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</front><body><![CDATA[ <p><font size="3"><b>DIVULGA&Ccedil;&Atilde;O CIENT&Iacute;FICA</b></font></P>     <p><font size="3"><b>I<small>MAGENS FACILITAM A COMPREENS&Atilde;O DA CI&Ecirc;NCIA</small></b></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">O di&aacute;logo entre arte e ci&ecirc;ncia mais antigo est&aacute;    presente nas ilustra&ccedil;&otilde;es de relatos cient&iacute;ficos feitos    por viajantes, navegadores e pesquisadores. Exemplos famosos s&atilde;o os desenhos    de Leonardo Da Vinci da anatomia humana e os de naturalistas e pintores que    percorreram o mundo em grandes navega&ccedil;&otilde;es explorat&oacute;rias,    registrando esbo&ccedil;os de animais e plantas, como os bot&acirc;nicos Carl    Friedrich Philipp von Martius e Eugen Warming. "O desenho &eacute; uma    linguagem universal que, frequentemente, dispensa o texto descritivo e a oralidade    para explicar os objetos; a ilustra&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, portanto,    funciona como ferramenta de apoio &agrave; imagina&ccedil;&atilde;o para explicar    ci&ecirc;ncia", afirma Diane Carneiro, professora da &aacute;rea de ilustra&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica do Centro de Ilustra&ccedil;&atilde;o Bot&acirc;nica do Paran&aacute;    (CIBP).</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n3/a23img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">"Com poucas exce&ccedil;&otilde;es, os grandes cientistas    s&atilde;o pensadores visuais, no sentido de que visualizam suas ideias antes    de exp&ocirc;&#45;las na forma de palavras", enfatiza Alberto Cairo, ex&#45;editor    de infografia do jornal <I>El Mundo</I> e professor de infografia e multim&iacute;dia    da Universidade da Carolina do Norte, nos EUA. Para ele, uma tradi&ccedil;&atilde;o    prejudicial na cultura ocidental fomentou o conceito de que o pensamento &eacute;    um processo exclusivamente verbal, quando as palavras n&atilde;o s&atilde;o    mais que um meio de codifica&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o, como    as imagens. "Pense tamb&eacute;m na &uacute;nica ilustra&ccedil;&atilde;o    no livro <I>A origem das esp&eacute;cies</I> de &#91;Charles&#93; Darwin, que se conhece    como a '&aacute;rvore da vida'. Essa imagem &eacute; central em seu pensamento",    recorda. Para Cairo, hoje qualquer cientista usa imagens como um meio confi&aacute;vel    de codificar informa&ccedil;&atilde;o. Os bons diagramas ajudam o pensamento    porque revelam padr&otilde;es nos dados, mostram m&uacute;ltiplas vari&aacute;veis,    ao mesmo tempo, permitem ver objetos ocultos e compreender melhor as conex&otilde;es    entre fen&ocirc;menos e sujeitos.</font></P>     <p><font size="3">O conceito de ilustra&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica vai    al&eacute;m do desenho e da pintura. Da mesma forma que a fotografia e a ilustra&ccedil;&atilde;o    se diferem por seus objetivos, mapas, diagramas, gr&aacute;ficos e infogr&aacute;ficos    tamb&eacute;m s&atilde;o artif&iacute;cios que evidenciam diferentes informa&ccedil;&otilde;es    e dados e que auxiliam a ter uma vis&atilde;o mais ampla da problem&aacute;tica    apresentada por um discurso cient&iacute;fico, em qualquer n&iacute;vel. "Quando    se utiliza analogias em forma de imagem, a tend&ecirc;ncia &eacute; romper a    barreira inicial que se poderia ter com um tema cient&iacute;fico, digamos",    explica Tattiana Teixeira, professora da Universidade Federal de Santa Catarina    (UFSC) e coordenadora do N&uacute;cleo de Pesquisas em Linguagens do Jornalismo.    </font></P>     <p><font size="3"><B>ARTE NA CI&Ecirc;NCIA? </b>"A ilustra&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica n&atilde;o &eacute; arte e vice&#45;versa", sentencia Tattiana.    Opini&atilde;o similar tem S&iacute;lvia Di Marco, pesquisadora associada ao    projeto "A imagem na ci&ecirc;ncia e na arte", da Faculdade de Ci&ecirc;ncias    da Universidade de Lisboa. "A ci&ecirc;ncia sempre usou imagens para pensar,    comunicar entre pares, ensinar e, em geral, n&atilde;o tem preocupa&ccedil;&atilde;o    nenhuma com a arte, embora haja casos nos quais &eacute; evidente a influ&ecirc;ncia    dos padr&otilde;es est&eacute;ticos dominantes de uma &eacute;poca dentro das    representa&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas", avalia. Em sua an&aacute;lise,    normalmente a arte se preocupa com a ci&ecirc;ncia mais do que os cientistas    se preocupam com a arte. Uma boa imagem para a ci&ecirc;ncia &eacute; aquela    considerada intelig&iacute;vel, o que deixa a preocupa&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica    em segundo plano. