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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Buracos negros supermassivos: os monstros que se escondem no centro das galáxias]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n4/artigos.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><b><font size=5>BURACOS NEGROS SUPERMASSIVOS: OS MONSTROS    QUE SE ESCONDEM NO CENTRO DAS GAL&Aacute;XIAS</font></b>    <br> </p>     <p align="center"><font size="3"><b>Thaisa Storchi Bergmann</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size=5>A </font></b><font size="3">astrof&iacute;sica moderna mostrou,    no s&eacute;culo XX, que os <i>buracos negros</i> deixaram de ser somente uma    bizarra previs&atilde;o da teoria da relatividade geral. Sua presen&ccedil;a    tem sido detectada em sistemas estelares duplos e no n&uacute;cleo de gal&aacute;xias,    atrav&eacute;s do seu forte campo gravitacional. No caso das gal&aacute;xias,    eles s&atilde;o necess&aacute;rios para explicar as enormes quantidades de energia    que emanam dos chamados "n&uacute;cleos ativos de gal&aacute;xias".</font></p>     <p><font size="3">Podemos definir um buraco negro como sendo uma regi&atilde;o    do espa&ccedil;o na qual o campo gravitacional &eacute; t&atilde;o intenso que    nada escapa dele, nem mesmo a luz. O buraco negro &eacute; delimitado pelo chamado    Horizonte de Eventos, que &eacute; a superf&iacute;cie na qual a velocidade    de escape &eacute; igual &agrave; da luz. O nome buraco negro (BN daqui para    frente) se deve justamente ao fato de que nada sai de dentro dele, nem mesmo    a radia&ccedil;&atilde;o eletromagn&eacute;tica. O raio do Horizonte de Eventos    &eacute; o Raio de Schwarszchild, R<sub>Sch</sub> em homenagem ao astrof&iacute;sico    que derivou a sua express&atilde;o: R<sub>Sch</sub>=GM/c<sup>2</sup>, onde <i>G</i>    &eacute; a constante da gravita&ccedil;&atilde;o, <i>M</i> &eacute; a massa    do BN e <i>c</i> a velocidade da luz. Note que a &uacute;nica vari&aacute;vel    na express&atilde;o de R<sub>Sch</sub> &eacute; a massa do BN, e R<sub>Sch</sub>    &eacute; proporcional ao seu valor. Para a Terra, R<sub>Sch</sub> &eacute; de    somente 9 mm, e para o Sol &eacute; 3 km, ou seja, para transformarmos a Terra    e o Sol em BNs, ter&iacute;amos que comprim&iacute;r sua massa dentro de 9 mm    e 3 km, respectivamente!</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3">TIPOS PRINCIPAIS DE BNS </font></b><font size="3">Os BNs    estelares s&atilde;o o fim da evolu&ccedil;&atilde;o de uma estrela com muita    massa, da ordem de dez vezes ou mais a massa do Sol. Uma estrela massiva, ao    evoluir, vai sintetizando no seu interior n&uacute;cleos at&ocirc;micos sucessivamente    maiores (mais massivos) do que o n&uacute;cleo de h&eacute;lio, como carbono,    oxig&ecirc;nio, nitrog&ecirc;nio e assim por diante. Essa s&iacute;ntese, que    ocorre no n&uacute;cleo da estrela, libera a energia necess&aacute;ria para    que a estrela sustente suas camadas externas em contraposi&ccedil;&atilde;o    &agrave; grande atra&ccedil;&atilde;o gravitacional que tenderia a colapsar    a estrela. Por&eacute;m, ap&oacute;s a s&iacute;ntese de n&uacute;cleos de ferro,    as rea&ccedil;&otilde;es nucleares n&atilde;o liberam mais energia, e assim,    a estrela deixa de ter a press&atilde;o necess&aacute;ria para sustentar as    camadas externas e sofre uma implos&atilde;o. Essas camadas caem sobre o n&uacute;cleo,    pressionando-o de tal forma que ele se transforma em um buraco negro e as camadas    externas s&atilde;o expelidas com viol&ecirc;ncia, numa explos&atilde;o de supernova.    