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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n3/artigos.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>O BEM CULTURAL NA AMAZ&Ocirc;NIA</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Rob&eacute;rio Braga</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b><font size=5>O</font></b> instituto <I>bem</I> tem sido    estudado pelo direito, filosofia, psicologia, economia, f&iacute;sica, medicina    e matem&aacute;tica. Cada uma examina as peculiaridades de suas compet&ecirc;ncias,    seja o <I>bem</I> traduzido em valores materiais e imateriais e nas mais diversas    classes, incluindo aqueles que n&atilde;o s&atilde;o objeto de direito real.    E, certamente, o tratam a partir da express&atilde;o original "bonum",    no sentido de proveito, gosto, c&ocirc;modo (1).</font></P>     <p><font size="3">Uma refer&ecirc;ncia que demonstre entendimentos jur&iacute;dicos    sobre <I>bem</I> cultural incluiria: a) o que classificava o regime das coisas    antigas e de arte nas limita&ccedil;&otilde;es administrativas &agrave; propriedade    privada (2); b) o que considerava coisas antigas e de arte como bens "de    interesse p&uacute;blico" (3;4); c) o que admitia a "propriedade dividida"    e a coexist&ecirc;ncia de dois direitos dominiais, um do particular e outro    do poder p&uacute;blico (5); d) o que considerava a sobreposi&ccedil;&atilde;o    de bens jur&iacute;dicos diversos, conferindo ao <I>bem </I>cultural a condi&ccedil;&atilde;o    de imaterial, aberto &agrave; frui&ccedil;&atilde;o universal, para a qual convergem    as faculdades p&uacute;blicas de tutela (6); e) o de <I>Merit goods </I>ou <I>club    goods: </I>bens de dif&iacute;cil e at&eacute; imposs&iacute;vel avalia&ccedil;&atilde;o    pelo mercado; voltados &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o do interesse p&uacute;blico.    Indivis&iacute;veis e n&atilde;o&#45;exclusivos, cujo consumo por uns n&atilde;o    reduz o n&iacute;vel de consumo por terceiros (7). </font></P>     <p><font size="3">Abstra&iacute;das as vers&otilde;es de car&aacute;ter unicamente    jur&iacute;dico, temos que n&atilde;o faz muito que o <I>bem</I> cultural passou    a ser considerado nos estudos acad&ecirc;micos, de forma independente. No caso    brasileiro, a partir das aprecia&ccedil;&otilde;es de Magalh&atilde;es (8),    criteriosamente as mais adequadas sobre a quest&atilde;o, a compreens&atilde;o    de sua exist&ecirc;ncia e conforma&ccedil;&atilde;o aut&ocirc;noma, ao lado    de outras tradu&ccedil;&otilde;es de bens, se delineou com alguma clareza jur&iacute;dica    com a promulga&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica    de 1988. E ainda assim, regra geral, s&atilde;o considerados nesse rol somente    os bens expressos em pedra e cal, com referencial hist&oacute;rico, os decorrentes    de produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica ou resultado da aplica&ccedil;&atilde;o    da palavra, e, mais recentemente, pela conforma&ccedil;&atilde;o no ambiente.</font></P>     <p><font size="3">&Eacute; necess&aacute;rio alargar o conceito de <I>bem</I>    cultural, n&atilde;o desconsiderando a antiga fixa&ccedil;&atilde;o em m&oacute;veis    e im&oacute;veis, notadamente de valor hist&oacute;rico, nem os decorrentes    das obras de cria&ccedil;&atilde;o individual e espont&acirc;nea, &agrave;s    vezes pretensiosa, como a m&uacute;sica, o cinema, o v&iacute;deo, as artes    pl&aacute;sticas e o teatro, para a contempla&ccedil;&atilde;o, e, quase sempre,    acess&iacute;veis somente a grupos selecionados. </font></P>     <p><font size="3">Do teor das cartas patrimoniais expedidas pelas confer&ecirc;ncias    internacionais podem ser extra&iacute;das defini&ccedil;&otilde;es que ora se    aproximam da elabora&ccedil;&atilde;o mais ampla do conceito que empregamos,    ora se afastam profundamente, preferindo que <I>bem</I> cultural seja a tradu&ccedil;&atilde;o    dos valores contidos nas pe&ccedil;as em cal e pedra, em documentos em papel    e registros rupestres. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A parte final da defini&ccedil;&atilde;o, adotada pela Confer&ecirc;ncia    Geral da Unesco de 1968, est&aacute; em sintonia com o sentido abrangente que    deve ser adotado considerando que <I>bem </I>cultural &eacute; "um elemento    essencial da personalidade dos povos"<I>, </I>o que se aplica no caso brasileiro    e amaz&ocirc;nico, em particular, se considerados os bens decorrentes dos diferentes    grupos da sociedade nacional.