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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Estranhas catedrais. Notas sobre o capital hidrelétrico, a natureza e a sociedade]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n3/artigos.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size=5><b>ESTRANHAS CATEDRAIS. NOTAS SOBRE O CAPITAL    HIDREL&Eacute;TRICO, A NATUREZA E A SOCIEDADE</b></font></p>     <p align="center"><font size="3"> <b>Oswaldo Sev&aacute;</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Dormia a p&aacute;tria m&atilde;e t&atilde;o    distra&iacute;da    <br>   sem perceber que era subtra&iacute;da em tenebrosas transa&ccedil;&otilde;es.    <br>   Seus filhos erravam cegos pelo continente,    <br>   levavam pedras feito penitentes, erguendo estranhas catedrais</i>    <br>   (Chico Buarque e Francis Hime, <i>Vai passar</i>, 1985)</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b> A usina hidrel&eacute;trica    &eacute; um objeto constru&iacute;do – em geral, maior ou bem maior que    todas as demais constru&ccedil;&otilde;es existentes – e equipado com    m&aacute;quinas e sistemas sofisticados e caros, para produzir eletricidade    usando a energia dos rios. Tecnicamente, costuma ser assim analisado, e nas    faculdades &eacute; ensinado apenas com esta delimita&ccedil;&atilde;o. S&oacute;    que, passados cento e vinte anos de sua implanta&ccedil;&atilde;o pioneira,    construiu-se um conjunto impressionante de milhares de usinas em quase todos    os pa&iacute;ses do mundo, nos rios das principais bacias fluviais de todos    os continentes, exceto a Ant&aacute;rtida. Assim, estamos imersos em um surto    econ&ocirc;mico que continua, com usinas em fase de constru&ccedil;&atilde;o    e de projeto, e que vai desencadeando situa&ccedil;&otilde;es in&eacute;ditas    em cada local para grupos humanos que ali residem, trabalham, convivem com as    obras e as usinas; um surto com efeitos que v&atilde;o se sobrepondo na din&acirc;mica    dos rios e das bacias fluviais. Essas usinas se tornaram objeto de interesse    &uacute;nico dentro do vasto campo do conhecimento humano; tais obras e tudo    o qu&ecirc; mobilizam, materialmente e simbolicamente, podem tamb&eacute;m ser    registradas na hist&oacute;ria das civiliza&ccedil;&otilde;es como uma das maiores    experimenta&ccedil;&otilde;es feitas pela nossa esp&eacute;cie e o seu "g&ecirc;nio",    no &iacute;mpeto de domar as for&ccedil;as maiores, as da natureza. Experi&ecirc;ncias    vividas por milh&otilde;es de pessoas, e cujas complica&ccedil;&otilde;es continuam    se revelando a cada dia e est&atilde;o ainda longe de terem se desenvolvido    plenamente. Se estamos aqui numa revista de Ci&ecirc;ncia e Cultura, &eacute;    bom buscarmos a compreens&atilde;o de todas as suas conseq&uuml;&ecirc;ncias    e significados, sabendo no entanto que &eacute; imposs&iacute;vel alcan&ccedil;ar    tal onisci&ecirc;ncia. O que vale &eacute; a busca, o resultado ainda que parcial.</font></p>     <p><font size="3"><b>IND&Uacute;STRIA BARRAGEIRA E A ELETRIFICA&Ccedil;&Atilde;O</b>    Do ponto de vista da hist&oacute;ria social e econ&ocirc;mica, um dos fios condutores    do processo &eacute; a concentra&ccedil;&atilde;o de capital nas maiores usinas,    ao mesmo tempo em que se constitui um complexo industrial – financeiro,    praticamente oligopolista, conhecido nos primeiros tempos como "o cartel    da ind&uacute;stria el&eacute;trica" e agora como <i>dam industry</i>,    conceito divulgado por McCully (1) e pela entidade International Rivers (2).</font></p>     <p><font size="3"> T&atilde;o not&aacute;vel quanto a dissemina&ccedil;&atilde;o    geogr&aacute;fica da nova tecnologia durante o s&eacute;culo XX, e que ainda    continua, &eacute; o seu cont&iacute;nuo aumento de dimens&otilde;es: as usinas    pioneiras das d&eacute;cadas de 1880 a 1910 tinham uma pot&ecirc;ncia instalada    de centenas ou alguns milhares de quilowatts (kW); em meados do s&eacute;culo,    as maiores j&aacute; contavam com m&aacute;quinas para centenas de milhares    de kW. Hoje a mais possante, Itaipu, no rio Paran&aacute;, inaugurada em 1982,    expulsando quase 30 mil moradores do lado brasileiro (3), alcan&ccedil;a 14    milh&otilde;es de quilowatts instalados, e logo ser&aacute; superada pela usina    chinesa Three Gorges, no rio Yang Tz&eacute;, inaugurada em 2003, cuja pot&ecirc;ncia    total, em fase de instala&ccedil;&atilde;o, &eacute; 18 milh&otilde;es de kW,    e cujos desalojados em v&aacute;rias cidades e distritos rurais somam dois milh&otilde;es    de pessoas (4).</font></p>     <p><font size="3"> Tantas usinas em tantos lugares instrumentaram um processo    hist&oacute;rico de eletrifica&ccedil;&atilde;o, conceito que compreende as    v&aacute;rias etapas dos investimentos realizados para que se concretize a valoriza&ccedil;&atilde;o    dessa mercadoria especial, a energia el&eacute;trica. Processo que come&ccedil;a    pelos canteiros de obras que desviam o rio e erigem o "pared&atilde;o"    trancando-o, segue pela instala&ccedil;&atilde;o de m&aacute;quinas turbo –    geradoras que engolem vaz&otilde;es de &aacute;gua represada, e tamb&eacute;m    pela instala&ccedil;&atilde;o de usinas geradoras de outro tipo, as termel&eacute;tricas    (5); finaliza com a constru&ccedil;&atilde;o de linhas de transmiss&atilde;o    desta eletricidade at&eacute; os denominados centros de carga, onde, por meio    de subesta&ccedil;&otilde;es el&eacute;tricas e de linhas de distribui&ccedil;&atilde;o    e transformadores, s&atilde;o conectados os consumidores finais. Tais ciclos    de amplia&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica acontecem localmente, em simult&acirc;neo,    e regionalmente, uns ap&oacute;s os outros, e assim a eletrifica&ccedil;&atilde;o    vai se expandindo geograficamente, concretizando o chamado "aproveitamento"    de v&aacute;rios rios, e construindo redes extensas de cabos conectando v&aacute;rias    usinas, atendendo consumidores finais em v&aacute;rias cidades e regi&otilde;es    inteiras que est&atilde;o ligadas nas mesmas malhas do sistema el&eacute;trico.    O qual, no caso brasileiro, cobre dois ter&ccedil;os da &aacute;rea territorial    do pa&iacute;s, responde por mais de 90% de todo o consumo nacional, e &eacute;    garantido em termos energ&eacute;ticos pelas hidrel&eacute;tricas.</font></p>     <p><font size="3"><b>REPRESA COMO FATO F&Iacute;SICO-TERRITORIAL IN&Eacute;DITO</b>    As usinas s&atilde;o, de fato, cria&ccedil;&otilde;es do final do s&eacute;culo    XIX, quando a tecnologia el&eacute;trica se consolidou com os d&iacute;namos,    transformadores, motores, os primeiros servomecanismos mas... barrar rios e    conduzir a &aacute;gua para outros pontos de utiliza&ccedil;&atilde;o ou aproveitar    ali mesmo sua for&ccedil;a-motriz era algo praticado h&aacute; s&eacute;culos,    ou mil&ecirc;nios, vide os aquedutos romanos, as obras de <i>riego</i> dos imp&eacute;rios    pr&eacute;-colombianos nos Andes e na Am&eacute;rica Central, as rodas d'&aacute;gua.</font></p>     <p><font size="3"> A repercuss&atilde;o atual de tais obras &eacute; totalmente    outra, pois foram sendo barrados rios cada vez maiores e mais caudalosos, as    dimens&otilde;es das constru&ccedil;&otilde;es se exacerbaram a ponto de algumas    represas e canais serem vis&iacute;veis pelos sat&eacute;lites e astronautas    e, s&oacute; por isso, s&atilde;o cirurgias de grande porte na paisagem terrestre.    