Esse tipo de supernova &eacute; de tipo II. Em uma supernova de tipo I, que    evolui num sistema duplo de estrelas bem pr&oacute;ximas entre si, uma transfere    massa para a outra at&eacute; provocar, nesta &uacute;ltima, a explos&atilde;o    de supernova, que d&aacute; assim tamb&eacute;m origem a um BN.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Os BNs supermassivos existem no n&uacute;cleo das gal&aacute;xias,    e s&atilde;o detectados pela influ&ecirc;ncia gravitacional que exercem sobre    as estrelas e/ou nuvens de g&aacute;s na sua vizinhan&ccedil;a. Mesmo antes    de serem detectados gravitacionalmente, sua presen&ccedil;a foi inferida pelas    enormes quantidades de energia que emanam dos n&uacute;cleos de gal&aacute;xias    ativas (<a href="#f1">figura 1</a>), como os quasares. Nesses objetos, a pot&ecirc;ncia    luminosa, muitas vezes, excede a pot&ecirc;ncia combinada de todas as estrelas    da gal&aacute;xia, o que indica a presen&ccedil;a de uma fonte de energia n&atilde;o    estelar. Ocorre que os BNs s&atilde;o uma eficiente "m&aacute;quina" de produzir    energia, atrav&eacute;s da transforma&ccedil;&atilde;o da energia potencial    gravitacional da mat&eacute;ria que cai dentro dele em luminosidade e energia    cin&eacute;tica de jatos e ventos produzidos num disco de acre&ccedil;&atilde;o    (<a href="#f1">figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="f1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n4/13f01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Enquanto que a massa dos BNs estelares &eacute; tipicamente    cinco a dez vezes a massa do Sol, os BNs supermassivos t&ecirc;m massas que    variam de um milh&atilde;o a um bilh&atilde;o de vezes a massa do Sol. A partir    de observa&ccedil;&otilde;es do movimento coletivo das estrelas no n&uacute;cleo    de gal&aacute;xias pr&oacute;ximas com o telesc&oacute;pio espacial Hubble,    os astr&ocirc;nomos chegaram &agrave; conclus&atilde;o de que a maioria das    gal&aacute;xias que cont&eacute;m um bojo estelar (estrutura esferoidal em torno    do centro das gal&aacute;xias), como as gal&aacute;xias espirais e el&iacute;pticas,    cont&ecirc;m um BN supermassivo no seu centro. Por volta do ano 2000, concluiu-se    que a massa do BN central &eacute; proporcional &agrave; massa do bojo (1),    sendo da ordem de um mil&eacute;simo do seu valor, o que levou &agrave; conclus&atilde;o    que os BN supermassivos evoluem juntamente com as gal&aacute;xias: &agrave;    medida que o bojo cresce, o BN tamb&eacute;m cresce.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3">ATIVIDADE NUCLEAR EM GAL&Aacute;XIAS </font></b><font size="3">Um    BN supermassivo no centro de uma gal&aacute;xia pode ficar quiescente, se n&atilde;o    houver mat&eacute;ria suficientemente pr&oacute;xima para ser capturada. A mat&eacute;ria    ser&aacute; capturada se estrelas ou nuvens de g&aacute;s passarem a uma dist&acirc;ncia    do BN menor do que o raio de mar&eacute;. Quando isso ocorre, forma-se um disco    de acre&ccedil;&atilde;o em torno do BN, a partir da mat&eacute;ria capturada.    &Agrave; medida que o material do disco vai caindo em dire&ccedil;&atilde;o    ao centro da gal&aacute;xia, o disco se aquece e se torna luminoso (principalmente    no ultravioleta, raios-X e &oacute;tico) e observa-se que o n&uacute;cleo da    gal&aacute;xia se torna mais brilhante. Al&eacute;m de emitir radia&ccedil;&atilde;o,    o disco pode tamb&eacute;m perder mat&eacute;ria atrav&eacute;s de ventos e    jatos de part&iacute;culas relativ&iacute;sticas que saem da parte mais interna    do disco e que emitem, principalmente, em ondas de r&aacute;dio. Essas gal&aacute;xias,    em que se observa um n&uacute;cleo mais brilhante do que o usual e nas quais    se observam ventos e jatos em ondas de r&aacute;dio, s&atilde;o conhecidas como    gal&aacute;xias ativas, que podem ser definidas como sendo aquelas que est&atilde;o    na fase em que o BN supermassivo central est&aacute; engolindo mat&eacute;ria.    