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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n3/brasil.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">S<SMALL>A&Uacute;VAS</small></font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v61n3/line_blk.gif"></P>     <P><font size="4"><b>Avan&ccedil;os no conhecimento n&atilde;o impedem dificuldades    no controle das cortadeiras</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v61n3/selo.gif"></P>     <p><font size="3">O trabalho intenso e incans&aacute;vel dos cientistas brasileiros    reproduz uma das caracter&iacute;sticas do comportamento de um dos seus objetos    de estudo: as formigas. M&aacute;rio Autuori (1906&#45;1982), o bi&oacute;logo paulista    e pesquisador do Instituto Biol&oacute;gico por 37 anos, inaugurou o primeiro    n&uacute;mero da <I>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</I>, em 1949, com suas ricas    contribui&ccedil;&otilde;es sobre a biologia das sa&uacute;vas, consideradas,    at&eacute; hoje, uma importante praga da agricultura, pecu&aacute;ria e silvicultura    nacional. Ele acreditava que o controle dessas formigas cortadeiras tinha "como    falha principal, o desconhecimento da estrutura do sauveiro e da biologia da    sa&uacute;va". "Apesar do grande volume de pesquisas com as sa&uacute;vas,    pouco avan&ccedil;o ocorreu no controle", lamenta Luiz Carlos Forti, do    Departamento de Produ&ccedil;&atilde;o Vegetal&#45;Defesa Fitossanit&aacute;ria    da Universidade Estadual Paulista (Unesp).</font></P>     <p><font size="3">Os esfor&ccedil;os para entender a biologia dessas formigas    cortadeiras, para combat&ecirc;&#45;las, s&atilde;o compreens&iacute;veis. Esse    verdadeiro ex&eacute;rcito &eacute; capaz de provocar perdas de 14% de <I>Pinus    </I>(pinheiros) e eucaliptos por hectare. "Quando as plantas s&atilde;o    novas os preju&iacute;zos podem chegar a 100%", informa Forti. Quem nunca    teve seus belos arbustos ou heras completamente desnudados da noite para o dia,    pelo trabalho intenso e ruidoso das oper&aacute;rias, e ficou absolutamente    espantado com a capacidade desses insetos sociais? Para estimar essas perdas,    os bi&oacute;logos utilizam o fator de convers&atilde;o, c&aacute;lculo proposto    por Autuori, que divide o peso do material cortado pelo peso de lixo produzido    pelas col&ocirc;nias. Recentemente, em artigo para a <I>Revista da &Aacute;rvore</I>    (Vol.31, n.1, 2007) uma equipe da Universidade Federal de Vi&ccedil;osa (UFV),    MG, concluiu que a taxa de convers&atilde;o n&atilde;o varia com as diferentes    qualidades do substrato cortado, refor&ccedil;ando a utilidade do &iacute;ndice,    muito embora Autuori n&atilde;o tenha considerado a taxa de decomposi&ccedil;&atilde;o    da mat&eacute;ria org&acirc;nica nas c&acirc;maras de lixo.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n3/a03img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Atualmente, o m&eacute;todo mais eficaz &eacute; o controle    qu&iacute;mico, com subst&acirc;ncias como o fipronil, deltametrina e sulfluramida,    muito embora n&atilde;o seja o desejado, em fun&ccedil;&atilde;o dos danos a    outras esp&eacute;cies, ao solo e a fontes de &aacute;gua. "O controle    qu&iacute;mico est&aacute; passando por um per&iacute;odo de reavalia&ccedil;&atilde;o;    a busca por subst&acirc;ncias qu&iacute;micas menos impactantes est&aacute;    bastante intensa", afirma o professor da Unesp. H&aacute; pesquisas com    parasitas, predadores, produtos naturais e ferom&ocirc;nios que levantam boas    perspectivas, por&eacute;m, nada ainda em escala comercial.</font></P>     <p><font size="3"><b>TRABALHO MINUCIOSO E PERSISTENTE</b> A for&ccedil;a do trabalho    desses insetos sociais se traduz nas caracter&iacute;sticas de sua col&ocirc;nia.    Um sauveiro desenvolvido pode chegar a abrigar milh&otilde;es de oper&aacute;rias    para apenas uma rainha, num esfor&ccedil;o que acumula, em superf&iacute;cie,    at&eacute; 100 metros quadrados de terra solta (retirada para a constru&ccedil;&atilde;o    da col&ocirc;nia).</font></P>     <p><font size="3">E &eacute; num trabalho semelhante ao realizado por arque&oacute;logos,    guardadas as devidas propor&ccedil;&otilde;es, que Forti e sua equipe revelam    a estrutura de um sauveiro e suas intricadas c&acirc;maras e "corredores",    por onde oper&aacute;rias levam os fragmentos de folhas cortados para cultivo    do fungo (da fam&iacute;lia Lepiotaceae) do qual se alimentam. A partir dos    olheiros (aberturas na superf&iacute;cie), a equipe derrama, em seu interior,    cimento que preenche as c&acirc;maras antes de endurecer e esculpir a estrutura    arquitet&ocirc;nica das <I>Atta</I>, g&ecirc;nero das sa&uacute;vas que somam,    nas Am&eacute;ricas, 14 esp&eacute;cies, das quais 9 ocorrem no Brasil.