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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n4/brasil.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">M<small>ODA</small></font></p>     <p><font size="4"><img src="/img/revistas/cic/v61n4/line_blk.gif"></font></p>     <p><font size="4"><b>Pesquisa e tecnologia impulsionam a vanguarda da ind&uacute;stria</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Poses, caras, bocas. Resumir a moda, para alguns, poderia ser    simples assim. Essa fina superf&iacute;cie de contato da imagem com o p&uacute;blico    em geral, por&eacute;m, n&atilde;o consegue, nem mesmo, sugerir o esfor&ccedil;o    gigantesco que h&aacute; por tr&aacute;s de uma ind&uacute;stria de apar&ecirc;ncia    t&atilde;o mais vol&aacute;til. Por baixo desse perfil <i>blas&eacute;</i> fervilham    corredores de escrit&oacute;rios e tecelagens a todo vapor em v&aacute;rios    pontos do planeta. Entre a composi&ccedil;&atilde;o da marca, da originalidade,    dos produtos e do conceito de bem vestir, h&aacute; uma infinidade de elementos    que transcendem o corpo, e buscam romper os limites da ind&uacute;stria e da    tecnologia.</font></p>     <p><font size="3">"A ind&uacute;stria de insumos para vestu&aacute;rio e os estilistas    trabalharam em conjunto desde a revolu&ccedil;&atilde;o industrial", diz Emerson    do Nascimento, pesquisador de moda na Universidade de S&atilde;o Paulo (USP).    "A interliga&ccedil;&atilde;o entre a moda e a tecnologia se consolidou a partir    do surgimento das fibras qu&iacute;micas. O primeiro fio artificial, que impulsionou    a ind&uacute;stria t&ecirc;xtil na dire&ccedil;&atilde;o das fibras feitas pelo    homem, foi o acetato de celulose, criado na Alemanha em 1869", lembra Marcia    Mariano, editora da revista <i>Textilia</i>, especializada na cadeia produtiva    t&ecirc;xtil. Desde ent&atilde;o, ind&uacute;stria e moda n&atilde;o se separaram    mais. Muitas vezes, a tecnologia precede o ato criativo, outras vezes o inverso.    "Designers de moda como Hussein Chalayan ou Manel Torres, que criou uma esp&eacute;cie    de tecido em forma de spray &#91;o Spray-on Fabrican&#93;, trabalham nos laborat&oacute;rios    pesquisando novas tecnlogias e materiais para realizar suas cria&ccedil;&otilde;es.    No Brasil, o estilista Jum Nakao &eacute; outro exemplo de vanguarda na &aacute;rea",    diz Suzana Avelar, tamb&eacute;m da Escola de Artes, Ci&ecirc;ncias e Humanidades    (EACH) da USP. Ela usa o termo "designer tecnol&oacute;gico" para descrever    esse profissional que atua em todas as &aacute;reas da cria&ccedil;&atilde;o,    indo al&eacute;m da arte, subvertendo as tecnologias dispon&iacute;veis, propondo    mudan&ccedil;as na pr&oacute;pria estrutura industrial para compor suas obras.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n4/06f01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">"Com rela&ccedil;&atilde;o a afirma&ccedil;&otilde;es como 'exig&ecirc;ncias    do mercado se sobrep&otilde;em &agrave; cria&ccedil;&atilde;o' depende do foco    do estilista dentro da sua profiss&atilde;o. Ele pode ser um excelente artes&atilde;o    e criar roupas conceituais para um nicho de mercado; pode criar sua pr&oacute;pria    marca e produzir pe&ccedil;as exclusivas; ou, finalmente, trabalhar para uma    grande marca e a&iacute;, claro, se submeter &agrave;s regras do mercado", explica    Marcia. Na verdade, os estilistas podem contribuir para a continuidade de determinados    processos dentro da ind&uacute;stria ou &agrave; sua r&aacute;pida obsolesc&ecirc;ncia    devido ao custo, pontua Nascimento. Ele acrescenta que a populariza&ccedil;&atilde;o    de h&aacute;bitos ligados &agrave; moda podem baratear certas tecnologias. "Um    exemplo disso &eacute; o nylon, uma fibra sint&eacute;tica desenvolvida em 1935    para substituir a seda, amplamente utilizada na confec&ccedil;&atilde;o de paraquedas    durante a guerra &#91;Segunda Guerra Mundial&#93; e que foi popularizado em    meias e em outras pe&ccedil;as de vestu&aacute;rio", aponta o pesquisador. Essa    demanda pelo produto, completa, poderia n&atilde;o ter alcan&ccedil;ado o sucesso    comercial no p&oacute;s-guerra sem o trabalho da ind&uacute;stria da moda.