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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Jardins Botânicos: valores estratégicos ecológicos e econômicos]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n1/artigos.gif"></p>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size=5><b>JARDINS BOT&Acirc;NICOS: VALORES ESTRAT&Eacute;GICOS ECOL&Oacute;GICOS    E ECON&Ocirc;MICOS</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Maur&iacute;cio de Carvalho Amazonas</b> </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size=5><b>O</b></font><font size="3"> meio ambiente e os ecossistemas    possuem valor econ&ocirc;mico. Essa &eacute; uma percep&ccedil;&atilde;o j&aacute;    h&aacute; tempos em voga e reconhecida, aceita e buscada por diferentes setores    da sociedade contempor&acirc;nea. &Eacute; de igual reconhecimento o fato de    que a degrada&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es ambientais e ecossist&ecirc;micas    decorre, em grande parte, da atividade econ&ocirc;mica. A partir da emerg&ecirc;ncia    da problem&aacute;tica ambiental enquanto quest&atilde;o, nos anos 1960, e sua    progressiva incorpora&ccedil;&atilde;o &agrave;s agendas de pol&iacute;ticas,    gest&atilde;o e entendimentos, nos &acirc;mbitos nacionais e supranacionais,    se tornou tarefa necess&aacute;ria encontrar os valores econ&ocirc;micos dos    bens e servi&ccedil;os ambientais e sua incorpora&ccedil;&atilde;o na l&oacute;gica    da atividade econ&ocirc;mica, visando estabelecer trajet&oacute;rias de desenvolvimento    compat&iacute;veis com a sustentabilidade social e ambiental. Todavia, a forma    como a teoria econ&ocirc;mica convencional compreende o papel do meio ambiente    e a forma de se apreender tais valores &eacute;, em grande medida, reducionista    frente o papel desempenhado pelos ecossistemas e recursos ambientais, apresentando    amarras e dificuldades que impedem uma leitura mais sist&ecirc;mica e abrangente    das rela&ccedil;&otilde;es entre economia e meio ambiente, restringindo&#45;se a    aplica&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas e localizadas. </font></P>     <p><font size="3">A linha de racioc&iacute;nio neocl&aacute;ssica acerca da natureza    do objeto em quest&atilde;o e da forma metodol&oacute;gica de trat&aacute;&#45;lo,    embora dominante, n&atilde;o &eacute;, todavia, consenso sequer para as quest&otilde;es    econ&ocirc;micas em geral, quanto mais para aquelas que envolvem os recursos    naturais e ecossist&ecirc;micos, cujos custos de sua utiliza&ccedil;&atilde;o    econ&ocirc;mica s&atilde;o repassados para os segmentos mais desfavorecidos    e para as gera&ccedil;&otilde;es futuras. Seus valores s&atilde;o sist&ecirc;micos,    de efeitos din&acirc;micos e estrat&eacute;gicos, de modo que tom&aacute;&#45;los    pela simples individualiza&ccedil;&atilde;o e a simples aditividade de seus    "pre&ccedil;os" implica uma vis&atilde;o fragmentada e parcial de    seus valores para a economia. Muitas vezes, ser&aacute; abdicando&#45;se de buscar    "o valor" num&eacute;rico e monet&aacute;rio de dada &aacute;rea,    e buscando compreender o sentido hist&oacute;rico de sua contribui&ccedil;&atilde;o,    que se poder&aacute; melhor apreender o seu sentido valorativo econ&ocirc;mico.    Nesse ensejo, li&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica nos d&atilde;o os jardins    bot&acirc;nicos.</font></P>     <p><font size="3">No campo de conhecimento definido como economia do meio ambiente,    um dos principais temas consiste na identifica&ccedil;&atilde;o e quantifica&ccedil;&atilde;o    do papel econ&ocirc;mico representado pelos recursos naturais do ambiente, tanto    naquilo que aportam enquanto insumos alimentadores dos processos produtivos    econ&ocirc;micos, quanto no que s&atilde;o afetados pelos degradantes sub&#45;produtos    resultantes desses processos. Assim, a tem&aacute;tica da <I>valora&ccedil;&atilde;o    ambiental</I> adquire papel e sentido centrais em tal campo disciplinar.</font></P>     <p><font size="3">Dentre os elementos e problemas ambientais pass&iacute;veis    de valora&ccedil;&atilde;o, a identifica&ccedil;&atilde;o dos valores de ecossistemas    naturais e &aacute;reas protegidas constitui um dos mais &aacute;rduos e controversos    desafios. A economia ambiental, constru&iacute;da no seio da economia convencional    neocl&aacute;ssica, trata a valora&ccedil;&atilde;o ambiental a partir da mesma    base te&oacute;rico&#45;metodol&oacute;gica convencional com que entende os pre&ccedil;os    de mercado. </font></P>     <p><font size="3">De fundamenta&ccedil;&atilde;o utilitarista na compreens&atilde;o    do objeto e individualista no m&eacute;todo, a economia neocl&aacute;ssica constr&oacute;i&#45;se    sobre uma vis&atilde;o ontol&oacute;gica microecon&ocirc;mica onde o valor econ&ocirc;mico    das coisas &eacute; dado pelo sistema de pre&ccedil;os de mercado, constitu&iacute;dos,    de um lado, a partir das condi&ccedil;&otilde;es da oferta do referido bem ou    servi&ccedil;o, ou seja, de sua escassez relativa, seus custos de obten&ccedil;&atilde;o/produ&ccedil;&atilde;o    e, de outro lado, das condi&ccedil;&otilde;es de demanda por esse bem ou servi&ccedil;o,    a qual corresponde ontologicamente &agrave;s "utilidades" que os indiv&iacute;duos    obter&atilde;o ao consumir/utilizar tal bem. Na franca tradi&ccedil;&atilde;o    utilitarista e individualista constru&iacute;da a partir de Jeremy Bentham e    John Stuart Mill (1;2;3), "utilidade" entendida como o quanto os indiv&iacute;duos    se sentem mais "felizes" e/ou mais "satisfeitos", ou ainda,    o quanto individualmente se sentem com maior "bem&#45;estar", nos termos    posteriormente postos pela <I>welfare economics</I> (teoria do bem&#45;estar) desenvolvida    a partir de Pigou em 1920 (4). Modernamente, a "utilidade" &eacute;    vista a partir das "prefer&ecirc;ncias" dos indiv&iacute;duos consumidores,    expressas no quanto estes est&atilde;o "dispostos a pagar" monetariamente    por esse ou aquele bem ou servi&ccedil;o. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">No que toca os bens e servi&ccedil;os ambientais, aplica&#45;se    o mesmo racioc&iacute;nio, por&eacute;m entendendo que, como estes n&atilde;o    t&ecirc;m um "pre&ccedil;o" de mercado efetivamente, por se tratarem    de bens p&uacute;blicos, o problema ent&atilde;o se resume a entender essa aus&ecirc;ncia    como uma lacuna ou "falha do mercado" em lhe atribuir seus "verdadeiros"    valores, cabendo ent&atilde;o identificar quais seriam esses valores, ou pre&ccedil;os,    que os bens ou servi&ccedil;os ambientais "teriam" caso tais mercados    existissem. Como os elementos ambientais possuem valores econ&ocirc;micos a    despeito de n&atilde;o terem pre&ccedil;os de mercado, eles assim constituem    externalidades, ou seja, valores transferidos, externalizados, para a sociedade:    externalidade negativa no caso de danos ambientais, custos sociais, portanto;    ou externalidades positivas no caso de bens e servi&ccedil;os ambientais obtidos    gratuitamente, benef&iacute;cios sociais, portanto. Com isso, os m&eacute;todos    neocl&aacute;ssicos se voltam a identificar esses "valores ambientais"    espec&iacute;ficos, microeconomicamente.</font></P>     <p><font size="3">E o todo? A essa fundamenta&ccedil;&atilde;o utilitarista, agrega&#45;se    o individualismo metodol&oacute;gico. O todo &eacute; a soma das partes e o    valor global de um bem ou servi&ccedil;o ambiental se dar&aacute; agregando&#45;se    os valores parcialmente atribu&iacute;dos por cada indiv&iacute;duo envolvido    e a cada componente valorado, correspondentes &agrave;s suas "prefer&ecirc;ncias"    ou "disposi&ccedil;&atilde;o a pagar".</font></P>     <p><font size="3">Muito embora seja clara e atraente ao bom senso a ideia de que    danos ambientais e bens/servi&ccedil;os ambientais s&atilde;o respectivamente    custos e benef&iacute;cios sociais, o mesmo n&atilde;o se passa no momento em    que se busca definir e mensurar tais custos e benef&iacute;cios ambientais pela    vis&atilde;o neocl&aacute;ssica. Se, por um lado, a economia neocl&aacute;ssica    entende que o mercado "falha" em revelar os "valores ambientais"    sendo, portanto, necess&aacute;rio a interven&ccedil;&atilde;o do poder p&uacute;blico    para faz&ecirc;&#45;lo, por outro lado, n&atilde;o abandona o sentido ontol&oacute;gico    dos valores de mercado, em geral, para definir os valores ambientais. Ou seja,    um bem ou servi&ccedil;o ambiental vale o quanto os agentes econ&ocirc;micos    individualmente sentem mais "utilidade" e, portanto, o qu&atilde;o    mais estes est&atilde;o dispostos a pagar monetariamente por ele (ou, no caso    de j&aacute; terem direitos de propriedade sobre ele, o quanto estariam dispostos    a receber por abrir m&atilde;o dele).</font></P>     <p><font size="3">N&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil perceber a limita&ccedil;&atilde;o    dessa vis&atilde;o utilitarista e individualista. Definir o valor de um bem    ou servi&ccedil;o ambiental em termos do quanto as pessoas individualmente estariam    "dispostas a pagar" por ele desconsidera, primeiro, que o conhecimento    dos indiv&iacute;duos &eacute; limitado, n&atilde;o considerando elementos complexos    e sist&ecirc;micos que a ci&ecirc;ncia luta por compreender; segundo, que os    indiv&iacute;duos n&atilde;o s&atilde;o necessariamente altru&iacute;stas, e    que a manifesta&ccedil;&atilde;o de sua "utilidades e "disposi&ccedil;&atilde;o    a pagar" diz respeito ao bem&#45;estar percebido em sua perspectiva individual,    n&atilde;o correspondendo ao bem&#45;estar de um ponto de vista coletivo e sist&ecirc;mico,    que ensejasse como princ&iacute;pio a igualdade e justi&ccedil;a entre os diferentes    indiv&iacute;duos, coletividades, na&ccedil;&otilde;es e gera&ccedil;&otilde;es,    especialmente as gera&ccedil;&otilde;es futuras; terceiro, ainda que os indiv&iacute;duos    fossem perfeitamente conhecedores e perfeitamente altru&iacute;stas, a abordagem    neocl&aacute;ssica &eacute; limitada pois assume que tudo o que possui valor    &eacute; comut&aacute;vel, intercambi&aacute;vel, compens&aacute;vel, ou seja,    que o julgamento das coisas &eacute; do tipo compensat&oacute;rio, e que, portanto,    tudo pode ser traduzido no numer&aacute;rio monet&aacute;rio como equivalente    geral, que todos os bens e servi&ccedil;os s&atilde;o vistos como tendo um pre&ccedil;o    pelo qual podem ser trocados; n&atilde;o se apercebe que em meio ambiente h&aacute;    valores incomensur&aacute;veis ou insubstitu&iacute;veis que correspondem a    "julgamentos n&atilde;o compensat&oacute;rios", i.e., coisas cujo    valor n&atilde;o pode ser compensado ou trocado por algum equivalente (5;6)    .</font></P>     <p><font size="3">Na formula&ccedil;&atilde;o convencional, um ecossistema tem    o seu valor econ&ocirc;mico total dado pela soma de seu valor de uso (direto,    indireto e de op&ccedil;&atilde;o) e seu valor de n&atilde;o uso. O valor de    uso direto corresponde aos valores derivados do uso econ&ocirc;mico direto de    seus recursos, como o uso extrativista de produtos florestais madeireiros e    n&atilde;o&#45;madeireiros. O valor de uso indireto consiste no valor econ&ocirc;mico    gerado na forma dos servi&ccedil;os ambientais, como o provimento de mananciais    de &aacute;gua, estabiliza&ccedil;&atilde;o microclim&aacute;tica, esp&eacute;cies    polinizadoras, etc, que seriam perdidos com a remo&ccedil;&atilde;o do ecossistema.    