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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n1/artigos.gif"></p>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size=5><b>OS JARDINS BOT&Acirc;NICOS E A ARTE DE PASSEAR</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Hugo Segawa</b></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size=5><b>N</b></font><font size="3">a virada do s&eacute;culo XVIII    para o s&eacute;culo XIX surgiram os jardins bot&acirc;nicos no Brasil. Podemos    entender o significado desses estabelecimentos cient&iacute;ficos nos enunciados    instauradores de Domingos Vandelli, em sua <I>Mem&oacute;ria sobre a utilidade    dos jardins bot&acirc;nicos</I>, escrita em 1770 (1) e no <I>Discurso sobre    a utilidade da institui&ccedil;&atilde;o de jardins nas principais prov&iacute;ncias    do Brasil</I>, de Manuel Arruda da C&acirc;mara, de 1810 (2). Os jardins bot&acirc;nicos    no Brasil desse per&iacute;odo e o discurso de Arruda da C&acirc;mara t&ecirc;m    seus antecedentes em Vandelli e seus ideais inspirados na fisiocracia, como    j&aacute; observei em outra ocasi&atilde;o (3;4). Nas dez p&aacute;ginas em    que Vandelli sumariza a "utilidade dos jardins bot&acirc;nicos", reconhece&#45;se    o princ&iacute;pio de apontar a terra como a fonte de riqueza das na&ccedil;&otilde;es.    Um fragmento dessa mem&oacute;ria sintetiza a natureza do recinto:</font></P>     <blockquote>        <p><font size="3">Qu&atilde;o grande seja a utilidade de um jardim bot&acirc;nico      (al&eacute;m do gosto de ver juntas as plantas de todas as partes do mundo,      e do proveito que delas recebem, a medicina, as artes, o com&eacute;rcio etc)      para a agricultura, s&oacute; o ignora aquele que n&atilde;o sabe quantas      plantas de regi&otilde;es remotas por meio dos jardins s&atilde;o hoje comuns      e ordin&aacute;rias na Europa, e cujo n&uacute;mero se vai cada dia aumentando;      de que &eacute; prova evidente Fran&ccedil;a, Su&eacute;cia e Alemanha.    <br>     Porquanto, com o conhecimento bot&acirc;nico adquirido nos mais c&eacute;lebres      jardins, t&ecirc;m os ingleses e franceses examinado e reconhecido a maior      parte das plantas que nascem nas suas conquistas da Am&eacute;rica, e t&ecirc;m      tirado imensa utilidade, e cada vez poder&atilde;o tirar mais lucro (5).</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Para al&eacute;m desse olhar pragm&aacute;tico sobre os potenciais    da natureza, ela tamb&eacute;m vai merecer nessa &eacute;poca uma contempla&ccedil;&atilde;o    peculiar, n&atilde;o menos not&aacute;vel na percep&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica    e racional na filosofia das luzes. Os jardins bot&acirc;nicos tamb&eacute;m    foram um cen&aacute;rio id&iacute;lico para as mentes pautadas pelos valores    iluministas. Nosso intento aqui &eacute; estabelecer uma correla&ccedil;&atilde;o    entre os jardins bot&acirc;nicos e o que convencionaremos chamar de "a    arte de passear".</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>ENCANTAMENTO PELA PAISAGEM E PELOS PASSEIOS</b> Ao se examinar    alguns dos v&aacute;rios relatos de viajantes do s&eacute;culo XIX que se referem    aos jardins bot&acirc;nicos, as descri&ccedil;&otilde;es e aprecia&ccedil;&otilde;es    n&atilde;o se limitam apenas ao recinto. O caminho para o Jardim Bot&acirc;nico    do Rio de Janeiro certamente foi um dos mais admirados pelos viajantes daquele    tempo. O franc&ecirc;s Ferdinand Denis, que viveu no Brasil entre 1816 e 1831,    extasiou&#45;se:</font></P>     <blockquote>        <p><font size="3">Dif&iacute;cil seria imaginar a inexprim&iacute;vel beleza      dos s&iacute;tios que se oferecem &agrave; vista, ao longo do caminho que      se tem de percorrer para chegar a ele &#91;Jardim Bot&acirc;nico&#93;. As sossegadas      &aacute;guas da ba&iacute;a, que forma esses lagos interiores, &agrave; borda      dos quais se elevam t&atilde;o graciosas habita&ccedil;&otilde;es; os cabe&ccedil;os      de granito carregados de plantas espessas que atestam o que deve ser a vegeta&ccedil;&atilde;o      nos lugares em que &eacute; favorecida pelo solo ou pela ind&uacute;stria;      essas colinas cobertas de mato, que s&atilde;o boas de ver, entre os ventos      tempestuosos e as sossegadas campinas em que se ostenta tanta opul&ecirc;ncia      (...) (6) </font></p> </blockquote>     <p><font size="3">A brit&acirc;nica Maria Gaham, numa visita ao Jardim Bot&acirc;nico    em dezembro de 1821, referia&#45;se &agrave; ba&iacute;a de Botafogo e arredores:    </font></P>     <blockquote>        <p><font size="3">(...) talvez a mais bela vista nos arredores do Rio, cidade      t&atilde;o rica em belezas naturais. Seu encanto &eacute; real&ccedil;ado      pelas numerosas e belas casas de campo que a circundam agora. Todas surgiram      com a chegada da corte de Lisboa. Antes disso este lugar encantador era habitado      somente por alguns poucos pescadores e ciganos, com talvez uma ou duas vilas      em suas margens junto aos pomares. Al&eacute;m da ba&iacute;a, caminhamos      por um lindo caminho at&eacute; a lagoa Rodrigo de Freitas (7).</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">As qualidades paisag&iacute;sticas e sociais no percurso ao    Jardim Bot&acirc;nico n&atilde;o escaparam da observa&ccedil;&atilde;o de Spix    e Martius:</font></P>     <blockquote>        <p><font size="3">O caminho (...) quase nunca est&aacute; deserto, porque muita      gente da cidade possui neste lugar as suas casas de campo. (...) A regi&atilde;o      da lagoa Rodrigo de Freitas, assim como os vizinhos bairros de Botafogo e      Catete s&atilde;o considerados especialmente saud&aacute;veis, e muitos dos      ricos cidad&atilde;os do Rio possuem ch&aacute;caras por esses lados, nas      quais passam os meses da bela esta&ccedil;&atilde;o do ano. As ruas para ali      s&atilde;o muito freq&uuml;entadas por passeantes a cavalo ou de carro (8).</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">O gosto pelo passeio e a defer&ecirc;ncia pela paisagem ganharam    contornos especiais na segunda metade do s&eacute;culo XVIII. Na literatura,    obras como <I>As afinidades eletivas</I> (1809) (9) ou <I>Viagem &agrave; It&aacute;lia</I>    1786&#45;1788 (10) de Johann Wolfgang von Goethe (1749&#45;1832) testemunham esse apre&ccedil;o    pela vilegiatura, pela sensibilidade &agrave; natureza. Todavia, n&atilde;o    foram escritores como Goethe que teorizaram sobre essas pr&aacute;ticas. Um    pouco conhecido fil&oacute;sofo alem&atilde;o, Karl Gottlob Schelle (1777&#45;?)    escreveu um comp&ecirc;ndio, publicado provavelmente no primeiro quartel do    s&eacute;culo XIX, <I>A arte de passear</I> (11), que expressava os valores    que nos interessam correlacionar no presente ensaio. O que preceituava Schelle?    </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>        <p><font size="3">Uma arte do passeio seria de interesse para todas as pessoas      cultas que gostam de flanar, com o esp&iacute;rito e os sentidos alertas,      tanto na natureza como nos locais frequentados, e de usufruir plenamente da      natureza e da sociedade durante seus passeios (11). </font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Quais s&atilde;o os objetos do passeio, segundo o fil&oacute;sofo?</font></P>     <p><font size="3">A natureza e o g&ecirc;nero humano, a primeira na variedade    de suas paisagens, o segundo sob seu aspecto mais alegre, s&atilde;o, ao mesmo    tempo, o cen&aacute;rio e os objetos do passeio. De fato, poder&aacute; existir    para o indiv&iacute;duo alguma coisa mais importante do que a natureza e o g&ecirc;nero    humano? Aquele que possu&iacute;sse a no&ccedil;&atilde;o mais pura do g&ecirc;nero    humano e da natureza e a guardasse em seu cora&ccedil;&atilde;o seria, inegavelmente,    o mais satisfeito dos homens. N&atilde;o se pode atribuir ao passeio posi&ccedil;&atilde;o    mais eminente, mostrando que ele &eacute; altamente ben&eacute;fico para essa    grande no&ccedil;&atilde;o. </font></P>     <p><font size="3">Mantendo&#45;nos primeiro no campo da natureza, observamos que a    natureza &eacute; muito mais bela e variada do que a monotonia sem encanto de    uma regi&atilde;o privada de qualquer vegeta&ccedil;&atilde;o que d&aacute;    ao esp&iacute;rito, ali&aacute;s, de diversas maneiras, essa impress&atilde;o    de harmonia durante o passeio e que o p&otilde;e em contato com in&uacute;meros    fen&ocirc;menos muito agrad&aacute;veis (11). </font></P>     <p><font size="3"><b>O NATURALISTA E O OBSERVADOR ING&Ecirc;NUO</b> O fil&oacute;sofo    alem&atilde;o fazia uma ressalva sobre os modos de aprecia&ccedil;&atilde;o    da natureza: </font></P>     <blockquote>        <p><font size="3">Mas o interesse do