</font></P>     <p><font size="3">Urge ampliar a compreens&atilde;o para identificar a condi&ccedil;&atilde;o    de <I>bem</I> cultural tamb&eacute;m naqueles que resultam do fazer popular,    porque desses decorrem valores expressivos de uma identidade. Meticuloso estudo    de Limongi Fran&ccedil;a (9) a respeito, considerado de grande valia quanto    &agrave; classifica&ccedil;&atilde;o de <I>bem</I>, n&atilde;o contemplou em    seu rol, praticamente exaustivo, o <I>bem</I> cultural. </font></P>     <p><font size="3">Para os que desejo chamar a aten&ccedil;&atilde;o s&atilde;o    aqueles que representam a express&atilde;o da hist&oacute;ria e tradi&ccedil;&otilde;es    de um povo, os modos de ser, viver, contar, vestir, fazer, morar, usar, conceber,    produzir, contemplar, transmitir, encerrando h&aacute;bitos e costumes, tecnologias,    ato&#45;monumento, em tradu&ccedil;&atilde;o material ou imaterial, profano, militar,    religioso, e, precipuamente, etnicamente plural. N&atilde;o &eacute; o belo    nem o velho, sacro ou profano, arquitet&ocirc;nico, hist&oacute;rico, erudito,    popular, necessariamente, em si. A considera&ccedil;&atilde;o de sua express&atilde;o    deve exceder a coisa fixa ou est&aacute;tica, inclusive &agrave;quela que &eacute;    percebida como aut&oacute;ctone, e ao sentido de mais bem elaborada. Em s&iacute;ntese    apertada pode&#45;se considerar<I> bem</I> cultural como o acervo coletivo do processo    criativo de um povo.</font></P>     <p><font size="3">Possivelmente aquilo a que Ernest Renan, citado por Stuart (10),    sugere como as tr&ecirc;s coisas que constituem o princ&iacute;pio espiritual    da unidade de uma na&ccedil;&atilde;o, "(…) a posse em comum de um rico    legado de mem&oacute;rias (…), o desejo de viver em conjunto e a vontade de    perpetuar, de uma forma indivisiva, a heran&ccedil;a que se recebeu"<I>,</I>    at&eacute; o que foi fixado depois de uma comunidade imaginada.</font></P>     <p><font size="3">Se o Brasil &eacute; detentor de cultura nova no concerto de    na&ccedil;&otilde;es, com identidade em sedimenta&ccedil;&atilde;o decorrente    de valores ind&iacute;genas, portugueses e negros (11), o que igualmente admitimos,    disso resultaria, ainda no s&eacute;culo XXI, fr&aacute;geis indicadores de    nossa identidade, inclusive, pela diversidade de v&aacute;rios "Brasis"    como ressaltava Gilberto Freyre. As Amaz&ocirc;nias n&atilde;o escapam a essa    formula&ccedil;&atilde;o, muito menos em se tratando de <I>bem</I> cultural    que n&atilde;o pode ser medido pelo tempo cronol&oacute;gico.</font></P>     <p><font size="3">Esses bens constituem refer&ecirc;ncias de identidade de um    povo e formam o seu patrim&ocirc;nio cultural. E esse patrim&ocirc;nio &eacute;    constitu&iacute;do da tradu&ccedil;&atilde;o de bens culturais componentes das    sociedades nacionais, representados por todas as formas de express&atilde;o    de valores que as diferenciam entre si e das demais sociedades.</font></P>     <p><font size="3">Se diversas s&atilde;o as Amaz&ocirc;nias, ainda mais diversas    s&atilde;o as express&otilde;es das culturas dos povos que as habitam. Nelas    est&atilde;o v&aacute;rios mundos. O rio que, no dizer de Leandro Tocantins    (12), na Amaz&ocirc;nia comanda a vida, julga&#45;se que tamb&eacute;m presidiria    o imagin&aacute;rio e o processo criativo, seria porto de chegada e partida,    come&ccedil;o e fim, extremo da sobreviv&ecirc;ncia e da viv&ecirc;ncia e o    caminho da vida e da morte. Na dimens&atilde;o das &aacute;guas est&atilde;o    as florestas. &Agrave;s vezes, em quase simbiose perfeita, as &aacute;guas e    as florestas redundam em m&iacute;tico e realidade. Por sobre elas se conformam    fantasias e verdades, insubmiss&otilde;es, ref&uacute;gios, descalabros, cidades    encantadas e cidades materializadas, encantarias de seres, milagres e assombra&ccedil;&otilde;es,    servindo de campo f&eacute;rtil aos cientistas das academias e aos s&aacute;bios    populares.</font></P>     <p><font size="3">Nesse mundo est&aacute; o <I>bem </I>cultural em muitas formas    de tradu&ccedil;&atilde;o. Para exemplificar, encerra bens que expressam a hist&oacute;ria    dos povos de antanho identificados pelos registros e achados arqueol&oacute;gicos;    as est&oacute;rias que fazem quest&atilde;o de contar e transmitir; as formas    de pesca, habita&ccedil;&otilde;es e os meios de transporte; variadas tecnologias    que os homens e mulheres desenvolveram encravados na selva, em representa&ccedil;&otilde;es    que, muitas das vezes, conforme o local em que se encontram essas popula&ccedil;&otilde;es,    n&atilde;o s&oacute; representam a tradu&ccedil;&atilde;o amaz&ocirc;nica etnicamente    plural, mas tamb&eacute;m transnacionalmente plural, tomada a conflu&ecirc;ncia    de v&aacute;rias soberanias em diversos pontos da regi&atilde;o. </font></P>     <p><font size="3">Vale indagar de