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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n4/artigos.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><b><font size=5>NEM TODA ESTRELA &Eacute; JOVEM</font></b></p>     <p align="center"><b><font size="3">Denise R. Gon&ccedil;alves</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>&Agrave;</b></font> <font size="3">semelhan&ccedil;a de todos    os tipos de seres vivos que conhecemos, estrelas nascem, vivem e morrem. Ainda    que nas&ccedil;am e tenham inf&acirc;ncia, juventude e madurez similares, na    velhice e na morte as estrelas diferem muito, a depender essencialmente de suas    massas. E, contrariamente &agrave; vis&atilde;o atual que temos dos seres humanos,    na velhice e na morte as estrelas s&atilde;o muito mais glamorosas do que na    juventude, da&iacute; a met&aacute;fora do t&iacute;tulo! Veremos que a met&aacute;fora    &eacute; ainda mais contundente quando comparamos estrelas gordinhas (massivas)    e de mais baixa massa. Ambas terminam de forma espl&ecirc;ndida.</font></p>     <p><font size="3">Estrelas massivas evoluem mais r&aacute;pido do que suas colegas    com menos massa. O que equivale a dizer que quanto mais massa, mais compulsivo    o consumo do combust&iacute;vel original, o hidrog&ecirc;nio (H). O Sol passar&aacute;    cerca de 10 bilh&otilde;es de anos consumindo seu H (ou seja, atrav&eacute;s    de fus&atilde;o termonuclear transformando-o em h&eacute;lio, He), ao que chamamos    sequ&ecirc;ncia principal (SP). Estrelas de 5 e 10 massas solares (M.O), por    sua vez, ter&atilde;o sequ&ecirc;ncias principais de, apenas, 100 e 20 milh&otilde;es    de anos, respectivamente. Essa fase da vida das estrelas termina pelo simples    fato de que elas deixam de possuir H no seu n&uacute;cleo, portanto, j&aacute;    n&atilde;o podendo transform&aacute;-lo em He. Por isso, imediatamente ap&oacute;s    a SP a evolu&ccedil;&atilde;o estelar tamb&eacute;m &eacute; qualitativamente    similar para todos os tipos de estrelas: o consumo do H nuclear necessariamente    produz um n&uacute;cleo de He (inicialmente inerte) em contra&ccedil;&atilde;o    (j&aacute; que ao cessar a fus&atilde;o nuclear tamb&eacute;m cessa a press&atilde;o    que contrabalan&ccedil;a a gravidade) rodeado por uma camada externa na qual    o H continua em combust&atilde;o. Essa estrutura interna vale tanto para estrelas    de alta quanto de baixa massa. A partir daqui, na velhice estelar, os caminhos    de umas e outras ser&atilde;o completamente diversos. Por&eacute;m, desde j&aacute;    podemos adiantar que umas e outras s&atilde;o velhinhas de rara beleza. E, morrendo    de forma explosiva (como supernovas) ou lentamente perdendo suas camadas externas    para o entorno, como nebulosas planet&aacute;rias, fatalmente coroar&atilde;o    suas vidas com uma morte espetacularmente bela!</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3">A VIDA DAS ESTRELAS JOVENS </font></b><font size="3">Antes    de falar da velhice estelar, e dado que j&aacute; deixamos claro que, excetuando-se    o tempo que permanecem em cada uma das fases, a vida de todas as estrelas s&atilde;o    similares at&eacute; que deixem a SP, vamos verificar como as estrelas nascem    e evoluem at&eacute; que consumam seu H nuclear.</font></p>     <p><font size="3">A <a href="#t1">tabela 1</a> re&uacute;ne as v&aacute;rias fases    que levam &agrave; forma&ccedil;&atilde;o das estrelas destacando as caracter&iacute;sticas    observacionais de cada fase. Nela lista-se o tempo de uma fase para a subsequente,    as temperaturas, tanto no centro da estrutura em quest&atilde;o quanto na sua    superf&iacute;cie, as densidades e os tamanhos. Note que nesta tabela denotamos    os tamanhos em unidades de di&acirc;metros solares (D.O), na pr&oacute;xima    a medida ser&aacute; raios solares (R.O). Essa tabela pode ser resumida da seguinte    forma: 1) o ber&ccedil;o das estrelas &eacute; o meio interestelar, ou, as nuvens    moleculares frias quando come&ccedil;am a colapsar devido &agrave; auto-gravidade;    2) ao longo do colapso fragmentos das nuvens v&atilde;o aquecendo-se, at&eacute;    chegar ao ponto em que suas zonas mais centrais tornam-se suficientemente quentes,    aptas para a igni&ccedil;&atilde;o de rea&ccedil;&otilde;es termonucleares;    3) nesse ponto a contra&ccedil;&atilde;o &eacute; freada (pela press&atilde;o    das rea&ccedil;&otilde;es nucleares), e nasce a estrela; 4) esta estrela, identificada    com o nosso Sol, passar&aacute; aproximadamente 10 bilh&otilde;es de anos na    SP.