passeante pela natureza n&atilde;o deveria      ser de ordem intelectual. Tal interesse iria al&eacute;m da simples impress&atilde;o      das coisas, al&eacute;m de sua superf&iacute;cie encantadora, e transformaria      a livre atua&ccedil;&atilde;o da imagina&ccedil;&atilde;o, pura atividade      de repouso em um neg&oacute;cio s&eacute;rio, t&atilde;o esfalfante para o      esp&iacute;rito quanto extenuante para o corpo. A natureza s&oacute; pode      agir de forma plena e pura para alegrar o esp&iacute;rito, para torn&aacute;&#45;lo      capaz de receber fielmente as coisas, para lhe dar um conhecimento familiar      de seus fen&ocirc;menos, se &eacute; na &uacute;nica predisposi&ccedil;&atilde;o      interior favor&aacute;vel ao passeio, naquela em que nos deixamos levar por      nossas impress&otilde;es, com a alma ing&ecirc;nua e n&atilde;o apenas passiva.      Temos o direito de nos perguntar se um naturalista, habituado a dissecar as      coisas da natureza em seus diferentes componentes e a classific&aacute;&#45;las      em categorias, &eacute; capaz desse interesse puro que demonstra para com      a natureza o observador ing&ecirc;nuo que se abandona ao simples espet&aacute;culo      que ela oferece (11). </font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Pode&#45;se intuir, a partir dessa observa&ccedil;&atilde;o de Schelle,    as relev&acirc;ncias distintas entre a descri&ccedil;&atilde;o de um cientista    e de um leigo sobre o mesmo lugar.</font></P>     <p><font size="3">O naturalista Hermann Burmeister, em visita ao Jardim Bot&acirc;nico    do Rio de Janeiro em 1851, deixou o seguinte testemunho:</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>        <p><font size="3">&#91;O Jardim Bot&acirc;nico&#93; N&atilde;o passa de um parque p&uacute;blico      ornamentado com plantas ex&oacute;ticas, entre as quais as plantas de especiarias,      como o cravo da &Iacute;ndia, a pimenta, e a canela, que despertam grande      interesse. (...) As muitas palmeiras e a fruta&#45;p&atilde;o, que superam as      do Passeio P&uacute;blico, constituem uma das grandes belezas e atra&ccedil;&otilde;es      do Jardim Bot&acirc;nico. Esfor&ccedil;am&#45;se tamb&eacute;m a&iacute;, em cultivar      flores e ervas europeias, mas os entendidos logo notam que elas vivem em terra      estranha. Dizem que a dire&ccedil;&atilde;o do Jardim &eacute; deficiente,      motivo pelo qual ele n&atilde;o atinge sua finalidade de instituto cient&iacute;fico      (12). </font></p> </blockquote>     <p><font size="3">O alem&atilde;o Carl Seidler, de modo geral um viajante cr&iacute;tico    sobre o Rio de Janeiro dos anos 1830, enlevou&#45;se com o mundo natural no Jardim    Bot&acirc;nico: </font></P>     <blockquote>        <p><font size="3">Penetramos (...) no espl&ecirc;ndido jardim, ornado de todos      os tesouros do reino vegetal, e que tem uma &aacute;rea de cerca de duas l&eacute;guas      quadradas. Aqui se v&ecirc; claramente com que infinita bondade, poder&#45;se&#45;ia      dizer com que predile&ccedil;&atilde;o, a m&atilde;e natureza aben&ccedil;oou      a esta terra abundantemente, mais que a todas as outras. As plantas de todas      as zonas, naturalmente excetuadas as do extremo norte e as do extremo sul,      medram aqui exuberantemente e com pouco trato de m&atilde;o humana (13). </font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Com o t&iacute;tulo <I>Interesse do esp&iacute;rito e condi&ccedil;&otilde;es    necess&aacute;rias ao passeio</I>, Karl Gottlob Schelle insinuava a educa&ccedil;&atilde;o    do olhar no ato do passeio: </font></P>     <blockquote>        <p><font size="3">Na verdade, o interesse que tem o passeante pela natureza      deveria ser de ordem est&eacute;tica. Apenas a considera&ccedil;&atilde;o      est&eacute;tica da natureza permite a livre atua&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as      da alma. Somente ela &eacute; capaz de prosperar com o encanto da apar&ecirc;ncia      da natureza, com o fim de melhor conhec&ecirc;&#45;la na diversidade de seus fen&ocirc;menos.      