O valor de op&ccedil;&atilde;o consiste em valores de uso direto ou indireto    cuja realiza&ccedil;&atilde;o dar&#45;se&#45;&aacute; em tempo futuro, e que devem ser    computados para os c&aacute;lculos presentes, como, por exemplo, valores de    novos produtos a serem desenvolvidos a partir da biodiversidade, como novos    f&aacute;rmacos, alimentos e outros bioprodutos e bioprocessos. O valor de n&atilde;o    uso, tamb&eacute;m identificado como valor de exist&ecirc;ncia, corresponde    ao valor que esse ecossistema possuiria "em si", ou seja, o valor    advindo apenas do fato de existir, independentemente de qualquer uso direto    ou indireto, presente ou futuro, que esse oferecesse.</font></P>     <p><font size="3">&Eacute;, sim, razo&aacute;vel que os valores de uso e seus    correspondentes m&eacute;todos de valora&ccedil;&atilde;o, uma vez que referidos    a valores econ&ocirc;micos que se manifestam concretamente, no m&iacute;nimo    estes, devam ser considerados (embora n&atilde;o captem o conjunto valorativo    de todo o sistema). Ademais, nada obriga que esses sejam interpretados enquanto    "utilidades" abstratas que lhe dariam conte&uacute;do, muito embora    assim a vis&atilde;o neocl&aacute;ssica os interprete.</font></P>     <p><font size="3">Todavia, o aspecto mais delicado e controverso est&aacute; nos    valores de n&atilde;o&#45;uso ou valor de exist&ecirc;ncia. Muito embora seja, de    fato, tocante ao bom senso e ao sentimento &eacute;tico de que as formas de    vida, sejam elas individuais ou estruturadas como ecossistemas, possuem valor    intr&iacute;nseco, por serem o que s&atilde;o, por existirem enquanto vida,    no entanto, &eacute; absolutamente question&aacute;vel o modo como a vis&atilde;o    neocl&aacute;ssica procura definir e estabelecer substantivamente tais valores    de exist&ecirc;ncia. Paradoxalmente, o valor de exist&ecirc;ncia que, por princ&iacute;pio,    deveria ser aquele intr&iacute;nseco a dado elemento natural, por sua exist&ecirc;ncia    em si mesmo, portanto objetivo e independente de qualquer utiliza&ccedil;&atilde;o,    &eacute;, contudo, justamente aquele tratado da forma mais radical pelo subjetivismo    utilitarista e individualista da economia neocl&aacute;ssica. Pura e simplesmente,    a "mensura&ccedil;&atilde;o" de tais valores de exist&ecirc;ncia &eacute;    feita interrogando&#45;se os indiv&iacute;duos, por meio de question&aacute;rios    (m&eacute;todo de valora&ccedil;&atilde;o contingente) sobre sua utilidade,    isto &eacute;, o quanto esses estariam "dispostos a pagar" para que    certo elemento ambiental "exista". Registrados esses valores monet&aacute;rios,    subjetivamente e hipoteticamente declarados pelos indiv&iacute;duos, os dados    s&atilde;o ent&atilde;o compilados e extrapolados para o conjunto da popula&ccedil;&atilde;o,    e ponto. E eis a&iacute; o valor da natureza "em si mesma", na vis&atilde;o    neocl&aacute;ssica.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n1/a16img01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>APLICA&Ccedil;&Otilde;ES DA VALORA&Ccedil;&Atilde;O ECOL&Oacute;GICA    NEOCL&Aacute;SSICA</b> Nos estudos de valora&ccedil;&atilde;o    de ecossistemas e &aacute;reas protegidas, embora v&aacute;rios desenvolvimentos    de conceitos e m&eacute;todos no campo da economia ecol&oacute;gica (7) venham    sendo realizados, buscando&#45;se an&aacute;lises sist&ecirc;micas de balan&ccedil;os    e fluxos ecossist&ecirc;micos (5;8;9), h&aacute; um grande predom&iacute;nio    da abordagem neocl&aacute;ssica. May, Veiga Neto e Pozo apontam 56 estudos realizados    no Brasil, at&eacute; 2000, relativos &agrave; valora&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica    da biodiversidade, bastante dispersos em biomas, objeto e m&eacute;todo, e poucos    em &aacute;reas protegidas (10). Posteriormente, novos trabalhos sobre &aacute;reas    protegidas foram realizados (11;12;13). Entretanto, a valora&ccedil;&atilde;o    de ecossistemas e &aacute;reas protegidas revela ampla utiliza&ccedil;&atilde;o    do m&eacute;todo de valora&ccedil;&atilde;o contingente, dado o anseio de se    encontrar seus valores de exist&ecirc;ncias.</font></P>     <p><font size="3">&Eacute; desej&aacute;vel e poss&iacute;vel a identifica&ccedil;&atilde;o    e quantifica&ccedil;&atilde;o de valores ambientais relativos a custos ou benef&iacute;cios    espec&iacute;ficos gerados a esse ou &agrave;quele segmento definido da sociedade.    Tais valores, uma vez concretamente existentes, cabem ent&atilde;o ser administrados    pelo poder p&uacute;blico para que, em termos &eacute;ticos de justi&ccedil;a,    seja promovido o pagamento ou recebimento por eles. Todavia, tais formas de    valora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o suficientes para se identificar    a efetiva contribui&ccedil;&atilde;o de determinado recurso ecol&oacute;gico    ou ambiental na perspectiva sist&ecirc;mica e evolutiva da din&acirc;mica do    desenvolvimento econ&ocirc;mico. A economia, assim como a ecologia, &eacute;    um sistema complexo, cujo funcionamento estabelece condi&ccedil;&otilde;es,    conex&otilde;es e resultantes que, de longe, extrapolam a simples agrega&ccedil;&atilde;o    dos comportamentos dos indiv&iacute;duos consumidores e produtores. N&atilde;o    &eacute; recente e sim bem conhecida entre os economistas a den&uacute;ncia    dessa "fal&aacute;cia da composi&ccedil;&atilde;o", especialmente    a partir da obra de Keynes, muito embora frequentemente desconsiderada pelo    <I>mainstream</I> econ&ocirc;mico.</font></P>     <p><font size="3">A an&aacute;lise de fen&ocirc;menos sist&ecirc;micos requer    vis&atilde;o ontol&oacute;gica e procedimentos metodol&oacute;gicos sist&ecirc;micos.    Embora a economia ecol&oacute;gica seja um caminho que busca a constru&ccedil;&atilde;o    de abordagens anal&iacute;ticas sist&ecirc;micas, um caminho complementar pode    ser encontrado com o m&eacute;todo hist&oacute;rico, por meio do qual o sentido    econ&ocirc;mico dos elementos ecol&oacute;gicos nas trajet&oacute;rias de desenvolvimento    pode ser encontrado. Na recupera&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica do desenvolvimento    do pa&iacute;s, a pr&oacute;pria natureza estrat&eacute;gica do desenvolvimento    econ&ocirc;mico possu&iacute;a corte com fundamentos ecol&oacute;gicos. E, nesse    cen&aacute;rio, os jardins bot&acirc;nicos historicamente ocuparam uma import&acirc;ncia    estrat&eacute;gica econ&ocirc;mica e geopol&iacute;tica.