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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n4/artigos.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>DIAGN&Oacute;STICO DA POPULA&Ccedil;&Atilde;O IND&Iacute;GENA    NO BRASIL</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Marta Maria Azevedo</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b> No Brasil do s&eacute;culo XVI,    quando da chegada dos portugueses, viviam cerca de mil povos distintos com uma    popula&ccedil;&atilde;o de 2 milh&otilde;es a 5 milh&otilde;es de pessoas, segundo    diferentes estimativas. A Funai (Funda&ccedil;&atilde;o Nacional do &Iacute;ndio),    em reuni&atilde;o sobre a poss&iacute;vel realiza&ccedil;&atilde;o de um levantamento    populacional dos &iacute;ndios em 2003, apresentou a <a href="#tab01">tabela</a>    abaixo com estimativas do decr&eacute;scimo populacional desses povos.</font></p>     <p><a name="tab01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n4/a10tab01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Desde o in&iacute;cio da coloniza&ccedil;&atilde;o brasileira    at&eacute; a d&eacute;cada de 1970 os povos ind&iacute;genas eram considerados    como uma categoria social transit&oacute;ria, ou seja, todas as pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas direcionadas aos povos ind&iacute;genas tinham como objetivos    sua "integra&ccedil;&atilde;o &agrave; comunh&atilde;o nacional",    seja atrav&eacute;s da catequiza&ccedil;&atilde;o, coloniza&ccedil;&atilde;o,    ou at&eacute; mesmo da escraviza&ccedil;&atilde;o. A lei nacional mais recente    que especificamente diz respeito aos povos ind&iacute;genas no Brasil &eacute;    o Estatuto do &Iacute;ndio, de 1973, que, embora tenha ficado desatualizado    com a nova Constitui&ccedil;&atilde;o, ainda n&atilde;o foi substitu&iacute;do.    Nesta lei todas as a&ccedil;&otilde;es visam "a integra&ccedil;&atilde;o    do &iacute;ndio &agrave; comunh&atilde;o nacional". </font></p>     <p><font size="3">Com a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, os povos ind&iacute;genas    passaram a ser considerados como povos distintos sujeitos de direitos especiais,    s&atilde;o reconhecidas suas organiza&ccedil;&otilde;es sociais, econ&ocirc;micas    e pol&iacute;ticas distintas e fica estipulado que o Estado deve respeit&aacute;&#45;los    enquanto povos distintos. Portanto, n&atilde;o est&atilde;o mais fadados ao    desaparecimento, espera&#45;se uma conviv&ecirc;ncia mais respeitosa, as pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas n&atilde;o devem mais ter como objetivos a integra&ccedil;&atilde;o    desses povos &agrave; comunh&atilde;o nacional. Muitos esfor&ccedil;os t&ecirc;m    sido feitos para melhorar a implementa&ccedil;&atilde;o desses direitos garantidos    na Constitui&ccedil;&atilde;o (1), n&atilde;o s&oacute; por parte do pr&oacute;prio    movimento ind&iacute;gena, como tamb&eacute;m por parte do governo. Por&eacute;m,    ainda &eacute; n&iacute;tida a falta de sistemas de informa&ccedil;&otilde;es    populacionais mais detalhados e com ampla cobertura para orientar, acompanhar    e avaliar as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Como se sabe, os censos demogr&aacute;ficos    brasileiros come&ccedil;aram a captar de maneira espec&iacute;fica os <I>ind&iacute;genas</I>    a partir de 1991, com a auto&#45;declara&ccedil;&atilde;o de pessoas no quesito    "cor ou ra&ccedil;a" do question&aacute;rio da amostra. Ainda assim,    muitos trabalhos j&aacute; demonstraram que essa metodologia de capta&ccedil;&atilde;o    tem sido insuficiente para termos uma id&eacute;ia mais acurada da situa&ccedil;&atilde;o    sociodemogr&aacute;fica dos povos ind&iacute;genas, sujeitos de direitos e pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas espec&iacute;ficas (2).