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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n1/artigos.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>OS JARDINS BOT&Acirc;NICOS LUSO&#45;BRASILEIROS</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Nelson Sanjad</b> </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"> <b><font size=5>N</font></b>a segunda metade do s&eacute;culo    XVIII, as ci&ecirc;ncias naturais assumiram um car&aacute;ter pragm&aacute;tico    e utilitarista na Europa. A zoologia, a bot&acirc;nica, a agronomia e a geologia    foram cultivadas para a diversifica&ccedil;&atilde;o e o fortalecimento da economia,    particularmente dos setores agr&iacute;cola e minerador, como ferramentas para    a administra&ccedil;&atilde;o colonial e tamb&eacute;m como s&iacute;mbolos    do Estado moderno, racional e centralizado. Muitos jardins bot&acirc;nicos foram    constru&iacute;dos nesse per&iacute;odo como espa&ccedil;os destinados para    a recolha e o ordenamento de produtos naturais, para a experimenta&ccedil;&atilde;o    agr&iacute;cola, para a sociabilidade da elite e para a educa&ccedil;&atilde;o    da popula&ccedil;&atilde;o. Fran&ccedil;a, Holanda, Inglaterra, &Aacute;ustria    e Espanha s&atilde;o alguns dos pa&iacute;ses que instalaram redes de jardins    bot&acirc;nicos nos seus territ&oacute;rios nacionais e coloniais, articuladas    a partir de um estabelecimento central, vinculado &agrave; coroa, e em competi&ccedil;&atilde;o    com outros pa&iacute;ses pelo n&uacute;mero de esp&eacute;cies vegetais domesticadas,    sobretudo as de interesse econ&ocirc;mico, pelo dom&iacute;nio do conhecimento    sobre o cultivo dessas esp&eacute;cies, pelo controle de rotas comerciais e    pelo abastecimento de mercados consumidores.</font></P>     <p><font size="3">O governo portugu&ecirc;s come&ccedil;ou a estruturar uma rede    para o cultivo de esp&eacute;cies vegetais a partir da d&eacute;cada de 1760,    quando foi criado o Jardim Bot&acirc;nico da Ajuda, com o fim expl&iacute;cito    de coordenar a coleta e a classifica&ccedil;&atilde;o dos produtos naturais    provenientes das col&ocirc;nias (1;2;3;4). Essa iniciativa estava vinculada    a uma pol&iacute;tica de Estado fortemente influenciada por princ&iacute;pios    fisiocr&aacute;ticos, e que tamb&eacute;m foi respons&aacute;vel pela reforma    do ensino universit&aacute;rio, pela organiza&ccedil;&atilde;o de expedi&ccedil;&otilde;es    e pela cria&ccedil;&atilde;o de academias e de institui&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas    (5;6;7;8;9). Nesse contexto, cole&ccedil;&otilde;es de produtos naturais e informa&ccedil;&otilde;es    geogr&aacute;ficas, expressas em mapas, desenhos, roteiros, rela&ccedil;&otilde;es    e mem&oacute;rias, ganharam import&acirc;ncia estrat&eacute;gica para o conhecimento    e gest&atilde;o do territ&oacute;rio (10).</font></P>     <p><font size="3">Na d&eacute;cada de 1790, D. Rodrigo de Souza Coutinho, ministro    da Marinha e Ultramar do pr&iacute;ncipe regente D. Jo&atilde;o, ampliou essa    pol&iacute;tica com novas medidas administrativas. Dentre elas, consta a ordem    expedida para v&aacute;rios pontos do imp&eacute;rio, determinando a constru&ccedil;&atilde;o    de hortos bot&acirc;nicos. No Brasil, os governadores do Gr&atilde;o&#45;Par&aacute;,    Maranh&atilde;o, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, S&atilde;o Paulo e Goi&aacute;s    receberam cartas circulares com essa orienta&ccedil;&atilde;o, mas a maioria    teve dificuldades em criar e manter os jardins. Somente D. Francisco de Souza    Coutinho, irm&atilde;o de D. Rodrigo e capit&atilde;o&#45;general do Gr&atilde;o&#45;Par&aacute;    e Rio Negro, teve &ecirc;xito na execu&ccedil;&atilde;o da ordem (11).