    e dificuldades culturais dos pr&oacute;prios agricultores. </font></p>     <p><font size="3"> O biodiesel, em particular quando produzido a partir de oleaginosas    cuja produ&ccedil;&atilde;o &eacute; vi&aacute;vel em pequena agricultura, oferece    uma oportunidade &uacute;nica de gera&ccedil;&atilde;o de emprego associada    &agrave; sustentabilidade ambiental. N&atilde;o colabora com esse quadro, no    entanto, o fato de que a agricultura rural nunca ter sido alvo de pesquisas    e desenvolvimento de tecnologias desenvolvidas especialmente para atender esse    tipo de agricultura. A grande agricultura, por outro lado, tem recebido muitos    investimentos h&aacute; mais de 30 anos, como &eacute; o caso em particular    da soja.</font></p>     <p><font size="3"><b>2. A GERA&Ccedil;&Atilde;O DE ELETRICIDADE A PARTIR DAS ENERGIAS    RENOV&Aacute;VEIS</b> No Brasil, o consumo crescente e o impacto ambiental e    social causados pelas fontes de energias tradicionais levaram o governo e a    sociedade a pensarem em novas alternativas para gera&ccedil;&atilde;o de energia    el&eacute;trica. </font></p>     <p><font size="3"> Diante desse cen&aacute;rio, as fontes alternativas de energia    como e&oacute;lica, solar e biomassa, s&atilde;o consideradas de forma positiva.    Al&eacute;m de causarem impactos substancialmente menores, ainda evitam a emiss&atilde;o    de toneladas de g&aacute;s carb&ocirc;nico na atmosfera. O debate cont&iacute;nuo,    sobre os impactos causados pela depend&ecirc;ncia de combust&iacute;veis f&oacute;sseis,    contribui decisivamente para o interesse mundial por solu&ccedil;&otilde;es    sustent&aacute;veis por meio de gera&ccedil;&atilde;o de energia oriunda de    fontes limpas e renov&aacute;veis, e ambientalmente corretas.</font></p>     <p><font size="3"> Para incentivar a utiliza&ccedil;&atilde;o de fontes alternativas    de energia, foi criado em 26 de abril de 2002, pela Lei nº 10.438, o Programa    de Incentivo &agrave;s Fontes Alternativas de Energia El&eacute;trica (Proinfa),    o qual posteriormente foi revisado pela Lei nº 10.762, de 11 de novembro    de 2003, que assegurou a participa&ccedil;&atilde;o de um maior n&uacute;mero    de estados no programa, o incentivo &agrave; ind&uacute;stria nacional e a exclus&atilde;o    dos consumidores de baixa renda do rateio da compra da nova energia. O objetivo    principal do programa &eacute; financiar, com suporte do Banco Nacional de Desenvolvimento    Social (BNDES), projetos de gera&ccedil;&atilde;o de energias a partir dos ventos    (energia e&oacute;lica), Pequenas Centrais Hidrel&eacute;tricas (PCHs) e baga&ccedil;o    de cana, casca de arroz, cavaco de madeira e biog&aacute;s de aterro sanit&aacute;rio    (biomassa).</font></p>     <p><font size="3"> A linha de cr&eacute;dito prev&ecirc; financiamento de at&eacute;    70% do investimento, excluindo apenas bens e servi&ccedil;os importados e aquisi&ccedil;&atilde;o    de terrenos. Os investidores ter&atilde;o que garantir 30% do projeto com capital    pr&oacute;prio. As condi&ccedil;&otilde;es do financiamento s&atilde;o: Taxa    de Juros de Longo Prazo (TJLP)+ 2% de spread b&aacute;sico e at&eacute; 1,5%    de spread de risco ao ano, car&ecirc;ncia de seis meses ap&oacute;s a entrada    em opera&ccedil;&atilde;o comercial, amortiza&ccedil;&atilde;o por dez anos    e n&atilde;o-pagamento de juros durante a constru&ccedil;&atilde;o do empreendimento.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"> A Eletrobr&aacute;s (Centrais El&eacute;tricas Brasileiras    S.A.) &eacute; a respons&aacute;vel pela contrata&ccedil;&atilde;o dos projetos    e ap&oacute;s a chamada p&uacute;blica recebe projetos de v&aacute;rios empreendedores    interessados. No contrato de compra de energia de longo prazo (PPAs), a mesma    Eletrobr&aacute;s assegura ao empreendedor uma receita m&iacute;nima de 70%    da energia centralizada, durante o per&iacute;odo de financiamento, e prote&ccedil;&atilde;o    integral quanto aos riscos de exposi&ccedil;&atilde;o do mercado de curto prazo.    Os contratos t&ecirc;m dura&ccedil;&atilde;o de 20 anos e envolvem projetos    selecionados que entrariam em opera&ccedil;&atilde;o at&eacute; dezembro de    2006.</font></p>     <p><font size="3"> Al&eacute;m de ser visto como um importante instrumento para    a diversifica&ccedil;&atilde;o da matriz energ&eacute;tica do pa&iacute;s, o    Proinfa quer garantir maior confiabilidade e seguran&ccedil;a ao abastecimento,    principalmente ap&oacute;s a crise do setor e o racionamento de 2001. Uma das    exig&ecirc;ncias da legisla&ccedil;&atilde;o &eacute; a obrigatoriedade de um    &iacute;ndice de nacionaliza&ccedil;&atilde;o de 60% do custo total de constru&ccedil;&atilde;o    dos projetos. O programa permite, tamb&eacute;m, maior inser&ccedil;&atilde;o    do pequeno produtor de energia el&eacute;trica diversificando o n&uacute;mero    de agentes do setor.