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3">PARCERIA PRODUTIVA </font></b><font size="3">Essa interdepend&ecirc;ncia    &eacute; ben&eacute;fica para os dois lados. Para os estilistas, a exclusividade    de trabalhar com m&eacute;todos e materiais de ponta garante um diferencial    est&eacute;tico frente aos concorrentes na &aacute;rea. E para a ind&uacute;stria,    o term&ocirc;metro emocional das plateias e formadores de opini&atilde;o serve    de medida para o sucesso e populariza&ccedil;&atilde;o de uma tecnologia ou    produto desenvolvido. "A alta costura &eacute; como a F&oacute;rmula-1, um campo    de testes com o uso extremo de uma tecnologia que depois vai ganhar as ruas    com o usu&aacute;rio comum", compara Nascimento. "A diferen&ccedil;a &eacute;    que na moda fica dif&iacute;cil detectar tecnologia numa roupa cortada a laser    e sem costuras. Os exemplos s&atilde;o in&uacute;meros. Vai da viscose, tecido    feito a partir de fibras vegetais, passa pelos tecidos desenvolvidos pela Nasa    para fins diversos e que foram parar nos vestu&aacute;rios esportivos at&eacute;    microchips que s&atilde;o costurados em roupas de grifes preocupadas com a pirataria.    "Se voc&ecirc; der uma olhada na &uacute;ltima edi&ccedil;&atilde;o do Fashion    Rio, segunda maior semana de moda do pa&iacute;s, atr&aacute;s apenas do S&atilde;o    Paulo Fashion Week (SPFW), ver&aacute; que Walter Rodrigues, em parceria com    a Basf, apresentou o chamado efeito butterfly na cole&ccedil;&atilde;o primavera-ver&atilde;o    2009/2010", sugere Marcia. O efeito &eacute; resultado da nova proposta conceitual    da Basf, o <i>chemistry design,</i> que possibilita perceber mudan&ccedil;as    na cor do jeans, conforme o &acirc;ngulo de incid&ecirc;ncia da luz.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>AL&Eacute;M DO VESTU&Aacute;RIO </b>At&eacute; certo momento    na hist&oacute;ria da moda as ind&uacute;strias pesadas (qu&iacute;mica e t&ecirc;xtil)    tinham um grande papel na defini&ccedil;&atilde;o das tend&ecirc;ncias para    o grande p&uacute;blico. Grandes feiras uniam os escrit&oacute;rios de estilo    da alta costura e os produtores de insumo de ponta. Da alta costura, as tend&ecirc;ncias    eram apropriadas pela <i>pr&egrave;t-a-porter</i> (moda para a classe m&eacute;dia,    "pronto para vestir" na tradu&ccedil;&atilde;o literal) e caiam no gosto popular.    Hoje, muitos estilistas da alta costura v&atilde;o at&eacute; as ruas para captar    tend&ecirc;ncias de estilo, apropriam-se e as retrabalham para a reinser&ccedil;&atilde;o    no mercado da exclusividade. Nesse ponto fazem algo que a ind&uacute;stria "pesada"    n&atilde;o faz, ou seja, colhem e processam dados em tempo real. Esse h&aacute;bito    tamb&eacute;m contribuiu para extrapolar as grandes marcas para outros produtos,    como o design, acess&oacute;rios diversos, perfumes e cosm&eacute;ticos. "Os    estilistas e as grandes marcas se tornaram experts em produzir e gerenciar 'imagem'    no sentido de conseguir refletir os desejos de determinados p&uacute;blicos.    As pessoas se olham e se reconhecem como pertencentes a um cen&aacute;rio imagin&aacute;rio    criado pela moda, que transpassa a publicidade e o design", afirma Emerson do    Nascimento da USP.</font></p>     <p><font size="3">Al&eacute;m disso, a "ind&uacute;stria de estilo" tamb&eacute;m    est&aacute; ajudando a de insumos t&ecirc;xteis a enfrentar um grande desafio    - a China. "Os tecidos t&eacute;cnicos, como aqueles que possuem qualidades    nanotecnol&oacute;gicas, e que podemos ver nos mai&ocirc;s de nata&ccedil;&atilde;o,    ultimamente s&atilde;o uma resposta ao modelo de produ&ccedil;&atilde;o chin&ecirc;s,    que emergiu no final do &uacute;ltimo s&eacute;culo, e que fez com que os commodities,    de uma maneira em geral, tivessem seus pre&ccedil;os esmagados", analisa S&iacute;lgia    Costa, pesquisadora em tecidos t&eacute;cnicos da EACH/USP.