que <I>bem</I> cultural se trata nas Amaz&ocirc;nias,    al&eacute;m daqueles que, convencionalmente existem em todas as paragens, edificados    pelo g&ecirc;nio humano, sofisticados pelos artistas, enriquecidos por referenciais    de outras &eacute;pocas e civiliza&ccedil;&otilde;es? Trata&#45;se de valores traduzidos    em experimentos de v&aacute;rios g&ecirc;neros, inclu&iacute;dos os mais cl&aacute;ssicos,    os acervos art&iacute;sticos e os de express&atilde;o popular, aparentemente    singelos. </font></P>     <p><font size="3">Universo complexo e incompleto no dizer de letrados como Euclides    da Cunha (13), e outros que lhe seguiram as pegadas, as Amaz&ocirc;nias acomodam    express&otilde;es diversificadas de culturas em rela&ccedil;&atilde;o ao conceito    de unidade nacional, seja esta brasileira ou de outras soberanias que servem    de manto &agrave; regi&atilde;o. Ao mesmo tempo, s&atilde;o bastante diversas    na rela&ccedil;&atilde;o local. O que vale dizer: m&uacute;ltiplas e diversas,    as Amaz&ocirc;nias se expressam por diversidades culturais em rela&ccedil;&atilde;o    ao pa&iacute;s, ao mesmo tempo em que se conformam por outras e m&uacute;ltiplas    diversidades que lhes s&atilde;o peculiares. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A diversidade pode ser evidenciada no confronto interno de express&otilde;es    que espelham a regi&atilde;o, ou parte dela, resultante de grupos de povos ou    conjunto de comunidades. Pode ser expressa pelo contraste das express&otilde;es    internas com aquelas que traduzem a identidade de outros "Brasis",    naturalmente configurados pela forma&ccedil;&atilde;o oriunda de matrizes de    diversas influ&ecirc;ncias. Esse confronto se efetiva naturalmente na rela&ccedil;&atilde;o    das popula&ccedil;&otilde;es e suas express&otilde;es originais. O car&aacute;ter    tropical tem, nesse particular, provoca&ccedil;&otilde;es bastante singulares.</font></P>     <p><font size="3">Essa diversidade interna n&atilde;o permite que as express&otilde;es    das culturas se constituam na unifica&ccedil;&atilde;o projetada de uma cultura    nacional, nem seja admitida a sua representa&ccedil;&atilde;o por um &uacute;nico    povo, de forma fundacional. Do mesmo modo, nem mesmo em raz&atilde;o das marcas    simb&oacute;licas que diferenciam socialmente um grupo humano de outro, de modo    a conduzir a reafirma&ccedil;&atilde;o da hip&oacute;tese de que a na&ccedil;&atilde;o,    efetivamente, n&atilde;o se comp&otilde;e de uma identidade cultural unificada.    E o que prevalece &eacute; a identifica&ccedil;&atilde;o cultural. </font></P>     <p><font size="3">Um fator novo, mas nem t&atilde;o recente quanto se julga, a    globaliza&ccedil;&atilde;o, tem provocado d&uacute;vidas e inquieta&ccedil;&otilde;es    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; influ&ecirc;ncia que pode ter sobre essas    representa&ccedil;&otilde;es. O que tem sucedido &eacute; a mudan&ccedil;a de    ritmo na din&acirc;mica desse fen&ocirc;meno com a possibilidade de um crescimento    da homogeneiza&ccedil;&atilde;o cultural, do refor&ccedil;o dessas identidades    locais e nacionais, do decl&iacute;nio acelerado das identidades ditas nacionais    e surgimento das identidades h&iacute;bridas, o que deve ser objeto de estudo    bastante particular, aqui referido apenas para situar um panorama geral.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n3/a13img01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Ali&aacute;s, bem apropriada para as preocupa&ccedil;&otilde;es    de alguns pensadores amaz&ocirc;nicos &eacute; a quest&atilde;o da compress&atilde;o    espa&ccedil;o&#45;tempo e identidade de que nos fala Stuart Hall (14), remetendo    para as identidades partilhadas decorrentes dos chamados fluxos culturais, porque    no interior distante da regi&atilde;o amaz&ocirc;nica chegam mensagens e imagens    de outras culturas contribuindo para desalojar as identidades locais em nome    do mercado, com riscos a construir a chamada homogeneiza&ccedil;&atilde;o global.    </font></P>     <p><font size="3">Em se tratando do espa&ccedil;o brasileiro cogita&#45;se que tal    cen&aacute;rio &eacute; agravado tamb&eacute;m porque as pol&iacute;ticas de    desenvolvimento voltadas para a Amaz&ocirc;nia, mat&eacute;ria de que mais se    tem cuidado nos &uacute;ltimos quarenta anos, pelo menos, para obterem &ecirc;xito    deveriam considerar indicadores culturais e n&atilde;o o fizeram nem o fazem,    deixando de levar em conta, sobretudo para o chamado micro&#45;desenvolvimento,    as necessidades vinculadas aos h&aacute;bitos, usos e costumes da comunidade,    exatamente aquilo que poderia ser designado de paradesenvolvimento (15).