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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n1/brasil.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n1/a05fig01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">R<SMALL>&Aacute;DIOS UNIVERSIT&Aacute;RIAS</small></font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v62n1/line_blk.gif"></P>     <P><font size="4"><b>Potencial a ser explorado para divulga&ccedil;&atilde;o da    ci&ecirc;ncia</b></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">No caminho para a escola ou o trabalho, seja no carro ou pelo    fone ligado ao celular guardado na mochila de quem anda de &ocirc;nibus ou de    bicicleta, o r&aacute;dio continua sendo um dos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o    mais presentes na vida dos brasileiros de todas as idades. E as emissoras de    r&aacute;dio abrigadas em universidades poderiam ser um importante canal a mais    para a divulga&ccedil;&atilde;o do conhecimento produzido no meio acad&ecirc;mico    para esse amplo e diversificado p&uacute;blico. Esse potencial, no entanto,    segundo estudos recentes, ainda &eacute; pouco ou mal explorado.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O Brasil tem, atualmente, 56 r&aacute;dios vinculadas a universidades,    das quais 31 s&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es privadas, 20 s&atilde;o    de universidades federais e 5 de universidades estaduais. Em Pernambuco, a federal    tem duas esta&ccedil;&otilde;es, uma AM e uma FM. No Rio Grande do Sul, as quatro    federais t&ecirc;m emissoras pr&oacute;prias, uma das quais &eacute; a mais    antiga do pa&iacute;s. Em 1950, o curso de engenharia da UFRGS inaugurou transmiss&otilde;es    que serviam como laborat&oacute;rio para atividades did&aacute;ticas. Embora    o reitor tivesse conseguido obter, dois anos depois, um sinal verde do ga&uacute;cho    Get&uacute;lio Vargas, ent&atilde;o na presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica,    para ter um canal de ondas m&eacute;dias, &eacute; apenas em 1957 que come&ccedil;a    a operar oficialmente a R&aacute;­dio Universidade na frequ&ecirc;ncia 1080    kHz, que ainda permanece.</font></P>     <p><font size="3">Em 2007, Sandra de Deus, professora da UFRGS e ex&#45;diretora da    r&aacute;dio, orientou um trabalho de monografia segundo o qual certos programas    que divulgam a produ&ccedil;&atilde;o da universidade t&ecirc;m como &uacute;nica    fonte o pr&oacute;prio pesquisador ou apenas reproduzem o que j&aacute; saiu    no portal da institui&ccedil;&atilde;o. E esses programas de car&aacute;ter    informativo s&atilde;o curtas inser&ccedil;&otilde;es intercaladas &agrave;    programa&ccedil;&atilde;o musical, dominada pela m&uacute;sica erudita: ela    ocupa 85% do tempo, nas transmiss&otilde;es. Segundo Sandra, a r&aacute;dio,    nesse caso, contempla apenas os ouvintes que j&aacute; s&atilde;o apreciadores    desse g&ecirc;nero musical e n&atilde;o tem nenhuma estrat&eacute;gia de penetra&ccedil;&atilde;o    para despertar o interesse entre ouvintes que n&atilde;o o conhecem.</font></P>     <p><font size="3">"Penso que esse deveria ser um ponto a ser colocado em    um plano de gest&atilde;o das r&aacute;dios universit&aacute;rias e desta (a    da UFRGS) especialmente. Quando dirigi a r&aacute;dio (no in&iacute;cio dos    anos 2000), fiz um plano de gest&atilde;o visando renovar a programa&ccedil;&atilde;o",    afirma. Ela cita o pesquisador mexicano Irving Berlin Villafa&ntilde;a que defende    o planejamento das r&aacute;dios universit&aacute;rias com base na audi&ecirc;ncia    e em suas demandas, mas diz que a pluralidade na programa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o    implica apenas em apresentar novas possibilidades musicais, e sim novos formatos    de programa jornal&iacute;stico. "H&aacute; alguns anos, depois de muita    resist&ecirc;ncia, consegui colocar no ar o programa <I>Motivos de campo</I>,    fruto de uma a&ccedil;&atilde;o de extens&atilde;o, sobre cultura ga&uacute;cha",    conta. Apesar de n&atilde;o estar mais no hor&aacute;rio nobre, como no in&iacute;cio,    o programa continua no ar at&eacute; hoje.</font></P>     <p><font size="3">Um estudo apresentado em setembro de 2009 no XXXII Congresso    Brasileiro de Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o, sobre a divulga&ccedil;&atilde;o    de ci&ecirc;ncia e tecnologia em r&aacute;dios universit&aacute;rias mineiras,    atribui &agrave; dificuldade or&ccedil;ament&aacute;ria das emissoras educativas    a falta de conhecimento sobre o seu p&uacute;blico e o que ele espera ouvir,    mas diz que &eacute; preciso vencer esse desafio. "O aspecto n&atilde;o    comercial dessas emissoras, muitas vezes, deixa em segundo plano a preocupa&ccedil;&atilde;o    com a audi&ecirc;ncia, diferente de uma emissora comercial que necessita desta    inclusive para fechar novos contratos publicit&aacute;rios", afirma Marta    Maia, professora da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), uma das co&#45;autoras    do trabalho.</font></P>     <p><font size="3">A maioria dos programas analisados nesse estudo, a exemplo do    que acontece nos informes cient&iacute;ficos da r&aacute;dio ga&uacute;cha,    t&ecirc;m como &uacute;nica fonte os pesquisadores da pr&oacute;pria universidade,    al&eacute;m de terem a predomin&acirc;ncia do formato tradicional de entrevista.    