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="t1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n4/12t01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">O respons&aacute;vel pelo equil&iacute;brio da estrela na SP    &eacute; o balan&ccedil;o entre a gravidade (que propicia colapso) e a press&atilde;o    interna (que propicia expans&atilde;o). Uma vez que j&aacute; n&atilde;o haja    press&atilde;o interna no n&uacute;cleo, fim da SP, esse equil&iacute;brio desaparece,    causando importantes modifica&ccedil;&otilde;es na estrutura interna e na apar&ecirc;ncia    das estrelas. Para estudar as v&aacute;rias fases da vida das estrelas &eacute;    crucial entender que &eacute; justamente esse equil&iacute;brio que determina    os v&aacute;rios est&aacute;gios de evolu&ccedil;&atilde;o das mesmas.</font></p>     <p><font size="3">Seguindo na sequ&ecirc;ncia dada pela <a href="#t1">tabela 1</a>,    agora que a estrela deixou a SP, ela definitivamente entra em fase terminal,    e as caracter&iacute;sticas da morte dependem crucialmente da sua massa. Estrelas    morrem catastroficamente ou de maneira mais suave. As estrelas massivas t&ecirc;m    massas superiores a 8 M.O, enquanto que as de baixa massa, ou tipo solar, possuem    menos de 8 M.O (num estudo detalhado aprende-se que existem diferen&ccedil;as    importantes dentro desses grupos).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3">A MORTE NA PASSARELA: ESTRELAS DE BAIXA MASSA </font></b><font size="3">Agora    somente considerando estrelas do tipo solar vemos os eventos principais at&eacute;    a morte definitiva da estrela como an&atilde; branca, ou melhor, an&atilde;    negra. A <a href="#t2">tabela 2</a> traz as caracter&iacute;sticas dessas fases,    e cada uma delas ser&aacute; discutida detalhadamente a seguir.</font></p>     <p><a name="t2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n4/12t02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Ao sair da SP o n&uacute;cleo da estrela comp&otilde;e-se de    He inerte. Este s&oacute; poder&aacute; ser transformado em outros elementos    se a temperatura nuclear for superior a aproximadamente 10<sup>8</sup>K. De    fato, a camada que circunda tal n&uacute;cleo - e composta por H - come&ccedil;a    a ter rea&ccedil;&otilde;es nucleares antes do n&uacute;cleo inerte de h&eacute;lio,    j&aacute; que esta est&aacute; a uma temperatura superior aos 10<sup>7</sup>K    necess&aacute;rios para igni&ccedil;&atilde;o do H. A queima do hidrog&ecirc;nio    acontece, ent&atilde;o, n&atilde;o no centro da estrela, mas em um "anel" que    o circunda. A transforma&ccedil;&atilde;o H-He nessa camada &eacute; mais r&aacute;pida    do que o processo similar no n&uacute;cleo durante a SP, por isso, apesar de    ter um n&uacute;cleo inerte, nesse est&aacute;gio a estrela cresce em luminosidade.</font></p>     <p><font size="3">Mas essa estrela est&aacute; completamente fora do equil&iacute;brio.    A transforma&ccedil;&atilde;o H-He no anel &eacute; cada vez mais r&aacute;pida    e a press&atilde;o que adv&eacute;m dessa alta taxa de produ&ccedil;&atilde;o    de He faz com que essa camada se expanda, ou seja, faz com que a estrela cres&ccedil;a.    Enquanto isso, o n&uacute;cleo de He continua em contra&ccedil;&atilde;o, com    consequente aquecimento, portanto a estrela &eacute; uma composi&ccedil;&atilde;o    de n&uacute;cleo em contra&ccedil;&atilde;o e aquecimento e camadas externas    em expans&atilde;o e esfriamento. Essa estrela sub-gigante expandiu-se at&eacute;    3R.O. O processo continua, dessa vez com forte aumento na luminosidade estelar,    e ao transforma-se em uma gigante vermelha, a estrela j&aacute; tem aproximadamente    100</font> <img src="/img/revistas/cic/v61n4/12s01.gif" align="absmiddle"><font size="3">    e umas 100 luminosidades solares</font> (<img src="/img/revistas/cic/v61n4/12s02.gif" align="absmiddle">).