Ela favorecer&aacute; tamb&eacute;m de forma indireta, atrav&eacute;s de impress&otilde;es      suscitadas por cenas grandiosas e tocantes, o interesse moral pela natureza,      precedendo assim a atividade do esp&iacute;rito que, fundamentando a observa&ccedil;&atilde;o      num interesse puramente intelectual e moral, transforma a livre atua&ccedil;&atilde;o      das for&ccedil;as da alma, t&atilde;o necess&aacute;ria &agrave; finalidade      do passeio, em um neg&oacute;cio s&eacute;rio (11). </font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Foi o publicista franc&ecirc;s Charles de Ribeyrolles quem deixou    um testemunho, de 1858, na fronteira entre a bot&acirc;nica e a literatura:</font></P>     <blockquote>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">H&aacute; ainda outros recantos deliciosos, por&eacute;m bastante      afastados, (...) e entre todos, o Jardim Bot&acirc;nico, fechado, ou melhor,      perdido na lagoa de Rodrigo de Freitas, ao fundo de Botafogo.    <br>     Maravilhoso o&aacute;sis esse terreno emoldurado de altos morros, recebendo      do mar a brisa fresca por uma fresta que se lhe abre em frente. Contudo, h&aacute;      cinquenta anos, n&atilde;o era mais que poeira e p&acirc;ntanos pest&iacute;feros.      &Eacute; hoje jardim das plantas, das bananeiras e das ess&ecirc;ncias. E      essa risonha metamorfose deve&#45;se ao rei D. Jo&atilde;o VI. Se ele pouco se      dava &agrave;s ideias e &agrave;s guerras, comprazia&#45;se com as flores. Deus      proteja e perfume a sua alma.    <br>     Nesse jardim, pobre em esp&eacute;cies, deficiente quanto &agrave; ci&ecirc;ncia,      se ostenta dupla colunata como jamais tiveram pal&aacute;cios e templos. &Eacute;      uma aldeia de palmeiras em dois renques. Regularmente espa&ccedil;adas, cheias      em baixo, de fuste esbelto, abrem&#45;se em capitel numa coroa de flores. Nunca      cabe&ccedil;as de fidalgos ostentaram t&atilde;o belas plumagens. L&aacute;      est&atilde;o elas de guarda, noite e dia, im&oacute;veis como m&aacute;rmores.      Aos raios do luar, &agrave; vista desses alvos espectros, dir&#45;se&#45;ia uma enfiada      de colunas tebanas.    <br>     Esse primeiro aspecto de grande alameda ao mesmo tempo encanta e impressiona.      N&atilde;o se quer ver nem procurar mais nada. Faz&#45;se a corte &agrave;s palmeiras.      E que se encontraria mais longe? Ricas ess&ecirc;ncias sem competi&ccedil;&atilde;o,      nacionais ou estrangeiras. Mas aqui domina o ex&oacute;tico, o que &eacute;      lament&aacute;vel dano. A aclimata&ccedil;&atilde;o &eacute; dever e necessidade      para essa pobre Europa esgotada de germes, que sabe o que possui. Aqui a terra      &eacute; virgem e quase desconhecida. O primeiro trabalho deve&#45;se ao solo,      e anos bastantes se passar&atilde;o antes que a explora&ccedil;&atilde;o,      h&aacute;bil e paciente, acabe o seu invent&aacute;rio.    <br>     O Jardim Bot&acirc;nico do Rio devia ser, antes de tudo, brasileiro (14).      </font></p> </blockquote>     <p><font size="3"><b>UTILIDADE E APRAZIBILIDADE</b> A condi&ccedil;&atilde;o simult&acirc;nea    de recinto cient&iacute;fico e de passeio foi um tra&ccedil;o marcante nos jardins    bot&acirc;nicos ao longo do s&eacute;culo XIX. Todavia, os testemunhos de &eacute;poca    caracterizam essa dualidade como oposi&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3">O atual Jardim da Luz &eacute; o reduzido remanescente do primeiro    jardim bot&acirc;nico na cidade de S&atilde;o Paulo, inaugurado em 1825. Uma    autoriza&ccedil;&atilde;o do governo imperial de 8 de outubro daquele ano permitiu    que o presidente da prov&iacute;ncia facultasse "ao recreio p&uacute;blico"    aquele recinto criado para observa&ccedil;&atilde;o e aclimata&ccedil;&atilde;o    de plantas. Em 1838, a Assembleia Provincial alterou a denomina&ccedil;&atilde;o    do lugar de Jardim Bot&acirc;nico para Passeio P&uacute;blico, sem abdicar de    seu eventualmente aproveitamento para fins bot&acirc;nicos. E pouco depois que    o presidente da prov&iacute;ncia de S&atilde;o Paulo, Rafael Tobias de Aguiar,    se dirigisse &agrave; Assembleia Provincial em busca de recursos. Em 1835 ele    demandava: </font></P>     <blockquote>        <p><font size="3">Continua&#45;se a trabalhar no Jardim estabelecido nesta cidade;      ainda que seja uma despesa que mais toca ao agrad&aacute;vel do que ao &uacute;til,      n&atilde;o se pode dispensar, uma vez que ele j&aacute; serve de recreio aos      cidad&atilde;os em certos dias, e n&atilde;o &eacute; conveniente abandonar      uma obra come&ccedil;ada, perdendo&#45;se o que est&aacute; feito (15). </font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Em 