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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n4/artigos.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><b><font size=5>O ESTRANHO UNIVERSO EM QUE VIVEMOS</font></b></p>     <p align="center"><b><font size="3">Raul Abramo</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>Q</b></font><font size="3">uando, no come&ccedil;o do s&eacute;culo    XX, o astr&ocirc;nomo e ex-advogado Edwin Hubble resolveu utilizar o poderoso    telesc&oacute;pio do Observat&oacute;rio de Monte Wilson, na Calif&oacute;rnia,    para ca&ccedil;ar as estrelas vari&aacute;veis conhecidas como <i>cefeidas</i>,    ele atirou no que viu e acertou no que n&atilde;o viu. Como todos sabemos hoje,    Hubble acabou descobrindo que aquelas estrelas habitam outras gal&aacute;xias,    muito distantes da nossa gal&aacute;xia (a Via L&aacute;ctea) (1); que essas    gal&aacute;xias est&atilde;o todas se afastando umas das outras, t&atilde;o    mais r&aacute;pido quanto mais longe estiverem umas das outras; que esse afastamento    m&uacute;tuo implica que o universo est&aacute; se expandindo; e que a contrapartida    inexor&aacute;vel dessa expans&atilde;o &eacute; o parto quente e explosivo    do nosso universo h&aacute; uns 14 bilh&otilde;es de anos atr&aacute;s - o Big    Bang. Assim, as cefeidas foram os primeiros far&oacute;is a iluminar o descobrimento    do universo pelo homem, e o primeiro navegador desses mares intergal&aacute;cticos    foi Edwin Hubble.</font></p>     <p><font size="3">Mas, antes de enveredarmos pelo abismo que separa nossa experi&ecirc;ncia    humana da imensid&atilde;o acachapante do espa&ccedil;o sideral, vale a pena    refletir: o que &eacute; o "universo"? Uma defini&ccedil;&atilde;o rigorosa    diria que o universo &eacute; tudo que existe ou que existiu - incluindo o pr&oacute;prio    espa&ccedil;o onde esse "tudo" existe, e o tempo em que esse "tudo" vive. Uma    outra defini&ccedil;&atilde;o, mais provis&oacute;ria e flex&iacute;vel, contabiliza    s&oacute; aquela parte do universo que realmente importa de um ponto de vista    pragm&aacute;tico: nosso universo compreende tudo aquilo que &eacute; observado    (medido) por n&oacute;s.</font></p>     <p><font size="3">&Eacute; desse universo observado que tratam a f&iacute;sica    e a astronomia, com seus pap&eacute;is complementares de descrever as leis que    regem o universo e o estado em que ele se encontra. Podemos dizer, portanto,    que o universo de que trata a cosmologia se alarga &agrave; medida que os novos    telesc&oacute;pios fazem avan&ccedil;ar o horizonte da nossa vis&atilde;o, incluindo    cada vez mais fen&ocirc;menos, enriquecendo nossa galeria de objetos e exigindo    cada vez mais for&ccedil;a e consist&ecirc;ncia da teoria que almeja explicar    a natureza do cosmos. Essa teoria, o Modelo Cosmol&oacute;gico Padr&atilde;o    (MCP), tem como base te&oacute;rica as leis da f&iacute;sica (em particular    a relatividade geral e a mec&acirc;nica qu&acirc;ntica), e tem servido formidavelmente    bem aos prop&oacute;sitos de explicar a evolu&ccedil;&atilde;o do nosso universo    desde a sua mais tenra idade at&eacute; os dias de hoje.</font></p>     <p><font size="3">Por&eacute;m, nem tudo vai bem na cosmologia. Porque, para compreender    aquilo que enxergamos, com as leis f&iacute;sicas que conhecemos, precisamos    postular coisas invis&iacute;veis.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><font size="3">O LADO ESCURO DO UNIVERSO </font></b><font size="3">Assim    como Hubble foi o primeiro cientista a detonar as no&ccedil;&otilde;es pr&eacute;-hist&oacute;ricas    de um universo est&aacute;tico e imut&aacute;vel, seu colega de profiss&atilde;o    e rival do vizinho Instituto de Tecnologia da Calif&oacute;rnia, Fritz Zwicky,    foi o primeiro a notar que algumas pe&ccedil;as cruciais daquela fabulosa nova    teoria estavam faltando (2).