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</front><body><![CDATA[ <p><b><font size=5>WOODSTOCK</font></b></p>     <p><b><font size="3">40 <small>ANOS DO FESTIVAL QUE MARCOU A M&Uacute;SICA E AS    GERA&Ccedil;&Otilde;ES</small></font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n4/21f01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Eles n&atilde;o queriam causar grande sensa&ccedil;&atilde;o,    preferiam morrer antes de ficarem velhos. De cabelos compridos e vestindo cal&ccedil;as    jeans, eles ouviam rock e a m&uacute;sica, mais do que entretenimento, era um    instrumento de contesta&ccedil;&atilde;o, de mudan&ccedil;a social e pol&iacute;tica.    E mudou. Uma das principais manifesta&ccedil;&otilde;es desse movimento aconteceu    no Woodstock Music &amp; Art Fair ou, simplesmente Festival de Woodstock, que    aconteceu h&aacute; 40 anos, no ver&atilde;o de 1969, na pequena e at&eacute;    ent&atilde;o desconhecida cidade de Bethel, estado de Nova York. Era para ser    um encontro para afirmar a cultura hippie, celebrar a paz e o amor e protestar    contra a Guerra do Vietn&atilde; (1959-1975), mas se tornou um dos marcos culturais    do s&eacute;culo XX. Realizado com boa dose de improviso, inclusive no nome,    o plano era que o encontro ocorresse na cidade de Woodstock, que durasse s&oacute;    tr&ecirc;s dias, que n&atilde;o chovesse torrencialmente, que os m&uacute;sicos    seguissem o programa estabelecido, ao inv&eacute;s de tocarem noite adentro,    mas apesar disso, ou por causa disso, o festival causou, sim, muita sensa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3">Para Emiliano Rivello, soci&oacute;logo e pesquisador da Universidade    de Bras&iacute;lia, o festival representou um marco cultural e simb&oacute;lico    para as gera&ccedil;&otilde;es posteriores. Revolucionou n&atilde;o somente    a forma do artista cantar e compor, sua performance no palco, mas tamb&eacute;m    os h&aacute;bitos culturais da sociedade norte-americana. Woodstock deve ser    compreendido dentro de um contexto hist&oacute;rico espec&iacute;fico em que    os Estados Unidos se defrontavam com a segrega&ccedil;&atilde;o social e racial,    com a revolu&ccedil;&atilde;o feminista e com uma guerra para a qual milhares    de seus jovens iam, para n&atilde;o mais voltar. "O festival &eacute; a base    de um processo sociocultural que se desenrola por anos nessa sociedade de maneira    conflituosa e se materializa ou tem seu desfecho metaforicamente na presen&ccedil;a    de um p&uacute;blico &aacute;vido por mudan&ccedil;as estruturais", diz ele.    "O rock'n roll adquire um grau de legitimidade que acaba por catalisar os ideais    da contracultura, por meio de uma mensagem musical engajada e contestat&oacute;ria",    continua.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>IND&Uacute;STRIA CULTURAL </b>Nos anos 1960, mais do que    m&uacute;sica, o rock era uma atitude, um modo de ver o mundo. Na d&eacute;cada    seguinte, no entanto, na euforia de vendas da ind&uacute;stria fonogr&aacute;fica,    o rock foi, pouco a pouco, tornando-se mais produto comercializ&aacute;vel do    que mensagem ideol&oacute;gica de protesto. "Pode-se dizer que a ind&uacute;stria    cultural obliterou, em certos aspectos, os ritmos ideol&oacute;gicos que embalavam    o movimento rock'n roll, caracterizado pelo protesto e pela cr&iacute;tica &agrave;    cultura, substituindo-os por novos elementos como, por exemplo, a fragmenta&ccedil;&atilde;o    dos estilos (rock progressivo, heavy metal, new wave), para serem explorados    comercialmente", afirma Rivello. Os anos 1980 assistiram a definitiva convers&atilde;o    do rock &agrave; cena da ind&uacute;stria cultural. "Isso n&atilde;o significa    que, vez por outra, os pr&oacute;prios jovens consumidores n&atilde;o fa&ccedil;am    uso criativo e inesperado do pop-rock ofertado pela ind&uacute;stria cultural,    ou mesmo que criem circuitos alternativos de m&uacute;sica independente como    as tend&ecirc;ncias do punk e do heavy metal", acredita Lu&iacute;s Antonio    Groppo, professor do Centro Universit&aacute;rio Salesiano de S&atilde;o Paulo    e pesquisador de movimentos estudantis.