</font></p>     <p><font size="3"> Os crit&eacute;rios de regionaliza&ccedil;&atilde;o estabeleceram    um limite de contrata&ccedil;&atilde;o por estado de 20% da pot&ecirc;ncia total    destinada &agrave;s fontes e&oacute;lica e biomassa, e 15% para as PCHs. Caso    n&atilde;o seja contratada a totalidade dos 1.100 MW destinados a cada tecnologia,    o potencial n&atilde;o contratado seria distribu&iacute;do entre os estados.    A contrata&ccedil;&atilde;o inicial &eacute; para gera&ccedil;&atilde;o de 3.300    MW de energia, sendo 1.100 MW de cada fonte, com previs&atilde;o de investimentos    na ordem de R$ 8,6 bilh&otilde;es. </font><font size="3">Apesar de alternativa,    a energia solar n&atilde;o est&aacute; contemplada no programa; isto porque    a energia solar &eacute; aplicada a sistemas de pequeno porte, em comunidades    isoladas, e o Proinfa, &eacute; destinado a tecnologias mais amadurecidas, com    possibilidade de manter unidades de maior porte, o que n&atilde;o &eacute; o    caso da energia solar. Al&eacute;m disso, o programa &eacute; destinado &agrave;s    fontes que podem ser integradas do Sistema El&eacute;trico Interligado Nacional    (SIN), o qual &eacute; considerado o principal sistema de produ&ccedil;&atilde;o    e transmiss&atilde;o de energia el&eacute;trica do pa&iacute;s. &Eacute; formado    por empresas da regi&atilde;o Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e parte da    regi&atilde;o Norte. Dados do Operador Nacional do Sistema El&eacute;trico (ONS),    indicam que apenas 3,4% da capacidade de produ&ccedil;&atilde;o de eletricidade    do Brasil est&aacute; fora do SIN, em pequenos sistemas isolados.</font></p>     <p><font size="3"> A despeito da grande aceita&ccedil;&atilde;o e benef&iacute;cios    que o programa prev&ecirc;, a assessoria de imprensa do Minist&eacute;rio de    Minas e Energia tem informado que n&atilde;o h&aacute; proje&ccedil;&otilde;es    futuras para o Proinfa. O n&uacute;mero de empresas que se apresentaram para    participar do programa foi maior que o esperado pelo governo. Foram apresentados    projetos envolvendo gera&ccedil;&atilde;o de 6.600 MW, o dobro de energia solicitada    pela Eletrobr&aacute;s. Aqueles que tinham licen&ccedil;a ambiental antiga tiveram    prioridade e os empreendimentos deveriam entrar em funcionamento a partir de    dezembro de 2006.</font></p>     <p><font size="3"> A produ&ccedil;&atilde;o de 3,3 mil MW a partir de fontes alternativas    renov&aacute;veis dobraria a participa&ccedil;&atilde;o na matriz de energia    el&eacute;trica brasileira das fontes e&oacute;licas, biomassa e PCH, que atualmente    respondem por 3,1% ao total produzido e que no final de 2006, poderiam chegar    a 6%.</font></p>     <p><font size="3"> Entretanto, dados de fevereiro de 2008 do Departamento de Desenvolvimento    Energ&eacute;tico do MME indicavam que 1.001,18 MW estavam em opera&ccedil;&atilde;o    comercial, representando apenas 30,3% do total previsto inicialmente pelo programa.</font></p>     <p><font size="3">2.1. E<small>NERGIA</small> E<small>&Oacute;LICA</small></font></p>     <p><font size="3">A energia dos ventos pode ser explicada, em termos f&iacute;sicos,    como aquela de origem cin&eacute;tica formada nas massas de ar em movimento.    Seu aproveitamento &eacute; feito por meio de convers&atilde;o da energia cin&eacute;tica    de transla&ccedil;&atilde;o, em energia cin&eacute;tica de rota&ccedil;&atilde;o.    Para a produ&ccedil;&atilde;o de energia e&oacute;lica, s&atilde;o utilizadas    turbinas tamb&eacute;m conhecidas como aerogeradores, e para a realiza&ccedil;&atilde;o    de trabalhos mec&acirc;nicos (como bombeamento de &aacute;gua ou a moagem do    trigo), cata-ventos de diversos tipos.</font></p>     <p><font size="3"> As primeiras experi&ecirc;ncias para gera&ccedil;&atilde;o    de eletricidade por meio dos ventos surgiram no s&eacute;culo XIX. Em 1976,    menos de um s&eacute;culo ap&oacute;s o in&iacute;cio dos estudos, foi instalada    na Dinamarca, a primeira turbina e&oacute;lica comercial ligada &agrave; rede    el&eacute;trica p&uacute;blica. Atualmente, existem mais de 30.000 MW de capacidade    instalada no mundo. A maioria dos projetos est&aacute; localizada na Alemanha,    Dinamarca, Espanha e nos Estados Unidos. No Brasil, os primeiros anem&oacute;grafos    computadorizados e sensores especiais para medi&ccedil;&atilde;o do potencial    e&oacute;lico, foram instalados no Cear&aacute; e em Fernando de Noronha (PE),    no in&iacute;cio dos anos 1990 (20).