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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n4/artigos.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><b><font size=5>APRESENTA&Ccedil;&Atilde;O</font></b></p>     <p align="center"><font size=5><b>OS MAIORES DESAFIOS DA ASTRONOMIA MODERNA</b></font></p>     <p align="center"><b><font size="3">Claudia Mendes de Oliveira; Du&iacute;lia    de Mello</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size=5>Q</font></b><font size="3">ual o tamanho do universo, como    ele se formou, como chegou at&eacute; aqui? Essas perguntas b&aacute;sicas sempre    estiveram na mente do ser humano e constituem os fundamentos da astronomia.    Para respond&ecirc;-las tivemos que investir em tecnologia, inventar instrumentos,    construir telesc&oacute;pios, lan&ccedil;ar sat&eacute;lites. S&atilde;o quatro    s&eacute;culos de dedica&ccedil;&atilde;o ao avan&ccedil;o da fronteira do conhecimento    desde que Galileu Galilei apontou um telesc&oacute;pio para o universo, mas    apenas 40 anos desde que pousamos na Lua.</font></p>     <p><font size="3">Neste N&uacute;cleo Tem&aacute;tico apresentamos alguns dos    projetos de instrumenta&ccedil;&atilde;o que est&atilde;o sendo constru&iacute;dos    para desvendar os maiores enigmas e desafios da astronomia moderna: energia    e mat&eacute;ria escuras, planetas extra-solares, explos&otilde;es estelares    e buracos negros. Convidamos membros da comunidade cient&iacute;fica brasileira    que s&atilde;o especialistas nesses temas para nos contar um pouco sobre cada    um desses assuntos que s&atilde;o alvo da ci&ecirc;ncia atual. Apresentamos    tamb&eacute;m um artigo sobre a hist&oacute;ria da astronomia, que fornece um    panorama da astronomia planet&aacute;ria desde a Antiguidade, ressaltando as    continuidades e rupturas da revolu&ccedil;&atilde;o astron&ocirc;mica. E, para    concluir, damos um panorama da astronomia no Brasil, incluindo a situa&ccedil;&atilde;o    dos programas da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="3">Uma das revela&ccedil;&otilde;es mais dram&aacute;ticas e de    maior impacto dos &uacute;ltimos tempos da cosmologia foi a descoberta da mat&eacute;ria    escura e da energia escura. As evid&ecirc;ncias astron&ocirc;micas apontam que    o universo vis&iacute;vel, ou seja, tudo que &eacute; feito de &aacute;tomos    (ou mat&eacute;ria bari&ocirc;nica), representa apenas 4% da densidade total    do universo. O restante &eacute; feito de algo que nunca conseguimos medir diretamente:    mat&eacute;ria escura (26%) e energia escura (70%). Temos apenas evid&ecirc;ncias    cinem&aacute;ticas de que elas existem e tudo indica que as mat&eacute;rias    luminosa e escura interajam apenas atrav&eacute;s de for&ccedil;as gravitacionais.    A conex&atilde;o entre essas duas quantidades continua sem explica&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3">Descobrir e entender os constituintes do universo &eacute; de    grande interesse dos astr&ocirc;nomos e dos f&iacute;sicos de part&iacute;culas,    e tema central de estudos das duas comunidades na pr&oacute;xima d&eacute;cada.    A Ag&ecirc;ncia Espacial Americana (Nasa), por exemplo, j&aacute; anunciou o    JDEM (Joint Dark Energy Mission)projeto ainda em fase de estudos e que acreditamos    que se tornar&aacute; o maior projeto espacial do futuro. A miss&atilde;o ter&aacute;    como papel principal medir, com alt&iacute;ssima precis&atilde;o, a expans&atilde;o    do universo e tentar revelar se realmente o cosmo &eacute; composto na sua maioria    por energia escura. Ainda n&atilde;o h&aacute; uma data certa para o JDEM ser    lan&ccedil;ado, mas ele ser&aacute; contempor&acirc;neo dos telesc&oacute;pios    gigantes terrestres que dever&atilde;o ultrapassar os 20 metros de di&acirc;metro.