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</front><body><![CDATA[ <p><font size="3"><b>DOCUMENT&Aacute;RIOS</b></font></P>     <P><font size="3"><b>I<small>NTEGRA&Ccedil;&Atilde;O DO HOMEM COM A NATUREZA &Eacute;    FOCO DE PRODU&Ccedil;&Otilde;ES EM V&Iacute;DEO</small></b> </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n1/a24img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Nos anos 1970, em <I>Amaral Netto, o rep&oacute;rter</I> o jornalista    desbravava long&iacute;nquos e selvagens pontos do Brasil em seu programa, exibido    ent&atilde;o pela TV Globo, num misto de propaganda pol&iacute;tica ufanista    com aventuras no estilo saf&aacute;ri (<I>safari film)</I>, um g&ecirc;nero    de document&aacute;rio bastante popular desde os anos 1920. A natureza intocada    e os povos misteriosos que a habitavam foram tema recorrente seja no exterior    &#150; e Jean Rouch foi o marco desse cinema na Fran&ccedil;a de 1950 com filmes    realistas sobre a vida na &Aacute;frica &#150; seja por documentaristas brasileiros,    e Amaral Netto foi o que teve maior respaldo para sua produ&ccedil;&atilde;o    televisiva, com apoio, inclusive, de oficiais do ex&eacute;rcito, que guiavam    e protegiam o jornalista e sua equipe. </font></P>     <p><font size="3">Quase quarenta anos depois, produzir esse tipo de aventura ficou    complicado, pois o enfoque hoje &eacute; outro. "Ficcionalizar um espa&ccedil;o    hostil na natureza est&aacute; cada vez mais dif&iacute;cil, pois n&atilde;o    se trata agora de vencer a selva, mas proteg&ecirc;&#45;la dos verdadeiros seres    selvagens, os homens 'civilizados'", diz Thales Haddad de Andrade, professor    da Universidade Federal de S&atilde;o Carlos (UFSCar) e autor do livro <I>Ecol&oacute;gicas    manh&atilde;s de s&aacute;bado: o espet&aacute;culo da natureza na televis&atilde;o    brasileira</I> (Annablume/Fapesp, 2003). </font></P>     <p><font size="3">O impacto sobre o clima devido ao modo de vida dos pa&iacute;ses    industrializados e as guerras na &Aacute;frica contribu&iacute;­ram, tamb&eacute;m,    para deixar claro que a natureza intoc&aacute;vel est&aacute; &agrave; merc&ecirc;    dos movimentos econ&ocirc;micos e sociais globais, afirma Haddad. Esse mesmo    movimento de globaliza&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m, acabou por permitir uma    vis&atilde;o mais localizada das tem&aacute;ticas sobre a natureza e a ecologia,    o que resultou num grande impulso de produ&ccedil;&otilde;es locais na &uacute;ltima    d&eacute;cada. Al&eacute;m disso, o pesquisador ressalta como impulsionador    do estilo a diminui&ccedil;&atilde;o dos custos de equipamentos para produ&ccedil;&atilde;o    e edi&ccedil;&atilde;o de v&iacute;deos, o que facilita a atua&ccedil;&atilde;o    de pequenas produtoras nesse nicho de mercado, o que inclui o Brasil.</font></P>     <p><font size="3"><B>PRODU&Ccedil;&Otilde;ES INTERNACIONALIZADAS </b>Com a aprova&ccedil;&atilde;o    da lei que possibilitou a cria&ccedil;&atilde;o de modelos de co&#45;produ&ccedil;&atilde;o    entre canais estrangeiros e produtoras nacionais e a cria&ccedil;&atilde;o da    Ag&ecirc;ncia Nacional do Cinema (Ancine), o interesse de produtores internacionais    no mercado regional aumentou. O artigo 39 da MP&#45;2228, de setembro de 2001, que    criou a Pol&iacute;tica Nacional do Cinema e do Audiovisual, &eacute; especialmente    comemorado, pois resultou em uma ren&uacute;ncia fiscal do governo em prol das    produtoras independentes nacionais. Fora isso, uma linha especial do BNDES,    chamada Procult, tamb&eacute;m deu um sopro de vitalidade no mercado de produ&ccedil;&atilde;o    audiovisual nacional. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Lawrence Wahba, documentarista de natureza h&aacute; mais de    20 anos, destaca que, mais do que o aumento do interesse pelo pa&iacute;s, houve    uma melhora nas condi&ccedil;&otilde;es para esse tipo de produ&ccedil;&atilde;o.    "H&aacute; diferentes modelos de neg&oacute;cio poss&iacute;veis, atualmente,    e v&aacute;rias produtoras em S&atilde;o Paulo e no Rio de Janeiro j&aacute;    trabalham em esquemas de parcerias com canais como National Geographic (NatGeo)    e Discovery Channel", diz. Wahba &eacute; parceiro da NHNZ, produtora neozelandesa    que &eacute; refer&ecirc;ncia na &aacute;rea de document&aacute;rios de natureza    e tamb&eacute;m fez a produ&ccedil;&atilde;o executiva da s&eacute;rie <I>Across    the Amazon</I>, para o canal NatGeo. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n1/a24img02.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Existem tr&ecirc;s modelos mais comuns para produ&ccedil;&otilde;es    nacionais de porte internacional, e praticamente inexistentes no mercado local,    segundo Wahba: o <I>prodution service</I>, servi&ccedil;o de apoio de produ&ccedil;&atilde;o    para uma equipe de grava&ccedil;&atilde;o que vem de fora e com a pauta j&aacute;    estabelecida; o <I>comissioning</I>, que realiza uma encomenda do roteiro e    jornalismo para um tema; e a co&#45;produ&ccedil;&atilde;o, na qual a produtora    nacional e a internacional t&ecirc;m pesos iguais nas decis&otilde;es. "Em    todos esses modelos &eacute; necess&aacute;rio um padr&atilde;o editorial global.    