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<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O impacto das plantas invasoras nos recursos naturais de ambientes terrestres: alguns casos brasileiros]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n1/artigos.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>O IMPACTO DAS PLANTAS INVASORAS NOS RECURSOS NATURAIS DE    AMBIENTES TERRESTRES &#45; ALGUNS CASOS BRASILEIROS</b></font></P>     <p><font size="3"><b>Dalva M. Silva Matos    <br>   V&acirc;nia R. Pivello </b></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><font size=5><b>Q</b></font>uando discutimos o impacto que    as plantas invasoras causam ao meio ambiente, um problema frequentemente encontrado    diz respeito &agrave; defini&ccedil;&atilde;o de uma planta invasora. Essa confus&atilde;o    decorre das diversas abordagens acerca das plantas que crescem e se reproduzem    r&aacute;pida e intensamente nas comunidades, dispersando&#45;se a grandes dist&acirc;ncias.    Para os agricultores, essas esp&eacute;cies s&atilde;o as "pragas"    ou "ervas&#45;daninhas" (vis&atilde;o antropoc&ecirc;ntrica); numa abordagem    ecol&oacute;gica, s&atilde;o tidas como "colonizadoras" ou "pioneiras";    adicionando&#45;se a quest&atilde;o biogeogr&aacute;fica, temos que essas esp&eacute;cies    podem ser nativas (origin&aacute;rias da comunidade) ou ex&oacute;ticas (introduzidas    a partir de outro ambiente) (1, 2, 3, 4). Podemos ent&atilde;o definir esp&eacute;cies    invasoras como sendo esp&eacute;cies ex&oacute;ticas com alta capacidade de    crescimento, prolifera&ccedil;&atilde;o e dispers&atilde;o, capazes de modificar    a composi&ccedil;&atilde;o, estrutura ou fun&ccedil;&atilde;o do ecossistema    (3). Nessa defini&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o se considera as esp&eacute;cies    nativas que, por algum desequil&iacute;brio ecol&oacute;gico, passam a crescer    e se multiplicar descontroladamente, comportando&#45;se como invasoras. A essas    esp&eacute;cies pode&#45;se atribuir o termo "superdominantes". Numa iniciativa    de organizar a terminologia ligada aos processos de invas&atilde;o de esp&eacute;cies    vegetais, Richardson et al. (5) definem ainda outras categorias como se pode    verificar abaixo. &Eacute; importante ressaltar que uma esp&eacute;cie pode    se tornar invasora ou n&atilde;o, conforme as condi&ccedil;&otilde;es ecol&oacute;gicas    encontradas. As esp&eacute;cies n&atilde;o s&atilde;o invasoras, por defini&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <P><font size="3"><b>DEFINI&Ccedil;&Otilde;ES DA NOMENCLATURA ENVOLVIDA NOS TRABALHOS    SOBRE INVAS&Atilde;O BIOL&Oacute;GICA (5, 6):</b></font></P>     <p><font size="3"><B>Esp&eacute;cie nativa:</b> esp&eacute;cie que evoluiu no    ambiente em quest&atilde;o ou que l&aacute; chegou desde &eacute;pocas remotas,    sem a interfer&ecirc;ncia humana.</font></P>     <p><font size="3"><B>Esp&eacute;cie ex&oacute;tica:</b> esp&eacute;cie que est&aacute;    em ambiente diferente de seu local de origem, por a&ccedil;&atilde;o do homem    (intencional ou acidental).</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><B>Ex&oacute;tica casual:</b> esp&eacute;cie fora de seu ambiente    de origem, sem a capacidade de formar popula&ccedil;&atilde;o persistente.