</font></p>     <p><font size="3">Diferentemente de outras popula&ccedil;&otilde;es no mundo,    que em sua grande maioria est&atilde;o com baixos n&iacute;veis de fecundidade    (3) (ou baixando) e baixos n&iacute;veis de mortalidade (ou baixando), ou seja,    passando pela chamada transi&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica. Os povos ind&iacute;genas    na Am&eacute;rica Latina, ao contr&aacute;rio, se encontram num processo de    crescimento populacional. Assim sendo, os altos n&iacute;veis de fecundidade    desses povos est&atilde;o sendo mantidos, nos &uacute;ltimos dez anos pelo menos,    e a taxa de crescimento anual est&aacute; sendo estimada, de uma maneira geral,    em 3% ao ano. Isto indica que esses povos est&atilde;o com uma din&acirc;mica    demogr&aacute;fica completamente distinta daquela observada na maioria dos pa&iacute;ses    do mundo, n&atilde;o s&oacute; da Am&eacute;rica Latina. Somente esse fato deveria    ser motivo de muitas pesquisas, investiga&ccedil;&otilde;es e investimentos    para que se possa saber o porqu&ecirc; desse fen&ocirc;meno: &eacute; algo semelhante    ao "baby boom" p&oacute;s&#45;guerras? Ou seja, &eacute; um fen&ocirc;meno    de recupera&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica, ou &eacute; uma diferente din&acirc;mica    demogr&aacute;fica que tem ra&iacute;zes culturais e territoriais? Ou &eacute;    uma fase tempor&aacute;ria que pode acontecer muitas vezes no in&iacute;cio    da transi&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica, que se caracteriza por um aumento    da popula&ccedil;&atilde;o causado pela alta fecundidade e queda da mortalidade?    Quais s&atilde;o os n&iacute;veis e perfis da fecundidade desses povos t&atilde;o    distintos entre si, e quais s&atilde;o as diferen&ccedil;as entre os diversos    componentes demogr&aacute;ficos de suas popula&ccedil;&otilde;es &#150; fecundidade,    mortalidade e migra&ccedil;&atilde;o? Todos os indicadores epidemiol&oacute;gicos,    important&iacute;ssimos para ajustar e planejar as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas    de sa&uacute;de, t&ecirc;m suas bases na popula&ccedil;&atilde;o total por etnia,    desagregada por sexo e idade; ou seja, as taxas de morbi&#45;mortalidade, por exemplo,    t&ecirc;m por base a popula&ccedil;&atilde;o total num determinado per&iacute;odo,    e se n&atilde;o temos a popula&ccedil;&atilde;o total por sexo e idade de um    determinado povo n&atilde;o podemos saber com confian&ccedil;a quais s&atilde;o    esses indicadores. Todas essas s&atilde;o perguntas que, embora a nova Constitui&ccedil;&atilde;o    do Brasil os reconhe&ccedil;a como povos distintos, com direitos territoriais,    culturais, ling&uuml;&iacute;sticos etc, n&atilde;o podemos responder, pois    n&atilde;o temos como analisar esses componentes demogr&aacute;ficos por povo    ou etnia.</font></p>     <p><font size="3"><b>OS IND&Iacute;GENAS NOS CENSOS DEMOGR&Aacute;FICOS BRASILEIROS</b>    Os censos demogr&aacute;ficos brasileiros captam a auto&#45;declara&ccedil;&atilde;o    daqueles que se identificam como <I>ind&iacute;genas</I>, categoria que est&aacute;    inclu&iacute;da no quesito ra&ccedil;a/cor da pele, do question&aacute;rio da    amostra. Este contingente populacional inclui pessoas que se identificam como    sendo "&iacute;ndio&#45;descendentes" mesmo n&atilde;o sabendo a que povo/etnia    pertenciam seus ancestrais (em geral, reconhecidamente ancestrais via materna);    pessoas que moram em cidades e que se reconhecem como pertencendo a povos/etnias    espec&iacute;ficos; pessoas que moram em Terras Ind&iacute;genas (TIs) e que    se reconhecem como pertencendo a povos/etnias espec&iacute;ficos, e pessoas    que reconhecem como pertencendo a povos/etnias espec&iacute;ficos que est&atilde;o    em processo de reivindica&ccedil;&atilde;o de suas terras e, em alguns casos,    de suas identidades &eacute;tnicas.