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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n4/artensai.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size=5>POR QUE &Eacute; NECESS&Aacute;RIO REGULAMENTAR A PUBLICIDADE    DE ALIMENTOS</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><i><font size="3">Carlos Augusto Monteiro; In&ecirc;s Rugani Ribeiro de    Castro</font></i></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Especialistas em sa&uacute;de e nutri&ccedil;&atilde;o admitem    que o r&aacute;pido crescimento mundial do consumo de alimentos processados,    amparado em sofisticadas estrat&eacute;gias de marketing desenvolvidas pelas    ind&uacute;strias multinacionais que controlam o setor, &eacute; uma das causas    importantes da epidemia global de obesidade, diabetes e outras doen&ccedil;as    cr&ocirc;nicas que, na atualidade, n&atilde;o poupa sequer crian&ccedil;as e    adolescentes (1). Em resposta a esse reconhecimento, v&aacute;rios pa&iacute;ses    t&ecirc;m adotado, ou estudam adotar, medidas legais para limitar a publicidade    de alimentos, seja proibindo a propaganda de determinados produtos considerados    n&atilde;o saud&aacute;veis, seja restringindo o hor&aacute;rio e o local de    sua veicula&ccedil;&atilde;o, ou, ainda, proibindo inteiramente qualquer publicidade    dirigida a crian&ccedil;as (2). Ap&oacute;s considerar as evid&ecirc;ncias sobre    a natureza, a extens&atilde;o e os efeitos da publicidade de alimentos dirigida    a crian&ccedil;as,(3) a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS)    preparou um conjunto de recomenda&ccedil;&otilde;es para orientar os governos    nacionais na regulamenta&ccedil;&atilde;o dessa atividade. As recomenda&ccedil;&otilde;es    ser&atilde;o discutidas por todos os pa&iacute;ses ao longo deste ano e submetidas    &agrave; vota&ccedil;&atilde;o em 2010 na Assembleia Mundial de Sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="3">Ainda de forma insuficiente, at&eacute; mesmo as ind&uacute;strias    de alimentos tem se movimentado no sentido de limitar a publicidade de seus    produtos. Em 2007, por exemplo, onze das maiores transnacionais do setor, incluindo    Coca-Cola, PepsiCo, Nestl&eacute;, Danone, Kellogg's, Kraft, Unilever e Burger    King, comprometeram-se com a Uni&atilde;o Europeia a n&atilde;o fazer propaganda    para crian&ccedil;as menores de 12 anos &#91;"exceto quando o produto atender    determinados crit&eacute;rios nutricionais"&#93; e a n&atilde;o se engajar em    comunica&ccedil;&otilde;es comerciais com escolas prim&aacute;rias &#91;"exceto    para prop&oacute;sitos educacionais, quando solicitada pelos administradores    das escolas ou com a aquiesc&ecirc;ncia desses"&#93; (4).</font></p>     <p><font size="3">Embora sejam muitos os ind&iacute;cios de que a publicidade    de alimentos processados dever&aacute; ser regulamentada em futuro pr&oacute;ximo    na maioria dos pa&iacute;ses, &agrave; semelhan&ccedil;a do que j&aacute; ocorre    com produtos criados para substituir o leite materno e com bebidas alco&oacute;licas    e tabaco, ainda h&aacute; aqueles que, por diferentes raz&otilde;es, resistem    ou mesmo se op&otilde;em a essa medida, seja por temerem preju&iacute;zos financeiros,    ou por discordarem de toda e qualquer regulamenta&ccedil;&atilde;o do setor    privado, acreditando que mais cedo ou mais tarde o pr&oacute;prio mercado resolver&aacute;    a quest&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3">Existem, tamb&eacute;m, os que se op&otilde;em &agrave; regulamenta&ccedil;&atilde;o    por julgarem ainda controversa a rela&ccedil;&atilde;o entre alimentos processados    e sa&uacute;de, ou que s&atilde;o contr&aacute;rios porque acreditam que o problema    