</font></P>     <p><font size="3">A hist&oacute;ria econ&ocirc;mica do Brasil se encontra intimamente    associada &agrave; sua hist&oacute;ria ecol&oacute;gica e territorial: desde    o ciclo do pau&#45;brasil, estritamente ligado aos ecossistemas originais de floresta,    passando pela ocupa&ccedil;&atilde;o da terra pelos canaviais, a interioriza&ccedil;&atilde;o    bandeirante, as drogas do sert&atilde;o e a borracha na Amaz&ocirc;nia, a expans&atilde;o    dos cafezais, chegando&#45;se, j&aacute; na moderna era industrial, o pa&iacute;s    tendo ainda fortes vetores de desenvolvimento econ&ocirc;mico apoiados nas suas    condi&ccedil;&otilde;es ecol&oacute;gico&#45;territoriais, de corte prim&aacute;rio&#45;exportador    ou "recomoditizado", como com a expans&atilde;o da soja e do gado    e, mais recentemente, com a cana e os biocombust&iacute;veis.</font></P>     <p><font size="3">Todavia, em nossa fase pr&eacute;&#45;republicana e pr&eacute;&#45;industrial,    n&iacute;tida se fazia a face ecol&oacute;gica das estrat&eacute;gias de desenvolvimento    econ&ocirc;mico. A expans&atilde;o ultramarina, que fez com que Portugal e Espanha    fossem os primeiros a se lan&ccedil;ar al&eacute;m&#45;mar, chegando a descobrir    o "novo mundo" e tornarem&#45;se as grandes pot&ecirc;ncias de ent&atilde;o,    motivou&#45;se exatamente pela busca por determinadas plantas, as especiarias. A    l&oacute;gica da coloniza&ccedil;&atilde;o, do Oriente e do Novo Mundo, passa    a ser ent&atilde;o a do controle econ&ocirc;mico, pol&iacute;tico e ecol&oacute;gico    de esp&eacute;cies ex&oacute;ticas &agrave; Europa e portadoras de ampla aceita&ccedil;&atilde;o    e demanda econ&ocirc;mica nesse continente. Diferentes medidas eram implementadas    como mecanismos de controle, como o est&iacute;mulo ao transporte, plantio e    comercializa&ccedil;&atilde;o de determinadas esp&eacute;cies, assim como a    proibi&ccedil;&atilde;o de outras. Dentre as iniciativas mais estrat&eacute;gicas,    encontrou&#45;se a cria&ccedil;&atilde;o dos jardins bot&acirc;nicos, com destaque    ao Jardim Bot&acirc;nico D'Ajuda, em Portugal. &Agrave; semelhan&ccedil;a da    import&acirc;ncia estrat&eacute;gica que hoje institui&ccedil;&otilde;es de    pesquisa de ponta representam para o desenvolvimento econ&ocirc;mico, os jardins    bot&acirc;nicos foram criados, portando, com o intuito de constituir amplas    &aacute;reas de vegeta&ccedil;&atilde;o que abrigassem e preservassem esp&eacute;cies    aut&oacute;ctones, assim como esp&eacute;cies ex&oacute;ticas de interesse econ&ocirc;mico,    permitindo desenvolver o estudo, a descri&ccedil;&atilde;o, a domestica&ccedil;&atilde;o,    o manejo e a aclimata&ccedil;&atilde;o dessas esp&eacute;cies em novos ambientes    e regi&otilde;es.</font></P>     <p><font size="3">Segundo o historiador Warren Dean (14) a introdu&ccedil;&atilde;o    de esp&eacute;cies ex&oacute;ticas no Brasil se inicia desde os primeiros tempos    da coloniza&ccedil;&atilde;o, trazendo esp&eacute;cies j&aacute; aclimatadas    em Portugal ou suas ilhas atl&acirc;nticas. As esp&eacute;cies introduzidas    de maior interesse comercial deram a sustenta&ccedil;&atilde;o aos s&eacute;culos    de coloniza&ccedil;&atilde;o que se sucederam, com destaque &agrave; cana e    aos couros. Destaca que a transfer&ecirc;ncia de plantas e animais domesticados    constitu&iacute;a&#45;se, assim, em uma das mais poderosas armas do imperialismo    lusitano, atuando como elemento de "conquista de culturas", onde os    elementos culturais constitu&iacute;am mecanismos de controle das sociedades    colonizadas (14). Na hist&oacute;ria brasileira, o desenvolvimento de novas    capacidades agr&iacute;colas atrav&eacute;s da domestica&ccedil;&atilde;o de    esp&eacute;cies nativas e de aclimata&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies ex&oacute;ticas    foi um fator determinante do posicionamento da col&ocirc;nia e, mais tarde,    do imp&eacute;rio brasileiro na economia mundial. Essa estrat&eacute;gia de    transfer&ecirc;ncia de esp&eacute;cies entre as col&ocirc;nias portuguesas e    outras europeias representou um processo de "cosmopolitiza&ccedil;&atilde;o    das floras e faunas terrestres" e de "universaliza&ccedil;&atilde;o    do dom&iacute;nio sobre todos os ecossistemas terrestres". No caso do Brasil,    essa cosmopolitiza&ccedil;&atilde;o foi de natureza pan&#45;tropical, uma vez que    as esp&eacute;cies aqui introduzidas eram geralmente de origem africana ou sul&#45;asi&aacute;tica    (14).</font></P>     <p><font size="3"><b>PODER ECON&Ocirc;MICO E DOM&Iacute;NIO DE ESP&Eacute;CIES</b>    O esfor&ccedil;o metropolitano inicial em aclimatar esp&eacute;cies de especiarias    orientais no Brasil n&atilde;o teve efeitos significativos, por dois motivos.    Primeiro, pelo fato de que a col&ocirc;nia brasileira se encontrava estruturada    com base em produtos de alta rentabilidade, como a cana e depois o ouro. Em    segundo lugar, pelo fato de que a pol&iacute;tica de exclusivo metropolitano,    se contentando com tais produtos, ao mesmo tempo procurava garantir e prolongar    a rentabilidade de suas col&ocirc;nias no Oriente, impedindo que outras col&ocirc;nias    suas pudessem ter acesso e cultivo dos mesmos produtos orientais.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n1/a16img02.