<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252009000400011</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Procuram-se planetas]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Válio]]></surname>
<given-names><![CDATA[Adriana]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade Presbiteriana Mackenzie Centro de Radioastronomia e Astrofísica ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2009</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2009</year>
</pub-date>
<volume>61</volume>
<numero>4</numero>
<fpage>28</fpage>
<lpage>32</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252009000400011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252009000400011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252009000400011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n4/artigos.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><b><font size=5>PROCURAM-SE PLANETAS</font></b></p>     <p align="center"><b><font size="3">Adriana V&aacute;lio</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size=5>A</font></b><font size="3">queles que observarem o c&eacute;u    noturno cuidadosamente, noite ap&oacute;s noite, notar&atilde;o uns poucos astros    errantes no firmamento, isto &eacute;, pontos brilhantes que se movem com rela&ccedil;&atilde;o    &agrave;s estrelas fixas. Os gregos j&aacute; haviam notado isso desde a antiguidade    e os batizaram de "planetas", que significa errante em grego. At&eacute; o s&eacute;culo    XVI, anterior &agrave; inven&ccedil;&atilde;o do telesc&oacute;pio, cinco eram    os planetas conhecidos, os quais levam os nomes dos deuses grego-romanos: Merc&uacute;rio,    V&ecirc;nus, Marte, J&uacute;piter e Saturno.</font></p>     <p><font size="3">Foi somente em 13 de mar&ccedil;o de 1781 que o planeta Urano    foi descoberto por William Herschel, utilizando um telesc&oacute;pio que ele    mesmo construiu no quintal de sua casa na Inglaterra. J&aacute; o planeta Netuno    foi predito antes de ser observado de fato em 1846 por Johann G. Galle e Heinrich    L. d&acute;Arrest. A previs&atilde;o baseou-se nos c&aacute;lculos matem&aacute;ticos    das perturba&ccedil;&otilde;es observadas nas &oacute;rbitas dos planetas Urano,    Saturno e J&uacute;piter. Plut&atilde;o foi observado por acaso em 1930 por    Clyde Tombaugh, e recebeu a denomina&ccedil;&atilde;o de planeta devido a um    erro na estimativa de sua massa, bem maior do que a real. Por quase um s&eacute;culo,    assim ficou o sistema solar formado por nove planetas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3">DEFINI&Ccedil;&Atilde;O DE PLANETA </font></b><font size="3">At&eacute;    o final do s&eacute;culo XX, o sistema solar era constitu&iacute;do por nove    planetas. Entretanto, a descoberta de objetos localizados no cintur&atilde;o    de Kuiper, al&eacute;m da &oacute;rbita de Netuno, como Sedna e Eris, puseram    em cheque a denomina&ccedil;&atilde;o de planeta de Plut&atilde;o. Esses objetos,    com massas da ordem ou at&eacute; maiores do que a massa de Plut&atilde;o trouxeram    &agrave; baila a discuss&atilde;o sobre a necessidade de uma defini&ccedil;&atilde;o    precisa do que &eacute; um planeta. Al&eacute;m disso, foram descobertos planetas    extra-solares, ou seja, planetas que orbitam outras estrelas. Isso exigiu uma    reformula&ccedil;&atilde;o da classifica&ccedil;&atilde;o de planeta, a fim    de definir par&acirc;metros claros.</font></p>     <p><font size="3">Em 2006, na reuni&atilde;o da Assembl&eacute;ia Geral da Uni&atilde;o    Astron&ocirc;mica Internacional (UAI) em Praga, ocorreu uma discuss&atilde;o    entre astr&ocirc;nomos do mundo inteiro. V&aacute;rios tipos de classifica&ccedil;&atilde;o    foram propostos, visando uma defini&ccedil;&atilde;o precisa do que &eacute;    um planeta. A Uni&atilde;o Astron&ocirc;mica Internacional decidiu por fim classificar    os planetas e outros objetos celestes do sistema solar em tr&ecirc;s categorias:    planeta, planeta-an&atilde;o e pequenos corpos. Hoje Plut&atilde;o &eacute;    considerado um planeta-an&atilde;o, assim como Sedna e Eris. Dessa forma, o    sistema solar passa a ter oito planetas cl&aacute;ssicos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Um <b>planeta</b>, conforme definido em 24 de agosto de 2006    pela Uni&atilde;o Astron&ocirc;mica Internacional, &eacute; um corpo celeste    que satisfa&ccedil;a as seguintes tr&ecirc;s condi&ccedil;&otilde;es:</font></p>     <blockquote>        <p><font size="3"><b>1.</b> Gira em uma &oacute;rbita em torno de uma estrela;</font></p>       <p><font size="3"><b>2.</b> Tem massa suficiente para que sua pr&oacute;pria      gravidade supere as for&ccedil;as de corpo r&iacute;gido de modo que assuma      uma forma com equil&iacute;brio hidrost&aacute;tico (isto &eacute;, aproximadamente      esf&eacute;rica);</font></p>       <p><font size="3"><b>3.</b> Tenha limpado a vizinhan&ccedil;a de sua &oacute;rbita      (de forma que praticamente n&atilde;o haja popula&ccedil;&atilde;o local),      ou seja, &eacute; o objeto dominante na vizinhan&ccedil;a de sua &oacute;rbita.