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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n3/artigos.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size=5><b>COMBUST&Iacute;VEIS F&Oacute;SSEIS E INSUSTENTABILIDADE</b></font></p>     <p align="center"> <font size="3"><b>Joaquim Francisco de Carvalho </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b> Gra&ccedil;as &agrave;s radia&ccedil;&otilde;es    solares que incidiram sobre a Terra h&aacute; centenas de milh&otilde;es de    anos, tiveram origem e se desenvolveram desde microorganismos, como bact&eacute;rias    e micro-algas, at&eacute; &aacute;rvores gigantes e grandes animais, cada qual    com seu ciclo de vida, terminando em morte e decomposi&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3">H&aacute; cerca de 300 milh&otilde;es de anos, troncos, ra&iacute;zes,    galhos e folhas de &aacute;rvores que cresceram e morreram em regi&otilde;es    pantanosas, depositaram-se no fundo lodoso e ficaram encobertas. O tempo e a    press&atilde;o das camadas de terra que foram se acumulando sobre esses res&iacute;duos    fossilizaram-nos e os transformaram em materiais homog&ecirc;neos – a    turfa e o carv&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3">Durante as eras de aquecimento global – que se sup&otilde;e    terem ocorrido h&aacute; 150 e h&aacute; 90 milh&otilde;es de anos – certas    micro-algas, principalmente das fam&iacute;lias das <i>Botrycoccus</i> e das    diatom&aacute;ceas, ricas em lip&iacute;deos, al&eacute;m de bact&eacute;rias    e remanescentes de plantas que viveram e morreram sobre superf&iacute;cies aqu&aacute;ticas,    submergiam e se incorporavam aos leitos de mares e lagos, decompondo-se e gerando    os componentes b&aacute;sicos do petr&oacute;leo. E as folhas e outros res&iacute;duos    de plantas terrestres iam sendo carreados para o fundo do mar pelos rios ou    pela eros&atilde;o, criando, sob elevadas press&otilde;es e temperaturas, condi&ccedil;&otilde;es    para a forma&ccedil;&atilde;o de g&aacute;s.</font></p>     <p><font size="3">Assim, os combust&iacute;veis f&oacute;sseis consubstanciam    energia solar acumulada por fotoss&iacute;ntese em vegetais e em determinados    organismos que deles se nutrem, ao longo de milh&otilde;es de anos.</font></p>     <p><font size="3">Neste artigo &eacute; descrito, de forma sint&eacute;tica, o    processo pelo qual a humanidade evoluiu no emprego de fontes de energia cada    vez mais eficientes e &eacute; mostrado que os combust&iacute;veis f&oacute;sseis    – em particular o petr&oacute;leo e o g&aacute;s natural – exerceram    uma influ&ecirc;ncia decisiva sobre a cria&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento    das tecnologias industriais, agr&iacute;colas e de transportes em que se baseiam    os processos produtivos e, conseq&uuml;entemente, os modelos econ&ocirc;micos,    os costumes e a pr&oacute;pria cultura da sociedade moderna. Em seguida s&atilde;o    apresentadas algumas informa&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas sobre o carv&atilde;o,    o petr&oacute;leo e o g&aacute;s natural. Por fim, s&atilde;o analisadas as    perspectivas que se abrem ao emprego do g&aacute;s natural no Brasil, diante    das importantes descobertas na plataforma continental, recentemente anunciadas    pela Petrobras.