Bem al&eacute;m disso, estamos diante de uma somat&oacute;ria inusitada de altera&ccedil;&otilde;es    geogr&aacute;ficas, geol&oacute;gicas, fluviais e hidrol&oacute;gicas e, conseq&uuml;entemente,    de altera&ccedil;&otilde;es atmosf&eacute;ricas e biol&oacute;gicas, de longo    prazo, em todos os rios barrados e nas terras ribeirinhas mais pr&oacute;ximas.</font></p>     <p><font size="3"> Barragens e represas t&ecirc;m que ser consideradas, cada uma,    como um fato f&iacute;sico-territorial recente. Cada uma delas se sobrep&ocirc;s    ao que sempre foi ali o piso da vida animal e humana, seu fluxo de &aacute;gua    aproveitada &eacute; parte do fluxo que sempre por ali passou como parte do    ciclo maior da &aacute;gua na atmosfera. </font></p>     <p><font size="3"> Todas as represas se entopem, mais lentamente ou menos, e seus    pr&eacute;dios e grandes mecanismos podem se deteriorar, logo, elas n&atilde;o    s&atilde;o eternas. Estatisticamente, se rompem umas tantas por ano, outras    colapsam, algumas s&atilde;o deliberadamente desativadas, abrindo suas comportas    de vez, ou at&eacute; removendo seus "pared&otilde;es", conforme    not&iacute;cias regularmente publicadas, por exemplo, na <i>World Rivers Review</i>,    peri&oacute;dico da entidade International Rivers. </font></p>     <p><font size="3"> S&atilde;o cada vez mais pesquisadas as altera&ccedil;&otilde;es    radicais nas estruturas geol&oacute;gica e hidrol&oacute;gica da &aacute;rea    da represa existente e das projetadas, e as mudan&ccedil;as irrevers&iacute;veis    na din&acirc;mica do rio barrado (em muitos casos, do rio mais uma vez barrado)    e as altera&ccedil;&otilde;es nos ecossistemas formados nele e em seu entorno.    Temas estudados principalmente pelos ge&oacute;logos, engenheiros civis, pelos    hidr&oacute;logos, limn&oacute;logos, e pelos bi&oacute;logos e ec&oacute;logos.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"> Um rio barrado n&atilde;o &eacute; mais um rio, &eacute; um    conjunto de ecossistemas parcialmente gerenciados, esses que o povo chama "lagos"    por causa de seu aspecto fotog&ecirc;nico, mas que s&atilde;o de fato reservat&oacute;rios    – e que s&atilde;o obrigatoriamente evaporat&oacute;rios - e que s&atilde;o    tamb&eacute;m infiltrat&oacute;rios. Sabemos, enfim, que – com as represas,    a altera&ccedil;&atilde;o irrevers&iacute;vel do relevo oculta outras altera&ccedil;&otilde;es    das camadas da crosta terrestre, mudando os seus n&iacute;veis de press&atilde;o    interna, fazendo sumir a &aacute;gua de onde ela circulava, fazendo –    a surgir onde n&atilde;o havia. S&oacute; que tal tipo de altera&ccedil;&otilde;es    tamb&eacute;m tem conseq&uuml;&ecirc;ncias sociais e econ&ocirc;micas: se cardumes    desaparecem, esp&eacute;cies se tornam dominantes, peixamentos ex&oacute;ticos    s&atilde;o feitos nas represas, a&iacute; a alimenta&ccedil;&atilde;o do povo    muda; se po&ccedil;os d'&aacute;gua secam, v&aacute;rzeas se encharcam    e enchem "por baixo", se brotam novas nascentes, ou secam as existentes,    ent&atilde;o a agricultura muda; se h&aacute; vegeta&ccedil;&otilde;es submersas,    emanam gases carb&ocirc;nicos, inclusive metano e &aacute;cidos org&acirc;nicos,    afetando os vizinhos e seus bichos e plantas – e por essa raz&atilde;o    tamb&eacute;m s&atilde;o temas e situa&ccedil;&otilde;es estudadas pelos pesquisadores    da &aacute;rea social e econ&ocirc;mica (6;7;8). </font></p>     <p><font size="3"> A amplia&ccedil;&atilde;o das capacidades instaladas nas usinas    se tornou um dos maiores neg&oacute;cios do mundo e, em fun&ccedil;&atilde;o    disto, praticamente se criou uma "ci&ecirc;ncia barrageira", ou    seja, o tipo de conhecimento sistem&aacute;tico necess&aacute;rio para movimentar    essa poderosa <i>dam industry</i> (2). Dentre os dogmas dessa "ci&ecirc;ncia"    identificamos a cren&ccedil;a de que ser&atilde;o feitas sempre mais e maiores    barragens, o que se choca com a inevit&aacute;vel limita&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica    (um dia todos os rios barr&aacute;veis podem estar barrados); not&aacute;vel    tamb&eacute;m &eacute; a insist&ecirc;ncia do argumento de que essa hidroeletricidade    &eacute; uma "energia renov&aacute;vel", algo como um moto perp&eacute;tuo    que se renova sempre, sem limita&ccedil;&otilde;es, sem perder nenhum atributo,    sem desperd&iacute;cio, sem dissipa&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="3"> Aberra&ccedil;&otilde;es &agrave; parte, o qu&ecirc; de fato    se sabe &eacute; que a massa de &aacute;gua no mundo, em seus tr&ecirc;s estados    f&iacute;sicos, &eacute; constante, e que o ciclo da &aacute;gua, numa escala    continental-regional-oce&acirc;nica, &eacute; renov&aacute;vel. </font></p>     <p><font size="3"> Essa combina&ccedil;&atilde;o de tecnologias pesadas de modifica&ccedil;&atilde;o    do relevo e de ere&ccedil;&atilde;o de grandes pr&eacute;dios, com um modo singular    de ocupa&ccedil;&atilde;o territorial, alagando de modo permanente superf&iacute;cies    da ordem de dezenas ou centenas de quil&ocirc;metros quadrados, em v&aacute;rios    casos, alguns milhares de quil&ocirc;metros quadrados, - &eacute; o que caracteriza    a "ci&ecirc;ncia barrageira". Uniram-se de modo duradouro &agrave;s    engenharias mec&acirc;nicas e el&eacute;tricas, para que m&aacute;quinas se    fabricassem e se instalassem nas casas de for&ccedil;a das usinas – com    a engenharia civil que abre, rasga, corta, fura, aterra, dinamita, remove, ergue...    a obra civil feita de pared&otilde;es de rocha e terra, pr&eacute;dios de concreto.    A geologia se tornou parceira <i>sine qua non</i> neste empreendimento, pois    &eacute; essencial escolher bem os terrenos onde fazer tais obras, onde colocar    funda&ccedil;&otilde;es e de qual tipo, onde ancorar as ombreiras dos maci&ccedil;os    a construir e, depois, temos que prever como poder&aacute; se comportar uma    crosta com um novo enorme peso de &aacute;gua e de concreto e ferragens onde    antes havia apenas o peso e a press&atilde;o da atmosfera.</font></p>     <p><font size="3"><b>BASES CONCEITUAIS E EMP&Iacute;RICAS PARA UM CONHECIMENTO    CR&Iacute;TICO</b> Pelo fato da hidrel&eacute;trica convencional se compor tamb&eacute;m    de um reservat&oacute;rio, – ou seja, uma massa de &aacute;gua renov&aacute;vel,    porque o rio continua fluindo, embora represado – temos que somar ao antigo    relevo, solos e biomassa, agora submersos, a biomassa atual mais a polui&ccedil;&atilde;o    e os sedimentos que ali afluem. No balan&ccedil;o h&iacute;drico, temos de retirar    da &aacute;gua afluente o tanto que evapora e o tanto que se infiltra e tratar    o sistema como trif&aacute;sico (&aacute;gua, sedimentos, gases). A&iacute;    sim, parte da vaz&atilde;o da &aacute;gua ser&aacute; turbinada e parte dela,    ao longo do ano, ter&aacute; que ser vertida passando pelas comportas e tobog&atilde;s    dos vertedouros.