</font></P>     <p><font size="3"><B>Ex&oacute;tica naturalizada:</b> esp&eacute;cie fora de seu    ambiente de origem, capaz de formar popula&ccedil;&atilde;o persistente e de    conviver com a comunidade nativa sem invadir ecossistema natural ou antr&oacute;pico.</font></P>     <p><font size="3"><B>Invasora:</b> esp&eacute;cie ex&oacute;tica em ecossistema    natural ou antr&oacute;pico, que desenvolve altas taxas de crescimento, reprodu&ccedil;&atilde;o    e dispers&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3"><B>Praga:</b> esp&eacute;cie ex&oacute;tica ou n&atilde;o, indesej&aacute;vel    no local por raz&otilde;es geralmente econ&ocirc;micas.</font></P>     <p><font size="3"><B>Superdominante:</b> esp&eacute;cie nativa que se comporta    como invasora, mediante desequil&iacute;brio ambiental.</font></P>     <p><font size="3">Embora, por volta de 1860, Charles Darwin j&aacute; tivesse    chamado a aten&ccedil;&atilde;o para o crescimento explosivo das esp&eacute;cies    invasoras, foi s&oacute; em 1958 que Charles Elton, em seu livro <I>Ecology    of invasions by animals and plants</I>, adverte para a necessidade de se conhecer    melhor essas esp&eacute;cies e estabelecer estrat&eacute;gias de controle (4).    V&aacute;rias d&eacute;cadas se passaram para que a comunidade cient&iacute;fica    percebesse a dimens&atilde;o desse problema, que hoje tem sua gravidade indiscutivelmente    reconhecida. Isto chegou a tal ponto que Mooney &amp; Hobbs (7) sugeriram a    possibilidade de uma "homogeneiza&ccedil;&atilde;o bi&oacute;tica massiva    da superf&iacute;cie da Terra", tendo como consequ&ecirc;ncia a exclus&atilde;o    de esp&eacute;cies nativas por competi&ccedil;&atilde;o com as invasoras, levando    a extin&ccedil;&otilde;es locais e perda direta de biodiversidade, al&eacute;m    de modifica&ccedil;&otilde;es na estrutura dos ecossistemas e sua completa descaracteriza&ccedil;&atilde;o    (3, 4, 8).</font></P>     <p><font size="3">As a&ccedil;&otilde;es humanas s&atilde;o certamente os principais    fatores que criam oportunidades para epis&oacute;dios de invas&atilde;o biol&oacute;gica,    seja pela introdu&ccedil;&atilde;o proposital ou acidental de novas esp&eacute;cies,    ou por dist&uacute;rbios provocados no ambiente f&iacute;sico ou na pr&oacute;pria    comunidade. No caso das plantas, s&atilde;o frequentes causas de invas&atilde;o    biol&oacute;gica o revolvimento ou a fertiliza&ccedil;&atilde;o do solo, altera&ccedil;&otilde;es    microclim&aacute;ticas, ou ainda, a elimina&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies    indesej&aacute;veis, deixando oportunidades de nicho a outras (9, 10, 11, 12).    O sucesso de uma esp&eacute;cie num ambiente novo, a ponto de se tornar invasora,    tamb&eacute;m est&aacute; diretamente relacionado &agrave; semelhan&ccedil;a    entre o novo ambiente e o local de origem, e ao n&uacute;mero de introdu&ccedil;&otilde;es    da esp&eacute;cie no novo local (13). Al&eacute;m disso, plantas que se tornam    invasoras geralmente apresentam caracter&iacute;sticas que as tornam melhores    competidoras, tais como: alta efici&ecirc;ncia fotossint&eacute;tica e no uso    dos nutrientes (muitas s&atilde;o heli&oacute;filas e t&ecirc;m metabolismo    C4), altas taxas de crescimento, toler&acirc;ncia ao desfolhamento e herbivoria,    alta capacidade de rebrotamento e regenera&ccedil;&atilde;o, alta capacidade    de reprodu&ccedil;&atilde;o (sexuada e vegetativa), ciclo reprodutivo r&aacute;pido,    intensa produ&ccedil;&atilde;o de sementes de f&aacute;cil dispers&atilde;o,    alta capacidade de germina&ccedil;&atilde;o (14, 15, 16).