</font></p>     <p><font size="3">Com os resultados do censo demogr&aacute;fico de 1991, do question&aacute;rio    da amostra, j&aacute; apont&aacute;vamos para um fen&ocirc;meno de "valoriza&ccedil;&atilde;o    das identidades &eacute;tnicas" com muitas facetas, onde o aumento populacional    dos ind&iacute;genas no Brasil &eacute; uma delas. Esse crescimento pode ser    atribu&iacute;do a v&aacute;rias causas: a) crescimento vegetativo, quando a    popula&ccedil;&atilde;o mant&eacute;m altas taxas de fecundidade, est&aacute;    sendo observado entre os povos ind&iacute;genas residentes das TIs, como &eacute;    o caso dos Xavante (cerca de 9 mil pessoas em 2000 e 12.845 pessoas em 2005,    contabilizadas pela Funasa), dos Wai&atilde;pi, que eram 412 em 1992 e em 2005    sua popula&ccedil;&atilde;o contava com 756 pessoas, dos Kaiabi no Xingu (4)    e outros povos. Esse crescimento tem sido apontado em in&uacute;meros trabalhos    sobre demografia e sa&uacute;de dos povos ind&iacute;genas e, em alguns casos,    deve&#45;se tamb&eacute;m &agrave; melhoria paulatina das fontes de informa&ccedil;&otilde;es    sobre esses povos; b) outro caso importante &eacute; aquele de outros povos    ind&iacute;genas que passam por um aumento populacional expressivo, como &eacute;    o caso dos Patax&oacute; da Bahia, que em 2001 eram 2.790 pessoas e em 2005    foram contadas como 10.897 pessoas; este aumento populacional n&atilde;o &eacute;    devido somente ao crescimento vegetativo, mas muito mais a uma crescente identifica&ccedil;&atilde;o    de pessoas e comunidades que anteriormente n&atilde;o se consideravam Patax&oacute;.    Assim como os Patax&oacute; existem v&aacute;rios casos, como os Kokama do Amazonas    e outros; c) al&eacute;m desses dois tipos de aumento populacional, verifica&#45;se    hoje no Brasil uma outra face desse fen&ocirc;meno de "valoriza&ccedil;&atilde;o    &eacute;tnica" que s&atilde;o os povos formados por comunidades que recentemente    passaram a se reconhecer como povos ind&iacute;genas. Esses povos, j&aacute;    denominados de resistentes s&atilde;o, por exemplo, os Kaxix&oacute; de Minas    Gerais, Pipip&atilde; de Pernambuco, Tumbal&aacute;l&aacute; da Bahia e outros,    que, portanto, n&atilde;o eram contabilizados como povos ind&iacute;genas h&aacute;    15 anos atr&aacute;s, mas hoje fazem parte desse contingente, com uma popula&ccedil;&atilde;o    estimada de 15 mil pessoas mais ou menos; d) e, por fim, tivemos um grande aumento    populacional da categoria ind&iacute;gena nos censos demogr&aacute;ficos de    1991 para 2000 (de 290 mil para 770 mil) que possivelmente pode ser explicado    por um crescente reconhecimento da nossa descend&ecirc;ncia ind&iacute;gena,    embora sem conhecermos os povos/etnias espec&iacute;ficos dos quais descendemos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60n4/a10tab02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Portanto, no Brasil, s&atilde;o muitos os "&iacute;ndios&#45;descendentes",    por&eacute;m, aqueles que se reconhecem como povos espec&iacute;ficos s&atilde;o    os que est&atilde;o com uma din&acirc;mica demogr&aacute;fica distinta do restante    da popula&ccedil;&atilde;o brasileira, com altos n&iacute;veis de fecundidade,    com crescimento que chega a n&iacute;veis de duplica&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o    em 15 anos. E s&atilde;o esses povos, ou essas popula&ccedil;&otilde;es, sobre    as quais &eacute; necess&aacute;rio, e urgente, termos informa&ccedil;&otilde;es    populacionais, n&atilde;o s&oacute; por causa do enorme interesse em estudarmos    popula&ccedil;&otilde;es que t&ecirc;m din&acirc;micas distintas para entendermos    as din&acirc;micas populacionais de uma maneira mais geral, como tamb&eacute;m    para subsidiarmos as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o    e outras. </font></p>     <p><font size="3">Em 2005, o IBGE lan&ccedil;ou um pequeno livro com an&aacute;lises    demogr&aacute;ficas dos auto&#45;declarados <I>ind&iacute;genas</I> nos censos 1991    e 2000 (5), nesse volume conseguiu&#45;se demonstrar que os indicadores demogr&aacute;ficos    dos ind&iacute;genas residentes das &aacute;reas rurais dos munic&iacute;pios    que t&ecirc;m Terras Ind&iacute;genas em seus territ&oacute;rios (denominadas    na publica&ccedil;&atilde;o de "rural