</font></p>     <p><font size="3"> A represa tem que ser estudada, portanto, como um ecossistema    parcialmente constru&iacute;do e parcialmente operado, e sujeito a altera&ccedil;&otilde;es    progressivas e sazonais, hidrol&oacute;gicas e geot&eacute;cnicas. </font></p>     <p><font size="3"> Pelo fato de ao mesmo tempo ser uma usina, a hidrel&eacute;trica    s&oacute; se compreende pelo conjunto formado pelo reservat&oacute;rio mais    as obras civis (a barragem, o vertedouro, os diques, as tubula&ccedil;&otilde;es    e canais) mais o maquin&aacute;rio eletro-mec&acirc;nico que comp&otilde;e a    casa de for&ccedil;a e a subesta&ccedil;&atilde;o. Por&eacute;m, como usina,    tem que ser vista, &eacute; o que dizem modernamente, como uma "unidade    de neg&oacute;cios", cuja atividade-fim &eacute; gerar e vender eletricidade,    se poss&iacute;vel, sem parar. Um neg&oacute;cio que atua num mercado marcadamente    oligop&oacute;lico, e no caso brasileiro, regulado de modo "desregulat&oacute;rio",    por mais estranho que isso pare&ccedil;a. Sendo capital fixo, incorpora trabalho    morto e materiais da natureza em escala ultra-intensiva, e &eacute; utilizado    intensivamente, embora em condi&ccedil;&otilde;es objetivamente bastante vari&aacute;veis    ao longo das horas, dos meses e das d&eacute;cadas. </font></p>     <p><font size="3"> Fica tudo sujeito &agrave; degrada&ccedil;&atilde;o operacional    e organizacional, e exposto a v&aacute;rios tipos de riscos t&eacute;cnicos    e sociais. E, quando se articulam as duas metades insepar&aacute;veis –    reservat&oacute;rio e usina – a&iacute; as caracter&iacute;sticas do car&aacute;ter    usina reservat&oacute;rio e sua conseq&uuml;ente cirurgia fluvial, dificilmente    v&atilde;o se adequar ou se subordinar &agrave;s caracter&iacute;sticas do car&aacute;ter    usina neg&oacute;cio – e disso adv&ecirc;m quase todos os problemas de    opera&ccedil;&atilde;o, de desempenho e de seguran&ccedil;a dessas instala&ccedil;&otilde;es.    </font></p>     <p><font size="3"> Um quadro conceitual correto tem que destacar a finitude de    cada hidrel&eacute;trica – &agrave;s vezes travestida de sucateamento,    ou de "eleva&ccedil;&atilde;o de custos" – e explicitar antes    de tudo, seu risco de integridade. Simplesmente por estarem nos rios, j&aacute;    ficam sujeitos &agrave;s enxurradas, aos alagamentos e &agrave;s temporadas    de seca que caracterizam os rios no mundo todo. Os pioneiros da pesquisa social    e ambiental nas hidrel&eacute;tricas, Goldsmith e Hildyard (6), compilaram os    casos mais conhecidos de acidentes com barragens, em v&aacute;rios pa&iacute;ses;    dentre todas as obras implantadas entre 1930 e 1974; apresentam trinta e tr&ecirc;s    situa&ccedil;&otilde;es agrupadas como "I. maiores terremotos induzidos    por barragens", com sete eventos no per&iacute;odo, com magnitude Richter    acima de 5 pontos: Koyna, com 103 metros de altura, na &Iacute;ndia, o mais    intenso; dois na Gr&eacute;cia: Kremasta 165m, e Maraton 63 m; dois nos EUA:    Oroville, Calif&oacute;rnia, 236 m, e Hoover, 221 m, rio Colorado, Arizona;    HsinfengKiang, 105 m, na China; Kariba, 128 m, no rio Zamb&eacute;ze entre os    atuais Zimbabwe e Z&acirc;mbia.</font></p>     <p><font size="3"> Depois: "II. terremotos induzidos menos intensos",    onze eventos, com magnitudes entre 3.2 e 5 pontos na escala Richter, em barragens    com alturas variando de 67 m a 317 metros, localizadas nos EUA, It&aacute;lia,    Fran&ccedil;a, Espanha, nos B&aacute;lc&atilde;s, na Turquia e na antiga Uni&atilde;o    Sovi&eacute;tica, Nova Zel&acirc;ndia, Austr&aacute;lia e Jap&atilde;o. Nos    dois grupos, a grande maioria dos sismos ocorreu em um intervalo de tempo de    menos de um ano at&eacute; tr&ecirc;s anos ap&oacute;s a forma&ccedil;&atilde;o    da represa, ou seja, o primeiro enchimento completo do "lago". Poucos    desses acidentes ocorreram em prazos mais longos, de sete at&eacute; vinte e    dois anos ap&oacute;s a forma&ccedil;&atilde;o das represas. Ressaltam que os    terremotos podem tamb&eacute;m ser causados quando os reservat&oacute;rios s&atilde;o    esvaziados, por exemplo, os casos conhecidos pela popula&ccedil;&atilde;o da    Calif&oacute;rnia, nas barragens Oroville e Mono Lake. Outro autor-chave no    conhecimento cr&iacute;tico das hidrel&eacute;tricas, Patrick McCully (1), nos    fornece outra compila&ccedil;&atilde;o da sismicidade induzida por barragens,    com eventos de magnitude Richter maior que 4.0 dos quais, trinta e dois casos    ocorridos em represas formadas entre os anos de 1960 e 1981. A maioria dos sismos    importantes ocorreu num prazo curto, de at&eacute; dois anos ap&oacute;s o in&iacute;cio    do enchimento, outros num prazo de tr&ecirc;s a oito anos. Na mesma lista consta    um caso brasileiro de sismo induzido: em 1974, com magnitude Richter 4,2 em    &aacute;rea sob influ&ecirc;ncia direta de duas represas, das hidrel&eacute;tricas    Porto Col&ocirc;mbia e Volta Grande, no rio Grande, no Tri&acirc;ngulo Mineiro.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"> Um estudioso da geof&iacute;sica do solo brasileiro, Miotto    (9), do IPT, organizou, h&aacute; vinte e cinco anos, um hist&oacute;rico de    quarenta e sete sismos registrados na regi&atilde;o sudeste do Brasil, com intensidade    Mercator V a VI, desde 1789, com o 1º sismo registrado em Canan&eacute;ia    (SP), at&eacute; 1982. Dentre esses, tr&ecirc;s eventos s&atilde;o qualificados    sismos induzidos por barragens: 1) no entorno da represa de Furnas, rio Grande    (MG), dia 15 de novembro de 1966, com intensidade IV a V, poucos anos ap&oacute;s    o enchimento da represa; 2) perto da usina do Cajuru, da empresa Cemig, rio    Par&aacute; (MG), em 23 de janeiro de 1972, intensidade VI; 3) no entorno da    usina Paraibuna, da empresa CESP, cuja represa &eacute; formada pelos rios Paraibuna    e Paraitinga, na Serra do Mar (SP), dia 16 de novembro de 1977, com intensidade    IV MM.</font></p>     <p><font size="3"> Pelo menos quatro outros sismos foram registrados em munic&iacute;pios    pr&oacute;ximos de represas, e em momentos em que tais represas j&aacute; estavam    formadas: em 18 de janeiro de 1981, em Passos (MG); no dia 11 de setembro de    1981, em Alfenas (MG), no dia 02 de maio de 1982, em Caconde (SP); no dia 25    de agosto de 1982, em Arax&aacute; (MG).</font></p>     <p><font size="3"> Atualizando e confirmando esse risco intr&iacute;nseco, tivemos    no Brasil, em junho de 2006 o esvaziamento intempestivo da represa rec&eacute;m-enchida    Campos Novos, no rio Canoas (SC), formador do rio Uruguai, por causa de rachaduras    nos t&uacute;neis de desvio, com danos no revestimento de concreto da face interna    do pared&atilde;o de 180 metros de altura. E, agora no ver&atilde;o 2007-08,    romperam-se duas barragens rec&eacute;m constru&iacute;das, em usinas do tipo    chamado Pequena Central Hidrel&eacute;trica (PCH): Apertadinho, pr&oacute;ximo    de Vilhena (RO), num rio formador do rio Machado, e Espora, num afluente do    rio Parana&iacute;ba, extremo oeste de Goi&aacute;s, ambas com os preju&iacute;zos    conhecidos rio abaixo, nas fazendas, vilarejos, estradas, redes el&eacute;tricas.