poderia ser combatido de forma mais eficiente educando-se os consumidores. Outros,    enfim, veem na restri&ccedil;&atilde;o a alimentos processados a express&atilde;o    de um preconceito contra o progresso tecnol&oacute;gico. Este artigo pretende    aprofundar a reflex&atilde;o desses argumentos de forma a mostrar o qu&atilde;o    &eacute; imprescind&iacute;vel que a publicidade de alimentos se submeta a algum    tipo de regulamenta&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O primeiro elemento que trazemos para a discuss&atilde;o se    refere ao equ&iacute;voco de tratar alimentos industrializados como um grupo    homog&ecirc;neo no que se refere &agrave; sa&uacute;de humana. Alimentos cujo    processamento envolve limpeza, remo&ccedil;&atilde;o de partes n&atilde;o comest&iacute;veis,    fracionamento, pasteuriza&ccedil;&atilde;o, redu&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do    de gordura, refrigera&ccedil;&atilde;o, congelamento, desidrata&ccedil;&atilde;o    ou procedimentos similares conservam grande parte das propriedades nutricionais    do alimento original, al&eacute;m de aumentarem sua disponibilidade e, por vezes,    sua seguran&ccedil;a. Alimentos de alto valor nutricional como carnes, leite,    cereais, leguminosas, e mesmo frutas e hortali&ccedil;as s&atilde;o submetidos    usualmente a algum processamento industrial m&iacute;nimo antes de serem adquiridos    e consumidos pelos indiv&iacute;duos. Alimentos altamente processados como &oacute;leos    vegetais, farinhas e a&ccedil;&uacute;car, embora n&atilde;o conservem as propriedades    nutricionais dos alimentos integrais que lhes deram origem, n&atilde;o s&atilde;o    consumidos isoladamente pelos indiv&iacute;duos. Ao contr&aacute;rio, s&atilde;o    ingredientes culin&aacute;rios que facilitam a prepara&ccedil;&atilde;o de refei&ccedil;&otilde;es    feitas &agrave; base de alimentos integrais n&atilde;o processados ou minimamente    processados (5).</font></p>     <p><font size="3">O foco da regulamenta&ccedil;&atilde;o da publicidade de alimentos    est&aacute; no grupo de alimentos altamente processados que s&atilde;o disponibilizados    prontos (ou quase prontos) para o consumo. A essa categoria de alimentos, produzidos    majoritariamente por empresas transnacionais, pertencem produtos panificados,    biscoitos, bolos, sorvetes, gelatinas, "barras de cereal", doces em geral, embutidos,    molhos, "macarr&atilde;o instant&acirc;neo", sopas desidratadas, batata chips    e similares, refrigerantes e bebidas ado&ccedil;adas em geral, entre tantos    outros (5). A mat&eacute;ria-prima t&iacute;pica desses alimentos, aqui denominados    ultraprocessados, s&atilde;o ingredientes j&aacute; processados e de baixo valor    nutricional - como &oacute;leos, gorduras, farinhas, amido, a&ccedil;&uacute;car    e sal - acrescidos de conservantes, estabilizantes, flavorizantes e corantes.    Em face de sua condi&ccedil;&atilde;o de alimentos prontos, &eacute; comum que    sejam consumidos isoladamente ou acompanhados de outros alimentos do mesmo grupo:    por exemplo, p&atilde;es e embutidos, biscoitos e refrigerantes. Outros atributos    dos alimentos ultraprocessados, respons&aacute;veis por sua natureza intrinsecamente    n&atilde;o saud&aacute;vel, s&atilde;o expostos a seguir.</font></p>     <p><font size="3">Alimentos ultraprocessados tendem a apresentar concentra&ccedil;&otilde;es    de gordura, a&ccedil;&uacute;car e sal excessivas e prejudiciais &agrave; sa&uacute;de.    