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Tr&ecirc;s desses telesc&oacute;pios &oacute;ticos e infravermelhos    gigantes j&aacute; est&atilde;o em fase de estudos: o Telesc&oacute;pio Gigante    Magalh&atilde;es (Giant Magellan Telescope, GMT), o Telesc&oacute;pio de Trinta    Metros (Thirty Meter Telescope, TMT) e o Telesc&oacute;pio Europeu Extremamente    Grande (European Extremely Large Telescope, E-ELT). O GMT ser&aacute; constru&iacute;do    no Chile, no observat&oacute;rio do Instituto Carnegie, chamado Las Campanas.    Ele ter&aacute; sete espelhos de 8,4m que formar&atilde;o uma superf&iacute;cie    comum. Al&eacute;m do Instituto Carnegie, o GMT &eacute; patrocinado por um    cons&oacute;rcio formado pelas Universidades de Harvard, do Texas, do Arizona,    Nacional da Austr&aacute;lia e o Instituto Espacial da Coreia. J&aacute; o projeto    TMT ser&aacute; constru&iacute;do no Hava&iacute; e ser&aacute; financiado pela    associa&ccedil;&atilde;o de universidades canadenses, pelo Caltech, Universidade    da Calif&oacute;rnia e v&aacute;rias funda&ccedil;&otilde;es, como a Gordon    and Betty Moore, a Funda&ccedil;&atilde;o Nacional de Ci&ecirc;ncias norte-americana    (NSF) e a Associa&ccedil;&atilde;o de Universidades e Pesquisas Americanas (Aura).    O E-ELT, que ainda n&atilde;o tem s&iacute;tio definido, ter&aacute; uma &aacute;rea    efetiva de 42 metros (mil espelhos hexagonais de 1,4m de lado e 5 mm de espessura)    e ser&aacute; constru&iacute;do por um cons&oacute;rcio de 14 pa&iacute;ses    que formam o Observat&oacute;rio Europeu Austral (ESO). Esses tr&ecirc;s telesc&oacute;pios,    se constru&iacute;dos, t&ecirc;m previs&otilde;es de entrarem em opera&ccedil;&atilde;o    at&eacute; 2020.</font></p>     <p><font size="3">Um dos maiores desafios para os telesc&oacute;pios terrestres    gigantes ser&aacute; a medida direta da acelera&ccedil;&atilde;o da expans&atilde;o    do universo e produ&ccedil;&atilde;o de um invent&aacute;rio detalhado do conte&uacute;do    das v&aacute;rias componentes do universo, luminosa e escuras. Convidamos o    leitor a se aprofundar nos enigmas sobre mat&eacute;ria e energia escuras atrav&eacute;s    da leitura do primeiro artigo desta colet&acirc;nea, escrito por Raul Abramo    do Instituto de F&iacute;sica da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP).</font></p>     <p><font size="3">E por falar em tema de alto impacto, Adriana V&aacute;lio, professora    da Universidade Presbiteriana Mackenzie, nos conta em seu artigo como anda a    busca por planetas em outros sistemas estelares. Os planetas do sistema solar    sempre foram alvo da curiosidade humana, mas apenas na &uacute;ltima d&eacute;cada    conseguimos provas de que outras estrelas tamb&eacute;m possuem planetas. Desde    ent&atilde;o, mais de 350 planetas extra-solares foram descobertos, mas s&atilde;o    eles, em geral, de maior massa do que o nosso planeta Terra (os novos planetas    t&ecirc;m tipicamente o tamanho e massas parecidos com os de J&uacute;piter,    Saturno e Netuno). O maior desafio para os astr&ocirc;nomos que estudam essa    &aacute;rea &eacute;, sem d&uacute;vida, encontrar um planeta que tenha um tamanho    e massa similares aos da Terra. Espera-se que tal descoberta seja feita nos    pr&oacute;ximos anos, com os novos instrumentos constru&iacute;dos especialmente    para esse fim.