</font></p>     <p><font size="3"> Dados do Atlas Potencial E&oacute;lico Brasileiro, apontam    que o potencial e&oacute;lico brasileiro indicativo &eacute; de 143.000 MW (272,2    TWh/ano), sendo que 7.694,05 MW foram autorizados. Atualmente, as 15 usinas    em opera&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m capacidade instalada para gerar apenas 236,8    MW. As &aacute;reas com maior potencial el&eacute;trico encontram-se nas regi&otilde;es    Nordeste, Sul e Sudeste. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"> Sob o ponto de vista ambiental, algumas restri&ccedil;&otilde;es    &agrave; implanta&ccedil;&atilde;o de usinas e&oacute;licas no Brasil devem    ser assinaladas. Estima-se que a metade do potencial e&oacute;lico da regi&atilde;o    Nordeste (75.000 MW, ou 144,3 TWh/ano) esteja localizado em &Aacute;reas de    Preserva&ccedil;&atilde;o Permanente (APPs) em fun&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia    de dunas. A instala&ccedil;&atilde;o das turbinas e&oacute;licas em torres imp&otilde;e    a necessidade da ado&ccedil;&atilde;o de cuidados para evitar problemas decorrentes    da fragilidade desses terrenos. Outra restri&ccedil;&atilde;o deve-se ao impacto    visual decorrente da presen&ccedil;a dessas turbinas em &aacute;reas consagradas    ao turismo. Ainda, deve-se considerar a necessidade de estudos pr&eacute;vios    com respeito &agrave;s rotas de migra&ccedil;&atilde;o das aves, de forma a    evitar que as turbinas e&oacute;licas sejam obst&aacute;culos aos movimentos    migrat&oacute;rios das mesmas.</font></p>     <p><font size="3">2.2. B<small>IOMASSA</small> </font></p>     <p><font size="3">Mat&eacute;ria org&acirc;nica de origem animal ou vegetal que    pode ser utilizada na produ&ccedil;&atilde;o de energia hidr&aacute;ulica e    outras fontes renov&aacute;veis, a biomassa &eacute; uma forma indireta de energia    solar, pois resulta da convers&atilde;o de energia solar em energia qu&iacute;mica    por meio da fotoss&iacute;ntese, base dos processos biol&oacute;gicos dos seres    vivos.</font></p>     <p><font size="3"> Uma das principais vantagens da biomassa &eacute; o seu aproveitamento    direto por meio da combust&atilde;o da mat&eacute;ria org&acirc;nica em fornos    ou caldeiras. Atualmente, a biomassa vem sendo bastante utilizada na gera&ccedil;&atilde;o    de eletricidade, principalmente em sistemas de co-gera&ccedil;&atilde;o (produ&ccedil;&atilde;o    simult&acirc;nea de calor e eletricidade) e no suprimento de eletricidade de    comunidades isoladas de rede el&eacute;trica.</font></p>     <p><font size="3"> Segundo dados preliminares do Balan&ccedil;o Energ&eacute;tico    Nacional (BEN, 2007), a participa&ccedil;&atilde;o da biomassa na matriz energ&eacute;tica    brasileira (oferta interna de eletricidade e combust&iacute;veis) &eacute; de    30,9%, a partir da utiliza&ccedil;&atilde;o de lenha e carv&atilde;o vegetal    (12,0%), produtos da cana-de-a&ccedil;&uacute;car (15,7%) e outros (3,2%). O    potencial autorizado para empreendimento de gera&ccedil;&atilde;o de energia    el&eacute;trica de acordo com a Ag&ecirc;ncia Nacional de Energia El&eacute;trica    (Aneel), &eacute; de 1.376,5 MW, quando se consideram apenas centrais geradoras    que utilizam baga&ccedil;o de cana-de-a&ccedil;&uacute;car (1.198,2 MW), res&iacute;duos    de madeira (41,2 MW), biog&aacute;s ou g&aacute;s de aterro (20 MW) e lix&iacute;via,    tamb&eacute;m conhecida como licor negro (117,1 MW). Durante o ano de 2006 tr&ecirc;s    novas centrais geradoras a biomassa (baga&ccedil;o de cana), entraram em opera&ccedil;&atilde;o    comercial no pa&iacute;s inserindo 59,44 MW &agrave; matriz de energia el&eacute;trica    nacional. </font></p>     <p><font size="3"> O setor sucroalcooleiro det&eacute;m a maior capacidade de    gera&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica (2.764 MW), que representa    70% da gera&ccedil;&atilde;o com biomassa, a partir do aproveitamento do baga&ccedil;o    de cana e da palha em centrais t&eacute;rmicas. </font></p>     <p><font size="3"> O baga&ccedil;o de cana-de-a&ccedil;&uacute;car &eacute; a    biomassa de maior representatividade na matriz energ&eacute;tica brasileira,    sendo respons&aacute;vel pelo suprimento de energia t&eacute;rmica, mec&acirc;nica    e el&eacute;trica das unidades de produ&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car    e &aacute;lcool, atrav&eacute;s da produ&ccedil;&atilde;o simult&acirc;nea de    calor e eletricidade por sistemas de co-gera&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3"> De acordo com dados da Uni&atilde;o da Agroind&uacute;stria    Canavieira (21), da pot&ecirc;ncia instalada para gera&ccedil;&atilde;o a partir    de baga&ccedil;o de cana, 700 MW est&atilde;o sendo vendidos para as concession&aacute;rias    de energia. A previs&atilde;o do setor &eacute; de que na safra 2009/2010 sejam    produzidos 560 milh&otilde;es de toneladas de cana, um crescimento de cerca    de 45%, e que a pot&ecirc;ncia instalada no setor aumentaria em 4.000 MW.