</font></P>     <p><font size="3">Dentre mais de uma centena de esp&eacute;cies de plantas catalogadas    como potencialmente invasoras no Brasil (17), destacaremos algumas esp&eacute;cies    com diferentes h&aacute;bitos e portes, que t&ecirc;m mostrado alta capacidade    de invadir ambientes florestais ou abertos: alguns tipos de gram&iacute;neas,    samambaias do g&ecirc;nero <I>Pteridium </I>e a palmeira <I>Archontophoenix    cunninghamiana</I> H. Wendl.</font></P>     <p><font size="3">A samambaia do g&ecirc;nero <I>Pteridium </I>sp, invasora em    diversos pa&iacute;ses neotropicais, tem sido descrita como uma esp&eacute;cie    agressiva, capaz de provocar danos &agrave; vegeta&ccedil;&atilde;o (18). No    Brasil, ela &eacute; amplamente distribu&iacute;da, podendo chegar a 3 m de    altura, sendo considerada, por alguns fazendeiros, imposs&iacute;vel de ser    erradicada (19). V&aacute;rios estudos t&ecirc;m mostrado que <I>Pteridium</I>    &eacute; t&oacute;xica para o gado (20, 21, 22,23) e, por ocorrer em &aacute;reas    de pasto, oferece grande risco de intoxica&ccedil;&atilde;o e morte dos animais.    Por&eacute;m, no hemisf&eacute;rio sul pouco se sabe sobre o impacto causado    pela presen&ccedil;a de <I>Pteridium</I> sobre a biodiversidade. Silva Matos    et al. (24) mostraram que em &aacute;reas onde a ocorr&ecirc;ncia de inc&ecirc;ndios    &eacute; frequente, <I>Pteridium</I> e tamb&eacute;m a gram&iacute;nea ex&oacute;tica    <I>Panicum maximum</I> est&atilde;o se expandindo para dentro da floresta. O    grande ac&uacute;mulo de necromassa &#150; material combust&iacute;vel &#150; nas &aacute;reas    dominadas por <I>Pteridium</I> aumenta a ocorr&ecirc;ncia, a dura&ccedil;&atilde;o    e a intensidade de inc&ecirc;ndios. O trabalho de Silva &amp; Silva Matos (18)    mostrou que, em &aacute;reas de Mata Atl&acirc;ntica, <I>Pteridium</I> era dominante    no banco de sementes, mesmo na aus&ecirc;ncia do espor&oacute;fito adulto. Segundo    as autoras, isso poderia afetar a regenera&ccedil;&atilde;o natural da floresta,    uma vez que o banco de sementes estaria comprometido. Resultados ainda n&atilde;o    publicados mostram que <I>Pteridium,</I> que produz compostos alelop&aacute;ticos,    tamb&eacute;m exerce forte influ&ecirc;ncia da germina&ccedil;&atilde;o e morfologia    de pl&acirc;ntulas de esp&eacute;cies arb&oacute;reas da Mata Atl&acirc;ntica.</font></P>     <p><font size="3">A fam&iacute;lia das gram&iacute;neas (<I>Poaceae</I>) apresenta    tamb&eacute;m uma grande quantidade de esp&eacute;cies que se tornaram invasoras    no Brasil, especialmente os capins de origem africana, trazidos para a forma&ccedil;&atilde;o    de pastagens, tais como <I>Hyparrhenia rufa</I> (Nees) Stapf (capim&#45;jaragu&aacute;),    <I>Urochloa </I>spp. (braqui&aacute;rias), <I>Panicum maximum</I> Jacq. (capim&#45;coloni&atilde;o)    e <I>Melinis minutiflora</I> Beauv. (capim&#45;gordura). Nos ambientes quentes e    abertos, como campos e cerrados, tornaram&#45;se s&eacute;rias amea&ccedil;as &agrave;    biodiversidade (25), pois, al&eacute;m de competirem com as popula&ccedil;&otilde;es    