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>PERSPECTIVA HIST&Oacute;RICA</b> A linha divis&oacute;ria    que separou as comunidades neol&iacute;ticas, das primeiras civiliza&ccedil;&otilde;es    humanas foi a cultura irrigada de cereais, que surgiu na Mesopot&acirc;mia,    h&aacute; mais de 6 mil anos, tendo como fonte de energia a for&ccedil;a muscular    dos homens primitivos complementada pelo potencial dos rios. Ainda na Mesopot&acirc;mia,    come&ccedil;ou-se a usar a tra&ccedil;&atilde;o animal e a madeira (lenha para    coc&ccedil;&atilde;o de alimentos, aquecimento de cavernas e fornos primitivos).</font></p>     <p><font size="3">Embora seja a madeira um combust&iacute;vel potencialmente renov&aacute;vel,    a tecnologia para aproveit&aacute;-la em larga escala – a silvicultura    – permaneceu estagnada durante muitos s&eacute;culos. Apesar disso, como    as popula&ccedil;&otilde;es primitivas eram rarefeitas, o pr&oacute;prio ciclo    natural assegurava a regenera&ccedil;&atilde;o e reposi&ccedil;&atilde;o das    florestas.</font></p>     <p><font size="3">Depois, ao longo dos s&eacute;culos, foram-se agregando outras    fontes de energia, tais como os ventos (barcos &agrave; vela, pil&otilde;es,    moinhos), o &oacute;leo de baleia, a turfa etc.</font></p>     <p><font size="3">No limiar do s&eacute;culo XVIII as florestas inglesas estavam    sendo devastadas pela extra&ccedil;&atilde;o de lenha e materiais de constru&ccedil;&atilde;o    (inclusive para os navios da armada) e o carv&atilde;o era abundante e barato,    chegando mesmo a aflorar &agrave; superf&iacute;cie do terreno, em determinadas    regi&otilde;es. Em pouco tempo, esse combust&iacute;vel passou &agrave; frente    da madeira como fonte de energia e as jazidas mais f&aacute;ceis foram-se esgotando.    </font></p>     <p><font size="3">A explora&ccedil;&atilde;o teve ent&atilde;o que descer ao subsolo,    em po&ccedil;os e minas freq&uuml;entemente inundadas, tornando indispens&aacute;vel    o bombeamento. Em 1712, Thomas Newcomen inventou a m&aacute;quina a vapor, inicialmente    empregada para acionar as bombas, nas minas de carv&atilde;o. Essa m&aacute;quina    foi posteriormente aperfei&ccedil;oada por James Watt e passou a ser usada em    f&aacute;bricas, locomotivas, navios, etc. Sem ela, a Revolu&ccedil;&atilde;o    Industrial n&atilde;o teria tomado o rumo que tomou. </font><font size="3">No    s&eacute;culo XIX, entre os anos de 1830 e 1840, o emprego da eletricidade nas    comunica&ccedil;&otilde;es (tel&eacute;grafo) e na metalurgia (galvanoplastia)    despertou o interesse dos empres&aacute;rios industriais, mas o grande impulso    s&oacute; veio em 1878, quando Thomas Edison colocou em condi&ccedil;&otilde;es    de uso a l&acirc;mpada incandescente de filamento e Werner Siemens apresentou    a primeira locomotiva el&eacute;trica.</font></p>     <p><font size="3">Um pouco mais tarde, Nikola Tesla desenvolveu o motor de corrente    alternada, gra&ccedil;as ao qual a eletricidade (at&eacute; ent&atilde;o produzida    preponderantemente em termel&eacute;tricas a carv&atilde;o) passou a ser usada    nas f&aacute;bricas, para o acionamento mec&acirc;nico. Ao mesmo tempo, aperfei&ccedil;oava-se    a turbina hidr&aacute;ulica, como alternativa para a turbina a vapor na gera&ccedil;&atilde;o    el&eacute;trica. Apareceram ent&atilde;o as primeiras hidroel&eacute;tricas    de certo porte, com linhas de transmiss&atilde;o que permitiam o uso da energia    dos rios, nas cidades e nas f&aacute;bricas.</font></p>     <p><font size="3">H&aacute; registros hist&oacute;ricos datando do quarto mil&ecirc;nio    antes de Cristo, relativos a usos de petr&oacute;leo (do grego &#960;&#949;&#964;&#961;&#949;&#955;&#945;&#953;&#959;, pelo    latim <i>petra</i> = pedra + <i>oleum</i> = &oacute;leo) no Oriente M&eacute;dio,    onde s&atilde;o freq&uuml;entes as exsuda&ccedil;&otilde;es e afloramentos de    hidrocarbonetos.