</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">O &uacute;ltimo item baseia-se em conceitos de din&acirc;mica    orbital. &Eacute; justamente o &uacute;ltimo item da defini&ccedil;&atilde;o    de planeta que desqualificou Plut&atilde;o, pois a &oacute;rbita de Plut&atilde;o    cruza a de Netuno, que &eacute; claramente o objeto dominante nessa vizinhan&ccedil;a.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>PLANETAS EXTRA-SOLARES </b>Em primeiro lugar, &eacute; necess&aacute;rio    distinguir um planeta de uma estrela, e a defini&ccedil;&atilde;o de planeta    &eacute; principalmente baseada na massa do objeto. De acordo com o Grupo de    Trabalho em Planetas Extra-Solares (WGESP, na sigla em ingl&ecirc;s) da UAI,    os planetas s&atilde;o objetos cujas massas est&atilde;o abaixo do limite da    fus&atilde;o nuclear do deut&eacute;rio e, portanto, n&atilde;o possuem fonte    de energia pr&oacute;pria. Essa defini&ccedil;&atilde;o restringe a massa do    objeto para algo menor do que aproximadamente 13 M<sub>J</sub>, onde M<sub>J</sub>    equivale &agrave; massa do planeta J&uacute;piter. Esses objetos tanto podem    orbitar estrelas ou restos estelares, no caso pulsares, e s&atilde;o considerados    planetas independentemente da maneira como foram formados.</font></p>     <p><font size="3">J&aacute; os objetos capazes de realizar a fus&atilde;o termonuclear    do deut&eacute;rio, mas n&atilde;o a do hidrog&ecirc;nio, s&atilde;o denominados    de an&atilde;s marrons. Estima-se que a massa desses objetos seja algo entre    0,013 e 0,075 da massa do Sol. Finalmente, as estrelas s&atilde;o objetos com    massa superior a 0,075 massa solar e, portanto, capazes de fazer a fus&atilde;o    termonuclear do hidrog&ecirc;nio. Conv&eacute;m salientar que os limites de    massa descritos acima s&atilde;o valores aproximados.</font></p>     <p><font size="3">A descoberta dos primeiros planetas em torno de outras estrelas    se deu h&aacute; quinze anos, em 1992. Por&eacute;m esses orbitavam n&atilde;o    uma estrela normal, mas um pulsar, os restos de uma estrela que explodiu em    uma supernova (1). Logo depois, em 1995, astr&ocirc;nomos su&iacute;&ccedil;os    descobriram o primeiro planeta em torno de uma estrela como o Sol, 51 Pegasus    (2). Desde ent&atilde;o o n&uacute;mero de planetas descobertos tem crescido    rapidamente. Hoje existem mais de 350 planetas extra-solares descobertos (<a href="http://exoplanet.eu" target="_blank">http://exoplanet.eu</a>),    sendo necess&aacute;rio atualizar esse n&uacute;mero semanalmente, para n&atilde;o    dizer diariamente.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A estrela 51 Peg, distante 14,7 parsec (1 parsec = 3,086 x 1016    metros, trata-se de uma medida de dist&acirc;ncia astron&ocirc;mica a partir    da t&eacute;cnica de triangula&ccedil;&atilde;o) da Terra, &eacute; muito semelhante    ao Sol, e tem aproximadamente a mesma idade. O planeta descoberto ao seu redor    possui uma massa de 0,468&nbsp;<i>M<sub>J</sub></i> em uma &oacute;rbita com    raio de 0,052&nbsp;U.A. (Unidade Astron&ocirc;mica, U.A., &eacute; a dist&acirc;ncia    entre a Terra e o Sol), percorrendo uma volta em torno da estrela em apenas    4,2293 dias. Inicialmente, a grande proximidade da estrela hospedeira de um    planeta quase do tamanho de J&uacute;piter gerou muita surpresa. Por&eacute;m    a descoberta foi rapidamente confirmada por um grupo de astr&ocirc;nomos americanos    usando o Observat&oacute;rio Lick nos Estados Unidos, e a subsequente descoberta    de dois outros planetas em torno de 70 Vir (3) e 47 UMa (4).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>M&Eacute;TODOS DE DETEC&Ccedil;&Atilde;O DE PLANETAS </b>S&atilde;o    v&aacute;rios os m&eacute;todos de detec&ccedil;&atilde;o de planetas, os quais    basicamente podem ser divididos em tr&ecirc;s tipos. O primeiro tipo est&aacute;    associado aos efeitos din&acirc;micos na estrela causados pela intera&ccedil;&atilde;o    gravitacional com o planeta em &oacute;rbita. Esses efeitos podem ser observados    atrav&eacute;s de: i) deslocamento Doppler, ou velocidade radial, das linhas    espectrais de &aacute;tomos na atmosfera estelar; ii) varia&ccedil;&atilde;o    do tempo de chegada de um sinal peri&oacute;dico muito preciso, como o de pulsares;    ou iii) de medidas astrom&eacute;tricas do movimento da estrela no c&eacute;u.</font></p>     <p><font size="3">O segundo m&eacute;todo diz respeito ao efeito do planeta funcionar    como uma lente gravitacional amplificando ligeiramente a luz da estrela hospedeira.    Perturba&ccedil;&otilde;es na forma de c&aacute;usticas da luz s&atilde;o interpretadas    como sendo devido &agrave; presen&ccedil;a de um planeta.