</font></p>     <p><font size="3"><b>PROBLEMAS S&Eacute;RIOS, BEM MAIS QUE "IMPACTOS"</b>    Dentre as complica&ccedil;&otilde;es operacionais mais freq&uuml;entes das usinas,    est&atilde;o certas conseq&uuml;&ecirc;ncias desastrosas por ocasi&atilde;o    de manobras de fechamento de comportas, no primeiro enchimento da represa, e    nas paradas e partidas de turbo – geradores. Como anti-exemplo, um rio    enorme ficou seco por dezenas de quil&ocirc;metros, durante semanas seguidas:    o Tocantins, em 1998, quando fecharam as comportas da usina Serra da Mesa (GO),    das empresas Furnas e VBC. Rio abaixo, na usina Lajeado (TO), quatro anos depois,    uma mortandade de peixes jamais vista ocorreu &agrave; jusante da barragem,    enquanto na represa, a principal praia foi interditada por motivos sanit&aacute;rios.    Uma mortandade humana ficou pouco conhecida, na &eacute;poca, 1988: oitenta    e oito pessoas faleceram com diarr&eacute;ias agudas, dentre as duas mil trezentos    e noventa e duas pessoas intoxicadas, residentes na beira da represa rec&eacute;m-formada    da usina Itaparica, da empresa Chesf, a qual alagou munic&iacute;pios da Bahia    e de Pernambuco, ali sepultando a cidade de Petrol&acirc;ndia (PE), seu esgoto,    seu lixo e o cemit&eacute;rio (10).</font></p>     <p><font size="3"> Para os que s&atilde;o ainda cientistas, investigadores da    realidade e de suas contradi&ccedil;&otilde;es – os quais sabem que entre    os pilares da ci&ecirc;ncia est&atilde;o a d&uacute;vida sobre o conte&uacute;do    e a forma das coisas e o questionamento das apar&ecirc;ncias e das raz&otilde;es    profundas – a situa&ccedil;&atilde;o hoje, ap&oacute;s o surto das hidrel&eacute;tricas,    &eacute; outra, foi radicalmente alterada. Trata-se de rupturas e viola&ccedil;&otilde;es:    a destrui&ccedil;&atilde;o dos monumentos fluviais mais maravilhosos do planeta;    a acumula&ccedil;&atilde;o primitiva de capital, fundada na expropria&ccedil;&atilde;o    dos pobres e dos nativos; a especula&ccedil;&atilde;o e a concentra&ccedil;&atilde;o    fundi&aacute;ria de milhares de hectares a cada represa. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n3/a14img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"> A implanta&ccedil;&atilde;o de usinas hidrel&eacute;tricas    nos rios se constitui, no mundo todo, num campo de disputas por terrenos e posi&ccedil;&otilde;es    geogr&aacute;ficas, e resultam em re-ordenamentos fundi&aacute;rio e agr&iacute;cola    das regi&otilde;es onde s&atilde;o implantadas. Dada a sua dimens&atilde;o t&eacute;cnica,    econ&ocirc;mica e territorial, tornam-se fatores de desorganiza&ccedil;&atilde;o    social e econ&ocirc;mica, a qual se segue uma re-organiza&ccedil;&atilde;o das    popula&ccedil;&otilde;es que a&iacute; residiam, e a entrada de novas atividades    que se estabelecem no entorno da represa. Tais temas s&atilde;o pesquisados    atualmente por cientistas sociais, ge&oacute;grafos, antrop&oacute;logos, al&eacute;m    de economistas, agr&ocirc;nomos, e outros, dos quais indicamos na bibliografia    (1;11;12;13).</font></p>     <p><font size="3"> N&atilde;o deveria haver surpresa com tal car&aacute;ter conflituoso    das hidrel&eacute;tricas, pois nas civiliza&ccedil;&otilde;es passadas, as terras    ribeirinhas e o uso dos rios foram fatores de disputas entre grupos sociais    e focos de conflitos de interesses econ&ocirc;micos e estrat&eacute;gicos. E    continuam sendo, o qu&ecirc; h&aacute; de novo &eacute; que agora os rios, a    &aacute;gua e as terras ribeirinhas tamb&eacute;m v&atilde;o sendo conquistadas    pela ind&uacute;stria barrageira, para serem "geridos" em fun&ccedil;&atilde;o    de crit&eacute;rios da mercadoria eletricidade. As dimens&otilde;es das represas    agora se contabilizam at&eacute; centenas de milhares de hectares de superf&iacute;cie,    as maiores, dezenas de milhares, na maioria delas, e o remanejamento fundi&aacute;rio    atinge tamb&eacute;m as &aacute;reas ocupadas por canteiros de obras e respectivos    servi&ccedil;os alojamentos e pequenas f&aacute;bricas acopladas, mais as estradas    de servi&ccedil;o, as glebas de onde se retira madeira, areia, pedra, seixos,    a faixa das linhas de transmiss&atilde;o. Por tudo isso, n&atilde;o &eacute;    adequado caracterizar como "impactos" os processos sociais e territoriais    da implanta&ccedil;&atilde;o de hidrel&eacute;trica; "impacto",    express&atilde;o extra&iacute;da da f&iacute;sica (da parte que estuda os choques    e as quantidades de movimento) tornou-se palavra meramente administrativa, prescrita    para utilizar nos processos de licenciamento ambiental, mas contra-producente,    e, quando se trata do conhecimento, da ci&ecirc;ncia, uma no&ccedil;&atilde;o    desviacionista.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>EMBLEMAS DA EXPANS&Atilde;O CAPITALISTA</b> Quais causas    e quais processos de transforma&ccedil;&atilde;o radical poder&iacute;amos identificar    no desenrolar nos projetos de mega-hidrel&eacute;tricas? S&atilde;o os mesmos    que identificamos ao analisar outros investimentos industriais de grande porte    (14;11).</font></p>     <p><font size="3"> S&atilde;o engrenagens formid&aacute;veis de acumula&ccedil;&atilde;o    de capital e de mobiliza&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;a de trabalho, de dimens&otilde;es    relevantes em compara&ccedil;&atilde;o com a pr&oacute;pria economia nacional.    Algumas se tornam rapidamente e permanecem durante alguns anos os principais    focos concentrados de com&eacute;rcio e de emprego no pa&iacute;s ou pelo menos    nos Estados onde se concentram as obras. N&atilde;o &eacute; a toa que mega-projetos,    inclusive hidrel&eacute;tricas, encabe&ccedil;am a febril plataforma do segundo    governo, o Plano de Acelera&ccedil;&atilde;o do Crescimento.</font></p>     <p><font size="3"> Criam – ou emendam e contrap&otilde;em aos n&uacute;cleos    urbanos precedentes – suas pr&oacute;prias cidadelas oper&aacute;rias,    com sua segmenta&ccedil;&atilde;o de classe, autorit&aacute;ria e deliberadamente    injusta, desde os alojamentos de "solteiros" dentro dos canteiros,    os corti&ccedil;os e pens&otilde;es improvisadas nos "beirad&otilde;es",    cidades livres do outro lado do rio ou do alambrado, at&eacute; os confort&aacute;veis    hot&eacute;is de tr&acirc;nsito, clubes e sal&otilde;es exclusivos para executivos    e engenheiros, eventualmente pesquisadores oficialmente recebidos. L&aacute;    dentro do per&iacute;metro administrativo, tudo sob regras de comportamento,    bem policiado, com numerosos informantes circulando; l&aacute; fora, nos alojamentos,    nas redondezas, nas firmas sub-contratadas, a "selva sem lei", os    agenciadores e oportunistas fazendo o qu&ecirc; querem – ou quase isso    – com os milhares de desempregados, expulsos da terra, pe&otilde;es itinerantes    tentando obter alguma migalha.