</font></p>     <p><font size="3">No in&iacute;cio da era crist&atilde;, os &aacute;rabes j&aacute;    o usavam em suas l&acirc;mpadas a &oacute;leo. E, por volta dos anos 1270 a    1280, no Azerbaij&atilde;o, Marco Polo viu que o petr&oacute;leo era produzido    comercialmente. Mas foi na virada dos s&eacute;culos XIX para XX que o petr&oacute;leo    passou a ser usado em larga escala. Come&ccedil;ava ent&atilde;o a "idade    do petr&oacute;leo".</font></p>     <p><font size="3">Embora o carv&atilde;o ainda seja um dos combust&iacute;veis    mais consumidos, foi o petr&oacute;leo que consolidou o modelo industrial moderno,    caracterizado pela produ&ccedil;&atilde;o em massa, com os setores mais din&acirc;micos    for&ccedil;ando o desenvolvimento tecnol&oacute;gico de ind&uacute;strias ligadas    &agrave;s suas linhas de produ&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3">O petr&oacute;leo, abundante e barato, ofereceu as condi&ccedil;&otilde;es    b&aacute;sicas para o vertiginoso desenvolvimento da ind&uacute;stria automobil&iacute;stica,    com seus fornecedores e sub-fornecedores, e uma poderosa estrutura de distribui&ccedil;&atilde;o    e comercializa&ccedil;&atilde;o que se estende pelo mundo inteiro, em paralelo    &agrave; indispens&aacute;vel rede de postos de combust&iacute;veis. Esse complexo    industrial – que, em poucas d&eacute;cadas, consagrou o transporte individual    e transformou o autom&oacute;vel em suprema aspira&ccedil;&atilde;o de posse    das fam&iacute;lias – deu forma aos modernos sistemas de transporte e    passou a responder por grande parte do PIB mundial.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Por dependerem diretamente de autom&oacute;veis, &ocirc;nibus,    caminh&otilde;es e outros produtos da ind&uacute;stria automobil&iacute;stica,    os atuais modelos de urbaniza&ccedil;&atilde;o, ocupa&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio    e uso dos solos constituem a pr&oacute;pria imagem da "idade do petr&oacute;leo".</font></p>     <p><font size="3">A globaliza&ccedil;&atilde;o da economia tamb&eacute;m foi fruto    da abund&acirc;ncia de petr&oacute;leo que – transportado por grandes    petroleiros – torna-se dispon&iacute;vel no mundo inteiro, permitindo    a instala&ccedil;&atilde;o de f&aacute;bricas em pa&iacute;ses da &Aacute;sia,    &Aacute;frica e Am&eacute;rica Latina, onde popula&ccedil;&otilde;es que vivem    no limiar da subsist&ecirc;ncia oferecem m&atilde;o-de-obra por uma fra&ccedil;&atilde;o    do custo da oferecida nos pa&iacute;ses ditos desenvolvidos.</font></p>     <p><font size="3">A chamada "revolu&ccedil;&atilde;o verde" eclodiu    gra&ccedil;as aos fertilizantes e pesticidas de origem petroqu&iacute;mica e    &agrave; mecaniza&ccedil;&atilde;o das atividades rurais, alimentada a combust&iacute;veis    derivados do petr&oacute;leo. Essa revolu&ccedil;&atilde;o permitiu que a agricultura    e os sistemas de transporte de cargas e conserva&ccedil;&atilde;o e comercializa&ccedil;&atilde;o    de produtos agr&iacute;colas sustentassem uma explos&atilde;o demogr&aacute;fica    que, dos anos 1950 para c&aacute;, isto &eacute;, em pouco menos de 60 anos,    elevou a popula&ccedil;&atilde;o mundial de 2,5 bilh&otilde;es para 6,5 bilh&otilde;es    de habitantes, sobre bases fisicamente insustent&aacute;veis em longo prazo.