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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n2/artigos.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><font size=5><b>APRESENTA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></P>     <p align="center"><font size=5><b>A ARTE DO INCONSCIENTE</b></font></P>     <p align="center"><font size="3"><b>Jassanan Amoroso Dias Pastore</b></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="right"><font size="3"><i>A beleza salvar&aacute; o mundo.</i>    <br>   Fi&oacute;dor Dostoievski, 1868.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size=5><b>E</b></font><font size="3">mbora possa parecer estranho,    ainda se faz necess&aacute;rio debater as conex&otilde;es, tens&otilde;es e    limites entre os campos da psican&aacute;lise e o das artes em geral. Embora    possa parecer estranho, ainda se faz necess&aacute;rio investigar o lugar e    a fun&ccedil;&atilde;o da dimens&atilde;o est&eacute;tica na cl&iacute;nica    psicanal&iacute;tica, bem como explicitar de que modo a experi&ecirc;ncia psicanal&iacute;tica    potencializa a emerg&ecirc;ncia de processos criativos.</font></P>     <p><font size="3">A psican&aacute;lise &eacute; uma concep&ccedil;&atilde;o cultural,    uma teoria da mente e uma t&eacute;cnica terap&ecirc;utica. A especificidade    humana deriva da linguagem, da mem&oacute;ria, da complexa capacidade de criar    cultura e de criar uma hist&oacute;ria inserida na hist&oacute;ria, tamb&eacute;m    criada. A inaugura&ccedil;&atilde;o da psican&aacute;lise marcou o s&eacute;culo    XX e exerceu influ&ecirc;ncias decisivas na cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica,    e foi por ela influenciada, sobretudo, com o advento do surrealismo.</font></P>     <p><font size="3">O retorno a Freud se imp&otilde;e. Na &eacute;poca em que se    formou em medicina, em Viena, ele tinha interesse pela neurologia e, em especial,    pela pesquisa cient&iacute;fica. Sua trajet&oacute;ria come&ccedil;a a tomar    novos rumos por volta de 1885, quando vai para Paris, por meio de uma bolsa    de estudos concedida por seus professores, estagiar com o m&eacute;dico e cientista    Jean&#45;Martin Charcot, na investiga&ccedil;&atilde;o da histeria, no Hospital    Salp&ecirc;tri&egrave;re. Nessa &eacute;poca, ele chega a queimar seus escritos,    marcando, talvez, assim, "a grande virada de sua vida", ainda que    sem o saber, e a dizer que n&atilde;o se importaria com a f&uacute;ria dos bi&oacute;grafos,    que teriam, cada um deles, &agrave; sua maneira, de construir a hist&oacute;ria    do her&oacute;i. Contudo, ao longo de sua obra, Freud sempre recupera uma ideia    ao super&aacute;&#45;la. Sua vida e o desenvolvimento de seu pensamento t&ecirc;m    o desenho de uma <I>Aufhebung</I> cont&iacute;nua &#150; conservar, apagar e ultrapassar.    A cada vez, diferentes elementos de uma experi&ecirc;ncia/met&aacute;fora/matriz    s&atilde;o retomados para pensar a teoria psicanal&iacute;tica, realizando,    como se costuma dizer, uma esp&eacute;cie de movimento de caleidosc&oacute;pio,    que, ao ser girado, disp&otilde;e os mesmos elementos numa nova constela&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3">Para Charcot, o instinto sexual reprimido poderia ter como v&aacute;lvula    de escape a histeria, sobretudo nas mulheres, uma vez que a repress&atilde;o    sexual reca&iacute;a, naquela &eacute;poca, preferencialmente sobre elas. Freud    vai nos alertar sobre o papel da sexualidade reprimida como fonte de conflitos,    que viriam a constituir o inconsciente, para o qual os sonhos representam uma    via privilegiada, por meio de seu significado oculto e simb&oacute;lico. Assim,    os novos rumos o distanciar&atilde;o da neurologia e o conduzir&atilde;o &agrave;    procura dos sentidos dos sintomas hist&eacute;ricos e, acima de tudo, de outros    atos humanos, at&eacute; ent&atilde;o pouco considerados, ou, at&eacute; mesmo,    desconsiderados &#150; esp&eacute;cie de "lixo" do pensamento &#150;, como os    sonhos, os lapsos, por fugirem do controle racional consciente. Essas considera&ccedil;&otilde;es    revelam os deslocamentos e as condensa&ccedil;&otilde;es que, por sua vez, fazem    da arte, tamb&eacute;m, um atalho privilegiado ao inconsciente. </font></P>     <p><font size="3">Como podemos observar, desde o in&iacute;cio da hist&oacute;ria    da psican&aacute;lise, apoiado em sua cl&iacute;nica da histeria, Freud demarca    um forte elo entre o recalcamento e as refer&ecirc;ncias normativas da esfera    cultural, cuja sexualidade se encontrava, naquela &eacute;poca, infestada de    uma moral repressora que se constituiu num terreno f&eacute;rtil para o recalcamento.    </font></P>     <p><font size="3">Embora seu ponto de partida tenha sido o di&aacute;logo com    a histeria, Freud segue seu pr&oacute;prio caminho, longe de qualquer senda    j&aacute; trilhada, sem se deixar desviar pela oposi&ccedil;&atilde;o e por    conflitos violentos com a comunidade cient&iacute;fica da &eacute;poca, a qual    teve de enfrentar em nome da descoberta do inconsciente. </font></P>     <p><font size="3">Desde os prim&oacute;rdios de sua concep&ccedil;&atilde;o acerca    do pensamento psicanal&iacute;tico, Freud j&aacute; acena com a estreita conex&atilde;o    que firmar&aacute; entre a psican&aacute;lise e as artes, pois nesta encontrar&aacute;    n&atilde;o s&oacute; pontos de apoio para sua teoriza&ccedil;&atilde;o de que    o Eu n&atilde;o &eacute; mais senhor em sua pr&oacute;pria casa, visto que o    inconsciente governa, subterraneamente, grande parcela de nossas a&ccedil;&otilde;es,    como tamb&eacute;m quest&otilde;es semelhantes &agrave;quelas que animam a cl&iacute;nica    psicanal&iacute;tica: o desejo delineando o homem em conflito. N&atilde;o podemos    deixar de trazer &agrave; lembran&ccedil;a que, j&aacute; em 1895, nos <I>Estudos    sobre a histeria</I> (1), num coment&aacute;rio cr&iacute;tico da discuss&atilde;o    cl&iacute;nica de Elisabeth von R., Freud j&aacute; afirmava que o estilo de    escrita de seus relatos cl&iacute;nicos psicanal&iacute;ticos se aproximava    mais dos romances &#150; n&atilde;o devido a seu bel&#45;prazer, mas sim &agrave; natureza    do objeto estudado, que demanda um detalhamento das nuan&ccedil;as da vida ps&iacute;quica    em sua historicidade e significa&ccedil;&atilde;o &#150; do que das descri&ccedil;&otilde;es    das doen&ccedil;as da ci&ecirc;ncia psiqui&aacute;trica que n&atilde;o inclu&iacute;am    a singularidade do sujeito, marca distintiva do psiquismo. Acrescente&#45;se o fato    relevante de que a constru&ccedil;&atilde;o do pensamento freudiano se faz acompanhar,    tamb&eacute;m, das rememora&ccedil;&otilde;es de experi&ecirc;ncias autobiogr&aacute;ficas    do pr&oacute;prio Freud, e a&iacute; reside sua originalidade, relacionadas    a cada tema em quest&atilde;o, o que provoca a quebra do dualismo entre fic&ccedil;&atilde;o    e realidade e confunde, por meio de uma nova jun&ccedil;&atilde;o, as fronteiras    entre fic&ccedil;&atilde;o e biografia. A extensa correspond&ecirc;ncia que    manteve com Wilhelm Fliess, seu amigo mais &iacute;ntimo &#150; sua autoan&aacute;lise    &#150;, entre 1887 a 1904, revela tanto a preciosidade da emerg&ecirc;ncia de uma    narrativa <I>poi&eacute;tica</I> em busca de significados na pr&oacute;pria    hist&oacute;ria, como o intuito de endere&ccedil;ar mensagens a um Outro por    quem deseja ser ouvido e de quem deseja ouvir alguma coisa, que emita algum    sentido. De modo semelhante ele procedeu com diversos outros interlocutores,    poetas e escritores, imagin&aacute;rios ou reais, interessados na alma humana,    com os quais trocava ideias. </font></P>     <p><font size="3">Psicanaliticamente falando, a escritura de uma (auto)biografia    nos remete, inevitavelmente, aos "originais" de nossa hist&oacute;ria    ou &agrave;s suas reprodu&ccedil;&otilde;es/proje&ccedil;&otilde;es, &eacute;    elo entre o passado e o presente, entre a crian&ccedil;a e o adulto, mas &eacute;    uma vers&atilde;o sujeita a erros, enganos, esquecimentos, distor&ccedil;&otilde;es,    sele&ccedil;&otilde;es conscientes ou inconscientes, o que nos leva a pensar    que se trata de um esfor&ccedil;o para dar sentido ao pr&oacute;prio <I>conto    m&iacute;tico de cada sujeito</I>, ou seja, a (auto)biografia/fic&ccedil;&atilde;o    &eacute; (auto)biografia/fic&ccedil;&atilde;o para <I>um sujeito</I>. Ao escrever    "minha vida s&oacute; tem interesse em sua rela&ccedil;&atilde;o com a    psican&aacute;lise", Freud nos diz que as evoca&ccedil;&otilde;es e confid&ecirc;ncias    que fez sobre sua vida s&atilde;o como que o subproduto de sua descoberta &#150;    a arte do inconsciente. Ao afirmar, numa carta de 1892 a Martha Bernays, "Sempre    acho estranho quando n&atilde;o consigo entender algu&eacute;m em termos de    mim mesmo", revela&#45;nos que suas mem&oacute;rias autobiogr&aacute;ficas    s&atilde;o substitutas dos espelhos &#150; "j&uacute;bilos e mis&eacute;rias    do pequeno eu" (2). A an&aacute;lise do pr&oacute;prio Freud, que temos    chamado de sua autoan&aacute;lise, se fez junto com a de seus pacientes e com    a troca de correspond&ecirc;ncia com Fliess. Numa carta do dia 7 julho de 1897,    Freud descreve a transfer&ecirc;ncia em termos muito claros sem a reconhecer    teoricamente: "Continuo sem saber o que me aconteceu. Alguma coisa vinda    das profundezas abismais de minha pr&oacute;pria neurose op&ocirc;s&#45;se a que    eu avan&ccedil;asse mais na compreens&atilde;o das neuroses, e voc&ecirc;, n&atilde;o    sei por que, tinha participa&ccedil;&atilde;o nisso". &Eacute;, com efeito,    no campo instaurado a partir desses conhecimentos fundamentais que devemos ressaltar    a busca de Freud em torno de uma ideia de verdade como singularidade constru&iacute;da    por meio de um processo de subjetiva&ccedil;&atilde;o, cambiante e desviante,    em que o sujeito, na sua temporalidade e contexto, estar&aacute; implicado na    cria&ccedil;&atilde;o de sentidos para suas experi&ecirc;ncias. Da&iacute; decorre    a explicita&ccedil;&atilde;o de Freud de que "a verdade biogr&aacute;fica    &eacute; inacess&iacute;vel. Ainda que pudesse ser atingida, n&atilde;o poderia    ser declarada" (3). </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n2/a09img01.gif"></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Em <I>Escritores criativos e devaneios</I> (4), ele lan&ccedil;a    as bases para a ado&ccedil;&atilde;o de um paradigma est&eacute;tico na psican&aacute;lise    ao considerar a arte e o brincar infantil n&atilde;o s&oacute; fontes de inspira&ccedil;&atilde;o    como maneiras de recriar permanentemente novos objetos de satisfa&ccedil;&atilde;o    er&oacute;tica e de recriar a si mesmo.