A <a href="#f1">figura 1</a> mostra uma imagem da gal&aacute;xia ativa Centaurus    A.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>A DIETA DE UM BN SUPERMASSIVO </b>Para uma gal&aacute;xia    se tornar ativa, &eacute; necess&aacute;rio alimentar o BN central. J&aacute;    sabemos que isso se d&aacute; atrav&eacute;s de um disco de acre&ccedil;&atilde;o,    mas ainda n&atilde;o conhecemos bem a estrutura desses discos, nem como a mat&eacute;ria    chega at&eacute; ao centro da gal&aacute;xia para alimentar o disco.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Os primeiros modelos de discos de acre&ccedil;&atilde;o propunham    um disco de g&aacute;s fino, cujo espectro eletromagn&eacute;tico seria resultado    da emiss&atilde;o de um g&aacute;s com temperatura que decresce com dist&acirc;ncia    ao BN central. Esse modelo reproduz bem a distribui&ccedil;&atilde;o de energia    dos n&uacute;cleos mais ativos, como os quasares, que est&atilde;o a grandes    dist&acirc;ncias, correspondentes a uma idade do universo de cerca de 1/10 da    atual, &eacute;poca em que as gal&aacute;xias estavam formando muitas estrelas,    pois tinham um grande reservat&oacute;rio de g&aacute;s, bem como os seus BNs    centrais. Entretanto, ao estudarmos gal&aacute;xias ativas mais pr&oacute;ximas    (universo presente), verificamos que na maioria delas a luminosidade do n&uacute;cleo    &eacute; bem mais baixa, e, para esses casos, a estrutura da acre&ccedil;&atilde;o    parece ser um disco espesso na parte interna, conhecido como Adaf (sigla em    ingl&ecirc;s para Advection Dominated Accretion Flow) (2), que ocorrem quando    a taxa de acre&ccedil;&atilde;o de massa pelo BN &eacute; pequena. Esse modo    de acre&ccedil;&atilde;o parece dominar no universo presente, &eacute;poca em    que a maior parte do g&aacute;s nas gal&aacute;xias j&aacute; formou estrelas,    restando pouco g&aacute;s para alimentar o BN. Em alguns casos, esses discos    espessos parecem estar circundados por um disco ou anel fino. A presen&ccedil;a    desse anel fino &eacute; inferida a partir da emiss&atilde;o de linhas de hidrog&ecirc;nio    largas e de pico duplo, assinatura da rota&ccedil;&atilde;o do g&aacute;s no    anel, como observamos a partir do n&uacute;cleo da gal&aacute;xia pr&oacute;xima    NGC 1097 (3). Observamos, assim, a assinatura cinem&aacute;tica da presen&ccedil;a    dos discos em torno dos BN supermassivos. Nossos trabalhos recentes com esses    objetos t&ecirc;m nos permitido entender melhor os mecanismos f&iacute;sicos    e a estrutura desses discos (2;3), bem como medir as taxas de acre&ccedil;&atilde;o    de mat&eacute;ria ao BN central.</font></p>     <p><font size="3">Uma outra quest&atilde;o ainda n&atilde;o resolvida &eacute;    <i>como a mat&eacute;ria que vem das partes mais externas da gal&aacute;xia    chega at&eacute; o disco de acre&ccedil;&atilde;o</i>, j&aacute; que, no processo,    essa mat&eacute;ria (g&aacute;s) tem que perder momentum angular o que n&atilde;o    &eacute; f&aacute;cil de acontecer no rarefeito espa&ccedil;o interestelar.    