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A invas&atilde;o holandesa no Nordeste marca nova fase, com    forte presen&ccedil;a de estudiosos naturalistas e com a decis&atilde;o de plantar    especiarias asi&aacute;ticas no Brasil, desafiando a Companhia das &Iacute;ndias    Orientais (14). A partir de 1671, a pol&iacute;tica portuguesa acerca das especiarias    asi&aacute;ticas se flexibiliza, liberando a comercializa&ccedil;&atilde;o do    gengibre do Brasil para a metr&oacute;pole e trazendo de Goa sementes de cravo,    pimenta, noz&#45;moscada e mesmo gengibre. Todavia, os esfor&ccedil;os de transferir    e intensificar o com&eacute;rcio de especiarias asi&aacute;ticas no Brasil foi    moroso e se perdeu gradativamente com a descoberta do ouro (14).</font></P>     <p><font size="3">Contudo, no in&iacute;cio do s&eacute;culo XVIII, surgem novos    importantes instrumentos para o interc&acirc;mbio de esp&eacute;cies no processo    de concorr&ecirc;ncia comercial colonial: os jardins bot&acirc;nicos e os herb&aacute;rios,    que permitiam estudos comparativos de in&uacute;meras esp&eacute;cies de diversas    regi&otilde;es, o interc&acirc;mbio de plantas entre as col&ocirc;nias e sua    aclimata&ccedil;&atilde;o, aumentando consideravelmente a gera&ccedil;&atilde;o,    sistematiza&ccedil;&atilde;o e transfer&ecirc;ncia de informa&ccedil;&atilde;o    e conhecimento com base cient&iacute;fica sobre as plantas e suas t&eacute;cnicas    culturais (14;15).</font></P>     <p><font size="3">No per&iacute;odo pombalino, com a penetra&ccedil;&atilde;o    de valores cient&iacute;ficos da ilustra&ccedil;&atilde;o francesa, deu&#45;se impulso    &agrave; emerg&ecirc;ncia dos naturalistas em Portugal, com forte destaque &agrave;    atua&ccedil;&atilde;o do bot&acirc;nico Domenico Vandelli, que formou a primeira    gera&ccedil;&atilde;o de naturalistas e dirigiu o Real Jardim Bot&acirc;nico    D'Ajuda. No Brasil foram fundados alguns hortos ou jardins bot&acirc;nicos (14;15).    Com os jardins bot&acirc;nicos, estabeleceu&#45;se, ao longo do s&eacute;culo XVIII,    coordena&ccedil;&atilde;o &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o e transfer&ecirc;ncias    de diferentes esp&eacute;cies como &iacute;ndigo, pimenta, canela, fruta&#45;p&atilde;o,    o cravo, cana caiena, e o bicho&#45;da&#45;seda e a cochonilha, destacando novas remessas    para o Brasil de canelas, acompanhadas de memoriais cient&iacute;ficos, capim    coloni&atilde;o, teca da &Iacute;ndia e tabaco, produ&ccedil;&atilde;o do arroz,    do trigo, do c&acirc;nhamo, amostragem e indica&ccedil;&atilde;o de usos de    madeiras nativas (14).</font></P>     <p><font size="3">Esse quadro viria ainda a ter um grande impulso com a vinda    da fam&iacute;lia real, em 1808. Com a nova condi&ccedil;&atilde;o de reino    unido, a estrat&eacute;gia geopol&iacute;tica e econ&ocirc;mica para a <I>terra    brasilis</I> inflexiona, voltando&#45;se na dire&ccedil;&atilde;o da constitui&ccedil;&atilde;o    de uma economia aut&ocirc;noma. Tal autonomia econ&ocirc;mica (que depois desembocaria    no processo de autonomia pol&iacute;tica do pa&iacute;s) se desenha de imediato    com a "abertura dos portos" (autonomia comercial), a cria&ccedil;&atilde;o    do Banco do Brasil (autonomia financeira) e a cria&ccedil;&atilde;o do Jardim    Bot&acirc;nico do Rio de Janeiro, como um elemento de autonomia produtiva.</font></P>     <p><font size="3">Com o emergir das ci&ecirc;ncias naturais, o naturalismo iluminista    abre&#45;se no Brasil junto com a chegada da corte e a vinda de naturalistas estrangeiros,    os "viajantes". Assim, a bot&acirc;nica, enquanto emergente ci&ecirc;ncia    e arte iluminista, aflora no Brasil enquanto componente estrat&eacute;gico de    pol&iacute;tica econ&ocirc;mica. A funda&ccedil;&atilde;o do Jardim Bot&acirc;nico    do Rio de Janeiro, como um jardim de aclima&ccedil;&atilde;o, deu&#45;se com a finalidade    de introduzir e aclimatar novas esp&eacute;cies (artigo de Peixoto e Guedes&#45;Bruni,    p&aacute;gina 32). Todavia, a pol&iacute;tica de aclima&ccedil;&atilde;o de    esp&eacute;cies, que resultou em uma horticultura muito mais diversificada,    n&atilde;o trouxe mudan&ccedil;as profundas na pauta de exporta&ccedil;&otilde;es.    Gengibre, noz&#45;moscada, cravo, &iacute;ndigo, ch&aacute; e cana caiena, potencialmente    promissores, chegaram a ser produzidos e comercializados, por&eacute;m com pouco    &ecirc;xito. Curiosamente, o produto que veio a ser o principal produto da pauta    de exporta&ccedil;&atilde;o, o caf&eacute;, n&atilde;o foi objeto de grandes    aten&ccedil;&otilde;es oficiais para sua introdu&ccedil;&atilde;o e aclimata&ccedil;&atilde;o,    sendo inicialmente um produto comercializado em pequena escala, apenas posteriormente    adquirindo express&atilde;o (14;15).</font></P>     <p><font size="3">Dean identifica, ainda, sem perquirir suas raz&otilde;es, que    o desenvolvimento das ci&ecirc;ncias bot&acirc;nicas no Brasil como forma de    controle ecol&oacute;gico sobre atividades econ&ocirc;micas esteve associado    ao projeto imperial mercantilista portugu&ecirc;s, arrefecendo com o desligamento    do Brasil. E que "(...) a transfer&ecirc;ncia de esp&eacute;cies ex&oacute;ticas    e a domestica&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies nativas s&atilde;o evidentemente    atividades que apresentam significados diferentes dentro de contextos mercantilistas    e liberais (...)" (14).</font></P>     <p><font size="3">De fato, o fomento do desenvolvimento cient&iacute;fico, uma    vez que de cunho estrat&eacute;gico e imerso em contabilidades que n&atilde;o    se restringem a sinais de mercado dados em horizontes de curto prazo, requer    a centralidade da a&ccedil;&atilde;o do Estado. A pol&iacute;tica colonial mercantilista,    com decis&otilde;es centradas na metr&oacute;pole, ensejou tal tipo de iniciativas,    com impulso ainda maior quando o Brasil foi al&ccedil;ado &agrave; condi&ccedil;&atilde;o    de igualdade &agrave; metr&oacute;pole e sede do reino. Contudo, a desarticula&ccedil;&atilde;o    das estruturas do antigo sistema colonial mercantilista provocou a progressiva    subsun&ccedil;&atilde;o &agrave; l&oacute;gica econ&ocirc;mica dirigida pelo    mercado liberalizado, perdendo o Estado a preponder&acirc;ncia de seu papel,    que passa a ser dividido com os detentores do capital comercial e financeiro    privados.