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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n3/artigos.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>TEATRO AMAZONAS: S&Iacute;MBOLO DE QU&Ecirc;?</b></font></P>     <p><font size="3"><b>Jos&eacute; Ser&aacute;fico</b></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size=5><b>Q</b></font><font size="3">uem passa pelas ruas centrais    de Manaus n&atilde;o tem como fugir a uma vis&atilde;o ao mesmo tempo surpreendente    e agrad&aacute;vel. A surpresa &eacute; causada pela forma da cobertura de um    edif&iacute;cio p&uacute;blico, uma c&uacute;pula inscrustada no meio de telhado    composto por telhas inclinadas. A sensa&ccedil;&atilde;o agrada, pelas cores    com que se apresenta essa c&uacute;pula, em si mesma a raz&atilde;o de orgulhosa    refer&ecirc;ncia pelos habitantes do lugar: todos os materiais que a comp&otilde;em    vieram de pa&iacute;ses europeus. </font></P>     <p><font size="3">Mesmo sem entrar nas amplas depend&ecirc;ncias daquela constru&ccedil;&atilde;o    imponente, o Teatro Amazonas, o visitante poder&aacute; dizer que pelo menos    viu, de fora, um dos monumentos&#45;s&iacute;mbolos de um peda&ccedil;o da hist&oacute;ria    da Amaz&ocirc;nia. E, por certo, do pa&iacute;s. Se visitar o interior, n&atilde;o    poupar&aacute; adjetivos ao talento de artistas estrangeiros e nacionais que    trabalharam na obra.</font></P>     <p><font size="3">Erguido no final do s&eacute;culo XIX, o Teatro Amazonas &eacute;,    frequentemente, comparado a outras casas de &oacute;pera que enfeitam importantes    cidades europ&eacute;ias. N&atilde;o causa espanto a semelhan&ccedil;a que alguns    estudiosos estabelecem entre a obra inaugurada, em 1896, pelo ent&atilde;o governador    Eduardo Ribeiro, com o Scala de Mil&atilde;o e o Teatro de &Oacute;pera Garnier,    de Paris. </font></P>     <p><font size="3">Bel&eacute;m, a capital do Par&aacute;, contava com obra de    igual destina&ccedil;&atilde;o desde 1878. Nesse ano, foram abertas as portas    do Teatro de Nossa Senhora da Paz, para a apresenta&ccedil;&atilde;o de um dos    126 espet&aacute;culos encenados em seu palco, de fevereiro a dezembro. </font></P>     <p><font size="3">N&atilde;o foi somente esse importante pr&eacute;dio p&uacute;blico    deixado pelo "per&iacute;odo &aacute;ureo da borracha" na capital    paraense. O Mercado Municipal do Ver&#45;o&#45;peso, a sede da Intend&ecirc;ncia Municipal,    o matadouro do Maguary s&atilde;o algumas outras edifica&ccedil;&otilde;es mandadas    erguer pelo poder p&uacute;blico, &agrave;s quais se juntaram pr&eacute;dios    de propriedade de particulares, como os palacetes Pinho, Bibi Costa e Bolonha,    apenas para ficar nas constru&ccedil;&otilde;es mais not&oacute;rias.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Tamb&eacute;m em Manaus se testemunhava semelhante interesse    por dotar a cidade de equipamentos urbanos &agrave; altura dos anseios de parcela    da sociedade local. Passara&#45;se, j&aacute;, a primeira fase do conhecido "per&iacute;odo    &aacute;ureo da borracha" (1). Foi a fase que o autor Mesquisa Otoni chamou    de <I>instala&ccedil;&atilde;o</I>, quando se introduziram diversos melhoramentos    na cidade. As cinco d&eacute;cadas serviram ao "aformoseamento" de    Manaus, como costumavam afirmar os governantes de ent&atilde;o. Vias p&uacute;blicas    foram abertas, igarap&eacute;s aterrados, pra&ccedil;as constru&iacute;das.