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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n3/artigos.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>O <i>SER</i> DA AMAZ&Ocirc;NIA: IDENTIDADE E INVISIBILIDADE</b></font></P>     <P><font size="3"><b>Therezinha de Jesus Pinto Fraxe    <br>   Ant&ocirc;nio Carlos Witkoski    <br>   Samia Feitosa Miguez</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b> Caboclos, ribeirinhos, caboclo&#45;ribeirinhos,    seringueiros. O homem amaz&ocirc;nico &eacute; fruto da conflu&ecirc;ncia de    sujeitos sociais distintos &#151; amer&iacute;ndios da v&aacute;rzea e/ou terra firme,    negros, nordestinos e europeus de diversas nacionalidades (portugueses, espanh&oacute;is,    holandeses, franceses, etc) &#151; que inauguram novas e singulares formas de organiza&ccedil;&atilde;o    social nos tr&oacute;picos amaz&ocirc;nicos. Diferenciada em suas matrizes geracionais,    marcada por dinamismos e sincretismos singulares, a forma&ccedil;&atilde;o social    amaz&ocirc;nica foi fundamentada historicamente em tipos variados de escravismo    e servid&atilde;o. Assim, falar dos povos da Amaz&ocirc;nia requer um (re)conhecimento    da grande diversidade ambiental e social da regi&atilde;o, noutras palavras,    &eacute; preciso tomar como ponto de partida o desenvolvimento hist&oacute;rico    da regi&atilde;o. Trata&#45;se de recorrer a uma antiga (por&eacute;m atual) indaga&ccedil;&atilde;o:    <I>o que &eacute; ser da Amaz&ocirc;nia</I> ou, noutras palavras, quais s&atilde;o    as consequ&ecirc;ncias do processo de forma&ccedil;&atilde;o da (suposta) identidade    dos seus habitantes no contexto amaz&ocirc;nico?</FONT></P>     <p><font size="3">A Amaz&ocirc;nia &eacute; (re)conhecida internacionalmente por    suas paisagens exuberantes e continentais, nas quais o homem configura como    parte indissoci&aacute;vel, quase imobilizado no &acirc;mago da natureza, como    se fosse poss&iacute;vel a exist&ecirc;ncia no mundo contempor&acirc;neo de    uma natureza intocada. Neste processo, a hist&oacute;ria do homem na Amaz&ocirc;nia    &eacute; marcada por sil&ecirc;ncios e aus&ecirc;ncias que acentuam a sua relativa    invisibilidade e velam os tra&ccedil;os configurativos da sua identidade. Desse    modo, adentrar o universo identit&aacute;rio dos povos amaz&ocirc;nicos implica    considerar um mundo de ambiguidades, trata&#45;se de percorrer caminhos que se cruzam    e se contrap&otilde;em, mascaram diferencia&ccedil;&otilde;es sociais que t&ecirc;m    entravado processos de emancipa&ccedil;&atilde;o social e pol&iacute;tica.</font></P>     <p><font size="3"><b>REFLEXOS INDESEJ&Aacute;VEIS DA IDENTIDADE: O SER DA AMAZ&Ocirc;NIA</b>    Em primeiro lugar, &eacute; preciso entender que os povos da Amaz&ocirc;nia    n&atilde;o vivem isolados no tempo e no espa&ccedil;o, pelo contr&aacute;rio,    sempre estabeleceram &#151; e continuam a estabelecer &#151; rela&ccedil;&otilde;es de    trocas materiais e simb&oacute;licas entre si, com as comunidades vizinhas e    com os agentes mediadores da cultura, entre o mundo rural e o urbano e a vida    em escala global. A Amaz&ocirc;nia nasce e se desenvolve no &acirc;mago e nos    dilemas da moldura da civiliza&ccedil;&atilde;o euroantropoc&ecirc;ntrica. A    ideia de que esses povos sustentam um modo de vida estritamente tradicional    n&atilde;o deve ser considerada, tal como se vivessem de modo est&aacute;tico    e congelado. Suas manifesta&ccedil;&otilde;es culturais e sociais se expandem    pelo mundo urbano e vice&#45;versa, assimilando algumas pr&aacute;ticas e rejeitando    outras. Ainda que reproduzam manifesta&ccedil;&otilde;es ditas tradicionais    em suas vidas cotidianas, n&atilde;o podemos afirmar que esses grupos sociais    n&atilde;o estejam inseridos em um processo progressivo de diferencia&ccedil;&atilde;o    e