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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v60nspe1/dossie.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <P><font size="4"><b>O LINGUAGEAR &Eacute; O MODO DE VIDA QUE NOS TORNOU HUMANOS</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><i><b>Nelson M. Vaz</b></i></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><B>FILOG&Ecirc;NESE OU ONTOG&Ecirc;NESE </b>Como nada parte do    zero, exceto o Big-Bang, como quer a maioria dos cientistas, podemos discutir    a g&ecirc;nese da vida humana de muitos pontos de partida, com diversas escalas    de tempo, atualidade e complexidade. Se o adjetivo "humano" &eacute;    o que nos importa mais, podemos nos afastar de problemas s&eacute;rios como    a g&ecirc;nese molecular da vida, a g&ecirc;nese das c&eacute;lulas, a g&ecirc;nese    dos animais na explos&atilde;o Cambriana, para nos concentrarmos nos &uacute;ltimos    6-8 milh&otilde;es de anos. Ou podemos decidir que a paleoantropologia est&aacute;    al&eacute;m de nossos limites e n&atilde;o nos determos naquilo que separou    o humano do chimpanz&eacute; e dos bonobos. Se partirmos do <I>Homo sapiens    sapiens</I> j&aacute; constitu&iacute;do como uma linhagem, poderemos considerar    aquilo que, afinal, o distingue de outras linhagens de primatas. </font></P>     <p><font size="3">Em resumo, por um lado, temos a op&ccedil;&atilde;o de considerar    problemas evolutivos b&aacute;sicos sobre a origem das diversas linhagens de    seres vivos, entre as quais nos inclu&iacute;mos como mais uma linhagem. Inclu&iacute;dos    nessa op&ccedil;&atilde;o est&atilde;o problemas fundamentais &agrave; bioqu&iacute;mica,    na gen&eacute;tica e na biologia propriamente dita. Por outro lado, temos a    op&ccedil;&atilde;o de discutir o que temos de especial nas origens (na g&ecirc;nese)    do ser humano j&aacute; configurado como linhagem. Mesmo a&iacute;, h&aacute;    uma dicotomia: podemos considerar o <I>Homo sapiens sapiens</I> ainda n&ocirc;made,    no pastoreio pr&eacute;-agr&iacute;cola, ou tomar como ponto de partida o chamado    grande salto para a frente (<I>the great leap forward</I>) que deu origem &agrave;    cultura, &agrave; religi&atilde;o, &agrave;s artes, &agrave; civiliza&ccedil;&atilde;o,    enfim. Todas essas s&atilde;o preocupa&ccedil;&otilde;es para o lado, digamos,    filog&ecirc;nico da g&ecirc;nese da vida humana.</font></P>     <p><font size="3">Finalmente, h&aacute; ainda sua dimens&atilde;o ontog&ecirc;nica,    que levanta um debate com profundo significado &eacute;tico e muito atual, que    Francisco Mauro Salzano discute em detalhe (pp. 57-59 desta edi&ccedil;&atilde;o).    No outro extremo da vida humana, aquele pr&oacute;ximo a seu fim, h&aacute;    um dilema semelhante em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s pessoas atingidas por    les&otilde;es ou enfermidades que as colocam em estados ditos "vegetativos",    sem possibilidade de recupera&ccedil;&atilde;o. Embri&otilde;es humanos, que    ainda n&atilde;o viveram uma vida aut&ocirc;noma, e seres humanos que perderam    totalmente sua autonomia ao viver podem ser objeto de considera&ccedil;&otilde;es    &eacute;ticas semelhantes — embora possa haver casos, dentre os &uacute;ltimos,    em que j&aacute; se tenha optado durante a vida normal sobre o que fazer com    o pr&oacute;prio corpo nessas situa&ccedil;&otilde;es.</font></P>     <p><font size="3">A meu ver, as discuss&otilde;es sobre a g&ecirc;nese da vida    humana dependem da defini&ccedil;&atilde;o de diferen&ccedil;as entre nosso    viver como <I>Homo sapiens sapiens</I>, como organismos de primatas com caracter&iacute;sticas    zool&oacute;gicas especiais, e nosso viver como pessoas, como seres humanos    no conviver com outros seres humanos. De certa forma, Salzano indaga onde colocar    um limite ontog&ecirc;nico entre um embri&atilde;o de <I>H. sapiens</I> e um    ser humano em forma&ccedil;&atilde;o. Para isso, &eacute; importante explicitar    um consenso sobre aquilo que nos caracteriza como seres humanos, como pessoas.    