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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4"><b>BIODIVERSIDADE</b></font></P>     <P><font size="4"><b>UMA VIAGEM PELO ESTADO DE S&Atilde;O PAULO</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Tornou-se lugar comum dizer que S&atilde;o Paulo &eacute; a    locomotiva do Brasil. O estado &eacute; o mais rico da federa&ccedil;&atilde;o    e o seu PIB &eacute; maior do que o de muitos pa&iacute;ses da Am&eacute;rica    Latina. Estamos t&atilde;o acostumados com a paisagem paulista coberta pelo    asfalto das rodovias, viadutos de concreto, espig&otilde;es ou planta&ccedil;&otilde;es    de cana ou laranja que talvez a &uacute;ltima palavra que nos ocorra, quando    olhamos essa paisagem, seja biodiversidade. Talvez esteja a&iacute; uma das    primeiras motiva&ccedil;&otilde;es para conhecer a obra <i>Nos caminhos da biodiversidade    paulista</i>, publica&ccedil;&atilde;o da Secretaria do Meio Ambiente, com apoio    do Projeto de Recupera&ccedil;&atilde;o de Matas Ciliares, e organizada pelo    jornalista Marcelo Leite. Um convite para uma viagem pelas v&aacute;rias paisagens    do estado de S&atilde;o Paulo.</font></P>     <p><font size="3">O objetivo expresso no livro &eacute; disseminar, para um p&uacute;blico    amplo, informa&ccedil;&otilde;es sobre os caminhos tomados pela biodiversidade    paulista. O ponto de partida para isso s&atilde;o as informa&ccedil;&otilde;es    coletadas pelas 12 expedi&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas organizadas pela    Comiss&atilde;o Geogr&aacute;fica e Geol&oacute;gica (CGG) de S&atilde;o Paulo,    entre 1886 e 1923. O resultado &eacute; proporcionar ao leitor uma nova viagem    pelos territ&oacute;rios paulistas com direito a mapas, um invent&aacute;rio    dos locais visitados pela Comiss&atilde;o, imagens antigas e atuais reunidos    em edi&ccedil;&atilde;o bel&iacute;ssima. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n3/a20img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Interessados em conhecer o potencial hidrel&eacute;trico e de    navega&ccedil;&atilde;o da imensa malha fluvial de S&atilde;o Paulo e ainda    fazer um mapeamento da qualidade do solo, engenheiros da Comiss&atilde;o iniciaram    expedi&ccedil;&otilde;es de reconhecimento do ainda desconhecido territ&oacute;rio    paulista, parte do qual era de dom&iacute;nio de &iacute;ndios de v&aacute;rias    tribos como os xavantes, guaranis e caingangues. Entre as motiva&ccedil;&otilde;es    estava a expans&atilde;o do caf&eacute; no mercado internacional e a necessidade    de incorporar mais terras para o seu plantio. </font></P>     <p><font size="3">"A produ&ccedil;&atilde;o da CGG foi fundamental para moldar    a ocupa&ccedil;&atilde;o e a transforma&ccedil;&atilde;o dos bens naturais em    recursos a serem explorados, dando car&aacute;ter sist&ecirc;mico a um impulso    de devasta&ccedil;&atilde;o que at&eacute; ali havia sido espor&aacute;dico    e localizado", diz o texto.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>NATUREZA X DESENVOLVIMENTO</b> A obra indica que a transforma&ccedil;&atilde;o    do estado foi grande, dr&aacute;stica, irrevers&iacute;vel, na maioria das vezes,    mas, sobretudo, r&aacute;pida. Entre a &uacute;ltima d&eacute;cada do s&eacute;culo    XIX e 1935, S&atilde;o Paulo perdeu um volume de floresta bem maior do que nos    primeiros 350 anos de sua hist&oacute;ria. Nesse espa&ccedil;o de 45 anos, foram-se    mais 44% de suas matas. Para se ter id&eacute;ia da mudan&ccedil;a de paisagem,    a mata atl&acirc;ntica, que recobria 80% do solo do estado antes da coloniza&ccedil;&atilde;o    portuguesa, foi reduzida a 10%. O cerrado teve destino semelhante: dos 14%,    sobrou quase nada. A mata ciliar praticamente desapareceu. As demais vegeta&ccedil;&otilde;es    sofreram marcas profundas. H&aacute; apenas um s&eacute;culo no lugar da sucess&atilde;o    de cidades, canaviais, laranjais e represas havia numerosas na&ccedil;&otilde;es    ind&iacute;genas, cercadas de matas frondosas. Como afirma o f&iacute;sico Jos&eacute;    Goldemberg no pref&aacute;cio, todo progresso tem um custo ambiental. &Agrave;    medida que o consumo aumenta &eacute; preciso ampliar a &aacute;rea dedicada    &agrave; agricultura, construir novas ind&uacute;strias, estradas e ampliar    os meios de comunica&ccedil;&atilde;o. "&Eacute; imposs&iacute;vel ter tudo    isso sem interferir no ambiente em que vivemos", diz o ex-secret&aacute;rio    do Meio Ambiente do estado de S&atilde;o Paulo. "Este livro permite que os paulistas    – assim como todos os brasileiros – conhe&ccedil;am um pouco melhor como se    deu a dif&iacute;cil intera&ccedil;&atilde;o entre homem e natureza", completa.    </font><font size="3">Fiel ao roteiro das expedi&ccedil;&otilde;es da CGG, o    livro &eacute; dividido em doze cap&iacute;tulos, contemplando litoral, a cidade    de S&atilde;o Paulo e o interior. Passado e presente est&atilde;o juntos e se    completam na leitura j&aacute; que o texto traz, ao mesmo tempo, os registros    dos estudiosos das expedi&ccedil;&otilde;es e suas impress&otilde;es s&atilde;o    revisadas pelos autores. As cita&ccedil;&otilde;es s&atilde;o destacadas do    texto e mant&ecirc;m a grafia original do come&ccedil;o do s&eacute;culo XX.    A obra tamb&eacute;m conta com um tipo de gloss&aacute;rio que expande conceitos    abordados. </font></P>     <p><font size="3"><b>EXPLORA&Ccedil;&Atilde;O OBEDECEU RACIONALIDADE ECON&Ocirc;MICA</b>    A motiva&ccedil;&atilde;o para chegar ao que &eacute; hoje a maior aglomera&ccedil;&atilde;o    urbana da Am&eacute;rica do Sul foi de cunho sociocultural: a catequiza&ccedil;&atilde;o    dos &iacute;ndios. Anchieta era um dos 13 religiosos que partiram de S&atilde;o    Vicente e subiram a Serra do Mar para fundar o Col&eacute;gio de S&atilde;o    Paulo de Piratininga. Rapidamente, S&atilde;o Paulo se transformou em entreposto    de abastecimento para aqueles que iam seguir sert&atilde;o adentro nas bandeiras,    expedi&ccedil;&otilde;es em busca de pedras e metais preciosos, e &iacute;ndios    para serem escravizados. As bandeiras foram respons&aacute;veis pela funda&ccedil;&atilde;o    de grande parte das cidades paulistas. Nessas expedi&ccedil;&otilde;es chamava    aten&ccedil;&atilde;o a brutalidade com a natureza, considerada um obst&aacute;culo    hostil a ser vencido pelo conquistador.</font></P>     <p><font size="3">A destrui&ccedil;&atilde;o da mata atl&acirc;ntica e cerrado    tamb&eacute;m avan&ccedil;aram com as produ&ccedil;&otilde;es a&ccedil;ucareira    e cafeeira, entre meados do s&eacute;culo XVIII e in&iacute;cio do XIX, marcando    um modelo de desenvolvimento econ&ocirc;mico constru&iacute;do sem a preocupa&ccedil;&atilde;o    com a degrada&ccedil;&atilde;o que as demandas pudessem causar. O resultado    foi o &iacute;ndice m&aacute;ximo de desmatamento, desmonte do relevo e polui&ccedil;&atilde;o    das &aacute;guas, cujo maior s&iacute;mbolo &eacute; o rio Tiet&ecirc;. Ainda    nos dias de hoje, as decis&otilde;es pol&iacute;ticas s&atilde;o pouco influenciadas    pela preocupa&ccedil;&atilde;o ambiental, apesar dos freq&uuml;entes problemas    enfrentados pela popula&ccedil;&atilde;o serem fruto da ocupa&ccedil;&atilde;o    errada do territ&oacute;rio.</font></P>     <p><font size="3"><b>CERRADO</b> O mais devastado dos biomas do estado &eacute;    o cerrado. Visto de longe parece uma vegeta&ccedil;&atilde;o pobre, seca, com    &aacute;rvores de galhos retorcidos e troncos grossos. Mas, de perto, esse bioma    apresenta grande variedade de flores e esp&eacute;cies de animais, entre eles    o mais famoso, o lobo-guar&aacute;, amea&ccedil;ado de extin&ccedil;&atilde;o    por causa da expans&atilde;o das terras cultivadas e pela ca&ccedil;a predat&oacute;ria.    O cerrado cobria originalmente 14% do territ&oacute;rio paulista, mas o processo    de ocupa&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola – a regi&atilde;o foi considerada    fronteira agr&iacute;cola e recebeu incentivos de pol&iacute;ticas governamentais    para a sua ocupa&ccedil;&atilde;o – fez esse valor cair para menos de 1%. Antes    da agricultura, os terrenos de cerrado foram explorados por outros brasileiros,    eram mineiros que buscavam terras para pecu&aacute;ria. A explora&ccedil;&atilde;o    da natureza foi ainda mais agressiva, pois praticava-se queimadas constantemente    na tentativa de evitar que o mato retornasse aos campos e que os insetos atacassem    os animais.</font></P>     <p><font size="3">Hist&oacute;ria, geogr&aacute;fica, biologia, arquitetura, passado,    presente e principalmente o futuro s&atilde;o assuntos deste livro. Corrigir    os problemas causados pela degrada&ccedil;&atilde;o ambiental custa mais caro    do que prevenir a degrada&ccedil;&atilde;o. A persist&ecirc;ncia das enchentes    na cidade de S&atilde;o Paulo &eacute; apenas um dos exemplos disso. "Nada    melhor para fomentar uma mentalidade de cuidado com o meio ambiente do que olhar    para tr&aacute;s e aprender que muito da destrui&ccedil;&atilde;o e da degrada&ccedil;&atilde;o    que hoje deploramos, justificadamente, esteve tamb&eacute;m intimamente associado    com o pujante desenvolvimento da unidade mais rica da federa&ccedil;&atilde;o",    sentencia Goldemberg.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Patr&iacute;cia Mariuzzo</i></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n3/a20img02.jpg"></P>      ]]></body>
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