Essa condi&ccedil;&atilde;o foi comprovada por recente estudo do Instituto Brasileiro    de Defesa do Consumidor (Idec) sobre a composi&ccedil;&atilde;o nutricional    de 30 alimentos industrializados amplamente consumidos pela popula&ccedil;&atilde;o    brasileira, particularmente por crian&ccedil;as e adolescentes. O estudo demonstrou    que "bolinhos" e "salgadinhos" apresentavam conte&uacute;do de a&ccedil;&uacute;car,    gorduras e sal que excedia em v&aacute;rias vezes o m&aacute;ximo recomendado    para uma alimenta&ccedil;&atilde;o equilibrada e saud&aacute;vel (1). Uma &uacute;nica    por&ccedil;&atilde;o de alguns desses alimentos continha quase todo o sal, a&ccedil;&uacute;car    ou gordura saturada que uma crian&ccedil;a poderia consumir ao longo de todo    o dia. Al&eacute;m disso, a composi&ccedil;&atilde;o nutricional informada pela    ind&uacute;stria nas embalagens dos produtos nem sempre era fiel ao conte&uacute;do.    Mais ainda: sua publicidade envolvia procedimentos conden&aacute;veis e j&aacute;    n&atilde;o praticados pelas mesmas ind&uacute;strias multinacionais em outros    pa&iacute;ses, tais como o emprego de personagens famosos do universo infantil    e a presen&ccedil;a de "bichinhos" e outros brindes nas embalagens (6).</font></p>     <p><font size="3">O conte&uacute;do excessivo de a&ccedil;&uacute;car, gorduras    e sal n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica caracter&iacute;stica nociva &agrave;    sa&uacute;de dos alimentos ultraprocessados. Esses alimentos tendem a apresentar    tamb&eacute;m alta densidade energ&eacute;tica (grande quantidade de calorias    por volume de alimento) e escassez de fibras, caracter&iacute;sticas que, comprovadamente,    aumentam o risco de obesidade, diabetes, doen&ccedil;as cardiovasculares e mesmo    de certos tipos de c&acirc;ncer (1;7). Importa notar que tanto o excesso de    a&ccedil;&uacute;car, gorduras e sal quanto a alta densidade energ&eacute;tica    e a falta de fibras s&atilde;o atributos intr&iacute;nsecos dos alimentos ultraprocessados    na medida em que decorrem da natureza dos seus ingredientes (produtos altamente    refinados, em particular a&ccedil;&uacute;car e gordura vegetal) e da necessidade    de obter alimentos a um s&oacute; tempo prontos para consumo e com grande prazo    de validade (5).</font></p>     <p><font size="3">Diante da composi&ccedil;&atilde;o nutricional tipicamente n&atilde;o    saud&aacute;vel, as ind&uacute;strias desses alimentos t&ecirc;m respondido    com o lan&ccedil;amento de vers&otilde;es chamadas <i>light</i>, distantes de    constituir uma solu&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m de serem mais caros, com frequ&ecirc;ncia    apenas mudam a natureza do problema. Por exemplo, o excesso de gordura &eacute;    trocado por excesso de a&ccedil;&uacute;car e vice-versa. Outras vezes, apresentam    conte&uacute;do de s&oacute;dio ou de gordura inferior ao da vers&atilde;o original    do produto, mas ainda assim excessivo. H&aacute; ainda variedades de alimentos    ultraprocessados adicionadas de vitaminas e minerais, que n&atilde;o anulam    os atributos n&atilde;o saud&aacute;veis desses alimentos, mas que podem induzir    o consumidor a pensar que sim.</font></p>     <p><font size="3">Tanto vers&otilde;es tradicionais quanto vers&otilde;es <i>light</i>    dos alimentos ultraprocessados n&atilde;o s&atilde;o perec&iacute;veis (como    frutas e hortali&ccedil;as) e n&atilde;o demandam prepara&ccedil;&atilde;o ou    cozimento (como gr&atilde;os e carnes). Essas duas caracter&iacute;sticas justificam    os termos <i>convenience foods</i> ou <i>fast-foods</i> usualmente empregados    para denomin&aacute;-los. Ocorre que a "conveni&ecirc;ncia" e a "rapidez" propiciadas    por esses alimentos acabam por favorecer padr&otilde;es de alimenta&ccedil;&atilde;o    (substituir refei&ccedil;&otilde;es principais por lanches, comer fazendo outras    coisas, comer sem fome) que podem comprometer a capacidade de o organismo humano    "reconhecer" a ingest&atilde;o de calorias e regular o balan&ccedil;o energ&eacute;tico.    