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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n4/brasil.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n4/a05img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">G<small>&Ecirc;NERO</small></font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v60n4/line_bk.gif"></p>     <p><font size="4"><b>Mulheres nas for&ccedil;as armadas desafiam conceito de soldado</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"> A partir da segunda metade do    s&eacute;culo XX as for&ccedil;as armadas de v&aacute;rios pa&iacute;ses do    mundo come&ccedil;aram a admitir mulheres, que receberam forma&ccedil;&atilde;o    id&ecirc;ntica a dos homens. Esse processo marca uma ruptura na hist&oacute;ria    dos ex&eacute;rcitos ocidentais, abrindo espa&ccedil;o para uma atua&ccedil;&atilde;o    diferente das fun&ccedil;&otilde;es auxiliares e modificando o esquema tradicional    de recrutamento, alistamento e participa&ccedil;&atilde;o das mulheres apenas    em tempos de guerra. Entre os pa&iacute;ses que se destacam no n&uacute;mero    de mulheres em suas for&ccedil;as armadas est&atilde;o os Estados Unidos, 14%    em rela&ccedil;&atilde;o ao total de soldados do pa&iacute;s, Canad&aacute;    com 11%, Hungria com 9% e Fran&ccedil;a com 8,5%, de acordo com dados da Organiza&ccedil;&atilde;o    do Tratado do Atl&acirc;ntico Norte (Otan, 2000). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">No Brasil, a inser&ccedil;&atilde;o    de mulheres nas for&ccedil;as armadas &eacute; recente. A participa&ccedil;&atilde;o    ocorreu, primeiramente, em fun&ccedil;&otilde;es como auxiliares. A marinha    foi a primeira a admiti&#45;las na &aacute;rea de manuten&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica.    Em 1980, foi criado o Corpo Auxiliar Feminino da Reserva da Marinha, para atua&ccedil;&atilde;o    na &aacute;rea t&eacute;cnica e administrativa. "Legalmente elas podem    ser movidas para outros trabalhos, mas na pr&aacute;tica n&atilde;o &eacute;    o que acontece. Elas permanecem nesse trabalho a vida inteira", conta Maria    Celina D'Ara&uacute;jo, pesquisadora do Centro de Pesquisa e Documenta&ccedil;&atilde;o    de Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea do Brasil, da Funda&ccedil;&atilde;o    Get&uacute;lio Vargas (Cpdoc/FGV), e professora da Universidade Federal Fluminense    (UFF). Apenas em 1998 houve permiss&atilde;o para participa&ccedil;&atilde;o    feminina em miss&otilde;es nos navios hidrogr&aacute;ficos, oceanogr&aacute;ficos    e de guerra e permiss&atilde;o para integrar tripula&ccedil;&otilde;es de helic&oacute;pteros.    </font></p>     <p><font size="3">O ex&eacute;rcito brasileiro    foi o &uacute;ltimo das for&ccedil;as armadas a aceitar mulheres. Elas passaram    a integrar os quadros complementares e de apoio administrativo, exercendo fun&ccedil;&otilde;es    como m&eacute;dicas, dentistas, farmac&ecirc;uticas, economistas, advogadas    e outros. Depois, foram incorporadas nos quadros permanentes, mas sem poder    galgar o topo da carreira. Segundo Maria Celina, que coordenou a sess&atilde;o    tem&aacute;tica "For&ccedil;as armadas e g&ecirc;nero", no II Encontro    Nacional da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Estudos de Defesa, que ocorreu    um julho deste ano, as mulheres desafiam o conceito tradicional de soldado profissional    secularmente associado &agrave; valentia como atributo masculino. "Elas    s&atilde;o consideradas, em geral, como seres que precisam ser protegidos, dentro    e fora dos quart&eacute;is, e isto suporia a exclus&atilde;o em certas atividades    consideradas de risco e de rigor disciplinar e, portanto, masculinas",    acredita. </font></p>     <p><font size="3">Em Israel, pa&iacute;s onde o servi&ccedil;o militar &eacute;    obrigat&oacute;rio para mulheres, elas est&atilde;o exclu&iacute;das das posi&ccedil;&otilde;es    de combate. Isso ocorreu porque contribu&iacute;am para aumentar o n&uacute;mero    de mortos. A tend&ecirc;ncia do homem era proteger a companheira, enquanto o    inimigo n&atilde;o queria se render &agrave; mulher. Ambos os casos geravam    mais mortes. Nos Estados Unidos, as mulheres ocupam 95% dos postos de trabalho    abertos para elas nas for&ccedil;as armadas, mas ainda est&atilde;o exclu&iacute;das    dos campos de combate direto (artilharia, infantaria, for&ccedil;as especiais    etc).