</font></P>     <p><font size="3">Em 1798, o horto paraense j&aacute; estava funcionando, junto    ao antigo Hosp&iacute;cio dos Capuchos de N. S. da Piedade, transformado em    quartel do Regimento da Infantaria ap&oacute;s a expuls&atilde;o das ordens    mission&aacute;rias. Instalado com 12 mil metros quadrados, o espa&ccedil;o    recebeu mudas de vegetais nativos e ex&oacute;ticos, estes contrabandeados de    Caiena, al&eacute;m de &aacute;rvores produtoras de madeiras utilizadas na constru&ccedil;&atilde;o    civil e naval. O comando foi dado, primeiramente, a propriet&aacute;rios franceses    exilados em Bel&eacute;m em raz&atilde;o das revoltas de escravos na Guiana.    Depois, militares portugueses assumiram a dire&ccedil;&atilde;o do horto. A    m&atilde;o&#45;de&#45;obra era formada, basicamente, por degredados (aprisionados no    quartel ao lado) e por escravos nacionais (1;12;13).</font></P>     <p><font size="3">Ao incentivar a produ&ccedil;&atilde;o de mudas de esp&eacute;cies    nativas no jardim bot&acirc;nico, D. Francisco pretendia criar a base para a    futura transforma&ccedil;&atilde;o da economia amaz&ocirc;nica, ent&atilde;o    sustentada pelo extrativismo das "drogas do sert&atilde;o". A domestica&ccedil;&atilde;o    dessas plantas, cujas expedi&ccedil;&otilde;es de coleta eram cada vez mais    dispendiosas, se consorciada ao cultivo de esp&eacute;cies ex&oacute;ticas com    alto valor comercial, como o cravo e a canela, poderia trazer ganhos de produtividade    a um custo relativamente baixo. Essa "descoberta" do governador foi    devidamente reconhecida por D. Rodrigo, que fez do jardim paraense o modelo    a ser seguido pelas demais capitanias. Simultaneamente, o ministro determinou    a amplia&ccedil;&atilde;o das planta&ccedil;&otilde;es, de modo que o jardim    pudesse fornecer mudas e sementes para outros pontos do imp&eacute;rio.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Entre 1798 e 1802, novas cartas foram expedidas para S&atilde;o    Paulo, Salvador, Goi&aacute;s, Olinda, S&atilde;o Lu&iacute;s e Vila Rica, dessa    vez ordenando a instala&ccedil;&atilde;o de jardins similares ao do Par&aacute;,    considerado, ent&atilde;o, um horto "econ&ocirc;mico" e "muito    produtivo". Era frequente a distribui&ccedil;&atilde;o do cat&aacute;logo    das plantas j&aacute; cultivadas em Bel&eacute;m e tamb&eacute;m de mudas e    sementes. Por exemplo, em 1801 e 1802, in&uacute;meras remessas foram feitas    ao governador do Maranh&atilde;o. Nesse mesmo per&iacute;odo, houve tentativas    de instalar um horto em Goi&aacute;s e outro em Salvador. </font></P>     <p><font size="3">Dois "mapas" das plantas existentes no jardim bot&acirc;nico    paraense, datados de 1800, caracterizam a cole&ccedil;&atilde;o ali reunida    e como o cultivo era organizado. Ambos os mapas s&atilde;o divididos em duas    se&ccedil;&otilde;es: "Dentro do cercado" e "Madeiras de constru&ccedil;&atilde;o    e mais fruteiras fora do cercado". As plantas s&atilde;o enumeradas em    ordem alfab&eacute;tica, pelo nome vulgar. A primeira se&ccedil;&atilde;o reunia    82 esp&eacute;cies nativas e ex&oacute;ticas, no total de 2.354 p&eacute;s.    