Esse efeito adverso adicional &eacute;, novamente, intr&iacute;nseco &agrave;    natureza dos alimentos ultraprocessados. Por&ccedil;&otilde;es gigantes, comuns    no caso da oferta de alguns alimentos ultraprocessados, e dietas com elevada    participa&ccedil;&atilde;o de "calorias l&iacute;quidas", propiciadas pelo consumo    frequente de refrigerantes e bebidas ado&ccedil;adas em geral, podem igualmente    comprometer o balan&ccedil;o de energia, havendo evid&ecirc;ncias de que aumentem    efetivamente o risco de obesidade (8;9).</font></p>     <p><font size="3">Alimentos ultraprocessados s&atilde;o produtos que parecem &uacute;nicos    ao consumidor. Nessa medida, comportam o registro de marcas, essencial para    viabilizar estrat&eacute;gias de mar-keting de largo alcance. Essa condi&ccedil;&atilde;o,    aliada ao reduzido custo de mat&eacute;rias-primas e &agrave; possibilidade    quase infinita de cria&ccedil;&atilde;o e recria&ccedil;&atilde;o de novos produtos    em escala global, explica por que os investimentos em marketing das empresas    transnacionais de alimentos est&atilde;o concentrados em alimentos ultraprocessados.    Investimentos milion&aacute;rios em marketing, com procedimentos n&atilde;o    &eacute;ticos como os encontrados no estudo do Idec, ajudam a entender por que    o consumo desses alimentos &eacute;, infelizmente, o que mais cresce no Brasil    e, de modo geral, em todo o mundo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>MARKETING PARA BAIXA RENDA </b>Uma estrat&eacute;gia de marketing    recente, adotada com grande sucesso por transnacionais de alimentos, envolve    o desenvolvimento de ultraprocessados especialmente destinados a consumidores    de baixa renda de pa&iacute;ses emergentes, ou <i>popularly positioned products</i>,    na linguagem da empresa l&iacute;der do setor. Essa estrat&eacute;gia inclui    a fortifica&ccedil;&atilde;o com vitaminas e minerais de produtos como biscoitos,    macarr&atilde;o instant&acirc;neo, sopas desidratadas e bebidas l&aacute;cteas,    a comercializa&ccedil;&atilde;o desses alimentos em "embalagens econ&ocirc;micas"    (por exemplo, pacotes de biscoitos com tr&ecirc;s ou quatro unidades), a cria&ccedil;&atilde;o    de novos canais de comercializa&ccedil;&atilde;o (como a venda porta a porta    ou em centros comunit&aacute;rios) e a utiliza&ccedil;&atilde;o de vendedores    recrutados na pr&oacute;pria comunidade (10).</font></p>     <p><font size="3">O crescimento mundial da produ&ccedil;&atilde;o e consumo de    alimentos ultraprocessados tem gerado impactos desfavor&aacute;veis em dois    outros &acirc;mbitos cruciais para as sociedades humanas: o ambiente f&iacute;sico    e a cultura. No primeiro caso, em fun&ccedil;&atilde;o de que os m&eacute;todos    envolvidos na produ&ccedil;&atilde;o, embalagem, armazenamento e transporte    desses produtos implicam consumo de energia e de &aacute;gua, gera&ccedil;&atilde;o    de poluentes e impacto sobre o aquecimento do planeta muito maiores do que os    observados com os alimentos tradicionais. No segundo caso, devido &agrave; homogeneiza&ccedil;&atilde;o    dos repert&oacute;rios alimentares, ao abandono de rituais no preparo e partilha    de refei&ccedil;&otilde;es e &agrave; desvaloriza&ccedil;&atilde;o do comer    e do cozinhar como pr&aacute;ticas sociais carregadas de simbolismo, significado,    hist&oacute;ria e identidade coletiva. Obras recentes examinam em detalhe os    efeitos que a globaliza&ccedil;&atilde;o da alimenta&ccedil;&atilde;o tem exercido    sobre o ambiente (11) e sobre as culturas alimentares tradicionais (12).