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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Arte contemporânea, crítica de arte e psicanálise: Louise Bourgeois, um desafio interdisciplinar]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n2/artigos.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>ARTE CONTEMPOR&Acirc;NEA, CR&Iacute;TICA DE ARTE E PSICAN&Aacute;LISE:    LOUISE BOURGEOIS, UM DESAFIO INTERDISCIPLINAR</b></font></P>     <P><font size="3"><b>Jo&atilde;o A. Frayze&#45;Pereira</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size=5><b>N</b></font><font size="3">a introdu&ccedil;&atilde;o a um    livro recentemente publicado sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre inconsciente    e cultura, Michael Rustin observa que, se comparada &agrave; pr&aacute;tica    da cr&iacute;tica de arte, a maneira pela qual os artistas se aproximam do inconsciente    &eacute; singular. Afastados da cl&iacute;nica e da perspectiva acad&ecirc;mica,    pois baseados nos seus pr&oacute;prios esfor&ccedil;os para registrar os aspectos    perturbadores da vida mental, emergentes na sua pr&aacute;tica, tais artistas    contribuem, ainda que n&atilde;o intencionalmente, para refor&ccedil;ar a dist&acirc;ncia    existente entre aqueles profissionais que praticam a psican&aacute;lise a partir    de uma forma&ccedil;&atilde;o te&oacute;rico&#45;acad&ecirc;mica e os que a realizam    baseados em sua pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia, seja ela cl&iacute;nica ou    n&atilde;o. Escreve Rustin: "artistas criativos podem sentir que respondem    &agrave; natureza n&atilde;o&#45;convencional do pr&oacute;prio inconsciente, relutando    para codificar ou teorizar aquilo que eles fazem. De qualquer modo, h&aacute;    uma oposi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o muito saud&aacute;vel, presente em nossa    sociedade, entre aqueles que realizam um trabalho imaginativo (…) e aqueles    que aprendem a analisar tal trabalho e a critic&aacute;&#45;lo nas escolas e universidades.    O hiato, formado entre a discuss&atilde;o acad&ecirc;mica acerca da psican&aacute;lise    e o engajamento imaginativo com os fen&ocirc;menos inconscientes, &eacute; apenas    parte da dist&acirc;ncia maior que existe entre a cr&iacute;tica acad&ecirc;mica    e a produ&ccedil;&atilde;o criativa em muitos campos da pr&aacute;tica cultural    contempor&acirc;nea" (1). </font></P>     <p><font size="3">Nesta &uacute;ltima d&eacute;cada, entretanto, tivemos a oportunidade    de visitar alguns museus de arte moderna e contempor&acirc;nea, em Paris e em    Nova York, assim como algumas galerias e grandes exposi&ccedil;&otilde;es de    arte contempor&acirc;nea, em S&atilde;o Paulo, em Lyon e em Veneza, observando    uma tend&ecirc;ncia que problematiza essa dist&acirc;ncia e confirma o que alguns    cr&iacute;ticos chamam de "hibridismo da atual produ&ccedil;&atilde;o da    arte". Na apresenta&ccedil;&atilde;o de um livro atual sobre arte contempor&acirc;nea    brasileira, com efeito, l&ecirc;&#45;se: "A arte de hoje representa o pr&oacute;prio    curto&#45;circuito da representa&ccedil;&atilde;o em uma produ&ccedil;&atilde;o    incessante de imagens. Os artistas produzem uma imagem que n&atilde;o &eacute;    sua, que &eacute; imagem de imagens, e os cr&iacute;ticos procuram atingir essa    profus&atilde;o de imagens na constru&ccedil;&atilde;o de outras imagens&#45;texto,    textos&#45;imagem. (…) Somos todos, afinal, construtores da arte contempor&acirc;nea.    (…) A obra contempor&acirc;nea trama em uma s&oacute; rede descentrada artistas,    cr&iacute;ticos e espectadores em um deslocamento cont&iacute;nuo de fun&ccedil;&otilde;es    e posi&ccedil;&otilde;es que tornam h&iacute;brida a atual produ&ccedil;&atilde;o    da arte" (2). E, no tocante &agrave; psican&aacute;lise, tal tend&ecirc;ncia    ao hibridismo revela&#45;se com a presen&ccedil;a de textos cr&iacute;ticos, psicanaliticamente    orientados, nos cat&aacute;logos ou nos pain&eacute;is que costumam integrar    os pr&oacute;prios espa&ccedil;os expositivos, textos que, se n&atilde;o questionam    a dist&acirc;ncia entre academia e cl&iacute;nica, p&otilde;em em pr&aacute;tica    o que Freud, j&aacute; em 1910, criticamente denominou "psican&aacute;lise    silvestre'" <I>('Wilde' psychoanalyse</I>) (3). E diante dessa constata&ccedil;&atilde;o,    cabe uma pergunta: o que a psican&aacute;lise tem a oferecer &agrave;s artes,    considerando que estas, na condi&ccedil;&atilde;o de obras de cultura, resistem    &agrave; padroniza&ccedil;&atilde;o e ao reducionismo dos discursos sobre elas    proferidos, ainda que inteligentes? </font></P>     <p><font size="3">Diferentemente da cr&iacute;tica moderna da arte em suas fun&ccedil;&otilde;es    descritiva, po&eacute;tica e metaf&iacute;sica, na vertente inaugurada por Charles    Baudelaire que p&otilde;e o cr&iacute;tico como mediador entre p&uacute;blico    e artistas (4), a psican&aacute;lise n&atilde;o chega &agrave;s obras sabendo    o que s&atilde;o, segundo valores est&eacute;ticos pr&eacute;&#45;estabelecidos,    para interpret&aacute;&#45;las, para qualific&aacute;&#45;las ou desqualific&aacute;&#45;las,    em suma, para legitim&aacute;&#45;las como arte. O discurso propriamente psicanal&iacute;tico    n&atilde;o &eacute; normativo e a psican&aacute;lise n&atilde;o &eacute; psicologia.    A psican&aacute;lise verdadeiramente interessada na arte, psican&aacute;lise    implicada como a entendemos (5), ao se guiar pela demanda das obras, abre&#45;se    ao trabalho dos artistas para atingir uma via de acesso a si pr&oacute;pria    como saber que se revela uma experi&ecirc;ncia intermin&aacute;vel da interroga&ccedil;&atilde;o.    Nesse sentido, o trabalho do artista oferece ao psicanalista &#150; sujeito que n&atilde;o    se comunica com o mundo pela linguagem pl&aacute;stica, isto &eacute; pintura,    escultura, fotografia… &#150; um pensamento encarnado, isto &eacute;, o pensamento    como "a experi&ecirc;ncia do que se pensa em n&oacute;s quando pensamos"    (6). No campo das artes, essa experi&ecirc;ncia &eacute; o que a obra suscita    no espectador como perturba&ccedil;&atilde;o. O campo das obras de arte, como    sabemos, &eacute; amb&iacute;guo e lacunar, e em sua indetermina&ccedil;&atilde;o    encontra&#45;se a destina&ccedil;&atilde;o para o outro, para o ausente, a contrapartida    do vis&iacute;vel que nele est&aacute; inscrito secretamente; campo que &eacute;    um abismo de sentidos cuja pregn&acirc;ncia toma de assalto o espectador, mobilizado    por estranhamento e vertigem. Ora, &eacute; justamente essa abertura radical    que tamb&eacute;m marca o trabalho reflexivo do psicanalista como inicia&ccedil;&atilde;o    aos segredos do mundo. No entanto, o contato com a psican&aacute;lise apenas    atrav&eacute;s dos livros pode levar o cr&iacute;tico a fazer sobrevoos conceituais    e a cair na rede confort&aacute;vel das representa&ccedil;&otilde;es abstratas,    cognitivamente anest&eacute;sicas e emocionalmente indolores, que o levam a    se afastar da psican&aacute;lise e a perder de vista a pr&oacute;pria arte.    &Eacute;, ent&atilde;o, a sua experi&ecirc;ncia como perspectiva encarnada o    melhor que o psicanalista tem a oferecer &agrave; cr&iacute;tica contempor&acirc;nea    da arte, mais interessada em participar das situa&ccedil;&otilde;es propostas    pelos artistas do que em dar legibilidade ou legitimidade a elas. Mas isso n&atilde;o    &eacute; tudo, pois diante dessa maneira contempor&acirc;nea da arte, cabe perguntar    n&atilde;o s&oacute; o que a psican&aacute;lise tem a oferecer a ela, mas o    que pode finalmente receber dela. H&aacute; casos em que a arte prop&otilde;e    &agrave; psican&aacute;lise quest&otilde;es que desafiam as categorias existentes,    obrigando o int&eacute;rprete a ter que repensar seus conceitos para elaborar    um novo modo de abordar o objeto. E, mais do que isso, ao propor &agrave; cr&iacute;tica    a quest&atilde;o do seu pr&oacute;prio lugar junto &agrave;s obras, pois a fun&ccedil;&atilde;o    cr&iacute;tica acaba sendo incorporada por elas, a pr&oacute;pria arte, curiosamente,    pode criar certa proximidade entre a cr&iacute;tica de arte e a psican&aacute;lise.    </font></P>     <p><font size="3">Um exemplo que permitir&aacute; visualizar essa aproxima&ccedil;&atilde;o    entre arte, cr&iacute;tica e psican&aacute;lise, &eacute; dado pela obra da    francesa Louise Bourgeois (7). Contando com mais de sessenta anos de projeto    art&iacute;stico produtivo, na 51ª Bienal de Veneza (8), essa artista marcou    presen&ccedil;a com um conjunto de esculturas enigm&aacute;ticas nas quais a    espiral &eacute; a forma predominante. Tal forma, segundo a artista, possui    duas dire&ccedil;&otilde;es: a conc&ecirc;ntrica significa o medo de perder    o controle, o terror do desaparecimento; e a exc&ecirc;ntrica, a afirma&ccedil;&atilde;o    de si, a energia positiva. Tais esculturas sugerem que o ser se move em ambas    as dire&ccedil;&otilde;es e que na arte, como na vida, n&atilde;o h&aacute;    um caminho linear a seguir para atingir o sentido. Essa ideia marca todo o percurso    da artista, feito segundo o duplo movimento de concentra&ccedil;&atilde;o/expans&atilde;o    entre obra e vida. Como ela declarou: "Minha inf&acirc;ncia jamais perdeu    a sua magia, o seu mist&eacute;rio, o seu drama. Tudo o que produzo inspira&#45;se    nos meus primeiros anos de vida" (9). </font></P>     <p><font size="3">Em S&atilde;o Paulo, Louise Bourgeois est&aacute; presente no    Museu de Arte Moderna com uma obra que j&aacute; ficou famosa &#150; uma escultura    em bronze, uma aranha que ocupa in&uacute;meros espa&ccedil;os p&uacute;blicos    do mundo todo. Trata&#45;se de uma esp&eacute;cie de homenagem simultaneamente globalizada    e singular &agrave; m&atilde;e da artista, que faleceu quando esta era muito    jovem, pois o nome da pe&ccedil;a n&atilde;o &eacute; aranha, mas justamente    <I>Maman</I>.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Sobre sua obra, a artista tem o costume de fazer anota&ccedil;&otilde;es,    detalhando impress&otilde;es e lembran&ccedil;as do seu processo construtivo    (10). Sobre <I>Maman</I>, escreveu o seguinte: "Minha m&atilde;e era deliberadamente    paciente, inteligente, razo&aacute;vel, sutil, calmante, delicada, indispens&aacute;vel,    limpa e &uacute;til como uma aranha…" (11). Podemos pensar que h&aacute;    certa ironia fina nesse depoimento, considerando at&eacute; que ponto as caracter&iacute;sticas    enunciadas s&atilde;o compat&iacute;veis com os monstros criados pela artista,    expostos nos locais p&uacute;blicos. Quer dizer, Louise engrandece sua m&atilde;e    com a poderosa figura da aranha. A pe&ccedil;a maior inclui um saco com ovos    sob o abd&ocirc;men, noutras pe&ccedil;as os ovos foram esculpidos em m&aacute;rmore    polido, material que lhes confere a qualidade de j&oacute;ias. Tais detalhes    podem dar uma ideia de que fam&iacute;lia e maternidade s&atilde;o quest&otilde;es    importantes para essa artista… Mas ela narra a hist&oacute;ria de sua fam&iacute;lia    como um romance que come&ccedil;a assim: "Fui criada num ambiente familiar    disfuncional e prom&iacute;scuo, no qual ningu&eacute;m falava sobre sexo. Superficialmente,    o sexo n&atilde;o existia. Mas, na verdade, n&atilde;o se pensava em outra coisa.    