Similarmente, no decurso da filog&ecirc;nese, podemos indagar como e por que    surgiram os seres humanos com sua conduta caracter&iacute;stica.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><B>A PERGUNTA ZERO </b>Nenhum de n&oacute;s tem a pretens&atilde;o    de responder cabalmente &agrave; pergunta sobre a g&ecirc;nese da vida humana,    uma pergunta que pode ser entendida como a origem das realidades humanas, ou    de nosso entendimento sobre o mundo — enfim, a pergunta que muitos v&ecirc;em    como a maior e mais complexa de todas as perguntas, cuja resposta conteria a    explica&ccedil;&atilde;o de quase tudo. Mas, em meu modo de ver, antes dessa    pergunta "n&uacute;mero um", h&aacute; uma "pergunta zero",    usualmente negligenciada, que, mesmo quando explicitada, n&atilde;o &eacute;    compreendida ou aceita por muitos. Essa "pergunta zero" ser&aacute;    meu fio orientador. </font></P>     <p><font size="3">"Como somos capazes de perguntar qualquer coisa?"    — ou seja, "como somos capazes de conversar, ouvir, entender e falar a    outros seres humanos?" —, um problema intimamente ligado &agrave; linguagem    e &agrave; natureza do ser humano. Como se d&aacute; esse nosso experienciar    da realidade? O que tem ele em comum com o experienciar de outras realidades    por outros seres vivos? Todos concordamos em que uma mosca enxerga; mexemos    a m&atilde;o, e ela voa. Mas, curioso, o que ela v&ecirc;? O que &eacute; ver?    Enfim, nossa tarefa poderia tomar o rumo dessas indaga&ccedil;&otilde;es.</font></P>     <p><font size="3">Aceitar ou rejeitar essa "pergunta zero" delineia    dois caminhos distintos. Posso n&atilde;o aceit&aacute;-la e admitir que o "processamento    de informa&ccedil;&otilde;es", a consci&ecirc;ncia e o conversar s&atilde;o    propriedades dos seres humanos. Se fa&ccedil;o isso, encontro-me imediatamente    colocado em um mundo, uma realidade que quero explicar mas, ao mesmo tempo,    me sinto alienado, estranho a essa realidade que habito e, se contemplo meu    pr&oacute;prio corpo, ele tamb&eacute;m me parece algo estranho. Por outro lado,    se aceito essa "pergunta zero", me encontro com a minha biologia de    <I>Homo sapiens sapiens</I>, isto &eacute;, vejo a mim mesmo como um primata    linguageante que vive a participar de conversas com outros seres humanos. Posso    aceitar que, de alguma forma, preciso explicar essa minha conduta com base em    minha biologia de <I>Homo sapiens sapiens</I>, de primata, apoiado em minha    din&acirc;mica estrutural e relacional como um sistema vivo.</font></P>     <p><font size="3"><B>BIOLOGIA DA COGNI&Ccedil;&Atilde;O E DA LINGUAGEM </b>Se aceito    e discuto essa "pergunta zero", a discuss&atilde;o se dar&aacute;    em uma arena que &eacute; essencialmente biol&oacute;gica, mas levanta preocupa&ccedil;&otilde;es    de natureza &eacute;tica e trata de temas que preocupam fil&oacute;sofos e profissionais    de v&aacute;rias outras &aacute;reas. Essa &eacute; a postura seguida na <I>biologia    da cogni&ccedil;&atilde;o e da linguagem</I> (Maturana, 2002; Maturana &amp;    Poerksen, 2004), um corpo de conhecimentos originado do pensamento do neurobi&oacute;logo    chileno Humberto Maturana, que ele assim define:</font></P>     <blockquote>        <p><font size="3">A biologia da cogni&ccedil;&atilde;o &eacute; uma proposta      explicativa que tenta mostrar como os processos cognitivos humanos brotam      da opera&ccedil;&atilde;o de seres humanos como sistemas vivos. Como tal,      a biologia da cogni&ccedil;&atilde;o envolve reflex&otilde;es orientadas para      compreender os sistemas vivos, sua hist&oacute;ria evolutiva, a linguagem      como um fen&ocirc;meno biol&oacute;gico, a natureza das explica&ccedil;&otilde;es,      e a origem da humanidade. Como uma reflex&atilde;o sobre como n&oacute;s fazemos      o que fazemos como observadores, ela &eacute; um estudo na epistemologia do      conhecimento. Mas, ao mesmo tempo, como uma reflex&atilde;o sobre como n&oacute;s      existimos na linguagem como seres linguageantes, ela &eacute; um estudo em      rela&ccedil;&otilde;es humanas (Maturana, 1997).