</font></p>     <p><font size="3"> Entretanto, ainda existe espa&ccedil;o para o aprimoramento    tecnol&oacute;gico de muitas usinas. Um assunto que h&aacute; bastante tempo    &eacute; apontado como de grande import&acirc;ncia para o setor, principalmente    por cientistas e acad&ecirc;micos (22;23;24), e que vem agora ganhando for&ccedil;a,    especialmente em raz&atilde;o do interesse das usinas pelo mercado de energia,    e tamb&eacute;m devido a quest&otilde;es ambientais, &eacute; o uso da palha    da cana.</font></p>     <p><font size="3"> Segundo Macedo e Nogueira (25), foram feitas estimativas quanto    ao aumento dos excedentes de eletricidade para diversos n&iacute;veis de tecnologias,    convencionais ou em desenvolvimento. Os resultados mostram que a opera&ccedil;&atilde;o    com sistemas convencionais de alta press&atilde;o, utilizando 40% da palha recuperada,    se implantada em 80% dos sistemas, com a produ&ccedil;&atilde;o atual de cana,    poderia gerar cerca de 30 TWh de excedentes. A tecnologia mais promissora, que    conduziria a um aumento consider&aacute;vel da produ&ccedil;&atilde;o de energia    el&eacute;trica, &eacute; a gaseifica&ccedil;&atilde;o de biomassa integrada    &agrave; turbina a g&aacute;s (BIG/GT). Ainda n&atilde;o existem processos comerciais.    A gaseifica&ccedil;&atilde;o de biomassa no setor sucroalcooleiro tem sido intensivamente    estudada (22;24).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"> O setor arrozeiro brasileiro est&aacute; concentrado na regi&atilde;o    Sul do pa&iacute;s, onde em 2006 foram produzidos 7,5 milh&otilde;es de toneladas,    57% da produ&ccedil;&atilde;o nacional, de 13,2 milh&otilde;es de toneladas    (IBGE, 2005).</font></p>     <p><font size="3"> A casca de arroz representa 20% (em peso) da quantidade total    de arroz colhida. O Brasil possui um potencial de gera&ccedil;&atilde;o de energia    de 337 MW, concentrados principalmente nos estados do Rio Grande do Sul e Mato    Grosso (26). </font><font size="3">Ainda segundo o Banco de Informa&ccedil;&otilde;es    sobre Gera&ccedil;&atilde;o, da Aneel, existem no Brasil duas unidades gerando    energia a partir de cascas de arroz, com pot&ecirc;ncia instalada de 6,4 MW,    e mais quatro unidades est&atilde;o aguardando autoriza&ccedil;&atilde;o para    instalarem mais 25 MW.</font></p>     <p><font size="3"> Nas usinas termel&eacute;tricas, a lix&iacute;via – res&iacute;duo    resultante do processo de cozimento da madeira para produ&ccedil;&atilde;o de    celulose, denominado processo sulfato ou kraft – &eacute; utilizada como    combust&iacute;vel no processo de co-gera&ccedil;&atilde;o, com capacidade instalada    total de 783 MW, associada &agrave;s demais fontes de gera&ccedil;&atilde;o    pr&oacute;pria existentes no segmento de papel e celulose, que produzem 47%    da eletricidade consumida.</font></p>     <p><font size="3"> A gera&ccedil;&atilde;o de eletricidade empregando res&iacute;duos    de madeira &eacute; mais acentuada nas ind&uacute;strias de celulose e nas integradas    (fabricantes de papel e celulose), pois nesses grupos ocorre o processamento    da madeira, que &eacute; a mat&eacute;ria-prima para produ&ccedil;&atilde;o    de celulose. A madeira aproveitada para a gera&ccedil;&atilde;o de energia deriva    das cascas e aparas das &aacute;rvores processadas. Nessas unidades a produ&ccedil;&atilde;o    de energia atende de 50% a 80% da demanda interna, j&aacute; as unidades que    fabricam apenas papel geram apenas 10% da energia consumida no processo, comprando    o restante das concession&aacute;rias (27). Algumas unidades produtoras vendem    o excedente para a rede, como &eacute; o caso da Celulose Nipo-Brasileira S.A.    (Cenibra), que desde 2001 deixou de comprar energia da concession&aacute;ria    e passou a vender cerca de 200 MWh/dia (28).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n3/a10img02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">2.3. PCH<small>S</small> – P<small>EQUENAS</small> C<small>ENTRAIS</small>    H<small>IDREL&Eacute;TRICAS</small></font></p>     <p><font size="3">S&atilde;o usinas com pot&ecirc;ncia instalada superior a 1    MW e igual ou inferior a 30 MW, que atendem aos requisitos das resolu&ccedil;&otilde;es    especificadas na Aneel. Como s&atilde;o empreendimentos que, em geral, procuram    atender demandas pr&oacute;ximas aos centros de carga, em &aacute;reas perif&eacute;ricas    ao sistema de transmiss&atilde;o, as PCHs t&ecirc;m papel cada vez mais relevante    na promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento da gera&ccedil;&atilde;o distribu&iacute;da    no pa&iacute;s. Segundo dados da Aneel (dezembro de 2006), um total de 63 PCHs    estavam sendo constru&iacute;das, com uma pot&ecirc;ncia de 1.061,49 MW.