Meu pai dormia com qualquer uma, inclusive Sadie, a tutora inglesa que morava    em nossa casa" (12).</font></P>     <p><font size="3">Louise nasceu em Paris, em 1911, e vive em Nova York h&aacute;    muitos anos. Sua fam&iacute;lia possu&iacute;a e operava uma empresa de tape&ccedil;aria,    o que permite fazer analogias entre o tear das tecel&atilde;s, inclusive o de    sua m&atilde;e, e as teias e as aranhas que povoam sua obra. Em suas narrativas    autobiogr&aacute;ficas, a artista indica que a dor serviu de mat&eacute;ria    para a sua po&eacute;tica. A esse respeito, diz: "N&atilde;o se pode negar    a exist&ecirc;ncia das dores. N&atilde;o proponho rem&eacute;dios ou desculpas.    Simplesmente quero olhar para elas e falar sobre elas. Sei que n&atilde;o posso    fazer nada para elimin&aacute;&#45;las ou suprimi&#45;las. N&atilde;o sou capaz de faz&ecirc;&#45;las    desaparecer; elas est&atilde;o a&iacute; para sempre (…). O tema da dor &eacute;    meu campo de trabalho. Dar significado e forma &agrave; frustra&ccedil;&atilde;o    e ao sofrimento. O que acontece com meu corpo tem de receber uma forma abstrata    e formal. Ent&atilde;o, pode&#45;se dizer que a dor &eacute; o pre&ccedil;o pago    pela liberta&ccedil;&atilde;o do formalismo" (13). </font></P>     <p><font size="3">S&atilde;o v&aacute;rios os incidentes dolorosos vividos e relembrados    por ela na fatura de suas obras. Por exemplo, em certa ocasi&atilde;o o pai    recortou a figura de uma menina na casca de uma laranja. Segurando&#45;a no ar e    chamando a aten&ccedil;&atilde;o de todos, ele observa: "Esta &eacute;    Louise, que n&atilde;o tem nada entre as pernas!". Dado o intenso sentimento    de humilha&ccedil;&atilde;o, diante da risada de todos, a resposta da artista    foi pegar um p&atilde;o branco, amass&aacute;&#45;lo com saliva e modelar com ele    a figura de seu pai para, em seguida, cortar os membros com uma faca. Bem mais    tarde, Bourgeois cria uma pe&ccedil;a sem t&iacute;tulo, inspirada na lembran&ccedil;a    dessa primeira solu&ccedil;&atilde;o escult&oacute;rica, que fez parte de uma    s&eacute;rie exposta em 2003 na galeria White Cube, em Londres. Pode&#45;se pensar    que as opera&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas de Louise Bourgeois s&atilde;o    elabora&ccedil;&otilde;es de a&ccedil;&otilde;es agressivas sobre certos objetos,    isto &eacute;, opera&ccedil;&otilde;es que podem ter sido organizadas por um    movimento de repara&ccedil;&atilde;o, de restaura&ccedil;&atilde;o do objeto    percebido como amea&ccedil;ado ou destru&iacute;do fantasiosamente (14). </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n2/a13img01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Assim, sobre a monumental instala&ccedil;&atilde;o em l&aacute;tex    <I>The destruction of the father </I>(1974), que pudemos ver numa inusitada    mostra no Museu do Louvre, em 2000, a artista escreveu a seguinte f&aacute;bula:    </font></P>     <p><font size="3">"H&aacute; uma mesa de jantar… O pai est&aacute; se pronunciando,    dizendo &agrave; plateia cativa como ele &eacute; &oacute;timo (…) Isso acontece    dia ap&oacute;s dia. Uma esp&eacute;cie de ressentimento cresce nas crian&ccedil;as.    Chega o dia em que elas se irritam. H&aacute; trag&eacute;dia no ar. Ele j&aacute;    fez demais esse discurso. As crian&ccedil;as o agarram e o p&otilde;em sobre    a mesa. E ele se torna a comida. Elas o dividem, o desmembram e o comem. E assim    ele &eacute; liquidado (…) Trata&#45;se de um drama oral (…) A irrita&ccedil;&atilde;o    era sua constante agress&atilde;o verbal. Ent&atilde;o ele foi liquidado, da    mesma maneira que havia liquidado seus filhos. A escultura representa ao mesmo    tempo uma mesa e uma cama (…) Essas duas coisas contam na vida er&oacute;tica    de uma pessoa: a mesa de jantar e a cama. A mesa onde seus pais o fazem sofrer.    