<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252009000200025</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Celebrando o gênio de Chaplin]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Suppia]]></surname>
<given-names><![CDATA[Alfredo]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2009</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2009</year>
</pub-date>
<volume>61</volume>
<numero>2</numero>
<fpage>64</fpage>
<lpage>65</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252009000200025&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252009000200025&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252009000200025&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p><font size="3"><b>CINEMA</b></font></P>     <P><font size="3"><b>C<SMALL>ELEBRANDO O G&Ecirc;NIO DE</small> C<SMALL>HAPLIN</small></b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n2/a25img01.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Em 16 de abril de 2009 comemoram&#45;se os 120 anos do nascimento    de um dos maiores g&ecirc;nios da hist&oacute;ria do cinema: Charles Spencer    Chaplin, imortalizado na figura de Carlitos, seu principal personagem. Em Bras&iacute;lia,    o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) preparou exibi&ccedil;&otilde;es ao    ar livre de filmes de Chaplin, acompanhados de trilha sonora executada por orquestra    sinf&ocirc;nica. A Su&iacute;&ccedil;a, pa&iacute;s que o abrigou nos seus &uacute;ltimos    25 anos de vida, o homenageia com o Museu Charles Chaplin, instalado na propriedade    conhecida como Manoir de Ban, &agrave;s margens do lago L&eacute;man, em Corsier&#45;sur&#45;Vevey,    onde o cineasta viveu. </font></P>     <p><font size="3">Concebido para ser interativo, L'Espace Mus&eacute;e Charles    Chaplin (<a href="http://www.chaplinmuseum.com" target="_blank">http://www.chaplinmuseum.com</a>)    ter&aacute; salas de exposi&ccedil;&atilde;o permanentes, um cinema de 200 lugares,    <I>boutique</I> e <I>brasserie</I>, e a expectativa de receber 250 mil visitantes    por ano a partir de sua inaugura&ccedil;&atilde;o, prevista para 2010. Perto    dali, em Vevey, uma pequena est&aacute;tua do homem com chap&eacute;u&#45;coco apoiado    numa bengala, cercada de um jardim florido, a dois metros do lago na pra&ccedil;a    Charlie Chaplin, foi inaugurada em 16 de abril de 1989, no centen&aacute;rio    de nascimento do grande cineasta. </font></P>     <p><font size="3"><b>LEGADO</b> O cr&iacute;tico de cinema e professor da ECA&#45;USP,    Ismail Xavier, considera que Chaplin se mant&eacute;m vivo para o p&uacute;blico    que assiste seus filmes em DVD e na TV a cabo, embora tenha havido um recuo    da cr&iacute;tica e um decl&iacute;nio do n&uacute;mero de publica&ccedil;&otilde;es    sobre ele. "O mundo acad&ecirc;mico &#150; muito marcado pelas an&aacute;lises    estruturais e preferindo os cineastas que 'contribu&iacute;ram para o avan&ccedil;o    da linguagem'&#150; n&atilde;o se sente seduzido em escrever sobre a obra extraordin&aacute;ria    de Chaplin. Na Fran&ccedil;a, talvez em fun&ccedil;&atilde;o do velho artigo    de Andr&eacute; Bazin e do interesse pela modernidade do que chamam de <I>burlesque</I>,    encontramos maior aten&ccedil;&atilde;o do que no Brasil. O lugar de Chaplin    &eacute; central na hist&oacute;ria do cinema, pioneiro na inven&ccedil;&atilde;o    de uma gestualidade para a c&acirc;mera e de uma rela&ccedil;&atilde;o especial    entre corpo e objetos; nisto, continua fundamental sua cr&iacute;tica de aspectos    da moderniza&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o se reduzem &agrave; escraviza&ccedil;&atilde;o    diante do fluxo das m&aacute;quinas, mas se estendem a um estranhamento do mundo    urbano que se mostra atual". Xavier acrescenta que a heran&ccedil;a do    cinema de Chaplin poderia ser encontrada, hoje, num "senso fino de ironia    que, na aparente leveza, toca fundo nas quest&otilde;es humanas", presentes    em autores como Woody Allen e, acrescenta Xavier, num excelente filme alem&atilde;o    que se inspira na est&oacute;ria de Jo&atilde;o e Maria perdidos no bosque (uma    das compiladas pelos Irm&atilde;os Grimm), do cineasta Christoph Hochh&auml;usler,    cujo t&iacute;tulo &eacute; <I>Caminho do bosque</I> (2003).</font></P>     <p><font size="3">Para o professor Edmundo Washington Lobassi, da Universidade    Anhembi Morumbi (SP), o personagem Carlitos &eacute; um &iacute;cone contempor&acirc;neo:    est&aacute; nas mais de 1,4 milh&atilde;o de p&aacute;ginas na internet (fonte<I>:    <a href="http://www.google.com.br" target="_blank">www.google.com.br</a></I>),    v&iacute;deos de seus filmes no Youtube, al&eacute;m de milhares de blogs de    internautas. "Em minhas pesquisas para o mestrado, encontrei evid&ecirc;ncias    que comprovam ser o filme <I>O grande ditador</I> (1940) definitivamente um    marco representativo entre o cinema mudo e falado do diretor e produtor Chaplin,    demonstrando que, com o advento do som, morre o personagem Carlitos e sua arte    burlesca, e nasce o ator Charles Spencer Chaplin, notadamente no discurso final.    