</p>     <p><font size="3">Essa situa&ccedil;&atilde;o de desequil&iacute;brio n&atilde;o    pode durar para sempre... Quando o n&uacute;cleo da estrela torna-se t&atilde;o    denso quanto 10<sup>8</sup>kg/m<sup>3</sup> e sua temperatura ultrapassa aquela    da igni&ccedil;&atilde;o da fus&atilde;o do He, reinicia-se a queima deste,    no n&uacute;cleo da estrela. Dessa vez, no entanto, n&atilde;o se aplica o comportamento    que vimos antes, ou seja, de que a press&atilde;o aumentaria devido ao aumento    de temperatura e contrabalan&ccedil;aria a gravidade. Agora a press&atilde;o    do n&uacute;cleo &eacute; an&ocirc;mala, pois este possui um g&aacute;s de el&eacute;trons    comprimidos a t&atilde;o alta densidade que j&aacute; n&atilde;o suporta mais    compress&atilde;o. Essa press&atilde;o, que &eacute; independente da temperatura,    &eacute; conhecida como press&atilde;o dos el&eacute;trons degenerados. Nessas    condi&ccedil;&otilde;es, mesmo com o crescimento da taxa das rea&ccedil;&otilde;es    de queima do He, a press&atilde;o quase n&atilde;o muda e a temperatura cresce    t&atilde;o abruptamente que causa a queima explosiva do h&eacute;lio (o <i>flash</i>    do He). Depois de algum tempo (da ordem de horas) nesse processo explosivo,    o n&uacute;cleo finalmente retoma sua condi&ccedil;&atilde;o de press&atilde;o    t&eacute;rmica, com a recupera&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es    de equil&iacute;brio, expans&atilde;o nuclear e queda de densidade. Em suma,    o efeito l&iacute;quido do <i>flash</i> de He &eacute; tal que ocorre um rearranjo    na estrutura da estrela de forma que o equil&iacute;brio &eacute; re-estabelecido    e esta passa a transformar He em C (carbono) no n&uacute;cleo, como esper&aacute;vamos.    A camada que circunda o n&uacute;cleo estelar est&aacute;, simultaneamente,    fundindo H em He. A essa estrela denominamos estrela do ramo horizontal.</font></p>     <p><font size="3">Devido &agrave; fus&atilde;o do He em C, surge ent&atilde;o    um n&uacute;cleo composto de carbono, o h&eacute;lio que &eacute; consumido    e, porque se torna escasso, o n&uacute;cleo deixa de produzir C. Portanto, o    n&uacute;cleo se contrai e se aquece levando ao crescimento da taxa de queima    de He e H nas camadas que o rodeiam. A estrutura da estrela, de dentro para    fora, comp&otilde;e-se de um n&uacute;cleo inerte de C (em contra&ccedil;&atilde;o),    uma camada de transforma&ccedil;&atilde;o He-C e uma camada de H-He. Seu envolt&oacute;rio    mais externo constitui-se tamb&eacute;m de mat&eacute;ria inerte. Essa zona    externa se expande e a estrela volta a ser uma gigante vermelha - tamb&eacute;m    conhecida pelo nome de estrela do ramo assint&oacute;tico das gigantes (AGB).    Luminosidade e raios voltam a superar aqueles do <i>flash</i> do He e, por isso,    tamb&eacute;m a denominamos supergigante vermelha.</font></p>     <p><font size="3">Durante a trajet&oacute;ria at&eacute; o ramo assint&oacute;tico    das gigantes as camadas mais externas das estrelas expandem-se, ao mesmo tempo    em que o n&uacute;cleo se contrai. Quando a temperatura nuclear torna-se suficientemente    alta para a igni&ccedil;&atilde;o das rea&ccedil;&otilde;es de queima do carbono    (sintetizando elementos ainda mais pesados) &eacute; que o equil&iacute;brio    da estrela volta a ser recuperado. Nesse tipo de estrela (de baixa massa) a    temperatura jamais ser&aacute; t&atilde;o alta que essa fase de fus&atilde;o    nuclear possa ocorrer, ou seja, queima do C. Na tentativa de chegar &agrave;    igni&ccedil;&atilde;o do C, a densidade nuclear cresce at&eacute; um limite    t&atilde;o alto que seus el&eacute;trons nucleares tornam-se degenerados, sua    temperatura para de crescer, e a contra&ccedil;&atilde;o &eacute; freada. Essa    estrela &eacute; sim capaz de sintetizar oxig&ecirc;nio (O), por causa das rea&ccedil;&otilde;es    do C com o He na fronteira da camada composta de h&eacute;lio.