</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Maturana &eacute; tamb&eacute;m conhecido como o autor da teoria    da autopoiese, mas esta &eacute; de certo modo enganadora. A no&ccedil;&atilde;o    de <I>autopoiese</I> (autocria&ccedil;&atilde;o/manuten&ccedil;&atilde;o) &eacute;    central, mas por si mesma insuficiente para expressar as propostas da <I>biologia    da cogni&ccedil;&atilde;o e da linguagem</I> e n&atilde;o deve ser entendida    como um princ&iacute;pio explicativo:</font></P>     <blockquote>        <p><font size="3">A autopoiese, a organiza&ccedil;&atilde;o autopoi&eacute;tica,      em meu modo de ver, como a concebo, &eacute; a organiza&ccedil;&atilde;o de      uma classe de sistemas que satisfazem esta organiza&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o      &eacute; mais que isso. Os sistemas vivos s&atilde;o sistemas autopoi&eacute;ticos      no espa&ccedil;o molecular, i.e., sistemas autopoi&eacute;ticos cujos componentes      s&atilde;o mol&eacute;culas, nos quais as produ&ccedil;&otilde;es s&atilde;o      produ&ccedil;&otilde;es moleculares &#91;…&#93;. Nesta maneira de ver, n&atilde;o      vejo a autopoiese como um paradigma explicativo para os sistemas (em geral),      mas sim como a caracteriza&ccedil;&atilde;o de uma certa classe de sistemas,      que s&atilde;o exatamente isto: sistemas caracterizados por sua organiza&ccedil;&atilde;o      autopoi&eacute;tica. Voc&ecirc; me pede um paradigma explicativo. Para mim,      um paradigma explicativo &eacute; o das explica&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas,      no sentido pelo qual entendo paradigmas explicativos como procedimentos capazes      de gerar explica&ccedil;&otilde;es. Portanto, n&atilde;o considero a autopoiese      como um paradigma explicativo (Maturana, 1997).</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Uma das frases famosas atribu&iacute;das a Albert Einstein diz    que: "O mais incompreens&iacute;vel a respeito do Universo &eacute; que    ele seja compreens&iacute;vel". Maturana, por sua vez, diz que o Universo    n&atilde;o existiria se n&atilde;o fosse compreens&iacute;vel; na verdade, ele    n&atilde;o fala do Universo, mas sim de multiversa, de m&uacute;ltiplas realidades    em que podemos estar imersos em nosso viver humano. Ele diz que seu objetivo    n&atilde;o &eacute; explicar "o que &eacute; a realidade", mas sim    explicar como fazemos o que fazemos e que a "pergunta zero" &eacute;:    "Explicar o observador em seu observar". Outro pensador importante    do s&eacute;culo XX, Heinz von Foerster, &eacute; conhecido como o criador da    "cibern&eacute;tica de segunda ordem", ou seja, aquela que inclui    o observador na observa&ccedil;&atilde;o. Maturana diz que isso &eacute; um    adiamento do problema, pois, para caracterizar o observador na observa&ccedil;&atilde;o,    &eacute; necess&aacute;rio invocar um meta-observador colocado em um meta-meio,    que por sua vez tamb&eacute;m requer um meta-meta-observador, e isso cria uma    regress&atilde;o infinita. &Eacute; necess&aacute;rio, portanto, darmos conta    do que se passa conosco, humanos, quando observamos, isto &eacute;, fazemos    distin&ccedil;&otilde;es de objetos e fen&ocirc;menos enquanto participamos    do linguagear com outros seres humanos (Maturana &amp; Mpodozis, 1987). Ou,    em termos mais gerais: "Como experienciamos a realidade humana?".</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Perguntas desse tipo, em geral, s&atilde;o encaradas como pertinentes    &agrave; neurobiologia, ao estudo do sistema nervoso e, mais particularmente,    do c&eacute;rebro e da consci&ecirc;ncia humana. Mas &eacute; evidente que experienciar    realidades n&atilde;o se restringe a seres humanos ou a animais dotados de um    sistema nervoso; plantas e seres unicelulares tamb&eacute;m exibem condutas    que, evidentemente, s&atilde;o "cognitivas", ou seja, expressam como    a&ccedil;&otilde;es efetivas alguma forma do conhecer. Maturana afirma que um    protozo&aacute;rio tem um "sistema nervoso" molecular, n&atilde;o-neuronal,    com o qual ele se mant&eacute;m em congru&ecirc;ncia com suas circunst&acirc;ncias    (conserva sua "adapta&ccedil;&atilde;o"). Enfim, temos um espa&ccedil;o    no qual podemos discutir "as bases biol&oacute;gicas do conhecer"    — encarado como o desempenho de a&ccedil;&otilde;es efetivas. Ou seja, um ser    vivo "sabe" continuar vivo; n&oacute;s, como seres humanos, dotados    desses organismos de <I>Homo sapiens sapiens</I>, sabemos conversar.