</font></p>     <p><font size="3">Os astr&ocirc;nomos acreditam que os planetas extra-solares,    tipo terrestre, devam ser bastante comuns, o problema &eacute; a dificuldade    de encontr&aacute;-los, por serem relativamente pequenos e pr&oacute;ximos de    estrelas brilhantes. As observa&ccedil;&otilde;es dos planetas extra-solares    feitas da Terra s&atilde;o, muitas vezes, de precis&atilde;o limitada, devido    principalmente &agrave; influ&ecirc;ncia da atmosfera terrestre. Por isso, dois    projetos espaciais, CoRot (Convection, Rotation, and planetary Transits) e Kepler,    ganharam especial import&acirc;ncia na &aacute;rea. Corot, da Ag&ecirc;ncia    Espacial Europeia (com participa&ccedil;&atilde;o brasileira) est&aacute; fazendo    observa&ccedil;&otilde;es do brilho de dezenas de milhares de estrelas, com    uma precis&atilde;o de uma parte em um milh&atilde;o. CoRot detectou sinais    de um planeta extra-solar com o tamanho de cerca de 1,7 vez o da Terra e cerca    de seis vezes a sua massa, mas a maioria dos outros candidatos a planetas extra-solares    descobertos pelo CoRot s&atilde;o bem mais massivos. Uma outra miss&atilde;o    para busca de planetas &eacute; chamada Kepler, constru&iacute;da pela Nasa    e lan&ccedil;ada recentemente, que passar&aacute; tr&ecirc;s anos e meio observando    100 mil estrelas, na busca por planetas ao redor dessas.</font></p>     <p><font size="3">Na Terra, o projeto mais ambicioso, ainda em constru&ccedil;&atilde;o    e que revolucionar&aacute; a &aacute;rea de busca de planetas, &eacute; o Alma    (Atacama Large Millimeter Array). O Alma observar&aacute; nos comprimentos de    onda milim&eacute;tricos (de 0,3 a 9,6 mm - a faixa vis&iacute;vel da luz equivale    a ~0,5 microns). O Alma conta com a coopera&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios    pa&iacute;ses europeus, Estados Unidos, Chile e Jap&atilde;o, e est&aacute;    sendo constru&iacute;do em um s&iacute;tio a 5 mil metros de altitude em um    planalto dos Andes Chilenos, o Cerro Chajnantor. O local re&uacute;ne duas das    condi&ccedil;&otilde;es fundamentais para a astronomia milim&eacute;trica: altitude    elevada e baix&iacute;ssima umidade. O Alma tentar&aacute; detectar as mol&eacute;culas    que comp&otilde;em as atmosferas dos planetas extra-solares, buscando assim    por sinais de que as atmosferas daqueles planetas s&atilde;o do tipo terrestre.    Espera-se que o projeto entre em opera&ccedil;&atilde;o em 2011.</font></p>     <p><font size="3">O terceiro artigo desta colet&acirc;nea foi escrito por Denise    Rocha Gon&ccedil;alves, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e    descreve os est&aacute;gios finais da evolu&ccedil;&atilde;o estelar. O caminho    que leva do nascimento &agrave; morte das estrelas &eacute; definido pela massa    estelar. Estrelas de alta massa tipicamente explodem, num fen&ocirc;meno conhecido    como supernovas (chamadas de tipo II), e poluem o meio interestelar com todos    os elementos qu&iacute;micos formados atrav&eacute;s da fus&atilde;o nuclear    que ocorre nos seus interiores. Ap&oacute;s a explos&atilde;o resta apenas uma    concha de g&aacute;s e, em seus centros, uma estrela constitu&iacute;da principalmente    de n&ecirc;utrons com uma massa maior que 1,4 massa solar e um raio entre 10    e 80 km.