espec&iacute;fico") s&atilde;o    pr&oacute;ximos daqueles encontrados pelos dem&oacute;grafos especialistas em    popula&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas quando analisam as informa&ccedil;&otilde;es    populacionais desses povos a partir de outras fontes de informa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Por isto, a tarefa que se imp&otilde;e agora &eacute; conseguir    captar informa&ccedil;&otilde;es demogr&aacute;ficas confi&aacute;veis sobre    esses povos, o que exige possivelmente n&atilde;o s&oacute; ter quest&otilde;es    no question&aacute;rio da amostra dos censos demogr&aacute;ficos nacionais (6),    mas levando a quest&atilde;o "ra&ccedil;a/cor da pele" com as cinco    categorias fechadas para respostas, para o question&aacute;rio do universo,    ou seja, fazendo esta pergunta do pertencimento &eacute;tnico para todos os    cidad&atilde;os residentes no Brasil. Com isto, ter&iacute;amos a possibilidade    de termos informa&ccedil;&otilde;es para cada Terra Ind&iacute;gena, e para    cada povo/etnia.</font></p>     <p><font size="3">Sabemos que, no Brasil, dos 225 povos ind&iacute;genas existentes,    49,55% tem at&eacute; 500 pessoas, 39,55% tem entre 500 e 5 mil pessoas, 9%    tem entre 5 mil e 20 mil pessoas, e apenas 4 povos ind&iacute;genas t&ecirc;m    mais de 20 mil pessoas. Se f&ocirc;ssemos construir amostras populacionais para    pesquisar esses povos, portanto, dever&iacute;amos levar em considera&ccedil;&atilde;o    as estimativas populacionais de cada um deles, consider&aacute;&#45;los o que na    realidade s&atilde;o: totalidades sociol&oacute;gicas distintas. Portanto, &eacute;,    como j&aacute; foi dito, um grande mosaico de micro&#45;sociedades com popula&ccedil;&otilde;es    de pequeno ou m&eacute;dio porte, com din&acirc;micas demogr&aacute;ficas distintas    revelando n&atilde;o s&oacute; autonomias culturais como tamb&eacute;m qualidade    de vida e perfis epidemiol&oacute;gicos muito diferentes.</font></p>     <p><font size="3">Al&eacute;m dessas quest&otilde;es de car&aacute;ter mais geral,    &eacute; preciso repensar ou adequar os grandes temas pesquisados, como sa&uacute;de,    educa&ccedil;&atilde;o, religi&atilde;o, ocupa&ccedil;&atilde;o ou trabalho,    migra&ccedil;&atilde;o etc. </font></p>     <p><font size="3">Enquanto isto, um avan&ccedil;o enorme j&aacute; se poderia    dar se o censo demogr&aacute;fico de 2010 inclu&iacute;sse uma ou duas quest&otilde;es    a mais para aqueles que se auto&#45;declarassem ind&iacute;genas, como pertencimento    &eacute;tnico espec&iacute;fico e l&iacute;nguas faladas, e considerasse setores    censit&aacute;rios especiais todas as Terras Ind&iacute;genas j&aacute; reconhecidas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><I><B>Marta Maria Azevedo</b> &eacute; pesquisadora do N&uacute;cleo    de Estudos de Popula&ccedil;&atilde;o (Nepo) da Unicamp e do Instituto Socioambiental.</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS E NOTAS</b></font></p>     <p><font size="3">1. Os direitos ind&iacute;genas garantidos na Constitui&ccedil;&atilde;o    Federal de 1988 tamb&eacute;m est&atilde;o detalhados e garantidos em diversos    instrumentos internacionais, sendo mais conhecidos a Declara&ccedil;&atilde;o    da OIT, que o Brasil assinou no ano passado, e mais recentemente, a Declara&ccedil;&atilde;o    das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre os Direitos dos Povos Ind&iacute;genas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">2. IBGE, 2005. "Tend&ecirc;ncias demogr&aacute;ficas: uma    an&aacute;lise dos ind&iacute;genas com base nos resultados da amostra dos censos    demogr&aacute;ficos 1991 e 2000". Rio de Janeiro: IBGE.    </font></p>     <p><font size="3">3. As medidas de fecundidade visam termos uma id&eacute;ia de    n&uacute;mero m&eacute;dios de filhos nascidos vivos por mulher. Quando estamos    falando em n&iacute;veis baixos de fecundidade em geral queremos dizer que em    m&eacute;dia as mulheres de uma determinada popula&ccedil;&atilde;o em um determinado    per&iacute;odo de tempo (um ano em geral) est&atilde;o tendo 2 ou menos filhos.    