</font></P>     <p><font size="3">Na Europa, o s&eacute;culo XIX assiste &agrave; consolida&ccedil;&atilde;o    do imperialismo brit&acirc;nico e de seu liberalismo. Com eles, consolida&#45;se    tamb&eacute;m o papel dos jardins bot&acirc;nicos da Inglaterra enquanto pot&ecirc;ncia    colonizadora. Os jardins bot&acirc;nicos reais brit&acirc;nicos, com destaque    ao Kew Gardens (artigo de Simon Mayo, p&aacute;gina 38), se consolidam como    jardins bot&acirc;nicos de excel&ecirc;ncia e de papel estrat&eacute;gico em    sua expans&atilde;o colonial (16). Vale lembrar, foi o pr&oacute;prio Kew que,    entre outras iniciativas, financiou em 1876 o cl&aacute;ssico roubo no Brasil    de 70.000 sementes de seringueira por Henry Wickham, que ap&oacute;s aclimatadas    para as col&ocirc;nias brit&acirc;nicas na &Aacute;sia produziram os grandes    plantios comerciais que trouxeram fabulosas riquezas ao imp&eacute;rio brit&acirc;nico    e arruinaram a economia da borracha na Amaz&ocirc;nia (17). Por sua vez, no    Brasil, a recente ex&#45;col&ocirc;nia do decadente imp&eacute;rio lusitano tem    sua pol&iacute;tica econ&ocirc;mica delimitada pelas for&ccedil;as de mercado    dos produtos mais importantes da pauta de exporta&ccedil;&otilde;es, destacadamente    o caf&eacute;, perdendo sua capacidade de fomento do desenvolvimento cient&iacute;fico.</font></P>     <p><font size="3">Os caminhos econ&ocirc;micos do desenvolvimento brasileiro se    afastaram da condi&ccedil;&atilde;o de ter os ecossistemas naturais como a principal    forma de riqueza imediata e direta. A vis&atilde;o de "riqueza natural"    passa a n&atilde;o mais tomar os ecossistemas como um todo, mas apenas as condi&ccedil;&otilde;es    favor&aacute;veis de clima, hidrol&oacute;gicas e de fertilidade da terra para    a produ&ccedil;&atilde;o de monoculturas de ampla aceita&ccedil;&atilde;o no    mercado externo. Os ecossistemas naturais, especialmente florestais, passam    a ser vistos como empecilho a ser removido, o "mato a ser limpo".    Com a moderna sociedade industrial, o processo se aprofunda ainda mais, uma    vez que a produ&ccedil;&atilde;o rural passa a guardar cada vez menor independ&ecirc;ncia,    estabelecendo rela&ccedil;&otilde;es de encadeamento e complementaridade com    a atividade industrial.</font></P>     <p><font size="3">Todavia, o imagin&aacute;rio dos ecossistemas naturais enquanto    manancial de riqueza jamais se perdeu. E n&atilde;o sem motivo. Ainda que n&atilde;o    de forma direta e imediata, ainda que sem gerar receitas a quem os detivesse,    a "riqueza", por&eacute;m, ainda estava l&aacute;. Tal percep&ccedil;&atilde;o,    para muito al&eacute;m de simb&oacute;lica, adquire aceita&ccedil;&atilde;o    e compreens&atilde;o crescente com a emerg&ecirc;ncia da quest&atilde;o ambiental    nos anos 1960&#45;1970, chegando aos dias atuais com o desafio de se identificar,    quantificar e realizar os valores econ&ocirc;micos dos ecossistemas.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Os ecossistemas naturais s&atilde;o portadores de bens e servi&ccedil;os    in&uacute;meros que, por serem bens p&uacute;blicos, repousaram sempre sob a    veste de "gratuitos" e, portanto, sem valores de mercado imediatos.    Dentre os bens de ecossistemas florestais, apesar de p&uacute;blicos em sua    origem, a domina&ccedil;&atilde;o particular de seu acesso sempre fez com que    a madeira, a borracha, a castanha e outros bens de valor comercial tenham tido    pre&ccedil;os de mercado.</font></P>     <p><font size="3">Todavia, novas modalidades de bens e servi&ccedil;os florestais    v&ecirc;m sendo reconhecidas e seus valores perseguidos. A explos&atilde;o tecnol&oacute;gica    e de diversifica&ccedil;&atilde;o dos mercados contempor&acirc;neos faz com    que recursos gen&eacute;ticos &#150; especialmente produtos florestais n&atilde;o&#45;madeireiros    &#150; at&eacute; h&aacute; pouco de uso desconhecido, ganhem enorme import&acirc;ncia    para a produ&ccedil;&atilde;o de f&aacute;rmacos, alimentos e nutrientes, cosm&eacute;ticos,    reagentes para ind&uacute;stria qu&iacute;mica, dentre in&uacute;meros poss&iacute;veis    outros usos. De outro lado, a crescente compreens&atilde;o do equil&iacute;brio    ecol&oacute;gico leva a que sejam reconhecidas in&uacute;meras fun&ccedil;&otilde;es    ecossist&ecirc;micas vitais para o bem&#45;estar humano, designadas por <I>servi&ccedil;os    ambientais</I>, que se encontram amea&ccedil;adas pela expans&atilde;o econ&ocirc;mica    desregulada e que devem ser sustentadas.</font></P>     <p><font size="3">Nesse sentido, a conserva&ccedil;&atilde;o de ecossistemas vem    paulatinamente se reencontrando com sua import&acirc;ncia enquanto elemento    de um desenvolvimento humano sustent&aacute;vel, e consequentemente se reencontrando    com o seu valor. Para al&eacute;m de exerc&iacute;cios de valora&ccedil;&atilde;o    monet&aacute;ria, cabe compreender as raz&otilde;es que provocam a sub&#45;valoriza&ccedil;&atilde;o    da conserva&ccedil;&atilde;o dos ecossistemas e estabelecer estrat&eacute;gias    institucionais e t&eacute;cnicas que alavanquem sua valoriza&ccedil;&atilde;o    e viabiliza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica.</font></P>     <p><font size="3">Reabre&#45;se ent&atilde;o importante papel estrat&eacute;gico potencial    a ser cumprido pelas unidades que realizam conserva&ccedil;&atilde;o <I>in situ</I>    e <I>ex situ</I>. Nesse contexto, os jardins bot&acirc;nicos voltam a ter um    potencial papel econ&ocirc;mico na sociedade contempor&acirc;nea.