</font></P>     <p><font size="3">Na segunda fase (1892&#45;1900), consolidou&#45;se o que o referido    autor chamou de <I>vitrine &#151; </I>esp&eacute;cie de exposi&ccedil;&atilde;o capaz    de atestar que a urbe estava apta a atrair a m&atilde;o&#45;de&#45;obra necess&aacute;ria    &agrave; explora&ccedil;&atilde;o da borracha, ao mesmo tempo que os capitais    estrangeiros indispens&aacute;veis ao empreendimento.</font></P>     <p><font size="3">&Eacute; nesse contexto que se ergue, em pleno centro da capital    amazonense, uma das mais importantes casas de espet&aacute;culo do Brasil.</font></P>     <p><font size="3">Identificar as raz&otilde;es pelas quais o Teatro Amazonas e,    como ele, tantos outros produtos do engenho e do talento humano foram constru&iacute;dos,    extrapola o &acirc;mbito do amor &agrave;s artes ou do apre&ccedil;o deferido    &agrave; cultura. Essa &eacute; tarefa que tem muito mais a ver com a realidade    socioecon&ocirc;mica experimentada pelas cidades, em tudo quanto o talento e    o engenho humanos t&ecirc;m deixado sua marca.</font></P>     <p><font size="3">Da&iacute; a import&acirc;ncia de analisar o interesse dos governantes    de ent&atilde;o, em dotar as cidades mais importantes de equipamentos urbanos    t&atilde;o suntuosos quanto o s&atilde;o os dois teatros, hoje colocados dentre    os mais belos do mundo.</font></P>     <p><font size="3">Importa verificar porque profissionais respeitados em seus pa&iacute;ses    de origem, como De Angelis, t&ecirc;m seus nomes inscritos no rol dos que contribu&iacute;ram    para enriquecer o patrim&ocirc;nio arquitet&ocirc;nico e cultural da Amaz&ocirc;nia.</font></P>     <p><font size="3">Igual import&acirc;ncia assume a rela&ccedil;&atilde;o entre    as constru&ccedil;&otilde;es imponentes das quais o Teatro Provincial, depois    chamado Amazonas, &eacute; o mais conhecido exemplo, e o sentimento da sociedade    local, &agrave; &eacute;poca. </font></P>     <p><font size="3">A obra, em sua apresenta&ccedil;&atilde;o material, tem interessante    significado, sem que isso dispense esfor&ccedil;o por compreender a sociedade    em que ela se insere e de cujos valores &eacute; inarred&aacute;vel express&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3">Dizer que o Teatro Amazonas &eacute; um belo monumento e tratar    das idas&#45;e&#45;vindas que caracterizaram o processo de concretiza&ccedil;&atilde;o    de sua estrutura e conforma&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica &eacute; indispens&aacute;vel.    Compar&aacute;&#45;lo a outros teatros e casas de espet&aacute;culo que ornamentam    cidades europ&eacute;ias e apresentar o rol de nomes e companhias art&iacute;sticas    que se exibiram em seu belo palco, igualmente, n&atilde;o pode ser descartado    pelos estudiosos. H&aacute;, n&atilde;o obstante, outros &acirc;ngulos em que    o mesmo fato pode ser apreciado.</font></P>     <p><font size="3">Disso resulta o enfoque que tentaremos dar ao presente texto.    Da import&acirc;ncia e significado cultural do Teatro h&aacute; de dar not&iacute;cia    especialista no assunto.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A mim caber&aacute;, por elei&ccedil;&atilde;o, a tentativa    de apontar peculiaridades sociais e econ&ocirc;micas que explicam a constru&ccedil;&atilde;o,    em meio &agrave; floresta amaz&ocirc;nica, do belo edif&iacute;cio erguido na    pra&ccedil;a de S&atilde;o Sebasti&atilde;o, fronteiro ao monumento &agrave;    abertura do portos da Amaz&ocirc;nia &#151; em si mesmo outra obra digna de estudo    e compreens&atilde;o. N&atilde;o ser&aacute; por acaso que o Pal&aacute;cio    da Justi&ccedil;a, vizinho do Teatro, &eacute; outra obra denotadora do clima    vivido em Manaus, &agrave;quela &eacute;poca.