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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n3/brasil.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">B<SMALL>IBLIOTECAS CIENT&Iacute;FICAS</small></font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v61n3/line_blk.gif"></P>     <P><font size="4"><b>O que mudou na demanda pela informa&ccedil;&atilde;o?</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><img src="/img/revistas/cic/v61n3/selo.gif"></P>     <p><font size="3">No in&iacute;cio de 1949, a Sociedade Brasileira para o Progresso    da Ci&ecirc;ncia (SBPC) apresentava no primeiro n&uacute;mero da <I>Ci&ecirc;ncia    &amp; Cultura</I> um texto sobre o manifesto encaminhado ao ent&atilde;o governador    de S&atilde;o Paulo, Adhemar de Barros, em defesa das bibliotecas cient&iacute;ficas    do estado. Uma circular do governador havia restringido a aquisi&ccedil;&atilde;o    de novos peri&oacute;dicos cient&iacute;ficos a casos de exce&ccedil;&atilde;o    com justificativa. Mais de cinco d&eacute;cadas depois, o Centro Brasileiro    de Pesquisas F&iacute;sicas (CBPF) publicou na vers&atilde;o eletr&ocirc;nica    do <I>Jornal da Ci&ecirc;ncia</I>, da SBPC, um manifesto em defesa de sua biblioteca.    O motivo do desagravo era o corte de assinaturas entre 1998 e 2002 e a n&atilde;o    aquisi&ccedil;&atilde;o de novos t&iacute;tulos em 2003. Apesar da semelhan&ccedil;a    desses dois casos, muita coisa mudou ao longo da hist&oacute;ria em rela&ccedil;&atilde;o    ao consumo da informa&ccedil;&atilde;o em ci&ecirc;ncia.</font></P>     <p><font size="3">H&aacute; 60 anos, a pr&oacute;pria comunidade cient&iacute;fica    do pa&iacute;s estava apenas come&ccedil;ando a estruturar suas entidades representativas.    At&eacute; ent&atilde;o, apenas a Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias, fundada    em 1916, congregava pesquisadores a n&iacute;vel nacional &#151; e em sua fase inicial,    apenas aqueles das chamadas ci&ecirc;ncias duras. A SPBC, por exemplo, tinha    apenas um ano de exist&ecirc;ncia ao criar a <I>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</I>,    na qual divulgou aquele manifesto. Naquele per&iacute;odo, tamb&eacute;m surgiam    institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa voltadas para o desenvolvimento cient&iacute;fico    do pa&iacute;s, como o CBPF, fundado em 1949. Dois anos depois, seriam criados    o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico    (CNPq) e a Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento de Pessoal de    N&iacute;vel Superior (Capes). E, em 1954, surgiu o Instituto Brasileiro de    Bibliografia e Documenta&ccedil;&atilde;o (IBBD).</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n3/a05img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">"Nas d&eacute;cadas de 1950 e 1960, a ci&ecirc;ncia dependia    tremendamente de obras de refer&ecirc;ncia, de mecanismos que consolidassem    a dispers&atilde;o, reagrupassem o semelhante, de acordo com cada &aacute;rea    do saber. Da&iacute; a necessidade de centros de documenta&ccedil;&atilde;o,    como o IBBD, que oferecessem servi&ccedil;os gerais de refer&ecirc;ncia, tradu&ccedil;&atilde;o    de artigos, prepara&ccedil;&atilde;o de resumos e <I>abstracts</I>, interc&acirc;mbio    nacional e internacional de publica&ccedil;&otilde;es, reprografia e edi&ccedil;&atilde;o,    controle e gerenciamento de normas t&eacute;cnicas e patentes", diz Nanci    Oddone, do Instituto de Ci&ecirc;ncia da Informa&ccedil;&atilde;o da Universidade    Federal da Bahia (UFBA), que atualmente faz p&oacute;s&#45;doutorado em infoci&ecirc;ncia    pela Universidade de Kent, no Reino Unido. "Naquele per&iacute;odo, entretanto,    a ci&ecirc;ncia nacional era eminentemente 'consumidora' de documenta&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica, pois a produ&ccedil;&atilde;o nacional ainda era incipiente",    completa. Para se ter uma ideia, no in&iacute;cio dos anos 1980, os artigos    cient&iacute;ficos do Brasil representavam menos de 0,5% da produ&ccedil;&atilde;o    mundial, hoje passam dos 2%.