</font></P>     <p><font size="3">Ao mesmo tempo em que as discuss&otilde;es podem ater&#45;se nesse    &acirc;mbito, tamb&eacute;m se expandem para outras esferas amplas e complexas.    Trata&#45;se da constata&ccedil;&atilde;o de que outra fronteira se abre, dentre    tantas existentes, que &eacute; a altera&ccedil;&atilde;o da fonte de riqueza    das empresas convencionais que, livrando&#45;se dos seus lastros f&iacute;sicos,    est&atilde;o buscando, cada vez mais, ter o capital intelectual como fonte de    riqueza, seja este traduzido por conhecimentos estrat&eacute;gicos, marcas,    patentes, conceitos, e, principalmente, conhecimento tradicional.</font></P>     <p><font size="3">Com isso &eacute; poss&iacute;vel antever uma nova e cont&iacute;nua    luta entre a esfera cultural e a comercial: uma procurando manter e fortalecer    a liberdade de cria&ccedil;&atilde;o e de acesso aos experimentos culturais;    e a outra em busca de exercer o controle, ainda mais amplo, sobre o acesso e    o conte&uacute;do da produ&ccedil;&atilde;o cultural, para transform&aacute;&#45;la    em produto de fins comerciais. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">H&aacute; quem ressalte que pode tratar&#45;se de per&iacute;odo    de transi&ccedil;&atilde;o de um sistema de produ&ccedil;&atilde;o industrial    para outro de produ&ccedil;&atilde;o cultural, do qual emergir&aacute; com mais    evid&ecirc;ncia a import&acirc;ncia do acesso e dom&iacute;nio do bem em lugar    da propriedade, embora esta n&atilde;o pare&ccedil;a estar sendo relegada.</font></P>     <p><font size="3">Ao mesmo tempo, pode&#45;se cogitar que outro, e mais forte elemento    de confronto exterior, est&aacute; invadindo as microcomunidades, especialmente    em regi&otilde;es como as Amaz&ocirc;nias, em decorr&ecirc;ncia da abund&acirc;ncia    de bens culturais diversos, da excentricidade destes, da propaga&ccedil;&atilde;o    de alguns de seus valores e efeitos, raz&otilde;es e sentidos, fins, meios e    modos. Crescem as press&otilde;es sobre bens que n&atilde;o mais expressariam    somente a identidade de popula&ccedil;&otilde;es naturais definidos como bens    culturais, porque estes podem ter outro valor diante da economia e do interesse    do mercado. </font></P>     <p><font size="3">Nesse particular, avulta a import&acirc;ncia do reconhecimento    de quais as tradu&ccedil;&otilde;es de bens culturais poderiam estar sob essa    mira de interesses. A respeito, em outra ocasi&atilde;o, restou ressaltado:</font></P>     <blockquote>        <p><font size="3">"Como reconhecer valores, cren&ccedil;as, crendices,      saberes, enfim, express&otilde;es da identidade destas popula&ccedil;&otilde;es?      Como observ&aacute;&#45;los e aprender com eles sem interferir, usurpar, deformar,      transformar, aculturar, subtrair? As dan&ccedil;as, m&uacute;sicas, pajelan&ccedil;as,      saben&ccedil;as, benzimentos, cantorias, culin&aacute;ria, manifesta&ccedil;&otilde;es      de arte em geral que, embora ainda passem pela tradu&ccedil;&atilde;o do exotismo,      se inserem nos dias de agora em riscos de apropria&ccedil;&atilde;o e de supress&atilde;o,      sobretudo aqueles que podem ser aproveitados no mercado globalizado, nas ind&uacute;strias      que reclamam marcas e matizes que representem apelos de expans&atilde;o mercadol&oacute;gica      e para cujos consumidores seja cada vez mais necess&aacute;ria a demonstra&ccedil;&atilde;o,      ainda que falsa ou deformada, insuficiente ou inconsistente, de valores representativos      de conhecimentos de popula&ccedil;&otilde;es tradicionais" (16).</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">H&aacute; quem afirme a exist&ecirc;ncia de riscos evidentes    de aproveitamento dos saberes e saben&ccedil;as do homem das Amaz&ocirc;nias.    Se a assombrosa internacionaliza&ccedil;&atilde;o da Amaz&ocirc;nia era propagada    em forma de amea&ccedil;a ao territ&oacute;rio, ao patrim&ocirc;nio do subsolo,    pelo alargamento de fronteiras f&iacute;sicas, o que ainda pode ser vislumbrado,    nos dias correntes, implicaria na apropria&ccedil;&atilde;o e uso irregular    do conhecimento tradicional que, em termos precisos, nada mais &eacute; do que    a tradu&ccedil;&atilde;o de um <I>bem</I> cultural e dos mais importantes para    a caracteriza&ccedil;&atilde;o das identidades amaz&ocirc;nicas. Nesse aspecto    as terras assumem papel preponderante, sobretudo pelo que representam para as    popula&ccedil;&otilde;es tradicionais. A respeito dos direitos &agrave;s terras    dos ancestrais vale repetir:</font></P>     <blockquote>        <p><font size="3">"As amea&ccedil;as n&atilde;o pairam mais somente sobre      alguns dos &iacute;ndios, sobre eles e seus territ&oacute;rios, sobre as riquezas      pontuadas no solo e no subsolo, mas sobre a regi&atilde;o como um todo e todas      as popula&ccedil;&otilde;es de &iacute;ndios, negros, campesinos, seringueiros,      pescadores, remadores e ribeirinhos porque v&iacute;timas de uma cobi&ccedil;a      em forma de camale&atilde;o, que se transmuda e transfigura, jaz aparentemente      inerte e se reanima, fortalece e caminha inesperadamente, e vai procurando      ampliar a descaracteriza&ccedil;&atilde;o cultural e apropriar&#45;se dos saberes      e dos sabores do viver tradicional do homem da regi&atilde;o" (17).