</font></p>     <p><font size="3"> A maioria dos pequenos aproveitamentos hidrel&eacute;tricos    em opera&ccedil;&atilde;o localiza-se nas regi&otilde;es Sul e Sudeste, nas    bacias do Paran&aacute; e do Atl&acirc;ntico Sudeste, pr&oacute;ximos dos grandes    centros consumidores de energia el&eacute;trica. A regi&atilde;o Centro-Oeste,    onde se encontra a maioria dos demais aproveitamentos, concentra o maior potencial    nos novos projetos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"> O Brasil possui um potencial inventariado de 9.800 MW em pequenos    aproveitamentos hidrel&eacute;tricos, sendo que cerca de 1.600 MW estavam em    opera&ccedil;&atilde;o em dezembro de 2006.</font></p>     <p><font size="3"> Sob o ponto de vista socioambiental, a constru&ccedil;&atilde;o    de pequenas centrais hidrel&eacute;tricas tamb&eacute;m deve ser concebida com    os mesmos cuidados que deveriam ser observados nos grandes aproveitamentos hidrel&eacute;tricos.    Ortiz (29) assinala que "&eacute; evidente que uma PCH pode causar menor    impacto do que uma grande central hidrel&eacute;trica, contudo, dentro das especificidades    socioambientais de uma regi&atilde;o, pode infligir impactos muito graves e    irrevers&iacute;veis para um bioma determinado e para as popula&ccedil;&otilde;es    que nele e dele vivem". </font></p>     <p><font size="3"> Na hist&oacute;ria recente da gera&ccedil;&atilde;o hidrel&eacute;trica,    exemplos de PCHs com grandes impactos n&atilde;o s&atilde;o poucos. A PCH Fuma&ccedil;a    (10MW), constru&iacute;da no munic&iacute;pio de Diogo Vasconcelos (MG), deslocou    compulsoriamente 200 fam&iacute;lias com o in&iacute;cio de sua opera&ccedil;&atilde;o,    em abril de 2003. Pessoas que dependiam das margens do rio para sua sobreviv&ecirc;ncia    e que mantinham uma rela&ccedil;&atilde;o complexa com a natureza: meeiros,    paneleiros (artes&atilde;os que utilizavam a pedra sab&atilde;o), faiscadores,    diaristas e agricultores que at&eacute; hoje enfrentam problemas de indeniza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3"> Por sua vez, o projeto da PCH Aiuruoca (16 MW), na bacia do    Rio Grande (MG), prev&ecirc; a forma&ccedil;&atilde;o de um reservat&oacute;rio    de 16 ha, que estar&aacute; suprimido um importante e &uacute;nico trecho de    Mata Atl&acirc;ntica respons&aacute;vel pela conectividade das matas do Parque    Estadual da Serra do Papagaio e as matas do Parque Nacional do Itatiaia. Essa    usina, cuja opera&ccedil;&atilde;o ser&aacute; a fio d'&aacute;gua, ir&aacute;    comprometer as condi&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias do n&uacute;cleo urbano    de Aiuruoca, localizado a jusante do barramento (trecho de vaz&atilde;o reduzida),    j&aacute; que o esgoto (dom&eacute;stico e hospitalar) da cidade &eacute; lan&ccedil;ado    diretamente no rio (30).</font></p>     <p><font size="3"><b>3. &Agrave; GUISA DE CONCLUS&Atilde;O</b> A amplia&ccedil;&atilde;o    da participa&ccedil;&atilde;o das energias renov&aacute;veis na oferta energ&eacute;tica    mundial &eacute; desej&aacute;vel, mas n&atilde;o pode ser entendida como uma    alternativa para a completa substitui&ccedil;&atilde;o das fontes energ&eacute;ticas    tradicionais.</font></p>     <p><font size="3"> Particularmente, na gera&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica,    seu car&aacute;ter de intermit&ecirc;ncia, n&atilde;o sendo dispon&iacute;vel    o tempo todo, determina a natureza de complementaridade das fontes renov&aacute;veis    &agrave;s fontes tradicionais.</font></p>     <p><font size="3"> No que se refere &agrave;s possibilidades de substitui&ccedil;&atilde;o    dos combust&iacute;veis f&oacute;sseis pelos biocombust&iacute;veis, &eacute;    absolutamente imposs&iacute;vel que o etanol ou o biodiesel substituam os derivados    de petr&oacute;leo, dada a escala de terras agr&iacute;colas que essa substitui&ccedil;&atilde;o    determinaria. </font></p>     <p><font size="3"> Em realidade, o principal desafio que a atual crise energ&eacute;tica    e ambiental nos imp&otilde;e &eacute; o da necess&aacute;ria redefini&ccedil;&atilde;o    do padr&atilde;o de produ&ccedil;&atilde;o e de consumo que caracteriza o mundo    atual. Os pa&iacute;ses industrializados manifestam uma hipocrisia sem igual    quando prop&otilde;em ao mundo seu modelo de desenvolvimento, quando sabem que    a extens&atilde;o desses privil&eacute;gios ao mundo inteiro &eacute; imposs&iacute;vel,    j&aacute; que ele sup&otilde;e justamente a manuten&ccedil;&atilde;o de parte    da humanidade na