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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n1/tendenc.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size=5><b>Um olhar sobre os museus de ci&ecirc;ncia</b></font></p>     <P ALIGN="CENTER"><font size="3"><b><i>Luisa Massarani    <br>   Ildeu de Castro Moreira</i></b></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size=5><b>O</b></font><font size="3">s museus e centros de ci&ecirc;ncia    interativos surgiram no Brasil na d&eacute;cada de 1980. H&aacute; hoje cerca    de cem deles, a maioria de pequeno porte e com reduzida interatividade com o    p&uacute;blico. Nos EUA, onde o movimento de cria&ccedil;&atilde;o de tais museus    se iniciou em 1969, h&aacute; atualmente cerca de 400 museus de C&amp;T associados    &agrave; entidade que os congrega, a Association of Science&#45;Technology Centers.    Mas o n&uacute;mero &eacute; maior, numa atividade que movimenta cerca de um    bilh&atilde;o de d&oacute;lares. Mais recentemente surgiram iniciativas renovadoras    que atingiram museus tradicionais de hist&oacute;ria natural, jardins zool&oacute;gicos    e bot&acirc;nicos; eles buscaram se adaptar &agrave;s novas tecnologias, renovar    exibi&ccedil;&otilde;es e se tornar mais interativos.</font></P>     <p><font size="3">Em que medida experi&ecirc;ncias em curso nos EUA podem contribuir    para provocar a reflex&atilde;o, a renova&ccedil;&atilde;o e uma expans&atilde;o    quantitativa, e tamb&eacute;m em qualidade, de institui&ccedil;&otilde;es brasileiras    similares? Esta foi a pergunta que motivou uma s&eacute;rie de visitas t&eacute;cnicas    a museus de C&amp;T e a organiza&ccedil;&otilde;es relacionadas &agrave; divulga&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica nos EUA (1).</font></P>     <p><font size="3">Merece considera&ccedil;&atilde;o a an&aacute;lise da interatividade,    de sua intensidade e das diversas abordagens utilizadas nos museus. A interatividade    <I>a la</I> Exploratorium, que exerceu papel importante na renova&ccedil;&atilde;o    de museus de C&amp;T no mundo inteiro, ganhou novos contornos e enfrenta o desafio    de superar (ou melhor, de n&atilde;o se restringir a) a manipula&ccedil;&atilde;o    de experimentos interessantes, em geral provenientes da f&iacute;sica, mas relativamente    demarcados e programados; busca&#45;se agora, como no Explora (Albuquerque), uma    participa&ccedil;&atilde;o mais inventiva e criativa dos visitantes. O uso de    laborat&oacute;rios de pesquisa para os visitantes, dentro de alguns museus    de ci&ecirc;ncia, caminha tamb&eacute;m nessa dire&ccedil;&atilde;o; um ponto    a ser aqui considerado &eacute; que alguns desses laborat&oacute;rios s&atilde;o    financiados por empresas que podem determinar os experimentos a serem realizados    e influenciar nas conclus&otilde;es deles decorrentes. Outro desafio &eacute;    o de incorporar adequadamente nos museus interativos as novas tecnologias de    informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o (computadores, tel&otilde;es,    jogos eletr&ocirc;nicos, simula&ccedil;&otilde;es, internet etc) numa combina&ccedil;&atilde;o    que n&atilde;o se limite a uma interatividade fict&iacute;cia, mas que some    virtualidade com experimenta&ccedil;&atilde;o real. Neste contexto, em diversos    museus de hist&oacute;ria natural um interessante duelo hist&oacute;rico e conceitual    se revela entre o uso dos dioramas, que foram a modernidade e marcaram o imagin&aacute;rio    de v&aacute;rias gera&ccedil;&otilde;es de visitantes, com o uso desses recursos    modernos. Em alguns museus, ainda raros, j&aacute; se esbo&ccedil;a uma interatividade    no sentido de um maior engajamento do cidad&atilde;o em quest&otilde;es relevantes    de C&amp;T, que surgem nas complexas rela&ccedil;&otilde;es entre ci&ecirc;ncia,    tecnologia e sociedade, permeadas por escolhas pol&iacute;ticas e econ&ocirc;micas.