</font></P>     <p><font size="3">Importa pouco o debate entre a data de descoberta do processo    de vulcaniza&ccedil;&atilde;o, por Charles Goodyear. Se 1839 (2), ou 1842, como    Mesquita atribui ao Bar&atilde;o de Sant'Anna Nery. Ou, ainda, 1844, como o    afirma Garcia (3).</font></P>     <p><font size="3">Resta dizer da import&acirc;ncia que a descoberta da vulcaniza&ccedil;&atilde;o    atribuiria ao valor da borracha, extra&iacute;da desde os tempos das drogas    do sert&atilde;o, mas valorizada agora pela nova tecnologia.</font></P>     <p><font size="3">Irrelevante fixar entre 1900&#45;1910 (1) ou 1870&#45;1910 (4) o per&iacute;odo    em que a economia da borracha predominou na Amaz&ocirc;nia. Mas interessante    &eacute; lembrar a <I>"fase em que foram engendradas condi&ccedil;&otilde;es    econ&ocirc;micas, que fizeram eclodir, nas duas capitais de estados amaz&ocirc;nicos,    vers&otilde;es locais da </I>belle &eacute;poque<I> europeia"</I>. (4).    </font></P>     <p><font size="3">Como se tem dito, o avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico determina    consequ&ecirc;ncias que se estendem da &aacute;rea produtiva a todos os demais    setores da sociedade. H&aacute; quem afirme, inclusive, que a toda substitui&ccedil;&atilde;o    de uma fonte de energia correspondem substanciais altera&ccedil;&otilde;es na    vida das pessoas, seja nos aspectos materiais, seja nos valores que orientam    a conduta dos contempor&acirc;neos dessa substitui&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3">No caso espec&iacute;fico da borracha, os neg&oacute;cios que    sucederam a descoberta do processo de vulcaniza&ccedil;&atilde;o engendraram    na Amaz&ocirc;nia um novo padr&atilde;o econ&ocirc;mico. Instalou&#45;se, desde    ent&atilde;o, um tipo de rela&ccedil;&atilde;o de produ&ccedil;&atilde;o movido    por intenso interc&acirc;mbio entre aquele peda&ccedil;o de Brasil, embrenhado    na maior floresta tropical do planeta, e as principais metr&oacute;poles europeias.</font></P>     <p><font size="3">Mais borracha era produzida, mais era exportada, maior era o    interc&acirc;mbio com outras na&ccedil;&otilde;es, intensificavam&#45;se as trocas.    </font></P>     <p><font size="3">Se, do ponto de vista meramente econ&ocirc;mico, a borracha    sustentava toda uma rede de neg&oacute;cios, h&aacute; aspectos sociais que    n&atilde;o podem ser negligenciados.</font></P>     <p><font size="3">A economia regional, assim estimulada, impulsionou as capitais    da Amaz&ocirc;nia, Manaus e Bel&eacute;m, &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de    centros de grande import&acirc;ncia internacional. Era como a globaliza&ccedil;&atilde;o    afetando a regi&atilde;o, <I>avant la lettre</I>.</font></P>     <p><font size="3">Enquanto, no ermo da floresta, seringueiros desde a madrugada    percorriam suas "estradas", ferindo a <I>hevea brasiliensis</I> e    dela extraindo a valiosa seiva, outros agentes desempenhavam papel indispens&aacute;vel    &agrave; configura&ccedil;&atilde;o desse novo modo de produ&ccedil;&atilde;o.    Os aviadores intermediavam os neg&oacute;cios, de tal sorte que lhes cabia fornecer    aos homens da floresta os g&ecirc;neros de primeira necessidade, em troca de    certa quantidade de seringa. Em contrapartida, recebiam o resultado da faina    di&aacute;ria e cansativa dos seringueiros, que repassavam &agrave;s casas exportadoras.    Aos que controlavam o setor cumpria estabelecer os nexos com os importadores    dos outros pa&iacute;ses.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Bancos e casas aviadoras, assim, ganharam relevo antes imposs&iacute;vel.    