</font></p>     <p><font size="3"> Por isso, mega-obras devem ser analisadas como campos de a&ccedil;&atilde;o    dos interesses de classes e de grupos sociais. Como cen&aacute;rio de disputas    de excelentes oportunidades de lucros e exerc&iacute;cio de poder em &acirc;mbito    extra-local e extra-nacional, combust&iacute;vel cl&aacute;ssico da cadeia financeira    e produtiva da obra, ao mesmo tempo nas suas duas pontas – a de fornecimento    durante a constru&ccedil;&atilde;o e a de despacho de eletricidade depois de    pronta e operacional, ou seja, na etapa de avan&ccedil;o de capital e na etapa    de realiza&ccedil;&atilde;o da mercadoria a ser produzida. Dentre tais competi&ccedil;&otilde;es    e coliga&ccedil;&otilde;es entre interesses distintos, chama especialmente a    aten&ccedil;&atilde;o uma s&eacute;rie de disputas pr&eacute;vias sobre o pr&oacute;prio    projeto: onde ser&aacute; feito, se pode ser alhures ou n&atilde;o? Quem contratar&aacute;    servi&ccedil;os? Quem ser&aacute; empregado? Quais as cotas (altitudes) e locais    atingidos? </font></p>     <p><font size="3"> E mais: a boataria deliberada e em parte incontrol&aacute;vel,    sobre as indeniza&ccedil;&otilde;es e pre&ccedil;os de aquisi&ccedil;&atilde;o    de glebas de terra e de benfeitorias, sobre o licenciamento, sobre as compensa&ccedil;&otilde;es    a serem oferecidas. Uma transforma&ccedil;&atilde;o radical, j&aacute; vivida    em outros locais e em outros tempos da hist&oacute;ria, &eacute; expressa por    uma seq&uuml;&ecirc;ncia na qual podemos entrever a acumula&ccedil;&atilde;o    primitiva capitalista, um tipo de espasmo, r&aacute;pido e intenso – que    dura v&aacute;rios anos nas obras menores, uma a duas d&eacute;cadas nas maiores.    </font></p>     <p><font size="3"> &Eacute; mais, por&eacute;m, do que uma fase pioneira, &eacute;    continuidade do processo hist&oacute;rico capitalista: as grandes obras v&atilde;o    demarcando os ciclos de acumula&ccedil;&atilde;o ao longo dos quase tr&ecirc;s    s&eacute;culos que est&aacute; durando este sistema pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico.    Primeiro ferrovias, estaleiros e portos, canais, pontes, t&uacute;neis, depois    as barragens, os grandes eixos de transporte e de comunica&ccedil;&atilde;o,    as mega-f&aacute;bricas, refinarias, montadoras de ve&iacute;culos e de aparelhos.    Como a domina&ccedil;&atilde;o &eacute; sempre tamb&eacute;m pol&iacute;tica,    boa parte destes surtos e ciclos &eacute; baseada em informa&ccedil;&atilde;o    privilegiada: p.ex. alguns sabem antes dos demais qual a posi&ccedil;&atilde;o    do eixo do barramento naquele ponto preciso do rio, quais os terrenos ser&atilde;o    afogados at&eacute; qual cota de altitude. A acumula&ccedil;&atilde;o de capital    em poucas m&atilde;os se instrumenta por meio de negocia&ccedil;&otilde;es entre    partes desiguais; s&atilde;o muitos os que acabam sendo prejudicados. Mas s&atilde;o    individualmente fracos, envolvidos a contra-gosto em transa&ccedil;&otilde;es    for&ccedil;adas; pessoas, fam&iacute;lias e at&eacute; cidades inteiras sendo    objetos de logro, de trai&ccedil;&atilde;o, de amea&ccedil;as. Informa&ccedil;&atilde;o    privilegiada, desigualdade not&aacute;vel nas negocia&ccedil;&otilde;es, poder    de fogo, estas s&atilde;o marcas de um processo conhecido como acumula&ccedil;&atilde;o    primitiva, com os m&eacute;todos t&iacute;picos da expropria&ccedil;&atilde;o    de bens materiais e simb&oacute;licos das pessoas e da espolia&ccedil;&atilde;o    de comunidades humanas, aldeias, etnias.</font></p>     <p><font size="3"> Do lado dominante, s&atilde;o poderosos os meios de execu&ccedil;&atilde;o    das a&ccedil;&otilde;es: como impedir que uma carga de explosivos detone uma    laje rochosa se isto j&aacute; est&aacute; programado e decidido? Quem resistir&aacute;    a uma moto-niveladora que est&aacute; arrasando um pomar e uma casa, cujos donos    n&atilde;o tiveram como fazer valer sua recusa? Quem modificar&aacute; o fechamento    ou a abertura de uma comporta cuja opera&ccedil;&atilde;o est&aacute; secando    o rio a jusante ou, ao contr&aacute;rio, est&aacute; baixando o n&iacute;vel    da represa? Nesses dois casos, a opera&ccedil;&atilde;o da usina provoca preju&iacute;zos    s&eacute;rios para os agricultores e outras atividades beira-rio e beira-represa,    e o que podem eles fazer quando estas manobras t&eacute;cnicas operacionais    v&ecirc;m determinadas por um <i>board</i> de despachantes – vendedores    de eletricidade funcionando no Rio de Janeiro ou em Bras&iacute;lia?</font></p>     <p><font size="3"> A cada canteiro de obras, introduzem-se "para sempre"    novas no&ccedil;&otilde;es e novos valores da mercantiliza&ccedil;&atilde;o,    pois terras, benfeitorias, patrim&ocirc;nios passam a ser vistos apenas como    dinheiro, e por fim, a mercantiliza&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria for&ccedil;a    de trabalho e de muitas rela&ccedil;&otilde;es sociais. O investimento em si,    o avan&ccedil;o de capital nas contrata&ccedil;&otilde;es de servi&ccedil;os    e nas compras de insumos criam novas oportunidades de neg&oacute;cios assanhando    as contas feitas nos gabinetes das dire&ccedil;&otilde;es financeiras e industriais.    Dentro do alambrado, para dentro das guaritas, a nova l&oacute;gica &eacute;    o assalariamento de grandes contingentes, e assim, em poucos anos, j&aacute;    temos j&aacute; os ingredientes b&aacute;sicos de uma sociedade organizada a    partir das empresas capitalistas e entorno delas. Processo que poder&aacute;    ser novamente observado no Brasil, especialmente em Porto Velho, capital de    Rond&ocirc;nia, caso deslanchem as mega-obras no rio Madeira, as usinas projetadas    Santo Ant&ocirc;nio e Jirau, em fase de licenciamento e de montagem de financiamento    (15).</font></p>     <p><font size="3"> Descontadas as partes polpudas de pagamentos feitos para grandes    fornecedores de equipamentos pesados e materiais especiais, l&aacute; longe,    ainda haver&aacute; um fluxo not&aacute;vel de dinheiro novo para os neg&oacute;cios    locais. A circula&ccedil;&atilde;o local de uma parte desta grande massa salarial    alimenta quase tudo no entorno, farm&aacute;cias, botecos, prost&iacute;bulos    e lot&eacute;ricas, e ainda vai sobrar uma parte para as remessas que fazem    os dali para suas fam&iacute;lias de origem, l&aacute; longe, e outra parte    para os pequenos investimentos que pe&otilde;es ou engenheiros do canteiro possam    fazer alhures, numa fazendola, ou numa casa na capital. </font></p>     <p><font size="3"> Quando analisamos um conjunto de obras, num certo per&iacute;odo    da hist&oacute;ria do pa&iacute;s, feitas ao mesmo tempo em diversas regi&otilde;es,    fica a certeza de que elas expressam m&eacute;todos de conquista pol&iacute;tica    e de coloniza&ccedil;&atilde;o cultural por parte de grupos e de valores externos,    "de fora", visando &agrave; amplia&ccedil;&atilde;o de sua hegemonia.    Nos &uacute;ltimos anos, todas as inaugura&ccedil;&otilde;es de hidrel&eacute;tricas,    mesmo pequenas, e at&eacute; mesmo uma simples partida de mais um grupo turbo-gerador,    costumam contar com a presen&ccedil;a do presidente e ministros da Rep&uacute;blica,    governadores de estado, todos reafirmando a import&acirc;ncia da eletricidade    para o progresso, nos advertindo dos "riscos de outro racionamento de    energia, se os investimentos n&atilde;o prosseguirem", louvando os empregos    ofertados pelas empreiteiras. Inaugura&ccedil;&otilde;es de hidrel&eacute;tricas    h&aacute; cento e vinte anos s&atilde;o eventos eleitoreiros, e t&ecirc;m sido    cobertos pelos jornais, revistas, os boletins das empresas e dos sindicatos,    r&aacute;dios e TVs.