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</front><body><![CDATA[ <p><font size="3"><b>LITERATURA EM ALTA</b></font></P>     <p><font size="3"><b>N<small>OVOS AUTORES E EVENTOS LITER&Aacute;RIOS SE ESPALHAM    PELO PA&Iacute;S</small></b></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v61n3/a21img01.jpg"></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Um recorde de eventos liter&aacute;rios deve marcar o calend&aacute;rio    de 2009. Ser&atilde;o 23 grandes ocasi&otilde;es de gala para as letras, entre    festas, feiras e bienais, listadas pela C&acirc;mara Brasileira do Livro. Mas    existem outros n&uacute;meros promissores &#151; circula&ccedil;&atilde;o de livros,    surgimento de revistas espec&iacute;ficas, programas de TV e crescimento de    grandes livrarias &#151; que apontam para uma maior presen&ccedil;a da literatura    no cotidiano do brasileiro. Especialistas da &aacute;rea, por&eacute;m, mant&ecirc;m&#45;se    cautelosos quando se trata de avaliar o consumo de mais literatura no Brasil.</font></P>     <p><font size="3">Para o jornalista Luiz Costa Pereira Jr., editor da revista    <I>L&iacute;ngua Portuguesa</I>, publica&ccedil;&atilde;o dedicada &agrave;    linguagem e que aborda o uso da l&iacute;ngua na literatura, na ret&oacute;rica    ou no discurso, &eacute; preciso fazer uma distin&ccedil;&atilde;o entre a literatura    e o mercado editorial, ou seja, o produto livro. "O avan&ccedil;o da ind&uacute;stria    do livro &eacute; ineg&aacute;vel, mas, nisto, voc&ecirc; tem a amplia&ccedil;&atilde;o    de t&iacute;tulos de religi&atilde;o, did&aacute;ticos, autoajuda, e n&atilde;o    somente literatura. Por&eacute;m, essa expans&atilde;o pode ser considerada    um fen&ocirc;meno bastante positivo. A literatura tamb&eacute;m avan&ccedil;ou,    mas n&atilde;o t&atilde;o rapidamente quanto o produto livro", diz. </font></P>     <p><font size="3">De acordo com uma pesquisa do Instituto Pr&oacute;&#45;livro, encomendada    junto ao Ibope, o brasileiro l&ecirc;, em m&eacute;dia, 4,7 livros por ano.    O estudo constatou que somente a leitura de livros indicados pela escola, o    que inclui os did&aacute;ticos, chega a 3,4 livros per capita. A leitura feita    por pessoas que n&atilde;o est&atilde;o mais na escola ficou em 1,3 livro por    ano. Os brasileiros n&atilde;o compram muitos livros, apenas 1,2 livro adquirido    por ano. Por outro lado, o Brasil possui 36 milh&otilde;es de compradores de    livros e, entre eles, a m&eacute;dia &eacute; de 5,9 livros exemplares adquiridos    por ano. Esses dados diferem um pouco dos obtidos pela pesquisa da C&acirc;mara    Brasileira do Livro (CBL), para quem cada brasileiro l&ecirc;, fora da escola,    em m&eacute;dia, 1,8 livro/ano. De qualquer forma, s&atilde;o n&uacute;meros    bastante inferiores aos dos EUA, que &eacute; de cinco livros per capita, ou    da Europa, entre cinco a oito livros lidos por habitante.</font></P>     <p><font size="3">Apesar do n&uacute;mero de 1,2 livro comprado/habitante/ano    ter permanecido o mesmo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; &uacute;ltima pesquisa    do Instituto Pr&oacute;&#45;Livro, realizada em 2000, o crescimento da aquisi&ccedil;&atilde;o    de livros foi bastante substancial, se considerarmos que, h&aacute; oito anos,    o universo pesquisado considerava uma popula&ccedil;&atilde;o estudada de 86    milh&otilde;es de pessoas, enquanto em 2008 esse n&uacute;mero abrangeu toda    a popula&ccedil;&atilde;o em idade de leitura: 172 milh&otilde;es. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><B>MUDAN&Ccedil;AS NO MERCADO </b>O posicionamento das livrarias    mudou bastante nesse per&iacute;odo. Samuel Seibel, propriet&aacute;rio da Livraria    da Vila, uma das maiores de S&atilde;o Paulo, conta que as lojas t&iacute;midas,    pequenas e relativamente pouco atraentes, deram lugar a ambientes generosos,    altamente atraentes, com livros, cds e dvds, al&eacute;m de ampla programa&ccedil;&atilde;o    cultural. "A base para o crescimento no n&uacute;mero de leitores est&aacute;    montada. Agora &eacute; fazer com que a leitura seja realmente encarada pelos    brasileiros como algo cotidiano. Como trabalhar, ir ao cinema, bater papo com    amigos", afirma.</font></P>     <p><font size="3">No entanto, o empres&aacute;rio diz acreditar que os n&uacute;meros    da leitura no Brasil s&oacute; ter&atilde;o um aumento mais radical a partir    do momento em que se foque a forma&ccedil;&atilde;o de leitores desde a inf&acirc;ncia.    "Pais, parentes, amigos e professores t&ecirc;m que ser os grandes incentivadores    da leitura. A livraria, indiscutivelmente, &eacute; o grande palco para isso    acontecer. Eventos infantis, conta&ccedil;&atilde;o de hist&oacute;rias, teatro,    oficina, pockets: tudo ajuda" conta Seibel.</font></P>     <p><font size="3">Paulo Franchetti, professor de literatura da Universidade Estadual    de Campinas (Unicamp), fun&ccedil;&atilde;o que acumula com o cargo de diretor    da editora da mesma institui&ccedil;&atilde;o, concorda com a an&aacute;lise    do jornalista e do livreiro. "A literatura, como tudo, est&aacute; se tornando    cada vez mais um produto midi&aacute;tico. N&atilde;o sei se ela, propriamente    dita, tem tido uma exposi&ccedil;&atilde;o maior ou se tem chegado a um segmento    maior da popula&ccedil;&atilde;o. Mas, sem d&uacute;vida, h&aacute; mais agita&ccedil;&atilde;o    na grande imprensa e a literatura &eacute; objeto de a&ccedil;&otilde;es de    m&iacute;dia bastante importantes", diz. </font></P>     <p><font size="3"><B>INTERNET ESTIMULA A LEITURA?</b> "Creio que a internet    contribui mais decisivamente para a forma&ccedil;&atilde;o de leitores e escritores    do que os festivais", afirma Franchetti. Numa quest&atilde;o que sempre    foi pol&ecirc;mica, no que se refere ao risco que as publica&ccedil;&otilde;es    impressas &#151; jornais, revistas e livros &#151; correriam com a expans&atilde;o do    meio eletr&ocirc;nico de leitura, ele considera que essa m&iacute;dia,ao contr&aacute;rio,    tem dado um novo sentido na vida cultural moderna, inclusive na literatura.    Os blogs liter&aacute;rios, mesmo que possam servir como um instrumento de marketing    pessoal e serem em n&uacute;mero excessivo, s&atilde;o, para o professor, uma    das v&aacute;rias formas interessantes de presen&ccedil;a da literatura na web.    "As revistas e p&aacute;ginas eletr&ocirc;nicas s&atilde;o espa&ccedil;os    onde jovens autores podem postar poemas, textos de fic&ccedil;&atilde;o ou cr&iacute;tica    liter&aacute;ria. Al&eacute;m disso, &eacute; poss&iacute;vel encontrar uma    infinidade de livros digitalizados, com acesso gratuito, em todas as l&iacute;nguas.    Como a popula&ccedil;&atilde;o letrada passa cada vez mais tempo &agrave; frente    de um computador conectado &agrave; internet, a tend&ecirc;ncia &eacute; que    a literatura, por esse meio, esteja cada vez mais presente na vida das pessoas.    Portanto, hoje, a circula&ccedil;&atilde;o de livros em sua forma impressa em    papel, &eacute; apenas uma parte &#151; relativamente pequena, em termos absolutos    &#151; da presen&ccedil;a da literatura na vida das pessoas", acrescenta. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v61n3/a21img02.jpg"></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">O site Dom&iacute;nio P&uacute;blico (<I><a href="http://www.dominiopublico.gov.br" target="_blank">www.dominiopublico.gov.br</a></I>),    &eacute; lembrado por Luiz Pereira Jr. como um importante divulgador e distribuidor    de livros pela internet. "Aconteceu uma guinada na internet a favor da    literatura, esse ambiente que primeiramente parecia que iria provocar a extin&ccedil;&atilde;o    do objeto livro, hoje est&aacute; permeado por blogs, sites liter&aacute;rios    (ou com pretens&atilde;o liter&aacute;ria), iniciativas de diversas ordens,    como o download de livros. Voc&ecirc; tem a&iacute; um real avan&ccedil;o da    literatura", afirma. Franchetti cita, ainda, a exist&ecirc;ncia de uma    s&eacute;rie de sites que acessa frequentemente &#151; Projeto Gutenberg, Google    Books, Europeana, Cron&oacute;pios, a Germina e a Sibila &#151; como exemplos dessa    expans&atilde;o.</font></P> <table width="578" border="0" align="center" cellpadding="5">   <tr>      <td width="260" valign="top">     <p><font size="3"><b>ENTREVISTA</b></font></p>           <p><font size="3"><b> A<small>NT&Ocirc;NIO</small> P<small>RATA</small></b></font></p>           ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Ant&ocirc;nio Prata, 31 anos, 8 livros publicados, faz          parte da nov&iacute;ssima gera&ccedil;&atilde;o de escritores que despontou          na &uacute;ltima d&eacute;cada. Tem uma coluna quinzenal no jornal <i>O          Estado de S. Paulo</i>, mas considera que ainda est&aacute; em forma&ccedil;&atilde;o          nessa carreira. Sua opini&atilde;o sobre o espa&ccedil;o atual da literatura,          venda de livros, caminho para se tornar escritor e como viver da escrita          est&aacute; nesta entrevista.</font></p>           <p><font size="3"><b>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura:</b> <i>Como v&ecirc; a          presen&ccedil;a da literatura no Brasil? Como romancista e cronista, acredita          que o grande n&uacute;mero de festivais, crescimento das livrarias, programas          de tv etc, significa que, de fato, aumentou o espa&ccedil;o para a literatura          na vida dos brasileiros?</i>    <br>         <b>Ant&ocirc;nio Prata:</b> Acho que essa &eacute; uma tend&ecirc;ncia          mundial. A Rosa Montero, uma escritora espanhola, em uma das Flips &#91;Festa          Liter&aacute;ria de Paraty&#93; contou que tinha come&ccedil;ado a escrever          porque era t&iacute;mida e n&atilde;o sabia se relacionar bem com os outros.          Mas que, de repente, isso a obrigou a ir para frente das pessoas e falar          sobre literatura. Tal crescimento &#91;dos eventos&#93; &eacute; fato. Agora,          se isso representa um crescimento da literatura, n&atilde;o sei. Para          ser sincero fico muito assombrado com os dados sobre leitura, pois, por          exemplo, em uma pesquisa do ano passado, o n&uacute;mero de analfabetos          funcionais no Brasil beira 50% da popula&ccedil;&atilde;o. Voc&ecirc;          est&aacute; falando comigo porque sou um jovem escritor, mas se fosse          levantar o n&uacute;mero de livros vendidos, nunca chegaria a mim. Existe          uma discrep&acirc;ncia entre as vendas e a exposi&ccedil;&atilde;o que          o escritor tem na m&iacute;dia.</font></p>           <p><font size="3"><i>Esses eventos contribuem para </i> </font></p></td>     <td width="292" valign="top">     <p align="center"><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v61n3/a21img03.jpg"></font></p>           <p><font size="3"><i>a forma&ccedil;&atilde;o de leitores?</i>    <br>         Para o escritor &eacute; fant&aacute;stico. </font></p>           <p><font size="3">Quando fui na minha primeira Flip, foi muito esclarecedor          ver meus grandes &iacute;dolos falando sobre o processo da escrita, perceber          que eles tinham as mesmas dificuldades criativas e at&eacute; financeiras.          