transforma&ccedil;&atilde;o. </FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Para compreender esses grupos sociais &eacute; preciso desvendar    seu cotidiano, &eacute; necess&aacute;rio considerar o contexto contradit&oacute;rio    no qual est&atilde;o inseridas suas manifesta&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas    culturais. Entender o modo de vida dos grupos sociais que habitam a Amaz&ocirc;nia    n&atilde;o significa apenas conhecer e descrever a riqueza dos seus recursos    naturais, mas, sobretudo, compreender seus vastos territ&oacute;rios. &Eacute;    preciso perceber que, para al&eacute;m da paisagem natural, harm&ocirc;nica    e rom&acirc;ntica, h&aacute; paisagens socialmente constru&iacute;das repletas    de contrastes e contradi&ccedil;&otilde;es.</font></P>     <p><font size="3">Os numerosos grupos sociais que habitam a Amaz&ocirc;nia desenvolvem    um singular estilo de vida, transmitindo seus costumes e pr&aacute;ticas culturais    de gera&ccedil;&atilde;o em gera&ccedil;&atilde;o, sem, muitas vezes, haver    um reconhecimento pol&iacute;tico de suas exist&ecirc;ncias (1). Cada palavra,    cada gesto, cada pedacinho dessa gente e de seus lugares, quase invis&iacute;veis,    foram&#45;se acumulando, revelando uma forma singular de vida que revela o irrevel&aacute;vel,    que exprime o inexprim&iacute;vel.</font></P>     <p><font size="3">Diante das transforma&ccedil;&otilde;es desse fluxo hist&oacute;rico    marcado por continuidades/descontinuidades, foram&#45;se definindo povoados, rotas,    caminhos, <I>habitus</I> e identidades &#151; enfim, territ&oacute;rios. Em face    das misturas e presen&ccedil;as entremeadas nesse vasto territ&oacute;rio emergiram    diferentes tipos sociais, trabalhadores que, diante das condi&ccedil;&otilde;es    mais adversas, inventaram e reinventaram formas de sobreviv&ecirc;ncia, adaptaram&#45;se    passiva e ativamente &agrave;s sutilezas complexas dos seus m&uacute;ltiplos    ecossistemas. A altera&ccedil;&atilde;o na composi&ccedil;&atilde;o &eacute;tnica    da regi&atilde;o fez surgir n&atilde;o s&oacute; novos tipos sociais, frutos    da mistura social, cultural e racial, mas tamb&eacute;m um novo estilo de vida.    Embora as tentativas de eliminar e/ou esconjurar qualquer tra&ccedil;o da cultura    e modo de vida ind&iacute;gena tenham sido inflex&iacute;veis e avassaladoras,    o resultado n&atilde;o foi plenamente alcan&ccedil;ado. O <I>ser da Amaz&ocirc;nia</I>    permanece imbu&iacute;do da identidade dos nossos mais antigos ancestrais &#151;    os amer&iacute;ndios da v&aacute;rzea e/ou terra firme.</font></P>     <p><font size="3">A iniciativa de dar visibilidade aos povos amaz&ocirc;nicos    pressup&otilde;e consider&aacute;&#45;los inseridos em um contexto de mudan&ccedil;as    hist&oacute;ricas, sujeitos &agrave;s mesmas din&acirc;micas que permeiam o    sistema socioecon&ocirc;mico e pol&iacute;tico&#45;cultural da civiliza&ccedil;&atilde;o    contempor&acirc;nea. Trata&#45;se de criar mecanismos que facilitem e possibilitem    a participa&ccedil;&atilde;o desses grupos sociais nos processos de decis&atilde;o    do poder, de modo cr&iacute;tico e consciente. Para isso, &eacute; preciso fazer    da emancipa&ccedil;&atilde;o social um projeto de todos, constru&iacute;do por    todos os cidad&atilde;os. </font></P>     <p><font size="3">Se podemos compreender que o homem &eacute; produto das condi&ccedil;&otilde;es    hist&oacute;ricas, n&atilde;o devemos esquecer que ele &eacute;, ao mesmo tempo,    produtor da hist&oacute;ria. Nesse sentido, o homem amaz&ocirc;nico, como de    resto todos os homens, deve ser compreendido como projeto no sentido satreano    do termo. Nessa concep&ccedil;&atilde;o, necessidade e liberdade s&atilde;o    elementos distintos e complementares intr&iacute;nsecos do projeto humano. Aqui,    para superarmos as possibilidades de uma raz&atilde;o ainda portadora de res&iacute;duos    coloniais, torna&#45;se imperativo reconhecer e ativar a perspectiva de que o importante    n&atilde;o &eacute; aquilo que se fez do homem, o importante &eacute; aquilo    que o homem far&aacute; com o que fizeram dele (2).