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">James Elkin, professor da Escola de Artes da Universidade de    Chicago, EUA, &eacute; mais cauteloso e acredita ser necess&aacute;rio resistir    &agrave; conclus&atilde;o de que essas imagens sejam &uacute;nica e exclusivamente    informacionais e sem qualquer valor est&eacute;tico. Em artigo publicado no    <I>The Art Bulletin</I> (vol. 77, n. 4, 1995) ele argumenta que se fosse poss&iacute;vel    ampliar os estudos em hist&oacute;ria da arte sobre o campo das imagens n&atilde;o    art&iacute;sticas, haveria a possibilidade de se criar uma hist&oacute;ria pr&oacute;pria    para cada um desses campos, em especial dentro das &aacute;reas cient&iacute;ficas.    "A hist&oacute;ria das imagens na cristalografia, astronomia e microscopia    poderiam ser escritas do in&iacute;cio", refor&ccedil;a.</font></P>     <p><font size="3"><B>IMAGEM E SIGNIFICADO </b>"Hoje, qualquer manual educativo    est&aacute; cheio de imagens, diagramas, esquemas, mapas, gr&aacute;ficos estat&iacute;sticos,    etc". Cairo acrescenta que tais recursos n&atilde;o s&atilde;o meros desenhos.    "Cada tipo de dado corresponde a um jeito adequado de codifica&ccedil;&atilde;o.    Os mecanismos mentais que facilitam a compreens&atilde;o de diagramas (como    mapas) j&aacute; s&atilde;o inatos nas gera&ccedil;&otilde;es atuais. E temos    mais possibilidades de escritas diagram&aacute;ticas, o que evidencia existir    outras formas mais adequadas para transmitir determinadas informa&ccedil;&otilde;es",    finaliza.</font></P>     <p><font size="3">A contribui&ccedil;&atilde;o das imagens para a medicina, por    exemplo, &eacute; inquestion&aacute;vel, assim como a infografia &eacute; uma    forma de narrativa que vai al&eacute;m da apresenta&ccedil;&atilde;o pura e    simples de dados, criando narrativas t&atilde;o complexas quanto um texto escrito.</font></P>     <p><font size="3">Diante de m&uacute;ltiplas possibilidades no uso de imagens    para melhorar a compreens&atilde;o do pensamento Henrique C&eacute;zar da Silva    e colegas analisaram como essas novas tecnologias e m&eacute;todos de visualiza&ccedil;&atilde;o    contribuem para a imagem da ci&ecirc;ncia junto a estudantes. Em artigo publicado    na revista <I>Ci&ecirc;ncia e Educa&ccedil;&atilde;o</I> (Vol.12, nº    2, 2006), da Faculdade de Ci&ecirc;ncias da Universidade Estadual Paulista (Unesp),    os autores concluem que, na &uacute;ltima d&eacute;cada, o desenvolvimento de    tecnologias resultou em uma brutal intensifica&ccedil;&atilde;o da quantidade    de imagens constitutiva de nosso cotidiano e que, portanto, a leitura dessas    precisa ser ensinada. "&Eacute; importante que sejam criados espa&ccedil;os    curriculares nos quais se possa analisar a aula como processo discursivo, discutindo    o funcionamento de diferentes formas de linguagem associadas ao processo de    ensino e aprendizagem", diz C&eacute;zar da Silva.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n3/a23img02.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><B>RISCOS DO CLICH&Ecirc; </b>Para o semi&oacute;logo italiano    Omar Calabrese, professor da Universidade de Siena e autor do livro <I>A idade    neobarroca</I>?, ao adentrar o imagin&aacute;rio do p&uacute;blico leigo essas    imagens poderiam cristalizar clich&ecirc;s e padroniza&ccedil;&otilde;es. H&aacute;    o perigo da "est&eacute;tica da repeti&ccedil;&atilde;o", jarg&atilde;o    usado por Calabrese. "L&oacute;gico que isso &eacute; um perigo. Pense,    por exemplo, na representa&ccedil;&atilde;o do &aacute;tomo como um grupinho    de planetinhas (el&eacute;trons) rodando ao redor do n&uacute;cleo. Isso &eacute;    um &iacute;cone que est&aacute; na mem&oacute;ria coletiva e que &eacute; muito    dif&iacute;cil mudar", diz Cairo. "O perigo da massifica&ccedil;&atilde;o    do conhecimento, da estagna&ccedil;&atilde;o e da acomoda&ccedil;&atilde;o dos    estudantes no m&iacute;nimo de conte&uacute;dos apresentados na internet existe    em qualquer &aacute;rea; na &aacute;rea cient&iacute;fica n&atilde;o &eacute;    diferente", concorda F&aacute;tima Zagonel, ilustradora e tamb&eacute;m    vinculada ao CIBP. Mas, a pesquisadora enfatiza que &eacute; necess&aacute;rio    criar uma cultura para orientar o uso dessa m&iacute;dia, para que n&atilde;o    ocorra a estagna&ccedil;&atilde;o da pesquisa.&nbsp;O incentivo &agrave; leitura    e &agrave; busca do conhecimento nas fontes originais (livros, revistas e publica&ccedil;&otilde;es    espec&iacute;ficas) tamb&eacute;m colabora para que n&atilde;o ocorra&nbsp;a    superficialidade de conte&uacute;dos e a cria&ccedil;&atilde;o de &iacute;cones    (imag&eacute;ticos) que levam a generaliza&ccedil;&otilde;es e interpreta&ccedil;&otilde;es    "cient&iacute;ficas" equivocadas. "O trabalho do designer ou    do artista gr&aacute;fico que trabalham com ilustra&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica    &eacute;, justamente, criar novas formas de representa&ccedil;&atilde;o, desafiar    os 'leitores' com interpreta&ccedil;&otilde;es novas", finaliza Alberto    Cairo.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Enio R. Barbosa Silva</i></font></P>     ]]></body>
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