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n3/a03img02.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Com semelhante afinco cient&iacute;fico, M&aacute;rio Antuori    dedicou&#45;se em acompanhar formigas f&ecirc;meas aladas que sa&iacute;am em revoada    de ninhos com mais de tr&ecirc;s anos de idade, entre os meses de setembro e    dezembro, para fundar sua col&ocirc;nia logo depois de cruzar com os machos    (que logo morrem) e abandonar suas asas. Em um belo artigo, que envolve tanto    bi&oacute;logos como curiosos da natureza, "Investiga&ccedil;&otilde;es    sobre a biologia da sa&uacute;va", o autor ainda &eacute; capaz de nos    surpreender sobre as rela&ccedil;&otilde;es existentes entre as diferentes castas    do g&ecirc;nero <I>Atta</I>.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Em uma descri&ccedil;&atilde;o experimental cl&aacute;ssica    de biologia, Autuori ajudou a desvendar a estrutura do sauveiro, desde o in&iacute;cio    da coloniza&ccedil;&atilde;o de um local, passando pela alimenta&ccedil;&atilde;o,    crescimento da popula&ccedil;&atilde;o, at&eacute; o aparecimento e multiplica&ccedil;&atilde;o    dos olhos. O trabalho foi realizado na &aacute;rea do Instituto Biol&oacute;gico    e, posteriormente, alguns ninhos jovens foram transferidos para o laborat&oacute;rio,    onde eram acompanhados por meio de paredes de vidro, a exemplo da estrutura    usada por museus de ci&ecirc;ncia para espiarmos o movimento de um formigueiro.    </font></P>     <p><font size="3">E foi nesse cen&aacute;rio que Autuori e sua equipe observaram,    com ineditismo, a exist&ecirc;ncia de dois tipos de ovos postos pela rainha,    antes mesmo do formigueiro ter capacidade de cultivar o fungo em quantidade    para abastecer as larvas, fato at&eacute; ent&atilde;o n&atilde;o relatado na    literatura. "(...) a i&ccedil;&aacute; &#91;rainha&#93; p&otilde;e duas sortes    de 'ovos': o ovo normal, que d&aacute; nascimento &agrave;s larvas e outro,    que n&oacute;s chamamos de 'ovos de alimenta&ccedil;&atilde;o'. Esse &eacute;    bem maior que o ovo normal, muito fr&aacute;gil, de consist&ecirc;ncia extremamente    mole e, com eles, a i&ccedil;&aacute; alimenta as larvas e as primeiras formigas    oper&aacute;rias da col&ocirc;nia inicial", descreve em seu artigo da <I>Ci&ecirc;ncia    &amp; Cultura</I> de 1949. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n3/a03img03.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Acompanhar o surgimento dos olheiros tamb&eacute;m rendeu novas    descobertas, como o fato de o segundo surgir ap&oacute;s um ano de idade e,    a partir desse momento, a atividade se acelera, de tal modo, que, em apenas    um m&ecirc;s, surgem outros 8. O conhecimento at&eacute; ent&atilde;o dispon&iacute;vel    considerava que poucos olheiros seriam sin&ocirc;nimo de sauveiro jovem, com    alguns meses de idade. </font></P>     <p><font size="3">Os trabalhos mais recentes t&ecirc;m ido na dire&ccedil;&atilde;o    de entender as estrat&eacute;gias de forrageamento das formigas cortadeiras    indicando: grande plasticidade em lidar com as mudan&ccedil;as do meio ambiente;    a evolu&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o de simbiose e a variedade    entre esp&eacute;cies do g&ecirc;nero <I>Atta</I> e o fungo que cultivam; a    divis&atilde;o de trabalho, com indica&ccedil;&otilde;es de que ela pode variar    n&atilde;o apenas segundo a casta, mas tamb&eacute;m idade e tamanho entre as    oper&aacute;rias, formas que otimizam a efici&ecirc;ncia da col&ocirc;nia; al&eacute;m    de intera&ccedil;&otilde;es positivas com plantas, estimulando novas brota&ccedil;&otilde;es.    Os genomas das formigas, inclusive sa&uacute;vas, come&ccedil;am a ser sequenciados    e as conclus&otilde;es mostram que eles s&atilde;o menores que os tamanhos encontrados    na maioria dos genomas de outros insetos.</font></P>     <p><font size="3">A complexidade e organiza&ccedil;&atilde;o social das sa&uacute;vas    apontam para a necessidade de que muitos outros estudos ser&atilde;o necess&aacute;rios    para, no futuro, assegurar alguma tr&eacute;gua &agrave; produ&ccedil;&atilde;o    agr&iacute;cola. Para o deputado Moacir Micheletto (PMDB/PR), coordenador pol&iacute;tico    da Frente Parlamentar da Agropecu&aacute;ria no Congresso, o Brasil tem preju&iacute;zo    anual estimado de U$ 6,7 bilh&otilde;es em madeira de planta&ccedil;&otilde;es    florestais de pinheiro e eucalipto, por conta do ataque de cortadeiras. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Germana Barata</i></font></P>     ]]></body>
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