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</front><body><![CDATA[ <p><b><font size=5>PATRIM&Ocirc;NIO CULTURAL</font></b></p>     <p><b>G<small>UIAS HIST&Oacute;RICO-TUR&Iacute;STICOS BUSCAM IDENTIDADE E ATRATIVOS    NACIONAIS</small></b></p>     <p><b></b></p>     <p><font size="3">A cria&ccedil;&atilde;o de um guia hist&oacute;rico-cultural    deveria ser a primeira a&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas    interessadas na promo&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o de seu patrim&ocirc;nio.    Eles cumprem um papel importante n&atilde;o apenas para o incremento do turismo    em determinada regi&atilde;o ou pa&iacute;s, mas, principalmente, na forma&ccedil;&atilde;o    da identidade de sua popula&ccedil;&atilde;o. "&Eacute; uma forma de seus moradores    conhecerem a pr&oacute;pria hist&oacute;ria, dos bens culturais que marcam o    seu passado, e definem suas origens", considera a pesquisadora italiana Anna    Cipparonne, respons&aacute;vel pelo guia hist&oacute;rico-art&iacute;stico da    regi&atilde;o de Cosenza, na Calabria.</font></p>     <p><font size="3">"Um povo que bem se conhece e ama a sua hist&oacute;ria &eacute;    um povo que consegue se propor aos outros". Anna acrescenta que embora sua cidade    tenha rico patrim&ocirc;nio hist&oacute;rico como a maioria das cidades italianas,    Cosenza n&atilde;o dispunha at&eacute; 2008 de um guia desse tipo, com base    em apurada pesquisa cient&iacute;fica, mas numa linguagem acess&iacute;vel a    todos. "Nem para os cosentinos nem para os turistas".</font></p>     <p><font size="3">No Brasil, esse tipo de publica&ccedil;&atilde;o come&ccedil;a    a ficar mais frequente. "N&atilde;o existe uma defini&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica    para um guia tur&iacute;stico-hist&oacute;rico-cultural. Por pressuposto, ele    deve oferecer informa&ccedil;&otilde;es sobre um determinado local, ressaltando    caracter&iacute;sticas predominantes sob o aspecto da cultura e da hist&oacute;ria,    eventualmente ilustrando com paisagens, informa&ccedil;&otilde;es sobre tradi&ccedil;&otilde;es    locais, op&ccedil;&otilde;es de compras e gastronomia", afirma Caio Luiz de    Carvalho, presidente da SP Turismo S/A, empresa de turismo e eventos da prefeitura    de S&atilde;o Paulo. Segundo ele, existem boas publica&ccedil;&otilde;es de    guias hist&oacute;rico-culturais no pa&iacute;s, entretanto, destaca Carvalho,    existem diferen&ccedil;as entre o turismo brasileiro e o da Europa, mais pautado    na voca&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rico-cultural. "O turismo no Brasil tem    um perfil hist&oacute;rico rico, principalmente nas cidades do interior, mas    que acaba ficando concentrado na combina&ccedil;&atilde;o 'sol e praia' do Nordeste,    Rio de Janeiro e Sul, al&eacute;m do turismo de neg&oacute;cios e grandes eventos    culturais que acontecem em S&atilde;o Paulo", diz ele.</font></p>     <p><font size="3">Para Jos&eacute; Newton Coelho Meneses, do Departamento de Hist&oacute;ria    da Universidade Federal de Minas Gerais, guias hist&oacute;rico-culturais tamb&eacute;m    devem dar subs&iacute;dios para a interpreta&ccedil;&atilde;o do atrativo hist&oacute;rico-cultural.    "Deveriam ser textos problematizadores das quest&otilde;es ou eventos a serem    visitados/conhecidos, mas raramente perseguem esse objetivo", explica ele, que    tamb&eacute;m &eacute; autor do livro <i>Hist&oacute;ria e turismo cultural</i>    (2004). Meneses considera que na Europa h&aacute; guias em profus&atilde;o porque    eles s&atilde;o motivados pela demanda diferenciada, pela excelente estrutura    da atividade tur&iacute;stica e pelo interesse dos governos em promover o turismo    como fator de desenvolvimento sustent&aacute;vel.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n4/23f01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Para Meneses, o principal objetivo desse perfil de publica&ccedil;&atilde;o    tur&iacute;stico-hist&oacute;rica &eacute; estimular a interpreta&ccedil;&atilde;o    criativa de quem v&ecirc; e nesse sentido incentivar o turismo e a preserva&ccedil;&atilde;o    dos locais visitados. "Pasteurizar a interpreta&ccedil;&atilde;o &eacute; empobrec&ecirc;-la.    Por isso, &#91;os guias&#93; deveriam ser produzidos por profissionais de diferentes    forma&ccedil;&otilde;es, com capacidade de promover o interesse e a cr&iacute;tica    interpretativa", conclui.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>EQUIPE MULTIDISCIPLINAR </b>H&aacute; no Brasil, iniciativas    privadas, como o <i>Guia Quatro Rodas Brasil</i>, com tiragem de 250 mil exemplares    e criado em 1966, que possui equipe interdisciplinar para a etapa de elabora&ccedil;&atilde;o,    embora a edi&ccedil;&atilde;o fique por conta de jornalistas e comunicadores.    