</font></p>     <p><font size="3">Finalmente, o terceiro m&eacute;todo refere-se a efeitos fotom&eacute;tricos,    seja na varia&ccedil;&atilde;o do brilho da estrela causada por tr&acirc;nsitos    do planeta em &oacute;rbita, seja por detec&ccedil;&atilde;o direta da luz do    pr&oacute;prio planeta. Atualmente, ainda n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel    detectar a luz vis&iacute;vel refletida por um planeta de outro sistema planet&aacute;rio    em torno de uma estrela como o Sol, devido ao fato do planeta ser um bilh&atilde;o    de vezes menos brilhante do que a estrela. No entanto, isso se torna fact&iacute;vel    em comprimentos de onda mais longos, como na faixa do infravermelho, ou ent&atilde;o    observando-se estrelas de baixa massa, menos brilhantes, ou estrelas jovens    cujo brilho ainda n&atilde;o alcan&ccedil;ou o seu m&aacute;ximo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>M&Eacute;TODO DE VELOCIDADE RADIAL </b>At&eacute; hoje a    grande maioria dos planetas foi detectada pelos efeitos din&acirc;micos sobre    a estrela, os quais podem ser observados como pequenas varia&ccedil;&otilde;es    na velocidade radial das linhas espectrais provenientes de &aacute;tomos na    atmosfera da estrela. No entanto, por enquanto, esse m&eacute;todo de detec&ccedil;&atilde;o    est&aacute; limitado &agrave; detec&ccedil;&atilde;o de planetas gigantes como    J&uacute;piter muito pr&oacute;ximos &agrave; sua estrela. Planetas tel&uacute;ricos,    isto &eacute;, rochosos como a Terra, somente foram detectados por medidas muito    precisas do tempo de chegada da radia&ccedil;&atilde;o de um pulsar ou poder&atilde;o    ser detectados num futuro pr&oacute;ximo por observa&ccedil;&otilde;es de seus    tr&acirc;nsitos realizadas do espa&ccedil;o.</font></p>     <p><font size="3">N&atilde;o &eacute; somente o planeta orbitando uma estrela    que sofre a atra&ccedil;&atilde;o gravitacional desta, mas tamb&eacute;m a estrela    sente a for&ccedil;a gravitacional causada pelo planeta. Essa for&ccedil;a gravitacional,    segundo a Lei da Gravita&ccedil;&atilde;o Universal de Newton, &eacute; proporcional    ao produto das massas e inversamente proporcional &agrave; dist&acirc;ncia ao    quadrado do planeta &agrave; estrela. Quanto maior a massa do planeta, ou menor    a dist&acirc;ncia entre os dois corpos, maior ser&aacute; a for&ccedil;a de    atra&ccedil;&atilde;o gravitacional e o efeito produzido no movimento da estrela.    O resultado &eacute; que ambos, estrela e planeta, descrevem ent&atilde;o &oacute;rbitas    em torno do centro-de-gravidade comum do sistema com um mesmo per&iacute;odo.    Esse movimento da estrela causa pequenas perturba&ccedil;&otilde;es peri&oacute;dicas    em tr&ecirc;s grandezas que podem ser observadas: tempo de chegada de um sinal    peri&oacute;dico de refer&ecirc;ncia, posi&ccedil;&atilde;o e deslocamento Doppler    de linhas espectrais (ou velocidade radial).</font></p>     <p><font size="3">N&atilde;o apenas um &uacute;nico planeta orbitando ao redor    de uma estrela, mas sistemas planet&aacute;rios com at&eacute; quatro planetas    j&aacute; foram descobertos. Atualmente, j&aacute; somam 34 os sistemas planet&aacute;rios    descobertos pelo m&eacute;todo de velocidade radial. O primeiro sistema planet&aacute;rio    a ser descoberto foi Andromedae, cuja estrela havia apresentado anteriormente    uma periodicidade de 4,6 dias na sua velocidade radial consistente com a presen&ccedil;a    de um gigante gasoso a apenas 0,059 U.A. da estrela. Observa&ccedil;&otilde;es    subsequentes pelo time do Observat&oacute;rio Lick confirmaram essa periodicidade    e revelaram periodicidades adicionais de 241 e 1.275 dias. Essas varia&ccedil;&otilde;es    peri&oacute;dicas se mostraram consistentes com o movimento orbital kepleriano    de mais dois planetas gigantes, com duas e quatro vezes a massa de J&uacute;piter,    respectivamente.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n4/11f01.jpg" usemap="#Map" border="0">    <map name="Map">      <area shape="rect" coords="57,423,263,449" href="http://www.thelivingmoon.com" target="_blank">   </map> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3">MICROLENTE GRAVITACIONAL </font></b><font size="3">Um evento    de microlente gravitacional, em nossa gal&aacute;xia, ocorre quando um objeto    massivo, compacto e escuro (a lente) passa muito pr&oacute;ximo da linha de    vis&atilde;o de uma estrela mais brilhante ao fundo (a fonte). Os raios de luz    da estrela-fonte s&atilde;o ent&atilde;o curvados pelo campo gravitacional da    estrela-lente no meio do caminho. Esse efeito, proposto primeiramente por Albert    Einstein, foca a luz da fonte distante causando, portanto, a amplifica&ccedil;&atilde;o    aparente da sua luz.</font></p>     <p><font size="3">Geralmente, a estrela-fonte situa-se no bojo da gal&aacute;xia    enquanto que a estrela-lente pode tanto fazer parte da popula&ccedil;&atilde;o    do bojo ou estar localizada no disco da gal&aacute;xia. Uma vantagem desse m&eacute;todo    &eacute; n&atilde;o ser necess&aacute;rio detectar a luz da lente, geralmente    fraca, que tanto pode ser uma estrela ou um planeta ao seu redor. O m&eacute;todo    de microlente &eacute; principalmente sens&iacute;vel a planetas com &oacute;rbitas    entre 1 e 5 U.A. e massas desde da ordem da de J&uacute;piter at&eacute; massas    terrestres, mesmo que a v&aacute;rios kpc de dist&acirc;ncia. Em princ&iacute;pio,    esse m&eacute;todo &eacute; capaz de detectar planetas t&atilde;o pequenos quanto    0,1 massa da Terra no caso de estrelas-fontes da sequ&ecirc;ncia principal no    bojo gal&aacute;ctico.