</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Sem a pretens&atilde;o de ser exaustivo, considerando os bens    em rela&ccedil;&atilde;o aos quais cabem prote&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o    por caracter&iacute;sticas especiais; aos quais se deve liberdade de express&atilde;o    e recursos para sua consecu&ccedil;&atilde;o; e os que reclamam reconhecimento,    identifica&ccedil;&atilde;o e salvaguarda com registros de m&uacute;ltiplas    formas, a elabora&ccedil;&atilde;o de um rol de bens culturais que traduzam    as identidades amaz&ocirc;nicas deveria incluir, dentre outros, aqueles que    expressem os povos situados sobre o manto de cada soberania.</font></P>     <p><font size="3">Nesse arrolamento deve ser inclu&iacute;da a figura humana estilizada    da Bol&iacute;via; a da Cachoeira do Resplendor, no Brasil; o <I>El hombre sentado</I>,    de express&atilde;o pr&eacute;&#45;colombiana; o s&iacute;mbolo rupestre do s&iacute;tio    de <I>El Guaysal</I>, do Equador; a inscri&ccedil;&atilde;o rupestre de Macussani,    Carabaya, do Peru; e, a figura particular encontrada no estado do Amazonas da    Venezuela, &agrave;s margens do rio Orenoco. A regi&atilde;o de Mojos, na Bol&iacute;via,    com povos Aruak que respeitam o n&atilde;o casamento dentre os de seu pr&oacute;prio    cl&atilde;. Os 23 povos ind&iacute;genas do alto rio Negro, no Amazonas brasileiro,    em que os Dessana mant&ecirc;m um sistema de casamento exog&acirc;mico. Os ind&iacute;genas    da Col&ocirc;mbia com 14 fam&iacute;lias lingu&iacute;sticas e 47 l&iacute;nguas.    Os do Equador com l&iacute;ngua falada por 60 mil &iacute;ndios, mesmo sendo    bil&iacute;ngues. O povo Apari, da Guiana Francesa, onde o adulto fala at&eacute;    tr&ecirc;s l&iacute;nguas com predom&iacute;nio da Aparai. Os da fam&iacute;lia    Karibe, na Rep&uacute;blica da Guiana, na qual apenas 130 indiv&iacute;duos    resistem com as suas tradi&ccedil;&otilde;es. O Peru, com 40 l&iacute;nguas    e 16 fam&iacute;lias lingu&iacute;sticas, inclui o levirato, quando o irm&atilde;o    mais velho do morto tem o direito de se casar com a vi&uacute;va. No Suriname    com os Maroon, descendentes de escravos africanos falando dialeto, l&iacute;ngua    popular e mantendo governo pr&oacute;prio. Na Venezuela com mais de 300 mil    &iacute;ndios, 11 fam&iacute;lias lingu&iacute;sticas e 28 l&iacute;nguas ind&iacute;genas.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Em meio a todas essas diferen&ccedil;as de valores e bens culturais    inserem&#45;se as popula&ccedil;&otilde;es descendentes de europeus e de negros    nas sociedades originais situadas nas Amaz&ocirc;nias, traduzindo as suas identidades,    em conviv&ecirc;ncia e transmiss&atilde;o de valores. A esse respeito &eacute;    dever ressaltar que:</font></P>     <blockquote>        <p><font size="3">"Com as mesmas raz&otilde;es de cargas de expressividade      que caracterizam os naturais, ao se utilizarem do idioma, das cren&ccedil;as,      das festas sacras, das brincadeiras, do modo de vestir, enfim, das mesmas      possibilidades de tradu&ccedil;&atilde;o da vida, do ser, dos saberes e fazeres,      alimentados e alimentando uns aos outros de parcelas pr&oacute;prias que se      v&atilde;o estilha&ccedil;ando e sendo incorporadas por outros grupos, de      tal sorte que estes e aqueles, no confronto e na conflu&ecirc;ncia, em muito      v&atilde;o constituindo outras identifica&ccedil;&otilde;es, mas n&atilde;o      perdem os tra&ccedil;os fundamentais" (18).</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Da constata&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia inequ&iacute;voca    de bens culturais que podem ser tomados como naturalmente amaz&ocirc;nicos e    da propalada ascens&atilde;o do interesse econ&ocirc;mico representando a nova    e emblem&aacute;tica internacionaliza&ccedil;&atilde;o amea&ccedil;adora contra    as Amaz&ocirc;nias, vale insistir de maneira simples na pergunta j&aacute; levada    ao conhecimento de estudiosos das quest&otilde;es ind&iacute;genas e de advogados:</font></P>     <blockquote>        <p><font size="3">"Como impedir que o unguento que cura no meio das matas      seja aproveitado de maneira industrial, rebatizado, comercializado como express&atilde;o      das pesquisas de mercado, sem que caibam direitos aos homens das florestas      e respeito &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o oral que consagrou este conhecimento?"      (19).</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Seria com a utiliza&ccedil;&atilde;o de arcabou&ccedil;os jur&iacute;dicos    nas soberanias? Com pactos internacionais? Os ensinamentos hist&oacute;ricos    permitem a constata&ccedil;&atilde;o de que o que mais tem sido utilizado para    prote&ccedil;&atilde;o dos bens culturais s&atilde;o os regramentos jur&iacute;dicos,    quase sempre sem &ecirc;xito. </font></P>     <p><font size="3">For&ccedil;oso registrar que o primeiro ato formal de preserva&ccedil;&atilde;o    de bens com essa caracter&iacute;stica teria sido o decreto do senado romano    que fixou prote&ccedil;&atilde;o para a coluna de Trajano, em 1162, no qual    se pode ler "queremos que ela fique intacta at&eacute; o fim dos tempos    (…). Aquele que atentar contra ela ser&aacute; condenado aos piores castigos    e seus bens ser&atilde;o confiscados", mas &eacute; no cen&aacute;rio do    <I>Quattrocento</I> italiano que pode ser encontrada a forma original de monumento    hist&oacute;rico, refer&ecirc;ncia remota de bem cultural.</font></P>     <p><font size="3">Os franceses em 1790, exemplarmente, come&ccedil;aram a tratar    de patrim&ocirc;nio hist&oacute;rico no livro de Aubin&#45;Louis Millin,<I> Antiquit&eacute;s    nationales </I>ou<I> Recueil de monuments</I>. (20). As conven&ccedil;&otilde;es    de Haia, de 1899 e 1907, regularam a conduta dos povos em beliger&acirc;ncia,    restringindo o uso de armas e ataque a pessoas e bens (21), sobrepondo interesses    culturais aos militares. A Conven&ccedil;&atilde;o sobre a Prote&ccedil;&atilde;o    dos Bens Culturais em Caso de Conflito Armado, de Haia em 1954 (22), tratou    da prote&ccedil;&atilde;o de m&oacute;veis, im&oacute;veis, monumentos, s&iacute;tios    arqueol&oacute;gicos, obras de arte, manuscritos, livros e cole&ccedil;&otilde;es    cient&iacute;ficas. Est&aacute; regulada a proibi&ccedil;&atilde;o de importa&ccedil;&atilde;o,    exporta&ccedil;&atilde;o e transfer&ecirc;ncia de propriedade de forma il&iacute;cita    (23), assegurada a devolu&ccedil;&atilde;o dos que tenham sido subtra&iacute;dos,    se inventariados. O mesmo sucede com os acervos submergidos em raz&atilde;o    da 31ªConfer&ecirc;ncia da Unesco, em Paris em 2001 (24).</font></P>     <p><font size="3">Entretanto, nos acordos internacionais pouco tem sido fixado,    em rela&ccedil;&atilde;o aos bens culturais em sentido amplo, os que representam    as identidades das popula&ccedil;&otilde;es que, principalmente desde os fins    do s&eacute;culo passado, v&ecirc;m sendo amea&ccedil;adas pela globaliza&ccedil;&atilde;o,    pela amplitude da comunica&ccedil;&atilde;o de massa e pela abertura de novas    janelas negociais, que pretendem fazer do patrim&ocirc;nio intelectual, especialmente    tradicional, presa de interesses econ&ocirc;micos. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">No contexto desse entrechoque da tend&ecirc;ncia de homogeneiza&ccedil;&atilde;o    tem surgido um verdadeiro fasc&iacute;nio pelas diferen&ccedil;as, um interesse    ainda mais significativo pelas particularidades, antes inacess&iacute;veis em    raz&atilde;o da desinforma&ccedil;&atilde;o, a sinalizar novo patamar entre    o global e o local, que se n&atilde;o levar&aacute; <I>de per si</I> &agrave;    preserva&ccedil;&atilde;o das originalidades locais, tende a reunir informa&ccedil;&otilde;es,    s&iacute;mbolos e desenhos de comportamentos que reflitam, tanto quanto poss&iacute;vel,    o sentido global quanto o local.</font></P>     <p><font size="3">A essa realidade n&atilde;o se pode imaginar que as Amaz&ocirc;nias    conseguir&atilde;o escapar, ou que as leis nacionais e os acordos internacionais    possam obter &ecirc;xito, mesmo que passem a dar completa aten&ccedil;&atilde;o    &agrave;s express&otilde;es de bens culturais ditos aut&oacute;ctones e tradutores    da originalidade dos grupos humanos que as comp&otilde;em.</font></P>     <p><font size="3">Resta a indaga&ccedil;&atilde;o inquietante: o que fazer para    a defesa e preserva&ccedil;&atilde;o desses valores nesse cen&aacute;rio? Crer    que a distinvidade &eacute;tnica simb&oacute;lica que se prenuncia crescente    e suas consequ&ecirc;ncias ser&atilde;o o bastante para a preserva&ccedil;&atilde;o    da identidade dos povos e defesa dos bens culturais?