Desse montante, destacam&#45;se 546 bananeiras, 300 p&eacute;s de cana&#45;de&#45;a&ccedil;&uacute;car    da terra, 300 de cana&#45;de&#45;a&ccedil;&uacute;car da &Iacute;ndia, 125 de caneleiras    e 50 p&eacute;s de anil manso. Dentre as preciosidades vindas de Caiena, constam    abric&oacute;s, frutas&#45;p&atilde;o, abacateiros e cravos da &Iacute;ndia. Outras    esp&eacute;cies ex&oacute;ticas t&ecirc;m a sua proveni&ecirc;ncia anotada,    como a quina de Suriname, os jasmins do Cabo da Boa Esperan&ccedil;a, os jasmins    da It&aacute;lia, as goiabeiras do Mato Grosso e as jacas da Bahia. Ao lado    das ex&oacute;ticas, aparecem as plantas nativas da Amaz&ocirc;nia, como a baunilha,    o cacau, a casca preciosa, a copaibeira, o cravo da terra, a seringueira e muitos    outros vegetais conhecidos pelos usos na farm&aacute;cia, alimenta&ccedil;&atilde;o,    constru&ccedil;&atilde;o e ind&uacute;stria. Na segunda se&ccedil;&atilde;o,    a grande maioria das 58 esp&eacute;cies (451 p&eacute;s) &eacute; nativa e fornecedora    de madeira. Provavelmente foram plantadas fora do cercado pelo tamanho que as    &aacute;rvores iriam adquirir. No total, o jardim possu&iacute;a 2.805 plantas    de 140 esp&eacute;cies diferentes (2;12).</font></P>     <p><font size="3">O complexo agr&iacute;cola de Bel&eacute;m era t&atilde;o promissor    que, a partir de 1804, uma grande reforma foi realizada na cidade. Um extenso    p&acirc;ntano foi aterrado, melhorando a salubridade urbana e ampliando sobremaneira    a &aacute;rea destinada ao cultivo de especiarias. Nesse mesmo local foram criados    o Jardim das Caneleiras, um passeio p&uacute;blico e um jardim de recreio ornado    com fontes e plantas &uacute;teis &agrave; farm&aacute;cia. A conclus&atilde;o    dessa reforma coincide com a transfer&ecirc;ncia da corte portuguesa para o    Rio de Janeiro, em 1808, e com a conquista da Guiana Francesa por tropas luso&#45;brasileiras    e mercen&aacute;rios ingleses, um ano depois. Com a Guiana nas m&atilde;os dos    portugueses, o interc&acirc;mbio de vegetais em territ&oacute;rio luso&#45;brasileiro    viria a ser plenamente realizado por meio da transfer&ecirc;ncia da cole&ccedil;&atilde;o    de plantas ex&oacute;ticas que a Fran&ccedil;a havia reunido, primeiramente    para Bel&eacute;m e depois para o Rio de Janeiro e Olinda.</font></P>     <p><font size="3">Havia, na regi&atilde;o de Caiena, um famoso complexo agr&iacute;cola    mantido pela coroa francesa, formado pela Habitation Royale des &Eacute;piceries,    mais conhecida como La Gabriele, pela Habitation de Mont&#45;Baduel, pela Habitation    Tilsit e pela F&aacute;brica de Madeiras de Nancibo. Essas propriedades tornaram&#45;se    os principais exemplos de estabelecimentos coloniais na Guiana, em extens&atilde;o,    produtividade e n&uacute;mero de escravos. A posse de La Gabriele, se n&atilde;o    representou motivo preponderante para a invas&atilde;o da Guiana pelas tropas    luso&#45;brasileiras, certamente estaria entre os maiores benef&iacute;cios a serem    obtidos pelos portugueses com a anexa&ccedil;&atilde;o de uma col&ocirc;nia    t&atilde;o conturbada. Al&eacute;m de ser uma das principais fontes de renda    da col&ocirc;nia, La Gabriele reunia todas as esp&eacute;cies vegetais almejadas    pelos portugueses.</font></P>     <p><font size="3">Em abril de 1809, D. Rodrigo mandou o governador do Gr&atilde;o&#45;Par&aacute;    providenciar o transporte, de Caiena para Bel&eacute;m e para outros dom&iacute;nios,    "da maior quantidade poss&iacute;vel de todas as &aacute;rvores de especiaria".    Juntamente com elas, deveriam seguir "h&aacute;beis jardineiros",    desde que n&atilde;o fossem "contaminados da ideologia liberal". No    mesmo m&ecirc;s, nova ordem determinava a transfer&ecirc;ncia das plantas do    jardim paraense para o Rio de Janeiro, lembrando que a procura de "todo    o g&ecirc;nero de culturas" era o "ponto mais essencial para o Brasil"    naquele momento (2;12).