</font></p>     <p><font size="3">Vamos &agrave;s verdadeiras <i>estrelas</i> da evolu&ccedil;&atilde;o    estelar!</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3">EM FOCO: AS NEBULOSAS PLANET&Aacute;RIAS</font></b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O <SMALL>QUE S&Atilde;O E POR QUE T&Ecirc;M ESSE NOME</small></font></p>     <p><font size="3">Uma nebulosa planet&aacute;ria comp&otilde;e-se por g&aacute;s    e poeira, os quais circundam uma estrela do tipo solar no final da sua vida.    Essa estrela - a estrela central da nebulosa planet&aacute;ria - ilumina a nebulosidade    ao seu redor que, por sua vez, &eacute; observada em todas as zonas do espectro    eletromagn&eacute;tico, desde r&aacute;dio at&eacute; raios-X. Comparadas com    as estrelas, que emitem numa banda de luz cont&iacute;nua (luz branca), as nebulosas    planet&aacute;rias emitem sua luz em bandas muito mais estreitas, ou seja, em    linhas de emiss&atilde;o (luz discreta com diferentes cores). Por isso s&atilde;o    facilmente identificadas no c&eacute;u quando se utiliza um telesc&oacute;pio    contendo um prisma, produzindo seu espectro.</font></p>     <p><font size="3">Data de 1764 a primeira vez que se observou uma nebulosa planet&aacute;ria,    a nebulosa dos Halteres. Essa observa&ccedil;&atilde;o foi seguida por aquela    da nebulosa do Anel (M57), em 1779, pelo astr&ocirc;nomo franc&ecirc;s Antoine    Darquier. Este &uacute;ltimo descreveu a nebulosa do Anel como "pouco brilhante,    mas com contornos bem definidos... &eacute; t&atilde;o grande quanto J&uacute;piter,    parecendo-se com um planeta t&ecirc;nue". O termo "nebulosa planet&aacute;ria"    (NP) foi-lhes atribu&iacute;do pelo ingl&ecirc;s William Herschel, dadas as    suas similaridades com os discos esverdeados de planetas como Urano e Netuno,    assim separando-as das nebulosas brancas formadas por estrelas, ou seja, das    gal&aacute;xias.</font></p>     <p><font size="3">Quando observadas com baixa resolu&ccedil;&atilde;o espacial,    uma NP parece redonda e poderia assemelhar-se a um planeta, da&iacute; esse    nome t&atilde;o equivocado. Por outro lado, com grande resolu&ccedil;&atilde;o    espacial v&ecirc;-se claramente que essas s&atilde;o constitu&iacute;das por    muitas e variadas estruturas. Mas, o que s&atilde;o essas estruturas? A nebulosa    do Olho de Gato, por exemplo, comp&otilde;em-se de uma grande variedade de estruturas    sim&eacute;tricas, as quais incluem: um halo filamentar extenso; v&aacute;rios    an&eacute;is conc&ecirc;ntricos; um par de jatos e um complexo conjunto de an&eacute;is    no seu n&uacute;cleo (NGC 6543, <a href="#f1">figura 1</a>). Em particular,    o conjunto de cascas nebulares no cora&ccedil;&atilde;o de NGC 6543 tem uns    mil anos de idade. Contornando esse n&uacute;cleo encontram-se uma s&eacute;rie    de an&eacute;is conc&ecirc;ntricos (azuis), cada um dos an&eacute;is est&aacute;    no limite de uma bolha de g&aacute;s em expans&atilde;o expulsa da estrela central    em intervalos regulares de uns 1.500 anos, sendo que o primeiro ocorreu h&aacute;    cerca de 18 mil anos. J&aacute; os filamentos mais externos (verdes) datam,    no m&aacute;ximo, de aproximadamente 60 mil anos. A massa do material estelar    dessa nebulosa deve ser similar &agrave; massa do Sol.</font></p>     <p><a name="f1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n4/12f01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">V<SMALL>ENTOS ESTELARES</small></font></p>     <p><font size="3">Agora queremos entender o processo de forma&ccedil;&atilde;o    das nebulosas planet&aacute;rias, ou seja: o que faz com que estrelas com n&uacute;cleo    de C se transformem em NPs no seu caminho at&eacute; sumirem como an&atilde;s    negras (<a href="#t2">tabela 2</a>)?