</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><i><b>Rob&eacute;rio Braga</b> &eacute; advogado, professor    de direito e mestre em direito ambiental pela Universidade do Estado do Amazonas    (UEA), doutorando da Universidade de les Illes Balears (UIB), Espanha, membro    do Grupo de Estudos Estrat&eacute;gicos da Amaz&ocirc;nia, do Instituto Nacional    de Pesquisas da Amaz&ocirc;nia (Inpa) e atual Secret&aacute;rio de Estado da    Cultura do Amazonas.</i> </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">1.  Cretela Jr, Jos&eacute;; Cintra, Geraldo Ulhoa. <I>Dicion&aacute;rio    latino&#45;portugu&ecirc;s</I>. Editora Anchieta. S&atilde;o Paulo, SP. 1944. p.129.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=049264&pid=S0009-6725200900030001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">2.  Zanobini, Guido. <I>Corso di diritto amministrativo</I>.    Milano: Giuffr&egrave;, Vol.4. 1958.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=049266&pid=S0009-6725200900030001300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">3. Grisolia, Massimo. <I>La tutela delle cose d'arte</I>. Roma:    Foro Italiano. 1952.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=049268&pid=S0009-6725200900030001300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">4. Sandulli, Aldo. "Beni pubblici".<I> In: Enciclopedia    del diritto</I>. Milano: Giuffr&egrave;, Vol.5. 1959.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=049270&pid=S0009-6725200900030001300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">5. Giannini, Massimo Severo. <I>Instituzioni di diritto amministrativo</I>.    Milano: Giuffr&egrave;. 1981.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=049272&pid=S0009-6725200900030001300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">6. Giannini, Massimo Severo. "Ambiente: saggio sui diversi    suoi aspetti giuridici". <I>Rivista Trimestrale di Dirirro Pubblico</I>,    Milano, n.76. 1976a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=049274&pid=S0009-6725200900030001300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">7. Cortese, Wanda. I beni culturali e ambientali: profili normativi.    Mil&atilde;o: Cedam. 2002</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=049276&pid=S0009-6725200900030001300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="3">8. Magalh&atilde;es, Alo&iacute;sio. <I>E triunfo? A quest&atilde;o    dos bens culturais do Brasil</I>. Ed. Nova Fronteira/ Funda&ccedil;&atilde;o    Nacional Pr&oacute;&#45;Mem&oacute;ria. 1985. p.88.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=049277&pid=S0009-6725200900030001300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">9.  Fran&ccedil;a, Limongi. <I>Enciclop&eacute;dia saraiva    de direito</I>. Saraiva, S&atilde;o Paulo. 1977.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=049279&pid=S0009-6725200900030001300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">10.  Ernest, Renan. "Qu'est&#45;ce qu'une nation".    <I>In:</I> Hall, Stuart. <I>A identidade cultural na p&oacute;s&#45;modernidade</I>.    DP&amp;A Editora. 2006. p.58.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=049281&pid=S0009-6725200900030001300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <p><font size="3">11.  Magalh&atilde;es,<I> op. cit.</I> p.25. </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">12.  Tocantins, Leandro. <I>O rio comanda a vida &#45; uma interpreta&ccedil;&atilde;o    da Amaz&ocirc;nia</I>. Editora Biblioteca do Ex&eacute;rcito. 1973.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=049284&pid=S0009-6725200900030001300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">13.  Cunha, Euclides. <I>A margem da hist&oacute;ria</I>.    Chardon, Porto. 1909.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=049286&pid=S0009-6725200900030001300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">14.  Hall, Stuart. <I>A identidade cultural na p&oacute;s&#45;modernidade</I>.    DP&amp;A Editora, Rio de Janeiro. 2006. p.56.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=049288&pid=S0009-6725200900030001300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <p><font size="3">15.  Magalh&atilde;es ,<I> op. cit.</I> p.29.</font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">11.  Braga, Rob&eacute;rio.<I> "</I>A express&atilde;o    das identidades amaz&ocirc;nicas". Confer&ecirc;ncia no I Col&oacute;quio    Internacional: Meio Ambiente, Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas e Direito Ambiental    na Amaz&ocirc;nia, do Programa de P&oacute;s&#45;Gradua&ccedil;&atilde;o em Direito    Ambiental, da Universidade do Estado do Amazonas, Manaus. 2006. p.45.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=049291&pid=S0009-6725200900030001300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <p><font size="3">17.  