</font></P>     <p><font size="3">A primeira remessa foi realizada no final de 1809, para Bel&eacute;m.    Foi o administrador de La Gabriele, Joseph Martin, quem assinou a lista de plantas    e as instru&ccedil;&otilde;es para o plantio. Nesse lote foram enviados, dentre    outras, a noz&#45;moscada, caneleiras, carambolas, a &aacute;rvore do p&atilde;o    d'Otaiti, a moringueira, o cravo da &Iacute;ndia, a groselheira da &Iacute;ndia,    a pimenteira, o bilimbi, a bananeira d'Otaiti, o sapoti, a nogueira de Bancoul    e, pela primeira vez introduzida no Brasil, a cana d'Otaiti, que passou a ser    conhecida como cana caiena ou caiana. No total, 82 esp&eacute;cies foram embarcadas    em seis caixas (14). Para garantir a sobreviv&ecirc;ncia das plantas, o governador    do Par&aacute; apelou aos moradores vizinhos ao jardim bot&acirc;nico de Bel&eacute;m    para que ajudassem no trabalho de aclimata&ccedil;&atilde;o, e determinou uma    guarda especial para fiscalizar os cercados constru&iacute;dos para esse fim.</font></P>     <p><font size="3">No Rio de Janeiro, a conquista da Guiana significou a oportunidade    certa para D. Rodrigo retomar seus antigos planos. Ainda em 1809, uma decis&atilde;o    r&eacute;gia havia autorizado a concess&atilde;o de pr&ecirc;mios e outras vantagens    &agrave;s pessoas que fizessem aclimatar especiarias da &Iacute;ndia ou iniciassem    o cultivo de vegetais &uacute;teis, decis&atilde;o ampliada no ano seguinte    para a isen&ccedil;&atilde;o total de d&iacute;zimos e taxas alfandeg&aacute;rias.    Ao mesmo tempo, cumpria organizar os jardins bot&acirc;nicos nas demais capitanias    do Brasil para que o imp&eacute;rio portugu&ecirc;s tirasse o m&aacute;ximo    proveito de La Gabriele. A Impress&atilde;o R&eacute;gia publica, ent&atilde;o,    o "Discurso sobre a utilidade da institui&ccedil;&atilde;o de jardins nas    principais prov&iacute;ncias do Brasil", de Manuel Arruda da C&acirc;mara,    no qual prop&otilde;e a cria&ccedil;&atilde;o de hortos para o cultivo de esp&eacute;cies    nativas e ex&oacute;ticas (15).</font></P>     <p><font size="3">Com uma conjuntura favor&aacute;vel e o interesse das autoridades,    provid&ecirc;ncias foram tomadas pelo governo para garantir o sucesso da transfer&ecirc;ncia    das plantas. No Rio de Janeiro, a Fazenda da Lagoa Rodrigo de Freitas, onde    havia sido instalada uma f&aacute;brica de p&oacute;lvora, foi o local escolhido    por D. Rodrigo para centralizar os experimentos agr&iacute;colas com esp&eacute;cies    ex&oacute;ticas. Em 1809, muitas plantas foram introduzidas ali, contrabandeadas    da Ilha de Fran&ccedil;a (atual Ilhas Maur&iacute;cio) por Luiz de Abreu. A    partir de 1810, as remessas enviadas de Caiena e Bel&eacute;m tamb&eacute;m    tiveram como destino o horto bot&acirc;nico que ali se criou, e que daria origem    ao atual Jardim Bot&acirc;nico do Rio de Janeiro (16).</font></P>     <p><font size="3">Em Olinda, um horto bot&acirc;nico tamb&eacute;m foi criado    para receber as plantas de La Gabriele, assim como servir de entreposto para    as remessas que saiam de Caiena e de Bel&eacute;m para o Rio de Janeiro. Em    1810, Manuel Arruda da C&acirc;mara, o autor do "Discurso sobre a utilidade    da institui&ccedil;&atilde;o dos jardins...", foi nomeado diretor do jardim    pernambucano, mas n&atilde;o p&ocirc;de assumir em virtude de seu falecimento.    