</font></p>     <p><font size="3">Devido ao movimento relativo entre fonte, lente e observador,    o fator de amplifica&ccedil;&atilde;o varia com o tempo, aumentando gradativamente    e depois diminuindo num per&iacute;odo que pode durar horas ou dias. Caso a    estrela-lente possua um planeta ao seu redor, este atuar&aacute; como uma lente    tamb&eacute;m causando um pico secund&aacute;rio de amplifica&ccedil;&atilde;o    com menor intensidade e dura&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n4/11f02.gif" usemap="#Map2" border="0">    <map name="Map2">      <area shape="rect" coords="232,415,400,433" href="http://eo.ucar.edu/staff/dward/sao/exoplanets/images/conclu14.gif" target="_blank">     <area shape="rect" coords="-31,433,284,458" href="http://eo.ucar.edu/staff/dward/sao/exoplanets/images/conclu14.gif" target="_blank">   </map> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Embora esse m&eacute;todo seja eficaz para detec&ccedil;&atilde;o    de planetas pequenos, &eacute; necess&aacute;rio um alinhamento extremamente    preciso entre as estrelas fonte e lente e o observador. A probabilidade de que    isso ocorra causando uma amplifica&ccedil;&atilde;o substancial &eacute; bastante    diminuta, da ordem de 10<sup>-6</sup> para as estrelas no bojo gal&aacute;ctico    ou nas Nuvens de Magalh&atilde;es. At&eacute; o presente, oito planetas j&aacute;    foram descobertos por esse m&eacute;todo.</font></p>     <p><font size="3">Uma desvantagem do m&eacute;todo de microlente gravitacional    &eacute; o fato de n&atilde;o poder ser reproduz&iacute;vel, isto &eacute;,    uma vez que um evento ocorra &eacute; bastante improv&aacute;vel que ele ocorra    novamente para o mesmo sistema em uma escala de tempo humana. Al&eacute;m disso,    n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel escolher uma estrela-lente espec&iacute;fica    para determinar se existe ou n&atilde;o algum planeta ao seu redor. Entretanto,    esse m&eacute;todo possui v&aacute;rias vantagens como sua alta sensibilidade    mesmo para planetas de massa terrestre, detec&ccedil;&atilde;o de planetas distantes    (a kpc de dist&acirc;ncia), e finalmente n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio    observar a luz da estrela-lente ou seu planeta, pois o que se mede &eacute;    apenas o seu efeito gravitacional.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>FOTOS DE PLANETAS </b>Obviamente a maneira mais direta de    inferir a exist&ecirc;ncia de um planeta &eacute; atrav&eacute;s da detec&ccedil;&atilde;o    direta de sua luz. No entanto, o fato de um planeta n&atilde;o emitir luz pr&oacute;pria    na faixa do vis&iacute;vel, mas apenas refletir a luz de sua estrela hospedeira    torna o seu brilho um bilh&atilde;o de vezes mais fraco do que o da estrela.    Al&eacute;m disso, a sua proximidade &agrave; estrela dificulta substancialmente    a detec&ccedil;&atilde;o da sua emiss&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3">Como mencionado anteriormente, atualmente ainda n&atilde;o &eacute;    poss&iacute;vel obter uma fotografia na faixa do vis&iacute;vel para planetas    em torno de estrelas como o Sol, pois o brilho da estrela &eacute; da ordem    de um bilh&atilde;o de vezes mais intenso do que o do planeta. Para superar    esse problema, as observa&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m se concentrado em estrelas    bastante jovens e as observa&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m sido realizadas no    infravermelho. Os objetos sub-estelares em torno dessas estrelas, com a mesma    idade, por serem jovens encontram-se ainda em fase de contra&ccedil;&atilde;o.    Consequentemente, s&atilde;o muito mais quentes e brilhantes e, portanto, mais    facilmente detectados. At&eacute; o presente, imagens de 11 planetas j&aacute;    foram obtidas.</font></p>     <p><font size="3">Em 27 de abril de 2004, fotografou-se o primeiro planeta em    &oacute;rbita da an&atilde; marrom 2M 1207 com massa de 25 <i>M<sub>J</sub></i>    e idade aproximadamente de 8 milh&otilde;es de anos. A imagem mostrada na <a href="/img/revistas/cic/v61n4/html/11f03.htm">figura    3(A)</a> foi obtida com o Very Large Telescope (VLT) operando na faixa do infravermelho.    A dist&acirc;ncia de 59 kpc at&eacute; o sistema implica que o planeta est&aacute;    a uma dist&acirc;ncia projetada de 55 U.A. da sua estrela.</font></p>     <p><font size="3">A <a href="/img/revistas/cic/v61n4/html/11f03.htm">figura 3(B)</a>    mostra uma estrela jovem (T Tauri) GQ Lupi com sua companheira, 250 vezes mais    fraca e distante 100 U.A., o segundo planeta fotografado, em 25 de junho de    2004. Essa &eacute; uma estrela jovem de 0,7 M<sub>sol</sub> com menos que 2    milh&otilde;es de anos em uma regi&atilde;o de forma&ccedil;&atilde;o estelar    a 140 kpc da Terra. Comparando com imagens dessa mesma estrela obtidas entre    2 e 5 anos antes, foi poss&iacute;vel confirmar que o objeto companheiro possui    o mesmo movimento pr&oacute;prio que a estrela.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>ECLIPSES ESTELARES (OU TR&Acirc;NSITOS) </b>Uma outra maneira    de se inferir a presen&ccedil;a de um planeta &eacute; atrav&eacute;s de pequenas    varia&ccedil;&otilde;es peri&oacute;dicas na luz da estrela causada pela passagem    do planeta entre a estrela e observador, ou seja, eclipses. A diminui&ccedil;&atilde;o    no brilho da estrela para planetas gigantes como J&uacute;piter &eacute; da    ordem de 1%, e no caso de planetas tel&uacute;ricos de apenas 0,01%. No &uacute;ltimo    caso, imposs&iacute;vel de ser detectado a partir do solo com a tecnologia atual.    &Eacute; claro que esse efeito somente pode ser observado para os sistemas planet&aacute;rios    vistos de perfil, isto &eacute;, cuja &oacute;rbita seja quase perpendicular    ao plano do c&eacute;u.</font></p>     <p><font size="3">Os primeiros tr&acirc;nsitos de planetas do sistema solar em    frente ao Sol foram observados j&aacute; no s&eacute;culo XVII. Obviamente isso    ocorre somente para Merc&uacute;rio e V&ecirc;nus, os planetas com &oacute;rbitas    internas &agrave; da Terra. Foram necess&aacute;rios mais tr&ecirc;s s&eacute;culos    para se detectar tr&acirc;nsitos de planetas extra-solares em torno de suas    estrelas hospedeiras. Nesse caso, quando o planeta passa na frente da sua estrela    ocorre uma pequena diminui&ccedil;&atilde;o no brilho da estrela. A diminui&ccedil;&atilde;o    da intensidade da luz da estrela &eacute; proporcional &agrave; raz&atilde;o    entre as &aacute;reas do planeta e da estrela e se repete periodicamente de    acordo com o per&iacute;odo orbital.</font></p>     <p><font size="3">O primeiro tr&acirc;nsito de planeta extra-solar foi anunciado    em 1999 para a estrela HD 209458. O planeta &eacute; um gigante gasoso com 70%    da massa de J&uacute;piter, por&eacute;m com um raio 30% maior do que o de J&uacute;piter,    muito pr&oacute;ximo da sua estrela a apenas 0,045 U.A., e completa uma revolu&ccedil;&atilde;o    orbital em torno da estrela a cada 3,5 dias. O tr&acirc;nsito acarreta uma diminui&ccedil;&atilde;o    de 1,8% na intensidade da estrela e possui dura&ccedil;&atilde;o aproximada    de 2,5 horas. Esse &eacute;, sem d&uacute;vida, o planeta mais famoso, o qual    &eacute; citado em 325 artigos publicados at&eacute; o presente. Uma grande    vantagem do m&eacute;todo de tr&acirc;nsito &eacute; que fornece o raio do planeta.    Caso observa&ccedil;&otilde;es de velocidade radial estejam dispon&iacute;veis    com uma indica&ccedil;&atilde;o do limite inferior da massa, essa ser&aacute;,    de fato, a massa real do planeta pois o &acirc;ngulo orbital &eacute; seguramente    pr&oacute;ximo de 90º.</font></p>     <p><font size="3">Um problema do m&eacute;todo de tr&acirc;nsito &eacute; a confirma&ccedil;&atilde;o    de que o objeto companheiro &eacute; de fato um planeta, o que somente &eacute;    comprovado ap&oacute;s a determina&ccedil;&atilde;o da sua massa (por velocidade    radial). V&aacute;rios fatores podem causar diminui&ccedil;&atilde;o peri&oacute;dica    no brilho da estrela como, por exemplo, atividade magn&eacute;tica da estrela,    mas, principalmente, eclipses entre membros de sistemas estelares duplos ou    triplos. Tr&acirc;nsitos por estrelas an&atilde;s na frente de uma bem maior    (<i>e.g.</i> estrelas gigantes) tamb&eacute;m podem imitar um tr&acirc;nsito    planet&aacute;rio. Nesse caso, &eacute; necess&aacute;rio um estudo espectrosc&oacute;pico    de baixa resolu&ccedil;&atilde;o da estrela principal para determinar o seu    raio.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n4/11f04.gif" usemap="#Map3" border="0">    <map name="Map3">      <area shape="rect" coords="199,614,399,630" href="http://www.cornellcollege.edu" target="_blank">   </map> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>ATMOSFERAS PLANET&Aacute;RIAS </b>A observa&ccedil;&atilde;o    das eclipses prim&aacute;ria e secund&aacute;ria (quando o planeta passa atr&aacute;s    da estrela) permite o estudo de suas atmosferas. Durante o tr&acirc;nsito prim&aacute;rio    nos momentos de ingresso e egresso, conforme a luz da estrela passa atrav&eacute;s    da atmosfera do planeta &eacute; poss&iacute;vel detectar alguns de seus constituintes    como, por exemplo, s&oacute;dio, hidrog&ecirc;nio, oxig&ecirc;nio e carbono    ionizado.</font></p>     <p><font size="3">Com o telesc&oacute;pio espacial Hubble operando em 589 nan&ocirc;metros    (nm) (linhas de resson&acirc;ncia do s&oacute;dio), Charbonneau e colaboradores    (5) conseguiram medir um pequeno aumento na profundidade do tr&acirc;nsito de    HD 209458 b. Mesmo assim, a detec&ccedil;&atilde;o foi apenas um ter&ccedil;o    do valor esperado a partir dos modelos de atmosfera sem nuvens e abund&acirc;ncia    solar para o s&oacute;dio. Essa observa&ccedil;&atilde;o, combinada ao limite    superior de detec&ccedil;&atilde;o de CO (mon&oacute;xido de carbono), implica    na presen&ccedil;a de nuvens na alta atmosfera do planeta.</font></p>     <p><font size="3">As observa&ccedil;&otilde;es espectrais do tr&acirc;nsito secund&aacute;rio    de outro planeta, HD 189733 b, evidenciaram que o fluxo do planeta &eacute;    0,49% do fluxo da estrela. A compara&ccedil;&atilde;o do espectro observado    com o espectro calculado por modelos atmosf&eacute;ricos de planetas tipo J&uacute;piter,    mas quentes, revelou uma discrep&acirc;ncia. Os modelos preveem uma queda no    fluxo relativo do planeta devido &agrave; absor&ccedil;&atilde;o por &aacute;gua.    