</font></p>     <p><font size="3">A ilus&atilde;o de que a tecnologia sempre daria ao homem capacidade    para sustentar grandes popula&ccedil;&otilde;es em territ&oacute;rios pequenos    calou de vez aqueles que ainda defendiam as id&eacute;ias colocadas pelo economista    e pastor anglicano Thomas Malthus, em seu c&eacute;lebre "Ensaio sobre    o princ&iacute;pio da popula&ccedil;&atilde;o" (1798), no qual escreveu    que, se n&atilde;o fosse refreado, o crescimento da popula&ccedil;&atilde;o    – que obedece a uma lei exponencial – encontraria uma barreira natural    na escassez de alimentos, cuja produ&ccedil;&atilde;o cresce apenas em progress&atilde;o    aritm&eacute;tica.</font></p>     <p><font size="3">Em resumo, na medida em que ficavam mais problem&aacute;ticas,    as velhas fontes de energia iam sendo complementadas – sen&atilde;o substitu&iacute;das    – por novas fontes, mais eficientes: a for&ccedil;a muscular foi complementada    pela energia das &aacute;guas e pela tra&ccedil;&atilde;o animal, que foi complementada    pela energia e&oacute;lica e pela lenha, que cedeu lugar ao carv&atilde;o, que    foi complementado pelo petr&oacute;leo – ou por este substitu&iacute;do,    na ind&uacute;stria, nos transportes e nos modernos sistemas agro-industriais.    As novas fontes de energia induziam a cria&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento    de tecnologias industriais e agr&iacute;colas mais avan&ccedil;adas e, concomitantemente,    as matrizes energ&eacute;ticas iam-se ajustando a essas fontes. Entretanto,    at&eacute; o presente n&atilde;o foram encontrados substitutos compar&aacute;veis    ao petr&oacute;leo e ao g&aacute;s, no que diz respeito &agrave; densidade energ&eacute;tica,    &agrave; transportabilidade e a outras caracter&iacute;sticas, que lhes conferem    as qualidades para serem usados em larga escala nos transportes, na ind&uacute;stria    e na agricultura.</font></p>     <p><font size="3"><b>CARV&Atilde;O</b> Dependendo de sua origem, o carv&atilde;o    pode conter 25% a 97% de carbono; 2% a 6% de hidrog&ecirc;nio; 2% a 20% de oxig&ecirc;nio,    tra&ccedil;os de nitrog&ecirc;nio e enxofre, al&eacute;m de diferentes minerais.    A combust&atilde;o do carv&atilde;o &eacute; muito poluidora, implicando, entre    outras, rea&ccedil;&otilde;es tais como:</font></p>     <p><font size="3">C + O2 &#8594; CO<sub>2</sub>; S +    O<sub>2</sub> &#8594; SO<sub>2</sub>; 4H + O<sub>2</sub>    &#8594; 2H<sub>2</sub>O; 2N + O<sub>2</sub> &#8594;    2NO; N + O<sub>2</sub> &#8594; NO<sub>2</sub>; Minerais    &#8594; cinzas.</font></p>     <p><font size="3">Em fun&ccedil;&atilde;o do teor de carbono, o carv&atilde;o    &eacute; classificado em quatro categorias:</font></p>     <p><font size="3"><b>1.</b> Os lignitos (25% a 35% de carbono), que se encontram    mais &agrave; superf&iacute;cie e s&atilde;o usados, principalmente, em usinas    termel&eacute;tricas.</font></p>     <p><font size="3"><b>2.</b> Os carv&otilde;es sub-betuminosos, com 35% a 45% de    carbono. Os carv&otilde;es brasileiros s&atilde;o, preponderantemente, sub-betuminosos    e lignitos, com poder calor&iacute;fico m&eacute;dio em torno de 3.600 kcal/kg.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>3.</b> Os carv&otilde;es betuminosos, ou hulhas, com 46%    a 85% de carbono e poder calor&iacute;fico que pode chegar a 7.800 kcal/kg.    Esses carv&otilde;es constitu&iacute;ram a principal fonte de energia dos processos    produtivos que surgiram com a Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial e, at&eacute;    hoje, s&atilde;o os combust&iacute;veis mais empregados na gera&ccedil;&atilde;o    termel&eacute;trica.