Em of&iacute;cio de abril de 1811, o intendente geral de Caiena, Jo&atilde;o    Severiano Maciel da Costa, defendeu junto ao ministro dos neg&oacute;cios do    interior a necessidade de um horto bot&acirc;nico em Pernambuco, para onde vinha    enviando muitas plantas. Em julho do mesmo ano, D. Rodrigo respondeu a Maciel    da Costa louvando sua iniciativa e informando que as plantas que chegaram &agrave;    corte foram logo enviadas "para o estabelecimento da Lagoa de Freitas".    D. Rodrigo tamb&eacute;m elogiou o jardineiro que acompanhou a remessa, &Eacute;tienne&#45;Paul    Germain, a quem prometeu muitas recompensas. No Rio de Janeiro, Germain recebeu    a incumb&ecirc;ncia de elaborar uma mem&oacute;ria sobre a agricultura no Brasil    e um projeto para a instala&ccedil;&atilde;o de um curso de bot&acirc;nica e    qu&iacute;mica. Logo em seguida, foi nomeado para dirigir o horto de Olinda    (2;12).</font></P>     <p><font size="3">Era inten&ccedil;&atilde;o de D. Rodrigo atrair ao Brasil "h&aacute;beis    cultivadores" e "homens industriosos". Para isso, Maciel da Costa    fez intensa propaganda em Caiena do governo portugu&ecirc;s, garantindo aos    moradores da cidade liberdade de culto, convencendo&#45;os da benevol&ecirc;ncia    do pr&iacute;ncipe regente e mandando imprimir e distribuir obras que atacavam    o governo franc&ecirc;s. Germain era um desses industriosos que receberam atestado    de idoneidade. Na passagem por Pernambuco, ainda em 1811, escolheu o local e    deixou uma rela&ccedil;&atilde;o dos vegetais plantados no novo horto. Eram    mudas e sementes de cravo da &Iacute;ndia, noz moscada, fruta do conde, carambola,    sapotizeiro, jalapa e outras tantas. Quando retornou como diretor, em 1812,    encontrou muitas plantas j&aacute; aclimatadas e outras introduzidas pelo padre    Jo&atilde;o Ribeiro Pessoa de Mello Montenegro, encarregado provisoriamente    do jardim. Em 1816, uma nova "Lista das plantas que existem presentemente    no Real Jardim de Plantas em Olinda" foi apresentada ao governador por    Germain. Nela constam 37 variedades de plantas em 2.541 p&eacute;s, a grande    maioria transportada de Caiena. Germain ficou no cargo at&eacute; o seu falecimento,    em 1817 (2;12).</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Instalado o horto de Olinda, consolidou&#45;se a rota de transplanta&ccedil;&atilde;o,    n&atilde;o raro acontecendo de remessas de plantas serem enviadas do Par&aacute;    para Caiena, e da&iacute; para o sul; ou do Rio de Janeiro para Pernambuco (2;11).    Maciel da Costa foi uma figura chave na concretiza&ccedil;&atilde;o da rede    de jardins luso&#45;brasileiros. Nos balan&ccedil;os e relat&oacute;rios que enviou    para a corte, fez detalhadas descri&ccedil;&otilde;es sobre La Gabriele e demonstrou    como os portugueses poderiam lucrar com o jardim, inclusive financeiramente.    A administra&ccedil;&atilde;o do complexo agr&aacute;rio da Guiana era uma de    suas preocupa&ccedil;&otilde;es centrais, motivo pelo qual concentrou a comercializa&ccedil;&atilde;o    de especiarias nas m&atilde;os do governo e instituiu r&iacute;gidas medidas    disciplinares para as pessoas envolvidas com o cultivo e a exporta&ccedil;&atilde;o    dos produtos. </font></P>     <p><font size="3">O empenho de Maciel da Costa nos revela o quanto era valorizada    a cultura de especiarias. Os meticulosos invent&aacute;rios realizados no jardim    de Caiena e nos demais hortos funcionavam n&atilde;o apenas como rela&ccedil;&otilde;es    de esp&eacute;cies vegetais conquistadas &agrave; natureza e aos pa&iacute;ses    considerados concorrentes, mas como valiosos bens cujo pre&ccedil;o era cotado    internacionalmente. A import&acirc;ncia dessas plantas pode ser comprovada nas    crises monet&aacute;rias, quando muitas delas eram utilizadas na Guiana Francesa,    segundo Maciel da Costa, como moeda corrente para pagamentos, principalmente    o cravo da &Iacute;ndia, a noz&#45;moscada e a canela.