Cada filme seu, sempre cercado de dificuldades, pol&ecirc;micos acordos e desacordos,    mas sempre divertidos, delicados, melodram&aacute;ticos e criativos, contribui    para um verdadeiro patrim&ocirc;nio da hist&oacute;ria do cinema. A li&ccedil;&atilde;o    de humanidade de cada um deles persiste na contemporaneidade", comenta    Lobassi. </font></P>     <p><font size="3">A expectativa dos professores Xavier e Lobassi &eacute; que    a celebra&ccedil;&atilde;o dos 120 anos de nascimento do cineasta reavive o    legado de Chaplin com retrospectivas de sua obra e grande divulga&ccedil;&atilde;o    nas salas de cinema e na TV, mat&eacute;rias nos jornais, programas especiais    com um balan&ccedil;o atualizado de seu legado.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>VIDA E OBRA</b> Nascido em Londres em 16 de abril de 1889,    Chaplin viveu boa parte de sua inf&acirc;ncia nas ruas ou em orfanatos, devido    &agrave; morte prematura de seu pai e &agrave;s frequentes interna&ccedil;&otilde;es    de sua m&atilde;e, doente psiqui&aacute;trica. Atuou em pantomimas, apresentando&#45;se    em caf&eacute;s&#45;concertos, at&eacute; ser encontrado por um produtor cinematogr&aacute;fico    durante turn&ecirc; nos EUA. Em dezembro de 1913, Chaplin estreava como ator    de cinema e em poucos anos ganhava notoriedade, dirigindo seus pr&oacute;prios    filmes.</font></P>     <p><font size="3">Entre 1915 e 1923, o personagem de Carlitos surgiu em diversas    com&eacute;dias curtas, algumas delas verdadeiras p&eacute;rolas do cinema mudo,    como <I>O garoto</I> (<I>The kid</I>, 1921). O carisma do vagabundo de chap&eacute;u&#45;coco    e bengala, doce e atrapalhado, conquistou o p&uacute;blico de maneira profunda    e universal. Por meio de Carlitos, Chaplin consagrou um estilo absolutamente    original de atua&ccedil;&atilde;o ancorado na magia do gesto e da express&atilde;o    corporal proporcionada pela maestria da m&iacute;mica.</font></P>     <p><font size="3">Em 1919, Chaplin se junta a Mary Pickford, Douglas Fairbanks,    David W. Griffith e William Hart para fundar a United Artists e, a partir de    ent&atilde;o, dedica&#45;se a essa companhia produtora. Os longas <I>Em busca do    ouro</I> (<I>The gold rush</I>, 1925), <I>O circo</I> (<I>The circus</I>,    1928), <I>Luzes da cidade</I> (<I>City lights</I>, 1931),    <I>Tempos modernos</I> (<I>Modern times</I>, 1936), <I>O grande    ditador</I> (<I>The great dictator</I>, 1940), <I>Senhor Verdoux</I>    (<I>Monsieur Verdoux</I>, 1947), <I>Luzes da ribalta</I>    (<I>Limelight</I>, 1952) e <I>Um rei em Nova York</I>    (<I>A king in New York</I>, 1957) est&atilde;o entre    os mais famosos filmes dirigidos e estrelados por Chaplin na United Artists.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n2/a25img02.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Diretor de quase 80 filmes, Chaplin era um artista multitarefa:    escrevia os roteiros, atuava, montava e compunha a trilha sonora. S&atilde;o    dele algumas das cenas mais memor&aacute;veis da hist&oacute;ria do cinema,    como a dan&ccedil;a dos p&atilde;ezinhos de <I>Em busca do ouro</I>, o frenesi    mec&acirc;nico do oper&aacute;rio em <I>Tempos modernos </I>ou o bal&eacute;    com o globo terrestre em <I>O grande ditador</I>. Apesar de ter despontado para    a fama no per&iacute;odo mudo e de ter insistido na preval&ecirc;ncia do gesto    sobre o som, foi dos poucos cineastas que continuou a criar obras&#45;primas no    per&iacute;odo sonoro, como Fritz Lang. Chaplin n&atilde;o se esquivou de controv&eacute;rsias    com o conservadorismo americano, fruto da irrever&ecirc;ncia provocativa de    alguns de seus filmes, como <I>Ombro armas!</I> (<I>Shoulder arms</I>, 1918).    No auge do macarthismo, em 1952, o cineasta muda&#45;se para a Su&iacute;&ccedil;a.    Em 1975, a rainha Elizabeth II concede&#45;lhe o t&iacute;tulo de Sir.</font></P>     <p><font size="3">Chaplin casou&#45;se quatro vezes. Tr&ecirc;s de suas esposas foram    estrelas de seus filmes: Mildred Harris, Lita Grey e Paulette Goddard. Em 1943    casou&#45;se com Oona O'Neill, filha do dramaturgo Eugene O'Neill, com quem teve    seis filhos e viveu at&eacute; a morte, aos 88 anos, na noite de 24 para 25    de dezembro de 1977, em Corsier&#45;sur&#45;Vevey. Foi nessa localidade su&iacute;&ccedil;a    que o int&eacute;rprete de Carlitos elaborou <I>Um rei em Nova York</I>, filme    que representa uma violenta condena&ccedil;&atilde;o do obscurantismo do macarthismo.    Seu &uacute;ltimo filme, <I>A condessa de Hong Kong</I>, longa marcado principalmente    pelo tema do ex&iacute;lio, tamb&eacute;m &eacute; idealizado na Su&iacute;&ccedil;a.    Chaplin est&aacute; enterrado ao lado de sua &uacute;ltima esposa, Oona O'Neill,    no cemit&eacute;rio local.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="right"><font size="3"><i>Alfredo Suppia</i></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[ ]]></body>
</article>