1844, o presidente Manuel Felizardo de Sousa e Melo repetia    a ret&oacute;rica de Tobias de Aguiar, buscando fazer a Assembleia ver as vantagens    que "o jardim p&uacute;blico oferece aos habitantes da nossa cidade",    "um lugar de lazer, onde eles aprendem a dar valor a todas as belezas da    natureza", e incitando "os deputados a concordarem com alguns sacrif&iacute;cios,    em prol do embelezamento do jardim, acrescentando (…) que seria vantajoso formar&#45;se    nele um viveiro de &aacute;rvores e outras plantas ex&oacute;ticas, cujas mudas    seriam depois distribu&iacute;das entre os agricultores" (16). </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Em Bel&eacute;m do Par&aacute;, o primeiro jardim bot&acirc;nico    estabelecido no Brasil, em 1798, bem como o Jardim ou Horto das Caneleiras,    criado em 1809, tamb&eacute;m serviram como passeios p&uacute;blicos (4). Em    descri&ccedil;&atilde;o de Ant&ocirc;nio Ladislau Monteiro Baena, publicada    em 1839, ele anotava a decad&ecirc;ncia dos recintos:</font></P>     <blockquote>        <p><font size="3">Tanto este horto &#91;das Caneleiras&#93; como o Jardim Bot&acirc;nico,      (…), se tudo fosse tratado debaixo de outra ordem sistem&aacute;tica, facilmente      se congra&ccedil;aria a utilidade com a aprazibilidade acreditando&#45;nos com      os estrangeiros inteligentes, que tais lugares visitassem. &Eacute; isso mesmo?      Por&eacute;m hoje que a c&acirc;mara municipal tem mudado a disposi&ccedil;&atilde;o      da superf&iacute;cie do Piri pela circunscri&ccedil;&atilde;o de terrenos      dados em foro, e pelo abrimento de ruas e travessas, que se n&atilde;o pode      conjecturar quando ser&atilde;o circuitadas de casas, est&atilde;o abortadas      todas as esperan&ccedil;as de amenizar e utilizar o melhor desafogo da cidade,      isto &eacute;, a localidade mais apropriada para um passeio p&uacute;blico      indispens&aacute;vel aos habitadores de uma cidade quase subjacente ao c&iacute;rculo      equinocial (17).</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">E completava o quadro desolador:</font></P>     <blockquote>        <p><font size="3">J&aacute; h&aacute; muito que este Jardim Bot&acirc;nico cessou      de ser o objeto de proveito e divers&atilde;o p&uacute;blica: hoje nada mais      patenteia do que as tristes resultas da inc&uacute;ria, e em lugar do antigo      coruch&eacute;u aparece uma ign&oacute;bil casa junto ao po&ccedil;o, na qual      moram as lavadeiras do extinto Hospital Militar (…) (17).</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">N&atilde;o muito distinta da situa&ccedil;&atilde;o do Jardim    Bot&acirc;nico do Rio de Janeiro. O reverendo norte&#45;americano Robert Walsh,    em 1828&#45;1929, registrou:</font></P>     <blockquote>        <p><font size="3">Ele &eacute; chamado de Jardim Bot&acirc;nico, mas n&atilde;o      faz jus ao nome. Existem muitas outras esp&eacute;cies representativas da      imensa variedade de plantas nativas, e n&atilde;o se faz a menor tentativa      de classific&aacute;&#45;las ou organiz&aacute;&#45;las cientificamente. Na realidade,      o jardim &eacute; um pouco mais do que um local de descanso, onde as pessoas      v&atilde;o para passear e tomar a fresca (18).</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Na aus&ecirc;ncia de uma atividade cient&iacute;fica consistente    ap&oacute;s a morte de frei Leandro do Sacramento em 1829, o recinto passou    a ser mais uma &aacute;rea de recrea&ccedil;&atilde;o. Regulamento policial    de 6 de setembro de 1838 facilitava "aos simples curiosos a vista do jardim    e aos que a&iacute; apareciam para fins mais s&eacute;rios, como o estudo e    investiga&ccedil;&atilde;o dos vegetais a&iacute; existentes", registrava    Jo&atilde;o Barbosa Rodrigues, lamentando que o jardim, em fins dos anos 1860:</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>        <p><font size="3">(...) foi aberto francamente ao p&uacute;blico e houve mesmo      a condescend&ecirc;ncia de colocarem&#45;se a&iacute; muitas mesas de madeira,      como nas estalagens de aldeia. (...) Foram ent&atilde;o facilitados os piqueniques      ao ar livre e tornou&#45;se um simples jardim de recreio (...) &#91;<I>e que</I>&#93;      (...) com a for&ccedil;a de vegeta&ccedil;&atilde;o no clima do Rio de Janeiro      o passeio tornou&#45;se em pouco tempo um grande parque encantador, excitando      a admira&ccedil;&atilde;o dos visitantes. Infelizmente, como triste reverso      da medalha, certas alamedas sombreadas, certos grupos lembravam, ao menos      pela eleg&acirc;ncia e beleza grega, os bosques sagrados de Paphos e Amathonte,      enquanto, nas moitas pr&oacute;ximas do lago, ruidosos c&acirc;nticos de culto      do Baccho moderno recordavam os furores harmoniosos das Menades (19).