</font></P>     <p><font size="3">As melhores safras de La Gabriele ocorreram em 1812 e em 1814.    Em 1815, a fazenda deu preju&iacute;zo. A maior parte da produ&ccedil;&atilde;o    seguia para a Inglaterra, os Estados Unidos e o Par&aacute;, de onde era re&#45;exportada.    Al&eacute;m da exporta&ccedil;&atilde;o, Maciel da Costa tamb&eacute;m destinou    as especiarias &agrave; corte. Por exemplo, em abril de 1811, enviou ao Rio    de Janeiro nove caixas com cravo, canela, pimenta e amostras da pimenta branca,    pedindo que o informassem do gasto anual da casa real. Tamb&eacute;m enviou    doces, m&oacute;veis, produtos de hist&oacute;ria natural e pequenos presentes    feitos com asas de insetos. Por sugest&atilde;o de D. Rodrigo, recebeu em Caiena,    enviados do Par&aacute;, "alguns rapazes h&aacute;beis e com talentos",    os quais foram entregues a Martin para que aprendessem o cultivo de plantas    (2;12).</font></P>     <p><font size="3">Maciel da Costa pode ser considerado um dos mais ativos incentivadores    do cultivo de especiarias, exemplo do empenho com que as autoridades portuguesas    buscaram difundir novas culturas na Col&ocirc;nia e, sem d&uacute;vida, um elemento    fundamental para o bem sucedido interc&acirc;mbio entre os quatro jardins mencionados.    Em novembro de 1817, ap&oacute;s a assinatura da Conven&ccedil;&atilde;o de    Paris, Maciel da Costa deixou Caiena em dire&ccedil;&atilde;o ao Rio de Janeiro,    levando consigo mais uma remessa de plantas. Em maio do ano seguinte, D. Jo&atilde;o    VI decretou a amplia&ccedil;&atilde;o do horto fluminense, a mudan&ccedil;a    do nome para Real Jardim Bot&acirc;nico (anexo ao Museu Real) e nomeou Maciel    da Costa para dirigir as planta&ccedil;&otilde;es de cravo e outras especiarias.</font></P>     <p><font size="3">A partir dessa data, o interc&acirc;mbio entre os jardins foi    reduzido em raz&atilde;o de mudan&ccedil;as pol&iacute;ticas na corte, que levaram,    inclusive, &agrave; perda de interesse do governo central pelos jardins de Bel&eacute;m    e de Olinda. O primeiro sobreviveria at&eacute; a d&eacute;cada de 1870, mantido    pelo governo provincial, mas com outra configura&ccedil;&atilde;o. O segundo    foi extinto na d&eacute;cada de 1840. Ambos, contudo, foram respons&aacute;veis    pela introdu&ccedil;&atilde;o, aclimata&ccedil;&atilde;o e dissemina&ccedil;&atilde;o    de muitas esp&eacute;cies vegetais pelo pa&iacute;s, incluindo algumas que,    mais tarde, teriam import&acirc;ncia econ&ocirc;mica, como a cana caiana. Por    outro lado, contribu&iacute;ram para a transforma&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos    culturais da popula&ccedil;&atilde;o, principalmente a alimenta&ccedil;&atilde;o    (2;17;18).</font></P>     <p><font size="3">Do ponto de vista local, os jardins instalados em Bel&eacute;m,    em Olinda e no Rio de Janeiro tornaram&#45;se marcos urbanos para os habitantes    dessas cidades, assim como importantes espa&ccedil;os de sociabilidade. No caso    de Bel&eacute;m, a constru&ccedil;&atilde;o do jardim deu ensejo para uma reforma    urbana que permitiu a interioriza&ccedil;&atilde;o da cidade. Embora hoje n&atilde;o    existam vest&iacute;gios de sua exist&ecirc;ncia, soterrada pelas camadas do    tempo, o jardim e seus anexos tra&ccedil;aram os principais eixos de crescimento    urbano do s&eacute;culo XIX. No caso do Rio de