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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A palmeira imperial: da introdução no Brasil-Colônia às doenças e pragas no século XXI]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n1/artigos.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>A PALMEIRA IMPERIAL: DA INTRODU&Ccedil;&Atilde;O NO BRASIL&#45;COL&Ocirc;NIA    &Agrave;S DOEN&Ccedil;AS E PRAGAS NO S&Eacute;CULO XXI </b></font></p>     <p><font size="3"><b>Jo&atilde;o S. de Paula Ara&uacute;jo    <br>   &Acirc;ngelo M&aacute;rcio S. Silva </b></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b><font size=5>A</font></b> palmeira&#45;imperial (<I>Roystonea    oleraceae</I>) destaca&#45;se entre as palmeiras mais imponentes, majestosas e not&aacute;veis.    Atualmente, diante da sua distribui&ccedil;&atilde;o por todo o Brasil, notadamente    compondo o paisagismo de jardins bot&acirc;nicos, fazendas, pra&ccedil;as, avenidas,    jardins de museus e pr&eacute;dios p&uacute;blicos, seria plaus&iacute;vel deduzir    tratar&#45;se de esp&eacute;cie da flora brasileira. Mas, ao contr&aacute;rio do    que parece, a palmeira&#45;imperial &eacute; esp&eacute;cie ex&oacute;tica, com    distribui&ccedil;&atilde;o do Caribe &agrave; Venezuela. Neste pa&iacute;s,    ali&aacute;s, exerce forte representa&ccedil;&atilde;o cultural, tendo sido    batizada pelos povos ind&iacute;genas de "chaguaramo" e considerada,    por l&aacute;, a rainha de todas as palmeiras (1). A hist&oacute;ria de sua    introdu&ccedil;&atilde;o se confunde com a chegada da fam&iacute;lia real portuguesa    ao Rio de Janeiro, em fuga das tropas francesas de Napole&atilde;o Bonaparte,    no in&iacute;cio de 1808. Dentre as iniciativas imediatas do regente D. Jo&atilde;o    VI, destaca&#45;se a cria&ccedil;&atilde;o de um jardim de aclima&ccedil;&atilde;o    numa &aacute;rea circunvizinha &agrave; f&aacute;brica de p&oacute;lvora instalada    nas terras e engenho de cana&#45;de&#45;a&ccedil;&uacute;car denominado Rodrigo de Freitas.    Ainda em 1808, esse jardim, que daria origem ao atual Jardim Bot&acirc;nico    do Rio de Janeiro (JBRJ), passou a se chamar Real Horto (2;3). </font></P>     <p><font size="3">Fran&ccedil;a, Inglaterra, Espanha e Holanda mantinham, em suas    col&ocirc;nias, jardins bot&acirc;nicos nos quais faziam experimenta&ccedil;&otilde;es    de cultivo com plantas nativas ou ex&oacute;ticas economicamente importantes    na &eacute;poca, ou promissoras. O mesmo tentava Portugal em suas col&ocirc;nias.    </font></P>     <p><font size="3">Lu&iacute;s de Abreu Vieira e Silva, rico comerciante portugu&ecirc;s,    aprisionado na Ilha Maur&iacute;cio (ent&atilde;o conhecida como Ilha de Fran&ccedil;a)    junto com toda a tripula&ccedil;&atilde;o de sua nau que naufragara ao ser atacada,    aproveitou&#45;se da relativa liberdade concedida aos oficiais portugueses com os    quais estava detido, visitou o Jardim de Pamplemousses, onde os franceses aclimatavam    esp&eacute;cies visando o replantio em suas col&ocirc;nias, onde houvesse clima    e solo que permitissem sua adapta&ccedil;&atilde;o. O comerciante usou suas    habilidades negociadoras para adquirir sementes de cravo&#45;da&#45;&Iacute;ndia, jaqueira,    lichia, canela, fruta&#45;p&atilde;o, noz&#45;moscada, manga e da palmeira&#45;imperial,    entre muitas outras esp&eacute;cies. O pagamento de vultoso resgate deu aos    portugueses aprisionados a liberdade e eles partiram para o Brasil. "Durante    a viagem, a cabine de Vieira e Silva parecia uma estufa, onde ele cuidava com    extrema