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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n2/mundo.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">G<SMALL>OVERNO</small> O<SMALL>BAMA</small></font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v61n2/line_blk.gif"></P>     <P><font size="4"><b>Pol&iacute;tica cient&iacute;fica norte&#45;americana sofre uma    guinada</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3">O clima &eacute; de mudan&ccedil;a quando o assunto &eacute;    pol&iacute;tica cient&iacute;fica dos Estados Unidos, agora na era Barack Obama.    Em seu discurso de posse, em janeiro passado, o presidente destacou: "N&oacute;s    vamos colocar a ci&ecirc;ncia de volta ao seu devido lugar, e usar prod&iacute;gios    tecnol&oacute;gicos para melhorar a qualidade do sistema de sa&uacute;de e diminuir    seus custos. Aproveitaremos o sol e os ventos e a terra para abastecer nossos    carros e operar nossas f&aacute;bricas. Transformaremos nossas escolas e faculdades    e universidades para que atendam &agrave;s demandas de uma nova era. Podemos    fazer tudo isso. E faremos tudo isso".</font></P>     <p><font size="3">Estava dado o tom da import&acirc;ncia atribu&iacute;da &agrave;    ci&ecirc;ncia &agrave; tecnologia (C&amp;T). No m&ecirc;s seguinte, Obama assinou    o American Recovery and Reinvestment Act of 2009, liberando 21,5 bilh&otilde;es    de d&oacute;lares para investimentos em C&amp;T, um aumento de aproximadamente    15% em rela&ccedil;&atilde;o a financiamentos anuais anteriores, segundo o Escrit&oacute;rio    de Pol&iacute;ticas para Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (OSTP, na sigla em ingl&ecirc;s).</font></P>     <p><font size="3">O aumento do or&ccedil;amento n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica    especificidade da pol&iacute;tica cient&iacute;fica de Obama. "O fato de    o governo encarar a ci&ecirc;ncia como fator essencial para sair da crise econ&ocirc;mica    &eacute; um dos grandes marcos", diz Manoel Barral Netto, da Funda&ccedil;&atilde;o    Oswaldo Cruz (Fiocruz&#45;Bahia) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA). "Imagino    que seriam tempos muito dif&iacute;ceis para a ci&ecirc;ncia um governo como    o de &#91;George&#93; Bush numa crise t&atilde;o grande como esta", afirmou. Barral,    que esteve &agrave; frente da Diretoria de Programas Tem&aacute;ticos e Setoriais    do CNPq, destaca que o abandono de muitos preconceitos nos temas a serem tratados    pela ci&ecirc;ncia, e um aumento significativo do n&iacute;vel da assessoria    cient&iacute;fica e da sua import&acirc;ncia no organograma do governo s&atilde;o    outras especificidades da pol&iacute;tica cient&iacute;fica norte&#45;americana    atual.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n2/a06img01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">A quest&atilde;o energ&eacute;tica aparece como uma das privilegiadas    pelo sistema de ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o. Com a nomea&ccedil;&atilde;o    de Steve Chu para chefiar o Departamento de Energia (DOE, na sigla em ingl&ecirc;s),    Obama n&atilde;o deixa d&uacute;vidas quanto &agrave; sua preocupa&ccedil;&atilde;o    com o meio ambiente. Chu, Pr&ecirc;mio Nobel em F&iacute;sica, &eacute; dos    grandes nomes mundiais da busca por energias alternativas, e sua nomea&ccedil;&atilde;o    foi bastante elogiada e destacada na m&iacute;dia. </font></P>     <p><font size="3">"Grande parte do disp&ecirc;ndio do pacote fiscal de combate    &agrave; crise vai estar voltado para a &aacute;rea de energia e produ&ccedil;&atilde;o    de energias renov&aacute;veis", diz Carlos Am&eacute;rico Pacheco, professor    de economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Pacheco lembra que    ficou bastante impressionado com a coloca&ccedil;&atilde;o de Obama de que os    empregos da ind&uacute;stria do futuro n&atilde;o podem estar fora dos Estados    Unidos e com a aposta de que a solu&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica vai sair    das universidades e dos laborat&oacute;rios norte&#45;americanos. </font></P>     <p><font size="3">No entanto, al&eacute;m da energia h&aacute; uma &ecirc;nfase    importante no campo da pesquisa em sa&uacute;de. O or&ccedil;amento dos Institutos    Nacionais de Sa&uacute;de (NIH) foi bastante ampliado, tanto no pacote de est&iacute;mulo    quando na proposta or&ccedil;ament&aacute;ria para 2009. H&aacute; algumas mudan&ccedil;as    no perfil do investimento na &aacute;rea de sa&uacute;de. De acordo com Barral,    h&aacute; uma &ecirc;nfase na pesquisa de compara&ccedil;&atilde;o de efetividade    de tratamentos e na agenda de pesquisa da Medicare e Medicaid, sistemas de sa&uacute;de    do governo. Aparece tamb&eacute;m como prioridade o financiamento dobrado para    pesquisas em c&acirc;ncer, com &ecirc;nfase em diagn&oacute;sticos inovadores,    tratamentos e cura.</font></P>     <p><font size="3">N&atilde;o h&aacute; men&ccedil;&atilde;o a respeito das doen&ccedil;as    tropicais no or&ccedil;amento de pesquisa em sa&uacute;de. Segundo Barral, a    pesquisa em doen&ccedil;as tropicais nunca apareceu entre as prioridades da    agenda de pesquisa em sa&uacute;de nos Estados Unidos. "As doen&ccedil;as    infecciosas aparecem ocasionalmente em situa&ccedil;&otilde;es que atingem mais    diretamente os EUA como a Aids e a biodefesa. De todo modo, quando as &aacute;reas    realmente priorit&aacute;rias para os EUA s&atilde;o contempladas com aumento    de or&ccedil;amento &eacute; de se esperar que n&atilde;o haja corte nos recursos    para doen&ccedil;as end&ecirc;micas nos tr&oacute;picos", explica.</font></P>     <p><font size="3">David Goldston, colunista de ci&ecirc;ncias pol&iacute;ticas    do peri&oacute;dico <I>Nature</I>, em artigo publicado em janeiro deste ano    na revista <I>Wired</I>, conclui que Obama tem o desafio de fazer muito mais    do que apenas gastar dinheiro. Ele tem a oportunidade de abra&ccedil;ar o desafio    intelectual de mudar a pol&iacute;tica cient&iacute;fica norte&#45;americana. "Obama    alia o combate &agrave; crise com uma aposta muito pesada no futuro, na recupera&ccedil;&atilde;o    da lideran&ccedil;a norte&#45;americana em torno dessa agenda de pesquisa e inova&ccedil;&atilde;o    tecnol&oacute;gica", avalia Pacheco. &Eacute; s&oacute; o come&ccedil;o    da era Obama.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="right"><font size="3"><i>Cristina Caldas</i></font></P>     ]]></body>
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