Al&eacute;m disso, observa&ccedil;&otilde;es &oacute;ticas e no infravermelho    que permitem o estudo da cinem&aacute;tica de g&aacute;s ionizado no entorno    dos n&uacute;cleos, s&atilde;o dominadas pela forte emiss&atilde;o do g&aacute;s    ionizado dos ventos e jatos provenientes do disco de acre&ccedil;&atilde;o,    o que mascara a emiss&atilde;o mais fraca do g&aacute;s que se desloca em dire&ccedil;&atilde;o    ao centro da gal&aacute;xia. Uma nova gera&ccedil;&atilde;o de instrumentos,    chamados de espectr&oacute;grafos de campo integral, t&ecirc;m permitido uma    busca mais eficiente da assinatura cinem&aacute;tica de escoamentos de g&aacute;s    em dire&ccedil;&atilde;o ao centro. Com esses instrumentos, instalados nos telesc&oacute;pios    Gemini, temos conseguido mapear a cinem&aacute;tica em duas dimens&otilde;es    do g&aacute;s ionizado (4) e tamb&eacute;m de g&aacute;s molecular (5), que    revelam fluxos de g&aacute;s se movendo com velocidades de dezenas de quil&ocirc;metros    por segundo em dire&ccedil;&atilde;o ao centro das gal&aacute;xias. Nossas observa&ccedil;&otilde;es    t&ecirc;m revelado que esse escoamento se d&aacute; atrav&eacute;s de estruturas    espirais nucleares (6), ilustradas na <a href="#f2">figura 2</a>, que parecem    ser choques no g&aacute;s interestelar, permitindo a perda de momentum angular    do g&aacute;s e seu deslocamento em dire&ccedil;&atilde;o ao centro da gal&aacute;xia.</font></p>     <p><a name="f2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n4/13f02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3">PROCESSOS DE <i>FEEDBACK </i></font></b><font size="3">Os    jatos e ventos emanados do disco de acre&ccedil;&atilde;o, bem como a energia    emitida constituem processos de <i>feedback</i> do n&uacute;cleo ativo sobre    o entorno dos n&uacute;cleos das gal&aacute;xias e sobre o meio intergal&aacute;ctico.    Os jatos e ventos podem inibir o crescimento das gal&aacute;xias, pois freiam    a deposi&ccedil;&atilde;o de mat&eacute;ria que ocorre no cen&aacute;rio hier&aacute;rquico    de evolu&ccedil;&atilde;o do universo (o mais aceito atualmente), no qual as    gal&aacute;xias v&atilde;o crescendo devido &agrave; acre&ccedil;&atilde;o de    g&aacute;s e/ou de colis&otilde;es com gal&aacute;xias da vizinhan&ccedil;a.    De fato, t&ecirc;m-se verificado que a inclus&atilde;o desses processos &eacute;    fundamental para evitar um crescimento exagerado das gal&aacute;xias nos modelos    cosmol&oacute;gicos. A quantifica&ccedil;&atilde;o desses processos de <i>feedback</i>    &eacute;, portanto, fundamental para entender a evolu&ccedil;&atilde;o das gal&aacute;xias.    Atrav&eacute;s das observa&ccedil;&otilde;es de espectroscopia de campo integral    com o telesc&oacute;pio Gemini, temos conseguido mapear os campos de velocidades    dos ventos emanados de n&uacute;cleos ativos pr&oacute;ximos, nos quais podemos    resolver espacialmente o g&aacute;s emissor de linhas espectrais. Verificamos    a presen&ccedil;a de ventos que se estendem a centenas de anos-luz de dist&acirc;ncia    do n&uacute;cleo, com velocidades de v&aacute;rias centenas de quil&ocirc;metros    por segundo, e medimos taxas de eje&ccedil;&atilde;o de mat&eacute;ria que s&atilde;o    de dez a cem vezes maiores do que as taxas de acre&ccedil;&atilde;o estimadas    para os discos de acre&ccedil;&atilde;o, as quais s&atilde;o da ordem de um    mil&eacute;simo de massa solar por ano. Os valores para a taxa de acre&ccedil;&atilde;o    s&atilde;o obtidos a partir da luminosidade observada do n&uacute;cleo ativo.    