Janeiro, a instala&ccedil;&atilde;o    do jardim em local afastado do centro precedeu a pr&oacute;pria cidade, dando    forma e vida a uma extensa &aacute;rea da antiga capital do pa&iacute;s. </font></P>     <p><font size="3">A rede formada por esses jardins, apesar de breve, constituiu    uma das poucas iniciativas da coroa lusitana para institucionalizar a pesquisa    cient&iacute;fica no espa&ccedil;o ultramarino, conforme a pol&iacute;tica agrarista    do final do s&eacute;culo XVIII. Essa rede demonstra n&atilde;o apenas uma not&aacute;vel    capacidade de articula&ccedil;&atilde;o no governo portugu&ecirc;s, primeiramente    a partir de Lisboa e depois do Rio de Janeiro, como tamb&eacute;m a maneira    pragm&aacute;tica pela qual as ci&ecirc;ncias naturais foram arregimentadas    em benef&iacute;cio do imp&eacute;rio. Ao longo do s&eacute;culo XIX, mesmo    ap&oacute;s serem extintas as motiva&ccedil;&otilde;es que lhe deram origem,    ela permaneceu como refer&ecirc;ncia para outros jardins criados no Brasil,    como o de Salvador, o de S&atilde;o Paulo e o de Vila Rica (11).</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><i><b>Nelson Sanjad</b> &eacute; graduado em comunica&ccedil;&atilde;o    social, doutor em hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia, coordenador de comunica&ccedil;&atilde;o    e extens&atilde;o do Museu Paraense Em&iacute;lio Goeldi. Email: </i><a href="mailto:nsanjad@museu&#45;goeldi.br">nsanjad@museu&#45;goeldi.br</a>.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">1.  Sanjad, N. "Portugal e os interc&acirc;mbios vegetais    no mundo ultramarino: as origens da rede luso&#45;brasileira de jardins bot&acirc;nicos,    1750&#45;1800". In: Alves, J. J. A. (Org.). <i>M&uacute;ltiplas faces da hist&oacute;ria    das ci&ecirc;ncias na Amaz&ocirc;nia</i>. Bel&eacute;m: Edufpa, p. 77&#45;101. 2005.        </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">2.  Sanjad, N. "Nos jardins de S&atilde;o Jos&eacute;:    uma hist&oacute;ria do Jardim Bot&acirc;nico do Gr&atilde;o&#45;Par&aacute;, 1796&#45;1873".    IG/Unicamp. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado. Campinas. 2001.     </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">3.  Castel&#45;Branco, C. <i>Jardim Bot&acirc;nico da Ajuda</i>.    Lisboa: AAJBA/Livros Horizonte. 1999.     </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">4.  Munteal Filho, O. "Domenico Vandelli no anfiteatro    da natureza: a cultura cient&iacute;fica do reformismo ilustrado portugu&ecirc;s    na crise do antigo sistema colonial (1779&#45;1808)". Departamento de Hist&oacute;ria/    PUC&#45;RJ. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado. Rio de Janeiro. 1993.    </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">5.  Sanjad, N.; Pataca, E.M. "As fronteiras do ultramar:    engenheiros, matem&aacute;ticos, naturalistas e artistas na Amaz&ocirc;nia,    1750&#45;1820". <i>In: Artistas e art&iacute;fices e a sua mobilidade no mundo    de express&atilde;o portuguesa</i>. Actas do VII Col&oacute;quio Luso&#45;Brasileiro    de Hist&oacute;ria da Arte, Porto, 2005. Porto: Universidade do Porto, pp.431&#45;437.    2007.     </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">6.  Lopes, M. M.; Silva, C. P.; Figueir&ocirc;a, S. F. M.;    Pinheiro, R. "Scientific culture and mineralogical sciences in the Luzo&#45;Brazilian    Empire &#150; the work of Jo&atilde;o da Silva Feij&oacute; (1760&#45;1824) in Cear&aacute;".    <i>Science in Context</i>, Vol.18, pp.201&#45;224. 2005 </font><!-- ref --><p><font size="3">7.  