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O crescimento do setor de alimentos industrializados prontos    para consumo &eacute; amplamente confirmado no Brasil pelas pesquisas de or&ccedil;amento    familiar do IBGE. Estudo que comparou pesquisas realizadas em 1995/6 e 2002/3    indica aumentos de 100 a 200% na participa&ccedil;&atilde;o de produtos como    biscoitos, embutidos e refrigerantes e redu&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica    na fatia correspondente a alimentos tradicionais como feij&atilde;o, arroz,    leite, frutas e verduras (13). Entretanto, a participa&ccedil;&atilde;o de alimentos    ultraprocessados na dieta brasileira ainda &eacute; muito inferior &agrave;    encontrada em pa&iacute;ses desenvolvidos e mesmo em outros pa&iacute;ses em    desenvolvimento, onde a cultura alimentar <i>fast-food</i> j&aacute; predomina    amplamente sobre a cultura alimentar tradicional. Isso evidencia o potencial    de expans&atilde;o que a ind&uacute;stria de alimentos tem no Brasil, ao mesmo    tempo em que aponta para a necessidade e a urg&ecirc;ncia da interven&ccedil;&atilde;o    p&uacute;blica.</font></p>     <p><font size="3">A experi&ecirc;ncia internacional mostra que apenas informar    as pessoas n&atilde;o &eacute; suficiente para frear o crescimento da cultura    alimentar <i>fast-food</i>. Essa estrat&eacute;gia se mostrou totalmente ineficaz    nos pa&iacute;ses desenvolvidos. Claro que a a&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica    tampouco deve se restringir a limitar a publicidade dos alimentos n&atilde;o    saud&aacute;veis. Op&ccedil;&otilde;es alimentares saud&aacute;veis precisam    ser simultaneamente incentivadas, apoiadas e protegidas.</font></p>     <p><font size="3">Campanhas p&uacute;blicas que forne&ccedil;am informa&ccedil;&otilde;es    corretas sobre alimenta&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de e que esclare&ccedil;am    os v&iacute;nculos existentes entre op&ccedil;&otilde;es alimentares, ambiente    e cultura certamente incentivar&atilde;o os indiv&iacute;duos a dar prefer&ecirc;ncia    a alimentos frescos ou minimamente processados. Entretanto, a concretiza&ccedil;&atilde;o    dessa prefer&ecirc;ncia ocorrer&aacute; de forma maci&ccedil;a apenas se a op&ccedil;&atilde;o    por esses alimentos for apoiada e protegida. O apoio a op&ccedil;&otilde;es    saud&aacute;veis de alimenta&ccedil;&atilde;o depender&aacute; essencialmente    de pol&iacute;ticas fiscais e de abastecimento que aumentem o acesso da popula&ccedil;&atilde;o    a alimentos frescos ou minimamente processados. Embora n&atilde;o sejam as &uacute;nicas    alternativas para a prote&ccedil;&atilde;o de op&ccedil;&otilde;es saud&aacute;veis    de alimenta&ccedil;&atilde;o, leis e regulamenta&ccedil;&otilde;es que diminuam    a exposi&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o ao marketing de alimentos    industrializados prontos para consumo s&atilde;o imprescind&iacute;veis.</font></p>     <p><font size="3">Desde novembro de 2006, o Brasil disp&otilde;e de um excelente    instrumento regulat&oacute;rio que limitaria eficazmente a publicidade de alimentos    n&atilde;o saud&aacute;veis. Esse instrumento, elaborado pela Ag&ecirc;ncia    Nacional de Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria (Anvisa), entre outras provid&ecirc;ncias,    pro&iacute;be qualquer publicidade no meio escolar de produtos aliment&iacute;cios    com alto teor de a&ccedil;&uacute;car, sal ou gorduras n&atilde;o saud&aacute;veis,    interdita o uso de personagens infantis e a distribui&ccedil;&atilde;o de brindes,    restringe ao hor&aacute;rio noturno a exibi&ccedil;&atilde;o de pe&ccedil;as    publicit&aacute;rias daqueles produtos no r&aacute;dio e na televis&atilde;o    e obriga o uso de frases de advert&ecirc;ncia como j&aacute; ocorre com a propaganda    de medicamentos(14).