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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Democratização da ciência se amplia na região, mas tecnologia continua concentrada]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n3/mundo.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>AM&Eacute;RICA LATINA</b></font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v61n3/line_blk.gif"></p>     <P><font size="4"><b>Democratiza&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia se amplia na    regi&atilde;o, mas tecnologia continua concentrada</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">O Brasil foi o pa&iacute;s que mais cresceu em n&uacute;mero    de publica&ccedil;&otilde;es, em 2008, segundo dados do instituto Thomson Reuters    publicados em maio. Os n&uacute;meros mostrados pelos indicadores de ci&ecirc;ncia    e tecnologia (C&amp;T) na Am&eacute;rica Latina, divulgados no relat&oacute;rio    anual "El estado de la ciencia 2008", tamb&eacute;m s&atilde;o animadores.    Publicado pela Rede de Indicadores de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (Ricyt), o    relat&oacute;rio mostra, entre outros aspectos positivos, um aumento no n&uacute;mero    de publica&ccedil;&otilde;es em revistas internacionais, de cientistas, de pedidos    de patentes e de valores provenientes de investimento privado. Apesar de ser    necess&aacute;rio avan&ccedil;ar e coordenar esfor&ccedil;os para que esses    dois &uacute;ltimos indicadores melhorem e gerem desenvolvimentos social e econ&ocirc;mico,    h&aacute; um processo de democratiza&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia, que    est&aacute; impulsionando a participa&ccedil;&atilde;o da Am&eacute;rica Latina    no cen&aacute;rio internacional.</font></P>     <P><font size="3">Na avalia&ccedil;&atilde;o de Andr&eacute; Tossi Furtado, professor    do Departamento de Pol&iacute;tica Cient&iacute;fica e Tecnol&oacute;gica da    Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a ci&ecirc;ncia est&aacute; passando    por um processo de democratiza&ccedil;&atilde;o, no qual h&aacute; mais receptividade    das grandes revistas a artigos de pa&iacute;ses pobres, mas o mesmo n&atilde;o    acontece no processo de desenvolvimento de tecnologias. Basta verificar, segundo    Furtado, a quantidade de patentes depositadas, ainda muito concentradas em alguns    dos pa&iacute;ses ricos que tradicionalmente mant&ecirc;m a lideran&ccedil;a    num&eacute;rica. </font></P>     <P><font size="3">O relat&oacute;rio da Ricyt, no entanto, aponta que houve diminui&ccedil;&atilde;o    da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica por unidade de produ&ccedil;&atilde;o    econ&ocirc;mica contabilizada. Existem duas quest&otilde;es cruciais n&atilde;o    discutidas no relat&oacute;rio, na avalia&ccedil;&atilde;o de Ivan da Costa    Marques, professor do Departamento de Ci&ecirc;ncia da Computa&ccedil;&atilde;o    da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A primeira &eacute; a administra&ccedil;&atilde;o    da pesquisa, segundo ele, baseada exagerada e exclusivamente nos indicadores,    que passam a ser perseguidos como representantes fi&eacute;is de algo desejado.    "Mas o aumento de um indicador n&atilde;o corresponde necessariamente a    um aumento daquilo que, muitas vezes, as pessoas enxergam como sendo fielmente    indicado por ele", pondera o professor da UFRJ. O segundo ponto &eacute;    que dever&iacute;amos desenvolver nossos pr&oacute;prios indicadores e n&atilde;o    universalizar como prontos os indicadores de constru&ccedil;&atilde;o de conhecimentos    cient&iacute;ficos e tecnol&oacute;gicos da Organiza&ccedil;&atilde;o para a    Coopera&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Econ&ocirc;mico (OCDE), feita por    pa&iacute;ses ricos.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3"><b>TRANSFER&Ecirc;NCIA DE TECNOLOGIA </b>O fato de o investimento    privado em C&amp;T ser relativamente baixo no Brasil ocorre, na avalia&ccedil;&atilde;o    de Furtado, porque o sistema econ&ocirc;mico voltado para o abastecimento do    mercado interno n&atilde;o exige investimentos. O Brasil tem mais produ&ccedil;&atilde;o    em manufaturados, e a ind&uacute;stria de alta tecnologia &eacute; fraca, com    apenas tr&ecirc;s setores com investimentos representativos em pesquisa e desenvolvimento.    