</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Segundo Barbosa Rodrigues, enquanto D. Jo&atilde;o zelou pelo    recinto, o Real Horto foi "inteiramente privado e particular", "(...)    era o passeio favorito do regente (...)", onde "(...) passava dias    inteiros, animando os trabalhos com sua presen&ccedil;a". A sua abertura    para visitantes se deu no reinado de D. Pedro I, com a permiss&atilde;o do seu    diretor e acompanhados por pra&ccedil;as do corpo de veteranos (19). As excurs&otilde;es    e almo&ccedil;o descritos pela brit&acirc;nica Maria Graham datam desse primeiro    momento. </font></P>     <p><font size="3">Em relat&oacute;rio ao presidente do Imperial Instituto Agr&iacute;cola    em 1884, o ent&atilde;o diretor do Jardim Bot&acirc;nico do Rio de Janeiro,    Nicolau Joaquim Moreira, registrava a persist&ecirc;ncia da dualidade: </font></P>     <blockquote>        <p><font size="3">O Jardim Bot&acirc;nico do Rio de Janeiro continuava a ser      o local preferido por nacionais e estrangeiros, que desejam fruir, por algumas      horas, prazeres campestres, respirar um ar puro e vivificados, e admirar,      em extenso panorama, a pujan&ccedil;a da vegeta&ccedil;&atilde;o brasileira.    <br>     Numerosas fam&iacute;lias para a&iacute; dirigem&#45;se cotidianamente, e no meio      de folguedos de toda a esp&eacute;cie fazem suas refei&ccedil;&otilde;es &agrave;      sombra de copados grupos de bambus, aprazendo&#45;se com o rumorejar das folhas      das &aacute;rvores batidas pela vira&ccedil;&atilde;o e com o fragor das &aacute;guas      que precipitando&#45;se pelos degraus da cascata, chegam &agrave; plan&iacute;cie      onde, recebidas e canalizadas, serpenteiam por toda a extens&atilde;o do Jardim      at&eacute; perderem&#45;se na conhecida lagoa de Rodrigo de Freitas (20). </font></p> </blockquote>     <p><font size="3">O avesso desse relato de sabor rom&acirc;ntico comparecia em    seguida, no mesmo relat&oacute;rio:</font></P>     <blockquote>        <p><font size="3">Entretanto, Exmo. Sr., o Jardim Bot&acirc;nico n&atilde;o      pode, nem deve, continuar a ser, como at&eacute; hoje, unicamente lugar de      recreio; conv&eacute;m que ele procure, n&atilde;o s&oacute; justificar o      valor do adjetivo que o qualifica, como ainda nivelar&#45;se com os seus cong&ecirc;neres      europeus e americanos, sendo de notar que, para atingir&#45;se um tal objetivo,      n&atilde;o se reclamam largos e pesados sacrif&iacute;cios (20).</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Ao assumir a dire&ccedil;&atilde;o do Jardim Bot&acirc;nico    do Rio de Janeiro em 1890, Jo&atilde;o Barbosa Rodrigues se esfor&ccedil;ou    em reorganizar as atividades cient&iacute;ficas do recinto e conseguiu fazer    baixar um regulamento policial, que "moralizou o jardim, suprimindo entrevistas    e piqueniques", exultando porque "as mesas que desonravam o jardim    foram arrancadas, aumentando&#45;se o n&uacute;mero de bancos" (19). </font></P>     <p><font size="3">O discurso de Barbosa Rodrigues era claro: havia uma incompatibilidade    entre um recinto com finalidades cient&iacute;ficas e o jardim de recreio que    ele encontrou ao assumir a dire&ccedil;&atilde;o do Jardim Bot&acirc;nico do    Rio de Janeiro. "Moralizar" o jardim, recomp&ocirc;&#45;lo como "um    terreno da ci&ecirc;ncia" eram recursos para superar o estigma que o bot&acirc;nico    presumia remover pela consolida&ccedil;&atilde;o do feitio cient&iacute;fico    daquele lugar. A &oacute;tica do naturalista ao admirar a natureza n&atilde;o    era a mesma do olhar po&eacute;tico em busca do pitoresco da paisagem. O Jardim    Bot&acirc;nico do Rio de Janeiro deveria ser o santu&aacute;rio da ci&ecirc;ncia    &#150; daquela que tomava consist&ecirc;ncia na vig&ecirc;ncia do positivismo oitocentista    &#150;, e n&atilde;o do mundanismo &#150; aquele que se afirmava no meio urbano da corte    no final do s&eacute;culo XIX. A venera&ccedil;&atilde;o &agrave; ci&ecirc;ncia    n&atilde;o era compat&iacute;vel com o culto das vaidades.