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>TANTOS LADOS DO MESMO PROBLEMA</b> At&eacute; os anos 1980,    os moradores rurais duramente atingidos, expulsos por obras de hidrel&eacute;tricas    no Brasil eram v&iacute;timas da chamada "remo&ccedil;&atilde;o hidr&aacute;ulica",    conforme mencionou numa reuni&atilde;o de pesquisadores em 2005 uma autoridade    do setor (16). Ou ent&atilde;o eram remanejados a grandes dist&acirc;ncias,    induzidos a comprar lotes de empresas de coloniza&ccedil;&atilde;o – como    os atingidos de Itaipu (3) – ou foram levados para &aacute;reas de coloniza&ccedil;&atilde;o    oficial como os de Sobradinho, na Serra do Ramalho (BA). Naquela d&eacute;cada    t&atilde;o prof&iacute;cua em movimenta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, os    atingidos de v&aacute;rias obras foram incentivados por padres, pastores, bispos,    agentes de entidades como a Comiss&atilde;o Pastoral da Terra (CPT) e o Conselho    Indigenista Mission&aacute;rio (Cimi), a Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional    dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e o Departamento Nacional de Trabalhadores    Rurais da Central &Uacute;nica dos Trabalhadores (CUT). Em 1991, foi fundada    uma federa&ccedil;&atilde;o nacional composta por movimentos de moradores, sitiantes    e pequenos fazendeiros, posseiros e trabalhadores rurais e volantes, e moradores    urbanos das &aacute;reas j&aacute; atingidas e mais aqueles dos locais amea&ccedil;ados    pelas conseq&uuml;&ecirc;ncias de projetos anunciados de hidrel&eacute;tricas,    hoje conhecida como MAB, Movimento Nacional dos Trabalhadores Atingidos por    Barragens (<a href="http://www.mabnacional.org.br" target="_blank">http://www.mabnacional.org.br</a>).    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n3/a14img02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"> No final da mesma d&eacute;cada, formou-se, pela a&ccedil;&atilde;o    da diplomacia internacional e press&atilde;o de ONGs de v&aacute;rios pa&iacute;ses,    uma Comiss&atilde;o Mundial sobre as Barragens, a World Comission on Dams (WCD),    com patroc&iacute;nio da ONU, e que aglutinou muitas informa&ccedil;&otilde;es    em v&aacute;rios pa&iacute;ses sobre os problemas de tais obras, e produziu    no ano de 2000 um relat&oacute;rio volumoso e rigoroso (17), marcado pela precau&ccedil;&atilde;o    e pela cr&iacute;tica ao modelo dominante at&eacute; ent&atilde;o (18) (dispon&iacute;vel    em <a href="http://www.dams.org" target="_blank">http://www. dams.org</a>).</font></p>     <p><font size="3"> Eis aqui uma pequena amostra de um portentoso acervo hist&oacute;rico,    cient&iacute;fico, cultural, onde se registra um ac&uacute;mulo de eventos sociais    e tecnol&oacute;gicos marcantes. A an&aacute;lise deste acervo e destes eventos    &eacute; que nos vai permitindo qualificar as probabilidades de ocorr&ecirc;ncia    de problemas graves, mesmo em obras que ainda n&atilde;o existem, que ainda    s&atilde;o projetos e que pela l&oacute;gica, poderiam ser abandonados. </font></p>     <p><font size="3"> Portanto, o interesse deste conhecimento hist&oacute;rico e    desta mem&oacute;ria profissional e social n&atilde;o &eacute; meramente acad&ecirc;mico.    O conhecimento cr&iacute;tico deveria se contrapor a essa pobreza intelectual,    a esse manique&iacute;smo, e ganhar a "pauta" da ag&ecirc;ncia reguladora    da eletricidade, a Aneel, e das ag&ecirc;ncias federal e estaduais que concedem    licen&ccedil;as ambientais. Mas, pela l&oacute;gica, tamb&eacute;m isso n&atilde;o    ocorrer&aacute;, pois sua fun&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica &eacute; justamente    essa, de impor a op&ccedil;&atilde;o barrageira enquanto for poss&iacute;vel,    sem jamais explicitar as raz&otilde;es verdadeiras. At&eacute; hoje n&atilde;o    reconhecem que a majestosa Tucuru&iacute;, que logo chegar&aacute; a quase oito    milh&otilde;es de kW instalados, foi feita para fundir alum&iacute;nio e beneficiar    min&eacute;rios, com os consumidores brasileiros bancando os rombos de contratos    lesivos da Eletronorte com as ind&uacute;strias consumidoras de energia.</font></p>     <p><font size="3"> Os cidad&atilde;os prejudicados e os patrim&ocirc;nios naturais    e constru&iacute;dos que ser&atilde;o destru&iacute;dos pelas obras, s&atilde;o    vistos, nos estudos e pareceres guiados pela raz&atilde;o hidrel&eacute;trica    cega, como "interfer&ecirc;ncias" em suas obras. O fato de existirem    pessoas com posses e direitos, trabalhando na &aacute;rea, a serem respeitadas,    e patrim&ocirc;nios a serem defendidos, &eacute; estigmatizado como um "entrave".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n3/a14img03.gif"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"> <b>UM FUTURO N&Atilde;O T&Atilde;O DEFINIDO</b> Vai continuar    se expandindo a hidroeletricidade? Sim, abstratamente poderia prosseguir at&eacute;    que todos os rios estivessem barrados em seus pontos mais favor&aacute;veis;    na pr&aacute;tica, ocorre o inverso, v&atilde;o minguando os melhores "eixos"    barr&aacute;veis. Se prosseguir a dissemina&ccedil;&atilde;o de novas obras,    os conflitos se agravar&atilde;o. </font></p>     <p><font size="3"> A discuss&atilde;o de pol&iacute;tica energ&eacute;tica &eacute;    relevante, n&atilde;o nos cabe negar a pauta, s&oacute; que &eacute; hoje bem    outra a conversa, pois o Estado pesa cada vez menos, e os lucros v&atilde;o    cada vez mais para fora do pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="3"> As limita&ccedil;&otilde;es est&atilde;o postas tamb&eacute;m    pela luta pol&iacute;tica dos atingidos e outros vizinhos e usu&aacute;rios    do rio, com a participa&ccedil;&atilde;o de dissidentes e setores da opini&atilde;o    p&uacute;blica e da opini&atilde;o especializada (v&aacute;rios professores    universit&aacute;rios, algumas associa&ccedil;&otilde;es profissionais, assessores    de ONGs e de movimentos de atingidos) e ainda de algumas personalidades intelectuais    e culturais. Se nos anos 1940, o grande m&uacute;sico popular Luiz Gonzaga fez    e cantou seu bai&atilde;o de homenagem as usinas Paulo Afonso, em 1982, o poeta    Carlos Drummond de Andrade conseguiu publicar sua indigna&ccedil;&atilde;o po&eacute;tica    pelas Sete Quedas de Gua&iacute;ra condenadas a submergir sob a represa de Itaipu.</font></p>     <p><font size="3"> N&atilde;o s&oacute; os gerentes do setor el&eacute;trico e    os acad&ecirc;micos, mas tamb&eacute;m jornalistas, escritores e cineastas p&otilde;em    hidrel&eacute;tricas na berlinda, elogiando ou criticando. As epop&eacute;ias    e os dramas das obras tornaram-se mat&eacute;ria-prima de document&aacute;rios    de &eacute;poca e de filmes nos EUA (19) e tamb&eacute;m no Brasil (20).