</font></p>     <p><font size="3"><b>4.</b> Os antracitos, com 86% a 97% de carbono, t&ecirc;m    elevada dureza, por&eacute;m seu poder calor&iacute;fico &eacute; um pouco inferior    ao dos carv&otilde;es betuminosos. S&atilde;o empregados, principalmente, na    ind&uacute;stria sider&uacute;rgica, em altos fornos e na produ&ccedil;&atilde;o    de <i>pellets</i> de min&eacute;rio de ferro.</font></p>     <p><font size="3"><b>PETR&Oacute;LEO</b> O termo petr&oacute;leo designa uma grande    variedade de misturas de hidrocarbonetos e outros compostos org&acirc;nicos,    de diversas massas moleculares. Nos petr&oacute;leos pesados e betumes a propor&ccedil;&atilde;o    de hidrocarbonetos est&aacute; em torno de 50% e nos leves pode chegar a 95%.</font></p>     <p><font size="3">A rigor, o petr&oacute;leo abrange tr&ecirc;s fam&iacute;lias    de hidrocarbonetos:</font></p>     <p><font size="3"><b>1. </b>Alcanos, que s&atilde;o hidrocarbonetos alif&aacute;ticos    saturados, de f&oacute;rmula geral C<sub>n</sub>H<sub>2n+2</sub>, com cadeia    linear ramificada ou n&atilde;o. Em fun&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de    &aacute;tomos de carbono, ocorrem em estado gasoso, l&iacute;quido ou s&oacute;lido,    cada um podendo conter, em mistura, tra&ccedil;os dos outros dois.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v60n3/a11img01.gif"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>2.</b> Hidrocarbonetos n&atilde;o saturados, com cadeia fechada,    como os arom&aacute;ticos, dos quais o mais simples &eacute; o benzeno (C<sub>6</sub>H<sub>6</sub>).</font></p>     <p><font size="3"><b>3.</b> Betumes, asfaltos e graxas, que s&atilde;o compostos    de elevada massa molecular, ricos em nitrog&ecirc;nio, oxig&ecirc;nio, enxofre,    n&iacute;quel, etc.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A composi&ccedil;&atilde;o do petr&oacute;leo varia de campo    para campo, aproximadamente, da seguinte forma:</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n3/a11img02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>G&Aacute;S NATURAL</b> Sendo formado nas mesmas condi&ccedil;&otilde;es    e a partir de componentes semelhantes aos do petr&oacute;leo, o g&aacute;s geralmente    ocorre associado a este – ou nele dissolvido, quando o reservat&oacute;rio    est&aacute; sob press&atilde;o elevada. Sua composi&ccedil;&atilde;o &eacute;    basicamente a seguinte:</font></p>     <p><font size="3">Um pouco abaixo da temperatura ambiente, o butano e o propano    condensam-se, formando o g&aacute;s liquefeito de petr&oacute;leo ou GLP (n&atilde;o    confundir com g&aacute;s natural liquefeito, em condi&ccedil;&otilde;es criog&ecirc;nicas).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n3/a11img03.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Para os transportes terrestres, mar&iacute;timos e a&eacute;reos,    o g&aacute;s natural n&atilde;o substitui inteiramente os combust&iacute;veis    derivados de petr&oacute;leo, por&eacute;m, apresenta a vantagem de ser extra&iacute;do    sob sua pr&oacute;pria press&atilde;o, e facilmente transportado em gasodutos    ligando os campos de g&aacute;s &agrave;s instala&ccedil;&otilde;es de estocagem,    que, por sua vez, s&atilde;o conectadas aos consumidores, por meio de redes    de distribui&ccedil;&atilde;o subterr&acirc;neas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Em 2005 o g&aacute;s natural respondeu por 21% da energia consumida    no mundo, em grande parte, como combust&iacute;vel para usinas termel&eacute;tricas    instaladas em diversos pa&iacute;ses industrializados.