</font></p>     <p><font size="3">Essas estrelas de n&ecirc;utrons giram a alt&iacute;ssimas velocidades    de rota&ccedil;&atilde;o e possuem intensos campos magn&eacute;ticos. Os campos    intensos e a rota&ccedil;&atilde;o geram um campo el&eacute;trico enorme na    superf&iacute;cie da estrela, retirando el&eacute;trons e pr&oacute;tons que,    ent&atilde;o, se movem rapidamente ao longo das linhas do campo magn&eacute;tico,    formando um jato de radia&ccedil;&atilde;o. Muitas dessas estrelas s&atilde;o    conhecidas como pulsares, pois o eixo do campo magn&eacute;tico n&atilde;o &eacute;    alinhado com o eixo de rota&ccedil;&atilde;o do pulsar, o que faz com que o    jato cruze nossa linha de visada uma vez em cada per&iacute;odo de rota&ccedil;&atilde;o    (se parecendo a um farol que guia os barcos &agrave; noite).</font></p>     <p><font size="3">Por&eacute;m, se a estrela resultante da explos&atilde;o da    supernova tiver massa superior a tr&ecirc;s massas solares, ent&atilde;o ela    n&atilde;o se transformar&aacute; em uma estrela de n&ecirc;utrons ou em um    pulsar. Nesse caso, seu peso ser&aacute; grande demais e ela se tornar&aacute;    inst&aacute;vel, colapsando at&eacute; um raio que &eacute; praticamente zero.    O corpo resultante &eacute; conhecido como buraco negro.</font></p>     <p><font size="3">J&aacute; estrelas como o nosso Sol n&atilde;o passam por processos    explosivos e vivem mais de 10 bilh&otilde;es de anos. Mas elas tamb&eacute;m    contribuem para o enriquecimento qu&iacute;mico do meio interestelar durante    a fase de nebulosa planet&aacute;ria, quando elas ejetam as camadas externas.    O caro&ccedil;o central da nebulosa &eacute; uma estrela relativamente fraca,    uma an&atilde; branca, que ilumina o g&aacute;s ejetado produzindo imagens de    beleza indescrit&iacute;vel, como aquelas produzidas pelo telesc&oacute;pio    espacial Hubble, com alta resolu&ccedil;&atilde;o, que podem ser apreciadas    no artigo de Denise Gon&ccedil;alves.</font></p>     <p><font size="3">O fato do Hubble ser um sat&eacute;lite faz com que ele produza    imagens com resolu&ccedil;&atilde;o superior ao que conseguimos produzir da    Terra devido &agrave; interfer&ecirc;ncia atmosf&eacute;rica. O Hubble observa    a luz ultravioleta (115 a 200 nan&ocirc;metros - nm), &oacute;ptica e uma pequena    parte da luz infravermelha (0,1 a 2,5 microns). Ele acaba de passar por uma    manuten&ccedil;&atilde;o e dever&aacute; continuar em opera&ccedil;&atilde;o    por mais cinco anos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O caminho evolutivo das estrelas ser&aacute; tamb&eacute;m alvo    da pr&oacute;xima miss&atilde;o espacial, o James Webb Space Telescope (JWST).    O JWST ir&aacute;, de uma certa forma, substituir o telesc&oacute;pio Hubble,    que ser&aacute; desativado quando o JWST for lan&ccedil;ado. Uma diferen&ccedil;a    entre os dois &eacute; que o JWST ficar&aacute; a 1,5 milh&atilde;o de quil&ocirc;metros    da Terra, enquanto o Hubble fica a apenas 570 km de altitude. O JWST precisa    ficar a essa dist&acirc;ncia porque os instrumentos infravermelhos (que detectam    comprimentos de onda entre 0,6 e 28 microns) funcionam a baixas temperaturas.    O JWST n&atilde;o ter&aacute; visitas de astronautas como o Hubble e ficar&aacute;    em opera&ccedil;&atilde;o por cinco anos, enquanto o Hubble dever&aacute; ultrapassar    os 23 anos. A grande vantagem do JWST &eacute; o tamanho: ele ter&aacute; um    espelho de 6,5 metros de di&acirc;metro, enquanto o Hubble tem apenas 2,5m.    