Praticamente em torno deles girava toda a economia da Amaz&ocirc;nia, o seringal    como pano de fundo. Financiavam&#45;se as atividades produtivas, com o que ganhavam    os aviadores e os bancos, da mesma forma com que a exporta&ccedil;&atilde;o    era financiada. Mais uma oportunidade de polpudos ganhos para os estabelecimentos    banc&aacute;rios, al&eacute;m dos que iam ter aos bolsos de exportadores e importadores    estrangeiros. Aos seringueiros restavam d&iacute;vidas crescentes, a cada nova    safra. Por isso, foram poucos os que fugiram &agrave; condi&ccedil;&atilde;o    de devedores vital&iacute;cios dos seringalistas e aviadores.</font></P>     <p><font size="3">A hist&oacute;ria do capitalismo na regi&atilde;o amaz&ocirc;nica    brasileira n&atilde;o pode ser contada, muito menos compreendida, se perdidos    de vista os elos de uma cadeia frequentemente revisitada, ao longo dos anos    de renascimento econ&ocirc;mico.</font></P>     <p><font size="3">Compreender como funcionava a sociedade, quaisquer que sejam    suas peculiaridades, ajuda a explicar muitos fen&ocirc;menos situados para al&eacute;m    das ci&ecirc;ncias sociais. Por isso, o "aformoseamento", a vitrine    e a modernidade caracter&iacute;sticas da a&ccedil;&atilde;o de governantes    (Pereira Passos, no Rio de Janeiro; Antonio Lemos, em Bel&eacute;m; Eduardo    Ribeiro, em Manaus, como o fora o bar&atilde;o Haussman, em Paris), se traduzem    seu ethos nas obras referenciais j&aacute; mencionadas, tamb&eacute;m trazem    nos valores embutidos no processo a explica&ccedil;&atilde;o para sua ocorr&ecirc;ncia.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n3/a14img01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">A economia em voga na Amaz&ocirc;nia, no per&iacute;odo chamado    por Mesquita (1) e outros de <I>belle &eacute;poque</I>, fez conviverem na cidade    de Manaus cidad&atilde;os de categorias diferentes. A express&atilde;o francesa,    tamb&eacute;m usada por muitos outros autores, d&aacute; bem a ideia central    desse processo de moderniza&ccedil;&atilde;o das cidades, n&atilde;o s&oacute;    no Amazonas. Naquela fase da hist&oacute;ria, na Amaz&ocirc;nia, havia j&aacute;    os que podiam desfrutar dos melhoramentos introduzidos no per&iacute;odo anterior    e os que, em contraposi&ccedil;&atilde;o aos benefici&aacute;rios do sistema,    haveriam de contentar&#45;se com o pouco que lhes era oferecido. </font></P>     <p><font size="3">N&atilde;o &eacute; estranho, portanto, que de 1892 a 1900 se    tenham multiplicado os sinais do fausto a que alude Dias (5).</font></P>     <p><font size="3">Do mito &agrave; realidade, s&oacute; o estudo criterioso e    sistem&aacute;tico pode estimar a dist&acirc;ncia. Uma coisa e outra, contudo,    podem fundir&#45;se. Basta que se entenda o significado simb&oacute;lico do relatado.    Da&iacute; ter pouca relev&acirc;ncia o fato (ou o mito?) de os endinheirados    senhores da borracha (seringalistas, banqueiros, exportadores, aviadores) acenderem    charutos com c&eacute;dulas de d&oacute;lares. A veracidade do relato, se n&atilde;o    se ter&aacute; passado na vida real, deixou marcada a consci&ecirc;ncia dos    p&oacute;steros, na revela&ccedil;&atilde;o das tremendas desigualdades sociais    reinantes. </font></P>     <p><font size="3">Do mesmo modo, a conhecida hist&oacute;ria da lavagem de roupa    fina dos abastados amaz&ocirc;nicos nas melhores lavanderias de Portugal e Fran&ccedil;a.    &Eacute; poss&iacute;vel que muitos dos elegantes propriet&aacute;rios desses    itens do vestu&aacute;rio jamais tenham posto os p&eacute;s al&eacute;m&#45;mar.    