</font></p>     <p><font size="3">Zwicky observou durante a d&eacute;cada de 1930 o aglomerado    de gal&aacute;xias de Coma, no qual centenas de gal&aacute;xias ocupam um espa&ccedil;o    muito pequeno, tal qual um enxame de abelhas. A &uacute;nica for&ccedil;a que    mant&eacute;m as gal&aacute;xias de um aglomerado juntas &eacute; a for&ccedil;a    gravitacional entre cada uma das gal&aacute;xias do aglomerado e todas as outras,    o que n&atilde;o permite que nenhuma delas escape para fora do enxame e assim    mant&eacute;m o aglomerado coeso. Ele contou, ent&atilde;o, cuidadosamente,    as gal&aacute;xias do aglomerado, estimou seus tamanhos e massas e mediu suas    velocidades. Seus resultados foram absolutamente inacredit&aacute;veis: para    que as gal&aacute;xias no aglomerado de Coma n&atilde;o sa&iacute;ssem voando,    seria necess&aacute;rio que a massa total daquele aglomerado fosse muitas vezes    superior &agrave; massa das gal&aacute;xias que Zwicky contabilizou (400 vezes,    segundo suas observa&ccedil;&otilde;es na &eacute;poca; hoje sabemos que esse    n&uacute;mero &eacute; da ordem de 10). Cientista furiosamente met&oacute;dico    e supinamente confiante que era, Zwicky sabia que n&atilde;o havia cometido    erro algum: ele tinha certeza de que dentro daquele aglomerado de gal&aacute;xias    havia mesmo muito mais mat&eacute;ria do que poderia ser observada por telesc&oacute;pios,    mat&eacute;ria que n&atilde;o emitia nem refletia luz alguma. Esse resultado    foi replicado em todos os outros aglomerados de gal&aacute;xias jamais observados,    e assim se estabeleceu a no&ccedil;&atilde;o da <i>mat&eacute;ria escura</i>:    a quantidade de mat&eacute;ria que fica faltando para explicar por que os aglomerados    de gal&aacute;xias permanecem coesos.</font></p>     <p><font size="3">Mas os aglomerados de gal&aacute;xias n&atilde;o s&atilde;o    as &uacute;nicas evid&ecirc;ncias de mat&eacute;ria escura: na segunda metade    do s&eacute;culo XX diversos astr&ocirc;nomos, principalmente Vera Rubin (3)    do Instituto Carnegie de Washington, perceberam que as pr&oacute;prias gal&aacute;xias    n&atilde;o poderiam girar da maneira que eram observadas se apenas a massa de    suas estrelas e o g&aacute;s intergal&aacute;ctico fossem contabilizados. Parecia,    portanto, que todas as grandes estruturas do universo (gal&aacute;xias, aglomerados,    "aglomerados de aglomerados", e assim por diante) s&atilde;o compostos por uma    parte vis&iacute;vel, feita de estrelas, planetas e g&aacute;s, e que respondem    por apenas 10% da massa total; e que os outros 90% da massa s&atilde;o compostos    por uma outra parte invis&iacute;vel, como um halo difuso - a mat&eacute;ria    escura.</font></p>     <p><font size="3">Naturalmente, a primeira hip&oacute;tese que se fez &eacute;    que essa mat&eacute;ria escura seria simplesmente mat&eacute;ria normal, &aacute;tomos    frios e escuros que n&atilde;o estariam emitindo luz. Por&eacute;m, ainda em    meados da metade do s&eacute;culo XX j&aacute; se sabia que essa explica&ccedil;&atilde;o    estava errada, por duas raz&otilde;es. Primeiro, mesmo os &aacute;tomos frios    e inertes t&ecirc;m a capacidade de absorver e re-emitir luz e, portanto, n&atilde;o    s&atilde;o totalmente escuros. Como os sinais de &aacute;tomos escuros no universo    s&atilde;o muito fracos, eles n&atilde;o poderiam explicar mais do que uma pequena    fra&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria faltante. A segunda raz&atilde;o pela    qual a mat&eacute;ria escura n&atilde;o pode ser feita de &aacute;tomos normais    esbarra em um dos mais fascinantes cap&iacute;tulos da cosmologia. Uma das consequ&ecirc;ncias    do in&iacute;cio quente e explosivo do universo (o Big Bang) &eacute; que numa    &eacute;poca muito remota, quando o universo tinha menos de um minuto de vida,    a temperatura era t&atilde;o alta que n&atilde;o existia nenhum n&uacute;cleo    at&ocirc;mico - apenas uma sopa de part&iacute;culas elementares: b&aacute;rions    (pr&oacute;tons e n&ecirc;utrons), el&eacute;trons, neutrinos, etc. &Agrave;    medida que o universo foi se resfriando, essa sopa foi coagulando e os primeiros    n&uacute;cleos at&ocirc;micos (principalmente hidrog&ecirc;nio e h&eacute;lio)    puderam se formar. Acontece que essa "receita de bolo" para formar elementos    leves &eacute; obra de um cozinheiro perfeccionista: qualquer m&iacute;nima    altera&ccedil;&atilde;o na quantidade de mat&eacute;ria bari&ocirc;nica (pr&oacute;tons    + n&ecirc;utrons) da sopa levaria a uma propor&ccedil;&atilde;o final de elementos    at&ocirc;micos completamente diferente da observada.</font></p>     <p><font size="3">As observa&ccedil;&otilde;es das abund&acirc;ncias desses elementos    leves no universo confirmam espetacularmente a descri&ccedil;&atilde;o da nucleoss&iacute;ntese,    e demonstram que a mat&eacute;ria bari&ocirc;nica est&aacute; presente em pequenas    quantidades, consistentes com o total da mat&eacute;ria vis&iacute;vel observada.</font></p>     <p><font size="3">Portanto, se quisermos explicar a din&acirc;mica de gal&aacute;xias    e aglomerados n&atilde;o podemos simplesmente postular uma quantidade de &aacute;tomos    frios cinco ou dez vezes maior que a diretamente observada, sob o risco de todo    o MCP desabar.