</font></P>     <p><font size="3">Assim como Gregory Bateson (1973), Maturana n&atilde;o est&aacute;    em busca de "princ&iacute;pios explicativos" (Maturana, 1987) e se    det&eacute;m em explicitar a natureza das explica&ccedil;&otilde;es, em geral,    e daquilo que caracteriza as explica&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas (Maturana,    1990). Um aspecto peculiar em sua abordagem &eacute; a descri&ccedil;&atilde;o    de sistemas "fechados" em sua organiza&ccedil;&atilde;o, dos quais    os sistemas vivos, como sistemas autopoi&eacute;ticos, s&atilde;o apenas um    exemplo. Para ele, o sistema nervoso &eacute; uma rede neuronal fechada, na    qual estados relativos de atividade neuronal podem apenas conduzir a outros    estados relativos de atividade neuronal. Ele assim descreve um r&aacute;dio    como um sistema "fechado" em si mesmo:</font></P>     <blockquote>        <p><font size="3">Considere um r&aacute;dio port&aacute;til. &Eacute; um sistema      fechado no fluir da eletricidade. A antena n&atilde;o traz a corrente el&eacute;trica.      A antena encontra ondas eletromagn&eacute;ticas (um dom&iacute;nio), estas      afetam o fluir da eletricidade (um dom&iacute;nio diferente) e isto produz      um som (um terceiro dom&iacute;nio). O r&aacute;dio n&atilde;o recebe corrente      el&eacute;trica da antena. A corrente el&eacute;trica n&atilde;o &eacute;      um <I>input</I>. Nada externo penetra no r&aacute;dio (comunica&ccedil;&atilde;o      pessoal ao autor).</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Na obra de Maturana "viver, como um processo, &eacute;    um processo cognitivo" e descrever como um ser vivo <I>conhece </I>equivale    a identificar quais s&atilde;o as <I>a&ccedil;&otilde;es eficazes</I> que ele    desempenha, segundo o ponto de vista de um observador humano. Uma aranha conhece    v&aacute;rias coisas: sabe fazer uma teia, sabe achar um parceiro sexual, sabe    fugir de predadores, andar pelo ch&atilde;o da floresta… sabe, enfim, "aranhar".    Ent&atilde;o, o conhecer, nesse modo de ver, &eacute; o conjunto de a&ccedil;&otilde;es    efetivas. Por isso, discutir a origem da vida — e da vida humana, em particular    — implica descrever as a&ccedil;&otilde;es que constituem o conhecer. Essa preocupa&ccedil;&atilde;o    est&aacute; expl&iacute;cita no t&iacute;tulo de um livro recente: <I>Do ser    ao fazer</I> (Maturana &amp; Poerksen, 2004). Para Maturana (1985), "a    mente n&atilde;o est&aacute; na cabe&ccedil;a: a mente est&aacute; na conduta".</font></P>     <p><font size="3">E, se vamos falar da vida humana, se vamos enfatizar esse ponto,    temos de adentrar a filog&ecirc;nese, quando aparecem condutas e caracter&iacute;sticas    que vamos chamar de, efetivamente, humanas. Os chimpanz&eacute;s e os bonobos    s&atilde;o nossos primos mais pr&oacute;ximos, e a grande pergunta seria: "o    que aconteceu nesses 4 a 6 milh&otilde;es de anos atr&aacute;s, durante os quais    n&oacute;s nos transformamos em primatas que conversam, que falam uns com os    outros, enquanto os chimpanz&eacute;s n&atilde;o fazem isso?". Porque &eacute;    desse conversar, &eacute; a partir dessa coordena&ccedil;&atilde;o de condutas    consensuais que n&oacute;s transformamos o planeta da maneira que transformamos    e criamos a cultura humana; primeiro a agricultura, depois cidades, e agora    somos assim, como uma doen&ccedil;a de pele em volta de todo o planeta.