Suas vestes, contudo, puderam passear pelas cidades que inspiravam o comportamento    da elite local, governante ou governada. &Agrave; primeira, era permitido buscar    no Velho Mundo o modelo urban&iacute;stico a implantar na floresta; &agrave;    outra, a imita&ccedil;&atilde;o nos h&aacute;bitos de consumo e desfrute do    bem&#45;estar dispon&iacute;vel.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Ajuda a compreender essa &eacute;poca, geralmente tida como    faustosa, o testemunho de Braga (6):</font></P>     <blockquote>        <p><font size="3">Pisavam o palco do suntuoso Teatro Amazonas as celebridades      mundiais da &oacute;pera e do drama, como Lambiasi e o maestro Giovanni Emanuel,      o insuper&aacute;vel, at&eacute; hoje &#151; diz&#45;se por a&iacute; &#151; na interpreta&ccedil;&atilde;o      de Shakespeare, com a formos&iacute;ssima Nella Montagna…"</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Loureiro (7) oferece com riqueza de detalhes a descri&ccedil;&atilde;o    do clima de que a camada opulenta da cidade desfrutava:</font></P>     <blockquote>        <p><font size="3">No Teatro Amazonas, maravilha da arquitetura <I>kitsch</I>,      naquele ano de 1908 apresentava&#45;e, para uma <I>tourn&eacute;e</I>, a empresa      Juca Carvalho, do Teatro S&atilde;o Jos&eacute;, do Rio de Janeiro, que se      intitulava, pomposamente, de grande companhia de operetas, m&aacute;gicas,      vaudevilles e revistas".</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">&Eacute; do mesmo autor a informa&ccedil;&atilde;o relativa    ao pre&ccedil;o dos ingressos, extremamente alto. No mesmo texto, Loureiro (7)    informa a respeito das corridas do Prado Amazonense, que nas tardes dos domingos    realizava p&aacute;reos bem disputados, para aficcionados que iam ao local,    <I>"deslocando&#45;se em bondes especiais".</I> Vale a pena conhecer alguns    dos nomes dos puros&#45;sangues que disputaram os p&aacute;reos da 7ª    corrida da temporada de 1908, para ter uma ideia do que era a Manaus da &eacute;poca:    Mond&eacute;tour e La Villette se destacaram na disputa. Tentava&#45;se, portanto,    trazer Paris para os tr&oacute;picos, se n&atilde;o, fazer de uma cidade nos    tr&oacute;picos a r&eacute;plica da capital francesa.</font></P>     <p><font size="3">Benchimol (8) lista os teatros Amazonas, Alcazar e do Sol, al&eacute;m    do cine&#45;teatro Polyteama, os cinemas Odeon e Guarany e a casa de dan&ccedil;as    Chalet Jardim, dentre as casas de divers&atilde;o em funcionamento na Manaus    da borracha.</font></P>     <p><font size="3">Esses acontecimentos e manifesta&ccedil;&otilde;es n&atilde;o    podem passar ao largo da percep&ccedil;&atilde;o dos analistas, como n&atilde;o    &eacute; obra do acaso a cria&ccedil;&atilde;o, em Manaus, do primeiro esbo&ccedil;o    de universidade em solo brasileiro.</font></P>     <p><font size="3"><b>UNIVERSIDADE LIVRE</b> O surgimento da Escola Universit&aacute;ria    Livre de Manaus (EULM), em 1909, alinha&#45;se ao ambiente de prosperidade econ&ocirc;mica    e da sofistica&ccedil;&atilde;o que explica a constru&ccedil;&atilde;o do teatro.    A elite, que mandava seus filhos estudarem na Europa e tem no bar&atilde;o de    Sant'Ana Nery ilustrativo exemplar, reivindicava cursos que evitassem a dist&acirc;ncia    de seus rebentos, sem prejudicar&#45;lhes a gradua&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m    do mais, era necess&aacute;rio formar profissionais aptos &agrave;s injun&ccedil;&otilde;es    e exig&ecirc;ncias econ&ocirc;micas da &eacute;poca. Da&iacute; a presen&ccedil;a,    no corpo discente da EULM, de brasileiros de outras regi&otilde;es, especialmente    daquela que, assolada pela seca, era for&ccedil;ada a intensa emigra&ccedil;&atilde;o.    </FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Irrelevante &eacute; opor &agrave; justa reivindica&ccedil;&atilde;o    dos amazonenses pelo pioneirismo, os tolos argumentos que tentam contestar a    cria&ccedil;&atilde;o, fora do centro&#45;sul do pa&iacute;s, de um estabelecimento    de ensino universit&aacute;rio, a saber: a) a Escola Universit&aacute;ria Livre    de Manaus n&atilde;o foi mais que um aglomerado de escolas pr&eacute;&#45;existentes;    b) j&aacute; em 1922 houve certa dispers&atilde;o das unidades da EULM, marcando    a iniciativa com o timbre da precariedade.</font></P>     <p><font size="3">Ambos s&atilde;o argumentos inconsistentes. O primeiro, pelo    fato de que a grande maioria das universidades brasileiras resulta do processo    de integra&ccedil;&atilde;o de unidades pr&eacute;&#45;existentes. H&aacute; at&eacute;    o caso de uma delas, que tamb&eacute;m reivindica o car&aacute;ter pioneiro,    criada com o objetivo de outorgar t&iacute;tulo a monarca estrangeiro em visita    ao Brasil. </font></P>     <p><font size="3">Segundo argumento, o tempo de dura&ccedil;&atilde;o nada revela,    eis que ningu&eacute;m excluiria a fase parlamentarista da rep&uacute;blica    brasileira, porque ela durou apenas dois anos, de 1961 a 1963.</font></P>     <p><font size="3">Indispens&aacute;vel, portanto, avaliar o conte&uacute;do simb&oacute;lico    dos acontecimentos, captando&#45;os como tradu&ccedil;&atilde;o de sentimentos ostensivos    ou latentes dos agentes sociais. Basta dizer que, enquanto funcionou como Escola    Universit&aacute;ria Livre de Manaus ou, depois, como Universidade de Manaus,    a maioria dos alunos matriculados provinha dos estados do Nordeste. Algo semelhante    ao fluxo que se estabeleceu, passado o ciclo da borracha, entre o norte e o    sul do pa&iacute;s, S&atilde;o Paulo e Rio de Janeiro, em especial.</font></P>     <p><font size="3">Vale a pena lembrar que a economia cafeeira, base do que se    chamou pol&iacute;tica do caf&eacute;&#45;com&#45;leite, era a mais importante do pa&iacute;s,    logo seguida da economia da borracha. O fen&ocirc;meno migrat&oacute;rio que    teve a Amaz&ocirc;nia como destino, mais tarde voltou&#45;se para S&atilde;o Paulo    e sudeste do Brasil, tornando&#45;os os novos focos de atra&ccedil;&atilde;o. </font></P>     <p><font size="3">A prop&oacute;sito, vale transcrever ilustrativo trecho de Garcia:</font></P>     <blockquote>        <p><font size="3">Foi a esse tempo que se radicou na cidade a elite cultural      que idealizou e criou em 1909 a Universidade Livre de Manaus ( 3).</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">N&atilde;o se sabe quanta gente frequentava o Teatro Amazonas,    al&eacute;m de imprecisos relatos escritos. O que se depreende &eacute; da lota&ccedil;&atilde;o    da plateia, sempre que alguma companhia, nacional ou estrangeira ocupava o palco.    N&atilde;o se diz, contudo, a respeito da identifica&ccedil;&atilde;o e prefer&ecirc;ncia    da plateia por espet&aacute;culos culturais em si mesmos. Os espectadores estavam    ali como amantes da arte c&ecirc;nica, ou os movia certo <I>nouveau&#45;richisme</I>    ocorrente sempre que o processo de acumula&ccedil;&atilde;o se intensifica?    Identificavam&#45;se, dentre os felizes espectadores, pessoas do povo, seringueiros    em visita &agrave; pr&oacute;spera capital?