</font></p>     <p><font size="3">Desse modo, ficamos na inc&ocirc;moda posi&ccedil;&atilde;o    de ter de admitir que, primeiro, em todas as grandes estruturas do universo,    de 80% a 90% de massa est&atilde;o numa componente escura; e, segundo, que essa    componente escura n&atilde;o &eacute; feita de &aacute;tomos "normais", mas    de uma outra forma de mat&eacute;ria. Os f&iacute;sicos e astr&ocirc;nomos precisavam    de uma pista, e r&aacute;pido. Mas como resolver um caso de pol&iacute;cia como    esse, em que o seu principal suspeito &eacute; o homem invis&iacute;vel?</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3">CA&Ccedil;ANDO FANTASMAS </font></b><font size="3">Explicar    algo apelando-se para a "mat&eacute;ria invis&iacute;vel" cheira a mistifica&ccedil;&atilde;o.    E os cientistas, naturalmente, relutaram muito antes de engolir a no&ccedil;&atilde;o    de uma mat&eacute;ria escura n&atilde;o-bari&ocirc;nica. O assunto gerou d&eacute;cadas    de muita controv&eacute;rsia, e deu origem aos mais diversos modelos alternativos    que tentavam explicar o comportamento de gal&aacute;xias e aglomerados apenas    com a mat&eacute;ria vis&iacute;vel. V&aacute;rios desses modelos buscam alterar    a pr&oacute;pria for&ccedil;a da gravidade, que se comportaria de modo diferente    em gal&aacute;xias e aglomerados, comparado com as leis de gravidade que observamos    na Terra e no sistema solar. Outras explica&ccedil;&otilde;es introduzem uma    "quinta for&ccedil;a", que seria uma intera&ccedil;&atilde;o fundamental diferente    das conhecidas (as for&ccedil;as gravitacionais, eletromagn&eacute;ticas, nuclear    forte e nuclear fraca). Ou seja, trocar&iacute;amos uma mat&eacute;ria desconhecida    por uma intera&ccedil;&atilde;o fundamental desconhecida, mas continuar&iacute;amos    sem uma explica&ccedil;&atilde;o muito convincente.</font></p>     <p><font size="3">Por&eacute;m, em 2006 um grupo liderado por Douglas Clowe, do    Observat&oacute;rio Steward, no Arizona, fez uma s&eacute;rie de observa&ccedil;&otilde;es    que, praticamente, encerrou as controv&eacute;rsias e deu fortes evid&ecirc;ncias    da mat&eacute;ria escura n&atilde;o-bari&ocirc;nica (4).Eles observaram o chamado    Aglomerado da Bala (tamb&eacute;m conhecido como 1E0657-56), que, na verdade,    &eacute; o resultado da colis&atilde;o de dois aglomerados de gal&aacute;xias.    Essas observa&ccedil;&otilde;es, tanto em astronomia &oacute;ptica quanto em    raios-X (a melhor maneira de detectar o g&aacute;s quente que permeia os aglomerados)    revelaram algo surpreendente.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Se a teoria da mat&eacute;ria escura estivesse correta, um aglomerado    de gal&aacute;xias seria composto de &aacute;tomos (uns 10%, a maior parte disto    na forma de g&aacute;s) e a pr&oacute;pria mat&eacute;ria escura (uns 90%).    Se dois aglomerados s&atilde;o jogados um contra o outro, essas duas componentes    se comportam de modos muito distintos: enquanto a mat&eacute;ria normal interage    entre si, assim como os nossos &aacute;tomos interagem com os &aacute;tomos    do papel desta revista, a mat&eacute;ria escura n&atilde;o interage com nada,    e atravessa tudo como se fosse um fantasma. Isso significa que, numa colis&atilde;o    de aglomerados, a mat&eacute;ria normal de fato colide, enquanto a mat&eacute;ria    escura passa batida. Se observarmos uma fotografia num instante ap&oacute;s    a colis&atilde;o, portanto, veremos uma confus&atilde;o de mat&eacute;ria bari&ocirc;nica    no centro (o ponto onde ocorreu a colis&atilde;o), e duas concentra&ccedil;&otilde;es    de mat&eacute;ria escura, uma de cada lado do ponto de impacto.</font></p>     <p><font size="3">O leitor atento perceber&aacute; que encaixamos aqui um elemento    novo: como &eacute; que podemos "detectar" essa massa, se ela &eacute;, em sua    maior parte, invis&iacute;vel? A resposta para essa pergunta passa por ningu&eacute;m    menos que Albert Einstein. Depois de formular sua teoria da gravita&ccedil;&atilde;o    (a relatividade geral), em 1916, Einstein mostrou que a presen&ccedil;a de uma    massa tem o efeito de "atrair" os raios de luz. Esse desvio na trajet&oacute;ria    da luz &eacute; chamado de lente gravitacional - pois, assim como uma lente    comum deforma os raios de luz, a for&ccedil;a gravitacional tamb&eacute;m pode    gerar imagens deformadas de objetos como estrelas ou gal&aacute;xias.