Esses eventos t&ecirc;m ainda uma outra fun&ccedil;&atilde;o, a de aproximar          p&uacute;blico e escritores. Por exemplo, atrav&eacute;s de um programa          da Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o do Estado de S&atilde;o Paulo,          que leva escritores para cidades do interior, fui a audit&oacute;rios          em Adamantina, Paragua&ccedil;u Paulista e Tup&atilde;. As pessoas ali          conheciam literatura, textos meus, quem eram os escritores novos, quais          faziam sucesso, tinham opini&otilde;es sobre literatura e queriam saber          mais. Em todas, havia gente falando que escrevia e que queria publicar.          Nessas cidades pequenas, as pessoas perguntam, voc&ecirc; &eacute; escritor?          N&atilde;o parece, esperava um cara mais velho e s&eacute;rio. A literatura          n&atilde;o &eacute; uma coisa velha e distante. A literatura &eacute;          uma coisa viva, &eacute; a vida que as pessoas vivem.</font></p>           <p><font size="3"><i>E como &eacute; viver de literatura financeiramente?</i>    <br>         N&atilde;o posso reclamar porque tive tudo o que precisava na minha m&atilde;o.          Por ser filho de escritor, sempre soube desde cedo como deveria fazer          para viver de literatura. Vi meu pai &#91;M&aacute;rio Prata&#93; fazendo as coisas          dele, trabalhando com roteiros, cr&ocirc;nicas etc. Eu tamb&eacute;m escrevo          cr&ocirc;nicas, que &eacute; uma maneira de se vender textos para jornais          e revistas. Dizer que &eacute; dif&iacute;cil viver de escrever... no          Brasil &eacute; um pouco complicado, aqui &eacute; dif&iacute;cil viver          de tudo. </font></p>           ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><i>Foi dif&iacute;cil conquistar o seu espa&ccedil;o?</i>    <br>         Creio que ainda estou no caminho. Minha trajet&oacute;ria foi bastante          natural, comecei fazendo uma revista com amigos aos 17 anos, que chamou          a aten&ccedil;&atilde;o da Comunidade Solid&aacute;ria, um projeto da          Ruth Cardoso, que nos convidou para fazer um livro sobre o programa. Isso          rendeu uma proposta para trabalhar na revista da MTV, de onde fui para          a revista <i>Capricho</i>. Depois, fui para o guia do <i>Estad&atilde;o</i>,          e de l&aacute; para o jornal. Uma coisa foi levando &agrave; outra, sempre          numa gangorra em que eu fazia algo que me dava dinheiro e tempo para que          eu escrevesse a minha coisa. Felizmente, nos &uacute;ltimos tempos, o          lugar onde est&aacute; o dinheiro e o meu desejo est&atilde;o ficando          mais pr&oacute;ximos.</font></p></td>   </tr> </table>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v61n3/a21img04.jpg"></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v61n3/a21img05.gif"></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Para Luiz Pereira Jr., um ponto fraco, ainda, seriam os espa&ccedil;os    para debate. Segundo ele, fala&#45;se muito de literatura para catequizar os catequizados,    atrav&eacute;s de uma abordagem ensa&iacute;stica que pouco acrescenta ao que    j&aacute; se sabe sobre os autores, focando a biografia de um autor e um resumo    das suas principais obras. "A abordagem que tentamos usar na <I>L&iacute;ngua    Portuguesa</I> &eacute; uma forma menos convencional. Pelo fato da revista n&atilde;o    ser especificamente sobre literatura, n&oacute;s trabalhamos sempre &agrave;    luz do idioma e da linguagem, n&oacute;s tentamos pegar a contribui&ccedil;&atilde;o    t&eacute;cnica de um autor para &aacute;rea dele, para o que ele se prop&otilde;e.    Por exemplo, ao falarmos de Drummond, podemos focar sobre os neologismos dele.    Sobre o M&aacute;rio Quintana, como ele usa o recurso da ironia de um determinado    jeito, e como essa &eacute; uma das contribui&ccedil;&otilde;es dele para quem    quer brincar fazendo poesia. As vezes acertamos, as vezes n&atilde;o",    analisa. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Luciano Valente</i></font></P>      ]]></body>
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