Isto significa que essa popula&ccedil;&atilde;o est&aacute; chegando nos n&iacute;veis    de fecundidade que v&atilde;o apenas repor a popula&ccedil;&atilde;o, ou, fecundidade    nos n&iacute;veis de reposi&ccedil;&atilde;o, a depender dos n&iacute;veis de    mortalidade.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">4. Pagliaro, H. "A revolu&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica    dos povos ind&iacute;genas no Brasil: a experi&ecirc;ncia dos Kaiabi do Parque    Ind&iacute;gena do Xingu &#150; Mato Grosso &#150; 1970&#45;1999". Tese de doutorado    na Faculdade de Sa&uacute;de P&uacute;blica da USP. 2002.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">5. IBGE. "Tend&ecirc;ncias demogr&aacute;ficas, uma an&aacute;lise    dos ind&iacute;genas com base nos resultados da amostra dos censos demogr&aacute;ficos    de 1991 e 2000". 2005. Dispon&iacute;vel no site do IBGE.    </font></p>     <p><font size="3">6. Amostra essa cujo tamanho depende da popula&ccedil;&atilde;o    do munic&iacute;pio (no censo de 2000, 10% para os munic&iacute;pios com mais    de 15 mil habitantes e 20% para aqueles com popula&ccedil;&atilde;o menor do    que esta).</font></p>     <p><font size="3">7. Este n&uacute;mero 225 foi contabilizado pela equipe do Instituto    Socioambiental para a &uacute;ltima publica&ccedil;&atilde;o sobre os povos    ind&iacute;genas. Levou&#45;se em conta todos os povos que t&ecirc;m feito gest&otilde;es    junto &agrave; Funai para o seu reconhecimento.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>BIBLIOGRAFIA CONSULTADA</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">Alves, Jos&eacute; E. D. e Cavenaghi S. "Quest&otilde;es    conceituais e metodol&oacute;gicas relativas a domic&iacute;lio, fam&iacute;lia    e condi&ccedil;&otilde;es habitacionais". <i>In: Papeles de Poblaci&oacute;n</i>,    n. 43, CIEAP/UAEM, M&eacute;xico. 2005.    </font></p>     <!-- ref --><p> <font size="3">Azevedo, Marta e Ricardo, Fany. "Censo 2000 do IBGE revela    contingente ind&iacute;gena pouco conhecido". <i>In</i>: Not&iacute;cias    Socioambientais, publicada no site <a href="http://www.socioambiental.org" target="_blank">www.socioambiental.org</a>    acessado em 12/12/2006. 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">Inep. Censo Escolar Ind&iacute;gena, Bras&iacute;lia, MEC. 1999.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">Inep. Question&aacute;rios do Censo Escolar, Bras&iacute;lia,    MEC. 2005 e 2006. Dispon&iacute;vel no site <a href="http://www.inep.gov.br" target="_blank">www.inep.gov.br</a>    acessado em 1 de agosto de 2006.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">Mindlin, Betty; Mu&ntilde;oz, H.; Azevedo, M. M. (coord.). "Aprecia&ccedil;&atilde;o    das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas em educa&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena    no per&iacute;odo 1995&#45;2002". Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o,    Bras&iacute;lia, mimeo. 2002.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">Os&oacute;rio, R. G. "O sistema classificat&oacute;rio    de 'cor ou ra&ccedil;a' do IBGE". <i>Textos para discuss&atilde;o</i>,    Ipea, n. 996, Rio de Janeiro/RJ. 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p> <font size="3">Pagliaro, H.; Azevedo, M. &amp; Santos, R.V. (orgs.). <i>Demografia    dos povos ind&iacute;genas no Brasil</i>. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz &amp;    ABEP. 2005.    </font></p>     <!-- ref --><p> <font size="3">Ricardo, Carlos Alberto. <i>Povos ind&iacute;genas no Brasil</i>    1996/2000, S&atilde;o Paulo: Instituto Socioambiental. 2000.    </font></p>     <!-- ref --><p> <font size="3">Ricardo, C. A. e Ricardo, Fany. <i>Povos ind&iacute;genas no    Brasil 2000/2006</i>. S&atilde;o Paulo: Instituto Socioambiental. 2006.</font> ]]></body><back>
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