A exce&ccedil;&atilde;o, segundo o trabalho das pesquisadoras, &eacute; uma    edi&ccedil;&atilde;o do programa <I>Ufop Ci&ecirc;ncia</I> dedicada ao tema    da disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til, que usou o forr&oacute; <I>Ovo de    codorna</I>, de Luiz Gonzaga, como tema de fundo, e ouviu as perguntas e os    coment&aacute;rios de pessoas comuns, nas ruas, sobre o assunto. "A linguagem    radiof&ocirc;nica guarda uma rela&ccedil;&atilde;o direta entre conte&uacute;do    e forma, que, hoje, dado o avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico, &eacute; muito    t&ecirc;nue. O estigma de que tudo que se refere &agrave; ci&ecirc;ncia tem    que ser 's&eacute;rio' permeia boa parte das produ&ccedil;&otilde;es, que deixam,    muitas vezes, de levar em considera&ccedil;&atilde;o que algo pode ser s&eacute;rio    e informal ao mesmo tempo. Seriedade n&atilde;o implica em sisudez. Acho que    a falta de contexto, in&uacute;meras vezes, tamb&eacute;m pode ser respons&aacute;vel    por formatos convencionais", diz Marta.</font></P>     <p><font size="3">Se a restri&ccedil;&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria, por    um lado, impede a realiza&ccedil;&atilde;o de pesquisas para conhecimento do    p&uacute;blico e de suas demandas, esse n&atilde;o seria o problema para se    fazer programas que fujam do convencional e contemplem entrevistas com pessoas    de fora da universidade, segundo a pesquisadora da UFRGS. "J&aacute; teve    esse entrave no passado. Nos anos 1990, especialmente, essas r&aacute;dios foram    abandonadas pelas universidades. Hoje, elas n&atilde;o fazem (um jornalismo    plural) porque n&atilde;o querem. T&ecirc;m recurso e n&atilde;o t&ecirc;m pessoal    preparado para a execu&ccedil;&atilde;o do jornalismo", diz Sandra. "N&atilde;o    deveria ser assim, se pensarmos que a universidade &eacute; o lugar da heterogeneidade.    Infelizmente &eacute;, n&atilde;o por uma imposi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico&#45;administrativa,    mas por uma falta de vontade de todos. &Eacute; mais c&ocirc;modo", avalia.</font></P>     <p><font size="3">Marta Maia n&atilde;o apenas concorda como faz uma compara&ccedil;&atilde;o    entre a pluralidade no jornalismo e o pr&oacute;prio fazer cient&iacute;fico.    "H&aacute; que se considerar o contradit&oacute;rio no processo de produ&ccedil;&atilde;o    da informa&ccedil;&atilde;o, assim como no campo do conhecimento. Quando se    fala no aspecto contradit&oacute;rio, n&atilde;o se est&aacute; falando, necessariamente,    em elementos negativos, mas sim em aspectos que poderiam ser contemplados e    n&atilde;o o foram, ou ainda em outras pesquisas que levantam quest&otilde;es    pertinentes ao assunto". Para ela, o questionamento e a cr&iacute;tica    devem fazer parte n&atilde;o apenas do processo jornal&iacute;stico, mas, sobretudo,    do campo cient&iacute;fico, mas acabam sendo deixados de lado no momento de    divulga&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia. </font></P>     <p><font size="3">A pesquisadora mineira destaca que as novas tecnologias contribuem    para facilitar a pluralidade dos depoimentos. "&Eacute; poss&iacute;vel    entrevistar uma pessoa em outro pa&iacute;s, captar esse &aacute;udio e utiliz&aacute;&#45;lo    em um programa radiof&ocirc;nico", exemplifica. Mas isso, segundo Marta,    n&atilde;o impede o rep&oacute;rter de r&aacute;dio de ouvir as vozes das ruas,    o que ela considera imprescind&iacute;vel. "Se o burburinho das ruas n&atilde;o    aparece no r&aacute;dio &eacute; porque o est&uacute;dio ficou restrito, literalmente,    &agrave;s suas paredes, o que n&atilde;o coaduna com os prop&oacute;sitos hist&oacute;ricos    do ve&iacute;culo, conhecido como caixa de resson&acirc;ncia da sociedade",    conclui.</font></P>     <p><font size="3">A ex&#45;diretora da r&aacute;dio da UFRGS defende que as emissoras    universit&aacute;rias, especialmente as de institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas,    tenham uma programa&ccedil;&atilde;o diferenciada em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s    r&aacute;dios comerciais. "Seu forte tem que ser a produ&ccedil;&atilde;o    de document&aacute;rios e a cobertura dos temas que n&atilde;o passam pelo r&aacute;dio    tradicional. Se n&atilde;o for assim, qual a raz&atilde;o de uma universidade    p&uacute;blica possuir uma emissora de r&aacute;dio?", questiona Sandra.    O desafio, portanto, para aproveitar melhor o potencial das r&aacute;dios universit&aacute;rias    para a divulga&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia, &eacute; aprimorar o trabalho    jornal&iacute;stico, fugir da comodidade de ficarem restritas &agrave;s entrevistas    convencionais apenas com as "pratas da casa" e aproveitar as possibilidades    da linguagem radiof&ocirc;nica para n&atilde;o cair na chatice. Uma boa oportunidade    para se discutir isso &eacute; o pr&oacute;ximo Encontro Nacional de R&aacute;dio    e Ci&ecirc;ncia. A terceira edi&ccedil;&atilde;o desse evento, criado pelo Minist&eacute;rio    de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia em 2006, ser&aacute; realizada este ano em Recife,    em data ainda n&atilde;o definida.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"><font size="3"><I>Rodrigo Cunha</I></font></P>      ]]></body>
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