</font></P>     <p><font size="3"><b>INVISIBILIDADE E MODERNIDADE: O QUE &Eacute; SER DA AMAZ&Ocirc;NIA?</b>    Para Anthony Giddens (3), n&atilde;o podemos afirmar que estamos diante de um    per&iacute;odo p&oacute;s&#45;moderno plenamente institu&iacute;do, mas perceber    que essa &eacute;poca se configura um tempo em que as consequ&ecirc;ncias da    modernidade se tornaram mais radicais e universais. Embora existam ordens sociais    p&oacute;s&#45;modernas, n&atilde;o podemos determinar ainda a exist&ecirc;ncia    de uma era p&oacute;s&#45;moderna, tendo em vista que o desenvolvimento social atual    &eacute; marcado por um fluxo civilizat&oacute;rio assinalado por significativas    descontinuidades hist&oacute;ricas. Assim, devemos reconhecer que, no mundo    social institu&iacute;do, coexistem dimens&otilde;es de um mundo social pr&eacute;&#45;moderno,    moderno e tra&ccedil;os configurativos emergentes da p&oacute;s&#45;modernidade.</font></P>     <p><font size="3">&Eacute; preciso entender as descontinuidades da modernidade    como uma esp&eacute;cie de desenvolvimento desigual e nem sempre combinado da    pr&oacute;pria modernidade, ou melhor, como as consequ&ecirc;ncias da pr&oacute;pria    modernidade. Contudo, &eacute; necess&aacute;rio ressaltar que descontinuidades    est&atilde;o presentes nas v&aacute;rias fases do desenvolvimento hist&oacute;rico,    tecendo pontos de conex&atilde;o entre os aspectos da vida moderna e os da vida    tradicional. Os modos de vida produzidos e reproduzidos pela modernidade tendem    a nos afastar dos tipos tradicionais de ordem social, em raz&atilde;o de que    as mudan&ccedil;as engendradas nessas sociedades s&atilde;o mais profundas que    em qualquer outro per&iacute;odo precedente. </font></P>     <p><font size="3">A reflex&atilde;o te&oacute;rica apresentada por Anthony Giddens    (3) nos &eacute; muito &uacute;til para entender as consequ&ecirc;ncias da modernidade    na constru&ccedil;&atilde;o e reconstru&ccedil;&atilde;o de uma suposta identidade    regional na Amaz&ocirc;nia. Partimos do pressuposto de que o homem amaz&ocirc;nico    n&atilde;o est&aacute; cristalizado no tempo, apesar de buscar manter suas pr&aacute;ticas    tradicionais, recebe influ&ecirc;ncias diversas da sociedade urbano&#45;industrial.    Portanto, &eacute; preciso perceber que a descontinuidade tal como proposta    por Giddens tamb&eacute;m se faz presente na realidade cotidiana dos povos da    Amaz&ocirc;nia. </font></P>     <p><font size="3">Para quem se permite mergulhar no universo amaz&ocirc;nico,    deve compreender que essa realidade n&atilde;o &eacute; homog&ecirc;nea e nem    uniforme, pelo contr&aacute;rio, mascara rela&ccedil;&otilde;es sociais diferenciadas    e rejei&ccedil;&otilde;es. Aqui se torna necess&aacute;rio retomar o processo    hist&oacute;rico de constru&ccedil;&atilde;o e desconstru&ccedil;&atilde;o do    sujeito social de m&uacute;ltiplas identidades. Tal como afirma Bauman (4),    as identidades s&atilde;o flutuantes, se algumas delas lhes s&atilde;o lan&ccedil;adas    desde quando voc&ecirc; nasce, pelas pessoas a sua volta, outras s&atilde;o    escolhidas e determinadas por voc&ecirc; mesmo, em outras circunst&acirc;ncias    sociais. A identidade n&atilde;o &eacute; s&oacute;lida, mas l&iacute;quida,    depende dos caminhos percorridos, das rela&ccedil;&otilde;es de pertencimento,    sobretudo, para aqueles marginalizados da globaliza&ccedil;&atilde;o, envolvidos    nas consequ&ecirc;ncias desastrosas de um projeto frustrado de coloniza&ccedil;&atilde;o.    