Ibidem, p.31.</font></P>     <p><font size="3">18.  Ibidem, p.43.</font></P>     <p><font size="3">19.  Ibidem, p.33.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">20.  Choay, Fran&ccedil;oise. <I>A alegoria do patrim&ocirc;nio</I>.    Editora Unesp. 2001. p.32.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=049296&pid=S0009-6725200900030001300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">21.  Fontes do Direito Internacional Humanit&aacute;rio.    Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.dhnet.org.br/direitos/sip/dih/dih/01.html" target="_blank">http://www.dhnet.org.br/direitos/sip/dih/dih/01.html</a>    (acesso em 10/02/2009).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=049298&pid=S0009-6725200900030001300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">22.  Conven&ccedil;&atilde;o para a prote&ccedil;&atilde;o    em caso de conflito armado. Haia: (s.n.), 1954. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://br.vlex.com/vid/culturais&#45;caso&#45;conflito&#45;armado&#45;reunida&#45;haia&#45;34071363" target="_blank">http://br.vlex.com/vid/culturais&#45;caso&#45;conflito&#45;armado&#45;reunida&#45;haia&#45;34071363</a>    (acesso em 14/03/2009).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=049300&pid=S0009-6725200900030001300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">23.  Unesco. "Conven&ccedil;&atilde;o sobre o patrim&ocirc;nio    mundial, cultural e natural". Paris. Novembro de 1972.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=049302&pid=S0009-6725200900030001300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">19.  Unesco. "31ª Confer&ecirc;ncia Geral".    Paris. Novembro de 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=049304&pid=S0009-6725200900030001300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>BIBLIOGRAFIA CONSULTADA</b></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Braga, Rob&eacute;rio. <I>O Instituto do Tombamento e a prote&ccedil;&atilde;o    do bem cultural. </I>Universidade do Estado do Amazonas, Manaus, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=049308&pid=S0009-6725200900030001300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Braga, Rob&eacute;rio. "O &iacute;ndio e a Terra: reserva    de espa&ccedil;os e de direitos". Confer&ecirc;ncia na XIX Confer&ecirc;ncia    Nacional dos Advogados. Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Florian&oacute;polis    (SC). 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=049310&pid=S0009-6725200900030001300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Braga, Rob&eacute;rio. "As culturas como express&atilde;o    de cidadania na Pan&#45;Amaz&ocirc;nia". Confer&ecirc;ncia no F&oacute;rum    Pan&#45;Amaz&ocirc;nico de Trabalho, Cultura, Cidadania e Justi&ccedil;a. Governo    do Amazonas/ Tribunal Regional do Trabalho, 11ª Regi&atilde;o, Manaus,    29 de setembro de 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=049312&pid=S0009-6725200900030001300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></FONT></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Conven&ccedil;&atilde;o II da Haia relativa &agrave;s leis e    aos usos da guerra terrestre (29.07.1899). Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.gddc.pt/direitos&#45;humanos/direito&#45;internacional&#45;humanitario/sobre&#45;dih.html" target="_blank">http://www.gddc.pt/direitos&#45;humanos/direito&#45;internacional&#45;humanitario/sobre&#45;dih.html</a>    (acesso em 13/03/2009).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=049314&pid=S0009-6725200900030001300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">Conven&ccedil;&atilde;o Cultural Europ&eacute;ia, Paris, dezembro    de 1954.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=049316&pid=S0009-6725200900030001300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Enciclop&eacute;dia e dicion&aacute;rio Koogan Houaiss. Edi&ccedil;&otilde;es    Delta. 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=049318&pid=S0009-6725200900030001300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Tocantins, Leandro. <I>Na Amaz&ocirc;nia o rio comanda a vida</I>.    Rio de Janeiro. 1973.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=049320&pid=S0009-6725200900030001300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Unesco. "Recomenda&ccedil;&atilde;o sobre a conserva&ccedil;&atilde;o    dos bens culturais amea&ccedil;ados pela execu&ccedil;&atilde;o de obras p&uacute;blicas    e privadas". Paris. 1968.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=049322&pid=S0009-6725200900030001300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ]]></body>
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