iniq&uuml;idade. </font></p>     <p><font size="3"> Uma preocupa&ccedil;&atilde;o deve ser assinalada: que a oferta    de energia renov&aacute;vel, em particular a bioenergia, se resuma a uma estrat&eacute;gia    do capital se valendo da nova onda ambiental. Quando se oferece sob o selo da    sustentabilidade carros e caminhos que possam utilizar etanol ou biodiesel,    n&atilde;o mudamos nada no modelo de desenvolvimento. Este continuar&aacute;    baseado sobre o modelo de transporte individual e o uso intensivo de recursos    naturais. Se poupamos combust&iacute;veis f&oacute;sseis, continuamos gastando    energia para produzir a&ccedil;o e ve&iacute;culos. Encontramos mais uma "solu&ccedil;&atilde;o"    para evitar enfrentar a quest&atilde;o de fundo: de um lado, a reorienta&ccedil;&atilde;o    para o transporte coletivo e as ferrovias, hidrovias e navega&ccedil;&atilde;o    de cabotagem; e do outro, a imperiosa necessidade de reduzir os circuitos de    produ&ccedil;&atilde;o e comercializa&ccedil;&atilde;o, extremamente energ&iacute;voros    e destruidores das economias locais e regionais (31).</font></p>     <p><font size="3"> Vale ressaltar que, mais do que o biodiesel, o carro-chefe    das energias renov&aacute;veis &eacute; o etanol. A produ&ccedil;&atilde;o da    cana-de-a&ccedil;&uacute;car passa longe da democratiza&ccedil;&atilde;o da    terra e da sustentabilidade. Vastas extens&otilde;es de terra cont&iacute;guas    est&atilde;o sendo subtra&iacute;das aos ecossistemas naturais; a queima da    cana e o uso de agrot&oacute;xicos continuam. Mais fam&iacute;lias est&atilde;o    sendo compelidas a sair da ro&ccedil;a. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"> A produ&ccedil;&atilde;o do biodiesel escapa hoje, em boa parte,    do programa governamental e come&ccedil;a a trilhar o mesmo caminho insustent&aacute;vel    da cana. A soja n&atilde;o tem uma grande efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica.    Seu &oacute;leo &eacute; um sub-produto e o farelo, o principal produto, utilizado    para alimenta&ccedil;&atilde;o animal, o que elevou o Brasil ao posto de segundo    maior produtor e exportador mundial. Mesmo assim, os produtores de soja em particular,    se posicionam fortemente tamb&eacute;m como produtores potenciais de biodiesel.    Se a efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica do &oacute;leo de soja &eacute; baixa,    a efici&ecirc;ncia dos lobbies do agroneg&oacute;cio poder&aacute; suprir essa    car&ecirc;ncia. </font></p>     <p><font size="3"> Preocupa a inten&ccedil;&atilde;o manifestada pelo governo    de orientar parte da produ&ccedil;&atilde;o de &aacute;lcool etanol e de biodiesel    para a exporta&ccedil;&atilde;o. A Uni&atilde;o Europ&eacute;ia acaba de publicar    seu novo plano energ&eacute;tico, que imp&otilde;e colocar na sua gasolina e    no seu diesel 10% de biocombust&iacute;vel at&eacute; 2020. Observadores estimam    que a Europa n&atilde;o ter&aacute; condi&ccedil;&atilde;o de produzir biomassa    em quantidade suficiente para atender &agrave;s exig&ecirc;ncias colocadas pelas    novas normas, sem colocar em risco o seu abastecimento alimentar. </font></p>     <p><font size="3"> O Brasil est&aacute; se inserindo na nova distribui&ccedil;&atilde;o    internacional do trabalho como o pa&iacute;s que vai resolver a quest&atilde;o    do clima e da pobreza, exportando parte do seu &aacute;lcool e do seu biodiesel    e vendendo sua tecnologia. O avan&ccedil;o da pecu&aacute;ria e da soja sobre    o cerrado e a floresta amaz&ocirc;nica em particular, nos fazem imaginar o impacto    que tal din&acirc;mica teria, tanto sobre os ecossistemas quanto sobre a sua    popula&ccedil;&atilde;o de pequenos produtores e agroextrativistas sobreviventes.</font></p>     <p><font size="3"> Importa, por isso, apoiar as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas    voltadas para as energias alternativas, para que n&atilde;o se subordinem &agrave;    l&oacute;gica do mercado e mantenham seu car&aacute;ter p&uacute;blico, num    duplo sentido: o de criar mecanismos de redu&ccedil;&atilde;o das desigualdades,    que n&atilde;o sejam meras medidas compensat&oacute;rias, e o de ter uma vis&atilde;o    de futuro, para al&eacute;m dos interesses imediatos. As energias renov&aacute;veis    e sustent&aacute;veis oferecem condi&ccedil;&otilde;es de responder a esses    dois par&acirc;metros da a&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. Elas sup&otilde;em    uma vis&atilde;o descentralizada da gera&ccedil;&atilde;o e da distribui&ccedil;&atilde;o    de energia. Elas abrem a possibilidade de inova&ccedil;&atilde;o. Vemos aqui    uma rica possibilidade de desenvolvimento de tecnologia apropriada pr&oacute;pria;    a gera&ccedil;&atilde;o de empregos em n&uacute;mero bem maior do que o fornecido    no sistema atual; um efeito de sinergia a ser criado localmente entre a gera&ccedil;&atilde;o    e a distribui&ccedil;&atilde;o e empreendimentos agroindustriais e industriais    locais. </font></p>     <p><font size="3"> Evidentemente que, por si s&oacute;, esse tipo de iniciativas    n&atilde;o resolve a situa&ccedil;&atilde;o. Mas elas t&ecirc;m que ser vistas    como parte de um novo movimento e abordagem da crise energ&eacute;tica. Frente    &agrave; cat&aacute;strofe ambiental anunciada, a humanidade est&aacute; buscando    se reconciliar consigo mesma e com o planeta Terra.