</font></P>     <p><font size="3">Como seres humanos, vivemos imersos em um fluir incessante de    a&ccedil;&otilde;es que Maturana chama de "linguagear". A linguagem    &eacute; usualmente entendida como a transmiss&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o    simb&oacute;lica. Mas, em seu trabalho, Maturana deixa o conceito de <I>informa&ccedil;&atilde;o</I>    completamente de fora; diz que os s&iacute;mbolos s&atilde;o secund&aacute;rios    ao ato de linguagear, que &eacute; essa coordena&ccedil;&atilde;o de condutas.    Ent&atilde;o, o linguagear &eacute; um modo de viver caracteristicamente humano,    no qual somos imersos desde crian&ccedil;as. Em nossa educa&ccedil;&atilde;o,    aprendemos e nos transformamos nessa coordena&ccedil;&atilde;o de condutas com    outros seres humanos. Eu consigo, eventualmente, coordenar condutas e coordenar    coordena&ccedil;&otilde;es de condutas com o meu cachorro. Mas o meu c&atilde;o    n&atilde;o vive em coordena&ccedil;&atilde;o de condutas; ele n&atilde;o vive    na linguagem; ele n&atilde;o linguageia com outros c&atilde;es. Mas eu vivo    fazendo isso que estou fazendo agora, continuamente. Todos n&oacute;s fazemos    isso. S&oacute; somos humanos porque participamos desse tipo de atividade.</font></P>     <p><font size="3">Somos imersos nesse linguagear desde crian&ccedil;as. Em nossa    educa&ccedil;&atilde;o, aprendemos, nos transformamos durante essa coordena&ccedil;&atilde;o    de condutas com outros seres humanos. E eu vivo fazendo isso que estou fazendo    agora. Todos n&oacute;s fazemos isso. S&oacute; somos humanos porque participamos    desta atividade: o conversar. Ent&atilde;o, a "g&ecirc;nese da vida humana",    para mim, &eacute; a g&ecirc;nese do conversar. O conversar &eacute; uma fus&atilde;o    do linguagear — que &eacute; essa coordena&ccedil;&atilde;o de coordena&ccedil;&atilde;o    de condutas —, com o emocionar. As emo&ccedil;&otilde;es s&atilde;o estados    do corpo. Chego em casa depois de um engarrafamento de uma hora e meia gritando    com o cachorro, empurrando a cadeira e minha mulher diz: "Voc&ecirc; nem    me beijou?". Eu respondo: "Ah, eu vou me mudar dessa cidade"    —, porque nesse estado emocional eu n&atilde;o consigo beijar ningu&eacute;m<I>.</I>    Quer dizer, as emo&ccedil;&otilde;es s&atilde;o estados do corpo que delimitam    os dom&iacute;nios de a&ccedil;&atilde;o. Ent&atilde;o, ao coordenar condutas    com outros seres humanos, eu gero emo&ccedil;&otilde;es, vivo emo&ccedil;&otilde;es,    e vou nessa cadeia de coordena&ccedil;&otilde;es com emo&ccedil;&otilde;es.    E vou conversando. E quem n&atilde;o conversa n&atilde;o &eacute; humano. Isso    lembra um pouco o Abelardo Chacrinha, n&atilde;o &eacute;? — que dizia: "Quem    n&atilde;o se comunica, se estrumbica". Mas, para Maturana, a comunica&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o existe; o que existe &eacute; essa coordena&ccedil;&atilde;o de condutas.    E, se n&atilde;o houver um acoplamento estrutural entre os parceiros, n&atilde;o    acontece nada.</font></P>     <p><font size="3">Como se situam essas afirma&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o    aos grandes campos da pesquisa biol&oacute;gica, tais como a gen&eacute;tica    e a teoria evolutiva?</font></P>     <p><font size="3"><B>A GEN&Eacute;TICA </b>A gen&eacute;tica sempre foi importante    na discuss&atilde;o das quest&otilde;es biol&oacute;gicas mais profundas, desde    que a semente e o ovo s&atilde;o objetos tentadores como possibilidades de estudar    o viver, nos quais o viver parece condensado em uma ess&ecirc;ncia. Ultimamente,    a gen&eacute;tica molecular e a gen&ocirc;mica alcan&ccedil;aram uma grande    proemin&ecirc;ncia na biologia, gra&ccedil;as a experimentos possibilitados    pela metodologia de an&aacute;lise e manipula&ccedil;&atilde;o de &aacute;cidos    nucleicos. O projeto Genoma Humano, que pode ser considerado um marco na biologia,    levantou uma grande cole&ccedil;&atilde;o de novas perguntas e teve um aspecto    frustrante por n&atilde;o revelar nada espetacular, ou particular, em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; natureza