No entanto essa queda n&atilde;o foi detectada. Esse &eacute; um fato intrigante,    pois todos os modelos de atmosfera de planetas consideram a presen&ccedil;a    de &aacute;gua. Uma explica&ccedil;&atilde;o seria o fato da &aacute;gua estar    presente, por&eacute;m em regi&otilde;es mais baixas na atmosfera do planeta,    encobertas por nuvens de silicato sem &aacute;gua.</font></p>     <p><font size="3">O telesc&oacute;pio Alma, um arranjo de antenas de r&aacute;dio    na faixa do submilim&eacute;trico, est&aacute; previsto para entrar em opera&ccedil;&atilde;o    em 2012 no deserto do Atacama no Chile. Esse instrumento ser&aacute; capaz de    imagear os exoplanetas al&eacute;m de fornecer preciosas informa&ccedil;&otilde;es    sobre a composi&ccedil;&atilde;o da atmosfera destes, buscando detectar oxig&ecirc;nio,    principal indicador da exist&ecirc;ncia de vida.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>OBSERVA&Ccedil;&Atilde;O POR SAT&Eacute;LITES NO ESPA&Ccedil;O    </b>Um sat&eacute;lite atualmente em &oacute;rbita da Terra &eacute; o sat&eacute;lite    franc&ecirc;s CoRoT (Convection, Rotation and planetary Transits, <a href="http://corot.oamp.fr" target="_blank">http://corot.oamp.fr</a>)    - sendo um dos seus objetivos a detec&ccedil;&atilde;o de tr&acirc;nsitos de    planetas extra-solares. Esse sat&eacute;lite, lan&ccedil;ado em 27 de dezembro    de 2006, possui uma significativa participa&ccedil;&atilde;o brasileira. A partir    do monitoramento cont&iacute;nuo durante 150 dias por vez de um total de 60    mil estrelas, na dura&ccedil;&atilde;o total da miss&atilde;o (prevista para    dois anos e meio), espera-se detectar dezenas de tr&acirc;nsitos de planetas    gigantes gasosos como J&uacute;piter, e pela primeira vez, descobrir a partir    de seus tr&acirc;nsitos tamb&eacute;m planetas tel&uacute;ricos com at&eacute;    duas ou tr&ecirc;s vezes a massa da Terra. Atualmente, o sat&eacute;lite CoRoT    j&aacute; descobriu oito planetas extra-solares, sendo o menor deles do tipo    super-Terra, isto &eacute;, com uma massa aproximada de seis massas terrestres.</font></p>     <p><font size="3">O sat&eacute;lite Kepler, da Ag&ecirc;ncia Espacial Americana    (Nasa), cujo objetivo &eacute; a busca de tr&acirc;nsitos planet&aacute;rios,    &eacute; capaz de obter imagens de planetas na banda do vis&iacute;vel e infravermelho    al&eacute;m de estudos espectrosc&oacute;picos. O sat&eacute;lite norte-americano    Kepler foi lan&ccedil;ado em 6 de mar&ccedil;o de 2009 e, brevemente, teremos    not&iacute;cia da detec&ccedil;&atilde;o de planetas como a Terra.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">V&aacute;rias miss&otilde;es espaciais com o prop&oacute;sito    de descobrir e estudar planetas extra-solares est&atilde;o planejadas para a    pr&oacute;xima d&eacute;cada. Entre essas podemos citar Darwin, da Ag&ecirc;ncia    Espacial Europeia (ESA), com a finalidade de imageamento na faixa do infravermelho    e espectroscopia de planetas terrestres, Gaia, tamb&eacute;m da ESA, cujo objetivo    &eacute; a detec&ccedil;&atilde;o de planetas por astrometria e observa&ccedil;&atilde;o    de tr&acirc;nsitos planet&aacute;rios.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>ZONA DE HABITABILIDADE </b>&Eacute; consenso entre os bi&oacute;logos    que a exis-t&ecirc;ncia de vida baseada em carbono, tal qual a conhecemos aqui    na Terra, &eacute; imprescind&iacute;vel da disponibilidade de &aacute;gua l&iacute;quida    para a ocorr&ecirc;ncia de rea&ccedil;&otilde;es qu&iacute;micas durante bilh&otilde;es    de anos. Portanto, a condi&ccedil;&atilde;o principal para que um planeta seja    capaz de abrigar vida, ou habitabilidade, &eacute; a exist&ecirc;ncia de &aacute;gua    l&iacute;quida em sua superf&iacute;cie que, embora necess&aacute;ria para a    vida, n&atilde;o &eacute; uma condi&ccedil;&atilde;o suficiente.</font></p>     <p><font size="3">A zona de habitabilidade de uma estrela &eacute; definida como    a regi&atilde;o onde a &aacute;gua na forma l&iacute;quida pode existir na superf&iacute;cie    de um planeta. Essa regi&atilde;o &eacute; controlada pela dist&acirc;ncia de    separa&ccedil;&atilde;o entre a estrela e o planeta, mas tamb&eacute;m &eacute;    afetada pela rota&ccedil;&atilde;o do planeta e a convec&ccedil;&atilde;o da    sua atmosfera. O extremo interior da zona de habitabilidade &eacute; limitado    pela perda de &aacute;gua e por um poss&iacute;vel efeito estufa fora do controle,    enquanto que o bordo externo &eacute; determinado pela condensa&ccedil;&atilde;o    de CO<sub>2</sub> (di&oacute;xido de carbono) e glacia&ccedil;&otilde;es. Considerando    esses efeitos, a zona de habitabilidade para uma estrela como o Sol est&aacute;    situada entre 0,7 e 1,5 U.A.</font></p>     <p><font size="3">Conv&eacute;m notar que essas dist&acirc;ncias variam com a    idade da estrela, conforme a estrela evolui, a sua luminosidade aumenta (o Sol    jovem era 30% menos brilhante do que o atual e seu fluxo ir&aacute; aumentar    de um fator 3 nos pr&oacute;ximos 4 bilh&otilde;es de anos), portanto futuramente    a borda interna da zona de habitabilidade ir&aacute; migrar para regi&otilde;es    mais externas do sistema solar. Pelo mesmo motivo, isto &eacute;, uma maior    luminosidade da estrela, os limites da zona de habitabilidade tamb&eacute;m    variam para estrelas de diferentes massas.