</font></P>     <p><font size="3">Esse v&eacute;rtice, caracter&iacute;stico do pensamento freudiano    atento &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de possibilidade para a express&atilde;o    criadora, levou Freud a aproximar a cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica &#150;    tomando a literatura como modelo &#150; do brincar infantil. O artista &eacute;,    ent&atilde;o, aquele que preserva o processo do recalcamento, ou, at&eacute;    mesmo, aprimora a faculdade da imagina&ccedil;&atilde;o criadora experimentada    pela crian&ccedil;a no processo l&uacute;dico de constitui&ccedil;&atilde;o    de si e do mundo dos objetos que merecer&atilde;o seu investimento libidinal.    Tanto o artista, ao produzir sua obra, como o leitor/expectador realizam, simbolicamente,    desejos reprimidos, tal como a crian&ccedil;a faz por meio do brincar, ao manipular    a realidade, criando "uma outra cena". E, tamb&eacute;m o analista,    pelo poder sens&iacute;vel da palavra, pode encontrar seu potencial de abertura    para as sensorialidades.</font></P>     <p><font size="3">Se "a ant&iacute;tese do brincar n&atilde;o &eacute; o    que &eacute; s&eacute;rio, mas o que &eacute; real", &eacute; apenas no    sentido de que a crian&ccedil;a investe intensamente na atividade l&uacute;dica,    e esse investimento transforma o brincar em algo "s&eacute;rio" para    ela, ao possibilitar a produ&ccedil;&atilde;o de um sentido singular para sua    experi&ecirc;ncia vital, o que tanto lhe agrada, como nos lembra Freud (5).    Ao lado da tend&ecirc;ncia perverso&#45;polimorfa infantil, as crian&ccedil;as podem    agir em suas brincadeiras como um poeta em rela&ccedil;&atilde;o a sua cria&ccedil;&atilde;o,    pois nelas incluem suas experi&ecirc;ncias de mundo numa nova ordem. </font></P>     <p><font size="3">O marco decisivo nas reflex&otilde;es freudianas &eacute; que    n&atilde;o h&aacute; destacamento entre o campo do jogo infantil &#150; bem como    o da onipot&ecirc;ncia da crian&ccedil;a &#150; e o da realidade, e &eacute; justamente    essa "conex&atilde;o" que distingue o brincar criativo na crian&ccedil;a    &#150; e a atividade art&iacute;stica &#150; do fantasiar neur&oacute;tico. </font></P>     <p><font size="3">Ao aprofundar o conceito de inconsciente, ao falar em aparelho    ps&iacute;quico, em <I>id</I>, <I>ego</I> e <I>superego</I>, Freud sempre utiliza    met&aacute;foras. Ele n&atilde;o menciona estruturas anat&ocirc;micas; em vez    disso, recorre a um processo de cria&ccedil;&atilde;o, influenciado por sua    paix&atilde;o pela literatura de fic&ccedil;&atilde;o, pois nela identifica    uma linguagem semelhante &agrave;quela envolvida na constitui&ccedil;&atilde;o    do psiquismo e do campo anal&iacute;tico: o afloramento do imagin&aacute;rio,    do universo on&iacute;rico e a emerg&ecirc;ncia da capacidade narrativa associativa,    em seus caminhos e descaminhos, que na tentativa psicanal&iacute;tica de representa&ccedil;&atilde;o    das experi&ecirc;ncias vividas, ao longo da hist&oacute;ria pelo paciente, s&atilde;o    produtores de sentido. O psicanalista, por sua vez, ao adotar, na sua escuta    e interpreta&ccedil;&atilde;o, uma atitude semelhante &#150; aten&ccedil;&atilde;o    flutuante &#150;, possibilita que o conte&uacute;do das fantasias, dos lapsos e dos    sonhos de seus pacientes possa adquirir sentido. &Eacute; a escuta da linguagem    em seu potencial <I>poi&eacute;tico</I>. O fasc&iacute;nio de Freud pela literatura    &#150; ele ser&aacute; agraciado, em 1930, com o pr&ecirc;mio Goethe (6), concedido    a personalidades j&aacute; firmadas cuja obra criadora fosse digna de uma honra    dedicada &agrave; mem&oacute;ria daquele escritor alem&atilde;o &#150;, tomada como    modelo de sua narrativa e da investiga&ccedil;&atilde;o da vida ps&iacute;quica,    &eacute; evidenciado tanto pela sua escrita ficcional dos historiais cl&iacute;nicos,    em que transparece a trama mito&#45;<I>poi&eacute;tica </I>que caracteriza o processo    psicanal&iacute;tico, como pelo seu contato com a obra liter&aacute;ria de v&aacute;rios    escritores que serviram de fonte inspiradora para o desenvolvimento de seu trabalho    te&oacute;rico&#45;cl&iacute;nico. </font></P>     <p><font size="3">Assim, devemos reconhecer em Freud, desde sempre, um leitor    de literatura de in&uacute;meros poetas e escritores que passeiam pelos por&otilde;es    da obscura alma humana &#150; chegando a considerar o estudo da literatura uma pe&ccedil;a    essencial do programa de forma&ccedil;&atilde;o dos analistas &#150;, bem como um    estudioso da obra de artistas os quais exerceram uma influ&ecirc;ncia determinante    em seu pensamento, em diversos momentos de sua obra, com o intuito de revelar    e reconhecer, por meio dessas investiga&ccedil;&otilde;es, suas descobertas    acerca do funcionamento ps&iacute;quico e a universalidade do inconsciente.    </font></P>     <p><font size="3">Na literatura, &eacute; o caso de S&oacute;focles, com a trag&eacute;dia    <I>&Eacute;dipo rei</I>, mote que Freud privilegiou para construir um dos pilares    da teoria psicanal&iacute;tica &#150; o complexo de &Eacute;dipo; de Dostoievski,    com <I>Os irm&atilde;os Karamazov</I>, cerne a partir do qual escreve <I>Dostoievski    e o parric&iacute;dio</I> (7); de Jensen e seu romance <I>Gradiva</I>, que lhe    serviu de inspira&ccedil;&atilde;o para seu primeiro estudo dedicado a uma obra    liter&aacute;ria, "Del&iacute;rio e sonhos na <I>Gradiva</I> de Jensen"    (8), em que apresenta um resumo da teoria dos sonhos, um esbo&ccedil;o da teoria    das neuroses e da a&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica da psican&aacute;lise,    e uma cr&iacute;tica &agrave; ci&ecirc;ncia psiqui&aacute;trica; de Hoffmann,    com <I>O homem da areia</I> (9), motor para o desenvolvimento da ideia de <I>unheimlich</I>;    das trag&eacute;dias de Shakespeare, como <I>Hamlet</I>, <I>O mercador de Veneza</I>,    <I>Rei Lear</I>, <I>Ricardo III</I> e a personagem Lady Macbeth (10); do dramaturgo    Ibsen, com a personagem Rebeca (11); de Homero, com <I>Ulysses</I>, e sua travessia,    em espiral, da terra natal para terras estrangeiras e seu retorno; de Dante,    entre outros. Nas artes pl&aacute;sticas, &eacute; o caso dos mestres do Renascimento    como Michelangelo, em que Freud realiza um estudo detalhado de sua escultura    "Mois&eacute;s" (12), num momento em que ele pr&oacute;prio estava    preocupado com os rumos da psican&aacute;lise, e como o extenso ensaio sobre    Leonardo da Vinci, <I>Uma lembran&ccedil;a de Leonardo da Vinci</I> (13), esbo&ccedil;o    para a teoria das puls&otilde;es e seus destinos, entre eles a sublima&ccedil;&atilde;o,    e para a teoria do narcisismo, e sua pintura <I>A Virgem, o menino Jesus e a Sant'Ana</I>, na qual Freud descobre a representa&ccedil;&atilde;o de "suas    duas m&atilde;es". </font></P>     <p><font size="3">Devemos tamb&eacute;m levar em considera&ccedil;&atilde;o toda    essa esp&eacute;cie de interlocutores, na tentativa de compreender como eles    orientaram o sentido do que Freud estava investigando, ao inserir os enunciados    dentro de um campo e de um contexto espec&iacute;ficos, e de atentarmos sobre    a inaugura&ccedil;&atilde;o de uma nova metodologia, que Freud foi obrigado    a adotar e que vai se distanciar radicalmente da abordagem pelo m&eacute;todo    das ci&ecirc;ncias positivas, dado que o objeto de sua investiga&ccedil;&atilde;o    era, por sua natureza, singular e fugidio.</font></P>     <p><font size="3">Em seu texto <I>O inconsciente</I> (14), Freud reafirma que    podemos perceber com certa facilidade as nossas emo&ccedil;&otilde;es, mas que    possu&iacute;mos sentimentos a respeito dos quais nada, ou pouco, conhecemos.    Num registro est&eacute;tico, podemos entrar em &ecirc;xtase diante de uma obra,    quer seja um filme, uma m&uacute;sica, um quadro, um romance, uma conversa etc    &#150; tomados por uma emo&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica &#150;, por&eacute;m o sentimento    est&eacute;tico s&oacute; emergir&aacute; ap&oacute;s um processo de elabora&ccedil;&atilde;o    acerca do significado de uma dada obra para cada observador.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Na finaliza&ccedil;&atilde;o de seu texto "Os caminhos    da forma&ccedil;&atilde;o dos sintomas" (15), Freud chama a aten&ccedil;&atilde;o    para um aspecto da vida de fantasia que julga ser merecedor do nosso mais amplo    interesse: "a exist&ecirc;ncia de um caminho de retorno da fantasia &agrave;    realidade &#150; isto &eacute;, o caminho da arte". Para ele, um verdadeiro    artista logra encontrar o caminho de retorno &agrave; realidade, pois, ao dar    forma a seus devaneios, possibilita que outros compartilhem do prazer que se    pode obter das fantasias inconscientes ali contidas. Assim, o artista, pela    faculdade da sublima&ccedil;&atilde;o, vai modificar a realidade para obter    <I>nela</I> o que lhe fora negado por ela. Nota&#45;se a sutileza de Freud ao descrever    a criatividade art&iacute;stica. O artista n&atilde;o usa apenas a fantasia    como meio de dobrar a realidade aos seus desejos. Ele obt&eacute;m o ressarcimento    da realidade, ao dilatar as fronteiras da moral e convidar outros a se candidatarem,    livre e espontaneamente, &agrave; forma de prazer rec&eacute;m&#45;inventada &#150; realidade    compartilhada. "N&atilde;o se trata, portanto, de tomar, em momento algum,    a 'transgress&atilde;o moral' como n&uacute;cleo da cria&ccedil;&atilde;o. A    arte &eacute; um meio, legitimado pela moral dominante, de se gozar com aquilo    que seria proibido, caso fosse exposto na sua nudez pulsional, ou, no conte&uacute;do    excessivamente idiossincr&aacute;tico, particular a cada sujeito. O artista    &#150; modelo do criador para Freud &#150;, reinventa novas formas de gozo de acordo com    as regras morais e n&atilde;o contra elas" (16) ou, dito de outro modo,    a transgress&atilde;o, em sua dimens&atilde;o simb&oacute;lica, &eacute; criadora.