E a cama onde voc&ecirc; se deita com seu marido, onde seus filhos nasceram,    onde voc&ecirc; vai morrer" (15). </font></P>     <p><font size="3">Mais ainda, pode&#45;se associar a instala&ccedil;&atilde;o &agrave;    caverna de um predador e uma presa semidevorada ou a um palco onde &eacute;    encenado o drama do canibalismo. De qualquer maneira, pode&#45;se dizer que <I>The    destruction of the father </I>&eacute; a cena ficcional de um crime recuperado    pela arte.</font></P>     <p><font size="3">Poder&iacute;amos pensar estarmos diante de uma artista portadora    de sintoma, de uma obra que permite associa&ccedil;&otilde;es entre arte e loucura.    No entanto, essa interpreta&ccedil;&atilde;o &eacute; muito pobre, em se tratando    de uma leitora voraz de Freud e de Jacques Lacan e, sobretudo, de Melanie Klein,    refer&ecirc;ncia psicanal&iacute;tica importante de sua obra. <I>The destruction    of the father</I>, entretanto, inspira&#45;se em <I>Totem e tabu </I>(16). E Louise    &eacute; uma dama politicamente envolvida com o movimento feminista desde os    anos 1960, que n&atilde;o escreve livros nem defende teses acad&ecirc;micas,    mas que &eacute; autora de uma obra que discute o lugar da mulher num mundo    art&iacute;stico faloc&ecirc;ntrico. Foi depois da morte do marido, o historiador    Robert Goldwater, que ela passou a rever o seu passado traum&aacute;tico pela    &oacute;tica do feminismo. <I>The destruction of the father</I> resulta desse    per&iacute;odo. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Acompanhando o percurso de Louise Bourgeois, segundo a leitura    que Mignon Nixon faz dele (17), nota&#45;se a presen&ccedil;a de muitas concep&ccedil;&otilde;es    psicanal&iacute;ticas na elabora&ccedil;&atilde;o de sua obra. No retrato feito    por Robert Mapplethorpe, <I>Playful mother</I> &#91;<I>M&atilde;e brincalhona</I>&#93;    (1982), a artista embala uma obra dela mesma &#150; <I>Fillette</I> (1968), um objeto    concebido via surrealismo como um "objeto desagrad&aacute;vel" no    sentido de ser ambivalente &#150; quando pendurado pelo arame, um peda&ccedil;o de    carne castrado &eacute; um objeto de nojo, isto &eacute;, de &oacute;dio; mas    no colo da artista, no lugar de uma boneca, ele &eacute; um objeto de amor.    E ela mesma dispensa qualquer interpreta&ccedil;&atilde;o psicanal&iacute;tica,    ao expor sua articula&ccedil;&atilde;o pessoal, baseada em Klein, entre beb&ecirc;    e p&ecirc;nis. Apesar disso, pode&#45;se dizer que, com essa obra, psicanaliticamente,    Bourgeois prop&otilde;e uma apropria&ccedil;&atilde;o do falo simb&oacute;lico.    Nesse sentido, na fotografia feita por Mapplethorpe (1982), ao se apresentar    como m&atilde;e da boneca&#45;falo, segurando o objeto debaixo do bra&ccedil;o,    Louise faz um deslocamento da m&atilde;e patriarcal para a m&atilde;e brincalhona    e agressiva. E, ao dar forma &agrave; fantasia de agress&atilde;o para com o    falo&#45;beb&ecirc;, demonstra como a artista&#45;m&atilde;e pode se fazer sujeito atrav&eacute;s    da agressividade. Assim, deve ser lembrado que a imagem fotografada por Mapplethorpe    se tornou um &iacute;cone das exposi&ccedil;&otilde;es <I>Bad girls</I> em Los    Angeles e em Nova York. Realizadas pela primeira vez nos anos 1960 e 1970, esses    eventos constru&iacute;ram uma genealogia de <I>Bad girl's mothers</I> e, depois,    em 1990, a genealogia das <I>Bad girl's daughters</I>. Louise &eacute; considerada    a m&atilde;e de todas as <I>bad girls</I>. Trata&#45;se de uma matrilinhagem art&iacute;stica    extensa e bem conceituada, que inclui, al&eacute;m de Louise Bougeois, Yoko    Ono, Cindy Sherman, Rachel Witheread, Rona Pondick, entre outras. S&atilde;o    nomes expressivos de artistas que, da d&eacute;cada de 1960 at&eacute; hoje,    constitu&iacute;ram uma grande fam&iacute;lia art&iacute;stica atrav&eacute;s    da qual o poder masculino, nos campos da arte e da cr&iacute;tica de arte, foi    n&atilde;o exclu&iacute;do, mas questionado e bastante reduzido.