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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n4/tendenc.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><b><font size=5>SUSTENTABILIDADE SOCIOAMBIENTAL NA AQUICULTURA</font></b></p>     <p align="center"><i><b><font size="3">Juliana Schober Gon&ccedil;alves Lima    <br>   Manoel Mendon&ccedil;a Filho</font></b></i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>E</b></font><font size="3">m diferentes lugares e de modos    variados tem-se o registro hist&oacute;rico cultural da pr&aacute;tica de captura    de esp&eacute;cies aqu&aacute;ticas para que estas se desenvolvessem em confinamento.    Foram mudan&ccedil;as no modo de vida das pessoas que permitiram reconhecer    a cria&ccedil;&atilde;o e armazenamento do pescado vivo como estrat&eacute;gia    de subsist&ecirc;ncia. Isso ocorreu com povos geograficamente espalhados pelo    globo, marcados por diferentes processos socioculturais e operacionalizado atrav&eacute;s    de diferentes estrat&eacute;gias.</font></p>     <p><font size="3">Somente no s&eacute;culo XX a aquicultura passou a integrar    o conjunto de atividades de produ&ccedil;&atilde;o industrial mais controladas.    Al&eacute;m da compreens&atilde;o dos h&aacute;bitos naturais dos organismos    aqu&aacute;ticos, importantes mudan&ccedil;as econ&ocirc;micas e geopol&iacute;ticas    permitiram a expans&atilde;o da atividade e o refinamento da tecnologia de produ&ccedil;&atilde;o    dispon&iacute;vel. Atualmente, a aquicultura tornou-se uma atividade industrial    de grande import&acirc;ncia para diversos pa&iacute;ses, como &eacute; o caso    da China (1).</font></p>     <p><font size="3">Em 2006, o total de pescado produzido no mundo foi em torno    de 110 milh&otilde;es de toneladas. A aquicultura participou com 47% desse montante,    com perspectiva de aumento da produ&ccedil;&atilde;o em resposta a crescente    demanda mundial (1). O crescimento da produ&ccedil;&atilde;o da aquicultura    mundial tem sido acompanhado por cr&iacute;ticas e incertezas sobre a sustentabilidade    da atividade. Esse fato &eacute; especialmente verdadeiro para as esp&eacute;cies    de elevado valor econ&ocirc;mico, como &eacute; o caso dos camar&otilde;es marinhos.    A crise de sustentabilidade n&atilde;o se restringe &agrave; dimens&atilde;o    biof&iacute;sica. H&aacute; uma dimens&atilde;o geopol&iacute;tica que tematiza    a quest&atilde;o do impacto ambiental e aponta tanto para uma reestrutura&ccedil;&atilde;o    tecnol&oacute;gica quanto para mudan&ccedil;as socioculturais relacionadas ao    cultivo e modo de vida dos produtores (2).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">No Brasil, o desenvolvimento da aquicultura est&aacute; fortemente    relacionado ao cultivo do camar&atilde;o da esp&eacute;cie <i>Penaeus vannamei</i>    com uma produ&ccedil;&atilde;o estimada em 76 mil toneladas. Atualmente, o camar&atilde;o    representa o principal produto da pauta de exporta&ccedil;&atilde;o da aquicultura    nacional (3).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3">CULTIVO DE CAMAR&Otilde;ES EM SERGIPE </font></b><font size="3">A    carcinicultura no estado de Sergipe &eacute; atividade recente e representa    apenas 3,4% do total da produ&ccedil;&atilde;o da aquicultura nacional, com    cerca de 2.540 toneladas (3). Esse estudo &eacute; focado no estu&aacute;rio    Vaza-Barris (SE), onde a comunidade rural local demonstra forte integra&ccedil;&atilde;o    sociocultural com a atividade.</font></p>     <p><font size="3">Sintomaticamente, as circunst&acirc;ncias que ocasionaram o    estudo foram marcadas por quest&otilde;es jur&iacute;dicas, contrapondo n&iacute;veis    de compet&ecirc;ncia institucional sobre a regulamenta&ccedil;&atilde;o e fiscaliza&ccedil;&atilde;o    da atividade que envolve o Ibama e o Minist&eacute;rio P&uacute;blico, al&eacute;m    de outros &oacute;rg&atilde;os governamentais. Tendo como piv&ocirc; a delimita&ccedil;&atilde;o    das &Aacute;reas de Prote&ccedil;&atilde;o Permanente (APP), a pesquisa se deparou    com um complexo cen&aacute;rio envolvendo legisla&ccedil;&atilde;o ambiental,    interesses comerciais e condi&ccedil;&otilde;es de vida de grupos socioculturais    locais. A multiplicidade de dimens&otilde;es concretas do campo for&ccedil;a    uma reflex&atilde;o sobre m&eacute;todo de pesquisa e natureza do objeto.