</font></p>     <p><font size="3"> Para qualquer amplia&ccedil;&atilde;o, temos que nos basear    nos preceitos da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988: o rio &eacute; um bem p&uacute;blico,    usar &aacute;guas depende de outorga; se houver terra ind&iacute;gena afetada,    depende de autoriza&ccedil;&atilde;o expressa dos &iacute;ndios e do Congresso    Nacional; fazer usina depende de licen&ccedil;a ambiental; desapropriar terras    e benfeitorias depende de compet&ecirc;ncias legais e deve seguir padr&otilde;es    econ&ocirc;micos aceit&aacute;veis e rituais jur&iacute;dicos...e assim por    diante. </font></p>     <p><font size="3"> Quanto aos monumentos fluviais e locais sagrados perdidos,    n&atilde;o se trata de estudar "impactos", nem haveria qualquer    efeito positivo decorrente do fato f&iacute;sico - territorial. Qual a compensa&ccedil;&atilde;o,    afinal, pela perda das Sete Quedas de Gua&iacute;ra, o maior desn&iacute;vel    cavado pelo grande rio Paran&aacute;? E, pelo desaparecimento do Canal de S&atilde;o    Sim&atilde;o no rio Parana&iacute;ba, divisa entre Minas Gerais e Goi&aacute;s?    E da Cachoeira e arquip&eacute;lago do Marimbondo, no rio Grande? E pela adultera&ccedil;&atilde;o    do mais longo, profundo e volumoso <i>canyon</i> brasileiro, Xing&oacute;, que    come&ccedil;ava ap&oacute;s as quedas do rio S&atilde;o Francisco em Paulo Afonso?</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n3/a14img04.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"> Em nome da ci&ecirc;ncia, e pela cultura, pelo progresso de    ambas, encaremos de frente, isto sim, o fato de que uma mega-obra hidrel&eacute;trica    provoca altera&ccedil;&otilde;es de grande porte na natureza e uma transforma&ccedil;&atilde;o    radical na sociedade.</font></p>     <p><font size="3"> E nos reconfortemos, sem baixar a guarda, pois a era do "cada    vez mais grandes hidrel&eacute;tricas" est&aacute; bem mais pr&oacute;xima    de seu fim do que destila a sua cara e insistente propaganda.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><i><b>Oswaldo Sev&aacute;</b> &eacute; engenheiro mec&acirc;nico    de produ&ccedil;&atilde;o, doutor em geografia humana pela Universit&eacute;    de Paris-I e professor do Departamento de Energia da Faculdade de Engenharia    Mec&acirc;nica e do curso de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em antropologia    social do Instituto de Filosofia e Ci&ecirc;ncias Humanas da Universidade Estadual    de Campinas (Unicamp). Atua como colaborador eventual do Minist&eacute;rio P&uacute;blico    e de entidades de atingidos e ambientalistas.</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Mc Cully, P. <i>Silenced rivers. The ecology and politics    of large dams</i>. Zed Books, London (in association with IRN, Berkeley,CA,    and The Ecologist), London, 2001.</font><!-- ref --><p><font size="3"> 2. A express&atilde;o "barrageiro" &eacute; utilizada    no Brasil por muitos engenheiros das empresas de eletricidade, de constru&ccedil;&atilde;o    civil e de fabrica&ccedil;&atilde;o de equipamentos eletromec&acirc;nicos, mas,    originalmente, era identificada aos t&eacute;cnicos e pe&otilde;es dos canteiros    de obras de usinas. A caracteriza&ccedil;&atilde;o de um conglomerado de grupos    capitalistas de setores conexos e interdependentes, pivotados pelo capital financeiro    el&eacute;trico, &eacute;, no Brasil, uma no&ccedil;&atilde;o incipiente. Contudo,    em l&iacute;ngua inglesa a express&atilde;o <i>dam industry</i> &eacute; usada    por pesquisadores e no discurso ativista dos atingidos e dos ambientalistas.    P.ex., McCully (1). E tamb&eacute;m na internet, o site da International Rivers,    uma frente de ONGs e movimentos, com sede em Berkeley, Calif&oacute;rnia. Dispon&iacute;vel    em: <a href="http://internationalrivers.org" target="_blank">http://internationalrivers.org</a></font><!-- ref --><p><font size="3"> 3. Germani, G. <i>Expropriados. Terra e &aacute;gua: o conflito    de Itaipu</i>. Editora UFBA e Editora da Ulbra, Salvador, 2003.</font><!-- ref --><p><font size="3"> 4. Informes sobre os problemas e conflitos havidos na constru&ccedil;&atilde;o    da maior hidrel&eacute;trica mundial, Three Gorges, na China. Dispon&iacute;vel    em: <a href="http://www.threegorgesprobe.org" target="_blank">http://www.threegorges    probe.org</a></font><p><font size="3"> 5. Usina termel&eacute;trica &eacute; um conjunto movido por    m&aacute;quinas que convertem calor da queima de combust&iacute;veis em eletricidade,    sejam caldeiras que geram vapor aproveitado depois em m&aacute;quinas a pist&atilde;o    ou em turbinas; sejam motores ou turbinas movidos pela expans&atilde;o de gases    quentes.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="3"> 6. Goldsmith, E., Hildyard, N. <i>The social and environmental    effects of large dams</i>", The Sierra Club Books, San Francisco, CA.,    1984.</font><!-- ref --><p><font size="3"> 7. Scudder, T. <i>The future of large dams – Dealing    with social, environmental, institutional and political costs</i>. Earthscan,    London, 2005.</font><!-- ref --><p><font size="3"> 8. Fearnside, P. "Hidrel&eacute;tricas projetadas no    rio Xingu como fontes de gases do efeito estufa: Belo Monte (Karara&ocirc;)    e Babaquara (Altamira)". In Sev&aacute; Fo. A . O. (org) <i>Tenot&atilde;    M&otilde;. Alertas sobre as conseq&uuml;&ecirc;ncias dos projetos de hidrel&eacute;tricas    no rio Xingu</i>", S&atilde;o Paulo: IRN – International Rivers    Network, pp. 204-241, 2005. </font><!-- ref --><p><font size="3"> 9. Mioto, J. A. <i>Mapa de risco s&iacute;smico do Sudeste    brasileiro</i>. Instituto de Pesquisas Tecnol&oacute;gicas (IPT), S&atilde;o    Paulo, 1984; posteriormente, algumas de suas an&aacute;lises e figuras tamb&eacute;m    foram publicadas na revista <i>Ci&ecirc;ncia Hoje</i>.</font><!-- ref --><p><font size="3"> 10. Essas pessoas contra&iacute;ram hepatotoxicoses, devido    &agrave; ingest&atilde;o ou contato com a &aacute;gua da represa, em locais    pr&oacute;ximos &agrave; antiga cidade de Petrol&acirc;ndia, submersa poucos    dias antes, sem as devidas medidas de limpeza e descontamina&ccedil;&atilde;o    de esgotos, fossas e cemit&eacute;rio. An&aacute;lises da &aacute;gua provaram    a concentra&ccedil;&atilde;o de algas pigmentadas e de cianobact&eacute;rias    (g&ecirc;neros <i>Anabaena sp</i>. e <i>Mycrocistis sp</i>.) <i>mencionado em</i>    Confalonieri e outros, "Novas perspectivas para a sa&uacute;de ambiental:    a import&acirc;ncia dos ecossistemas naturais", pp. 41-47 <i>In: II Semin&aacute;rio    Nacional de Sa&uacute;de e Ambiente</i>, RJ, de 9 a 13 de junho de 2002, S&eacute;rie    Eventos Cient&iacute;ficos 4, Rio de Janeiro, Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo    Cruz, 2002).</font><!-- ref --><p><font size="3"> 11. Seva Fo. A. O. (organizador) <i>Tenot&atilde; M&otilde;.    Alertas sobre as conseq&uuml;&ecirc;ncias dos projetos de hidrel&eacute;tricas    no rio Xingu</i>. S&atilde;o Paulo: IRN – International Rivers Network,    2005. Arquivo em <a href="http://www.fem.unicamp.br/~seva" target="_blank">www.fem.unicamp.br/~seva</a></font><!-- ref --><p><font size="3"> 12. Zhouri, Laschefski, Pereira (orgs) <i>A insustent&aacute;vel    leveza da pol&iacute;tica ambiental. Desenvolvimento e conflitos socioambientais</i>.    Editora Aut&ecirc;ntica, Belo Horizonte: 2005.    <!-- ref --> E tamb&eacute;m Goodland, R.    "Evolu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica da avalia&ccedil;&atilde;o de    impacto ambiental e social no Brasil: sugest&otilde;es para o complexo hidrel&eacute;trico    do Xingu" pp 175-191 de Sev&aacute; Fo., A. O. (org), aqui citado.</font><!-- ref --><p><font size="3"> 13. Rothman, F. (editor) <i>Vidas alagadas. Conflitos socioambientais,    licenciamento e barragens</i>. Editora UFV, Vi&ccedil;osa, 2008.