dedica&ccedil;&atilde;o das plantas que subtra&iacute;ra aos inimigos    franceses" (4). Ao chegar ao Rio de Janeiro, Luiz de Abreu doou sementes    e mudas ao ent&atilde;o pr&iacute;ncipe D. Jo&atilde;o que determinou que fossem    plantadas no Real Horto, em 1809. </font></P>     <p><font size="3">Segundo uma das lendas mais populares sobre o Jardim Bot&acirc;nico    do Rio de Janeiro, a palmeira&#45;imperial, que se desenvolveu com especial vigor,    foi plantada pelo pr&oacute;prio D. Jo&atilde;o, originando da&iacute; sua denomina&ccedil;&atilde;o    comum de palmeira&#45;imperial. Crescendo e desenvolvendo&#45;se, passou a despertar    a aten&ccedil;&atilde;o pela sua exuber&acirc;ncia e porte. A partir de 1929,    a palmeira come&ccedil;a a frutificar e o ent&atilde;o diretor do Jardim Bot&acirc;nico    (gest&atilde;o 1829&#45;1851) Bernardo Jos&eacute; de Serpa Brand&atilde;o, com    a inten&ccedil;&atilde;o de preservar o monop&oacute;lio da institui&ccedil;&atilde;o    sobre a esp&eacute;cie, determinou que se queimassem anualmente todas as suas    sementes (5). Um quilo cont&eacute;m cerca de 1.954 frutos e 4.374 sementes,    que levam em m&eacute;dia 70 dias para germinar (6). Esse quantitativo nos d&aacute;    a dimens&atilde;o das preocupa&ccedil;&otilde;es de Serpa Brand&atilde;o, se    considerarmos que cada frutifica&ccedil;&atilde;o alcan&ccedil;a cerca de cinco    quilos. Entretanto, conta&#45;se que "os escravos que trabalhavam no jardim    levantavam&#45;se durante a noite e subindo &agrave; &aacute;rvore colhiam as sementes    que vendiam a 100 r&eacute;is cada uma" (5). Essa seria uma das raz&otilde;es    da sua ampla e r&aacute;pida difus&atilde;o, tornando&#45;se mais conhecida at&eacute;    do que palmeiras da flora nativa, apesar dos esfor&ccedil;os do administrador    do Jardim Bot&acirc;nico. Adicionalmente, para a sua difus&atilde;o, al&eacute;m    das sementes vendidas clandestinamente pelos escravos, colaborou o h&aacute;bito    da Casa dos Imperadores do Brasil de oferec&ecirc;&#45;las, aos s&uacute;ditos mais    fi&eacute;is, como s&iacute;mbolo de lealdade &agrave; coroa. Disso resultaria    a sua presen&ccedil;a em jardins dos solares e fazendas da nobreza do imp&eacute;rio    brasileiro (7). No pr&oacute;prio JBRJ, palmeiras&#45;imperiais foram plantadas    em aleias, ultrapassando mais de 430 exemplares, tornando&#45;se mesmo s&iacute;mbolo    da institui&ccedil;&atilde;o e despertando o encantamento dos seus visitantes.    </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A "Palma mater" de D. Jo&atilde;o VI existiu at&eacute;    1972, quando foi atingida por um raio. Durou, portanto, 163 anos, alcan&ccedil;ando    38,70 metros de altura. Outro exemplar foi plantado em seu lugar e denominado    de "Palma filia" (8). Curiosamente, fatalidade id&ecirc;ntica ocorreu    em novembro de 2007 no S&iacute;tio Roberto Burle Marx (SRBM), em Barra de Guaratiba,    munic&iacute;pio do Rio de Janeiro, em que um &uacute;nico raio fulminou um    grupo de cinco exemplares de palmeiras&#45;imperiais com mais de 25m de altura,    localizados junto ao port&atilde;o principal do SRBM. </font></P>     <p><font size="3"><b>DOEN&Ccedil;A E PRAGAS</b> A facilidade com que se aclimataram    esp&eacute;cies ex&oacute;ticas, libertas das suas doen&ccedil;as e pragas co&#45;evolu&iacute;das    no seu habitat natural, possibilitou diversos cultivos no Brasil&#45;col&ocirc;nia.    