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</front><body><![CDATA[ <p><font size="3"><b>ARTES PL&Aacute;STICAS</b></font></p>     <P><font size="3"><b>A<SMALL>S FORMAS ARREDONDADAS DA CER&Acirc;MICA MULTICULTURAL    DE</small> G<SMALL>INA</small></b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Mitologia grega, arte peruana e cer&acirc;mica brasileira; esses    s&atilde;o ingredientes utilizados pela ceramista Gina Dantas, que h&aacute;    dez anos cria esculturas com formas arredondadas, que representam ora elementos    femininos, ora figuras h&iacute;bridas, misturando homens e animais ou seres    andr&oacute;ginos, isto &eacute;, com caracter&iacute;sticas masculinas e femininas.    Radicada em Jo&atilde;o Pessoa, na Para&iacute;ba, Gina j&aacute; exp&ocirc;s    em todo o Brasil e no exterior. Suas pe&ccedil;as, que podem medir de 15 cent&iacute;metros    a um metro de altura, se destacam pela delicadeza e pelo colorido do acabamento    em engobe. "Meu interesse pela cer&acirc;mica veio quase como uma lembran&ccedil;a    do tempo que brincava de fazer panelinhas de barro na beira dos a&ccedil;udes    do sert&atilde;o, onde passei minha inf&acirc;ncia e parte da adolesc&ecirc;ncia",    conta.</font></P>     <p><font size="3">Hoje com 53 anos, a ceramista Gina Dantas nasceu na cidade de    Recife, em Pernambuco, mas se considera paraibana porque, desde crian&ccedil;a,    mora em Jo&atilde;o Pessoa. Antes de se dedicar &agrave;s esculturas de cer&acirc;mica,    estudou m&uacute;sica e trabalhou como restauradora em azulejaria barroca. A    cer&acirc;mica entrou em sua vida por acaso, quando conheceu a artista Maria    dos Matos, tamb&eacute;m ceramista, que morava perto de sua casa, em Jo&atilde;o    Pessoa. "Quando me encontrei com a cer&acirc;mica, tive a n&iacute;tida    impress&atilde;o de estar descobrindo um tesouro escondido. Senti uma alegria    e uma paz instant&acirc;neas, como se tudo que eu estivera procurando&nbsp;h&aacute;    muito tempo, estivesse afinal ali, em minhas m&atilde;os", lembra a artista.</font></P>     <p><font size="3">O trabalho se intensificou a partir de uma viagem para Israel,    onde trabalhou em um atelier no kibutz Brohr Chail, que abriga muitos brasileiros.    "Fui para Israel para acompanhar meu marido, na &eacute;poca o pintor Fl&aacute;vio    Tavares, que havia sido convidado para uma exposi&ccedil;&atilde;o individual",    conta Gina. "Nessa &eacute;poca meu interesse pela cer&acirc;mica era puramente    est&eacute;tico. Um deleite para meus sentidos. Acho que justamente por isso,    o aprendizado fluiu natural e instintivamente", diz. O resultado &eacute;    um tipo de escultura que mistura elementos multiculturais, com formas arredondadas    que Gina Dantas relaciona aos potes de barro e moringas muito utilizadas nas    casas do interior do Nordeste. Utens&iacute;lios que ganham vida e gra&ccedil;a    nas m&atilde;os da artista. O colorido vem da t&eacute;cnica engobe, um tipo    de argila em estado l&iacute;quido que pode ter v&aacute;rias tonalidades e    &eacute; usado na decora&ccedil;&atilde;o das pe&ccedil;as. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n1/a23fig01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Para Roberto Ruggiero, especialista em arte popular contempor&acirc;nea,    n&atilde;o se pode designar a cer&acirc;mica de Gina como arte popular. Para    ele, trata&#45;se de um trabalho moderno e minimalista com influ&ecirc;ncias da    arte chinesa,&nbsp;da cer&acirc;mica mochica e tamb&eacute;m algo da <I>art    d&eacute;co</I>.