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><i><b>C&eacute;lio Bermann</b> &eacute; professor livre-docente    do Instituto de Eletrot&eacute;cnica e Energia da USP, coordenador da linha    de pesquisa "Energia, sociedade e meio ambiente" do Programa Interunidades    de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Energia da USP. E-mail: <a href="mailto:cbermann@iee.usp.br">cbermann@iee.usp.br</a></i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS E NOTAS</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">1. IEA-International Energy Agency. <i>World Energy Statistics</i>,    2007.</font><!-- ref --><p><font size="3"> 2. IEA-International Energy Agency. <i>World Energy Outlook</i>,    2004.</font><!-- ref --><p><font size="3"> 3. Coelho, S. T.; Goldemberg, J.; Lucon, O.; Guardabassi, P.    "Brazilian sugarcane ethanol: lessons learned". Artigo apresentado    no STAP Workshop on Liquid Biofuels, Delhi, 29/agosto-02 setembro de 2005.</font><!-- ref --><p><font size="3"> 4. Franco, A. R. "Aspectos epidemiol&oacute;gicos da    queima de canaviais na regi&atilde;o de Ribeir&atilde;o Preto". Palestra    proferida no Centro de Estudos Brasileiros (Faculdade de Medicina de Ribeir&atilde;o    Preto, USP). Ribeir&atilde;o Preto, 1992.</font><!-- ref --><p><font size="3"> 5. Neves, E.M. et al. <i>Minimiza&ccedil;&atilde;o de custo    de transportes de &aacute;lcool</i>. Instituto de Economia Agr&iacute;cola,    2004. </font><!-- ref --><p><font size="3"> 6. Macedo, I. C. (org): <i>A energia da cana-de-a&ccedil;&uacute;car    – doze estudos sobre a agroind&uacute;stria da cana-de-a&ccedil;&uacute;car    no Brasil e a sua sustentabilidade</i>. 2ª edi&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o    Paulo: Ed. UNICA, 2007.</font><!-- ref --><p><font size="3"> 7. Machado, C. M. M. ; Abreu, F. R. "Produ&ccedil;&atilde;o    de &aacute;lcool combust&iacute;vel a partir de carboidratos". <i>Revista    de Pol&iacute;tica Agr&iacute;cola</i>, v. 15, p. 64-82, 2007.</font><!-- ref --><p><font size="3"> 8. Oliveira, L.B.; Costa, A.O. <i>Biodiesel: uma experi&ecirc;ncia    de desenvolvimento sustent&aacute;vel</i>. Rio de Janeiro : IVIG/Coppe/UFRJ,    2001. </font><!-- ref --><p><font size="3"> 9. Knothe, G.; Dunn, R. O.; Bagby, M.O. <i>Biodiesel: the use    of vegetable oils and their derivatives as alternative diesel fuel</i>. 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(coord.). <i>Agroneg&oacute;cio + Agroenergia: impactos cumulativos e tend&ecirc;ncias    territoriais da expans&atilde;o das monoculturas para a produ&ccedil;&atilde;o    de bioenergia</i>. FBOMS/GTEnergia, Agosto de 2006. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.fboms.org.br" target="_blank">http://    www.fboms.org.br</a>. </font><!-- ref --><p><font size="3"> 14. Escada, I. S. B.; et al. "Processos de ocupa&ccedil;&atilde;o    nas novas fronteiras da Amaz&ocirc;nia: O interfluvio do Xingu/Iriri".    S&atilde;o Paulo: <i>Revista de Estudos Avan&ccedil;ados</i>, 19 (54), 2005.</font><p><font size="3"> 15. De 1964 a 1984 o governo militar distribuiu terras a 77    mil fam&iacute;lias. De 1985 a 1994, mais de 140 mil fam&iacute;lias foram beneficiadas    pela reforma agr&aacute;ria. De 1995 a 2001, o governo da &eacute;poca assentou    584 mil fam&iacute;lias em 19,7 milh&otilde;es de hectares. O atual governo    tem como meta o assentamento de 400 mil fam&iacute;lias no per&iacute;odo do    primeiro mandato.</font></p>     <p><font size="3"> 16. Apesar de todas as cr&iacute;ticas que o MST vem sofrendo    ao longo dos anos, este movimento social tem conseguido manter a quest&atilde;o    da reforma agr&aacute;ria presente nos &uacute;ltimos governos.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="3"> 17. Sachs, I. "Brasil rural: da redescoberta &agrave;    inven&ccedil;&atilde;o". <i>Revista de Estudos Avan&ccedil;ados</i>, 15    (43), 2001.</font><!-- ref --><p><font size="3"> 18. Peres, J.R.R. ; Freitas Jr., E.; Gazzoni, D.L. "Biocombust&iacute;veis    uma oportunidade para o agroneg&oacute;cio brasileiro". <i>Revista de    Pol&iacute;tica Agr&iacute;cola</i>, Ano 14, nº 1. Bras&iacute;lia, pp.    31-41, jan./mar. 2005.