Mesmo assim, as esp&eacute;cies ex&oacute;ticas encontraram um cortejo impressionante    de inimigos nativos &#150; a sa&uacute;va, por exemplo, que em muitos casos dificultou    a aclimata&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida (9). Decorridos 200 anos da introdu&ccedil;&atilde;o    da palmeira&#45;imperial, hoje s&atilde;o conhecidas diferentes doen&ccedil;as e    pragas que podem comprometer a sanidade, desenvolvimento e a longevidade de    esp&eacute;cimes de palmeiras&#45;imperiais. </font></P>     <p><font size="3">Apesar dos escassos registros na literatura, uma s&eacute;rie    de pat&oacute;genos e insetos&#45;praga ocasionam dist&uacute;rbios em palmeiras,    desde pl&acirc;ntulas a adultos. Embora n&atilde;o se disponha de informa&ccedil;&otilde;es    referentes &agrave;s perdas causadas, sabe&#45;se que podem ser elevadas. Em muitas    inst&acirc;ncias, por&eacute;m, esses agentes n&atilde;o chegam a ser detectados    e identificados. Por vezes, estresses provocados por fatores abi&oacute;ticos,    tais como, temperaturas extremas, umidade, nutri&ccedil;&atilde;o inadequada,    fitotoxicidade, compacta&ccedil;&atilde;o de solo ou mesmo idade avan&ccedil;ada,    tornam as palmeiras mais vulner&aacute;veis aos parasitas resultando em diagn&oacute;stico    inconclusivo. Nesse contexto, podrid&otilde;es t&ecirc;m sido frequentemente    associadas a fungos que colonizam ra&iacute;zes (10). </font></P>     <p><font size="3">A "podrid&atilde;o do topo", por exemplo, &eacute;    uma doen&ccedil;a das mais graves e intrigantes por envolver os fungos <I>Phytophthora    palmivora, Rhizoctonia solani e Pythyum sp</I>. no complexo causal da enfermidade.    Todas essas esp&eacute;cies colonizam ra&iacute;zes, provocando necrose dos    tecidos (<a href="#fig01">figura 1</a>) e, consequentemente, obstru&ccedil;&atilde;o    do fluxo de seiva a parte apical. Os sintomas em palmeiras iniciam&#45;se com o    amarelecimento das folhas baixeiras, seguidas da folha flecha e folhas mais    novas. J&aacute; os tecidos do palmito apodrecem at&eacute; transformar&#45;se numa    massa aquosa e f&eacute;tida. Com o progresso da doen&ccedil;a o estipe fica    com os tecidos castanho&#45;avermelhados e os ped&uacute;nculos florais desprendem&#45;se    do estipe e desintegram&#45;se facilmente. Ao final do ciclo da doen&ccedil;a, ocorre    a queda de todas as folhas, ficando o estipe desnudo. Plantas jovens apresentam    n&iacute;tido apodrecimento de ra&iacute;zes e crescimento reduzido. Caso emblem&aacute;tico    desse quadro sintomatol&oacute;gico descrito foi diagnosticado em 2005, pela    Cl&iacute;nica Vegetal do Instituto de Agronomia da Universidade Federal Rural    do Rio de Janeiro (UFRRJ), nas aleias de palmeiras imperiais do JBRJ. A alta    incid&ecirc;ncia da doen&ccedil;a e a gravidade com que dizimou dezenas de exemplares,    causou tristeza e preocupa&ccedil;&atilde;o. Felizmente e a tempo, foram obtidos    recursos financeiros provenientes de emenda parlamentar que viabilizaram a execu&ccedil;&atilde;o    dos tratamentos fitossanit&aacute;rios, necess&aacute;rios para salvar as palmeiras    centen&aacute;rias do JBRJ.</font></P>     <p><a name="fig01"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n1/a11fig01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">As sementes, por sua vez, ao mesmo tempo em que s&atilde;o hospedeiras    de pat&oacute;genos, tamb&eacute;m funcionam como eficientes agentes de dissemina&ccedil;&atilde;o,    possibilitando a introdu&ccedil;&atilde;o de pat&oacute;genos em &aacute;reas    livres. V&aacute;rios fungos t&ecirc;m sido detectados em sementes de palmeiras,    como <I>Colletotrichum gloeosporioides</I>, <I>Ceratocystis paradoxa</I>, <I>Fusarium    oxysporum</I>, <I>Phoma spp</I>., <I>Pestalotia spp.