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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v62n2/brasil.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b>ENSAIOS CL&Iacute;NICOS</b></font></P>     <P><img src="/img/revistas/cic/v62n2/line_blk.gif"></P>     <P><font size=5><b>Divulga&ccedil;&atilde;o compuls&oacute;ria de resultados permite maior transpar&ecirc;ncia</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">As pesquisas sobre medicamentos, envolvendo seres humanos, geram questionamentos &eacute;ticos e t&eacute;cnicos, h&aacute; d&eacute;cadas. Entre os m&eacute;dicos, a discuss&atilde;o sobre a necessidade de divulga&ccedil;&atilde;o e maior transpar&ecirc;ncia sobre os procedimentos e resultados dos ensaios cl&iacute;nicos tem mais de 35 anos. Mas, somente em 2007 foi criada a International Clinical Trials Registry Platform (ICTP), portal da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS), que traz o registro dos protocolos e resultados de ensaios cl&iacute;nicos e &eacute; formado por bases de informa&ccedil;&otilde;es de v&aacute;rios pa&iacute;ses. O Registro Brasileiro de Ensaios Cl&iacute;nicos (Rebrac), para integrar o Brasil &agrave; ICTP, dever&aacute; ser lan&ccedil;ado em junho deste ano.</font></P>     <P><font size="3">Um caso deu notoriedade p&uacute;blica &agrave; discuss&atilde;o sobre a necessidade do registro p&uacute;blico de ensaios cl&iacute;nicos, conforme relata Josu&eacute; Laguardia, pesquisador da Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz (Fiocruz). "Em 2004, o procurador geral de Nova York moveu uma a&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica contra a empresa farmac&ecirc;utica GlaxoSmithKline, por oculta&ccedil;&atilde;o de evid&ecirc;ncias negativas envolvendo seu antidepressivo paroxetina, comercializado como Paxil (EUA) e Seroxat (Gr&atilde;-Bretanha)", conta. Segundo o pesquisador, a exist&ecirc;ncia de um memorando interno da companhia, datado de 1998 &#151; que admitia a inefic&aacute;cia da droga em crian&ccedil;as, mas alertava para a necessidade de gerenciar a dissemina&ccedil;&atilde;o dessa informa&ccedil;&atilde;o para minimizar os impactos negativos &#151; intensificou o debate sobre a necessidade de implanta&ccedil;&atilde;o de uma base com registro de ensaios cl&iacute;nicos desde o seu in&iacute;cio.</font></P>     <P><font size="3">A divulga&ccedil;&atilde;o compuls&oacute;ria desses ensaios pode evitar a repeti&ccedil;&atilde;o de pesquisas com resultados malsucedidos, permite maior controle social da experimenta&ccedil;&atilde;o em humanos e uma efetiva contribui&ccedil;&atilde;o dos ensaios cl&iacute;nicos para o conhecimento m&eacute;dico. Essa maior transpar&ecirc;ncia tamb&eacute;m beneficiaria as publica&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas que, atualmente, apenas divulgam resultados estatisticamente significativos e, principalmente, que n&atilde;o firam os interesses dos financiadores. Por outro lado, apesar de n&atilde;o ser uma ideia consensual, representantes da ind&uacute;stria argumentam que a exig&ecirc;ncia do registro revelaria detalhes da droga entre as empresas concorrentes e, com isso, inibiria o investimento em inova&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <P><font size="3">Mesmo sendo um defensor do registro p&uacute;blico, Claudio Nishizawa, especialista em regula&ccedil;&atilde;o e vigil&acirc;ncia sanit&aacute;ria da Ag&ecirc;ncia Nacional de Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria (Anvisa), alerta que os resultados parciais podem mostrar benef&iacute;cio do tratamento experimental para alguns pacientes, acarretando uma corrida para tal procedimento. "As pessoas devem ser informadas quanto &agrave; possibilidade de n&atilde;o receber o tratamento experimental", destaca.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Outro risco da corrida por um tratamento experimental "&eacute; que pacientes muito ansiosos s&atilde;o, de modo geral, mais vulner&aacute;veis socialmente e, se inclu&iacute;dos na pesquisa, podem subestimar os riscos e n&atilde;o relatar problemas de sa&uacute;de (eventos adversos) para continuar participando da pesquisa", adverte Nishizawa. Ele afirma ser precipitado concluir, com base em um ensaio cl&iacute;nico, que um tratamento &eacute; seguro e eficaz. "Na ci&ecirc;ncia, os resultados de v&aacute;rios estudos sobre o mesmo tratamento contribuem para estabelecer a rela&ccedil;&atilde;o benef&iacute;cio-risco. Dessa forma, cada ensaio cl&iacute;nico contribui com um tipo de informa&ccedil;&atilde;o que pesa na balan&ccedil;a. Quanto mais ensaios cl&iacute;nicos s&atilde;o realizados, especialmente aqueles que avaliam seguran&ccedil;a, ganha-se em robustez nas decis&otilde;es em sa&uacute;de p&uacute;blica", considera o especialista da Anvisa.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="right"><font size="3"><i>Alessandro Piolli</i></font></P>      ]]></body>
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