humana (Keller, 2002). </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A grande import&acirc;ncia da gen&eacute;tica se traduz na composi&ccedil;&atilde;o    do painel de cientistas reunidos pela SBPC para discutir "A g&ecirc;nese    da vida humana": dos seis cientistas presentes, dois s&atilde;o geneticistas    conhecidos (Antonio Cordeiro e Francisco Salzano) e um terceiro, bioqu&iacute;mico    (Hernan Chaimovich), estuda solu&ccedil;&otilde;es coloidais e a import&acirc;ncia    de &aacute;cidos nucleicos na origem da vida. Dos tr&ecirc;s cientistas restantes,    dois est&atilde;o ligados a temas biom&eacute;­dicos: um &eacute; microbiologista    (Isaac Roitman), e eu mesmo (Nelson Vaz) sou imunologista. O cientista restante,    um f&iacute;sico, presentemente estuda a teologia e a ci&ecirc;ncia das religi&otilde;es    (Eduardo da Cruz). Ent&atilde;o, &eacute; natural que uma parte significativa    dos temas abordados durante nossa discuss&atilde;o envolva problemas gen&eacute;ticos.    No entanto, a perspectiva gen&eacute;tica se modificou tanto nos &uacute;ltimos    anos que o pr&oacute;prio significado do termo "gene" foi posto em    discuss&atilde;o (Keller, 2002). Trata-se, portanto, de entender os problemas    gen&eacute;ticos por novos enfoques.</font></P>     <p><font size="3">No &acirc;mbito da biologia da cogni&ccedil;&atilde;o e da linguagem,    Maturana fala de um "gen&oacute;tipo total", que inclui muito mais    que o DNA; diz que tudo o que se passa no ser vivo precisa ser permitido pelo    gen&oacute;tipo, mas argumenta que: "o gen&oacute;tipo determina apenas    a possibilidade inicial"; todo o resto &eacute; determinado (especificado,    orientado, guiado) pela maneira de viver, por uma din&acirc;mica de um "fen&oacute;tipo    ontog&ecirc;nico" em um "nicho ontog&ecirc;nico" (Maturana &amp;    Mpodozis, 2000).</font></P>     <p><font size="3"><B>A EVOLU&Ccedil;&Atilde;O </b>A discuss&atilde;o sobre a g&ecirc;nese    da vida humana est&aacute; tamb&eacute;m muito relacionada &agrave; teoria da    evolu&ccedil;&atilde;o, uma &aacute;rea que atravessa um per&iacute;odo de intenso    interesse. Devemos a Darwin dois importantes apercebimentos: primeiro, que todos    os seres vivos est&atilde;o relacionados por uma descend&ecirc;ncia comum (<I>propinquity    of descent</I>); segundo, que uma explica&ccedil;&atilde;o inicial para o surgimento    dos seres vivos que encontramos atualmente adaptados aos mais diferentes meios    &eacute; o processo que ele denominou <I>sele&ccedil;&atilde;o natural.</I>    Em meados do s&eacute;culo XX, um grupo de cientistas de diversas &aacute;reas,    variando da gen&eacute;tica de popula&ccedil;&otilde;es &agrave; paleontologia    (T. Dobzhansky, E. Mayr, G. Gaylord Simpson e G. L. Stebbins), acrescentou muitos    aspectos &agrave;s id&eacute;ias de Darwin, criando o neo-darwinismo, ou teoria    sint&eacute;tica da evolu&ccedil;&atilde;o, um conjunto de postulados que, de    certa forma, representa o esqueleto central do pensamento biol&oacute;gico contempor&acirc;neo    tradicional.</font></P>     <p><font size="3">Muitos pesquisadores ressaltam que algo que a teoria sint&eacute;tica    deixou flagrantemente de fora foi a biologia do desenvolvimento e sua subdisciplina,    a embriologia, que prosseguiram como disciplinas isoladas, at&eacute; que nos    anos 1990 surgiu o campo hoje denominado "evo-devo" (<I>evolutionary    developmental biology</I>), impulsionado pela nova metodologia desenvolvida    na gen&eacute;tica molecular, mas buscando resultados mais amplos que os anteriormente    contemplados. Os pesquisadores em "evo-devo" se notabilizaram por    enfrentar problemas como os da origem de estruturas biol&oacute;gicas complexas,    como olhos, asas, cora&ccedil;&otilde;es e c&eacute;rebros. </font></P>     <p><font size="3">Esse grande progresso na "evo-devo" teve como contrapartida    o recrudescimento de movimentos antievolucionistas, apoiados em cren&ccedil;as    religiosas ou m&iacute;sticas (o criacionismo). Massimo Pigliucci (2001) afirma    n&atilde;o