E, nesse caso, tamanho &eacute; documento! Com uma &aacute;rea coletora maior,    mais f&oacute;tons (as part&iacute;culas de luz) s&atilde;o detectados e, assim,    mais longe e melhor se pode observar. Os detectores infravermelhos do JWST ser&atilde;o    bem mais modernos do que a c&acirc;mera infravermelha do Hubble, al&eacute;m    de que ele ter&aacute; poderosos espectr&oacute;grafos para decompor a luz (espectr&oacute;grafos    s&atilde;o como prismas, que decomp&otilde;em a luz em seus v&aacute;rios comprimentos    de onda). O lan&ccedil;amento do JWST est&aacute; previsto para 2014.</font></p>     <p><font size="3">E para fechar a colet&acirc;nea de temas astron&ocirc;micos    convidamos Thaisa Storchi Bergman, professora da Universidade Federal do Rio    Grande do Sul (UFRGS), para falar sobre um dos t&oacute;picos mais intrigantes    da astronomia: buracos negros. Ela descreve que buracos negros podem ter duas    naturezas distintas: ser o resultado final da evolu&ccedil;&atilde;o da vida    de uma estrela de alta massa, ap&oacute;s a explos&atilde;o de uma supernova    do tipo II, ou ser buracos negros supermassivos, que habitam os centros de gal&aacute;xias.</font></p>     <p><font size="3">Para entendermos a natureza dos buracos negros temos que falar    sobre o que &eacute; a velocidade de escape de um corpo. A velocidade de escape    da Terra, por exemplo, &eacute; a velocidade que corpos devem ter na superf&iacute;cie    da Terra para escapar at&eacute; o infinito sem a ajuda de nenhum outro tipo    de propuls&atilde;o. Para determinarmos a velocidade de escape temos que igualar    a energia potencial gravitacional de um corpo com sua energia cin&eacute;tica.    Para a Terra, a velocidade de escape &eacute; de 11 km/s e ela &eacute; independente    da massa do objeto que "escapa" (s&oacute; depende da massa e do raio da Terra).    Se a Terra diminu&iacute;sse de raio por um fator 9, ou seja, continuasse com    a mesma massa, mas tivesse menor raio e, portanto, maior densidade, a velocidade    de escape aumentaria por um fator 3.</font></p>     <p><font size="3">Se consegu&iacute;ssemos, no entanto, contrair a Terra at&eacute;    o tamanho de uma uva, a velocidade de escape aumentaria para 300 mil km/s. S&oacute;    que, segundo a teoria da gravidade de Einstein (na qual f&oacute;tons s&atilde;o    afetados por campos gravitacionais), se a velocidade de escape de um objeto    &eacute; igual ou maior que a velocidade da luz, aquele objeto n&atilde;o mais    ser&aacute; observado, uma vez que nenhuma informa&ccedil;&atilde;o poder&aacute;    escapar dele. &Eacute; poss&iacute;vel ent&atilde;o calcular esse raio cr&iacute;tico    para qualquer corpo, ou seja, o raio a partir do qual a velocidade de escape    ser&aacute; igual &agrave; velocidade da luz. &Eacute; muito dif&iacute;cil    conseguir fazer com que qualquer corpo, como a Terra ou o Sol, atinjam o raio    que os far&aacute; essencialmente "desaparecer". Mas no caso de uma estrela    de n&ecirc;utrons com mais de tr&ecirc;s massas solares, seu peso &eacute; t&atilde;o    grande que ela colapsa at&eacute; um raio menor do que nove quil&ocirc;metros,    quando ent&atilde;o sua velocidade de escape se torna maior que a velocidade    da luz e ela se torna um buraco negro. Atualmente n&atilde;o se sabe se a mat&eacute;ria    dessa estrela de n&ecirc;utrons continua colapsando indefinidamente (gerando    o que os matem&aacute;ticos chamam de uma singularidade), ou se a contra&ccedil;&atilde;o    eventualmente para. O destino final dos buracos negros &eacute; um dos assuntos    mais espinhosos da f&iacute;sica, e &eacute; mais uma raz&atilde;o pela qual    temos tanto interesse nesses misteriosos objetos.