nativas, podem alterar o regime de fogo das &aacute;reas invadidas devido &agrave;    produ&ccedil;&atilde;o de grandes quantidades de biomassa, altamente inflam&aacute;vel    na &eacute;poca seca, propiciando a ocorr&ecirc;ncia de inc&ecirc;ndios (26,    27). Ao formarem densa camada de biomassa, reduzem a luminosidade na superf&iacute;cie    do solo, podendo impedir os processos de germina&ccedil;&atilde;o e o recrutamento    de esp&eacute;cies nativas presentes no banco de sementes (28). Ainda, devido    &agrave; intensa capta&ccedil;&atilde;o de nutrientes durante seu crescimento,    podem alterar os ciclos de nutrientes, como o nitrog&ecirc;nio (29).</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n1/a12img01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Em cerrados do estado de S&atilde;o Paulo, <I>Melinis minutiflora</I>    apresentou alta domin&acirc;ncia no banco de sementes do solo &#150; especialmente    onde a fertilidade e perturba&ccedil;&otilde;es eram maiores, altas taxas de    viabilidade e germina&ccedil;&atilde;o das sementes e um sincronismo com o ciclo    das chuvas, que se mostrou mais vantajoso do que o das pr&oacute;prias gram&iacute;neas    nativas (30). As associa&ccedil;&otilde;es interespec&iacute;ficas entre as    gram&iacute;neas africanas <I>M. minutiflora</I> e <I>Urochloa decumbens</I>    com gramin&oacute;ides <I>(Poaceae</I> e <I>Cyperaceae</I>) nativas do Cerrado    evidenciaram ind&iacute;cios de exclus&atilde;o das nativas pelas ex&oacute;ticas    (25), tendo&#45;se comprovado a presen&ccedil;a de subst&acirc;ncias alelop&aacute;ticas    em <I>U. decumbens</I> (31). Os efeitos nocivos das gram&iacute;neas ex&oacute;ticas,    por&eacute;m, n&atilde;o se restringem &agrave; competi&ccedil;&atilde;o com    as plantas nativas. A fauna tamb&eacute;m pode ser afetada, especialmente pela    substitui&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies que lhes serviam de alimento,    ou por modifica&ccedil;&atilde;o de habitat. Por exemplo, a patativa&#45;verdadeira    (<I>Sporophila plumbea</I>), ave gran&iacute;vora t&iacute;pica de beira de    mata e vegeta&ccedil;&atilde;o ribeirinha e que ocorre nos cerrados paulistas,    n&atilde;o se alimenta das gram&iacute;neas ex&oacute;ticas e, por isso, est&aacute;    desaparecendo das &aacute;reas invadidas, encontrando&#45;se hoje em perigo de extin&ccedil;&atilde;o    local (32).</font></P>     <p><font size="3">Outro grupo de gram&iacute;neas com potencial invasor em florestas    brasileiras s&atilde;o os bambus lenhosos <I>Guadua tagoara </I>(Ness) Knuth<I>,G.    weberbaueri </I>PILG<I>.</I> e <I>G. sarcocarpa </I>Londo&ntilde;o &amp; P.M.    Peterson, que dominam as paisagem florestais onde ocorrem. Na regi&atilde;o    amaz&ocirc;nica, foi observado que a presen&ccedil;a dos bambus <I>G. weberbaueri</I>    e <I>G. sarcocarpa </I>reduz drasticamente a riqueza de esp&eacute;cies arb&oacute;reas,    al&eacute;m de diminuir em 50% a biomassa de &aacute;reas de terra firme (33).    