</font></P>     <p><font size="3">M&aacute;rcio Souza (9) ajuda a compreender a situa&ccedil;&atilde;o    de fausto, de que nem todos os habitantes desfrutavam:</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>        <p><font size="3">Uma cidade que n&atilde;o &eacute; verdadeiramente cidade,      mas decora&ccedil;&atilde;o, cenografia, palco ideal para a reifica&ccedil;&atilde;o      colonialista. Copiando diretamente a arquitetura, a pompa e os costumes, os      coron&eacute;is de barranco n&atilde;o eram propensos, no entanto, ao liberalismo,      ou ao bom humor burgu&ecirc;s que levantava ind&uacute;strias e feiras industriais      como monumentos &agrave; vit&oacute;ria do progresso.</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">As pr&oacute;prias posturas municipais trazem em si o que Daou    (10) chama de <I>"artif&iacute;cio para a consecu&ccedil;&atilde;o de uma    nova sociedade"</I>. Que sociedade era aquela? A que, com sua modernidade,    <I>"atendia particularmente aos interesses da burguesia e da elite tradicional</I>"    (10). Da&iacute; Eric Hobsbawn (10) considerar o pr&oacute;prio Teatro Amazonas,    "<i>uma catedral caracter&iacute;stica da cultura burguesa</i>".</font></P>     <p><font size="3">Ge&oacute;grafos preocupados com a produ&ccedil;&atilde;o do    espa&ccedil;o urbano indicam quanto a pr&aacute;tica socioespacial permite compreender    as rela&ccedil;&otilde;es que engendram a sociedade e, em consequ&ecirc;ncia,    seu espa&ccedil;o. Assim, como bem o acentua Oliveira (11), a l&oacute;gica    da constru&ccedil;&atilde;o da socioespacialidade de Manaus est&aacute; diretamente    ligada &agrave; sociedade desigual que nela vive.</font></P>     <p><font size="3">A Manaus de 2009 lembra, em muitos sentidos, a prosperidade    do per&iacute;odo &aacute;ureo da borracha.</font></P>     <p><font size="3">Eis belo e oportuno mote para os pesquisadores. Talvez assim    possamos conhecer como vivia a popula&ccedil;&atilde;o, para al&eacute;m dos    sal&otilde;es elegantes dos cassinos, dos teatros e das demais edifica&ccedil;&otilde;es    erguidas para o g&aacute;udio dos endinheirados.</font></P>     <p><font size="3">Milton Hatoum, o escritor amazonense duas vezes contemplado    com o Pr&ecirc;mio Jabuti, d&aacute; a pista:</font></P>     <blockquote>        <p><font size="3">Um s&eacute;culo depois do fausto da borracha, as quest&otilde;es      referentes &agrave; habita&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o      e ao transporte urbano emergem n&atilde;o apenas como problemas urbanos, mas      sobretudo como aus&ecirc;ncia ou falha de uma pol&iacute;tica voltada para      a popula&ccedil;&atilde;o mais desfavorecida. (5)</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">A hist&oacute;ria e seus protagonistas, os de cima e os das    camadas subalternas, n&atilde;o podem ser obscurecidos pelo atrativo f&iacute;sico    e monumental. Ao contr&aacute;rio, recomend&aacute;vel &eacute; buscar sua compreens&atilde;o    e sua raz&atilde;o de ser em determinado contexto social, aquele que resulta    das rela&ccedil;&otilde;es entre os agentes dessa mesma hist&oacute;ria.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><i><b>Jos&eacute; Ser&aacute;fico</b> &eacute; diretor&#45;executivo    da Funda&ccedil;&atilde;o Djalma Batista. Professor titular aposentado da Universidade    Federal do Amazonas, foi chefe do Departamento de Administra&ccedil;&atilde;o    da Faculdade de Estudos Sociais; dirigiu essa unidade acad&ecirc;mica (FES)    de 1985 a 1989. Chefiou o Centro de Estudos e Pesquisas Socioecon&ocirc;micas    (Cepese) e integrou o Conselho Universit&aacute;rio. Superintendeu o Instituto    Euvaldo Lodi&#45;IEL&#45;AM e foi membro do Conselho de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico    e Social da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica&#45;CDES. Tem v&aacute;rias obras    publicadas e &eacute; articulista dos di&aacute;rios </i>A Cr&iacute;tica<i>    (Manaus, AM) e </i>O Liberal<i> (Bel&eacute;m, PA). Colabora com o blog </i><a href="http://www.carlosbranco.jor.br" target="_blank">www.carlosbranco.jor.br</a><i>    a cada quinzena.