Se o vento que observamos fosse o emanado a partir do disco de acre&ccedil;&atilde;o,    ter&iacute;amos que obter taxas de eje&ccedil;&atilde;o de mat&eacute;ria menores    do que a taxa de acre&ccedil;&atilde;o (n&atilde;o pode sair mais massa do que    est&aacute; entrando). Como a taxa de eje&ccedil;&atilde;o &eacute; bem maior,    conclui-se que o vento observado &eacute;, na verdade, g&aacute;s do entorno    do n&uacute;cleo empurrado pelos ventos do disco de acre&ccedil;&atilde;o, que    devem ter velocidades n&atilde;o de centenas, mas de muitos milhares de quil&ocirc;metros    por segundo. Esses ventos n&atilde;o podem ser resolvidos espacialmente devido    &agrave;s pequenas dimens&otilde;es dos discos de acre&ccedil;&atilde;o, de    cerca de horas-luz. Mas mesmo sendo pouco massivos, esses ventos cedem energia    cin&eacute;tica a uma maior massa de g&aacute;s do entorno do n&uacute;cleo,    produzindo os ventos observados em escalas de centenas de anos-luz, que podem    ent&atilde;o ser resolvidos (7).</font></p>     <p><font size="3">Temos estudado tamb&eacute;m os processos de <i>feedback</i>    produzidos por jatos de part&iacute;culas relativ&iacute;sticas originados no    n&uacute;cleo de gal&aacute;xias el&iacute;pticas situadas no centro de aglomerados    de gal&aacute;xias, que t&ecirc;m g&aacute;s intergal&aacute;ctico quente, emissor    de raios-X (8). Esses jatos atingem dist&acirc;ncias mil vezes maiores do que    dos ventos discutidos acima, e depositam grandes quantidades de energia no meio    intergal&aacute;ctico, o que &eacute; observado atrav&eacute;s de cavidades    observadas em mapas de raios-X dos aglomerados. Essa energia &eacute; t&atilde;o    grande, que &eacute; preciso um jato muito poderoso para ger&aacute;-la. Conclu&iacute;mos    que, para que o n&uacute;cleo ativo possa liberar toda a energia necess&aacute;ria    para produzir as cavidades, precisamos extrair energia n&atilde;o s&oacute;    da acre&ccedil;&atilde;o de mat&eacute;ria, mas tamb&eacute;m do <i>spin</i>    (ou seja, da rota&ccedil;&atilde;o do buraco negro). Por conserva&ccedil;&atilde;o    de momentum angular, espera-se, de fato, que o BN tenha um <i>spin</i>, mas    o que conclu&iacute;mos &eacute; que, n&atilde;o s&oacute; ele tem que ter <i>spin</i>,    mas o seu valor tem que ser alto, pr&oacute;ximo ao valor m&aacute;ximo poss&iacute;vel,    que &eacute; aquele em que o Horizonte de Eventos gira com velocidade tangencial    igual &agrave; velocidade da luz. A <a href="#f3">figura 3</a> ilustra o processo.</font></p>     <p><a name="f3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n4/13f03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>CONCLUS&Otilde;ES </b>Os buracos negros supermassivos s&atilde;o    fant&aacute;sticos geradores de energia, transformando em pot&ecirc;ncia luminosa    e mec&acirc;nica toda a mat&eacute;ria que, por ventura, caia dentro deles.    O universo &eacute; o nosso laborat&oacute;rio para observar esses "geradores"    em a&ccedil;&atilde;o e, assim, obter estimativas de sua efici&ecirc;ncia e    o seu papel na evolu&ccedil;&atilde;o do universo. Ainda h&aacute; muito a descobrir    sobre eles. J&aacute; sabemos como medir a sua massa, observamos a energia emitida    e estamos aprendendo a medir tamb&eacute;m o seu <i>spin</i>. Para isso, pre--cisamos    de novos instrumentos, com mais resolu&ccedil;&atilde;o espacial, para podermos    resolver o seu entorno, bem como instrumentos sens&iacute;veis a altas energias,    como raios-X e gama, para medir o <i>spin</i>. Tamb&eacute;m precisamos entender    melhor a sua evolu&ccedil;&atilde;o, observando os confins do universo, onde    (e quando) eles foram formados, o que s&oacute; ser&aacute; poss&iacute;vel    com instrumentos novos, maiores e mais sens&iacute;veis. Por isso, &eacute;    essencial continuarmos a investir em instrumenta&ccedil;&atilde;o, como novos    telesc&oacute;pios espaciais, e interfer&ocirc;metros sobre a Terra. No Brasil,    a pesquisa sobre buracos negros supermassivos teve um grande impulso com a nova    instrumenta&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel aos astr&ocirc;nomos brasileiros    no s&eacute;culo XXI, constitu&iacute;da pelos telesc&oacute;pios Gemini e Soar.    