</font></p>     <p><font size="3">O que os astr&ocirc;nomos que observaram o Aglomerado da Bala    fizeram foi mapear, cuidadosamente, a deforma&ccedil;&atilde;o dos raios de    luz ao redor do aglomerado. Eles utilizaram esse mapa da lente gravitacional    do aglomerado para determinar onde estava, e como estava distribu&iacute;da,    a sua massa.</font></p>     <p><font size="3">O resultado dessas duas observa&ccedil;&otilde;es complementares    (de mat&eacute;ria normal, observada em raios-X; e de mat&eacute;ria escura,    mapeada pelo efeito de lente gravitacional) est&aacute; mostrado na <a href="#f1">figura    1</a>. Perto do centro, em vermelho, est&atilde;o as nuvens de g&aacute;s (principalmente    hidrog&ecirc;nio e h&eacute;lio), em dois peda&ccedil;os que evidentemente interagiram    entre si; o peda&ccedil;o da direita tem o formato de uma bala atravessando    um objeto - da&iacute; o nome "Aglomerado da Bala". Em ambos os lados da figura,    em azul, est&atilde;o denotadas as maiores concentra&ccedil;&otilde;es de massa    do sistema. Claramente, essa massa n&atilde;o parece ter sido afetada pelo processo    de colis&atilde;o. Em termos da massa de cada uma dessas componentes, a "azul"    det&eacute;m 90% do total, enquanto a mat&eacute;ria "vermelha" fica com os    90% restantes.</font></p>     <p><a name="f1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n4/10f01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Essa figura demonstra tr&ecirc;s fatos muito importantes: primeiro,    que a mat&eacute;ria escura de fato n&atilde;o parece interagir com nada, nem    com mat&eacute;ria normal, nem com ela mesma. Segundo, que a maior parte da    massa de um aglomerado est&aacute; nessa componente "azul", que n&atilde;o interage    com mais nada - a mat&eacute;ria escura. E, terceiro, que a componente azul    est&aacute; num local totalmente diferente da componente vermelha. Esse terceiro    fato &eacute; crucial para eliminar as teorias nas quais n&atilde;o existe mat&eacute;ria    escura (5,6), mas sim uma modifica&ccedil;&atilde;o das leis da gravidade. Mas,    como essas teorias n&atilde;o conseguem explicar uma for&ccedil;a da gravidade    que aponta para um lugar diferente de onde est&aacute; a mat&eacute;ria, elas    foram descartadas.</font></p>     <p><font size="3">No entanto, por mais que as observa&ccedil;&otilde;es do Aglomerado    da Bala apontem firmemente para a teoria da mat&eacute;ria escura, n&atilde;o    podemos dizer que elas constituam uma "evid&ecirc;ncia direta" de mat&eacute;ria    escura. Para isso, ter&iacute;amos que ser capazes de detectar sinais diretos    emitidos pelas part&iacute;culas elementares que constituem a mat&eacute;ria    escura - que n&atilde;o podem ser nenhuma das part&iacute;culas conhecidas pelo    homem at&eacute; hoje. Mas, para observar diretamente esses sinais com experimentos    que, necessariamente, s&atilde;o feitos de mat&eacute;ria normal (&aacute;tomos),    a mat&eacute;ria escura deveria interagir ao menos um pouco com a mat&eacute;ria    normal, ou ent&atilde;o duas part&iacute;culas de mat&eacute;ria escura poderiam    se aniquilar mutuamente, gerando part&iacute;culas de mat&eacute;ria normal.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Existem sinais sutis de que talvez esse segundo processo (aniquila&ccedil;&atilde;o    de part&iacute;culas de mat&eacute;ria escura) esteja ocorrendo em lugares onde    h&aacute; uma grande concentra&ccedil;&atilde;o de mat&eacute;ria, como o centro    da nossa gal&aacute;xia. Em 2008, o sat&eacute;lite Pamela, resultado de uma    colabora&ccedil;&atilde;o entre institui&ccedil;&otilde;es italianas e russas,    detectou uma misteriosa emiss&atilde;o de el&eacute;trons e anti-el&eacute;trons    (tamb&eacute;m conhecidos como p&oacute;sitrons) que t&ecirc;m como origem o    centro da Via L&aacute;ctea (7). A emiss&atilde;o de el&eacute;trons e p&oacute;sitrons,    em si, n&atilde;o &eacute; nenhuma novidade, e poderia ser explicada por diversos    processos astrof&iacute;sicos, como pulsares (um pulsar &eacute; uma estrela    de n&ecirc;utron com campos magn&eacute;ticos fort&iacute;ssimos, que gira rapidamente    e emite um feixe de radia&ccedil;&atilde;o). Por&eacute;m, o que tem despertado    a curiosidade dos cientistas &eacute; que mais p&oacute;sitrons do que el&eacute;trons    foram detectados acima de uma certa energia. Esse excesso de p&oacute;sitrons    detectado pelo sat&eacute;lite Pamela &eacute; precisamente o sinal que se espera,    em diversas teorias, do resultado da aniquila&ccedil;&atilde;o de duas part&iacute;culas    de mat&eacute;ria escura. Por&eacute;m, esse resultado ainda &eacute; inconclusivo,    e outras observa&ccedil;&otilde;es ser&atilde;o necess&aacute;rias para descartar    as outras poss&iacute;veis fontes que possam explicar o excesso de p&oacute;sitrons.