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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n2/a24img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>BICENTEN&Aacute;RIO DE DARWIN</b></font></P>     <P><font size="3"><b>C<SMALL>OMEMORA&Ccedil;&Otilde;ES CONFIRMAM VIGOR E ATUALIDADE    DO EVOLUCIONISMO</SMAll></b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3">O impacto dos 200 anos de nascimento de Charles Darwin na m&iacute;dia    mostra que sua obra mant&eacute;m o poder de provocar, ainda e sempre, tanto    debate. Sua vida e obra s&atilde;o apresentadas nos mais variados meios de comunica&ccedil;&atilde;o    como algo entre o inusitado, o inesperado, o meticuloso e o extraordin&aacute;rio.    Temos a impress&atilde;o de que interessaria &agrave; m&iacute;dia aproximar    os distintos p&uacute;blicos das facetas de um cientista e de seu trabalho afirmando&#45;os    como importantes e grandiosos. </font></P>     <p><font size="3">Uma das formas de gerar essa sensa&ccedil;&atilde;o &eacute;    a produ&ccedil;&atilde;o de sentidos sobre Darwin como aquele que prev&ecirc;    a cat&aacute;strofe dos desequil&iacute;brios e mudan&ccedil;as ambientais.    &Eacute; o caso do filme <I>O pesadelo de Darwin</I> (2004), um document&aacute;rio    a respeito de desequil&iacute;brio socioambiental e cultural na &Aacute;frica,    que tem produ&ccedil;&atilde;o e montagem afirmadas pelo diretor Rubert Sauper    como sendo minimalistas, uma aproxima&ccedil;&atilde;o, talvez, com registros    indici&aacute;rios, pistas das vidas em outros tempos geol&oacute;gicos. A mis&eacute;ria,    a guerra e os efeitos da globaliza&ccedil;&atilde;o, t&ocirc;nica principal    de den&uacute;ncia desse document&aacute;rio, est&atilde;o associados &agrave;    ideia de uma pr&eacute;&#45;vis&atilde;o, pr&oacute;xima a uma vid&ecirc;ncia de    Darwin que "desnaturalizaria" algumas sociedades humanas. Um Darwin    <I>cine trash</I> que, em v&aacute;rios aspectos, se aproxima dos &uacute;ltimos    feitos e possibilidades da biotecnologia, tamb&eacute;m postos em circula&ccedil;&atilde;o    pelas m&iacute;dias: a possibilidade de selecionar melhores embri&otilde;es,    com caracter&iacute;sticas pr&eacute;&#45;definidas, traz &agrave; tona, novamente,    o mecanismo apontado por Darwin como respons&aacute;vel pela evolu&ccedil;&atilde;o:    a sele&ccedil;&atilde;o natural. </font></P>     <p><font size="3">O refor&ccedil;o &agrave; observa&ccedil;&atilde;o e ao trabalho    meticuloso, inventivo e de descri&ccedil;&atilde;o imaginativa da natureza,    o que se aproxima de uma literatura da hist&oacute;ria natural, e a vida pessoal,    os conflitos, as d&uacute;vidas e os meandros do cotidiano da &eacute;poca,    das viagens e da hist&oacute;ria familiar de Darwin interessam muito. O filme    <I>Creation </I>(<I><a href="http://creationthemovie.com/the_film/" target="_blank">http://creationthemovie.com/the_film/</a></I>),    a ser lan&ccedil;ado, &eacute; narrativa visual em que a literatura &eacute;    escolhida para gerar os efeitos de regula&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia    da obra de Darwin em nossa sociedade, e em n&oacute;s mesmos. Tamb&eacute;m    parecem desejar essa humaniza&ccedil;&atilde;o &#150; universal e singular ao mesmo    tempo &#150; as pe&ccedil;as de teatro <I>After Darwin, </I>encenada em Portugal    em 2007, e o <I>Mon&oacute;logo de Charles Darwin</I>, ato inaugural da Seara    da Ci&ecirc;ncia, espa&ccedil;o de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica    e tecnol&oacute;gica da Universidade Federal do Cear&aacute; (UFCE). Por que    seria t&atilde;o importante, no momento em que as pesquisas cient&iacute;ficas    no campo da biologia tornam&#45;se biotecnol&oacute;gicas, essa apari&ccedil;&atilde;o    de Darwin como o observador, com seus registros de pr&oacute;prio punho, com    os cadernos descritivos de mil e uma esp&eacute;cies, a cataloga&ccedil;&atilde;o    da natureza por meio de viagens? A presen&ccedil;a do "narrador Darwin"    &eacute; fundamental nesses movimentos. Tal narrativa, nos filmes, literatura    e teatro, concentram&#45;se em um processo realizado originalmente pelo pensador/cientista/naturalista.    </font></P>     <p><font size="3"><b>MESMOS PASSOS, NOVOS CONTE&Uacute;DOS</b> O caminho feito    pelo naturalista, na sua passagem pelo Brasil, em especial no Rio de Janeiro,    foi refeito no ano passado depois de quase dois s&eacute;culos, em uma iniciativa    conjunta do Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, Casa da Ci&ecirc;ncia    da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Departamento de Recursos    Naturais (DRM&#45;RJ), ao lado do especialista em Darwin e tataraneto dele, Randal    Keynes, por Sandra Escovedo Selles, professora da Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o    da Universidade Federal Fluminense (UFF). O projeto destacou a import&acirc;ncia    dessa passagem pelo Rio de Janeiro para a teoria que vem atravessando s&eacute;culos.    