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>NOVAS CONQUISTAS </b>Para ele a cultura hip-hop, no qual    se inclui o rap, tem suas origens ligada &agrave; autenticidade perdida pelo    rock, como express&atilde;o de jovens negros urbanos: seus problemas, seus desejos,    suas cr&iacute;ticas sociopol&iacute;ticas. "Parte da cena hip-hop, hoje, tem    algo dessa autenticidade; parte importante, entretanto, em especial aquela levada    adiante pelos principais setores da ind&uacute;stria cultural, trocaram a politiza&ccedil;&atilde;o    pela ode ao consumo, as imagens de den&uacute;ncia pelas imagens sensuais. N&atilde;o    consigo entrever, no momento, alguma tend&ecirc;ncia de m&uacute;sica juvenil,    com maior express&atilde;o, com elementos contestadores e revolucion&aacute;rios;    mesmo que haja, entretanto, s&oacute; iremos conhec&ecirc;-la, provavelmente,    quando ele se tornar grande por demais, e n&atilde;o puder ser ignorado pelo    que pensa e faz a ind&uacute;stria cultural. Conhecemos e pensamos o que passa    pela ind&uacute;stria cultural, e hoje por l&aacute; n&atilde;o passa aquele    tipo de contesta&ccedil;&atilde;o e revolu&ccedil;&atilde;o que um dia Woodstock    anunciou e vendeu", afirma Groppo.</font></p>     <p><font size="3">"Penso que a gera&ccedil;&atilde;o de 1960 lutou por seus ideais    com base na matriz cultural daquela &eacute;poca. A gera&ccedil;&atilde;o de    hoje se defronta com outra realidade", aponta Emiliano Rivello. Para ele, no    contexto atual, a juventude n&atilde;o tem como prop&oacute;sito a luta por    direitos. No entanto, alguns locais, momentos e bandas podem propiciar a interioriza&ccedil;&atilde;o    de valores e sentimentos pol&iacute;ticos. "Em grandes espet&aacute;culos musicais    como os do U2 ou da Madonna, o bom senso &eacute; aproveitar porque, como diria    um dos grandes cr&iacute;ticos da ind&uacute;stria cultural, o fil&oacute;sofo    frankfurtiano Theodor Adorno: 'A m&uacute;sica n&atilde;o deve olhar a sociedade    com um horror desesperado'", finaliza.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>OUTROS VALORES </b>O Festival de Woodstock foi reeditado    em 1994 e em 1999, por&eacute;m sem a repercuss&atilde;o da primeira edi&ccedil;&atilde;o,    em 1969. O motivo disso &eacute; que a matriz cultural que estruturava o movimento    hippie, o punk ou o rock'n roll havia se modificado. Na verdade a percep&ccedil;&atilde;o    sociocultural da sociedade norte-americana seria composta por novos ideais.    "&Eacute; a cultura que estrutura a sociedade, e n&atilde;o o contr&aacute;rio",    pontua Rivello. "N&atilde;o se pode transpor acontecimentos culturais, pol&iacute;ticos    ou religiosos de uma &eacute;poca espec&iacute;fica para outra", diz. Um exemplo,    segundo ele, seria a m&uacute;sica de Geraldo Vandr&eacute;, <i>Para n&atilde;o    dizer que n&atilde;o falei das flores,</i> vista como can&ccedil;&atilde;o engajada    nos anos da ditadura e hoje esquecida pela ind&uacute;stria do disco e pelo    p&uacute;blico. "No caso das vers&otilde;es posteriores de Woodstock, os elementos    fundantes do festival original ganharam uma nova interpreta&ccedil;&atilde;o:    a guerra &eacute; vista hoje como parte de uma pol&iacute;tica expansionista    necess&aacute;ria e ben&eacute;fica; as mulheres ocupam cargos de prest&iacute;gio;    os conflitos raciais encontram terreno espec&iacute;fico para debate", conclui.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>IND&Uacute;STRIA CULTURAL FICOU DE FORA DE WOODSTOCK </b>Woodstock    surpreendeu porque esperava reunir bem menos pessoas. Foram vendidos cerca de    180 mil ingressos, mas diante do intenso fluxo de pessoas chegando &agrave;    fazenda onde o evento estava acontecendo, os organizadores decidiram torn&aacute;-lo    gratuito. A multid&atilde;o fez sua pr&oacute;pria m&uacute;sica, experimentou    sexo, drogas, compartilhou comida, convivendo por tr&ecirc;s dias com sujeira,    lama e falta de estrutura. "Woodstock foi pensado como um evento lucrativo.    Era a irresist&iacute;vel comunh&atilde;o entre pop-rock e a ind&uacute;stria    cultural. Mas a multid&atilde;o, em sua criatividade e ilus&otilde;es, fez parecer    que 1969 era o ano zero de uma nova civiliza&ccedil;&atilde;o", conta Lu&iacute;s    Antonio Groppo. "Transformado em filme, o festival recuperou facilmente os lucros    perdidos com a derrubada das cercas. A ind&uacute;stria cultural n&atilde;o    deixou de vencer e absorver, pouco a pouco, a criatividade juvenil expressa    na m&uacute;sica pop-rock do final dos anos 1970", finaliza.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Patr&iacute;cia Mariuzzo</i></font></p>      ]]></body>
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