Nesse oceano de acontecimentos, a identidade deve ser percebida como uma tentativa    constante em refazer e reinventar sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria. </font></P>     <p><font size="3">Desse modo, n&atilde;o podemos identificar um ou outro per&iacute;odo    ou contrast&aacute;&#45;los, a ideia &eacute; desconstruir, perceber que a hist&oacute;ria,    mesmo quando compreendida como totalidade, sempre se apresenta como algo inacabado    e indeterminado &#150; a hist&oacute;ria deve ser compreendida como unidade em sua    organiza&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o. Assim, &eacute; preciso    perceber que essas descontinuidades envolvem e est&atilde;o envolvidas nos ritmos    das mudan&ccedil;as &#150; a modernidade &eacute; por natureza multidimensional no    &acirc;mbito das institui&ccedil;&otilde;es. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n3/a12img01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Se, em outros momentos, as institui&ccedil;&otilde;es sociais    eram fundamentais para a garantia de tradi&ccedil;&otilde;es e costumes, reconhecemos    neste momento que as institui&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m est&atilde;o inseridas    nesse processo de descontinuidade, de transforma&ccedil;&atilde;o das suas pr&aacute;ticas    e manifesta&ccedil;&otilde;es. Sem d&uacute;vida, a igreja e a fam&iacute;lia,    por exemplo, assumiram um papel fundamental na forma&ccedil;&atilde;o das comunidades    na Amaz&ocirc;nia, garantindo a sustenta&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es    de troca material e/ou simb&oacute;lica do homem interiorano na Amaz&ocirc;nia.    Embora, essas institui&ccedil;&otilde;es ainda cumpram o papel de cultivar rela&ccedil;&otilde;es    comunais do homem amaz&ocirc;nico, compreendemos que essas rela&ccedil;&otilde;es    est&atilde;o se transformando substancialmente, uma vez que est&atilde;o sendo    contagiados por novos <I>habitus</I> e interesses da sociedade envolvente. </font></P>     <p><font size="3">Al&eacute;m disso, como afirma Giddens, o dinamismo da modernidade    desloca o espa&ccedil;o atrav&eacute;s do tempo. Na modernidade o espa&ccedil;o    &eacute; "arrancado" do tempo, as pessoas podem estar localmente distantes    uma da outra, mas n&atilde;o deixam de receber influ&ecirc;ncias entre si. O    lugar adquire uma condi&ccedil;&atilde;o fantasmag&oacute;rica, ele pode n&atilde;o    estar vis&iacute;vel, mas permanece moldando as vidas das pessoas. Esse car&aacute;ter    desencaixado da modernidade garante a expans&atilde;o, cada vez maior, das possibilidades    de mudan&ccedil;as, ligando o global ao local e o local ao global na vida cotidiana.    </font></P>     <p><font size="3">Na Amaz&ocirc;nia, como de resto na Terra, as condi&ccedil;&otilde;es    naturais s&atilde;o imperativas, mas n&atilde;o sem as media&ccedil;&otilde;es    da cultura objetivada em pr&aacute;ticas sociais e modos de vida que as superam.    Aqui, n&atilde;o podemos deixar de mencionar que as possibilidades de mudan&ccedil;as    est&atilde;o em todas as partes, o acesso a informa&ccedil;&otilde;es e tecnologias    garante uma era de transi&ccedil;&otilde;es, de separa&ccedil;&otilde;es e de    fus&otilde;es. Essas diferencia&ccedil;&otilde;es ocorrem de modo gradual e    interno, algumas s&atilde;o assimiladas e outras s&atilde;o rejeitadas. Ambas    as possibilidades fazem parte das escolhas e dos interesses que, para quem se    atreve em entender, logo abandona a ideia rom&acirc;ntica do que &eacute; <I>ser    da Amaz&ocirc;nia</I>. </font></P>     <p><font size="3"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b> Em meio a in&uacute;meras    tentativas de progresso econ&ocirc;mico &agrave; custa dos ricos potenciais    existentes na regi&atilde;o amaz&ocirc;nica, paira a incerteza do <I>ser da    Amaz&ocirc;nia</I>. Entre tantos projetos implantados em diferentes localidades    da regi&atilde;o, sempre esteve a presen&ccedil;a do homem amaz&ocirc;nico,    apoiando projetos pol&iacute;ticos enganosos e fantasiosos, motivados pela eterna    cobi&ccedil;a de acumular fortunas e riquezas inating&iacute;veis. &Eacute;    de posse dos pequenos e indispens&aacute;veis fragmentos da pol&iacute;tica    que o homem amaz&ocirc;nico construiu e constr&oacute;i suas concep&ccedil;&otilde;es    e perspectivas de vida; a cada novo momento, desse cen&aacute;rio complexo,    renasce a esperan&ccedil;a de melhores condi&ccedil;&otilde;es de habita&ccedil;&atilde;o,    escolaridade, sa&uacute;de, renda etc.