Por ocuparem o dossel das &aacute;rvores, essas plantas podem comprometer a    chuva de sementes e a regenera&ccedil;&atilde;o das esp&eacute;cies arb&oacute;reas    e provocar danos estruturais, levando esses indiv&iacute;duos &agrave; morte    (34). A reprodu&ccedil;&atilde;o massiva e a posterior mortalidade dos colmos    adultos podem provocar a abertura de grandes clareiras, favorecendo, o estabelecimento    de esp&eacute;cies intolerantes &agrave; sombra, al&eacute;m de pl&acirc;ntulas    de bambu. <I>G. tagoara, </I>mais conhecido como taquaru&ccedil;&uacute;, que    apesar de nativo da Mata Atl&acirc;ntica, &eacute; considerado uma esp&eacute;cie    potencialmente invasora, dominando extensas &aacute;reas de floresta na regi&atilde;o    Sul e Sudeste do Brasil (35, 36). Tanto no Parque Nacional da Serra dos &Oacute;rg&atilde;os,    como no Parque Estadual Carlos Botelho, <I>G. tagoara</I> se reproduziu recentemente,    provocando a queda de muitas &aacute;rvores, alterando significativamente a    estrutura da vegeta&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3">Dentre as plantas invasoras com porte arb&oacute;reo, destacamos    aqui a palmeira australiana <I>Archontophoenix cunninghamiana </I>H. Wendl.    &amp; Drude. Essa esp&eacute;cie foi introduzida no Brasil para uso ornamental,    mas acabou se tornando invasora de fragmentos florestais remanescentes no estado    de S&atilde;o Paulo. Na reserva florestal da Cidade Universit&aacute;ria (S&atilde;o    Paulo, SP), v&ecirc;m sendo realizados levantamentos peri&oacute;dicos a cada    2,5 a 3 anos, desde 1997, que demonstram o r&aacute;pido processo de invas&atilde;o    e a domin&acirc;ncia da esp&eacute;cie sobre as arb&oacute;reas nativas (37,    38, 39). Numa parcela de 2,1 ha, o n&uacute;mero de indiv&iacute;duos com di&acirc;metro    &agrave; altura do peito (DAP) &gt; 9,5 cm aumentou de 310 indiv&iacute;duos,    em 1999, para 368, em 2002, e para 464, em 2005, mostrando um crescimento l&iacute;quido    respectivamente de 6,31% ano<SUP>&#45;1</SUP> e 8,63% ano<SUP>&#45;1</SUP>, nos per&iacute;odos    de 1999&#45;2002 e 2002&#45;2005. A curva de distribui&ccedil;&atilde;o de classes de    di&acirc;metro, para essa popula&ccedil;&atilde;o, vem seguindo um modelo exponencial    negativo, indicando que ainda se encontra em expans&atilde;o. Comparando&#45;se    a popula&ccedil;&atilde;o de <I>A. cunninghamiana</I> com as outras esp&eacute;cies    da reserva florestal, v&ecirc;&#45;se que ela representa quase um ter&ccedil;o do    n&uacute;mero total de indiv&iacute;duos e, contrariamente a essa esp&eacute;cie,    a comunidade de arb&oacute;reas nativas vem apresentando taxas de crescimento    anual negativas. Essa alarmante capacidade de expans&atilde;o de <I>A. cunninghamiana</I>    decorre de suas caracter&iacute;sticas de propaga&ccedil;&atilde;o &#150; floresce    e frutifica o ano todo, com mais de 3.600 frutos em cada cacho (40) &#150; e dispers&atilde;o,    pois seus frutos vermelhos s&atilde;o muito atrativos a v&aacute;rias esp&eacute;cies    de p&aacute;ssaros generalistas (41), al&eacute;m de ser pouco exigente quanto    &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de luminosidade e &aacute;gua. A crescente    dissemina&ccedil;&atilde;o dessa esp&eacute;cie por produtores de palmito, especialmente    nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul (42) &eacute; extremamente    preocupante, dado seu potencial invasor, podendo disseminar&#45;se pelos fragmentos    remanescentes de Mata Atl&acirc;ntica e causar incalcul&aacute;veis preju&iacute;zos    &agrave; biodiversidade nativa.