</font></P>     <p><font size="3">Esse consumo se consolidou historicamente pela consulta &agrave;    material impresso, especialmente peri&oacute;dicos especializados. O CBPF, por    exemplo, sempre se orgulhou de ter em seu acervo peri&oacute;dicos de tradi&ccedil;&atilde;o,    como <I>The Philosophical Magazine</I> &#151; com n&uacute;meros publicados desde    1800 &#151;, <I>Comptes Rendus des S&eacute;ances de L'Acad&eacute;mie des Sciences</I>    &#151; desde 1835 &#151;, <I>Philosophical Transactions of the Royal Society of London</I>    &#151; desde 1875 &#151;, e <I>Proceedings of the Royal Society of London</I> &#151; desde    1877. A ci&ecirc;ncia brasileira, contudo, incluindo a f&iacute;sica, avan&ccedil;ou    muito e ganhou destaque internacional, engordando sua contribui&ccedil;&atilde;o    de artigos indexados no Thomson Reuters&#45;ISI em 2008, chegando a 30.451. A qualidade    dos artigos, medida pelo n&uacute;mero de cita&ccedil;&otilde;es recebidas,    ainda deixa a desejar, ficando abaixo da m&eacute;dia mundial que &eacute; de    1,44 cita&ccedil;&otilde;es por artigo. </font></P>     <p><font size="3">E, tamb&eacute;m, houve avan&ccedil;os consider&aacute;veis    na pr&oacute;pria forma de difus&atilde;o e consumo do conhecimento cient&iacute;fico.</font></P>     <p><font size="3">E &eacute; justamente esse avan&ccedil;o que distingue o manifesto    publicado em 2003 pelo CBPF, no boletim da SBPC, daquele divulgado na <I>Ci&ecirc;ncia    &amp; Cultura</I> em 1949. O mais recente deles criticava a pol&iacute;tica    do Minist&eacute;rio de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia de substituir o acervo f&iacute;sico    das bibliotecas cient&iacute;ficas das institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas    pelo acesso &agrave;s vers&otilde;es eletr&ocirc;nicas dispon&iacute;veis no    portal de peri&oacute;dicos da Capes. O texto do manifesto reconhecia o benef&iacute;cio    que as assinaturas eletr&ocirc;nicas traziam, em termos de democratiza&ccedil;&atilde;o    do acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, mas alertava    que em caso de eventual interrup&ccedil;&atilde;o das assinaturas do portal    da Capes, al&eacute;m de o acesso aos novos peri&oacute;dicos ser inviabilizado,    a leitura de revistas dos anos anteriores tamb&eacute;m estaria prejudicada.</font></P>     <p><font size="3">"O investimento em assinaturas do material impresso corresponde    a grande aporte de recursos. Da mesma forma, o acesso aos recursos eletr&ocirc;nicos    demandam custos de assinaturas, aquisi&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o    de equipamentos, redes, pessoal t&eacute;cnico, treinamento", avalia Eliana    de Azevedo Marques, diretora t&eacute;cnica do Sistema Integrado de Bibliotecas    da USP. "Diante dessa realidade, os investimentos para a aquisi&ccedil;&atilde;o    de peri&oacute;dicos ou base de dados requerem revis&atilde;o das pol&iacute;ticas    de distribui&ccedil;&atilde;o dos recursos, com extrema racionaliza&ccedil;&atilde;o    e responsabilidade, de modo a proporcionar o acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o    em suportes diversificados, colocando a comunidade cient&iacute;fica em sintonia    com seus pares e institui&ccedil;&otilde;es cong&ecirc;neres, em &acirc;mbito    nacional e internacional", conclui.