</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Como j&aacute; visto, quando a estrela entra no ramo assint&oacute;tico    das gigantes o seu n&uacute;cleo j&aacute; n&atilde;o queima H nem He, e comp&otilde;e-se    do que sobrou das combust&otilde;es anteriores, ou seja, de C e O. Nessa fase,    e por um per&iacute;odo de aproximadamente um milh&atilde;o de anos, a estrela    continuar&aacute; seu processo de expans&atilde;o, ao mesmo tempo que sua luminosidade    crescer&aacute;, al&ccedil;ando valores de 1.000 L.O. Os ventos estelares presentes    nessa (ou seja os ventos que ocorrem numa AGB e numa p&oacute;s-AGB, englobando    as fases AGB, proto planet&aacute;ria e NP) gradualmente expulsam o g&aacute;s    das camadas mais externas da estrela, deixando exposto o n&uacute;cleo quente.    O que sobra dos ventos estelares &eacute; a pr&oacute;pria NP (o envolt&oacute;rio    estelar que se desprendeu da estrela). Assim, aquela que denominamos a estrela    central de uma NP &eacute; justamente a estrela da qual estivemos "acompanhando"    a evolu&ccedil;&atilde;o nas <a href="#t1">tabelas 1</a> e <a href="#t2">2</a>.    Quando cessa a combust&atilde;o nas camadas externas, a estrela perde seu brilho    e transforma-se em uma an&atilde; branca, cujas caracter&iacute;sticas encontram-se    ao final da <a href="#t2">tabela 2</a>.</font></p>     <p><font size="3">Destacamos dois epis&oacute;dios distintos de perda de massa.    Primeiro, devido ao vento lento de uma estrela AGB, cuja velocidade t&iacute;pica    &eacute; da ordem de 10 km/s, com uma taxa de perda de massa de 10-5 M.O/ano.    E depois, atrav&eacute;s do vento r&aacute;pido, expelido de uma p&oacute;s-AGB,    caracterizado por 10-7 M.O/ano e que alcan&ccedil;a uma velocidade de at&eacute;    2 mil km/s. O vento estelar r&aacute;pido varre o material expelido previamente,    dando forma &agrave; nebulosa, que expande-se com velocidade de aproximadamente    25km/s, &eacute; mais denso do que os ventos dos quais originou-se, tem T&#8773;10.000    K e dura cerca de 30 mil anos. O g&aacute;s do vento r&aacute;pido (p&oacute;s-AGB),    ao expandir-se sobre o material do vento lento (AGB), forma uma frente de choque    que, quando observada no &oacute;ptico, &eacute; a componente mais brilhante    de uma NP. Entre os choques interno e externo, encontra-se a bolha quente (somente    observ&aacute;vel em raios-X). E, por &uacute;ltimo, o halo comp&otilde;e-se    pelo que resta do vento AGB, o qual, devido &agrave; sua baixa densidade, &eacute;    o mais t&ecirc;nue nas imagens &oacute;pticas. Isso explica a forma&ccedil;&atilde;o    das NPs, n&atilde;o s&oacute; esf&eacute;ricas, mas tamb&eacute;m daquelas cuja    casca tem forma el&iacute;ptica, bipolar, ou com simetria de ponto (<a href="#f2">figura    2</a>). Tais ideias tamb&eacute;m d&atilde;o conta das propriedades f&iacute;sicas    (temperaturas e densidades), qu&iacute;micas (enriquecimento qu&iacute;mico    do meio circunstelar oriundo da s&iacute;ntese de He, C, N e O, na estrela central)    e cinem&aacute;ticas das NPs.</font></p>     <p><a name="f2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n4/12f02.jpg" usemap="#Map" border="0">    <map name="Map">      <area shape="rect" coords="-12,757,219,774" href="http://www.astro.washington.edu" target="_blank">   </map> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">As nebulosas planet&aacute;rias - velhinhas de rara beleza -    s&atilde;o a fase terminal de estrelas tipo solar, e representam uma curta fase,    ainda que gloriosa, da vida de muit&iacute;ssimas estrelas. Elas terminam sua    exist&ecirc;ncia espalhando &aacute;tomos, mol&eacute;culas e poeira nas diferentes    regi&otilde;es das gal&aacute;xias. Depois de vagar pelo meio interestelar durante    milh&otilde;es de anos, alguns desses ingredientes podem ter-se agregado ao    ejeta de outras NPs para formar as nuvens densas onde nasceram novas estrelas    na nossa gal&aacute;xia. Os fragmentos que restaram da forma&ccedil;&atilde;o    estelar resultaram em cometas, aster&oacute;ides e planetas. Parte do material    originado nas NPs pode ter sobrevivido e sido depositado no planeta do qual    surgiu a <i>nossa</i> vida. De fato, recentemente, foram observadas mol&eacute;culas    org&acirc;nicas complexas, similares &agrave;quelas de organismos vivos, em    NPs ricas em carbono, como NGC 7027 e BD+30&Uacute;3639.