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Uma estrat&eacute;gia adotada por diversos museus &eacute; oferecer    sempre novidades expositivas para o p&uacute;blico, visando motiv&aacute;&#45;lo    a retornar ao museu, em a&ccedil;&otilde;es que incluem: renovar por etapas    a exposi&ccedil;&atilde;o permanente do museu; desenvolver frequentemente exposi&ccedil;&otilde;es    tempor&aacute;rias; criar redes de interc&acirc;mbio para troca de exposi&ccedil;&otilde;es    com outros museus. Os custos altos das exposi&ccedil;&otilde;es fazem com que    sejam criadas estrat&eacute;gias para evitar falhas e minimizar investimentos.    &Eacute; comum o uso de prot&oacute;tipos nos est&aacute;gios iniciais de desenvolvimento    de exposi&ccedil;&otilde;es e m&oacute;dulos; isso permite testar m&oacute;dulos    que funcionam (ou n&atilde;o) e fornecer pistas de como aprimor&aacute;&#45;los.    O Museu de Hist&oacute;ria Natural de Nova York criou um setor que analisa a    viabilidade de uma exposi&ccedil;&atilde;o, incluindo enquetes com visitantes    e consulta aos setores do museu para avaliar se a exposi&ccedil;&atilde;o &eacute;    fact&iacute;vel do ponto de vista da atra&ccedil;&atilde;o de p&uacute;blico,    m&iacute;dia e patrocinadores.</font></P>     <p><font size="3">Um objetivo permanente &eacute; a amplia&ccedil;&atilde;o do    p&uacute;blico visitante; para isto se busca manter um leque amplo de atividades    interessantes e instigantes para o p&uacute;blico. Uma estrat&eacute;gia &eacute;    o desenvolvimento de iniciativas para as distintas faixas et&aacute;rias; em    particular, observa&#45;se a preocupa&ccedil;&atilde;o em atrair um maior n&uacute;mero    de adultos, j&aacute; que os museus s&atilde;o vistos usualmente como espa&ccedil;os    preferenciais para crian&ccedil;as e jovens. V&aacute;rios das institui&ccedil;&otilde;es    possuem espa&ccedil;os espec&iacute;ficos para crian&ccedil;as pequenas (de    2 a 7 anos). Diversas atividades paralelas, mas relacionadas com os objetivos    do museu, s&atilde;o uma fonte extra de atra&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;ada:    acampamentos de ver&atilde;o, programas p&oacute;s&#45;escola, programas de passar    a noite no museu, festas de anivers&aacute;rio criativas e atividades interativas    nas escolas. H&aacute;, por exemplo, eventos associados a festas como o Halloween:    o Zool&oacute;gico de St. Louis preparou atividades "assustadoras"    noturnas e o Exploratorium criou o "cemit&eacute;rio das ideias cient&iacute;ficas    mortas". A acessibilidade para pessoas com diversos tipos de defici&ecirc;ncia    f&iacute;sica tem sido uma preocupa&ccedil;&atilde;o louv&aacute;vel na sociedade    americana nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas e se reflete nas instala&ccedil;&otilde;es    f&iacute;sicas dos museus e na busca de atividades inclusivas.</font></P>     <p><font size="3">Na maior parte dos locais visitados, destaca&#45;se a import&acirc;ncia    dos mediadores: pessoas que fazem a interface entre o museu, suas exibi&ccedil;&otilde;es    e atividades e o p&uacute;blico. H&aacute; um leque de nomes dados &agrave;s    pessoas que atuam na media&ccedil;&atilde;o: educadores, interpretadores, explicadores    etc, refletindo tamb&eacute;m diferentes modelos conceituais sobre essa atividade.    Uma a&ccedil;&atilde;o considerada importante por todos &eacute; a forma&ccedil;&atilde;o    dos mediadores. H&aacute; uma diversidade de estrat&eacute;gias para isso, com    conte&uacute;dos distintos e tempos de forma&ccedil;&atilde;o bastante diferentes.    Dois aspectos a destacar: (i) Muitos museus valorizam particularmente os instrumentos    e m&eacute;todos de comunica&ccedil;&atilde;o que estimulam a a&ccedil;&atilde;o    e a reflex&atilde;o dos visitantes. Neste sentido, al&eacute;m de conte&uacute;dos    cient&iacute;ficos, os mediadores recebem forma&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica    para isso. (ii) A necessidade de se ter uma forma&ccedil;&atilde;o continuada    dos mediadores. Observam&#45;se vis&otilde;es e formatos diferenciados nas a&ccedil;&otilde;es    de media&ccedil;&atilde;o, entre eles explica&ccedil;&otilde;es, conversas,    teatro, experimentos, provoca&ccedil;&otilde;es ao visitante, <I>shows</I> de    ci&ecirc;ncia e demonstra&ccedil;&otilde;es. Variados instrumentos de comunica&ccedil;&atilde;o,    como computadores, &aacute;udio, tel&otilde;es, filmes (incluindo Imax, 3D)    s&atilde;o usados, por raz&otilde;es financeiras ou para oferecer maior diversidade    