</font></P>     <p><font size="3">Apesar da grande amea&ccedil;a oferecida pelas esp&eacute;cies    ex&oacute;ticas invasoras &agrave; biodiversidade nativa e aos processos econ&ocirc;micos,    muito poucas a&ccedil;&otilde;es concretas existem atualmente no Brasil para    combat&ecirc;&#45;las. Isso se deve a diversos fatores: pouco se conhece ainda sobre    as esp&eacute;cies invasoras no Brasil e os estudos sobre essas esp&eacute;cies    e seus efeitos nas comunidades invadidas s&atilde;o poucos e recentes (17);    como o desenvolvimento do potencial invasor depende de condi&ccedil;&otilde;es    exclusivas da esp&eacute;cie invasora, da comunidade invadida, do meio f&iacute;sico    e de a&ccedil;&otilde;es humanas pr&eacute;vias, as t&eacute;cnicas de combate    a cada epis&oacute;dio de invas&atilde;o biol&oacute;gica s&atilde;o tamb&eacute;m    espec&iacute;ficas e requerem profundo conhecimento das condi&ccedil;&otilde;es;    determinadas a&ccedil;&otilde;es de manejo (ex: fogo) podem ter efeitos opostos    em diferentes situa&ccedil;&otilde;es de invas&atilde;o. Al&eacute;m disso,    tend&ecirc;ncias que predominam na sociedade atual, como a crescente fragmenta&ccedil;&atilde;o    dos habitats nativos remanescentes para uso econ&ocirc;mico, ou o intenso tr&acirc;nsito    de pessoas e mercadorias pelo mundo "globalizado" favorecem fortemente    o desenvolvimento dos processos de invas&atilde;o biol&oacute;gica. Medidas    preventivas, como programas de informa&ccedil;&atilde;o &agrave; popula&ccedil;&atilde;o,    legisla&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica para importa&ccedil;&atilde;o e exporta&ccedil;&atilde;o    de esp&eacute;cies, intercepta&ccedil;&atilde;o e tratamento de material potencialmente    causador de invas&otilde;es biol&oacute;gicas, programas de monitoramento em    &aacute;reas naturais, dentre outras iniciativas, devem ser implementadas juntamente    com estudos para o desenvolvimento de t&eacute;cnicas de controle e erradica&ccedil;&atilde;o    de esp&eacute;cies ex&oacute;ticas invasoras.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><I><B>Dalva M. Silva Matos</b> &eacute; professora associada    do Departamento de Bot&acirc;nica, da Universidade Federal de S&atilde;o Carlos    (UFSCar). E&#45;mail: <a href="mailto:dmatos@power.ufscar.br">dmatos@power.ufscar.br</a></i></font></P>     <p><font size="3"><i><B>V&acirc;nia R. Pivello</b> &eacute; professora titular    do Departamento de Ecologia, da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP).</i></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">1. James, L., Evans, J., Ralphs, M. &amp; Child, R. (eds.).    <I>Noxiuos range weeds</I>. Westview Press, Boulder. 1991.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">2. Rejmanek, M. "What makes a species invasive?" In:    Pysek, P., Prach, K., Rejmanek, M.&amp; Wade, M. (eds.) <I>Plant Invasions</I>.    SPB Academic Publ., Amsterdam. Pp. 3&#150;13, 1995.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">3. Cronk, Q.C.B &amp; Fuller, J.L. <I>Plant invaders</I>. London,    Chapman &amp; Hall. 1995.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">4. Williamson, M. <I>Biological invasions.</I> London, Chapman    &amp; Hall. 1996.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">5. Richardson, D.M., Pysek, P., Rejmanek, M., Barbour, M.G.,    Panetta, D. &amp; West, C.J. 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