</font></P>     <p><font size="3"><b>OS NOVOS POTENCIAIS ECON&Ocirc;MICOS DOS JARDINS BOT&Acirc;NICOS</b>    A atividade da conserva&ccedil;&atilde;o <I>in situ</I> historicamente tem sua    economia sub&#45;valorada, por atributos que fazem com que seu uso seja pouco atrativo    em termos de rentabilidade de mercado, tornando&#45;se assim uma tarefa p&uacute;blica.    Dentre esses atributos, destacam&#45;se a forte incerteza e desconhecimento acerca    do potencial econ&ocirc;mico futuro dos bancos gen&eacute;ticos dos ecossistemas    preservados, o que torna a conserva&ccedil;&atilde;o atividade de alto risco,    sendo mais atraente ao interesse privado que sejam conservados pelo poder p&uacute;blico    e apenas transferidos para formas privadas de conserva&ccedil;&atilde;o <I>ex    situ</I> quando demonstrada sua viabilidade econ&ocirc;mica. Por contraste,    a conserva&ccedil;&atilde;o <I>ex situ</I> lida com esp&eacute;cies de potencial    valor econ&ocirc;mico, transitando&#45;as da condi&ccedil;&atilde;o de bens p&uacute;blicos    para bens de interesse privado de mercado. Nesse sentido, Griffith (18) chama    a aten&ccedil;&atilde;o ao fato de que a valoriza&ccedil;&atilde;o da conserva&ccedil;&atilde;o    <I>in situ</I> &eacute; alavancada por atividades de conserva&ccedil;&atilde;o    <I>ex situ</I>, e vice&#45;versa, sendo, portanto, complementares.</font></P>     <p><font size="3">No arranjo normativo e cient&iacute;fico brasileiro de &aacute;reas    de preserva&ccedil;&atilde;o ecossist&ecirc;mica, os jardins bot&acirc;nicos    possuem atributos sistematizados na Resolu&ccedil;&atilde;o Conama 266, amparados    no Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, art. 255, e na Conven&ccedil;&atilde;o    para a Diversidade Biol&oacute;gica (19) que lhes distinguem de Unidades de    Conserva&ccedil;&atilde;o. Primeiro, por serem entidades tipicamente de pesquisa;    segundo, pela liberdade cient&iacute;fica que possuem em realizar investiga&ccedil;&atilde;o    na interface entre a conserva&ccedil;&atilde;o <I>in situ</I> e <I>ex situ</I>.    </font></P>     <p><font size="3">O ramo de conhecimento recente denominado por "ecologia    molecular" vem justamente buscar compreender como as caracter&iacute;sticas    moleculares das esp&eacute;cies se comportam e se alteram em diferentes condi&ccedil;&otilde;es    ecossist&ecirc;micas, buscando identificar as vari&aacute;veis que melhor propiciem    a produ&ccedil;&atilde;o de princ&iacute;pios ativos e outras caracter&iacute;sticas    de interesse econ&ocirc;mico. Tal frente de interesse e investiga&ccedil;&atilde;o,    a bioprospec&ccedil;&atilde;o, move atualmente vultuosos interesses econ&ocirc;micos    e, n&atilde;o sem raz&atilde;o, o governo brasileiro criou em 1998 o programa    Programa Brasileiro de Ecologia Molecular para o Uso Sustent&aacute;vel da Biodiversidade    da Amaz&ocirc;nia (Probem), o qual contudo n&atilde;o teve o andamento inicialmente    esperado em virtude da sensibilidade que a quest&atilde;o da bioprospec&ccedil;&atilde;o    representa em termos de direitos de propriedade sobre a biodiversidade, agravado    ainda mais pelo conflito gerado em torno de um grande contrato firmado, e em    seguida suspenso, entre a Organiza&ccedil;&atilde;o Social Bioamaz&ocirc;nia    e a empresa Novartis Pharma (20;21;22;23).</font></P>     <p><font size="3">Em que pese os esfor&ccedil;os realizados no &acirc;mbito do    Conselho de Gest&atilde;o do Patrim&ocirc;nio Gen&eacute;tico (Cgen), a lacuna    normativa e de iniciativas de pol&iacute;tica p&uacute;blica para a bioprospec&ccedil;&atilde;o    abre uma janela de oportunidade para que novas defini&ccedil;&otilde;es sejam    constru&iacute;das, tendo&#45;se como centro as institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas    de pesquisa comprometidas com a conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade.    Um novo quadro normativo e pol&iacute;tico &eacute; requerido para a problem&aacute;tica    e esse papel de destaque, seguramente, dever&aacute; caber aos jardins bot&acirc;nicos.    Isso, desde que correspondentemente estruturados e aparelhados (com amplia&ccedil;&atilde;o    de seu marco normativo para al&eacute;m da Resolu&ccedil;&atilde;o 266) para    a a&ccedil;&atilde;o nesse campo onde a conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade    se reencontra com seu uso econ&ocirc;mico, por&eacute;m com toda a aridez do    choque entre interesses conservacionistas, cient&iacute;ficos e econ&ocirc;micos.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><i><b>Maur&iacute;cio de Carvalho Amazonas</b> &eacute; professor    adjunto do Centro de Desenvolvimento Sustent&aacute;vel da Universidade de Bras&iacute;lia    (CDS/UnB).</i></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">1.  Bentham, J. <i>Uma introdu&ccedil;&atilde;o aos princ&iacute;pios    da moral e da legisla&ccedil;&atilde;o</i>. Abril Cultural, 1979. Cole&ccedil;&atilde;o    "Os Pensadores". T&iacute;tulo original: <i>An introduction to the    principles of morals and legislation</i>, 1789.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">2.  Mill, John Stuart. <i>Princ&iacute;pios de economia pol&iacute;tica:    com algumas aplica&ccedil;&otilde;es a filosofia social</i>. Nova Cultural,    1986. 431 p. Cole&ccedil;&atilde;o "Os Pensadores". T&iacute;tulo    original: <i>Principles of Political Economy, with some of their applications    to&nbsp;Social Philosophy</i>, 1865.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">3.  Hunt, E. K. <i>Hist&oacute;ria do pensamento econ&ocirc;mico</i>.    Campus, 1989.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">4.  Pigou, A. C., <i>The economics of welfare, transaction    publishers</i>, New Jersey, 2002. Primeira edi&ccedil;&atilde;o original de    1920.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">5.  Amazonas, M. de C. "Economia ambiental neocl&aacute;ssica    e desenvolvimento sustent&aacute;vel. O desenvolvimento sustent&aacute;vel e    a perspectiva das teorias econ&ocirc;micas 'institucionais'. Desenvolvimento    sustent&aacute;vel e a economia ecol&oacute;gica". <i>In:</i> Nobre, M.    &amp; Amazonas, M. de C. (Orgs.) <i>Desenvolvimento sustent&aacute;vel: a institucionaliza&ccedil;&atilde;o    de um conceito</i>. Bras&iacute;lia, Edi&ccedil;&otilde;es Ibama. 2002.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">6.  Spash, C.L. &amp; Hanley, N. "Preferences, information    and biodiversity preservation". <i>Ecological Economics</i>, Vol.12, n.3,    PP.191&#45;208. 1995.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">7.  A economia ecol&oacute;gica constitui campo transdisciplinar    a partir da integra&ccedil;&atilde;o de conhecimentos e conceitos oriundos das    &aacute;reas da economia e da ecologia, com o objetivo de estabelecer an&aacute;lises    do sistema ecol&oacute;gico&#45;econ&ocirc;mico integrado, diferenciando&#45;se tanto    da "economia convencional" quanto da "ecologia convencional".        </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">8.  Costanza, R. "Economia ecol&oacute;gica: uma agenda    de pesquisa". <i>In:</i> May, P. H. e Ser&ocirc;a da Motta, R. (Orgs.).    <i>Valorando a natureza: an&aacute;lise econ&ocirc;mica para o desenvolvimento    sustent&aacute;vel</i>. Editora Campus. 1994.     </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">9.  Norgaard, R. "The case for methodological pluralism".    <i>Ecological Economics</i>, Vol.1, pp.37&#45;57. 1989.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">10.  May, P.H., (Coord.); Veiga Neto, F.C.; Pozo O.V.C. <i>Valora&ccedil;&atilde;o    econ&ocirc;mica da biodiversidade: estudos de caso no Brasil</i>. Pronabio,    SBF &#150; Minist&eacute;rio do Meio Ambiente. 2000.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">11.  Motta, R.S.; Ferraz, C. &amp; Ortiz, R.A. <i>Estimando    o valor ambiental do Parque Nacional do Igua&ccedil;u: uma aplica&ccedil;&atilde;o    do custo de viagem</i>. Ipea. 2001.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">12.  Peixoto, S. &amp; Willmersdorf, O.G. <i>Modelo de valora&ccedil;&atilde;o    econ&ocirc;mica dos impactos ambientais em unidades de conserva&ccedil;&atilde;o:    empreendimentos de comunica&ccedil;&atilde;o, rede el&eacute;trica e dutos</i>.    Ibama. 2002.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">13.  Adams, C.; Aznar, C.; Motta, R. S.; Ortiz, R. &amp;    Reid, J. <i>Valora&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica do Parque Estadual Morro    do Diabo</i>. S&atilde;o Paulo. 2003. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.worldbank.org" target="_blank">http//:www.worldbank.org</a>    (acesso em 10/12/2006).    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">14.  Dean, W. "A bot&acirc;nica e a pol&iacute;tica    imperial: a introdu&ccedil;&atilde;o e a domestica&ccedil;&atilde;o de plantas    no Brasil". <i>Estudos Hist&oacute;ricos</i>, Vol.4, n.8, pp.216&#45;228. 1991.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">15.  Sanjad, N.R. "Nos jardins de S&atilde;o Jos&eacute;:    uma hist&oacute;ria do Jardim Bot&acirc;nico do Gr&atilde;o Par&aacute;, 1796&#45;1873".    Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado, Instituto de Geoci&ecirc;ncias, Universidade    Estadual de Campinas, Campinas, SP. 2001.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">16.  Brockway, L.H. <i>Science and colonial expansion: the    role of the British Royal Botanic Gardens</i>. Academic Press, New York. 1979.        </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">17.  Jackson, Joe. <i>The thief at the end of the world:    rubber, power and the obsessions of Henry Wickham</i>. Gerald Duckworth &amp;    Co Ltd. 2009.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">18. Griffith, J. "Economia da conserva&ccedil;&atilde;o    <i>in situ</i> de recursos gen&eacute;ticos florestais". <i>Ipef</i>, Vol.35,    pp.85&#45;92. 1987.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">19. Parreiras, O.M.U.S. "A regulamenta&ccedil;&atilde;o    dos jardins bot&acirc;nicos brasileiros: ampliando as perspectivas de conserva&ccedil;&atilde;o    da biodiversidade". <i>Rodrigu&eacute;sia</i>, Vol.54, n.83, pp.35&#45;54.    2003.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">20. Brasil, Minist&eacute;rio do Meio Ambiente. "Programa    brasileiro de ecologia molecular para o uso sustent&aacute;vel da biodiversidade    da Amaz&ocirc;nia: proposta b&aacute;sica, vers&atilde;o 2.1". III Workshop    Internacional do Probem, Manaus, AM. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio do Meio    Ambiente. 1998.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">21.  Fujiyoshi, S. "Os jornais como cen&aacute;rio de    disputas da explora&ccedil;&atilde;o da biodiversidade na Amaz&ocirc;nia".    Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado, Instituto de Geoci&ecirc;ncias, Universidade    Estadual de Campinas, Campinas, SP. 2006.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">22.  Miguel, L.M. "Uso sustent&aacute;vel da biodiversidade    na Amaz&ocirc;nia brasileira: experi&ecirc;ncias atuais e perspectivas das bioind&uacute;strias    de cosm&eacute;ticos e fitoter&aacute;picos". Disserta&ccedil;&atilde;o    de mestrado. FFLCH, Universidade de S&atilde;o Paulo, S&atilde;o Paulo, SP.    2007.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">23.  Rezende, E.A. "Biopirataria ou bioprospec&ccedil;&atilde;o?    Uma an&aacute;lise cr&iacute;tica da gest&atilde;o do saber tradicional no Brasil".    Tese de doutorado. Escola de Administra&ccedil;&atilde;o, Universidade Federal    da Bahia, Salvador, BA. 2008.</font> ]]></body><back>
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<label>1</label><nlm-citation citation-type="book">
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<year>1979</year>
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<label>2</label><nlm-citation citation-type="book">
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