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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n1/brasil.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n1/a05img01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">G<small>EN&Eacute;TICA</small></font></P>     <p><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v61n1/line_bk.gif"></font></P>     <P><font size="4"><b>A busca pelo gene da superdota&ccedil;&atilde;o</b></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">"Se a &aacute;gua &eacute; transparente, por que ela faz    sombra?" Esta pergunta foi feita por um menino de apenas dois anos e meio.    Pensamento cr&iacute;tico mais desenvolvido, vocabul&aacute;rios maiores do    que a m&eacute;dia, maior interesse na &aacute;rea de ci&ecirc;ncias, criatividade    e originalidade, ser o melhor aluno e, &agrave;s vezes, o pior, s&atilde;o alguns    dos sinais que tornam algumas crian&ccedil;as diferentes de seus colegas. Muitas    delas s&atilde;o frequentemente "convidadas" a deixar a escola, passam    por avalia&ccedil;&otilde;es de diversos especialistas at&eacute; descobrir    que s&atilde;o, na verdade, portadoras de altas habilidades ou superdotadas.    Embora poucas pessoas saibam disso, boa parte dessas crian&ccedil;as n&atilde;o    &eacute; identificada antes de apresentar problemas em sala de aula. Situa&ccedil;&otilde;es    que, muitas vezes, ocasionam preju&iacute;zos emocionais e sub&#45;aproveitamento    do seu potencial. Ao mesmo tempo, pouco se conhece da rela&ccedil;&atilde;o    entre gen&eacute;tica e superdota&ccedil;&atilde;o. A id&eacute;ia de um grupo    de pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, &eacute;    demonstrar que existem fatores gen&eacute;ticos por tr&aacute;s da superdota&ccedil;&atilde;o.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">"Quando fazemos a avalia&ccedil;&atilde;o de uma pessoa    com altas habilidades ou superdotada (PAH/SD), geralmente ela relata parentes    pr&oacute;ximos que tamb&eacute;m apresentam altas habilidades, n&atilde;o necessariamente    na mesma &aacute;rea. Isso indicaria que h&aacute; uma carga gen&eacute;tica,    transmitida de forma heredit&aacute;ria", afirma Susana Graciela P&eacute;rez    Barrera P&eacute;rez, presidente do Conselho Brasileiro para Superdota&ccedil;&atilde;o    (ConBraSD). A superdota&ccedil;&atilde;o, entretanto, envolve tr&ecirc;s grupos    de tra&ccedil;os: habilidade acima da m&eacute;dia em uma ou mais &aacute;reas;    comprometimento com a tarefa e criatividade e, segundo Susana, normalmente essa    carga gen&eacute;tica tem a ver com o primeiro grupamento de tra&ccedil;os &#150;    uma capacidade acima da m&eacute;dia. Os outros dois grupamentos e parte do    primeiro s&atilde;o fortemente influenciados pelo ambiente, pelas oportunidades    que surgem durante a vida e que podem estimular o desenvolvimento daquela capacidade.    </font></P>     <p><font size="3"><B>QUANTO MAIS CEDO MELHOR </b>A confirma&ccedil;&atilde;o da    muta&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica para superdota&ccedil;&atilde;o n&atilde;o    eliminaria a necessidade da realiza&ccedil;&atilde;o de outros diagn&oacute;sticos,    mas pode mudar o enfoque em rela&ccedil;&atilde;o a essa caracter&iacute;stica.    "Da mesma forma que ocorreu com a dislexia e o Transtorno de D&eacute;ficit    de Aten&ccedil;&atilde;o com Hiperatividade, a superdota&ccedil;&atilde;o deixaria    de ser vista como um problema de culpa dos pais ou das crian&ccedil;as para    ser encarada como mais uma caracter&iacute;stica individual", argumenta    Lara Cristina Antunes dos Santos, neuropediatra do Ambulat&oacute;rio de Desvios    da Aprendizagem, do Hospital das Cl&iacute;nicas, da Unesp de Botucatu. Segundo    ela, seria um modo de eliminar id&eacute;ias equivocadas como a de que crian&ccedil;as    s&atilde;o superdotadas porque foram muito estimuladas. "H&aacute; casos    de pais que n&atilde;o deixam o filho aprender a ler antes da idade escolar    para que, posteriormente, n&atilde;o fique entediado na escola. Outros ainda    se culpam por n&atilde;o terem conseguido 'segurar' a crian&ccedil;a, associando    esse fato ao comportamento inadequado em sala de aula", conta. </font></P>     <p><font size="3">A compara&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o de uma muta&ccedil;&atilde;o    g&ecirc;nica com a superdota&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m pode colaborar para    a indica&ccedil;&atilde;o precoce de qual