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>MAIS UM MIST&Eacute;RIO: A ACELERA&Ccedil;&Atilde;O DO UNIVERSO    </b>Como se n&atilde;o bastasse um grande enigma sem solu&ccedil;&atilde;o    para agitar os mares da cosmologia, um outro mist&eacute;rio surgiu em 1998,    quando dois grupos de astr&ocirc;nomos revelaram o resultado de observa&ccedil;&otilde;es    de supernovas do tipo Ia (8,9).</font></p>     <p><font size="3">Assim como as cefeidas de Hubble, as supernovas Ia t&ecirc;m    uma curiosa caracter&iacute;stica: suas luminosidades s&atilde;o vari&aacute;veis.    O que as cefeidas e as supernovas Ia t&ecirc;m em comum &eacute; que essa variabilidade    de seus brilhos pode ser utilizada para estimar a dist&acirc;ncia at&eacute;    esses objetos. Por&eacute;m, enquanto as cefeidas s&atilde;o estrelas relativamente    normais cujos brilhos oscilam em per&iacute;odos curtos e muito bem definidos,    as supernovas s&atilde;o estrelas que explodem. Portanto, o brilho de uma supernova    cresce muito por um breve per&iacute;odo, e depois diminui &agrave; medida que    a explos&atilde;o termina (do come&ccedil;o ao fim, essa explos&atilde;o dura    algumas dezenas de dias). No pico de sua luminosidade, uma supernova Ia pode    brilhar mais do que toda uma gal&aacute;xia, o que a torna uma <i>vela-padr&atilde;o</i>    (uma medida padronizada de luminosidade) incomparavelmente mais poderosa que    qualquer cefeida. Isso significa que as supernovas Ia nos permitem ir muito    mais al&eacute;m do ponto onde Hubble pode observar o universo com as cefeidas,    e testar n&atilde;o s&oacute; a expans&atilde;o do universo, mas tamb&eacute;m    como essa expans&atilde;o tem evolu&iacute;do no tempo. O &uacute;nico inconveniente    das supernovas Ia &eacute; que, como toda explos&atilde;o, elas s&atilde;o processos    bastante imprevis&iacute;veis e, portanto, ao contr&aacute;rio das cefeidas    que s&atilde;o bem entendidas e permitem uma calibra&ccedil;&atilde;o precisa    das dist&acirc;ncias, no caso das supernovas Ia, s&atilde;o mal compreendidas    e n&atilde;o permitem deduzir as dist&acirc;ncias at&eacute; elas com grande    precis&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3">Quando os astr&ocirc;nomos tra&ccedil;aram a evolu&ccedil;&atilde;o    da expans&atilde;o do universo com o tempo, atrav&eacute;s das observa&ccedil;&otilde;es    de supernovas Ia, tivemos mais uma surpresa: depois de dez bilh&otilde;es de    anos se expandindo da maneira esperada (desaceleradamente), o universo passou    a acelerar sua expans&atilde;o e, durante os &uacute;ltimos quatro bilh&otilde;es    de anos, o universo come&ccedil;ou a se expandir cada vez mais r&aacute;pido    (aceleradamente)!</font></p>     <p><font size="3">Na verdade, essa surpresa n&atilde;o foi t&atilde;o grande assim,    pois algumas vozes isoladas j&aacute; vinham dizendo que essa acelera&ccedil;&atilde;o    era uma forte possibilidade (10). Esses arautos do universo acelerado baseavam    suas conclus&otilde;es num outro tipo de observa&ccedil;&atilde;o, que busca    "pesar" o universo como um todo. Quando "botamos o universo na balan&ccedil;a",    percebemos que sua massa total &eacute; bem maior do que a soma das massas da    mat&eacute;ria normal e da mat&eacute;ria escura. Mais precisamente: o universo    seria aproximadamente 5% de mat&eacute;ria normal, 25% de mat&eacute;ria escura    e os 70% restantes de alguma outra componente desconhecida, que seria a respons&aacute;vel    pela inesperada acelera&ccedil;&atilde;o do universo, a <i>energia escura</i>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3">UMA BALAN&Ccedil;A PARA PESAR O UNIVERSO </font></b><font size="3">Para    entender como funciona essa "balan&ccedil;a c&oacute;smica", temos de tocar    numa das outras pedras fundamentais da cosmologia, que &eacute; a radia&ccedil;&atilde;o    c&oacute;smica de fundo. Nos prim&oacute;rdios do universo, as altas temperaturas    impediam que &aacute;tomos neutros pudessem se formar - tudo que existia eram    n&uacute;cleos at&ocirc;micos de carga positiva (compostos por pr&oacute;tons    e n&ecirc;utrons) e el&eacute;trons livres de carga negativa, formando um <i>plasma</i>    de part&iacute;culas carregadas. Demorou 380 mil anos desde o Big Bang para    que a temperatura do universo baixasse o suficiente para que os el&eacute;trons    livres pudessem ser capturados pelos n&uacute;cleos, formando os &aacute;tomos    neutros.