</font></p>     <p><font size="3">Um resultado que teve grande repercuss&atilde;o na m&iacute;dia    em 2007 foi a descoberta do planeta em torno da estrela Gliese 581, um estrela    com um ter&ccedil;o da massa do Sol e, portanto, uma luminosidade cinquenta    vezes menor que a solar. J&aacute; se sabia da exist&ecirc;ncia de um planeta    como Saturno, com 16 massas terrestres, em torno dessa estrela. Udry e colaboradores    (6) descobriram mais duas super-Terras, isto &eacute;, planetas com cinco e    oito vezes a massa da Terra em &oacute;rbita dessa estrela, formando um sistema    planet&aacute;rio triplo. Essa descoberta foi feita utilizando-se o espectr&oacute;grafo    Harps (High Accuracy Radial Velocity for Planetary Search) no telesc&oacute;pio    de 3,6 m do ESO no Chile.</font></p>     <p><font size="3">A grande novidade foi a localiza&ccedil;&atilde;o desses novos    planetas. Devido ao fato da estrela ter um brilho bem menor do que o Sol, consequentemente    a sua zona de habitabilidade tamb&eacute;m &eacute; bem menor. O planeta de    cinco massas terrestres reside na borda interna da zona de habitabilidade a    0,07 U.A. da estrela, enquanto que o outro planeta, de oito massas terrestres,    dista 0,25 U.A. e encontra-se no extremo mais externo da zona de habitabilidade    da estrela. Considerando a luminosidade da estrela, Udry e colaboradores (6)    computaram a temperatura de equil&iacute;brio do planeta Gl 581 c como estando    entre -3º e +40ºC. Certamente a temperatura na superf&iacute;cie desse planeta    sofrer&aacute; grande influ&ecirc;ncia da sua atmosfera. Supondo um raio para    o planeta de 1,5 raio terrestre, baseado em modelos, e uma temperatura m&eacute;dia    da ordem de +20º C Gl 581 c &eacute; o planeta extra-solar descoberto at&eacute;    hoje que mais se assemelha &agrave; Terra.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b><i>Adriana V&aacute;lio</i></b> <i>&eacute; professora adjunta    do Centro de Radioastronomia e Astrof&iacute;sica, da Universidade Presbiteriana    Mackenzie.</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Wolszczan, A. &amp; Frail D. "A planetary system around the    millisecond pulsar PSR1257 + 12". <i>Nature</i>, Vol.355 , pp.145-147. 1992.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">2. Mayor, Michel &amp; Queloz, Didier.&nbsp;"A Jupiter-mass    companion to a solar-type star". <i>Nature</i>, Vol.378,&nbsp;pp.355-359. 1995.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">3. Marcy, G. W. &amp; Butler, R. P. "The planetary companion    to 70 Vir". <i>Astrophysical Journal Letters</i>, Vol.464, L147. 1996.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">4. Butler, R. P. &amp; Marcy, G. W. "The planet orbiting 47    UMa". <i>Astrophysical Journal Letters</i>, Vol.464, L153. 1996.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">5. Charbonneau,&nbsp;D., Brown,&nbsp;T.&nbsp;M., Noyes,&nbsp;R.&nbsp;W.    &amp; Gilliland,&nbsp;R.L. "Detection of an extrasolar planet atmosphere". <i>Astrophysical    Journal</i>, Vol.568, 377. 2002</font><!-- ref --><p><font size="3">6. Udry, S.; Bonfils, X.; Delfosse, X.; Forveille, T.; Mayor,    M.; Perrier, C.; Bouchy, F.; Lovis, C.; Pepe, F.; Queloz, D.; Bertaux, J.L.    "The Harps search for southern extra-solar planets. XI. Super-Earths (5 and    8 M) in a 3-planet system". <i>Astronomy &amp; Astrophysics</i>, Vol.469, n.3,    L43-L47. 2007.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">7. Charbonneau, D.; Brown, T. M.; Latham, D.W.; &amp; Mayor,    M. "Detection of planetary transits across a Sun-like star". <i>Astrophysical    Journal Letters</i>, Vol.529, pp.L45-L48. 2000.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>SUGEST&Otilde;ES DE LEITURA</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">Burgos, Pedro. "N&atilde;o estamos sozinhos". <i>SuperInteressante</i>,    Vol. 255, p. 62. Agosto de 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">Lopes, Reinaldo Jos&eacute;. "Sombras de mundos distantes".    <i>Scientific American Brasil</i>, Ano 3, n. 30, p.36. Novembro de 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">Mello, Sylvio Ferra. "Planetas extra-solares". <a href="http://www.stro.iag.usp.br/~sylvio/exoplanets/planetas.htm" target="_blank">http://www.stro.iag.usp.br/~sylvio/exoplanets/planetas.htm</a>    Homepage do sat&eacute;lite CoRoT: <a href="http://www.astro.iag.usp.br/~corot/index.html" target="_blank">http://www.astro.iag.usp.br/~corot/index.html</a>.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">Oliveira Filho, Kepler de Souza &amp; Saraiva, Maria de F&aacute;tima    Oliveira. "Planetas extrasolares do site de astronomia e astrof&iacute;sica".    <a href="http://astro.if.ufrgs.br/esp.htm" target="_blank">http://astro.if.ufrgs.br/esp.htm</a></font><!-- ref --><p><font size="3">Ward, Peter &amp; Brownlee, Donald. <i>S&oacute;s no universo?</i>    Ed. Campus. 2000.</font> ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Wolszczan]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Frail]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA["A planetary system around the millisecond pulsar PSR1257 + 12"]]></article-title>