</font></P>     <p><font size="3">Na fotografia <I>Playful mother </I>(1982), Louise fez de si    mesma a imagem da m&atilde;e que sorri ironicamente para a supervaloriza&ccedil;&atilde;o    patriarcal do falo, que parodia a meton&iacute;mia da crian&ccedil;a e do p&ecirc;nis,    em cujas m&atilde;os o falo se torna apenas um p&ecirc;nis, isto &eacute;, perde    o status de significante privilegiado para se transformar em mais um objeto    de agress&atilde;o e de desejo. E essa n&atilde;o &eacute; uma fantasia psicanal&iacute;tica    <I>per se</I>, mas antes, uma fantasia art&iacute;stica provocativa que desafia    a cr&iacute;tica de arte e interroga a psican&aacute;lise. Ou seja, "se    na teoria kleiniana, a m&atilde;e n&atilde;o existe rigorosamente como sujeito,    e sim como objeto das proje&ccedil;&otilde;es agressivas da crian&ccedil;a,    Louise produz um sujeito maternal constitu&iacute;do como um sujeito crian&ccedil;a,    por meio de um jogo de introje&ccedil;&otilde;es e de proje&ccedil;&otilde;es.    Ent&atilde;o, ao colocar a m&atilde;e contra a crian&ccedil;a, a parte&#45;objeto    contra o falo, e o humor contra o fetiche &#150; isto &eacute;, ao explorar a tens&atilde;o    entre os modelos kleiniano, lacaniano e freudiano, ela produz a m&atilde;e brincalhona&#45;agressiva"    (18). Nessa medida, pode&#45;se dizer que n&atilde;o foi uma "m&atilde;e m&aacute;",    figura f&aacute;lica poderosa e persecut&oacute;ria que levou Louise a se tornar    artista (cf. litogravura <I>Bad mother</I>, 1997); muito menos uma "m&atilde;e    inteiramente boa", figura idealizada e nutritiva (cf. escultura <I>Bread</I>,    1998) e menos ainda uma "m&atilde;e suficientemente boa" como pensaria    Donald Winnicott (19). Ao contr&aacute;rio, ela tornou&#45;se a artista que &eacute;    gra&ccedil;as &agrave; atividade de uma "m&atilde;e suficientemente m&aacute;"    (20).</font></P>     <p><font size="3">Em suma, esse exemplo sugere que, no contexto da arte contempor&acirc;nea,    uma tem&aacute;tica candente &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o arte/vida e que    a "dificuldade de viver junto" &#150; express&atilde;o de Roland Barthes    (21) que inspirou os curadores da 27ª Bienal Internacional de S&atilde;o Paulo    (2006) &#150; &eacute; atravessada, entre outras media&ccedil;&otilde;es, pela vida    familiar. Alguns artistas contempor&acirc;neos interpretam esse tema, utilizando,    de maneira muito pessoal, as linguagens da fotografia, do v&iacute;deo e da    instala&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o apenas para apresent&aacute;&#45;lo, como tamb&eacute;m    para problematiz&aacute;&#45;lo, denunciando suas formas convencionais de realiza&ccedil;&atilde;o    cultural, seus compromissos pol&iacute;tico&#45;ideol&oacute;gicos, seus pressupostos    existenciais e suas implica&ccedil;&otilde;es psicol&oacute;gicas (22). Bourgeois    figura entre tais artistas que assimilam a fun&ccedil;&atilde;o da cr&iacute;tica    em suas propostas pl&aacute;sticas, interrogando artisticamente o campo simb&oacute;lico    que estrutura as rela&ccedil;&otilde;es familiares, as fun&ccedil;&otilde;es    pai e m&atilde;e, a identidade pessoal. E, com isso, como outros artistas da    contemporaneidade, a obra de Louise apresenta &agrave; cr&iacute;tica uma arte    cr&iacute;tica, pois subverte o institu&iacute;do e interpela o p&uacute;blico    com uma linguagem que prop&otilde;e algo estranho, desconhecido, nem sempre    f&aacute;cil, nem agrad&aacute;vel, a ser pensado. Tal trabalho interrogativo,    