de op&ccedil;&otilde;es atrativas ao p&uacute;blico. O uso de &aacute;udio para    transmitir informa&ccedil;&otilde;es individualizadas, atrav&eacute;s de liga&ccedil;&otilde;es    feitas pelo visitante em seu celular, j&aacute; come&ccedil;a a ser feito. </font></P>     <p><font size="3">Nos EUA, a forte vis&atilde;o comercial facilita a sobreviv&ecirc;ncia    dos museus, al&eacute;m de outros fatores culturais e econ&ocirc;micos presentes    naquela sociedade. Mas a explora&ccedil;&atilde;o comercial exagerada leva a    uma exclus&atilde;o de setores economicamente menos privilegiados, embora sejam    comuns programas gratuitos para escolas e/ou fam&iacute;lias de baixa renda.    Uma fonte de renda frequente &#150; ao contr&aacute;rio do caso brasileiro emperrado    por entraves administrativos e burocr&aacute;ticos &#150; s&atilde;o as lojinhas    e lanchonetes. Em muitos museus a renda gerada por elas representa entre 30    e 50% do or&ccedil;amento global. A contribui&ccedil;&atilde;o financeira do    setor privado e de indiv&iacute;duos &eacute; significativa para consolidar    o or&ccedil;amento anual e nas iniciativas de expans&atilde;o. Fatores culturais    ajudam a entender esse cen&aacute;rio diverso do nosso. O primeiro deles &eacute;    o fato de que nos EUA os museus s&atilde;o socialmente valorizados como institui&ccedil;&otilde;es    culturais a serem apoiadas; e toda contribui&ccedil;&atilde;o ganha destaque    nos espa&ccedil;os de divulga&ccedil;&atilde;o dos museus, como placas e material    impresso. H&aacute;, ainda, est&iacute;mulos fiscais que permitem que empresas    e indiv&iacute;duos apoiem organiza&ccedil;&otilde;es culturais sem fins lucrativos    com investimentos dedut&iacute;veis de impostos. </font></P>     <p><font size="3">No cen&aacute;rio brasileiro, &eacute; importante que os pontos    aqui mencionados, entre outros, sejam discutidos pelos atores sociais envolvidos.    De alguns anos para c&aacute; observa&#45;se maior apoio aos museus e centros de    C&amp;T por parte dos setores p&uacute;blicos, em especial do governo federal    e de algumas ag&ecirc;ncias de fomento estaduais. O setor privado, no entanto,    quase nada fez nessa dire&ccedil;&atilde;o. A comunidade cient&iacute;fica e    educacional como um todo come&ccedil;a a ter mais sensibilidade para a import&acirc;ncia    das tarefas de divulga&ccedil;&atilde;o e educa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica.    H&aacute; que se transformar essas condi&ccedil;&otilde;es potencialmente favor&aacute;veis    em uma a&ccedil;&atilde;o mais articulada e consistente. Uma senda poss&iacute;vel    &eacute; o estabelecimento de um planejamento de longo prazo, em escala nacional,    para o desenvolvimento desses espa&ccedil;os no pa&iacute;s e que mobilize e    envolva os profissionais e as entidades da &aacute;rea, a comunidade cient&iacute;fica,    os &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos, bem como setores privados.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><i><b>Luisa Massarani</b> &eacute; doutora pela Universidade    Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dirige o Museu da Vida/Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz    e coordena o portal SciDev.Net/Am&eacute;rica Latina e Caribe (<a href="http://www.scidev.net" target="_blank">www.scidev.net</a>).    Email: </i><a href="mailto:nestudos@fiocruz.br">nestudos@fiocruz.br</a>    <br>   <i><b>Ildeu de Castro Moreira</b>    &eacute; professor de f&iacute;sica e hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia da UFRJ    e dirige o Departamento de Populariza&ccedil;&atilde;o e Difus&atilde;o da Ci&ecirc;ncia    e Tecnologia do Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia.</i></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>NOTA</b></font></P>     <p><font size="3">1. A viagem foi poss&iacute;vel gra&ccedil;as a Eisenhower    Fellowships (ver <a href="http://eisenhowerfello wships.org" target="_blank">http://eisenhowerfello    wships.org</a>). Leia mais sobre a viagem em <a href="http://www.museudavida.fiocruz.br/dc&#45;eua" target="_blank">www.museudavida.fiocruz.br/dc&#45;eua</a></font></P>      ]]></body>
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