&nbsp;"Gina bebe em v&aacute;rias fontes m&iacute;ticas    e o resultado &eacute; um am&aacute;lgama muito original,&nbsp;onde prevalece    a beleza, o senso de propor&ccedil;&atilde;o e a eleg&acirc;ncia contida",    afirma ele. "Eu a conheci&nbsp; h&aacute; uns sete anos, quando visitei    o atelier do artista Fl&aacute;vio Tavares, com quem ela foi casada, vi um pequeno    trabalho de sua autoria e me interessei em conhec&ecirc;&#45;la. Nessa &eacute;poca    Gina era muito pouco conhecida em Jo&atilde;o Pessoa e fiquei muito impressionado    com o que ela fazia. Como iria participar do Sal&atilde;o de Arte e Antiguidades    do clube A Hebraica, na capital paulista, poucos meses depois, encomendei cerca    de 10 pe&ccedil;as da artista e vendi todas", lembra. Gina participou&nbsp;de    v&aacute;rias mostras organizadas pela Galeria Brasiliana, tamb&eacute;m em    S&atilde;o Paulo, especializada em arte popular contempor&acirc;nea e coordenada    por Ruggiero. "Seu trabalho se comunica imediatamente com o p&uacute;blico.    A express&atilde;o de bonomia &eacute; uma de suas caracter&iacute;sticas",    completa o galerista. &nbsp;</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n1/a23fig02.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>O MITO DO AMOR</b> Em <I>O banquete</I>, Plat&atilde;o (428&#45;348    ou 427&#45;347 a.C.), reproduzindo o relato feito pelo dramaturgo Arist&oacute;fanes    (450&#45;388 a.C.), conta que originalmente os humanos possu&iacute;am os dois sexos    ao mesmo tempo. Certa vez, quando tentaram subir o Monte Olimpo, morada dos    deuses, tiveram como castigo a eterna separa&ccedil;&atilde;o dos sexos, que    os condenou a buscar eternamente pela sua metade. S&atilde;o esses seres h&iacute;bridos    que aparecem na obra de Gina. "Quando o ser humano consegue equilibrar    o lado masculino e o feminino este h&iacute;brido aparece", acredita. Ela    tamb&eacute;m cria h&iacute;bridos de homens e animais para expressar a liga&ccedil;&atilde;o    do homem com a natureza, reafirmada nos t&iacute;tulos das obras, como <I>Mulher    p&aacute;ssaro</I>. "Fa&ccedil;o quest&atilde;o de presentear as pessoas    com um pouco da lembran&ccedil;a do que verdadeiramente somos, parte da natureza",    diz. A mulher &eacute; tema frequente nas esculturas, ora angelical em atitude    contemplativa, ora enfeitada e com seios &agrave; mostra.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n1/a23fig03.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">A obra da artista j&aacute; foi comparada tamb&eacute;m &agrave;    cer&acirc;mica pr&eacute;&#45;incaica do povo Moche, antigos habitantes da costa    norte do Peru. A cer&acirc;mica mochica &eacute; uma das mais famosas do mundo,    principalmente pelo forte apelo sexual de algumas pe&ccedil;as. S&atilde;o vasos    esf&eacute;ricos, coloridos, representando formas humanas, animais e cenas da    vida cotidiana. </font></P>     <p><font size="3">"Fico lisonjeada que algu&eacute;m tenha encontrado essa    semelhan&ccedil;a. Estou longe de realizar algo t&atilde;o perfeito", diz    Gina. "O que fa&ccedil;o na minha cer&acirc;mica n&atilde;o &eacute; consciente,    acredito que somos fruto do que vimos, sentimos e vivemos. Minha miss&atilde;o,    como artista, &eacute; levar beleza, alegria, leveza e transcend&ecirc;ncia    para os lugares onde passo", finaliza. Miss&atilde;o bem sucedida.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"><font size="3"><I>Patr&iacute;cia Mariuzzo</I></font></P>      ]]></body>
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