na verdade, implica romper o familiar, desmontar tudo aquilo que impede o fluxo    da exist&ecirc;ncia, tudo o que dificulta o advento da possibilidade de esta    vir a ser pensada e transformada subjetiva e objetivamente. Nesse sentido, pode&#45;se    estabelecer uma analogia entre esse modo de fazer arte e certa tend&ecirc;ncia    da psican&aacute;lise contempor&acirc;nea, perspectiva que se resume na ideia    de que &eacute; pr&oacute;prio do saber psicanal&iacute;tico, n&atilde;o o ato    interpretativo entendido como uma opera&ccedil;&atilde;o de descoberta ou de    revela&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos ps&iacute;quicos que se ocultam    sob a conduta manifesta dos indiv&iacute;duos, mas a interpreta&ccedil;&atilde;o    como "ruptura de campo" (23), isto &eacute;, como problematiza&ccedil;&atilde;o    ou interroga&ccedil;&atilde;o radical da l&oacute;gica que inconscientemente    fixa os modos do indiv&iacute;duo humano ser no mundo, desconstruindo aquilo    que se apresenta banalizado e consolidado &agrave; percep&ccedil;&atilde;o e    &agrave; intelig&ecirc;ncia. E, nessa medida, s&atilde;o os campos da psican&aacute;lise    silvestre e da pr&oacute;pria cr&iacute;tica moderna da arte que uma obra contempor&acirc;nea    como a de Louise Bourgeois acaba pondo simultaneamente em quest&atilde;o. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><i><b>Jo&atilde;o A. Frayze&#45;Pereira</b> &eacute; psicanalista,    membro associado da Sociedade Brasileira de Psican&aacute;lise de S&atilde;o    Paulo, professor livre&#45;docente (aposentado) do Instituto de Psicologia da Universidade    de S&atilde;o Paulo (USP) e membro da Association Internationale des Critiques    d'Art (AICA). </i></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Rustin, M. "Introduction". In: Bainbridge, C.;    Radstone. S,; Rustin, M. &amp; Yates, C. (Eds) <I>Culture and the unconscious</I>.    London; New York: Palgrave Macmillan, 2007, p. 3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=047758&pid=S0009-6725200900020001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">2. Basbaum, R.(Org) <I>Arte contempor&acirc;nea brasileira.</I>    Rio de Janeiro: Marca d' &Aacute;gua, 2001, p. 9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=047760&pid=S0009-6725200900020001300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">3. Freud, S. "Psican&aacute;lise silvestre". In:    S. Freud (1910), <I>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras psicol&oacute;gicas    completas de Sigmund Freud,</I> Vol. 11, p. 207&#45;213. Rio de Janeiro: Imago.    1974.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=047762&pid=S0009-6725200900020001300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">4. Leenhardt, J. "Cr&iacute;tica de arte e cultura no    mundo contempor&acirc;neo". In: Martins, M.H. (org) <I>Rumos da cr&iacute;tica</I>.    S&atilde;o Paulo: Senac/Ita&uacute; Cultural, 2000, p. 21.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=047764&pid=S0009-6725200900020001300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">5. Frayze&#45;Pereira, J. A. <I>Arte, dor: inquietudes entre    est&eacute;tica e psican&aacute;lise</I>. S&atilde;o Paulo: Ateli&ecirc;, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=047766&pid=S0009-6725200900020001300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">6. Chau&iacute;, M., "Merleau&#45;Ponty, obra de arte e    filosofia". In: Novaes, A.(org) <I>Artepensamento</I>. S&atilde;o Paulo:    Companhia das Letras, 1994, p. 476.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=047768&pid=S0009-6725200900020001300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">7. Frayze&#45;Pereira, J. A. "Segredos de fam&iacute;lia    em exposi&ccedil;&atilde;o: psican&aacute;lise e linguagens da arte contempor&acirc;nea".    