</font></p>     <p><font size="3">Os tecidos t&eacute;cnicos ampliaram sua gama de utilidades    para diversas &aacute;reas: da constru&ccedil;&atilde;o civil &agrave; bandagens    m&eacute;dicas com qualidades curativas ou bactericidas e que s&atilde;o depois    absorvidas pela pele. Suzana aponta, entretanto, que a grande fronteira ainda    &eacute; o corpo (ou as rela&ccedil;&otilde;es com ele). "Mais do que assimilar    tecnologias as pessoas v&atilde;o vestir tecnologia", completa.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"><font size="3"><i>Enio R. Barbosa Silva</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="4">C<small>OSTURANDO</small> O I<small>NVIS&Iacute;VEL</small></font></b></p>     <p><font size="3">Foram 15 minutos de desfile no S&atilde;o Paulo Faschion Week,    maior evento de moda do pa&iacute;s. Modelos caracterizadas como brinquedos    deslizavam vestidas de branco. A maioria dos presentes levou um choque quando,    ao final do desfile, as modelos rasgaram seus pr&oacute;prios vestidos. Todos    feitos de papel.</font></p>     <p><font size="3">Jum Nakao destruiu sua pr&oacute;pria cole&ccedil;&atilde;o    na passarela. O trabalho do estilista (realizado em 2004) &eacute; considerado    um dos mais importantes desfiles deste s&eacute;culo pelo Mus&eacute;e Galliera    (museu de moda em Paris) e est&aacute; em exposi&ccedil;&atilde;o no Museu de    Arte Contempor&acirc;nea de T&oacute;kio. A seguir o estilista, que est&aacute;    atualmente na Holanda como "Designer Honnor Guest" do governo, faz um apanhado    geral sobre suas ideias e inspira&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="3">"A aproxima&ccedil;&atilde;o entre as &aacute;reas de moda,    design, tecnologia e arte &eacute; necess&aacute;ria. Como escreveu Edgar Morin,    a segmenta&ccedil;&atilde;o e compartimenta&ccedil;&atilde;o dos saberes se    demonstrou obsoleta e sem capacidade de respostas para a complexidade que a    viv&ecirc;ncia humana e sobreviv&ecirc;ncia do planeta necessitam. Trabalho    incorporando o acaso, integrando diversas linguagens, aberto aos riscos e com    muito prazer. O processo que mais produz ideias criativas &eacute; o experimentar    e ter a chance de errar. Acredito que a experi&ecirc;ncia art&iacute;stica &eacute;    a rela&ccedil;&atilde;o que transcende obra e observador, &eacute; o rompimento    de barreiras e de pressupostos, onde se joga um jogo sem regras, limites, conven&ccedil;&otilde;es    e a transforma&ccedil;&atilde;o acontece. A obra em si &eacute; a materializa&ccedil;&atilde;o    de conceitos, &eacute; palp&aacute;vel, e cont&eacute;m um sentido. A integra&ccedil;&atilde;o    entre o espectador e a obra &eacute; fundamental. Sem essa integra&ccedil;&atilde;o    a obra n&atilde;o existe. Quando se pensa em arte para o dia-a-dia perde-se    o foco. Em moda acontece o mesmo. Criar se torna um risco. Precisamos fomentar    espa&ccedil;os mercadol&oacute;gicos para o risco, atrav&eacute;s da educa&ccedil;&atilde;o    e forma&ccedil;&atilde;o de consumidores de arte e moda mais aptos a estimular    a produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do. A 'costura do invis&iacute;vel'    &eacute; um rasgo com o formato. Ap&oacute;s esse desfile abdiquei de minha    marca pr&oacute;pria, pelo menos por um tempo, para me dedicar a forma&ccedil;&atilde;o    de uma consci&ecirc;ncia sobre moda e suas possibilidades. Esse desfile aconteceu    numa &eacute;poca em que eu questionava, e ainda questiono muito, as refer&ecirc;ncias,    o conte&uacute;do da produ&ccedil;&atilde;o 'cultural' e os fen&ocirc;menos    em nosso entorno. Nosso objetivo foi apresentar um vazio repleto de possibilidades    e transformar o nada em algo vis&iacute;vel, da&iacute; o nome a 'costura do    invis&iacute;vel'".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n4/06f02.jpg"></p>      ]]></body>
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