Mas tamb&eacute;m existem publica&ccedil;&otilde;es que resultam da iniciativa    de institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, ligadas aos poderes locais ou    regionais como secretarias de cultura, turismo, como a S&atilde;o Paulo Turismo    (SPTuris). A empresa tem como meta promover a capital paulistana com foco no    turismo urbano e na cultura. Para isso disponibiliza em seu site na internet    uma s&eacute;rie de guias informativos em tr&ecirc;s idiomas (portugu&ecirc;s,    ingl&ecirc;s e espanhol). "Um resultado interessante desse trabalho foi a men&ccedil;&atilde;o    de S&atilde;o Paulo como um dos principais destinos tur&iacute;sticos urbanos    para 2009 no guia <i>Lonely Planet&acute;s Best Travel</i>, refer&ecirc;ncia    para viajantes do mundo todo. O argumento para esse m&eacute;rito foi a variedade    de experi&ecirc;ncias culturais e hist&oacute;ricas que a cidade oferece", conta    o presidente Caio Carvalho.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v61n4/23f02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Prova que os guias impressos t&ecirc;m vida longa &eacute; que,    apenas neste ano, a Editora Abril vai lan&ccedil;ar 58 novos t&iacute;tulos    para viajantes.</font></p>     <p><font size="3">Na mesma trilha comercial tamb&eacute;m est&aacute; a Publifolha,    do Grupo Folha. Os primeiros guias foram lan&ccedil;ados em 1995, com os t&iacute;tulos    Londres, Nova York, Paris e Roma. Segundo a editora respons&aacute;vel, Luciana    Maia, os roteiros s&atilde;o selecionados de acordo com a import&acirc;ncia    das atra&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas ou culturais de determinado destino,    o que coincide com a popularidade das atra&ccedil;&otilde;es. "Mas alguns guias    contemplam o contr&aacute;rio: os destinos menos conhecidos", diz ela.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>CONCORR&Ecirc;NCIA COM A INTERNET </b>O n&uacute;mero de    guias tur&iacute;sticos, hist&oacute;ricos e culturais tem crescido, mas a dissemina&ccedil;&atilde;o    dessa informa&ccedil;&atilde;o qualificada &eacute; bem incipiente no pa&iacute;s    e j&aacute; sofre com o avan&ccedil;o da internet, fonte de informa&ccedil;&otilde;es    tur&iacute;sticas preferida por 69% dos entrevistados, segundo pesquisa recente    do Minist&eacute;rio do Turismo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Luciana, da Publifolha, n&atilde;o v&ecirc; na internet um concorrente    direto para os guias impressos. "A busca de informa&ccedil;&otilde;es na internet    tem car&aacute;ter de pesquisa e, especialmente, para resolver quest&otilde;es    pr&aacute;ticas, pois muita gente agenda voos e hot&eacute;is por esse meio.    A maioria dos turistas se sente mais confort&aacute;vel com o guia na m&atilde;o,    pois a informa&ccedil;&atilde;o capturada na internet &eacute; muito fragmentada.    J&aacute; com o guia &eacute; diferente. Est&aacute; tudo ali, reunido e organizado    de forma a facilitar, ao m&aacute;ximo, a viagem", conclui.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3">TURISMO SOB PNEUS </font></b><font size="3">O Guia Michelin    foi criado pelos irm&atilde;os Edouard e Andr&eacute; Michelin, fundadores da    Compagnie G&eacute;n&eacute;rale d&ecirc;s &Eacute;tablissements Michelin, fabricante    de pneus. O objetivo dos industriais era facilitar a mobilidade dos motoristas    e, com isso, vender mais pneus. Era distribu&iacute;do gratuitamente nas oficinas    e revendedoras de pneus. No pref&aacute;cio do primeiro volume lia-se: "este    guia ter&aacute; uma edi&ccedil;&atilde;o a cada ano e fornecer&aacute; ao motorista    as informa&ccedil;&otilde;es &uacute;teis para abastecer e consertar seu carro,    tamb&eacute;m deve lhe permitir encontrar hospedagem e alimentar-se". Na Segunda    Guerra Mundial os soldados norte-americanos que desembarcaram na Normandia utilizaram    o Guia para facilitar seu avan&ccedil;o no territ&oacute;rio franc&ecirc;s ap&oacute;s    a liberta&ccedil;&atilde;o de Paris. Com a populariza&ccedil;&atilde;o dos pequenos    livros, a publica&ccedil;&atilde;o ultrapassa as fronteiras francesas e abre    caminho para uma nova cole&ccedil;&atilde;o de guias em outros pa&iacute;ses.    A preocupa&ccedil;&atilde;o em fornecer um bom guia de restaurantes deu origem    aos guias gastron&ocirc;micos Michelin e suas famosas e temidas estrelas da    boa mesa. Elas s&atilde;o o sonho (e o pesadelo) de todo chef que se preze.    O Guia Michelin Fran&ccedil;a 2009, em sua cent&eacute;sima edi&ccedil;&atilde;o    e publicado em franc&ecirc;s e ingl&ecirc;s, cont&eacute;m 26 restaurantes tr&ecirc;s    estrelas, 73 duas estrelas, 449 uma estrela e ainda 527 Bib gourmants, uma men&ccedil;&atilde;o    especial para estabelecimentos com uma excelente rela&ccedil;&atilde;o qualidade-pre&ccedil;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Patr&iacute;cia Mariuzzo</i></font></p>      ]]></body>
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