S&atilde;o Paulo, <I>Revista ide</I>, Vol.30 (44), 2007, p. 96&#45;102.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=047770&pid=S0009-6725200900020001300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">8. <I>Cat&aacute;logo da 51ª. Bienal de Veneza</I> &#150; <I>L'esperienza    dell'arte</I> / <I>Sempre um p&oacute; piu lontano</I>. Fondazione La Biennale    di Venezia: Marsilio Editori, 2005, p.40.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=047772&pid=S0009-6725200900020001300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">9. Fiz, D. A. "Una Biennale al femminile. Bourgeois,    un'infanzia lunga 90 anni". <I>ClassArte. </I>Milano: Classeditori, 2005,    p.68.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=047774&pid=S0009-6725200900020001300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">10. Bourgeois, L. <I>Destrui&ccedil;&atilde;o do pai/reconstru&ccedil;&atilde;o    do pai: escritos e entrevistas 1923&#45;1997</I>. S&atilde;o Paulo: Cosac &amp;    Naif. 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=047776&pid=S0009-6725200900020001300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">11. Tranberg, D. <I>Louise Bourgeois "Spiders",    Rockfeller Center</I>. Cleveland: Cleveland Plain Dealer. <a href="http://www.nycjpg.com/2003/pages/0526.html" target="_blank">www.nycjpg.com/2003/pages/0526.html</a>,    retrieved on google on January, 30<SUP>th</SUP>, 2007. 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=047778&pid=S0009-6725200900020001300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">12. Idem.</font></P>     <p><font size="3">13. Bourgeois, L., <I>Op.Cit.</I>, 2000, p. 205.</font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">14. Nixon, M. "Bad enough mother". In: R. Krauss    et al (eds), <I>October, the second decade, 1986&#45;1996</I> (p. 156&#45;178). Cambridge;    London: MIT Press, 1997, p. 161.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=047782&pid=S0009-6725200900020001300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <p><font size="3">15. Bourgeois, L., <I>Op.Cit</I>., 2000, p. 115.</font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">16.Freud, S., "Totem e tabu". In: S. Freud    (1913), <I>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras psicol&oacute;gicas    completas de Sigmund Freud</I>. Vol. 13, p. 13&#45;194. Rio de Janeiro: Imago. 1974.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=047785&pid=S0009-6725200900020001300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <p><font size="3">17. Nixon, M. <I>Op</I>. <I>Cit</I>. , 1997, p.168&#45;173.</font></P>     <p><font size="3">18. <I>Ibidem</I>. p.171&#45;172.</font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">19. Winnicott, D. <I>O brincar e a realidade</I>. Rio de    Janeiro: Imago Editora, 1975.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=047789&pid=S0009-6725200900020001300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <p><font size="3">20. Nixon, <I>Op. Cit</I>., 1997.</font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">21. Barthes, R. <I>Como viver junto</I>. S&atilde;o Paulo:    Martins Fontes. 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=047792&pid=S0009-6725200900020001300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <p><font size="3">22. Frayze&#45;Pereira, <I>Op. Cit</I>. , 2007.</font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">23. Herrmann, F. <I>Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; teoria    dos campos</I>. S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo. 2001.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=047795&pid=S0009-6725200900020001300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ]]></body>
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