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3">UM FIM REALMENTE ESPETACULAR: ALTA MASSA </font></b><font size="3">Quando    discutimos a queima explosiva do He, nas estrelas tipo solar, n&atilde;o mencionamos    o fato de que estrelas com massa maior do que 2,5 M.O transformam He em C de    forma suave, n&atilde;o explosiva como descrito anteriormente. Na verdade, quanto    mais massiva a estrela, menor a densidade na qual come&ccedil;am a queima do    He.</font></p>     <p><font size="3">A evolu&ccedil;&atilde;o mais r&aacute;pida das estrelas massivas    na SP tamb&eacute;m se aplica na vida p&oacute;s-SP. Devido &agrave; alta massa    estelar, nas estrelas realmente massivas (&gt;8<img src="/img/revistas/cic/v61n4/12s03.gif" align="absmiddle">)    as fases de queima s&atilde;o muito r&aacute;pidas. Uma estrela de 15<img src="/img/revistas/cic/v61n4/12s03.gif" align="absmiddle">,    por exemplo, come&ccedil;a a transformar He em C sem chegar a ser uma gigante    vermelha, contrariamente ao que ocorria nas estrelas tipo solar. As estrelas    massivas quase n&atilde;o mudam de apar&ecirc;ncia quando passam de uma fase    para a fase subsequente de queima. Elas podem fundir elementos mais pesados    do que o C e o O, j&aacute; que seus n&uacute;cleos continuam a contrair-se    e suas temperaturas centrais continuam a crescer. A taxa de queima &eacute;    acelerada em fun&ccedil;&atilde;o da evolu&ccedil;&atilde;o do n&uacute;cleo.    Mas, existe um limite para esse processo de queima?</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Uma estrela massiva, em fase terminal, &eacute; composta por    v&aacute;rias camadas onde ocorrem rea&ccedil;&otilde;es de fus&atilde;o de    elementos. De fato, a queima de um dado elemento no n&uacute;cleo tem como consequ&ecirc;ncia    sua escassez local, seguida ent&atilde;o da contra&ccedil;&atilde;o - portanto    aquecimento -, e come&ccedil;o da fus&atilde;o do elemento que foi sintetizado    na queima anterior. Esse processo continua. A cada uma dessas fases descritas    a temperatura central cresce mais, acelerando a taxa de rea&ccedil;&otilde;es    nucleares e produzindo press&atilde;o que permite que o n&uacute;cleo contrabalance    a contra&ccedil;&atilde;o gravitacional. A estrutura interna de nossa estrela    terminal &eacute; tal que, de fora para dentro, tem-se uma camada de H inerte,    seguida de v&aacute;rias camadas mais internas nas quais H, He, C, O, Ne (ne&ocirc;nio),    Mg (magn&eacute;sio) e Si (sil&iacute;cio) est&atilde;o sendo fundidos em elementos    mais pesados e, por fim, surge um n&uacute;cleo de Fe (ferro). &Eacute; interessante    notar que, como os tempos em que cada um desses elementos s&atilde;o produzidos    depende da massa, uma estrela de 20M.O funde hidrog&ecirc;nio por mil anos,    h&eacute;lio por 10<sup>6</sup>anos, carbono por 10<sup>3</sup> anos, oxig&ecirc;nio    por um ano e sil&iacute;cio por uma semana. A "estabilidade" de seu n&uacute;cleo    de ferro dura menos de que 24 horas!</font></p>     <p><font size="3">A <small>VIT&Oacute;RIA DA GRAVIDADE</small></font></p>     <p><font size="3">Devido ao fato de que a fus&atilde;o nuclear que envolve o Fe    n&atilde;o produz energia, a estrela n&atilde;o poder&aacute; voltar a recuperar    seu estado de equil&iacute;brio. Jamais ser&aacute; capaz de, efetivamente,    como fez at&eacute; aqui, contrabalan&ccedil;ar a contra&ccedil;&atilde;o gravitacional.    Apesar de que a temperatura no n&uacute;cleo da estrela &eacute; de v&aacute;rios    10<sup>9</sup>K a gravidade supera a press&atilde;o interna e a estrela colapsa    definitivamente.