Munteal Filho, O. "Uma sinfonia para o novo mundo:    a Academia Real das Ci&ecirc;ncias de Lisboa e os caminhos da ilustra&ccedil;&atilde;o    luso&#45;brasileira na crise do antigo sistema colonial". IFCS/UFRJ. Tese de    Doutorado. Rio de Janeiro. 1998.     </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">8.  Domingues, A. <i>Viagens de explora&ccedil;&atilde;o    geogr&aacute;fica na Amaz&oacute;nia em finais do s&eacute;culo XVIII: pol&iacute;tica,    ci&ecirc;ncia e aventura</i>. Lisboa: Secretaria Regional do Turismo, Cultura    e Emigra&ccedil;&atilde;o/Centro de Estudos de Hist&oacute;ria do Atl&acirc;ntico.    1991.     </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">9.  Simon, W. J. <i>Scientific expeditions in the Portuguese    overseas territories (1783&#45;1808) and the role of Lisbon in the intellectual&#45;scientific    community of the late eighteenth century</i>. Lisboa: Instituto de Investiga&ccedil;&atilde;o    Cient&iacute;fica Tropical. 1983.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">10.  Domingues, A. "Para um melhor conhecimento dos    dom&iacute;nios coloniais: a constitui&ccedil;&atilde;o de redes de informa&ccedil;&atilde;o    no imp&eacute;rio portugu&ecirc;s em finais do Setecentos". <i>Hist&oacute;ria,    Ci&ecirc;ncias, Sa&uacute;de&#45;Manguinhos</i>, Rio de Janeiro, Vol.8 (Supl.),    pp.823&#45;838. 2001.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">11.  Jobim, L. C. "Os jardins bot&acirc;nicos no Brasil    colonial". <i>Bibl. Arq. Mus. Lisboa</i>, Vol.2, pp.53&#45;120. 1986.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">12.  Sanjad, N. "&Eacute;den domesticado: a rede luso&#45;brasileira    de jardins bot&acirc;nicos, 1790&#45;1820". <i>Anais de Hist&oacute;ria de    Al&eacute;m&#45;Mar, Lisboa</i>, Vol.7, pp.251&#45;278. 2006.     </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">13.  Segawa, H. <i>Ao amor do p&uacute;blico. Jardins no    Brasil</i>. S&atilde;o Paulo: Fapesp; Studio Nobel. 1996.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">14.  <i>Not&iacute;cia hist&oacute;rica e abreviada para    servir &agrave; cultura de uma remessa de &aacute;rvores especieiras e fruct&iacute;feras    destinada a sua excellencia o senhor capit&atilde;o general do Par&aacute; por    sua senhoria, o senhor Manoel Marques, governador interino da Colonia de Cayena</i>.    Rio de Janeiro: Impress&atilde;o R&eacute;gia. 1810.     </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">15.  C&acirc;mara, M. A. "Discurso sobre a utilidade    da institui&ccedil;&atilde;o de jardins nas principais prov&iacute;ncias do    Brasil (1810)". <i>In: Obras reunidas. Coligidas e com estudo biogr&aacute;fico    por Jos&eacute; Ant&ocirc;nio Gonsalves de Mello</i>. Recife: Funda&ccedil;&atilde;o    de Cultura Cidade do Recife. 1982.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">16.  Bediaga, B. "Conciliar o &uacute;til ao agrad&aacute;vel    e fazer ci&ecirc;ncia: Jardim Bot&acirc;nico do Rio de Janeiro &#150; 1808 a 1860".    <i>Hist&oacute;ria, Ci&ecirc;ncias, Sa&uacute;de&#45;Manguinhos</i>, Vol.14, pp.1131&#45;1157.    2007.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">17.  Mello Neto, J. A. G. "Nota acerca da introdu&ccedil;&atilde;o    de vegetais ex&oacute;ticos em Pernambuco". <i>Boletim do Instituto Joaquim    Nabuco de Pesquisas Sociais</i>, Vol.3, pp.33&#45;64. 1954.     </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">18.  Freyre, G. "O Horto del Rei em Olinda". <i>Rvta.    Inst. Arqueol. Pernambuco</i>, Vol.37, pp.208&#45;214. 1942.</font> ]]></body><back>
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