</font></p>     <p><font size="3">O g&aacute;s natural tamb&eacute;m &eacute; mat&eacute;ria-prima    para in&uacute;meros produtos petroqu&iacute;micos importantes, destacando-se    as mat&eacute;rias pl&aacute;sticas, alguns produtos farmac&ecirc;uticos e,    principalmente, os fertilizantes nitrogenados, dos quais cerca de 80% v&ecirc;m    do g&aacute;s natural.</font></p>     <p><font size="3"><b>CONCLUS&Atilde;O</b> Gra&ccedil;as ao petr&oacute;leo (e,    mais recentemente, ao g&aacute;s natural), boa parte da humanidade se desenvolveu,    nos &uacute;ltimos 120 anos, mais do que se tinha desenvolvido desde o in&iacute;cio    da era crist&atilde;, pelo menos materialmente. Para isso, foi consumida, nesses    120 anos, energia solar acumulada por fotoss&iacute;ntese ao longo de centenas    de milh&otilde;es de anos.</font></p>     <p><font size="3">Agora, os mais respeitados ge&oacute;logos do mundo –    com raras diverg&ecirc;ncias – colocam o pico da produ&ccedil;&atilde;o    mundial de petr&oacute;leo e g&aacute;s em torno dos pr&oacute;ximos 15 a 20    anos, o que significa que a "idade do petr&oacute;leo" est&aacute;    chegando ao fim. Mas, antes de cair abruptamente, o consumo dever&aacute; passar    por oscila&ccedil;&otilde;es provocadas pelas crescentes dificuldades na explora&ccedil;&atilde;o,    com o conseq&uuml;ente comportamento err&aacute;tico da demanda.</font></p>     <p><font size="3">O petr&oacute;leo e o g&aacute;s abundantes e baratos tiveram    uma influ&ecirc;ncia decisiva sobre a cria&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento    das tecnologias industriais e agr&iacute;colas em que se esteiam os processos    produtivos e, conseq&uuml;entemente, os modelos econ&ocirc;micos, os costumes    e a cultura da sociedade moderna, que, em muitos pa&iacute;ses, &eacute; calcada    num consumismo desenfreado.</font></p>     <p><font size="3">Seria ilus&oacute;rio esperar que, no Brasil, onde as institui&ccedil;&otilde;es    ainda s&atilde;o fr&aacute;geis, os processos produtivos possam ser modificados    somente pela a&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as do mercado.</font></p>     <p><font size="3">Ocorre que, sem petr&oacute;leo e g&aacute;s, ser&atilde;o in&uacute;teis    as modernas tecnologias agr&iacute;colas, industriais e de transportes, de modo    que a produ&ccedil;&atilde;o da economia n&atilde;o ser&aacute; suficiente para    sustentar os mais de 220 milh&otilde;es de habitantes que o pa&iacute;s dever&aacute;    ter quando a oferta daqueles combust&iacute;veis estiver escasseando. N&atilde;o    &eacute; dif&iacute;cil prever a gravidade da revolu&ccedil;&atilde;o social    que ent&atilde;o se deflagraria. </font><font size="3">&Agrave; vista disso,    o princ&iacute;pio da precau&ccedil;&atilde;o sugere que o governo comece desde    j&aacute; a estudar linhas de a&ccedil;&atilde;o a serem adotadas pelo Estado,    para que este, em sua fun&ccedil;&atilde;o de disciplinador das atividades econ&ocirc;micas,    adote medidas destinadas a modificar substancialmente a maneira como a energia    &eacute; hoje consumida. </font></p>     <p><font size="3">Seria in&uacute;til insistir em que tais medidas devam ser aplicadas    antes que sobrevenha um colapso de abastecimento. Para identific&aacute;-las    e planej&aacute;-las &eacute; necess&aacute;rio que se tenha alguma informa&ccedil;&atilde;o,    ainda que aproximada, sobre o prazo de dura&ccedil;&atilde;o das reservas de    petr&oacute;leo e g&aacute;s t&eacute;cnica e economicamente aproveit&aacute;veis.    