</font></p>     <p><font size="3">A principal consequ&ecirc;ncia da exist&ecirc;ncia desse plasma    de &iacute;ons carregados no universo primordial foi que, durante 380 mil anos,    o universo era um local totalmente opaco para a luz. Como a luz &eacute; facilmente    absorvida e re-emitida por part&iacute;culas com cargas el&eacute;tricas, ela    apenas podia se propagar por curt&iacute;ssimas dist&acirc;ncias - pelo menos    enquanto aquele plasma perdurou. Isso significa que at&eacute; uma idade de    380 mil anos, o plasma e a luz estavam como que em equil&iacute;brio - ou seja,    eles compartilhavam a mesma temperatura.</font></p>     <p><font size="3">Mas, &agrave; medida que o universo resfriou devido &agrave;    sua expans&atilde;o, quase todas as part&iacute;culas carregadas foram se combinando,    formando &aacute;tomos neutros, e os obst&aacute;culos para a propaga&ccedil;&atilde;o    da luz se esvaneceram. Nesse momento, o universo ficou transparente para a luz,    e praticamente mais nada afetou a radia&ccedil;&atilde;o desde aquele momento.    Aquela radia&ccedil;&atilde;o, presente em todos os lugares, passou a se propagar    em todas as dire&ccedil;&otilde;es, e hoje preenche todo o espa&ccedil;o - por    isso o nome, "radia&ccedil;&atilde;o c&oacute;smica de fundo". A predi&ccedil;&atilde;o    te&oacute;rica dessa radia&ccedil;&atilde;o que "desacoplou" da mat&eacute;ria    numa era muito distante do passado foi feita por volta dos anos 1950 pelo russo-americano    George Gamow e seus estudantes (11, 12).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Hoje em dia, podemos observar essa radia&ccedil;&atilde;o de    fundo em telesc&oacute;pios que detectam microondas (muito parecidas com aquelas    do forno de microondas e dos telefones celulares, mas com intensidades muit&iacute;ssimo    menores). Como essa radia&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi afetada por mais nada    desde a &eacute;poca em que o universo tinha 380 mil anos de idade at&eacute;    hoje, quando a observamos, ela constitui uma fotografia do estado inicial do    universo quando ele tinha uma fra&ccedil;&atilde;o da idade que ele tem hoje    (aproximadamente 14 bilh&otilde;es de anos). As primeiras observa&ccedil;&otilde;es    mais detalhadas da radia&ccedil;&atilde;o c&oacute;smica de fundo foram feitas    pelo sat&eacute;lite Cobe, da Nasa (Ag&ecirc;ncia Espacial Americana), e renderam    o Pr&ecirc;mio Nobel de F&iacute;sica de 2006 aos norte-americanos George Smoot    e John Mather (13).</font></p>     <p><font size="3">Comparando o universo de 380 mil anos de idade com o universo    atual, descobrimos que o universo tem uma densidade muito especial, chamada    densidade cr&iacute;tica, que s&oacute; ocorre quando h&aacute; um equil&iacute;brio    delicado entre a massa do universo e sua expans&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3">Por&eacute;m, nem a mat&eacute;ria normal nem a mat&eacute;ria    escura podem dar conta dessa densidade cr&iacute;tica. Ao contabilizarmos as    massas de todas as estruturas vis&iacute;veis do universo, e ainda adicionarmos    a mat&eacute;ria escura, n&atilde;o chegamos nem perto do total necess&aacute;rio    para completar essa densidade cr&iacute;tica.</font></p>     <p><font size="3">Isso significa que existe mais uma componente invis&iacute;vel    no universo, sobre a qual ainda n&atilde;o t&iacute;nhamos desconfiado. Essa    componente, que vai pelo nome de energia escura, seria a causa da recente acelera&ccedil;&atilde;o    do universo. &Eacute; fascinante que essas descobertas tenham sido feitas mais    ou menos na mesma &eacute;poca (final dos anos 1990): se a observa&ccedil;&atilde;o    que determinou que o universo tem a densidade cr&iacute;tica tivesse ocorrido    muito antes ou muito depois da descoberta da acelera&ccedil;&atilde;o do universo,    talvez tiv&eacute;ssemos entrado em muitos becos sem-sa&iacute;da antes de ligar    os dois fatos. A hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia &agrave;s vezes joga a favor    dos cientistas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n4/10g01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Em resumo, o or&ccedil;amento de mat&eacute;ria e energia do    universo, portanto, &eacute; aproximadamente o seguinte: 4% de mat&eacute;ria    normal (&aacute;tomos, em estrelas, planetas e, principalmente, g&aacute;s);    26% de mat&eacute;ria escura, que deve ser algum tipo de part&iacute;cula elementar    ainda desconhecida; e 70% de energia escura, uma componente sobre a qual n&atilde;o    sabemos quase nada, a n&atilde;o ser que ela deve ser a causa da recente acelera&ccedil;&atilde;o    da expans&atilde;o do universo (figura 2).