</font></P>     <p><font size="3">Segundo ela, desde as primeiras iniciativas de acesso a peri&oacute;dicos    eletr&ocirc;nicos, na d&eacute;cada passada, a pol&iacute;tica de aquisi&ccedil;&atilde;o    de cole&ccedil;&otilde;es na USP se pautou pela manuten&ccedil;&atilde;o de    pelo menos uma cole&ccedil;&atilde;o impressa, desde que o acesso &agrave;s    revistas eletr&ocirc;nicas esteja dispon&iacute;vel para toda a universidade.    Al&eacute;m disso, com as novas tecnologias, a digitaliza&ccedil;&atilde;o do    conhecimento cient&iacute;fico entrou em um caminho sem volta, que envolve n&atilde;o    apenas os peri&oacute;dicos, como inclusive teses, disserta&ccedil;&otilde;es    e obras raras, as quais continuar&atilde;o a ter suas vers&otilde;es impressas    nos acervos das bibliotecas e poder&atilde;o ser consultadas por pesquisadores    de outras regi&otilde;es, atrav&eacute;s dos bancos de dados eletr&ocirc;nicos,    sem a necessidade do deslocamento f&iacute;sico.</font></P>     <p><font size="3">O cen&aacute;rio, de fato, mudou consideravelmente ao longo    de seis d&eacute;cadas, mas ainda h&aacute; lacunas a serem preenchidas. "Hoje,    n&atilde;o precisamos lutar tanto, como em 1949, para evitar cortes em assinaturas    de revistas cient&iacute;ficas, muito embora seja preciso reconhecer que o portal    &#91;da Capes&#93; n&atilde;o cobre tudo, s&oacute; oferece acesso a uma parte da produ&ccedil;&atilde;o    internacional", afirma Nanci, da UFBA. "E a simples justaposi&ccedil;&atilde;o    de recursos em listagens alfab&eacute;ticas &eacute; muito pouco atraente para    o pesquisador", acrescenta. Ela lembra que o Instituto Brasileiro de Informa&ccedil;&atilde;o    em Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (Ibict), sucessor do IBBD, n&atilde;o est&aacute;    mais &agrave; frente da defini&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica nacional    de informa&ccedil;&atilde;o. "Hoje &eacute; a Capes que dita essas normas    e define os padr&otilde;es. E nem sempre o processo de escolha e sele&ccedil;&atilde;o    tem sido transparente", lamenta.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Isso se reflete no pr&oacute;prio consumo da informa&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica, que pode ser baixo mesmo nos casos em que h&aacute; bastante    oferta de t&iacute;tulos dispon&iacute;veis. "Eu e meus orientandos temos    verificado que o portal ainda n&atilde;o foi t&atilde;o utilizado quanto seria    desej&aacute;vel", revela a especialista que pesquisa dados bibliom&eacute;tricos    de uso do portal da Capes em diversas &aacute;reas do conhecimento. De acordo    com um levantamento relativo a 2003 e 2004, o portal cobria apenas 25% dos peri&oacute;dicos    nos quais a comunidade cient&iacute;fica publicou. Em rela&ccedil;&atilde;o    aos artigos citados, o percentual daqueles acess&iacute;veis no portal &eacute;    ainda menor: 22,7%. "A Capes nos faz acreditar que a cole&ccedil;&atilde;o    disponibilizada pelo portal &eacute; a melhor alternativa em termos dos pacotes    dispon&iacute;veis. Cabe a n&oacute;s, portanto, usu&aacute;rios, bibliotec&aacute;rios    e pesquisadores, o &ocirc;nus de contestar esse fato. E de cobrar mudan&ccedil;as,    se for o caso", defende.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Rodrigo Cunha</i></font></P>      ]]></body>
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