</I>, <I>Pestalotiopsis    sp.</I>, <I>Rhizopus sp.</I>, <I>Cladosporium spp.</I> Os preju&iacute;zos causados    por alguns desses fungos v&atilde;o desde o apodrecimento das sementes, provocando    falhas na germina&ccedil;&atilde;o ou posteriormente, a morte de pl&acirc;ntulas,    at&eacute; o apodrecimento das ra&iacute;zes e o aparecimento de manchas foliares,    causando plantas mal desenvolvidas.</font></P>     <p><font size="3">Muitas pragas s&atilde;o reconhecidas como limitantes &agrave;s    palmeiras, causando s&eacute;rios preju&iacute;zos, destruindo folhas, estipe,    flores, frutos, sementes e afetando diretamente o vigor e a beleza das plantas.    Dentre as mais importantes, destacam&#45;se brocas, &aacute;caros e cupins. A broca    do olho das palmeiras ou <I>Rhynchophorus palmarum</I>, s&atilde;o besouros    negro&#45;aveludados (<a href="#fig01">figura 2</a>) cujas posturas s&atilde;o efetuadas    nas partes tenras das palmeiras ou em ferimentos pr&eacute;&#45;existentes. Emergidas,    as larvas perfuram os tecidos sadios (<a href="#fig01">figura 3</a>), fazendo    galerias e abrindo caminho no estipe, para a a&ccedil;&atilde;o de bact&eacute;rias    e fungos decompositores presentes nas fezes e restos de tecidos fermentados.    Os sintomas mais evidentes do ataque da praga s&atilde;o o amarelecimento e    murcha de folhas, tombamento e morte da planta. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Diferentes &aacute;caros infestam palmeiras&#45;imperiais e, de    maneira geral, s&atilde;o pol&iacute;fagos (atacam diferentes esp&eacute;cies    vegetais) e cosmopolitas, com destaque para o &aacute;caro&#45;da&#45;necrose <I>Aceria    guerreronis</I>. A coloniza&ccedil;&atilde;o inicia&#45;se nas folhas centrais e    no seu estado avan&ccedil;ado atingem o broto ou gema terminal. Os sintomas    s&atilde;o de pequenas manchas amarronzadas, secamento e necrose total das folhas    e gema terminal, seguido da morte da planta. Observa&#45;se tamb&eacute;m em alguns    casos, intumescimento na base do pec&iacute;olo das folhas jovens, seguido de    necroses, folhas curtas, pregueadas, exibindo sintomas semelhantes &agrave;queles    atribu&iacute;dos &agrave; defici&ecirc;ncia nutricional de boro, provocando    a morte da planta.</font></P>     <p><font size="3">Quanto a cupins atacando palmeiras&#45;imperiais, destaca&#45;se o <I>Coptotermes    havilandi</I>, uma esp&eacute;cie oriental que chegou ao Brasil em 1900, por    meio de madeira contaminada trazida por navios. Das cidades portu&aacute;rias    como Rio de Janeiro e Santos, ele se espalhou pela regi&atilde;o Sudeste e hoje    causa grandes danos, principalmente &agrave;s madeiras estruturais. Apesar de    ser conhecido como cupim&#45;de&#45;solo ou cupim&#45;subterr&acirc;neo tamb&eacute;m podem    construir ninhos a&eacute;reos. Dessa forma, &aacute;rvores e palmeiras vivas    t&ecirc;m o seu cerne devorado por esse cupim que penetra na planta pela raiz.    Assim, palmeiras infestadas que parecem sadias, mas que est&atilde;o totalmente    ocas, podem cair depois de uma tempestade.