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3">A ENERGIA ESCURA </font></b><font size="3">Como vimos acima,    70% da densidade do universo est&atilde;o numa segunda componente escura - distinta    da mat&eacute;ria escura, que se manifesta na gravita&ccedil;&atilde;o das grandes    estruturas. Essa outra pedra no sapato da cosmologia, a energia escura, tem    algumas propriedades curiosas. Primeiro, ela n&atilde;o foi detectada em nenhum    objeto espec&iacute;fico, como gal&aacute;xias ou aglomerados de gal&aacute;xias,    portanto, ela parece ser bastante difusa - ou seja, ela parece estar espalhada    mais ou menos homogeneamente pelo universo. Segundo, ela parece estar causando    a acelera&ccedil;&atilde;o do universo - j&aacute; que tanto a mat&eacute;ria    normal quanto a mat&eacute;ria escura se atraem mutuamente, ent&atilde;o o efeito    delas seria desacelerar o universo, e n&atilde;o aceler&aacute;-lo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Dentro da teoria da gravita&ccedil;&atilde;o de Albert Einstein    (conhecida como relatividade geral), a &uacute;nica maneira de produzir uma    acelera&ccedil;&atilde;o da taxa de expans&atilde;o do universo seria atrav&eacute;s    de alguma subst&acirc;ncia cuja press&atilde;o fosse negativa - uma subst&acirc;ncia    tal que, ao preencher um certo volume, ela exerce press&atilde;o para dentro    sobre as paredes desse volume (seria, assim, imposs&iacute;vel inflar um bal&atilde;o    de borracha com esse tipo de mat&eacute;ria!). Conclu&iacute;mos, portanto,    que a energia escura deve ser alguma componente bastante ex&oacute;tica, de    press&atilde;o negativa e que responde pela maior parte (70%) de toda a densidade    de energia do universo!</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>NOVIDADES &Agrave; VISTA </b>&Eacute; evidente que ningu&eacute;m    pode estar satisfeito com uma situa&ccedil;&atilde;o onde, para explicar os    fen&ocirc;menos do cosmos, precisamos apelar para dois tipos distintos de subst&acirc;ncias    invis&iacute;veis. Uma delas, a mat&eacute;ria escura, pode ainda vir a ser    detectada em experimentos de f&iacute;sica de part&iacute;culas, j&aacute; que    boa parte dos modelos prev&ecirc; que as part&iacute;culas de mat&eacute;ria    escura interagem (muito pouco, mas o suficiente para serem observadas) com as    part&iacute;culas que conhecemos em aceleradores como o Cern (sigla para Organiza&ccedil;&atilde;o    Europeia de Pesquisa Nuclear).</font></p>     <p><font size="3">Por&eacute;m, a outra subst&acirc;ncia invis&iacute;vel, a energia    escura, n&atilde;o parece ter a menor perspectiva de jamais ser detectada diretamente    em laborat&oacute;rio, ou mesmo por algum telesc&oacute;pio terrestre. O que    fazer em uma &aacute;rea da ci&ecirc;ncia na qual 70% do objeto de estudo depende    exclusivamente de pistas indiretas?</font></p>     <p><font size="3">Ainda n&atilde;o temos boas respostas para essas perguntas,    mas a principal consequ&ecirc;ncia dessa tens&atilde;o entre teoria e observa&ccedil;&otilde;es    &eacute; que a press&atilde;o por novos resultados te&oacute;ricos e por novos    instrumentos tem sido muito grande. E, assim como a "zona de conforto" e a acomoda&ccedil;&atilde;o    s&atilde;o os inimigos do avan&ccedil;o cient&iacute;fico, essa press&atilde;o    est&aacute; se traduzindo em novidades cada vez mais frequentes.</font></p>     <p><font size="3">&Eacute; bem poss&iacute;vel que nos pr&oacute;ximos anos nossas    no&ccedil;&otilde;es mais b&aacute;sicas sobre o universo e os tipos de mat&eacute;ria    que existem na natureza mudem completamente; nossas ideias sobre a gravita&ccedil;&atilde;o    tamb&eacute;m podem vir a mudar, caso as observa&ccedil;&otilde;es detalhadas    de aglomerados de gal&aacute;xias revelem a inadequa&ccedil;&atilde;o da relatividade    geral de Albert Einstein; e o mais interessante &eacute; que sempre que os avan&ccedil;os    ocorrem nessa velocidade, acabamos descobrindo coisas sobre as quais nem desconfiamos,    novidades al&eacute;m da nossa imagina&ccedil;&atilde;o. Esse &eacute; o prospecto    para os pr&oacute;ximos anos para a cosmologia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b><i>Raul Abramo</i></b> <i>&eacute; professor associado do    Instituto de F&iacute;sica da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP)</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><font size="3">REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</font></b></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Hubble, E. "A relation between distance and radial velocity    among extra-galactic nebulae". <i>Proceedings of the National Academy of Sciences</i>,    Vol. 15, n.3, pp.168-173. 