</font></P>     <p><font size="3">Os jardins bot&acirc;nicos tamb&eacute;m foram cen&aacute;rios    da arte de passear. Ali desfilavam a conjun&ccedil;&atilde;o idealizada entre    a natureza e a sociedade, entre o corpo e o esp&iacute;rito, seguindo as indica&ccedil;&otilde;es    de Karl Gottlob Schelle: </font></P>     <blockquote>        <p><font size="3">Essas duas formas de flanar, em meio &agrave; natureza e nos      passeios p&uacute;blicos de uma cidade, respondem bem &agrave; finalidade      do passeio, mas nenhuma responde plenamente. As duas dever&atilde;o ser combinadas      se quisermos que o passeio re&uacute;na todas as vantagens que nossa experi&ecirc;ncia      intelectual tem o direito de esperar. Aquele que s&oacute; flanasse nos passeios      p&uacute;blicos testemunharia muita pouca sensibilidade pela natureza, enquanto      aquele que se empenhasse em evitar os passeios p&uacute;blicos em troca de      um com&eacute;rcio solit&aacute;rio com a natureza faria muito pouco caso      das vantagens que a vida em sociedade traz &agrave; cultura sob todas as suas      formas (11). </font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Mas, nos jardins bot&acirc;nicos, o protagonismo da natureza    atribuiu a esses recintos uma qualidade que os jardins p&uacute;blicos em geral    n&atilde;o ostentavam. Concluo com as palavras de Schelle:</font></P>     <blockquote>        <p><font size="3">Da mesma forma que &eacute; preciso sempre continuar a se      cultivar e a ler para conservar la&ccedil;os com a cultura e a literatura,      o amigo da natureza sempre deve continuar a conviver com ela para nela n&atilde;o      se tornar um estranho. (...) Tamb&eacute;m o esp&iacute;rito humano tem sempre      necessidade de conservar seu sentido de natureza, para manter vivaz o interesse      que tem por ela. Como a amizade, o sentido da natureza precisa ser constantemente      conservado por contatos, sem o qu&ecirc; o sentimento, tanto da amizade quanto      da natureza, acaba por se extinguir completamente, mesmo nos cora&ccedil;&otilde;es      mais sens&iacute;veis (...).    <br>     Passeios frequentes em meio &agrave; natureza preservam o sentido da natureza      e d&atilde;o a ela a ocasi&atilde;o de ter uma influ&ecirc;ncia ben&eacute;fica      sobre os cora&ccedil;&otilde;es. Todo homem que n&atilde;o &eacute; desprovido      de nobreza se sente mais puro e mais humano no seio da natureza (11).</font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><i><b>Hugo Segawa </b>&eacute; arquiteto, doutor em arquitetura    e urbanismo, professor associado da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da    Universidade de S&atilde;o Paulo (USP). Email: </i><a href="mailto:segawahg@usp.br">segawahg@usp.br</a>.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">1.  Vandelli, D. <i>Dicion&aacute;rio dos termos t&eacute;cnicos    de hist&oacute;ria natural de Domenico Vandelli</i>. Ed.fac&#45;sim. Rio de Janeiro.    Dantes. 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=053004&pid=S0009-6725201000010001800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">2. C&acirc;mara, M. A. da. "Discurso sobre a utilidade    da institui&ccedil;&atilde;o de jardins nas principais prov&iacute;ncias do    Brasil". In: C&acirc;mara, M. A. da. <i>Manuel Arruda da C&acirc;mara:    obras reunidas</i>. Coligidas e com estudo biogr&aacute;fico por Jos&eacute;    Antonio Gonsalves de Mello. Recife. Prefeitura da Cidade. 1982. pp.195&#45;227.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=053006&pid=S0009-6725201000010001800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">3. Segawa, H. "Os jardins p&uacute;blicos no per&iacute;odo    colonial e o Passeio P&uacute;blico do Rio de Janeiro". <i>Barroco</i>,    Belo Horizonte, n.12, pp.147&#45;160. 1982/83.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=053008&pid=S0009-6725201000010001800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">4. Segawa, H. <i>Ao amor do p&uacute;blico: jardins no Brasil</i>.    S&atilde;o Paulo. Studio Nobel. Fapesp, 1996. pp.109&#45;113, 114&#45;120.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=053010&pid=S0009-6725201000010001800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">5. Vandelli, <i>op. cit</i>. pp. 295&#45;296. Transcri&ccedil;&atilde;o    com ortografia atualizada.