</font></P>     <p><font size="3">A sublima&ccedil;&atilde;o, um dos poss&iacute;veis destinos    da puls&atilde;o, &eacute;, sobretudo, um modo de satisfazer as puls&otilde;es    sexuais polimorfas atrav&eacute;s do desvio do alvo e do objeto sexual em dire&ccedil;&atilde;o    a novos alvos, ligados, principalmente, &agrave;s atividades art&iacute;sticas,    conforme Freud nos informa em <I>Os instintos e suas vicissitudes</I> (17).    Ao lado dessa ideia, refere&#45;se, tamb&eacute;m, &agrave; sublima&ccedil;&atilde;o    como inibi&ccedil;&atilde;o no que se refere ao alvo. Em ambas as situa&ccedil;&otilde;es,    a sublima&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica indicaria a maneira pela qual a energia    sexual seria dessexualizada e colocada a servi&ccedil;o do eu; o que permite    a transforma&ccedil;&atilde;o da libido em realiza&ccedil;&atilde;o social.    Assim, renunciamos &agrave;s nossas pervers&otilde;es, mas podemos reviv&ecirc;&#45;las    por meio da arte. A conhecida frase de Dostoievski, ep&iacute;grafe deste texto    &#150; de que "a beleza salvar&aacute; o mundo" &#150;, contida em seu livro    <I>O idiota</I> (18), pode ser aqui evocada como a revela&ccedil;&atilde;o de    uma profunda intui&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica acerca do destino do homem.</font></P>     <p><font size="3">&Eacute; notadamente a partir da formula&ccedil;&atilde;o do    conceito de puls&atilde;o de morte, em <I>Al&eacute;m do princ&iacute;pio do    prazer</I> (19), que Freud radicaliza a problem&aacute;tica da cria&ccedil;&atilde;o,    ao afirmar que os sintomas (compuls&atilde;o a repeti&ccedil;&atilde;o e imperativo    do gozo) se instalam nas situa&ccedil;&otilde;es em que a intensidade da puls&atilde;o    de morte, dessexualizada, n&atilde;o puder alcan&ccedil;ar express&atilde;o    criativa.</font></P>     <p><font size="3">Podemos afirmar, portanto, que o <I>ethos </I>civilizat&oacute;rio    n&atilde;o se sustenta, necessariamente, na repress&atilde;o da sexualidade,    e sim no impedimento da cria&ccedil;&atilde;o erotizante de estilos de exist&ecirc;ncia    singulares. A pr&aacute;tica psicanal&iacute;tica, por seu turno, potencializa    a emerg&ecirc;ncia de processos criativos nas subjetividades sofrentes, comprometidas    na sua capacidade expressiva.</font></P>     <p><font size="3">No outono de 1927, em "O futuro de uma ilus&atilde;o",    Freud, mais uma vez, foca a relev&acirc;ncia de sua abordagem na conex&atilde;o    fundamental entre a arte e o processo civilizat&oacute;rio: "Como j&aacute;    descobrimos h&aacute; muito tempo, a arte oferece satisfa&ccedil;&otilde;es    substitutivas para as mais antigas e mais profundamente sentidas ren&uacute;ncias    culturais, e, por esse motivo, ela serve, como nenhuma outra coisa, para reconciliar    o homem com os sacrif&iacute;cios que tem de fazer em benef&iacute;cio da civiliza&ccedil;&atilde;o.    Por outro lado, as cria&ccedil;&otilde;es da arte elevam seus sentimentos de    identifica&ccedil;&atilde;o, de que toda unidade cultural carece tanto, proporcionando    uma ocasi&atilde;o para a partilha de experi&ecirc;ncias emocionais altamente    valorizadas. E quando essas cria&ccedil;&otilde;es retratam as realiza&ccedil;&otilde;es    de sua conduta espec&iacute;fica e lhe trazem &agrave; mente os ideais dela    de maneira impressiva, contribuem tamb&eacute;m para sua satisfa&ccedil;&atilde;o    narc&iacute;sica" (20). Por&eacute;m, &eacute; poss&iacute;vel identificar    certos momentos da obra de Freud em que ele deixa transparecer uma rela&ccedil;&atilde;o    de clandestinidade, e at&eacute; mesmo de relut&acirc;ncia e ambival&ecirc;ncia,    ao convocar as artes para participar de seu corpo te&oacute;rico. &Eacute; o    caso do texto acima, que trata da religi&atilde;o como uma ilus&atilde;o, permeado    de floreios de um poema de Heine, enviado ao poeta e interlocutor Romain Rolland    que, numa carta&#45;resposta, endere&ccedil;ada a Freud em 5 de dezembro de 1927,    discutir&aacute; o sentimento oce&acirc;nico. Entretanto, essa liga&ccedil;&atilde;o    s&oacute; ser&aacute; revelada por Freud, em <I>O mal&#45;estar na civiliza&ccedil;&atilde;o</I>,    seu pr&oacute;ximo texto, em que ele confessa: "N&atilde;o necessito mais    esconder o fato de que o amigo mencionado no texto &eacute; Romain Rolland"    (21). A correspond&ecirc;ncia entre ambos prosseguir&aacute; e posteriormente,    numa carta aberta a Romain Rolland, em janeiro de 1936 (22), por ocasi&atilde;o    de seu septuag&eacute;simo anivers&aacute;rio, Freud retomar&aacute; e expandir&aacute;,    com o amigo, o epis&oacute;dio de seu dist&uacute;rbio de mem&oacute;ria na    Acr&oacute;pole, por ele experimentado em 1904 e sobre o qual fizera uma breve    alus&atilde;o dez anos antes, tamb&eacute;m em "O futuro de uma ilus&atilde;o".    