</font></p>     <p><font size="3">Na verdade, ao inv&eacute;s de produzir energia com a fus&atilde;o    do ferro, o que ocorre no n&uacute;cleo &eacute; a foto-desintegra&ccedil;&atilde;o    desse elemento em outros mais leves, at&eacute; que s&oacute; sobre pr&oacute;tons    e n&ecirc;utrons. Esse processo n&atilde;o apenas n&atilde;o produz, mas consome    parte da energia t&eacute;rmica do n&uacute;cleo, assim esfriando-o e acelerando    o colapso. O n&uacute;cleo composto somente de el&eacute;trons (e), pr&oacute;tons    (p), n&ecirc;utrons (n) e f&oacute;tons, comprimidos a alt&iacute;ssimas densidades,    &eacute; capaz de, unindo p+e, produzir n+ muitos outros neutrinos. Esses neutrinos    facilmente escapam do n&uacute;cleo (pois praticamente n&atilde;o interagem    com a mat&eacute;ria) levando parte da energia deste. Dessa forma, a densidade    continua crescendo no n&uacute;cleo e - &agrave; semelhan&ccedil;a do que ocorreu    com os el&eacute;trons do n&uacute;cleo das gigantes vermelhas e das an&atilde;s    brancas -, atinge a degeneresc&ecirc;ncia, nesse caso, dos n&ecirc;utrons. As    densidades envolvidas podem chegar a ser de 10<sup>17</sup> ou 10<sup>18</sup>    kg/m<sup>3</sup>. Como o n&uacute;cleo j&aacute; n&atilde;o pode ser mais comprimido    toda a mat&eacute;ria que continua caindo gravitacionalmente ser&aacute; expelida    de volta, de maneira super violenta. Forma-se uma onda de choque que &eacute;    expelida e leva consigo toda a mat&eacute;ria das camadas adjacentes. O evento    &eacute; t&atilde;o energ&eacute;tico que pode produzir, por alguns dias, luminosidades    superiores &agrave;quelas das gal&aacute;xias que hospedam tal estrela massiva.    Esse &eacute; o evento conhecido como explos&atilde;o de uma supernova (<a href="#f3">figura    3</a>). A energia gerada nesse processo (desde a explos&atilde;o at&eacute;    que ela deixe de brilhar) pode ser equivalente &agrave; energia irradiada pelo    Sol durante toda a sua vida. Mais contundente ainda &eacute; a energia emitida    na forma de neutrinos, podendo chegar a ser cem vezes o valor acima. A estrela    que existia antes da explos&atilde;o &eacute;, normalmente, chamada de a estrela    progenitora da supernova.</font></p>     <p><a name="f3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n4/12f03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">O<small>S DOIS TIPOS DE SUPERNOVAS</small></font></p>     <p><font size="3">Algumas supernovas quase n&atilde;o possuem hidrog&ecirc;nio,    enquanto outras o possuem em abund&acirc;ncia. Na verdade, dois tipos de supernovas    podem ser identificados n&atilde;o s&oacute; devido ao seu conte&uacute;do de    hidrog&ecirc;nio, mas tamb&eacute;m pelas suas curvas de luz (ou seja, a forma    na qual a luminosidade cai com o passar do tempo). Assim: as supernovas tipo    I s&atilde;o pobres em hidrog&ecirc;nio e t&ecirc;m queda de luminosidade mais    acentuada (r&aacute;pida); as supernovas tipo II possuem grande quantidade de    H e suas luminosidades caem de forma mais suave, menos abrupta.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Existem raz&otilde;es muito &oacute;bvias para esses dois tipos    de supernovas. Para falar delas teremos que adicionar &agrave; nossa descri&ccedil;&atilde;o    da morte estelar o fato de que nem todas as estrelas evoluem isoladamente; parte    delas est&aacute; em sistemas bin&aacute;rios. Sua morte ser&aacute;, ou n&atilde;o,    influenciada por esse fato, a depender da dist&acirc;ncia que separa as duas    estrelas. A an&atilde; branca -, uma estrela j&aacute; morta -, que descrevemos    antes, pode, de fato, "voltar &agrave; vida" por ter uma acompanhante pr&oacute;xima.    Uma an&atilde; branca que tem como companheira suficientemente pr&oacute;xima    uma estrela da SP ou uma gigante, pode atrair/transferir massa (H e He) desta    para si. A queda de mat&eacute;ria na an&atilde; branca faz com que ela volte    a aquecer-se e cres&ccedil;a em densidade. Ao atingir 10<sup>7</sup>K a an&atilde;    volta a queimar hidrog&ecirc;nio, mas de forma r&aacute;pida e violenta, o que    aumenta muito sua luminosidade e a estrela que j&aacute; estava morta volta    a brilhar. A estrela que passa por esse processo &eacute; conhecida como nova,    apesar de que, na verdade, se trata de uma estrela j&aacute; bem velhinha, quase    morta, a bem da verdade, ressuscitada.