crian&ccedil;a ser&aacute; submetida    &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o neuropsicol&oacute;gica, o que, para Lara Cristina,    pode proporcionar melhor qualidade de vida para a crian&ccedil;a e mais tranquilidade    para sua fam&iacute;lia e escola. "Conclu&iacute;da a avalia&ccedil;&atilde;o,    poder&iacute;amos estabelecer estrat&eacute;gias para lidar com essas pessoas    para que possam desenvolver seu potencial de forma adequada e o mais precocemente    poss&iacute;vel, antes que se instalem problemas", defende. A pesquisadora    acredita que essas crian&ccedil;as s&atilde;o diferentes, nem melhores, nem    piores que as outras. "Entender como se d&aacute; seu processo de aprendizagem,    saber o modo como elas v&ecirc;em o mundo e as pessoas ao seu redor, pode economizar    sofrimento de todas as partes envolvidas", enfatiza.</font></P>     <p><font size="3"><B>DESFAZENDO MITOS </b>O imagin&aacute;rio popular e a fic&ccedil;&atilde;o    criam mitos que envolvem alunos com altas habilidades, e acabam dificultando    o encaminhamento destes para um atendimento especializado. De acordo com artigo    publicado na <I>Revista Brasileira de Educa&ccedil;&atilde;o Especial</I> (Vol.11,    n.2, 2005), das pedagogas Andr&eacute;ia Jaqueline Devalle Rech e Sonia Napole&atilde;o    Freitas, muitos professores, por desconhecimento, acreditam que essas crian&ccedil;as    d&atilde;o conta do processo de educa&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o necessitam    de educa&ccedil;&atilde;o especial. Al&eacute;m disso, existe a cren&ccedil;a    de que esses alunos possuem habilidade superior em todas as &aacute;reas. Entretanto,    a maioria se desenvolve apenas em uma &aacute;rea espec&iacute;fica, como ci&ecirc;ncias,    artes ou esportes.</font></P>     <p><font size="3">Os superdotados representam cerca de 2% da popula&ccedil;&atilde;o    em geral, levando em conta apenas habilidades intelectuais e acad&ecirc;micas    que podem ser medidas por meio dos famosos testes de QI. Esses testes medem    uma estreita gama de habilidades, principalmente a facilidade com a linguagem    e n&uacute;meros. H&aacute; poucas evid&ecirc;ncias de que a superdota&ccedil;&atilde;o    em &aacute;reas n&atilde;o&#45;acad&ecirc;micas, como artes e m&uacute;sica, requeiram    um QI excepcional. Assim, h&aacute; uma parcela da popula&ccedil;&atilde;o que    n&atilde;o est&aacute; nas estat&iacute;sticas.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n1/a05img02.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Por se tratar de gen&eacute;tica do comportamento, a proposta    do estudo de pesquisadores da Unesp aguarda aprova&ccedil;&atilde;o do Conselho    Nacional de Sa&uacute;de (Conep). Por enquanto, est&aacute; em andamento uma    avalia&ccedil;&atilde;o multidisciplinar e testes neuropsicol&oacute;gicos em    crian&ccedil;as e adolescentes, encaminhados ao Ambulat&oacute;rio de Desvios    de Aprendizagem por apresentarem algum tipo de desajuste escolar (comportamento    ou performance acad&ecirc;mica). Para v&aacute;rios deles, o diagn&oacute;stico    indica que s&atilde;o portadores de altas habilidades. A pesquisa pretende identificar    a rela&ccedil;&atilde;o entre polimorfismos do gene SNAP&#45;25 e a habilidade cognitiva    geral, ou superdota&ccedil;&atilde;o em crian&ccedil;as brasileiras e a poss&iacute;vel    utiliza&ccedil;&atilde;o desses polimorfismos para detec&ccedil;&atilde;o dos    superdotados. O estudo ser&aacute; feito em dois grupos: 50 pessoas com QI normal    e 50 consideradas superdotadas. "O superdotado merece, como qualquer crian&ccedil;a    portadora de um desvio de aprendizagem, aten&ccedil;&atilde;o, atendimento especializado    e disponibilidade de estrat&eacute;gias que favore&ccedil;am sua inclus&atilde;o",    diz Lara Cristina. Com ela concorda Susana Per&eacute;z, que defende a necessidade    de uma vis&atilde;o integral das pessoas com altas habilidades, incluindo seus    sentimentos, emo&ccedil;&otilde;es, medos e dificuldades. "&Eacute; necess&aacute;rio    que as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas providenciem a&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m    nas &aacute;reas da cultura, do lazer, do trabalho, da assist&ecirc;ncia social    e da sa&uacute;de para essas pessoas", completa.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"><font size="3"><i>Patr&iacute;cia Mariuzzo</i></font></P>      ]]></body>
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