</font></p>     <p><font size="3">De acordo com observa&ccedil;&otilde;es diretas e registros    de campo, alguns viveiros de Vaza-Barris s&atilde;o bastante antigos, com idades    acima de 200 anos. Tal realidade mostra que apesar da carcinicultura ser atividade    recente, a comunidade local j&aacute; fazia uso dos viveiros atrav&eacute;s    da cria&ccedil;&atilde;o de peixes de forma extensiva, evidenciando uma afinidade    hist&oacute;rica com a pr&aacute;tica da aquicultura estuarina.</font></p>     <p><font size="3">Essa pr&aacute;tica hist&oacute;rica apresenta duas consequ&ecirc;ncias    importantes para a utiliza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o no estu&aacute;rio    Vaza-Barris. A primeira &eacute; uma tend&ecirc;ncia previs&iacute;vel dos espa&ccedil;os    que j&aacute; haviam sendo utilizados pela aquicultura extensiva atrav&eacute;s    do cultivo de peixes se transformarem em outras atividades relacionadas a essa    pr&aacute;tica, por&eacute;m, utilizando esp&eacute;cies de maior valor econ&ocirc;mico,    como foi o caso da ado&ccedil;&atilde;o do cultivo de camar&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3">Outra consequ&ecirc;ncia importante est&aacute; relacionada    aos conflitos gerados pela convers&atilde;o do cultivo de peixes em cultivo    de camar&atilde;o, sobretudo ap&oacute;s a delimita&ccedil;&atilde;o no estado    de Sergipe das APPs. Parcela expressiva da produ&ccedil;&atilde;o de camar&otilde;es    do estado &eacute; oriunda de propriedades localizadas em APPs, que atuam de    forma irregular e sem licenciamento.</font></p>     <p><font size="3">Neste contexto, considerando a import&acirc;ncia da atividade    e seus impactos ambientais, socioculturais e econ&ocirc;micos &eacute; que se    colocam urgentes quest&otilde;es de mudan&ccedil;as de manejo durante o ciclo    produtivo que sejam socioambientalmente adequadas e pol&iacute;tico-economicamente    vi&aacute;veis. Apesar de muitos dos problemas ambientais poderem ser solucionados    atrav&eacute;s da ado&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas de manejo espec&iacute;ficas    (4), esse estudo demonstra que tal mudan&ccedil;a &eacute; um processo complexo    que n&atilde;o depende apenas de solu&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas.</font></p>     <p><font size="3">Os resultados preliminares observados mostram que os viveiros    de camar&atilde;o s&atilde;o distribu&iacute;dos no estu&aacute;rio em &aacute;reas    sob diferentes press&otilde;es antr&oacute;picas, fator determinante para o    papel das carciniculturas como emissoras ou absorventes de mat&eacute;ria org&acirc;nica    e nutrientes dos ecossistemas adjacentes. Os n&iacute;veis econ&ocirc;mico-culturais    e de qualidade de vida dos segmentos de popula&ccedil;&atilde;o envolvidas na    produ&ccedil;&atilde;o &eacute; preponderantemente m&eacute;dio baixo. Os manejos    empregados pelos carcinicultores do Vaza-Barris evidenciam, em geral, o uso    de pr&aacute;ticas de baixo impacto ambiental.</font></p>     <p><font size="3">Os policultivos com peixes estuarinos foram observados e identificou-se    que tal pr&aacute;tica pode aumentar a sustentabilidade dos sistemas apresentando    vantagens econ&ocirc;micas e ambientais como o aumento da renda do produtor    e uma melhor utiliza&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais dispon&iacute;veis    dentro dos viveiros atrav&eacute;s da utiliza&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios    nichos tr&oacute;ficos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">As despescas se sustentam com base em m&atilde;o-de-obra local    informal. Al&eacute;m da gera&ccedil;&atilde;o de empregos tempor&aacute;rios,    observou-se que determinados produtos resultantes da despesca, incluindo crust&aacute;ceos    e peixes, s&atilde;o compartilhados com a popula&ccedil;&atilde;o local. Notando-se    um n&uacute;mero significativo de fam&iacute;lias tradicionalmente vinculadas    a atividades extrativistas no mangue coletando itens alimentares nos viveiros    ap&oacute;s a despesca.