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=053012&pid=S0009-6725201000010001800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">6. Denis, F. <i>Brasil</i>. Belo Horizonte. Itatiaia. S&atilde;o    Paulo. Edusp. 1980. p.129.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=053014&pid=S0009-6725201000010001800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">7. Graham, M. <i>Di&aacute;rio de uma viagem ao Brasil e    de uma estada nesse pa&iacute;s durante parte dos anos de 1821, 1822 e 1823</i>.    S&atilde;o Paulo. Editora Nacional. 1956. p.179.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=053016&pid=S0009-6725201000010001800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">8. Spix, J. B., Martius, C. F. P. von. <i>Viagem pelo Brasil.</i>    Rio de Janeiro. Imprensa Nacional. 1938. p.141, passim.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=053018&pid=S0009-6725201000010001800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">9. Goethe, J. W. Von. <i>As afinidades eletivas</i>. Nova    Alexandria. 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=053020&pid=S0009-6725201000010001800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">10. Goethe, J. W. Von. <i>Viagem &agrave; It&aacute;lia 1786&#45;1788</i>.    Companhia das Letras. 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=053022&pid=S0009-6725201000010001800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">11. Schelle, Karl Gottlob. <i>A arte de passear</i>. Martins    Fontes. 2001. pp.12, 24&#45;25, 26&#45;27, 29, 37 e 77&#45;78.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=053024&pid=S0009-6725201000010001800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">12. Burmeister, H. <i>Viagem ao Brasil atrav&eacute;s das    prov&iacute;ncias do Rio de Janeiro e Minas Gerais</i>. Belo Horizonte. Itaiaia.    Edusp. 1980. pp. 84&#45;85.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=053026&pid=S0009-6725201000010001800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">13. Seidler, C. <i>Dez anos no Brasil</i>. Edusp. 1980. p.64.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=053028&pid=S0009-6725201000010001800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">14. Ribeyrolles, C. de. <i>Brasil pitoresco: hist&oacute;ria,    descri&ccedil;&atilde;o, viagens, coloniza&ccedil;&atilde;o, institui&ccedil;&otilde;es</i>.    Edusp. 1980. p.192.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=053030&pid=S0009-6725201000010001800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">15. Bruno, E. S. <i>Hist&oacute;ria e tradi&ccedil;&otilde;es    da cidade de S&atilde;o Paulo</i>. Jos&eacute; Olympio, Vol.2. 1954. p.533.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=053032&pid=S0009-6725201000010001800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">16. Saint&#45;Hilaire, A. <i>Viagem &agrave; prov&iacute;ncia    de S&atilde;o Paulo</i>. Martins. Edusp. 1972. p.162.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=053034&pid=S0009-6725201000010001800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">17. Baena, A. L. M. <i>Ensaio corografico sobre a prov&iacute;ncia    do Par&aacute;</i>. Typographia de Santos &amp; Menor. 1839. pp.258, 156.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=053036&pid=S0009-6725201000010001800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3"> 18. Walsh, R. <i>Not&iacute;cias do Brasil 1828&#45;1829</i>.    Edusp. 1985. p.204.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=053038&pid=S0009-6725201000010001800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3"> 19. Rodrigues, J. B. <i>Hortus Fluminensis ou breve not&iacute;cia    sobre as plantas cultivadas no Jardim Botanico do Rio de Janeiro</i>. Typ. Leuzinger.    1894, pp.xvii, xx, passim.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=053040&pid=S0009-6725201000010001800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">20. Moreira, N. J. "Relat&oacute;rio do Jardim Bot&acirc;nico"    &#150; 1884. <i>Apud</i> Gaspar, C. B.; Barata, C. E. <i>De engenho a jardim: mem&oacute;rias    hist&oacute;ricas do Jardim Bot&acirc;nico</i>. Capivara. 2008. pp.191, 192.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=053042&pid=S0009-6725201000010001800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ]]></body>
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