N&atilde;o podemos perder a oportunidade de tentar participar tamb&eacute;m    de projetos futuros, como, por exemplo, o do LSST (sigla para Large Synoptic    Survey Telescope), que estar&aacute; situado na mesma montanha (Cerro Pach&oacute;n,    no Chile) onde se encontram o Soar e Gemini Sul, e do projeto Alma (Atacama    Large Milimetric Array), situado no deserto de Atacama, tamb&eacute;m no Chile,    j&aacute; descrito na apresenta&ccedil;&atilde;o deste N&uacute;cleo Tem&aacute;tico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><i><font size="3">Thaisa Storchi Bergmann</font></i></b> <font size="3"><i>&eacute;    professora associada do Departamento de Astronomia do Instituto de F&iacute;sica,    da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3">REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</font></b></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Ferrarese, L. &amp; Merrit, D. "A fundamental relation between    supermassive black holes and their host galaxies". <i>Astrophysical Journal    Letters</i>, Vol. 539, n.1, L9-L12. 2000.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">2. Nemmen, R. S.; Storchi-Bergmann, T.; Yuan, F.; Eracleous,    M.; Terashima, Y.; Wilson, A. S. "Radiactively inefficient accretion flow in    the nucleus of NGC 1097". <i>Astrophysical Journal</i>, Vol. 643, n.2, pp.652-659.    2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">3. Storchi-Bergmann, T.; Nemmen da Silva, R.; Eracleous, M.;    Halpern, J. P.; Wilson, A. S.; Filippenko, A. V.; Ruiz, M. T.; Smith, R. C.;    Nagar, N. M. "Evolution of the nuclear accretion disk emission in NGC 1097:    getting closer to the black hole". <i>Astrophysical Journal</i>, Vol. 598, n.2,    pp.956-968. 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">4. Fathi, K.; Storchi-Bergmann, T.; Riffel, R. A.; Winge, C.;    Axon, D. J.; Robinson, A.; Capetti, A.; Marconi, A. "Streaming motions toward    the supermassive black hole in NGC 1097". <i>Astrophysical Journal Letters</i>,    Vol. 641, n.1, L25-L28. 2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">5. Riffel, R. A.; Storchi-Bergmann, T.; Winge, C.; McGregor,    P. J.; Beck, T.; Schmitt, H. "Mapping of molecular gas inflow towards the Seyfert    nucleus of NGC4051 using Gemini NIFS". <i>Monthly Notices of the Royal Astronomical    Society</i>, Vol. 385, n.3, pp.1129-1142. 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">6. Sim&otilde;es Lopes, R. D.; Storchi-Bergmann, T.; de F&aacute;tima    Saraiva, M.; Martini, P. "A strong correlation between circumnuclear dust and    black hole accretion in early-type galaxies". <i>Astrophysical Journal</i>,    Vol. 655, n.2, pp.718-734. 2007.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">7. Barbosa, F.K.B.; Storchi-Bergmann, T.; Cid Fernandes, R.;    Winge, C.; Schmitt, H., "Gemini/GMOS IFU gas velocity 'tomography' of the narrow    line region of nearby active galaxies". <i>Notices of the Royal Astronomical    Society</i>, Vol. 396, n.1. 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">8. Nemmen, R. S.; Bower, R. G.; Babul, A. &amp; Storchi-Bergmann,    T. "Models for jet power in elliptical galaxies: A case for rapidly spinning    black holes". <i>Monthly Notices of the Royal Astronomical Society</i>, Vol.    377, n.4, pp.1652-1662. 2007.</font> ]]></body><back>
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