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3">CONCLUS&Otilde;ES E TEND&Ecirc;NCIAS </font></b><font size="3">    Os resultados obtidos at&eacute; o momento apontam pr&aacute;ticas sustent&aacute;veis    desenvolvidas pela popula&ccedil;&atilde;o local que devem ser estimuladas e    aprimoradas na ado&ccedil;&atilde;o de novos manejos. Enfoques ecossist&ecirc;micos    (5) apresentam muitas vantagens nesse cen&aacute;rio, por considerarem uma ampla    gama de esferas, influ&ecirc;ncias e atores envolvidos no processo produtivo.    &Iacute;ndices de sustentabilidade t&ecirc;m sido apontados como de grande relev&acirc;ncia    para a determina&ccedil;&atilde;o da sustentabilidade dos sistemas de aquicultura.    Tais &iacute;ndices apresentam aplica&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica no contexto    dessa pesquisa para a compara&ccedil;&atilde;o da sustentabilidade dos manejos    adotados. Mecanismos para a medi&ccedil;&atilde;o de uma sustentabilidade entendida    como necessariamente socioambiental devem ser oferecidos como subs&iacute;dio    para as discuss&otilde;es sobre adequa&ccedil;&atilde;o e viabilidade jur&iacute;dica,    cultural e econ&ocirc;mica dos modos de produ&ccedil;&atilde;o a serem implementados.</font></p>     <p><font size="3">Efeito dos resultados produzidos pelas an&aacute;lises multidisciplinares,    viabilizadas por uma associa&ccedil;&atilde;o de pesquisadores em aquicultura    com pesquisadores em processos socioculturais, aponta para um m&eacute;todo    de pesquisa que amplia a constru&ccedil;&atilde;o do objeto de estudo integrando    as dimens&otilde;es biof&iacute;sicas com as dimens&otilde;es pol&iacute;tico,    culturais e econ&ocirc;micas. Neste contexto, &eacute; uma avalia&ccedil;&atilde;o    de efetividade do modelo desenvolvido, e n&atilde;o apenas a sua efic&aacute;cia    t&eacute;cnica, que passa a orientar a pesquisa e a inven&ccedil;&atilde;o de    novas tecnologias de manejo e produ&ccedil;&atilde;o em carcinicultura.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v61n4/line_blk.gif">    <br>   <b><font size="3">REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</font></b></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Sofia. "The state of fisheries and aquaculture". FAO. Roma.    196p. 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=050673&pid=S0009-6725200900040000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">2. Castoriades, Cornelius. <i>Da ecologia &agrave; autonomia</i>.    Trad. Luiz Fortes, S&atilde;o Paulo: Ed. Brasiliense. 1982.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=050675&pid=S0009-6725200900040000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">3. Ibama. Estat&iacute;stica da Pesca 2004. Ibama/MMA. 136p.    2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=050677&pid=S0009-6725200900040000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">4. Boyd, Claude E.; Tucker, Craig; McNevin, Aaron; Bostick,    Katherine &amp; Clay, Jason. "Indicators of resource use efficiency and&nbsp;    environmental performance in fish and crustacean aquaculture". <i>Reviews in    Fisheries Science</i>, Vol.15, pp.327-360. 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=050679&pid=S0009-6725200900040000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">5. Costa-Pierce. "An ecosystem approach to marine aquaculture:    a global review". In: D. Soto, J. Aguilar-Manjarrez &amp; N. Hishamunda (Eds.).    <i>Building an ecosystem approach to aquaculture</i>. FAO/Universitat de les    Illes Balears Experts Workshop. 7-11 May 2007, Palma de Mallorca, Spain. FAO    Fisheries and Aquaculture Proceedings, Rome, FAO, n.14, pp.81-115. 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=050681&pid=S0009-6725200900040000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><i><font size="3">Juliana Schober Gon&ccedil;alves Lima</font></i></b> <i><font size="3">&eacute;    professora adjunta do N&uacute;cleo de Engenharia de Pesca da Universidade Federal    de Sergipe (UFS)    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <b>Manoel Mendon&ccedil;a Filho</b> &eacute; professor associado do Departamento    de Psicologia da UFS</font></i></p>      ]]></body>
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