compreender </font></P>     <blockquote>        <p><font size="3">porque a exist&ecirc;ncia de fen&ocirc;menos naturais que      s&atilde;o atualmente dif&iacute;ceis de explicar, por um lado, refor&ccedil;am      a opini&atilde;o de que "h&aacute; algo errado com a teoria" (como      querem os criacionistas que defendem o "<I>intelligent design</I>"      e, por outro lado, tornam vocais os defensores da teoria sint&eacute;tica,      que insistem em que "n&atilde;o h&aacute; nada errado e tudo j&aacute;      foi explicado". Por sua pr&oacute;pria natureza, a ci&ecirc;ncia lida      com coisas e fen&ocirc;menos para os quais n&oacute;s n&atilde;o dispomos      de explica&ccedil;&otilde;es.</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Ou seja, devemos admitir que h&aacute; problemas para os quais    n&atilde;o temos explica&ccedil;&otilde;es, mas que isso n&atilde;o nos obriga    a aceitar uma solu&ccedil;&atilde;o transcendente (divina ou extraterrestre)    para os mesmos. </font></P>     <p><font size="3">Nosso problema n&atilde;o &eacute; o de um "projeto inteligente",    mas sim um processo intelig&iacute;vel. A nova maneira de formular a problem&aacute;tica    biol&oacute;gica, que enfatiza a flexibilidade som&aacute;tica, tem sido amplamente    descrita em livros recentes (Pigliucci, 2001; West Eberhard, 2003; Kirschner    &amp; Gehart, 2005; Jablonka &amp; Lamb, 2005; Pigliucci &amp; Kaplan, 2006;    entre muitos outros).</font></P>     <p><font size="3">Antes do surgimento do "evo-devo", a teoria evolutiva    tinha defici&ecirc;ncias mais s&eacute;rias, tais como um exagero sobre a import&acirc;ncia    de genes individuais como unidades determinantes do desenvolvimento, al&eacute;m    de cren&ccedil;as incorretas, como a que ficou conhecida como "lei biogen&eacute;tica"    de Haeckel, hoje rejeitada pela maioria dos bi&oacute;logos. Exagerando semelhan&ccedil;as    entre embri&otilde;es de esp&eacute;cies animais diferentes durante o chamado    "est&aacute;gio filot&iacute;pico", Haeckel prop&ocirc;s que "a    ontog&ecirc;nese recapitula a filog&ecirc;nese", afirmando, por exemplo,    que um embri&atilde;o humano atravessa o desenvolvimento de outros animais,    que tem guelras de peixes e exibe uma cauda. Na realidade, houve uma confus&atilde;o    entre o que foi proposto por Von Baer, ao estabelecer aspectos comuns em formas    de embri&otilde;es de uma dada classe, enquanto Haeckel prop&ocirc;s que organismos    de surgimento mais recente na evolu&ccedil;&atilde;o passavam por est&aacute;gios    em que se assemelhavam ao est&aacute;gio adulto de organismos mais primitivos.    Darwin apoiava a vis&atilde;o de Von Baer, mas sua opini&atilde;o foi eclipsada    pela interpreta&ccedil;&atilde;o de Haeckel<a name="tx01"></a><a href="#nt01"><sup>1</sup></a>.    Maturana diverge radicalmente de todos os bi&oacute;logos em sua interpreta&ccedil;&atilde;o    do processo evolutivo, que ele define como uma <I>deriva natural</I>. Juntamente    com Mpodozis, ele prop&otilde;e que a <I>sele&ccedil;&atilde;o natural</I> pode    ser legitimamente encarada como o <I>resultado </I>do processo evolutivo, mas    n&atilde;o como seu mecanismo (Maturana &amp; Mpodozis, 2000). Mas esta    &eacute; uma outra hist&oacute;ria.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>Nelson M. Vaz</b><I> &eacute; professor-titular aposentado    do Departamento de Bioqu&iacute;mica e Imunologia do Instituto de Ci&ecirc;ncias    Biol&oacute;gicas da Universidade Federal de Minas Gerais (ICB-UFMG). &Eacute;    membro da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias, s&oacute;cio-fundador da Sociedade    Brasileira de Imunologia e membro honor&aacute;rio da Sociedade Portuguesa de    Imunologia.</i></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>NOTAS</b></font></P>     <p><font size="3"><a name="nt01"></a><a href="#tx01">1</a>. Haeckel tinha opini&otilde;es    ainda mais radicais, precursoras do nazismo. Ele propunha, por exemplo, que:    "As ra&ccedil;as inferiores est&atilde;o fisiologicamente mais pr&oacute;ximas    dos mam&iacute;feros — macacos e c&atilde;es — que dos europeus civilizados.    