</font></P>     <p><font size="3">&Eacute; preciso garantir o devido respeito &agrave; natureza    vulner&aacute;vel e ao modo dos seres da Amaz&ocirc;nia, das suas potencialidades    idiossincr&aacute;ticas. As a&ccedil;&otilde;es gerenciadoras dos governos devem    ter converg&ecirc;ncia para o homem &#151;, figura central desse processo &#151; ajudando&#45;o    a desenvolver&#45;se no campo de suas possibilidades. O homem da Amaz&ocirc;nia    n&atilde;o pode mais ficar abandonado &agrave; beira dos caminhos, &agrave;    beira das estradas, &agrave;s margens dos rios, &agrave; espera das novas rotas    dos projetos de desenvolvimento que n&atilde;o os consideram como sujeitos portadores    de hist&oacute;ria. A responsabilidade &eacute; de todos. Segundo Darcy Ribeiro    (5), &eacute; preciso enfrentar lucidamente esses problemas, concatenar as energias    e us&aacute;&#45;las politicamente, uma vez que o povo brasileiro j&aacute; pagou    um alto pre&ccedil;o em suas lutas hist&oacute;ricas e sangrentas. </font></P>     <p><font size="3">Por fim, esbarramos novamente no dilema: <I>o que &eacute; ser    da Amaz&ocirc;nia</I>, quais s&atilde;o as consequ&ecirc;ncias e resultados    do processo hist&oacute;rico de coloniza&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento    na identidade da popula&ccedil;&atilde;o local? A eterna tentativa de integrar    a Amaz&ocirc;nia ao restante do Brasil revela n&atilde;o s&oacute; uma perspectiva    geopoliticamente equivocada, mas, sobretudo, um afastamento da diversidade &eacute;tnica    e cultural que precisa ser entendida e admitida na sua singularidade. Uma inten&ccedil;&atilde;o    em n&atilde;o se identificar o homem amaz&ocirc;nico com o inferior e/ou primitivo.    </font></P>     <p><font size="3">Apesar disso, podemos afirmar que, durante o processo de coloniza&ccedil;&atilde;o    das sociedades amer&iacute;ndias e do surgimento dos novos grupos sociais, nem    mesmo a natureza foi um fator que se manteve constante. Embora apresentem grandes    diferencia&ccedil;&otilde;es entre si, h&aacute; um aspecto que se manteve comum    entre os grupos sociais da Amaz&ocirc;nia &#151; a sua relativa invisibilidade social    e pol&iacute;tica. Atualmente, essas sociedades representam os antagonismos    resultantes de um projeto de coloniza&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o    de uma identidade nacional. Essa coloniza&ccedil;&atilde;o se deu de modo diferenciado,    em v&aacute;rios momentos da hist&oacute;ria, por v&aacute;rios grupos sociais.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">No entanto, n&atilde;o basta garantir condi&ccedil;&otilde;es    de visibilidade para essas sociedades, &eacute; preciso reconhecer que elas    possuem uma diversidade de pr&aacute;ticas e manifesta&ccedil;&otilde;es culturais    que n&atilde;o podem ser homogeneizadoras. Tampouco utilizadas em discursos    ambientalistas e ecol&oacute;gicos para retratar uma realidade mascarada em    uma identidade regional que n&atilde;o leva em considera&ccedil;&atilde;o as    ambiguidades e antagonismos sociais. Pois, independente da denomina&ccedil;&atilde;o    utilizada para retratar o sujeito social da Amaz&ocirc;nia, devemos buscar,    em primeiro lugar, o reconhecimento da import&acirc;ncia de participa&ccedil;&atilde;o    