Assim, apresenta-se, a seguir, um esbo&ccedil;o de c&aacute;lculo da dura&ccedil;&atilde;o    das reservas brasileiras de g&aacute;s natural, baseado na hip&oacute;tese de    que se confirmem – e n&atilde;o sejam apropriadas por empresas de pa&iacute;ses    mais poderosos – as novas descobertas da Petrobras, e que sua explora&ccedil;&atilde;o    seja t&eacute;cnica e economicamente vi&aacute;vel. Tal esbo&ccedil;o &eacute;    apenas indicativo e toma como ponto de partida o volume das reservas efetivamente    medidas at&eacute; 2005, que est&atilde;o indicadas na tabela abaixo, que foi    extra&iacute;da do Balan&ccedil;o Energ&eacute;tico Nacional de 2006, ano base    de 2005.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n3/a11img04.gif"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Para fazer o c&aacute;lculo demonstraremos, em primeiro lugar,    que, se o crescimento exponencial prosseguir, a quantidade de g&aacute;s consumida    durante um per&iacute;odo de duplica&ccedil;&atilde;o do consumo ser&aacute;    igual ao total consumido em todo o tempo precedente. De fato, se o crescimento    foi exponencial, a quantidade (C<sub>1</sub>) de g&aacute;s consumida at&eacute;    a data t<sub>1</sub> foi:</font></p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n3/a11img05.gif"></p>     <p><font size="3"><b>r </b>= taxa de crescimento do consumo; <b>A</b><sub>0</sub>    = consumo no ano em que se come&ccedil;ou a usar g&aacute;s e t = tempo decorrido.    Se o crescimento exponencial prosseguir, a quantidade (C<sub>2</sub>) de g&aacute;s    que ser&aacute; consumida no per&iacute;odo de duplica&ccedil;&atilde;o, de    t<sub>1</sub> a t<sub>2</sub>, ser&aacute;:</font></p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n3/a11img06.gif"></p>     <p><font size="3">Tratando-se de um per&iacute;odo de duplica&ccedil;&atilde;o,    temos e<sup>rt2</sup> = 2 e<sup>rt1</sup>, portanto <img src="/img/revistas/cic/v60n3/a11img07.gif" align="absmiddle">,    isto &eacute;, o consumo no per&iacute;odo de duplica&ccedil;&atilde;o ser&aacute;    igual ao total j&aacute; consumido.</font></p>     <p><font size="3">Seja agora <b>R<sub>t</sub></b> o volume total das reservas    de g&aacute;s que existiam; <b>C</b> a quantidade j&aacute; consumida; <sup><i>A</i>o</sup>    o consumo anual a partir do presente (t=0), e r a taxa anual de crescimento    do consumo. As reservas remanescentes s&atilde;o, portanto:</font></p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n3/a11img08.gif"></p>     <p><font size="3">Resolvendo para <b>t</b> (tempo em que as reservas remanescentes    ser&atilde;o consumidas), obt&eacute;m-se:</font></p>     <p align="center"> <img src="/img/revistas/cic/v60n3/a11img09.gif"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Cabe repetir e enfatizar que o modelo de crescimento exponencial    oferece apenas uma indica&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica do prazo de dura&ccedil;&atilde;o    das reservas, entre outros motivos, porque n&atilde;o se pode afirmar que a    taxa de crescimento da produ&ccedil;&atilde;o permanecer&aacute; constante.</font></p>     <p><font size="3">Essa taxa depende, entre outros fatores, do crescimento da demanda,    de melhorias da produtividade e da efici&ecirc;ncia dos sistemas e equipamentos    que operam com g&aacute;s, da elasticidade-pre&ccedil;o da demanda, etc.