</font></p>     <p><font size="3"><b>FORMA&Ccedil;&Atilde;O MILITAR</b> A Academia da For&ccedil;a    A&eacute;rea (AFA) brasileira foi a primeira, e atualmente &eacute; a &uacute;nica,    a incluir mulheres em um de seus cursos de forma&ccedil;&atilde;o de oficiais.    Em 1996, mulheres foram admitidas como cadetes e come&ccedil;aram a receber    forma&ccedil;&atilde;o id&ecirc;ntica a dos homens no curso de forma&ccedil;&atilde;o    de oficiais da intend&ecirc;ncia. Quatro anos depois, mais de 50% dos cadetes    do curso eram mulheres. Em 2002, foi aprovado o ingresso delas para o curso    de forma&ccedil;&atilde;o de oficiais aviadores e, em 2004, pela primeira vez    na hist&oacute;ria da avia&ccedil;&atilde;o brasileira, uma mulher pilotou sozinha    uma aeronave de instru&ccedil;&atilde;o militar da AFA.</font></p>     <p><font size="3">Segundo Em&iacute;lia Emi Takahashi,    professora da AFA e autora de uma pesquisa sobre a participa&ccedil;&atilde;o    de mulheres nessa institui&ccedil;&atilde;o, as cadetes tem que se esfor&ccedil;ar    para que sua condi&ccedil;&atilde;o de mulher n&atilde;o se sobreponha ao esp&iacute;rito    militar, ou &agrave; identidade militar. "As dificuldades ainda ocorrem,    especialmente aquelas causadas por comportamentos discriminat&oacute;rios isolados,    entretanto, a eleva&ccedil;&atilde;o das notas, a identifica&ccedil;&atilde;o    com os valores e atitudes pr&oacute;prios &agrave; vida militar como coragem,    lealdade, dever e amor &agrave; p&aacute;tria, s&atilde;o os aspectos mais lembrados    quando penso na integra&ccedil;&atilde;o das mulheres na AFA", diz. </font></p>     <p><font size="3">Na opini&atilde;o de Maria Celina,    entre os militares brasileiros prevalece o argumento da fragilidade feminina    que serve de justificativa para restri&ccedil;&otilde;es. "A id&eacute;ia    de prote&ccedil;&atilde;o coloca a mulher no lugar de um ser que deve ser defendido    em qualquer situa&ccedil;&atilde;o, se necess&aacute;rio pela guerra, mas nunca    como agente direto do exerc&iacute;cio da viol&ecirc;ncia", explica. Segundo    ela, &eacute; forte tamb&eacute;m a identifica&ccedil;&atilde;o da mulher com    a maternidade, principal raz&atilde;o das baixas entre as militares. O casamento    tamb&eacute;m aparece como fator limitante, em fun&ccedil;&atilde;o das exig&ecirc;ncias    de distanciamento e disposi&ccedil;&atilde;o de tempo integral pr&oacute;prios    da vida militar, lembra Em&iacute;lia Takahashi. </font></p>     <p><font size="3">"A admiss&atilde;o de mulheres    na academia das for&ccedil;as armadas traz inova&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas:    o recebimento de uma forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mico&#45;militar id&ecirc;ntica    a dos homens em um curso de forma&ccedil;&atilde;o de oficiais de carreira e    a possibilidade de atingir o generalato", afirma Em&iacute;lia Takahashi.    Hoje, segundo informa&ccedil;&otilde;es do Minist&eacute;rio da Defesa, 8403    mulheres est&atilde;o empregadas na marinha, ex&eacute;rcito e aeron&aacute;utica,    o que corresponde a 2,62% do efetivo das for&ccedil;as armadas brasileiras.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Patr&iacute;cia Mariuzzo</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
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