Nesta carta Freud se refere aos sentimentos de desrealiza&ccedil;&atilde;o e    despersonaliza&ccedil;&atilde;o conectados intimamente ao sentimento de culpa.</font></P>     <p><font size="3">A partir de <I>O mal&#45;estar na civiliza&ccedil;&atilde;o</I>,    Freud sela definitivamente a amizade da psican&aacute;lise com as artes. Podemos    evocar que, outrora, identificado com Crist&oacute;v&atilde;o Colombo, j&aacute;    havia admitido a Fliess: "N&atilde;o sou um homem de ci&ecirc;ncia, sou,    por temperamento, um conquistador". E, mais uma vez, embeleza seu texto    com diversas refer&ecirc;ncias e cita&ccedil;&otilde;es de versos e poemas de    amigos poetas e escritores, como Heine, Goethe, Voltaire, Schiller, Mark Twain,    Shakespeare, entre outros, os quais, ao trazerem &agrave; luz as verdades mais    soturnas e rec&ocirc;nditas da alma humana, fornecem met&aacute;foras para o    trabalho psicanal&iacute;tico e acesso privilegiado &agrave; cria&ccedil;&atilde;o    transformadora, na medida em que ampliam os horizontes ps&iacute;quicos e engendram    novas significa&ccedil;&otilde;es. Nessa &eacute;poca, o movimento surrealista    &#150; e n&atilde;o a literatura m&eacute;dica &#150;, que se desenvolve de forma independente,    servir&aacute; de solo fecundo para a implanta&ccedil;&atilde;o das ideias freudianas    na Fran&ccedil;a, em especial, a de pot&ecirc;ncia destrutiva, elaborada por    Freud em <I>O mal&#45;estar na civiliza&ccedil;&atilde;o</I>. A sedu&ccedil;&atilde;o    da morte, o culto ao suic&iacute;dio que perpassam o texto po&eacute;tico no    surrealismo, desde sua origem, encontrar&atilde;o equival&ecirc;ncia no conceito    elaborado por Freud, favorecendo seu reconhecimento (23).</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n2/a09img02.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Na cl&iacute;nica psicanal&iacute;tica, S&aacute;ndor Ferenczi    (24) destaca&#45;se como um dos pioneiros a nos convidar a conceber o contexto anal&iacute;tico    como um dispositivo est&eacute;tico facilitador de processos criativos. Do seu    ponto de vista, a dimens&atilde;o est&eacute;tica da cl&iacute;nica &eacute;    enfatizada por um certo "modo de estar" do psicanalista no encontro    com o seu paciente que envolveria a necessidade de uma flexibilidade t&eacute;cnica    ao sugerir aten&ccedil;&atilde;o para o "tato" &#150; exerc&iacute;cio    da sensibilidade na cl&iacute;nica. Para esse autor, "o tato &eacute; a    faculdade de 'sentir com' (<I>Einf&uuml;hlung</I>)" &#150; um encontro afetivo    compartilhado em que os modos de produ&ccedil;&atilde;o de sentidos na cl&iacute;nica    decorrem do que &eacute; experimentado, afetivamente, pela dupla &#150; a&iacute;    inclu&iacute;da a experi&ecirc;ncia emocional do analista, mergulhado no contato    com seu paciente. Ferenczi real&ccedil;a que sujeito e objeto, na experi&ecirc;ncia    anal&iacute;tica, s&atilde;o definitivamente insepar&aacute;veis, num exerc&iacute;cio    de afeta&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; interpreta&ccedil;&atilde;o    psicanal&iacute;tica, tamb&eacute;m sabemos que ela n&atilde;o &eacute; apenas    a revela&ccedil;&atilde;o de um sentido oculto, mas a cria&ccedil;&atilde;o,    pela dupla, de um sentido ausente, a inven&ccedil;&atilde;o de um sentido que    permaneceu em sofrimento. Criar &eacute; abrir descontinuidades no fluxo da    linguagem, propiciando o assombro e instaurando uma imagem in&eacute;dita poss&iacute;vel,    uma significa&ccedil;&atilde;o in&eacute;dita poss&iacute;vel. Fa&ccedil;amos    um paralelo entre a constru&ccedil;&atilde;o da interpreta&ccedil;&atilde;o    e a cria&ccedil;&atilde;o do gesto arquitet&ocirc;nico: "De um tra&ccedil;o    nasce a arquitetura. E quando ele &eacute; bonito e cria surpresa, ela pode    atingir, sendo bem conduzida, o n&iacute;vel superior de uma obra de arte".    Nessa linguagem po&eacute;tica e metaf&oacute;rica, o arquiteto Oscar Niemeyer    define o que lhe parece ser o alicerce da arquitetura &#150; a surpresa como obra    de arte, assim como na cl&iacute;nica psicanal&iacute;tica. E, &eacute; no registro    do "tra&ccedil;o" &#150; mn&ecirc;mico &#150;, enquanto talha no corpo, que    o psicanalista Pierre F&eacute;dida (25) nos diz que a escritura n&atilde;o    &eacute; s&oacute; a escritura da palavra, &eacute; a escritura no pr&oacute;prio    corpo, como marca de inscri&ccedil;&atilde;o e de re&#45;transcri&ccedil;&atilde;o    ps&iacute;quica cont&iacute;nua, caracterizando a dimens&atilde;o <I>poi&eacute;tica    </I>da linguagem em seu sentido de revela&ccedil;&atilde;o. </font></P>     <p><font size="3">Donald Winnicott (26) abra&ccedil;a fortemente a ideia de criatividade    e idealiza o desenvolvimento anal&iacute;tico como o restabelecimento de um    "modo de vida criativo". Para ele, a criatividade &eacute; "inerente    ao fato de viver", mas sua realiza&ccedil;&atilde;o depende de um ambiente    materno propiciador de objetos transicionais. Com esses dois elementos a crian&ccedil;a    se capacita a brincar &#150; atividade criativa infantil, por excel&ecirc;ncia &#150;    e, quando adulta, a substituir os objetos e situa&ccedil;&otilde;es da inf&acirc;ncia    pela produ&ccedil;&atilde;o da arte, religi&atilde;o ou ci&ecirc;ncia. No entanto,    ele esclarece que a criatividade n&atilde;o corresponde necessariamente a "cria&ccedil;&atilde;o    de obras de arte". Na cl&iacute;nica psicanal&iacute;tica, ele enfatiza    a sobreposi&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas do brincar do analisando e do    analista como ambiente propiciador de uma experi&ecirc;ncia ilus&oacute;ria    da onipot&ecirc;ncia, a partir da qual o sentido de realidade pode emergir.    Foi ele quem teceu os fios da trama entre ilus&atilde;o, criatividade e realidade.    Com Winnicott aprendemos que a ilus&atilde;o &eacute; aquilo que permite a passagem    da natureza para a cultura. </font></P>     <p><font size="3">Hoje em dia, &eacute; mister tratar das crian&ccedil;as por    meio da psican&aacute;lise. Admite&#45;se que a crian&ccedil;a se exprime brincando    e desenhando, e que fornece assim um texto t&atilde;o analis&aacute;vel como    as "associa&ccedil;&otilde;es livres" de um paciente adulto. Essa    compara&ccedil;&atilde;o &eacute; ainda mais facilmente aceita porque o jogo    e o desenho s&atilde;o comumente o ponto de partida de associa&ccedil;&otilde;es    verbais, compar&aacute;veis &agrave;quelas que se seguem ao relato de um sonho.    </font></P>     <p><font size="3">Mais recentemente, em seu livro&#45;ensaio<I> A apreens&atilde;o    do belo</I>, Donald Meltzer (27) convocou a soberania da crian&ccedil;a ao afirmar    que, para ela, o sentimento de beleza surge em decorr&ecirc;ncia de sua percep&ccedil;&atilde;o    da m&atilde;e capaz de compreend&ecirc;&#45;la, indicando&#45;nos assim os prim&oacute;rdios    do sentimento de frui&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica. </font></P>     <p><font size="3">A conex&atilde;o entre psican&aacute;lise e arte tem sido objeto    de uma multiplicidade de concep&ccedil;&otilde;es que desembocam em diversas    formas de aproxima&ccedil;&atilde;o. Esperamos que as fronteiras criativas do    pensamento psicanal&iacute;tico e da arte possam conviver e funcionar como passagens.    Este N&uacute;cleo Tem&aacute;tico se prop&otilde;e a apresentar um recorte    de algumas poss&iacute;veis conex&otilde;es, com o intuito de pensarmos criticamente    sobre as dimens&otilde;es cient&iacute;fica e est&eacute;tica da psican&aacute;lise.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><i><b>Jassanan Amoroso Dias Pastore</b> &eacute; psicanalista,    membro efetivo da Sociedade Brasileira de Psican&aacute;lise de S&atilde;o Paulo    e do Departamento de Psican&aacute;lise do Instituto Sedes Sapientiae. Atual    editora da </i>Revista ide: psican&aacute;lise e cultura,<i> publica&ccedil;&atilde;o    da Sociedade Brasileira de Psican&aacute;lise de S&atilde;o Paulo. </i></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">1.  Freud, S. (1895). Estudos sobre a histeria. In: S. Freud,    <I>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras psicol&oacute;gicas de    Sigmund Freud</I> (J. Salom&atilde;o, trad., Vol. 2, p.11&#45;309). Rio de Janeiro:    Imago. p.209. 1974.     </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">2.  Lima, L. C. <I>Sociedade e discurso ficcional</I>. Rio    de Janeiro: Ed. Guanabara. 1986.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">3.  Masson, J. M. <I>A correspond&ecirc;ncia completa de    Sigmund Freud para Wilheim Fliess 1887&#45;1904</I>. Rio de Janeiro: Imago. 1986.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">4.  Freud, S. (1908). "Escritores criativos e devaneios".    In: S. Freud, <I>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras psicol&oacute;gicas    de Sigmund Freud</I> (J. Salom&atilde;o, trad., Vol. 9, p.145&#45;158). Rio de Janeiro:    Imago. 1974.     </font></P>     <p><font size="3">5.  Ibidem, p.149. </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">6.  Freud, S. (1930). "O pr&ecirc;mio Goethe".    In: S. Freud, <I>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras psicol&oacute;gicas    de Sigmund Freud</I> (J. Salom&atilde;o, trad., Vol. 21, p.238&#45;247). Rio de    Janeiro: Imago. 1974.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">7.  Freud, S. (1927). "Dostoievski e o parric&iacute;dio".    In: S. Freud, <I>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras psicol&oacute;gicas    de Sigmund Freud</I> (J. Salom&atilde;o, trad., Vol. 21, p.203&#45;223). Rio de    Janeiro: Imago. 1974.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">8.  Freud, S. (1906). "Del&iacute;rios e sonhos na <I>Gradiva</I>    de Jensen". In: S. Freud, <I>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras psicol&oacute;gicas de Sigmund Freud</I> (J. Salom&atilde;o, trad.,    Vol. 9, p.17&#45;95). Rio de Janeiro: Imago. 