</font></p>     <p><font size="3">Segundo a Petrobras, a produ&ccedil;&atilde;o brasileira de    g&aacute;s natural, que em 2005 foi de 17,7 3 10<sup>9</sup> m<sup>3</sup>,    dever&aacute; chegar a 25,5 3 10<sup>9</sup> m<sup>3</sup> /ano, em 2012. Em    outras palavras, at&eacute; l&aacute;, a taxa de crescimento da produ&ccedil;&atilde;o    de g&aacute;s passar&aacute; por valores da ordem de 6,8% ao ano.</font></p>     <p><font size="3">Admitamos, ainda, que – em decorr&ecirc;ncia de aperfei&ccedil;oamentos    tecnol&oacute;gicos e ganhos de efici&ecirc;ncia, bem como de programas de conserva&ccedil;&atilde;o    de energia e do pr&oacute;prio reflexo da elasticidade pre&ccedil;o –    a taxa de crescimento da produ&ccedil;&atilde;o se estabilize, de forma que    seu valor m&eacute;dio, a partir de 2005, fique em torno dos 4,3% ao ano, constatados    entre 2004 e 2005, como indica o Balan&ccedil;o Energ&eacute;tico Nacional de    2.006, ano base 2005.</font></p>     <p><font size="3">Admitamos, para terminar o c&aacute;lculo, que os valores do    volume efetivamente medido das reservas remanescentes e do consumo anual de    g&aacute;s sejam aqueles apresentados no referido Balan&ccedil;o Energ&eacute;tico,    a saber:</font></p>     <p align="center"><font size="3">R<sub>t</sub> – C = 306,4 x 10<sup>9</sup>    m<sup>3</sup>, e <sup><i>A</i>o</sup> = 17,7 x 10<sup>9</sup> m<sup>3</sup>/ano.</font></p>     <p><font size="3">Neste caso, o prazo de dura&ccedil;&atilde;o do volume remanescente    das reservas brasileiras de g&aacute;s natural deveria ser de 13 anos:</font></p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n3/a11img11.gif"></p>     <p><font size="3">Suponhamos, por fim, que o consumo continue a crescer exponencialmente    a uma taxa de 4,3% ao ano e que as novas descobertas da Petrobras na Plataforma    Continental sejam suficientes para quadruplicar o volume das reservas remanescentes.    Mesmo assim, sua dura&ccedil;&atilde;o iria para apenas 32 anos:</font></p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n3/a11img12.gif"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Como se v&ecirc;, apesar das hip&oacute;teses otimistas, o prazo    parece escasso para as evidentes modifica&ccedil;&otilde;es que se fazem necess&aacute;rias.</font></p>     <p><font size="3">O governo j&aacute; deveria ter come&ccedil;ado a estudar seriamente    o assunto.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><i><b>Joaquim Francisco de Carvalho</b> &eacute; mestre em engenharia    nuclear, foi diretor industrial da empresa Nuclebr&aacute;s Engenharia (Nuclen,    atual Eletronuclear) e pertence ao Programa Interunidades de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    em Energia da Universidade de S&atilde;o Paulo (PIPGE) da USP.</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>BIBLIOGRAFIA CONSULTADA</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">Campbell, C. J. <i>Oil crisis</i>. Multi-Science Publishing,    2005.</font><!-- ref --><p><font size="3">Kunstler, J.H. <i>La fin du p&eacute;trole</i>. Plon, 2005.</font><!-- ref --><p><font size="3">Bourg, D. e Schlegel, J-L. <i>Le principe de pr&eacute;caution</i>.    Seuil, 2000.</font><!-- ref --><p><font size="3">EPE/MME. Balan&ccedil;o Energ&eacute;tico Nacional 2006. Ano    Base 2005.</font><!-- ref --><p><font size="3">Dorf, R. <i>Energy, ressources &amp; policy</i>. Addison Wesley,    1978.</font> ]]></body><back>
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