</font></p>     <p><font size="3">Estudos feitos com a gera&ccedil;&atilde;o atual de telesc&oacute;pios    terrestres &oacute;ticos e infravermelhos de oito e dez metros, em sinergia    com telesc&oacute;pios que observam em comprimentos de onda dos raios-X (Chandra    e XMM) e no infravermelho (Spitzer Space Telescope) est&atilde;o sendo capazes    de desvendar alguns dos mist&eacute;rios sobre os buracos negros, principalmente    dos supermassivos, encontrados no centro de gal&aacute;xias.</font></p>     <p><font size="3">A principal miss&atilde;o do futuro que ser&aacute; devotada    para o estudo dos buracos negros &eacute; a IXO (International X-Ray Observatory),    uma colabora&ccedil;&atilde;o entre a ag&ecirc;ncia espacial europeia, o Jap&atilde;o    e a Nasa. O IXO ter&aacute; detectores superpotentes que conseguir&atilde;o    ver em detalhes como o buraco negro cresce no interior das gal&aacute;xias,    ultrapassando milh&otilde;es de vezes a massa do Sol. O IXO est&aacute; em fase    de estudos. Se tudo correr bem, ele dever&aacute; ir ao espa&ccedil;o em 2020.</font></p>     <p><font size="3">Os quatro primeiros artigos deste N&uacute;cleo Tem&aacute;tico    v&atilde;o cobrir de forma detalhada os t&oacute;picos acima, e discutir&atilde;o    algumas das quest&otilde;es fundamentais com as quais a astronomia moderna se    v&ecirc; confrontada.</font></p>     <p><font size="3">Os dois &uacute;ltimos artigos da colet&acirc;nea ser&atilde;o    dedicados &agrave; hist&oacute;ria da astronomia desde Galileu, por Anastasia    Guidi Itokazu, p&oacute;s-doutoranda na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp),    e &agrave; astronomia no Brasil, por Jo&atilde;o Steiner, da USP. O Brasil faz    parte de dois grandes cons&oacute;rcios, o Observat&oacute;rio Gemini (dois    telesc&oacute;pios de oito metros), no qual tem 2,5% de participa&ccedil;&atilde;o    e o telesc&oacute;pio Soar (Southern Observatory for Astrophysical Research),    com 33% de participa&ccedil;&atilde;o brasileira. A contribui&ccedil;&atilde;o    do Brasil no cen&aacute;rio mundial da astronomia tem crescido em quantidade    e qualidade, de forma constante. Um dos objetivos principais da comunidade astron&ocirc;mica    nacional, na atualidade, &eacute; criar estrat&eacute;gias para utilizar de    maneira eficiente o enorme volume de dados que estar&aacute; dispon&iacute;vel    nos pr&oacute;ximos anos para a comunidade astron&ocirc;mica mundial. Esses    dados, em diferentes comprimentos de ondas, ser&atilde;o resultados dos novos    projetos, telesc&oacute;pios e instrumentos como os acima mencionados, e devem    revolucionar nosso entendimento do universo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><i><b>Claudia Mendes de Oliveira</b> &eacute; professora titular    do Instituto de Astronomia, Geof&iacute;sica e Ci&ecirc;ncias Atmosf&eacute;ricas    da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP).</i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><i><b>Du&iacute;lia de Mello</b> &eacute; pesquisadora do Goddard    Space Flight Center, nos EUA.</i></font></p>      ]]></body>
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