</font><!-- ref --><p><font size="3"> 19. Sachs, I. Da civiliza&ccedil;&atilde;o do petr&oacute;leo    a uma nova civiliza&ccedil;&atilde;o verde. <i>Revista de Estudos Avan&ccedil;ados    19</i> (55), 2005.</font><!-- ref --><p><font size="3"> 20. MME/EPE. <i>Balan&ccedil;o Energ&eacute;tico Naciona</i>l:    2005. Rio de Janeiro, 2006.</font><!-- ref --><p><font size="3"> 21. UNICA. Uni&atilde;o da Agroind&uacute;stria Canavieira    de S&atilde;o Paulo, 2006. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.portalunica.com.br" target="_blank">http://www.portalunica.com.br</a>.    Acesso em 15/07/2006.</font><!-- ref --><p><font size="3"> 22. Coelho, S.T. "Avalia&ccedil;&atilde;o da cogera&ccedil;&atilde;o    de eletricidade a partir de baga&ccedil;o-de-cana em sistemas de gaseificador/turbina    a g&aacute;s". Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado. Programa Interunidades    de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Energia da Universidade de S&atilde;o    Paulo – PIPGE/ USP, 1992.</font><!-- ref --><p><font size="3"> 23. Coelho, S. T. "Mecanismos para implanta&ccedil;&atilde;o    da cogera&ccedil;&atilde;o de eletricidade a partir de biomassa: um modelo para    o estado de S&atilde;o Paulo". Tese de doutorado. Programa Interunidades    de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Energia da USP. S&atilde;o Paulo, 1999.</font><!-- ref --><p><font size="3"> 24. Walter, A.C.S. "Viabilidade e perspectivas da co-gera&ccedil;&atilde;o    e gera&ccedil;&atilde;o termel&eacute;trica no setor sucroalcooleiro".    Tese de doutorado. &Aacute;rea Interdisciplinar de Planejamento de Sistemas    Energ&eacute;ticos/Faculdade de Engenharia Mec&acirc;nica/Unicamp. Campinas,    1994.</font><!-- ref --><p><font size="3"> 25. Macedo, I. C. e Nogueira H. A. L. "Avalia&ccedil;&atilde;o    do biodiesel no Brasil". N&uacute;cleo de Assuntos Estrat&eacute;gicos    da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, p. 233. Bras&iacute;lia, 2005.</font><!-- ref --><p><font size="3"> 26. Coelho, S.T.; Goldemberg, J.; Cortez, L.A.B.; Macedo, I.C.    ; Moreira, J.R.; Paletta, C.E.M.; Walter, A.C.; Braunbeck, O.; Hoffmann, R.;    Pretz, R. "Gera&ccedil;&atilde;o de energia a partir da biomassa (exceto    res&iacute;duos do lixo e &oacute;leos vegetais)". In: Tolmasquim, M.T.    (Org.). <i>Fontes renov&aacute;veis de energia no Brasil</i>. Rio de Janeiro:    Editora Interci&ecirc;ncia, pp. 1-90, 2003.</font><!-- ref --><p><font size="3"> 27. Vel&aacute;zquez, S.M.S.G. "A cogera&ccedil;&atilde;o    de energia no segmento de papel e celulose: a contribui&ccedil;&atilde;o &agrave;    matriz energ&eacute;tica do Brasil". S&atilde;o Paulo, 2000. 190p. Disserta&ccedil;&atilde;o    de mestrado - Programa Interunidades de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em    Energia da Universidade de S&atilde;o Paulo, 2000.</font><!-- ref --><p><font size="3"> 28. Vel&aacute;zquez, S.M.S.G. "Perspectivas para a gera&ccedil;&atilde;o    de excedentes de energia el&eacute;trica no segmento de papel e celulose com    a utiliza&ccedil;&atilde;o de sistemas de gaseifica&ccedil;&atilde;o/turbina    a g&aacute;s". Tese de doutorado. Programa Interunidades de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o    em Energia da Universidade de S&atilde;o Paulo, 2006</font><!-- ref --><p><font size="3"> 29. Ortiz, L.S. (coord.). <i>Energias renov&aacute;veis sustent&aacute;veis:    uso e gest&atilde;o participativa no meio rural</i>. Porto Alegre: N&uacute;cleo    Amigos da Terra/Brasil, p. 64, 2005.</font><!-- ref --><p><font size="3"> 30. Zhouri, A.L.M. Relat&oacute;rio final do projeto Pibic.    "Participa&ccedil;&atilde;o popular em processos de licenciamento ambiental:    o caso da PCH Aiuruoca", 2004. </font><!-- ref --><p><font size="3"> 31. Leroy, J.P. Pref&aacute;cio do livro <i>As novas energias    no Brasil: dilemas da inclus&atilde;o social e programas de governo</i>. Rio    de Janeiro: Ed. Fase, 2007.</font><p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>BIBLIOGRAFIA CONSULTADA</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">Bermann, C. (Org.) <i>As novas energias no Brasil: Dilemas da    inclus&atilde;o social e programas de governo</i>. Rio de Janeiro: Ed. FASE,    2007.</font><!-- ref --><p><font size="3"> MME/EPE. Balan&ccedil;o Energ&eacute;tico Nacional: 2006 (Resultados    preliminares). Rio de Janeiro, 2007.</font><!-- ref --><p><font size="3"> Ruiz, B.J.; Rodr&iacute;guez, V.; Bermann, C. "Analysis    and perspectives of the government programs to promote the renewable electricity    generation in Brazil". <i>Energy Policy</i>, 35, p. 2989-2994, 2007. </font> ]]></body><back>
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