Um deles &eacute; o automobil&iacute;stico que, embora s&oacute; tenha multinacionais,    investe na adapta&ccedil;&atilde;o de ve&iacute;culos &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es    brasileiras. J&aacute; o setor de petr&oacute;leo tem dificuldades na extra&ccedil;&atilde;o,    o que acaba por estimular a necessidade de desenvolvimento cient&iacute;fico    e tecnol&oacute;gico. Outro setor, o de avia&ccedil;&atilde;o, &eacute; representado    pela Embraer, fruto de pol&iacute;ticas governamentais que estimularam pol&iacute;ticas    de inova&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <P><font size="3">Em pa&iacute;ses desenvolvidos, com muitas empresas de alta    tecnologia, apesar do grande investimento privado, ainda h&aacute; muita depend&ecirc;ncia    da pesquisa b&aacute;sica em rela&ccedil;&atilde;o ao apoio dado pelo Estado.    "Os pa&iacute;ses desenvolvidos t&ecirc;m que investir rios de dinheiro    para serem l&iacute;deres", lembra Furtado. Como exemplo ele cita o setor    da aeron&aacute;utica nos EUA, em que as condi&ccedil;&otilde;es para a lideran&ccedil;a    mundial foram proporcionadas pelos investimentos p&uacute;blicos em pesquisa    e desenvolvimento militar. O pesquisador da Unicamp destaca, no entanto, que    "n&atilde;o basta somente investir, &eacute; necess&aacute;rio ter uma    pol&iacute;tica que gere demanda de conhecimentos na ind&uacute;stria".</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n3/a07img01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">O baixo investimento privado em pesquisa na Am&eacute;rica Latina,    portanto, &eacute; avaliado como um problema para a transfer&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica    para o setor produtivo. Ivan da Costa Marques, acredita que respostas e solu&ccedil;&otilde;es    leg&iacute;timas para problemas da transfer&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica s&oacute;    podem ser espec&iacute;ficas e emp&iacute;ricas, resultados de pesquisas com    densidade etnogr&aacute;fica. "Caso a caso, o principal seria pesquisar    e entender a cadeia que vai desde o conhecimento cient&iacute;fico&#45;tecnol&oacute;gico    (brasileiro ou estrangeiro) ou, em outros casos, desde o pesquisador brasileiro,    at&eacute; o usu&aacute;rio local, e como pode ser buscada e constru&iacute;da    uma rela&ccedil;&atilde;o em que o aumento da pesquisa fa&ccedil;a com que seus    resultados apare&ccedil;am nos meios que os pa&iacute;ses da Am&eacute;rica    Latina e, particularmente, o Brasil disp&otilde;em para aumentar a qualidade    de vida de suas popula&ccedil;&otilde;es", explica.</font></P>     <P><font size="3"><b>NOVAS OPORTUNIDADES</b> Para Marques, talvez n&atilde;o tenha    ainda entrado em clara circula&ccedil;&atilde;o a percep&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica    de que &agrave;s novas situa&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas correspondem    for&ccedil;osamente novas constru&ccedil;&otilde;es de conhecimento e, portanto,    nos dias de hoje, novas ci&ecirc;ncias e tecnologias.</font></P>     <P><font size="3">Os efeitos da crise econ&ocirc;mica internacional ainda n&atilde;o    chegaram a abalar a produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Mas, poderiam    trazer algo de positivo, "principalmente se mantidas as condi&ccedil;&otilde;es    para expans&atilde;o dos valores democr&aacute;ticos, com a discuss&atilde;o    do que aceitar e do que rejeitar nas proposi&ccedil;&otilde;es de modelos de    constru&ccedil;&atilde;o de conhecimentos cient&iacute;ficos e tecnol&oacute;gicos,    que nos dias de hoje s&atilde;o proposi&ccedil;&otilde;es de modelos de vida",    afirma o pesquisador da UFRJ. Ele n&atilde;o se refere &agrave; constru&ccedil;&atilde;o    de um mundo novo a partir da nega&ccedil;&atilde;o do que se tem hoje, mas por    meio da negocia&ccedil;&atilde;o, caso a caso, das respostas &agrave;s perguntas:    "quantos somos?" e "como podemos viver juntos?". "Pesquisa    &eacute; constru&ccedil;&atilde;o, &eacute; a&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o se    escapa disso, e talvez as pr&oacute;prias universidades dos pa&iacute;ses da    OCDE nos ofere&ccedil;am mais claramente os instrumentos para responder essa    quest&atilde;o agora", conclui Marques.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="right"><font size="3"><i>Alessandro Piolli</i></font></P>     ]]></body>
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