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>RESTRI&Ccedil;&Atilde;O APROVADA </b>Durante consulta p&uacute;blica,    promovida pela Anvisa entre novembro de 2006 e mar&ccedil;o de 2007, o instrumento    de regulamenta&ccedil;&atilde;o recebeu apoio e sugest&otilde;es de aperfei&ccedil;oamento    de sociedades cient&iacute;ficas, de associa&ccedil;&otilde;es profissionais,    de organiza&ccedil;&otilde;es de consumidores e da sociedade civil em geral,    mas foi duramente criticado por representantes da ind&uacute;stria de alimentos    e do setor de empresas de publicidade, sob o argumento principal de que feria    a liberdade de express&atilde;o comercial dos anunciantes. Em 20 de agosto &uacute;ltimo,    a Anvisa promoveu a audi&ecirc;ncia p&uacute;blica final necess&aacute;ria para    a aprova&ccedil;&atilde;o do texto legal que passou a regulamentar a publicidade    de alimentos no Brasil. Houve, novamente, apoio maci&ccedil;o da sociedade civil    e oposi&ccedil;&atilde;o ferrenha dos representantes da ind&uacute;stria de    alimentos e do setor de empresas de publicidade. Cinco dias ap&oacute;s, as    filiais brasileiras das maiores transnacionais do setor de alimentos prontos    para consumo decidiram estender para o Brasil o compromisso de redu&ccedil;&atilde;o    de publicidade dirigida a crian&ccedil;as que assumiram com os pa&iacute;ses    europeus em 2007. Compromissos j&aacute; t&iacute;midos na Europa, foram ainda    mais enfraquecidos no Brasil: a restri&ccedil;&atilde;o da publicidade s&oacute;    valer&aacute; para "inser&ccedil;&otilde;es publicit&aacute;rias em televis&atilde;o,    r&aacute;dio, m&iacute;dia impressa ou internet que tenham 50% ou mais de audi&ecirc;ncia    constitu&iacute;-da por crian&ccedil;as de menos de 12 anos" e a n&atilde;o    realiza&ccedil;&atilde;o de promo&ccedil;&otilde;es comerciais em escolas, a    exemplo das inser&ccedil;&otilde;es publicit&aacute;rias, s&oacute; valer&aacute;    para produtos que atendam crit&eacute;rios que "ser&atilde;o adotados espec&iacute;fica    e individualmente pelas empresas signat&aacute;rias". No Brasil, os compromissos    envolvem ainda a inser&ccedil;&atilde;o no "material publicit&aacute;rio e promocional"    das empresas de mensagens que estimulem "a ado&ccedil;&atilde;o de alimenta&ccedil;&atilde;o    balanceada e/ou a realiza&ccedil;&atilde;o de atividades f&iacute;sicas", estrat&eacute;gia    de marketing usada h&aacute; bastante tempo pelas ind&uacute;strias na tentativa    de associar sua marca e seus produtos com sa&uacute;de e bem-estar.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>Carlos Augusto Monteiro</b> <i>&eacute; professor titular    do Departamento de Nutri&ccedil;&atilde;o da Faculdade de Sa&uacute;de P&uacute;blica    da USP e membro da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias e In&ecirc;s Rugani    Ribeiro de Castro &eacute; professora adjunta do Instituto de Nutri&ccedil;&atilde;o    da Uerj e coordenadora do GT Alimenta&ccedil;&atilde;o e Nutri&ccedil;&atilde;o    da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o    em Sa&uacute;de Coletiva.</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. World Health Organization. <i>Diet, nutrition and the prevention    of chronic diseases</i>. Report of a Joint WHO/FAO Expert Consultation. &#91;WHO    Technical Report Series 916&#93;. Geneva: WHO, 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">2. Hawkes C. <i>Marketing food to children: changes in the global    regulatory environment 2004-2006</i>. Geneva: WHO, 2007. Dispon&iacute;vel em    <i><a href="http://www.who.int/dietphysicalactivity/regulatory_environment_CHawkes07.pdf" target="_blank">www.who.int/dietphysicalactivity/regulatory_environment_CHawkes07.pdf</a></i>    (acesso em 19/08/2009).    