1929.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">2. Zwicky, F. "On the masses of nebulae and of clusters of nebulae".    <i>Astrophysical Journal</i>, Vol.86, p.217. 1937.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">3. Rubin, V. &amp; Ford Jr, W. K. "Rotation of the Andromeda    nebula from a spectroscopic survey of emission regions". <i>Astrophysical Journal</i>,    Vol.159, p.379. 1970.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">4. Clowe, D., Bradac, M., et al. "A direct empirical proof of    the existence of dark matter". <i>Astrophysical Journal Letters</i>, Vol.648,    pp.109-113. 2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">5. Bekenstein, J. D. "Relativistic gravitation theory for the    modified Newtonian dynamics paradigm". <i>Physical Review D</i>, Vol.70: 083509.    2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">6. Milgrom, M. "A modification of the newtonian dynamics as    a possible alternative to the hidden mass hypothesis". <i>Astrophysical Journal</i>    Vol.270, pp.365-370. 1983.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">7. Adriani, O., et al. "An anomalous positron abundance in cosmic    rays with energies 1.5-100 GeV". <i>Nature</i>, Vol.458, pp.607-609. 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">8. Riess, A. G., et al. (Supernova Search Team). "Observational    evidence from supernovae for an accelerating universe and a cosmological constant",    <i>Astronomical Journal</i>, Vol.116, pp.1009-1038. 1998.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">9. Perlmutter, S., et al. (The Supernova Cosmology Project).    "Measurements of Omega and Lambda from 42 high redshift supernovae". <i>Astrophysical    Journal</i>, Vol.517, pp.565-86. 1999.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">10. Krauss, L. M. e Turner, M. S. "The cosmological constant    is back". <i>General Relativity and Gravitation</i>, Vol.27, pp.1137-1144. 1995.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">11. Gamow, G. "Expanding universe and the origin of elements".    <i>Physical Review</i>, Vol.70, n.7-8, pp.572-573. 1946.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">12. Alpher, R. A. &amp; Herman, R. C. "Remarks on the evolution    of the expanding universe", <i>Physical Review</i>, Vol.75, n.7, pp.1089-1095.    1949.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">13. Smooth, G. F., et al. "Structure in the COBE differential    microwave radiometer first-year maps". <i>Astrophysical Journal Letters</i>,    Vol.396, n.1, pp.L1-L5. 1992.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>SUGEST&Otilde;ES PARA LEITURA</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">Commission on Physical Sciences, Mathematics, and Applications    (CPSMA). Cosmology: a research briefing. 1995. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.nap.edu/readingroom/books/cosmology/index.html" target="_blank">http://www.nap.edu/readingroom/books/cosmology/index.html</a>    .    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">Gleiser, Marcelo. <i>A dan&ccedil;a do universo</i>. Editora    Companhia das Letras, S&atilde;o Paulo. 1998.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">Greene, Brian. <i>O universo elegante: supercordas, dimens&otilde;es    ocultas e a busca da teoria definitiva</i>. Editora Companhia das Letras, S&atilde;o    Paulo. 2001.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">Weinberg, Steven. <i>Os tr&ecirc;s primeiros minutos</i>. Editora    Guanabara Dois, Rio de Janeiro. 1980.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">Wright, Ned. Cosmology Tutorial. 2009. Curso de cosmologia quase    sem matem&aacute;tica, em ingl&ecirc;s, franc&ecirc;s e italiano. Dispon&iacute;vel    em: <a href="http://www.astro.ucla.edu/~wright/cosmolog.htm" target="_blank">http://www.astro.ucla.edu/~wright/cosmolog.htm</a>    .</font> ]]></body><back>
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