</font></P>     <p><font size="3"><b>ASPECTOS FITOT&Eacute;CNICOS E FITOSSANIT&Aacute;RIOS</b>    A palmeira&#45;imperial adaptou&#45;se bem &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas    e ambientes do vasto espa&ccedil;o brasileiro. Entretanto &eacute; imprescind&iacute;vel    aten&ccedil;&atilde;o especial e vis&atilde;o multidisciplinar ao seu correto    manejo fitot&eacute;cnico e fitossanit&aacute;rio, de maneira a constituir um    conjunto de a&ccedil;&otilde;es, propiciando &agrave;s plantas um desenvolvimento    saud&aacute;vel, com menos estresses, real&ccedil;ando sua impon&ecirc;ncia    e exuber&acirc;ncia. Nesse sentido, uma s&eacute;rie de t&eacute;cnicas agron&ocirc;micas    deve ser criteriosamente observada em cada etapa do cultivo, dentre as quais:    sele&ccedil;&atilde;o da muda, identifica&ccedil;&atilde;o de local adequado    ao plantio, preparo da cova, aduba&ccedil;&otilde;es, plantio, tratamento fitossanit&aacute;rio,    multiplica&ccedil;&atilde;o e transplantio.</font></P>     <p><font size="3">Preliminarmente, h&aacute; que se considerar que incid&ecirc;ncia    e severidade de doen&ccedil;as e pragas, podem variar de uma regi&atilde;o para    outra, dependendo das condi&ccedil;&otilde;es edafoclim&aacute;ticas (solo e    clima), da composi&ccedil;&atilde;o da flora e entomofauna associada, bem como    das t&eacute;cnicas de manejo praticadas. Assim, um dos primeiros aspectos a    ser observado refere&#45;se ao diagn&oacute;stico do problema, pois muitas vezes    s&atilde;o confundidos, retardando o in&iacute;cio dos tratamentos. Em diversos    casos, por&eacute;m, os problemas fitossanit&aacute;rios surgem como consequ&ecirc;ncia    de um fator abi&oacute;tico, como defici&ecirc;ncia nutricional ou de drenagem,    compacta&ccedil;&atilde;o do solo, estresse h&iacute;drico etc. De forma preventiva,    vale ressaltar a ado&ccedil;&atilde;o de medidas como a assepsia das sementes    utilizadas no plantio, utilizando, por exemplo, solu&ccedil;&otilde;es de hipoclorito    de s&oacute;dio (0,5%/5 minutos), bem como a inspe&ccedil;&atilde;o da sanidade    das mudas antes da aquisi&ccedil;&atilde;o. Adicionalmente, devem&#45;se empregar    substratos livres de pat&oacute;genos, desinfestados por meio de fumiga&ccedil;&otilde;es    ou solariza&ccedil;&atilde;o. J&aacute; nos canteiros de semeadura, praticar    a sistem&aacute;tica incinera&ccedil;&atilde;o de mudas doentes e restos culturais,    assim como a rota&ccedil;&atilde;o com outras esp&eacute;cies vegetais. A&ccedil;&otilde;es    regulares de aduba&ccedil;&atilde;o, envolvendo aplica&ccedil;&atilde;o mineral    equilibrada com macro e micronutrientes, incorpora&ccedil;&atilde;o de mat&eacute;ria    org&acirc;nica aos substratos de plantio e aduba&ccedil;&otilde;es foliares    com biofertilizantes s&atilde;o fundamentais para potencializar a express&atilde;o    dos mecanismos pr&oacute;prios das palmeiras de resist&ecirc;ncia a doen&ccedil;as    e pragas. </font></P>     <p><font size="3">Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s medidas curativas, &ecirc;nfase    para t&eacute;cnicas de controle biol&oacute;gico, com utiliza&ccedil;&atilde;o    de microrganismos, caldas e extratos de plantas, tanto no controle de pragas    quanto de doen&ccedil;as. Dessa forma, resultados pr&aacute;ticos tem sido alcan&ccedil;ados    com a aplica&ccedil;&atilde;o do &oacute;leo de nim (<I>Azadirachta indica</I>)    e microrganismos entomopatog&ecirc;nicos (<I>Bacillus thuringiensis</I>, <I>Beauveria    bassiana</I> e <I>Metarhizium sp.</I>), principalmente no controle de lagartas,    brocas, cochonilhas, pulg&otilde;es e &aacute;caros. Na mesma dire&ccedil;&atilde;o,    cita&#45;se o biocontrole de doen&ccedil;as f&uacute;ngicas de solos e foliares,    a partir da aplica&ccedil;&atilde;o de microrganismos antagonistas como o fungo    <I>Trichoderma</I>. Destaque tamb&eacute;m para a calda sulfoc&aacute;lcica,    que aos poucos vem sendo difundida para o manejo de &aacute;caros como o da    necrose. Por &uacute;ltimo, casos mais graves e envolvendo coloniza&ccedil;&atilde;o    de tecidos condutores de esp&eacute;cimes adultos podem tornar necess&aacute;rio    o emprego de fungicidas, antibi&oacute;ticos ou inseticidas, criteriosamente    assistido por engenheiro agr&ocirc;nomo especializado. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><i><b>Jo&atilde;o S. de Paula Ara&uacute;jo</b> &eacute; engenheiro    agr&ocirc;nomo, professor associado do Departamento de Fitotecnia e coordenador    do curso de agronomia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFFRJ).    <br>   <b>&Acirc;ngelo M&aacute;rcio S. Silva</b> &eacute; engenheiro agr&ocirc;nomo    e consultor do S&iacute;tio Roberto Burle Marx.</i></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">1.  Braun, A., Chitty, F.D. <i>Palmas aut&oacute;ctones de    Venezuela y de los paises adjacentes</i>. Jardim Botanico de Caracas. 1987.        </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">2.  Rodrigues, J. B. 0 <i>Jardim Bot&acirc;nico do Rio de    Janeiro: uma lembran&ccedil;a do 100º centen&aacute;rio (1808&#45;1908)</i>.    Rio de Janeiro: Renascen&ccedil;a e Bevilacqua &amp; Cia. 1908.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">3.  Jobim, L. C. <i>Os jardins bot&acirc;nicos no Brasil    colonial</i>. Lisboa: Biblioteca do Arquivo do Museu de Lisboa, Vol.2, n.1.    1986.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">4.  Menezes, P. C. "O papel do jardim bot&acirc;nico    na luta pela conserva&ccedil;&atilde;o ambiental no Brasil". <i>In:</i>    Padilla, R. &amp; Soares, N. P.(Coord.). <i>Jardim Bot&acirc;nico do Rio de    Janeiro &#150; 1808&#45;2008</i>. Artepalilla. Rio de Janeiro. 2008.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">5.  Sarthou, C. <i>Rel&iacute;quias da cidade do Rio de Janeiro</i>.    Rio de Janeiro. Atheneu. 1965.     </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">6.  Lorenzi, H.; Souza, H.M.; Costa, J.T.M.; Cerqueira, L.S.C.;    Ferreira, E. <i>Palmeiras brasileiras e ex&oacute;ticas cultivadas</i>. Nova    Odessa: Instituto Plantarum. 2004.     </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">7.  D'elboux, R. M. M. "Uma promenade nos tr&oacute;picos:    os bar&otilde;es do caf&eacute; sob as palmeiras&#45;imperiais, entre o Rio de Janeiro    e S&atilde;o Paulo". <i>Anais do Museu Paulista</i>, Vol.14, n.2, pp.193&#45;250.    2006.     </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">8.  JBRJ. Instituto de Pesquisas Jardim Bot&acirc;nico do    Rio de Janeiro. Homepage dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.jbrj.gov.br/palmater.htm" target="_blank">http://www.jbrj.gov.br/palmater.htm</a>    (acesso em 12 de outubro de 2008).    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">9.  Dean,W.A. "Bot&acirc;nica e a pol&iacute;tica imperial:    introdu&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o de plantas no Brasil colonial    e imperial". <i>Estudos Avan&ccedil;ados</i>, IEA/USP. 2002. Dispon&iacute;vel    em: <a href="http://www.iea.usp.br/artigos/deanbotanicaimperial.pdf" target="_blank">http://www.iea.usp.br/artigos/deanbotanicaimperial.pdf</a>    (acesso em 27/10/2009).    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">10.  Silva, A. M. S.; Araujo, J. S. de P.; Carmo, M. G. F.    "Doen&ccedil;as de plantas ornamentais causadas por <i>Phytophthora</i>".    <i>In: Doen&ccedil;as causadas por Phytophthora no Brasil</i>. Livraria e Editora    Rural, pp.590&#45;608. 2001.</font> ]]></body><back>
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