</i></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">1.  Mesquita, Otoni. <I>Manaus&#45; hist&oacute;ria e arquitetura    (1852&#45;1910).</I>Manaus, AM. Editora Valer, p.142&#45;143. 1999.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">2.  Santos, R. 1980, p.45, <I>apud </I>Mesquita (1999).    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">3.  Garcia, Etelvina&#45; <I>Modelo de desenvolvimento Zona Franca    de Manaus. Hist&oacute;ria, conquistas e desafios. 2. ed. </I>Manaus, p.22,26.    2004.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">4.  Sampaio&#151;Silva, Orlando. <I>Eduardo Galv&atilde;o &#151; &Iacute;ndios    e caboclos. </I>S&atilde;o Paulo, Editora Annablume. 2007. p.326.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">5.  Dias, Edn&eacute;ia Mascarenhas &#151; <I>A ilus&atilde;o    do fausto.Manaus 1890&#45;1920.</I>Manaus, AM. Editora Valer, p.13, 56. 1999.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">6.  Braga, Genesino. <I>Fast&iacute;gio e sensibilidade do    Amazonas de ontem.</I> Manaus, AM. Imprensa Oficial. 1983. p.38.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">7.  Loureiro, A.J. Souto. <I>S&iacute;ntese da hist&oacute;ria    do Amazonas</I>. Manaus, AM. T. Loureiro, pp.34, 36. 1978.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">8.  Benchimol, S. <I>Mana&oacute;s&#45;do&#45;Amazonas. Mem&oacute;ria    Empresarial</I>. <I>Vol.1</I>. Manaus, AM, s.ed., p.38. 1994.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">9.  Souza, M&aacute;rcio. <I>A express&atilde;o amazonense</I>.    S&atilde;o Paulo, SP. Editora Alfa&#45;&Ocirc;mega. 1977.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">10.  Daou, Ana Maria. <I>A </I>belle &eacute;poque<I> amaz&ocirc;nica.</I>    Rio de Janeiro, RJ. Jorge Zahar Editor, pp. 35, 36, 51. 2000.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">11.  Oliveira, Jos&eacute; Aldemir. O mito da cidade em crise.    Manaus&#45; 1920&#45;1967. Leituras da Amaz&ocirc;nia, <I>Revista Internacional de Arte    e Cultura</I>, Ano I, n.1, abril98/fev99. Manaus, AM. Ed.Valer. 1999.    </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>BIBLIOGRAFIA CONSULTADA</b></FONT></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Batista, Djalma. <I>O complexo da Amaz&ocirc;nia(An&aacute;lise    do processo de desenvolvimento</I>. Rio de Janeiro, RJ, Edit. Conquista. 1996.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Loureiro,A.J. <I>A grande crise</I>. Manaus, AM, T. Loureiro    &amp; Cia. 1985.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Mendes, J.A.<I> A crise amaz&ocirc;nica e a borracha</I>.2 ed.Manaus,    AM, Editora Valer. 2004.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Monteiro, M&aacute;rio Ipyranga &#151; <I>Teatro Amazonas, 4.v</I>,    Manaus, AM, Ed. Sebrae. 1997.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Sarges, Maria de Nazar&eacute;. <I>Bel&eacute;m: riquezas produzindo    a </I>belle &eacute;poque <I>(1870/1912)</I>. Bel&eacute;m, PA. Editora Paka&#45;tatu.    2000.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Silva, Luiz Os&iacute;ris. <I>A luta pela Amaz&ocirc;nia</I>.    S&atilde;o Paulo, SP. Ed. Fulgor. 1962.</font> ]]></body><back>
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