1974.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">9.  Freud, S. (1919). "O estranho". In: S. Freud,    <I>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras psicol&oacute;gicas de    Sigmund Freud</I> (J. Salom&atilde;o, trad., Vol. 17, p.273&#45;314). Rio de Janeiro:    Imago. 1974.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">10.  Nunes, Eustachio P. <I>Freud e Shakespeare</I>. Rio    de Janeiro: Imago. 1989.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">11.  Freud, S. (1916). "Alguns tipos de car&aacute;ter    encontrados no trabalho psicanal&iacute;tico, 2: Os arruinados pelo &ecirc;xito".    In: S. Freud, <I>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras psicol&oacute;gicas    de Sigmund Freud</I> (J. Salom&atilde;o, trad., Vol. 14, p.357&#45;374). Rio de    Janeiro: Imago. 1974.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">12.  Freud, S. (1939). "Mois&eacute;s e o monote&iacute;smo".    In: S. Freud, <I>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras psicol&oacute;gicas    de Sigmund Freud</I> (J. Salom&atilde;o, trad., Vol. 23, p.16&#45;167). Rio de Janeiro:    Imago. 1974.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">13.  Freud, S. (1910). "Leonardo da Vinci e uma lembran&ccedil;a    da sua inf&acirc;ncia". In: S. Freud, <I>Edi&ccedil;&atilde;o standard    brasileira das obras psicol&oacute;gicas de Sigmund Freud</I> (J. Salom&atilde;o,    trad., Vol. 10, p. 53&#45;124). Rio de Janeiro: Imago. 1974.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">14.  Freud, S. (1915). "O inconsciente". In: S.    Freud, <I>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras psicol&oacute;gicas    de Sigmund Freud</I> (J. Salom&atilde;o, trad., Vol. 14, p.185&#45;245). Rio de    Janeiro: Imago. 1974.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">15.  Freud, S. (1916&#45;1917). "Os caminhos da forma&ccedil;&atilde;o    dos sintomas". In: S. Freud, <I>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira    das obras psicol&oacute;gicas de Sigmund Freud</I> (J. Salom&atilde;o, trad.,    Vol. 16, p.419&#45;439). Rio de Janeiro: Imago. p.438. 1974.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">16.  Costa, J. F. <I>O risco de cada um</I>. Rio de Janeiro:    Garamond. p.88. 2007.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">17.  Freud, S. (1915). "Os instintos e suas vicissitudes".    In: S. Freud, <I>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras psicol&oacute;gicas    de Sigmund Freud</I> (J. Salom&atilde;o, trad., Vol.14, p.137&#45;168). Rio de Janeiro:    Imago. 1974.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">18.  Dostoievski, F. (1868). <I>O idiota</I>. S&atilde;o    Paulo: Martin Claret. 2007.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">19.  Freud, S. (1920). "Al&eacute;m do princ&iacute;pio    do prazer". In: S. Freud, <I>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das    obras psicol&oacute;gicas de Sigmund Freud</I> (J. Salom&atilde;o, trad., Vol.    18 p.17&#45;90). Rio de Janeiro: Imago. 1974.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">20.  Freud, S. (1927). "O futuro de uma ilus&atilde;o".    In: S. Freud, <I>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras psicol&oacute;gicas    de Sigmund Freud</I> (J. Salom&atilde;o, trad., Vol. 21, p.15&#45;82). Rio de Janeiro:    Imago. p.25. 1974.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">21.  Freud, S. (1930). "O mal&#45;estar na civiliza&ccedil;&atilde;o".    In: S. Freud, <I>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras psicol&oacute;gicas    de Sigmund Freud</I> (J. Salom&atilde;o, trad., Vol. 21, p.81&#45;171). Rio de Janeiro:    Imago. p.82. 1974.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">22.  Freud, S. (1936). "Um dist&uacute;rbio de mem&oacute;ria    na Acr&oacute;pole". In: S. Freud, <I>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira    das obras psicol&oacute;gicas de Sigmund Freud</I> (J. Salom&atilde;o, trad.,    Vol. 22, p.291&#45; 303). Rio de Janeiro: Imago. 1974.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">23.  Azambuja. S. C. "Bu&ntilde;uel: O surrealismo a    servi&ccedil;o da psican&aacute;lise". <I>Revista ide</I>, vol.32, p.70&#45;74.    2000.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">24.  Ferenczi, S. (1928). "A elasticidade da t&eacute;cnica    psicanal&iacute;tica". In: S. Ferenczi, <I>Obras completas</I>: <I>psican&aacute;lise    4</I> (p.25&#45;36). S&atilde;o Paulo: Martins Fonte. p.27. 1992.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">25.  F&eacute;dida, P. <I>Nome, figura e mem&oacute;ria</I>.    S&atilde;o Paulo: Escuta. 1992.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">26. Winnicott, D. <I>O brincar e a realidade</I>. Rio de    Janeiro: Imago. 1975.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">27.  Meltzer, D. &amp; Williams, M. H. <I>A apreens&atilde;o    do belo</I>. Rio de Janeiro: Imago. 1995.</font> ]]></body><back>
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