Existe um rigor alt&iacute;ssimo quanto &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e,    normalmente, entregamos um script com anota&ccedil;&otilde;es e refer&ecirc;ncias    bibliogr&aacute;ficas, al&eacute;m de seguir &agrave; risca a 'b&iacute;blia'    da produ&ccedil;&atilde;o", descreve o documentarista, referindo&#45;se a um    manual de estilo abrangente de um determinado canal de TV. Por seu lado, as    produtoras brasileiras est&atilde;o cada vez mais integradas a esse processo    de produ&ccedil;&atilde;o ganhando a confian&ccedil;a do mercado, o que as credencia    para serem cada vez mais aut&ocirc;nomas e inverterem a l&oacute;gica ao sugerirem    os temas para os compradores internacionais. </font></P>     <p><font size="3"><B>MODELOS E PADR&Otilde;ES </b>Ciro Porto, diretor de jornalismo    da EPTV, afiliada da TV Globo em Campinas (SP), salienta que regi&otilde;es,    como a &Aacute;frica, foram amplamente abordadas em document&aacute;rios sobre    a natureza. "&Eacute; poss&iacute;vel reformular as narrativas, mas n&atilde;o    as tem&aacute;ticas. No caso do Brasil e Am&eacute;rica do Sul, tudo est&aacute;    sendo descoberto, &eacute; tudo novo. Descoberto, &eacute; claro, pela televis&atilde;o    e, consequentemente, pelo p&uacute;blico comum", ressalta.</font></P>     <p><font size="3">As mudan&ccedil;as n&atilde;o se restringem ao plano geogr&aacute;fico,    mas, de modo mais sutil, tamb&eacute;m no campo est&eacute;tico e narrativo.    "O padr&atilde;o BBC dos anos 1970 e 1980 perdeu espa&ccedil;o. O que era    mais documental est&aacute; se tornando mais jornal&iacute;stico, mais cr&iacute;tico,    n&atilde;o no sentido radical, mas no de entender que a ocupa&ccedil;&atilde;o    humana est&aacute; acontecendo e que essa popula&ccedil;&atilde;o que vive no    meio da Amaz&ocirc;nia, n&atilde;o pode simplesmente ser expulsa; h&aacute;    que se adotar um tipo de desenvolvimento sustent&aacute;vel, aprender a trabalhar    com &aacute;reas de manejo", afirma Lawrence Wahba. Percebe&#45;se, ainda,    um certo frescor nesse tipo de programa, com a busca de uma linguagem mais adaptada    ao p&uacute;blico jovem, segmento onde cresce o interesse por temas referentes    &agrave; ecologia e preserva&ccedil;&atilde;o. </font></P>     <p><font size="3">Um indicativo dessa demanda j&aacute; pode ser notado nos programas    da TV aberta, onde a tem&aacute;tica de preserva&ccedil;&atilde;o ambiental,    animais e natureza aparecem cada vez com mais frequ&ecirc;ncia em programas    populares e comerciais como<I> Doming&atilde;o do Faust&atilde;o</I> (Rede Globo)    ou no <I>Programa da Eliana</I> (Rede Record), al&eacute;m de in&uacute;meras    reportagens especiais em telejornais. Al&eacute;m disso, esses canais abertos    incluem em sua grade s&eacute;ries espec&iacute;ficas sobre tal tem&aacute;tica,    como <I>Globo Rep&oacute;rter</I> (desde 1973), <I>Rep&oacute;rter Eco,</I>    produ&ccedil;&atilde;o premiada da TV Cultura, desde 1992, <I>Globo Ecologia    </I>(1993), <I>Rep&oacute;rter Record</I> (1997), e, mais recentemente, <I>SBT    Rep&oacute;rter</I>. </font></P>     <p><font size="3"><B>CONSCI&Ecirc;NCIA AMBIENTAL </b>Ciro Porto, que tamb&eacute;m    &eacute; diretor do programa <I>Terra da Gente</I> cujo vi&eacute;s &eacute;    a conserva&ccedil;&atilde;o ambiental, considera que essas reportagens perderam    um pouco o tom de den&uacute;ncia para privilegiar o trabalho de constru&ccedil;&atilde;o    de uma educa&ccedil;&atilde;o ambiental. Em sua opini&atilde;o, muito do saber    cient&iacute;fico ainda n&atilde;o &eacute; conhecido pelo grande p&uacute;blico    e essa &eacute; uma das miss&otilde;es dos document&aacute;rios. Vera Diegoli,    editora&#45;chefe do <I>Rep&oacute;rter Eco</I>, tamb&eacute;m acredita que &eacute;    preciso conscientizar as pessoas dessa situa&ccedil;&atilde;o de co&#45;depend&ecirc;ncia    entre homem e natureza e trazer os problemas para uma situa&ccedil;&atilde;o,    e uma resolu&ccedil;&atilde;o, concreta. O trabalho realizado nas universidades,    nos centros e institutos de pesquisa ajuda a&nbsp;&nbsp;conhecer&nbsp;e conservar    a biodiversidade mundial, acrescenta a jornalista da TV Cultura. Para Porto,    al&eacute;m das informa&ccedil;&otilde;es, a expectativa &eacute; que o crescimento    do p&uacute;blico para esse tipo de programa televisivo reforce o respeito e    a vontade de preserva&ccedil;&atilde;o da natureza.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"><font size="3"><i>Enio Rodrigo</i></font></P>      ]]></body>
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