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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n2/mundo.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">R<SMALL>ESENHA</small></font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v61n2/line_blk.gif"></P>     <P><font size="4"><b>O neoliberalismo como ideologia</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n2/a08img01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3">O fim do liberalismo foi anunciado muitas vezes nos &uacute;ltimos    anos. Primeiro, no final dos anos 1990, ap&oacute;s a crise nos pa&iacute;ses    asi&aacute;ticos e, pouco depois, em 2001, quando estourou a bolha da internet    e novo susto abalou as certezas econ&ocirc;micas globais. Por&eacute;m, o sistema    acabou se refazendo e a f&oacute;rmula gestada nos anos 1970 e 1980 &#150; cujo cerne    &eacute; o trip&eacute; Estado m&iacute;nimo, financeiriza&ccedil;&atilde;o    e desregula&ccedil;&atilde;o do mercado &#150; continuou sendo aplicada e, por vezes,    imposta. Estamos agora em meio a uma nova crise, dessa vez parecendo mais profunda    que as anteriores.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Embora o livro original em ingl&ecirc;s tenha sido escrito em    2005, bem antes do atual colapso, <I>Neoliberalismo: hist&oacute;ria e implica&ccedil;&otilde;es</I>    oferece pistas interessantes para se entender a for&ccedil;a e longevidade desse    modelo que, a despeito de seus efeitos perversos, em especial nos pa&iacute;ses    pobres, continua vigente. A chave &eacute; entend&ecirc;&#45;lo n&atilde;o apenas    como um receitu&aacute;rio econ&ocirc;mico, mas como um fen&ocirc;meno mais    complexo e que envolve a produ&ccedil;&atilde;o de uma ideologia.</font></P>     <p><font size="3">Para contar a breve, por&eacute;m intensa, trajet&oacute;ria    de ascens&atilde;o do neoliberalismo, o autor David Harvey, professor de antropologia    da Universidade da Cidade de Nova Iorque &#150; autor de <I>A condi&ccedil;&atilde;o    p&oacute;s&#45;moderna</I> &#150; faz uma an&aacute;lise que &eacute;, ao mesmo tempo,    econ&ocirc;mica, cultural e hist&oacute;rica. Assim, identifica o que seriam    as "sofisticadas estrat&eacute;gias implementadas pela classe de elite    a fim de restaurar, melhorar ou construir um poder de classe avassalador".    A perspectiva marxista de luta de classes atravessa e sustenta a obra, cujo    ponto forte est&aacute; justamente em n&atilde;o tomar o neoliberalismo como    uma sa&iacute;da natural &agrave; estagna&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica dos    anos 1970, mas sim um movimento consciente, capitaneado por um grupo espec&iacute;fico,    em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; ado&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es    determinadas.</font></P>     <p><font size="3">Harvey aponta como primeiro ind&iacute;cio da virada neoliberal    nos EUA, o memorando do juiz da Suprema Corte, Lewis Powell (1971). Nele, Powell    afirma que os ataques ao sistema de livre mercado tinham ido longe demais e    que era preciso mobilizar os recursos dos neg&oacute;cios do pa&iacute;s contra    "aqueles que o destruiriam". A C&acirc;mara de Com&eacute;rcio deveria,    assim, lan&ccedil;ar um ataque &agrave;s principais institui&ccedil;&otilde;es    a fim de mudar como as pessoas pensam "sobre as corpora&ccedil;&otilde;es,    o direito, a cultura e o indiv&iacute;duo".</font></P>     <p><font size="3">Desse modo, Harvey mostra como se construiu um consenso cultural    em torno das trocas de mercado, como uma &eacute;tica em si, capaz de servir    de guia a toda a&ccedil;&atilde;o humana, sustentada na ideia de que o bem social    &eacute; maximizado caso tamb&eacute;m se maximize o alcance e a frequ&ecirc;ncia    das transa&ccedil;&otilde;es do mercado.</font></P>     <p><font size="3">O pensamento liberal de esquerda, em particular, teria sido    pego no impasse entre justi&ccedil;a social, sua preocupa&ccedil;&atilde;o principal,    e as liberdades individuais, tema que &eacute; caro a esse pensamento. Embora    as duas ideias n&atilde;o sejam necessariamente excludentes, "a busca da    justi&ccedil;a social pressup&otilde;e solidariedades sociais e a propens&atilde;o    a submeter vontades, necessidades e desejos &agrave; causa de uma luta mais    geral". Segundo Harvey, "a preocupa&ccedil;&atilde;o neoliberal com    o indiv&iacute;duo p&otilde;e em segundo plano toda preocupa&ccedil;&atilde;o    democr&aacute;tica social com a igualdade, a democracia e as solidariedades    sociais". Dessa forma, mesmo os cr&iacute;ticos estariam sendo levados    a aceitar as proposi&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas daquilo que combatem.</font></P>     <p><font size="3">A obra faz tamb&eacute;m uma detida an&aacute;lise do Estado    neoliberal e, em especial, de processos econ&ocirc;micos ocorridos em pa&iacute;ses    como Argentina, Su&eacute;cia e China.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="right"><font size="3"><i>Rafael Evangelista</i></font></P>      ]]></body>
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