dessas sociedades no processo de forma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e identit&aacute;ria    local. </font></P>     <p><font size="3">Entendemos assim que <I>ser da Amaz&ocirc;nia</I> n&atilde;o    implica apenas uma localiza&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o, uma localiza&ccedil;&atilde;o    geogr&aacute;fica. <I>Ser da Amaz&ocirc;nia</I> implica em um comprometimento    pol&iacute;tico e social, que n&atilde;o se reduz &agrave; descri&ccedil;&atilde;o    e an&aacute;lise de modos e pr&aacute;ticas culturais tradicionais e espec&iacute;ficas    da regi&atilde;o. Esse comprometimento est&aacute; para al&eacute;m do local    de nascimento ou pertencimento, faz parte de um interesse comum em (re)inventar    os percursos de uma hist&oacute;ria marcada pela desigualdade e inferioriza&ccedil;&atilde;o,    imposta por um projeto civilizat&oacute;rio que tem como marca a domestica&ccedil;&atilde;o    das m&uacute;ltiplas alteridades amaz&ocirc;nicas. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><i><b>Therezinha de Jesus Pinto Fraxe</b> &eacute; professora    doutora do Departamento de Ci&ecirc;ncias Fundamentais e Desenvolvimento Agr&iacute;cola    da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Trabalha nos programas de p&oacute;s&#45;gradua&ccedil;&atilde;o    em ci&ecirc;ncias do ambiente e no de sociologia, al&eacute;m de atuar como    coordenadora e pesquisadora do N&uacute;cleo de Socioeconomia da Ufam.    <br>   <b>Ant&ocirc;nio Carlos Witkoski</b> &eacute; professor doutor do Departamento    de Ci&ecirc;ncias Sociais da Ufam. Trabalha no programa de p&oacute;s&#45;gradua&ccedil;&atilde;o    em sociologia e no de sociedade e cultura na Amaz&ocirc;nia.    <br>   <b>Samia Feitosa Miguez</b> &eacute; graduada em ci&ecirc;ncias sociais e mestranda    em sociologia pela Ufam. &Eacute; pesquisadora do N&uacute;cleo de Socioeconomia    da mesma universidade.</i></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Fraxe, T. J. P. <I>Cultura cabocla/ribeirinha: mito, lendas    e transculturalidade</I>. S&atilde;o Paulo: Annablume, 2004.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">2. Lapouge, G. "O rosto misterioso de um irm&atilde;o".    <I>In: </I>Sartre, J. <I>O testamento de Sartre</I>. Trad. Ag&ecirc;ncia O Estado.    Porto Alegre: L&amp;PM Editores. 1981.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">3. Giddens, A. <I>As consequ&ecirc;ncias da modernidade</I>.    Trad. Raul Fiker. S&atilde;o Paulo: Editora Unesp, 1991.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">4. Bauman, Z. <I>Identidade</I>. Trad. Carlos Alberto Medeiros.    Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editores, 2005.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">5. Ribeiro, D. <I>O povo brasileiro: a forma&ccedil;&atilde;o    e o sentido do Brasil</I>. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras, 2001.     </font></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>BIBLIOGRAFIA CONSULTADA</b></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Adams, C. Sociedades caboclas amaz&ocirc;nicas: invisibilidade    e modernidade. S&atilde;o Paulo: Annablume, 2006.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Santos, B. S. Renovar a teoria cr&iacute;tica e reinventar a    emancipa&ccedil;&atilde;o social. Trad. Mouzar Benedito. S&atilde;o Paulo: Boitempo,    2007.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Sartre, J. <I>O testamento de Sartre</I>. Trad. Ag&ecirc;ncia    O Estado. Porto Alegre: L&amp;PM Editores. 1981.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Witkoski, A. C. <I>Terras, florestas e &aacute;guas de trabalho:    os camponeses amaz&ocirc;nicos e as formas de uso de seus recursos naturais.</I>    Manaus: Editora da Universidade Federal do Amazonas, 2007.</font> ]]></body><back>
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