</font><!-- ref --><p><font size="3"> 14. Seva Fo. A. O. "Conhecimento cr&iacute;tico das mega–hidrel&eacute;tricas:    para avaliar de outro modo altera&ccedil;&otilde;es naturais, transforma&ccedil;&otilde;es    sociais e a destrui&ccedil;&atilde;o dos monumentos fluviais", Anais do    2º Encontro Nacional da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o    e Pesquisa em Ambiente e Sociedade (Anppas), Indaiatuba, SP, 2004. Arquivo em    <a href="http://www.fem.unicamp.br/~seva" target="_blank">www.fem.unicamp.br/~seva</a></font><!-- ref --><p><font size="3"> 15. Sobre o licenciamento, a implanta&ccedil;&atilde;o e os    amea&ccedil;ados pelos projetos das usinas Santo Ant&ocirc;nio e Jirau, Rond&ocirc;nia,    rio Madeira consultar os sites na internet: <a href="http://www.infraest-energ-sudamerica.org/home" target="_blank">http://www.infraest-energ-sudamerica.org/home</a>;    <a href="http://www.riosvivos.org.br" target="_blank">http://www.riosvivos.org.br</a>;    <a href="http://www.riomadeiravivo.org" target="_blank">http://www.riomadeiravivo.org</a>;    <a href="http://www.riomadeiravivo.org" target="_blank">http://www.fobomade.org.bo</a></font><p><font size="3"> 16. O ent&atilde;o diretor geral da Ag&ecirc;ncia Nacional    de Energia El&eacute;trica, engenheiro civil Jerson Kelman, convidado como palestrante    no Encontro Ci&ecirc;ncias Sociais e Barragens, na UFRJ, em junho de 2005, alegou    que a situa&ccedil;&atilde;o dos atingidos atualmente seria at&eacute; boa,    comparando-se com a &eacute;poca em que eram objeto de "remo&ccedil;&atilde;o    hidr&aacute;ulica" por parte das empresas que constru&iacute;am as barragens.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="3"> 17. WCD -World Comission on Dams. Dams and development. <i>A    new framework for decision-making</i>. The Report of the World Commission on    Dams, Earthscan Publications, London: 2000.</font><!-- ref --><p><font size="3"> 18. Na s&iacute;ntese feita por McCully: "A publica&ccedil;&atilde;o    em novembro de 2000, do relat&oacute;rio da Comiss&atilde;o Mundial de Barragens,    feriu o orgulho pessoal e profissional de muitos na ind&uacute;stria das grandes    barragens. A WCD criticou n&atilde;o somente o fraco desempenho dos projetos    de grandes barragens, como tamb&eacute;m a corrup&ccedil;&atilde;o, a incompet&ecirc;ncia    institucional e os interesses velados que parecem impulsionar tais projetos.(...)    Os mais importantes governos construtores de barragens, as associa&ccedil;&otilde;es    industriais e o Banco Mundial trabalharam em conjunto para elaborar um discurso    novo, p&oacute;s-WCD, apresentando a grande barragem como renov&aacute;vel,    n&atilde;o agressora do clima, e como uma alavanca para o al&iacute;vio da pobreza".    Extra&iacute;do de "Backlash! Shock of WCD spurs the big dam industry    into action". <i>World Rivers Review</i>, October 2003. Uma posi&ccedil;&atilde;o    intermedi&aacute;ria, ainda pr&oacute;-barragens, por&eacute;m reformista e    atenta aos direitos civis e &agrave; l&oacute;gica dos custos, &eacute; bem    expressa pela obra de referenciada de Thayer Scudder, consultor da USAID, de    ONGs internacionais, do Banco Mundial e que foi um dos comiss&aacute;rios da    WCD.</font><p><font size="3"> 19. Nos anos 1930 a 1940, a obra Hoover Dam no rio Colorado,    pr&oacute;ximo do Grand Canyon e de Las Vegas; e as obras da Tennessee Valley    Authority, retratadas no filme de Elia Kazan <i>Wild River</i>, cujo <i>happy    end</i> &eacute; o casamento entre uma moradora atingida pelas obras e um engenheiro    da empresa! Nos anos 1970, na mesma bacia do Tennessee, em sua parte alta, nos    Montes Apalache, no percurso de um trecho de rio que seria represado, passa-se    o enredo de outro filme: <i>Deliverance</i>; e no Noroeste, o filme <i>Northfork</i>,    enredo de Mark e Michael Polish sobre drama real da cidade e &aacute;rea rural    atingidas em Northfork, no final dos anos 1940.</font></p>     <p><font size="3"> 20. Por aqui, poucos exemplos: o valioso Rep&oacute;rter especial:    <i>Karara&ocirc;, um grito de guerra</i>, de Delfino Ara&uacute;jo, TV Cultura,    1989, sobre o primeiro "pacote" de mega-projetos no Xingu; uma telenovela    global (<i>Fogo sobre terra</i>) usava o canteiro de obras como cen&aacute;rio    e no centro da trama estavam as terras, fazendas e a cidade de Divin&eacute;ia,    que iam ser "alagadas". Uma fic&ccedil;&atilde;o baseada na hist&oacute;ria    do interior do Rio de Janeiro e da pol&iacute;tica brasileira, desde os anos    1950, tendo no piv&ocirc; dos conflitos uma cidadezinha e fazendas destinadas    a submergir na represa da futura usina, est&aacute; no filme <i>A terceira morte    de Joaquim Bol&iacute;var</i>, de Fl&aacute;vio C&acirc;ndido, 1999.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>SITES INDICADOS NA INTERNET</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">Coordinadora de Afectados por Grandes Embalses y Trasvases,    da Espanha. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://ww.coagret.com" target="_blank">http://ww.coagret.com</a></font><!-- ref --><p><font size="3"> Entidades do rio Paran&aacute; (pesca, plan&iacute;cie e humedales    do baixo vale). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.proteger.org.ar" target="_blank">http://www.proteger.org.ar</a>    </font><!-- ref --><p><font size="3">Federa&ccedil;&atilde;o de entidades, Brasil, bacia do Prata    e Pantanal. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.riosvivos.org.br" target="_blank">http://www.riosvivos.org.br</a></font><!-- ref --><p><font size="3"> Friends of Narmada River, &Iacute;ndia. Dispon&iacute;vel em:    <a href="http://www.narmada.org" target="_blank">http://www.narmada.org</a></font><!-- ref --><p><font size="3"> Movimento contra projetos de usinas na Patag&ocirc;nia chilena.    Dispon&iacute;vel em: <a href="http://ww.patagoniasinrepresas" target="_blank">http://ww.patagoniasinrepresas</a></font><!-- ref --><p><font size="3"> Movimento mexicano de Afectados por las Presas y en Defensa    de losR&iacute;os. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.mapder.org" target="_blank">http://www.mapder.org</a></font><!-- ref --><p><font size="3"> Red Latinoamericana contra Represa. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.redlar.org" target="_blank"><i>http://www.redlar.org</i></a></font><!-- ref --><p><font size="3"> Rivers Watch East and Southeast Asia. Dispon&iacute;vel em:    <a href="http://www.rwesa.org" target="_blank">http://www.rwesa.org</a></font><!-- ref --><p><font size="3"> Sobre a implanta&ccedil;&atilde;o da usina Yaciret&aacute;,    rio Paran&aacute;, fronteira Paraguai-Argentina, ver o site da entidade Taller    Ecologista <a href="http://www.taller.org.ar/Energia" target="_blank">http://www.taller.org.ar/Energia</a>    </font><!-- ref --><p><font size="3"> Sobre os projetos de hidrel&eacute;tricas nos rios Ribeira    do Iguape (PR e SP) e Xingu (MT e PA), consultar o site do Instituto S&oacute;cio    Ambiental em: <a href="http://www.socioambiental.org" target="_blank">http://www.    socioambiental.org</a> </font> ]]></body><back>
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