</font></p>     <p><font size="3">Algo similar explica a exist&ecirc;ncia de supernovas tipo I.    Na verdade, essas adv&eacute;m do fato de que as novas podem n&atilde;o expelir    todo o material que recebem da companheira. Como o processo de nova pode ser    recorrente, a cada novo evento mais material &eacute; acumulado pela an&atilde;    branca. Mesmo considerando que o equil&iacute;brio da an&atilde; branca vem    da press&atilde;o dos el&eacute;trons degenerados, h&aacute; um limite de massa    para que o n&uacute;cleo possa manter esse equil&iacute;brio (1,4M.O). Ao ultrapassar    essa massa a an&atilde; fica inst&aacute;vel e colapsa. Isso leva ao aumento    da temperatura e &agrave; igni&ccedil;&atilde;o do h&eacute;lio formando carbono.    Essa fus&atilde;o ocorre, quase simultaneamente, em todas as zonas da estrela,    e ela explode como supernova. Por essa raz&atilde;o, as supernovas tipo I quase    n&atilde;o possuem hidrog&ecirc;nio. Ao contr&aacute;rio, na explos&atilde;o    de supernovas tipo II parte consider&aacute;vel do material que &eacute; expelido    &eacute; composto de H e He das camadas externas, tornando esse tipo de supernova    rico em hidrog&ecirc;nio. Em termos da quantidade de energia liberada na explos&atilde;o,    ambos os tipos s&atilde;o similares.</font></p>     <p><font size="3">E, por &uacute;ltimo, devemos frisar mais uma importante diferen&ccedil;a    entre esses dois tipos de supernovas. Bem como as an&atilde;s brancas (ou negras)    s&atilde;o o destino final das estrelas de baixa massa, ainda que pare&ccedil;a    estranho, as supernovas do tipo II deixam sobreviver um caro&ccedil;o estelar,    que s&atilde;o as estrelas de n&ecirc;utrons. Isso &eacute; assim porque a violenta    onda de choque que leva &agrave; explos&atilde;o supernova se d&aacute; a partir    das paredes do n&uacute;cleo de n&ecirc;utrons degenerados, deixando-o intacto.    De novo, &agrave; semelhan&ccedil;a das an&atilde;s brancas e das nebulosas    planet&aacute;rias, as supernovas tipo II produzem tanto um ejeta brilhante,    que vai se dissipando no meio interestelar - o remanescente da supernova (<a href="#f3">figura    3</a>) - , quanto um caro&ccedil;o estelar extremamente denso e inerte - a estrela    de n&ecirc;utrons. As supernovas tipo I, &eacute; claro, tamb&eacute;m produzem    o remanescente nebular, mas acredita-se que n&atilde;o deixem caro&ccedil;o    estelar algum.</font></p>     <p><font size="3">Para fechar nosso desfile com todo o <i>glamour</i> que essas    velhinhas merecem, ter&iacute;amos que discutir, em detalhe, os pulsares (estrelas    de n&ecirc;utrons com alta rota&ccedil;&atilde;o e intensos campos magn&eacute;ticos    - vistos rapidamente na apresenta&ccedil;&atilde;o a este N&uacute;cleo Tem&aacute;tico)    e os buracos negros estelares (tema de outro artigo desta edi&ccedil;&atilde;o    sobre astronomia). Aqui, s&oacute; resta esperar que os tenhamos convencido    de que, pelo menos, quando de estrelas se trata, as rainhas da passarela s&atilde;o    as velhinhas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b><i>Denise R. Gon&ccedil;alves</i></b> <i>&eacute; professora    adjunta do Observat&oacute;rio do Valongo, da Universidade Federal do Rio de    Janeiro (UFRJ)</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>SUGEST&Otilde;ES PARA LEITURA</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">Arany-Prado, Lilia Irmeli. <i>&Agrave; luz das estrelas: ci&ecirc;ncia    atrav&eacute;s da astronomia</i>. Editora DP&amp;A, Rio de Janeiro. 2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">Chung, K. C. <i>Vamos falar de estrelas?</i> Editora Uerj. 2000.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">Chaisson, E. &amp; McMillan, S. <i>Astronomy today</i>. Editora    Prentice Hall, Upper Saddle River, New Jersey. 2000.</font> ]]></body><back>
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