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</front><body><![CDATA[ <p><font size="3"><b>LIVROS IND&Iacute;GENAS</b></font> </p>     <p><font size="3"><b>L<small>&Iacute;NGUA MATERNA PREDOMINA, MAS SEM APOIO FEDERAL    DIRETO</small></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A Coordena&ccedil;&atilde;o Escolar Ind&iacute;gena, &oacute;rg&atilde;o    da Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o Continuada, Alfabetiza&ccedil;&atilde;o    e Diversidade (Secad) do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o (MEC),    divulgou em julho passado um balan&ccedil;o dos livros espec&iacute;ficos para    educa&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena que produziu e distribuiu entre 2005    e 2008. Foram 65 no total, elaborados pelos pr&oacute;prios professores ind&iacute;genas    e por membros das comunidades, dos quais mais da metade leva a l&iacute;ngua    ind&iacute;gena para as escolas dessas comunidades: 11 s&atilde;o bil&iacute;ngues    e 23 s&atilde;o na l&iacute;ngua materna dos &iacute;ndios. Embora essa predomin&acirc;ncia    fortale&ccedil;a o direito ind&iacute;gena a um ensino bil&iacute;ngue, previsto    desde a Lei de Diretrizes e Bases da Educa&ccedil;&atilde;o Nacional (LDB),    de 1996, h&aacute; indigenistas que consideram pequeno o n&uacute;mero dessas    publica&ccedil;&otilde;es e alertam para o fim dos editais do MEC para produ&ccedil;&atilde;o    e distribui&ccedil;&atilde;o desses livros.</font></p>     <p><font size="3">As obras em l&iacute;nguas ind&iacute;genas ou bil&iacute;ngues    abordam temas ligados &agrave; cultura e &agrave; hist&oacute;ria dos povos    ind&iacute;genas, como calend&aacute;rio de plantio, ca&ccedil;a, pesca e de    festas, conhecimentos matem&aacute;ticos e de plantas medicinais, culin&aacute;ria,    escrita, fala. A elabora&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos foi feita a partir    de pesquisas feitas pelos professores ind&iacute;genas junto a caciques, paj&eacute;s    e idosos das comunidades. Os livros resgatam cantigas, lendas, hist&oacute;rias    e o vocabul&aacute;rio. De acordo com a Secad, os livros produzidos desde 2005,    quando a Comiss&atilde;o Nacional de Apoio &agrave; Produ&ccedil;&atilde;o de    Material Did&aacute;tico Ind&iacute;gena (Capema) come&ccedil;ou a avali&aacute;&#45;los    para uso nas escolas ind&iacute;genas, representam 36 povos das regi&otilde;es    Sudeste, Nordeste, Norte e Centro&#45;Oeste. Essas duas &uacute;ltimas concentram    a maior produ&ccedil;&atilde;o de livros em l&iacute;nguas maternas e bil&iacute;ngues,    29.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n1/a22img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">"Para todo o Brasil, para todas as escolas ind&iacute;genas,    para os mais de 220 povos, para os mais de 177 mil alunos das escolas ind&iacute;genas,    &eacute; pouco", avalia Luis Donisete Grupioni, do Instituto de Pesquisa    e Forma&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o Ind&iacute;gena (Iep&eacute;),    entidade de apoio a comunidades ind&iacute;genas do Amap&aacute; e do norte    do Par&aacute;. De acordo com o MEC, atualmente, h&aacute; cerca de 170 l&iacute;nguas    ind&iacute;genas em uso nas comunidades de 210 etnias brasileiras, mas n&atilde;o    h&aacute; um n&uacute;mero preciso de quantas das 2.422 escolas ind&iacute;genas    do pa&iacute;s registradas no &uacute;ltimo censo, de 2006, s&atilde;o bil&iacute;ngues.    A Secad n&atilde;o informa quantas delas receberam os 65 livros j&aacute; produzidos,    que t&ecirc;m tiragem entre mil e dez mil exemplares, mas acrescenta que outros    25 j&aacute; est&atilde;o sendo produzidos.</font></p>     <p><font size="3"><B>BUSCA POR ESCOLARIZA&Ccedil;&Atilde;O </b>A taxa de crescimento    das popula&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas &eacute; mais que o dobro da m&eacute;dia    nacional (de aproximadamente 1,4% ao ano), mas o crescimento de alunos matriculados    em escolas ind&iacute;genas &eacute; ainda maior: de 2002 a 2006, eles aumentaram    em 48,7%. Grande parte do material did&aacute;tico produzido por professores    ind&iacute;genas e distribu&iacute;do pelo MEC &eacute; de cartilhas de alfabetiza&ccedil;&atilde;o    ou colet&acirc;neas de textos curtos voltadas para o primeiro segmento do ensino    fundamental, de 1ª a 4ª s&eacute;ries, que concentram 60,5% do total de ind&iacute;genas    matriculados. Mas o segundo segmento, de 5ª a 8ª, que teve um aumento de 78,1%    nas matr&iacute;culas de 2002 a 2006, tamb&eacute;m est&aacute; contemplado    nas obras apoiadas pelo MEC. &Eacute; o caso de <I>Pesquisa sobre as l&iacute;nguas    bar&eacute; e uerekena</I>, livro para alunos falantes do nheengatu, que apresenta,    em formato de dicion&aacute;rio, esp&eacute;cies de aves, peixes, animais e    objetos de trabalho em nheengatu e uerekena. O nheengatu, l&iacute;ngua geral    falada por &iacute;ndios e portugueses no s&eacute;culo XVI, ainda se mant&eacute;m    viva na Amaz&ocirc;nia, e desde 2003 &eacute; uma das l&iacute;nguas oficiais    do munic&iacute;pio de S&atilde;o Gabriel da Cachoeira (AM).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">"Desde que a Capema foi criada, apenas dois editais foram    lan&ccedil;ados, um para obras novas, outro para reedi&ccedil;&otilde;es, e    boa parte dessa produ&ccedil;&atilde;o est&aacute; vindo a p&uacute;blico porque    foi elaborada por organiza&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas, de apoio e universidades",    diz Grupioni. "Agora, organiza&ccedil;&otilde;es de professores ind&iacute;genas,    escolas ind&iacute;genas, universidades e organiza&ccedil;&otilde;es de apoio    que estejam produzindo materiais did&aacute;ticos n&atilde;o podem mais contar    com o MEC, porque simplesmente n&atilde;o haver&aacute; mais editais para esse    tipo de produ&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica para as escolas ind&iacute;genas.    Esses grupos e movimentos ter&atilde;o que solicitar esses apoios para as secretarias    de educa&ccedil;&atilde;o estaduais, porque s&oacute; elas agora podem acessar    o recurso federal para essa finalidade", completa.</font></p>     <p><font size="3">Essa pol&iacute;tica do MEC n&atilde;o afetou apenas a educa&ccedil;&atilde;o    ind&iacute;gena. Ap&oacute;s descobrir irregularidades na aplica&ccedil;&atilde;o    de recursos do programa Brasil Alfabetizado, tamb&eacute;m da Secad, foram suspensos    todos os repasses de dinheiro para ONGs, e apenas estados e munic&iacute;pios    recebem atualmente o recurso. Segundo o MEC, por pertencerem aos sistemas estaduais    e municipais de ensino, todas as escolas ind&iacute;genas t&ecirc;m acesso ao    Programa Nacional do Livro Did&aacute;tico, que enviou para as escolas ind&iacute;genas,    ao longo de 2006, cerca de 600 mil livros, num investimento superior a R$ 3    milh&otilde;es.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Rodrigo Cunha</i></font></p>      ]]></body>
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