Houve intenso envolvimento de professores e estudantes das escolas da educa&ccedil;&atilde;o    b&aacute;sica das cidades hoje localizadas na regi&atilde;o por onde Darwin    passou. Sandra e a historiadora Martha Abreu, da mesma universidade, pesquisaram    os escritos e anota&ccedil;&otilde;es feitas pelo naturalista durante sua passagem    no Rio, onde aparece um Darwin que veio ao Brasil, oriundo de uma fam&iacute;lia    liberal e bem carregado pelas ideias iluministas, impressionado com as rela&ccedil;&otilde;es    escravistas que encontrou. O primeiro contato profundo dele com as rela&ccedil;&otilde;es    escravistas foi justamente no Rio. Chamou a aten&ccedil;&atilde;o de Sandra    o fato de a maior parte dos registros da viagem de Darwin ao norte fluminense    estarem relacionados &agrave;s descri&ccedil;&otilde;es da rela&ccedil;&atilde;o    entre senhor e escravo. "Esse Brasil que ele estava vendo era um pa&iacute;s    para al&eacute;m de um Brasil natural &#150; simplesmente natureza e representa&ccedil;&atilde;o    biol&oacute;gica &#150; mas um Brasil de uma outra cultura, de uma outra rela&ccedil;&atilde;o    humana que Darwin estava querendo elaborar naquele espa&ccedil;o de tempo",    relata a pesquisadora.</font></P>     <p><font size="3">A escravid&atilde;o &eacute; algo que marca Darwin profundamente.    "Quando ele v&ecirc; um cidad&atilde;o brit&acirc;nico vendendo uma mulher    e os filhos, ou seja, fazendo algo que jamais imaginaria acontecer na Inglaterra,    ele come&ccedil;a a olhar a diversidade humana tamb&eacute;m como parte de uma    diversidade maior que estava querendo entender". A partir de sua visita    ao Brasil, ele passou a querer entender a diversidade de animais e plantas sem    diferenciar a diversidade humana do mundo vivo. "Eu acho que isso foi a    coisa mais genial de Darwin: ele poder analisar a quest&atilde;o da diversidade    biol&oacute;gica e a humana como algo insepar&aacute;vel, uma vez que, ao contr&aacute;rio    do que, por exemplo, ele fez em Gal&aacute;pagos, onde os registros foram descritivos,    no Brasil, registros e coment&aacute;rios contem ju&iacute;zo de valores, colocando    seus sentimentos". </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>DIVERSIDADE ESSENCIAL</b> Dessa forma, a experi&ecirc;ncia    com a diversidade humana foi fundamental para Darwin elaborar sua teoria e a    diversidade &eacute;tnica emerge na obra dele &#150; <i>A origem do homem</i> &#150; em    que ele tenta explicar essa quest&atilde;o. <i>A origem das esp&eacute;cies</i>    e <i>A origem do homem e a sele&ccedil;&atilde;o natural</i> podem ser vistas    como uma &uacute;nica obra, pois, a partir de sua viagem ao Rio, ele passa a    ver a diversidade humana e biol&oacute;gica como algo indistinto, o homem como    parte do mundo vivo. "Esse foi um dos aspectos revolucion&aacute;rios da    obra de Darwin, independente das outras ideias dele", completa Sandra.</font></P>     <p><font size="3">Nos processos educativos em que as m&iacute;dias se aventuram,    parece tamb&eacute;m interessar &agrave;s pedagogias culturais enfatizar a busca    por conhecer as identidades dos humanos pela evolu&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica    (o canal Globo News, por exemplo, exibe a s&eacute;rie <I>Por que somos o que    somos?</I>). Esse engendramento vem sendo realizado, no ano Darwin, com o aux&iacute;lio    de uma estrutura representacional na qual vida, pensamento e cultura n&atilde;o    se dissociam. Ao inv&eacute;s de atualidade, poder&iacute;amos pensar em uma    "atualiza&ccedil;&atilde;o de Darwin", uma varia&ccedil;&atilde;o    da hist&oacute;ria para o qu&ecirc; o presente requer.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="right"><font size="3"><i>Antonio Carlos Amorim    <br>   Alessandro Piolli</i></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><i><b>Ant&ocirc;nio Carlos Amorim</b> &eacute; bi&oacute;logo,    professor da Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade Estadual de    Campinas (Unicamp)</i></font></P>     <p><font size="3"><i><b>Alessandro Piolli</b> &eacute; bi&oacute;logo, especialista    em jornalismo cient&iacute;fico e doutorando do Departamento de Pol&iacute;tica    Cient&iacute;fica e Tecnol&oacute;gica (DPCT) do Instituto de Geoci&ecirc;ncias    da Unicamp.</i></font></P>      ]]></body>

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