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">3. World Health Organization. Marketing of food and non-alcoholic    beverages to children: report of a WHO forum and technical meeting, Oslo, Norway,    2-5 May 2006. Geneva: WHO, 2006. <i><a href="http://www.who.int/dietphysicalactivity/publications/Oslo%20meeting%20layout%2027%20NOVEMBER.pdf" target="_blank">www.who.int/dietphysicalactivity/publications/Oslo%20meeting%20layout%2027%20NOVEMBER.pdf</a></i>    (acesso em 19/08/2009).    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">4. EU Pledge. Food and drink companies pledge to change advertising    to children. <i><a href="http://www.eu-pledge.eu/press.php?id=1" target="_blank">www.eu-pledge.eu/press.php?id=1</a></i>    (acesso em 19/08/2009).    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">5. Monteiro C.A. "Nutrition and health. The issue is not food,    nor nutrients, so much as processing". Invited Commentary. <i>Public Health    Nutrition</i> 2009; 12 (5): 729-731.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">6. Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor. "Al&eacute;m    da conta". <i>Revista do Idec</i>, Fevereiro 2009. p. 16-21. Dispon&iacute;vel    em <i><a href="http://www.idec.org.br/rev_idec_texto2.asp?pagina=1&ordem=1&id=962" target="_blank">www.idec.org.br/rev_idec_texto2.asp?pagina=1&amp;ordem=1&amp;id=962</a></i>    (acesso em 19/08/2009).    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">7. World Cancer Research Fund/American Institute for Cancer    Research (2009). <i>Policy and action for cancer prevention. food, nutrition,    and physical activity: a global perspective</i>. Washington, DC: AICR.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">8. Kelly, M.T. e outros. "Associations between the portion sizes    of food groups consumed and measures of adiposity in the British National Diet    and Nutrition Survey". <i>British Journal of Nutrition</i> 2009; 101: 1413-1420.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">9. Ludwig, D.S., Peterson, K.E., Gortmaker, S.L.. "Relation    between consumption of sugar-sweetened drinks and childhood obesity: a prospective,    observation analysis". <i>Lancet</i> 2001; 357: 505-508.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">10. Nestl&eacute; S.A. Creating Shared Value Report 2008, pp    60-69. Dispon&iacute;vel em <i><a href="http://www.nestle.com/Resource.axd?Id=10E71FF5-1D5C-461E-8199-5B6B6386A3CE" target="_blank">www.nestle.com/Resource.axd?Id=10E71FF5-1D5C-461E-8199-5B6B6386A3CE</a></i>    .    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">11. Roberts, P.. <i>O fim dos alimentos</i>. S&atilde;o Paulo,    Editora Campus/Elsevier, 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">12. Contreras Hern&aacute;ndez, J., Gracia Arn&aacute;iz, M.    <i>Alimentaci&oacute;n y cultura: perspectivas antropol&oacute;gicas</i>. Barcelona:    Editora Ariel, 2005.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">13. Levy-Costa, R.B. e outros. "Disponibilidade domiciliar de    alimentos no Brasil: distribui&ccedil;&atilde;o e evolu&ccedil;&atilde;o (1974-2003)".    <i>Revista de Sa&uacute;de P&uacute;blica</i> 2005; 39: 530-40.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">14. Ag&ecirc;ncia Nacional de Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria.    Consulta P&uacute;blica nº 71, de 10 de novembro de 2006. D.O.U. de 13/11/2006.    <i><a href="http://www4.anvisa.gov.br/base/visadoc/CP/CP%5B16556-1-0%5D.PDF" target="_blank">www4.anvisa.gov.br/base/visadoc/CP/CP%5B16556-1-0%5D.PDF</a></i>    (acesso em 19/08/2009).</font> ]]></body><back>
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