Devemos, portanto, atribuir um valor totalmente diferente &agrave;s suas vidas"    e "Ele (Jesus) &eacute; geralmente considerado como sendo puramente judeu.    Por&eacute;m, as caracter&iacute;sticas que distinguem Sua personalidade elevada    e nobre, que conferem uma impress&atilde;o distinta &agrave; sua religi&atilde;o,    certamente n&atilde;o s&atilde;o judias. S&atilde;o aspectos da ra&ccedil;a    ariana superior" (Haeckel <I>apud</I> Gilbert, 2001).</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">BATESON, G. 1973. <I>Steps to an ecology of mind</I>. Nova York:    Ballantine Books. </font><!-- ref --><p><font size="3">GILBERT, Scott. 2001. <I>Teaching evolution through development</I>.    61<sup>st</sup> Annual Meeting of the Society for Developmental Biology. Madison,    Wisconsin.</font><!-- ref --><p><font size="3">JABLONKA, E. &amp; LAMB, M. J. 2005. <I>Evolution in four dimensions</I>.    <I>Genetic, epigenetic, behavioral and symbolic variation in the history of    life</I>. Cambridge: MIT Press.</font><!-- ref --><p><font size="3">KELLER, Evelyn Fox. 2002. <I>O s&eacute;culo do gene</I>. Tradu&ccedil;&atilde;o    de Nelson M. Vaz. Belo Horizonte: Cris&aacute;lida.</font><!-- ref --><p><font size="3">KIRSCHNER, M. W. &amp; GERHART, J. C. 2005. <I>The plausibility    of life: resolving Darwin’s dilemma</I>. New Haven: Yale University Press.</font><!-- ref --><p><font size="3">MATURANA, H. R. 1985. "The mind is not in the head".    <I>J. Social Biol. Struct</I>. 8, pp. 308-311.</font><!-- ref --><p><font size="3">____. 1987. "Everything is said by an observer". In    <I>Gaia: a way of knowing. Political implications of the new biology</I>. Edi&ccedil;&atilde;o    de W. I. Thompson. New York: Lindisfarne Press.</font><!-- ref --><p><font size="3">____. 1990. "Science and daily life: the ontology of scientific    explanations". In<I> Self-organization: portrait of a scientific revolution</I>.    Edi&ccedil;&atilde;o de W. Krohn, G. Kuppers e H. Nowotny. Dordrecht: Kluwer    Academic.</font><!-- ref --><p><font size="3">____. 1997. "Autopoiese: n&uacute;cleo duro e cintur&oacute;n    protector hace mucho, much&iacute;ssimo, tiempo". Entrevista realizada    por Victor Bronstein e Alejandro Piscitelli, Buenos Aires &#91;dispon&iacute;vel    em <a href="http://www.matriztica.org" target="_blank">www.matriztica.org</a>&#93;.</font><!-- ref --><p><font size="3">____. 2002. "Autopoiesis, structural coupling and cognition:    a history of these and other notions in the biology of cognition". <I>Cybernetics    &amp; Human Knowing </I>9 (3-4), pp. 5-34 &#91;pdf dispon&iacute;vel por meio de    <a href="mailto:maturana@matriztica.org">maturana@matriztica.org</a>&#93;.</font><!-- ref --><p><font size="3">MATURANA, H. R. &amp; MPODOZIS, J. 1987. "Perception: behavioral    configuration of the object". <I>Arch. Biol. Med. Exp.</I> (Santiago) 20    (3-4), pp. 319-324.</font><!-- ref --><p><font size="3">____. 2000. "The origin of species by means of natural    drift". <I>Revista Chilena de Historia Natural</I>, 73, pp. 261-310    .</font><!-- ref --><p><font size="3">MATURANA, H. &amp; B. POERKSEN. 2004. <I>From being to doing:    the origins of biology of cognition</I>. Heidelberg: Carl-Auer.</font><!-- ref --><p><font size="3">PIGLIUCCI, M. 2004. <I>Phenotypic evolution, beyond nature and    nurture (syntheses in ecology and evolution).</I> Baltimore: The John Hopkins    University Press.</font><!-- ref --><p><font size="3">____. 2006. "Have we solved Darwin’s dilemma?". <I>American    Scientist</I>, 94 (3), pp. 272-273.</font><!-- ref --><p><font size="3">PIGLIUCCI, M. &amp; KAPLAN, J. 2006. <I>Making sense of evolution:    the conceptual foundations of evolutionary biology.</I> Chicago: University    of Chicago Press.</font><!-- ref --><p><font size="3">WEST EBERHARD, M. J. 2003. <I>Developmental plasticity and evolution</I>.    Oxford: Oxford University Press.</font> ]]></body><back>
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