<source><![CDATA[Nature]]></source>
<year>1992</year>
<volume>355</volume>
<page-range>145-147</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mayor]]></surname>
<given-names><![CDATA[Michel]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Queloz]]></surname>
<given-names><![CDATA[Didier]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA["A Jupiter-mass companion to a solar-type star"]]></article-title>
<source><![CDATA[Nature]]></source>
<year>1995</year>
<volume>378</volume>
<page-range>355-359</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Marcy]]></surname>
<given-names><![CDATA[G. W.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Butler]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA["The planetary companion to 70 Vir"]]></article-title>
<source><![CDATA[Astrophysical Journal Letters]]></source>
<year>1996</year>
<volume>464</volume>
<page-range>L147</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Butler]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Marcy]]></surname>
<given-names><![CDATA[G. W.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA["The planet orbiting 47 UMa"]]></article-title>
<source><![CDATA[Astrophysical Journal Letters]]></source>
<year>1996</year>
<volume>464</volume>
<page-range>L153</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Charbonneau]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Brown]]></surname>
<given-names><![CDATA[T. M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Noyes]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. W.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Gilliland]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA["Detection of an extrasolar planet atmosphere"]]></article-title>
<source><![CDATA[Astrophysical Journal]]></source>
<year>2002</year>
<volume>568</volume>
<page-range>377</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Udry]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Bonfils]]></surname>
<given-names><![CDATA[X.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Delfosse]]></surname>
<given-names><![CDATA[X.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Forveille]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Mayor]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Perrier]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Bouchy]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lovis]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Pepe]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Queloz]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Bertaux]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA["The Harps search for southern extra-solar planets. XI. Super-Earths (5 and 8 M) in a 3-planet system"]]></article-title>
<source><![CDATA[Astronomy & Astrophysics]]></source>
<year>2007</year>
<volume>469</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>L43-L47</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<label>7</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Charbonneau]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Brown]]></surname>
<given-names><![CDATA[T. M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Latham]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.W.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Mayor]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA["Detection of planetary transits across a Sun-like star"]]></article-title>
<source><![CDATA[Astrophysical Journal Letters]]></source>
<year>2000</year>
<volume>529</volume>
<page-range>L45-L48</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Burgos]]></surname>
<given-names><![CDATA[Pedro]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA["Não estamos sozinhos"]]></article-title>
<source><![CDATA[SuperInteressante]]></source>
<year>Agos</year>
<month>to</month>
<day> d</day>
<volume>255</volume>
<page-range>62</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lopes]]></surname>
<given-names><![CDATA[Reinaldo José]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA["Sombras de mundos distantes"]]></article-title>
<source><![CDATA[Scientific American Brasil]]></source>
<year>Nove</year>
<month>mb</month>
<day>ro</day>
<volume>3</volume>
<numero>30</numero>
<issue>30</issue>
<page-range>36</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mello]]></surname>
<given-names><![CDATA[Sylvio Ferra.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA["Planetas extra-solares"]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Oliveira Filho]]></surname>
<given-names><![CDATA[Kepler de Souza]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Saraiva]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria de Fátima Oliveira]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA["Planetas extrasolares do site de astronomia e astrofísica"]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ward]]></surname>
<given-names><![CDATA[Peter]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Brownlee]]></surname>
<given-names><![CDATA[Donald]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Sós no universo?]]></source>
<year>2000</year>
<edition>Ed. Campus</edition>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
