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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n2/brasil.gif"></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">PERCEP&Ccedil;&Atilde;O P&Uacute;BLICA</font></P>     <P><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n2/line_blk.gif"></font></P>     <P><font size="3"><B> <font size=5>Pesquisa da Embrapa/LAC-Biosafety avalia    transg&ecirc;nicos no Brasil</font></B></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">A libera&ccedil;&atilde;o dos produtos transg&ecirc;nicos no    Brasil, em 1995, aqueceu o debate p&uacute;blico e causou muita pol&ecirc;mica    entre as posi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis e contr&aacute;rias &agrave;    decis&atilde;o. Nos &uacute;ltimos anos, por&eacute;m, parece que o radar da    m&iacute;dia voltou-se para outras dire&ccedil;&otilde;es. Para avaliar quais    quest&otilde;es ainda permanecem na preocupa&ccedil;&atilde;o social a respeito    do impacto dos transg&ecirc;nicos ou organismos geneticamente modificados (OGM)    para os seres humanos e para o meio ambiente, foi criado, recentemente, um question&aacute;rio    a ser respondido por usu&aacute;rios no site da Embrapa. Trata-se de a&ccedil;&atilde;o    conjunta com o LAC-Biosafety, projeto de coopera&ccedil;&atilde;o internacional    entre Brasil, Col&ocirc;mbia, Costa Rica e Peru, criado para fortalecer a biosseguran&ccedil;a    e para tomada de decis&atilde;o em cumprimento ao Protocolo de Cartagena em    Biosseguran&ccedil;a (PCB). Ratificado pelo Brasil em 2004, o protocolo &eacute;    um acordo internacional firmado no &acirc;mbito da Conven&ccedil;&atilde;o sobre    Diversidade Biol&oacute;gica que regulamenta a transfer&ecirc;ncia, manipula&ccedil;&atilde;o    e uso dos transg&ecirc;nicos, de forma a assegurar a conserva&ccedil;&atilde;o    e biodiversidade dos pa&iacute;ses da Conven&ccedil;&atilde;o. </font></P>     <P><font size="3">A pesquisadora da Embrapa, Deise Capalbo, que coordena o projeto    LAC-Biosafety no Brasil, explica que o objetivo espec&iacute;fico do question&aacute;rio    <I>online</I> &eacute; verificar a percep&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica frente    ao Protocolo de Cartagena. O enfoque &eacute; identificar expectativas de informa&ccedil;&atilde;o    por parte do p&uacute;blico, para&nbsp; ent&atilde;o poder&nbsp; fornec&ecirc;-las    no formato e profundidade desejados. Deise acrescenta que ser&aacute; disponibilizada,    em breve, uma p&aacute;gina eletr&ocirc;nica onde constar&atilde;o informa&ccedil;&otilde;es    t&eacute;cnicas, cient&iacute;ficas e jornal&iacute;sticas. </font></P>     <P><font size="3">Junto &agrave; a&ccedil;&atilde;o na internet, o projeto inclui    uma parte de entrevistas com representantes de grupos da sociedade civil organizada    e de respons&aacute;veis pela regula&ccedil;&atilde;o em biosseguran&ccedil;a    no Brasil. Esse trabalho est&aacute; a cargo de Ol&iacute;via Arantes, pesquisadora    da Embrapa, e de seu grupo.</font></P>     <P><font size="3"><b>QUEST&Atilde;O AMBIENTAL </b>Al&eacute;m do question&aacute;rio    <I>online</I> e de entrevistas, Deise informa que o projeto tem outros objetivos    &#150; entre eles, responder aos questionamentos envolvendo o uso seguro dos    OGM. No in&iacute;cio, as preocupa&ccedil;&otilde;es no meio cient&iacute;fico    estiveram mais focadas na sa&uacute;de p&uacute;blica e seguran&ccedil;a alimentar;    hoje, nota a pesquisadora, a aten&ccedil;&atilde;o se volta especialmente para    a quest&atilde;o ambiental. Parte do estudo vai criar estrat&eacute;gias para    lidar com o fluxo g&ecirc;nico para preserva&ccedil;&atilde;o da variabilidade    biol&oacute;gica, informa Ol&iacute;via Arantes, que &eacute; tamb&eacute;m    coordenadora de comunica&ccedil;&atilde;o do projeto. O fluxo g&ecirc;nico &eacute;    a transfer&ecirc;ncia de genes de uma popula&ccedil;&atilde;o a outra. Ele ocorre    pela dispers&atilde;o do p&oacute;len das plantas transg&ecirc;nicas pelo ar,    fecundando outras variedades similares locais, ou variedades crioulas (como    s&atilde;o chamadas as variedades locais r&uacute;sticas cultivadas pelos agricultores,    por gera&ccedil;&otilde;es). Do ponto de vista biol&oacute;gico, isso poderia    resultar em uma altera&ccedil;&atilde;o indesejada na variabilidade gen&eacute;tica    da popula&ccedil;&atilde;o local, por perda de caracter&iacute;sticas daquela    popula&ccedil;&atilde;o e homogeneiza&ccedil;&atilde;o com a variedade transg&ecirc;nica.    Para Ol&iacute;via, todas as pesquisas feitas na &aacute;rea podem, inclusive,    favorecer a preserva&ccedil;&atilde;o ambiental das variedades locais do fluxo    g&ecirc;nico de esp&eacute;cies comerciais, independentemente de serem ou n&atilde;o    transg&ecirc;nicas. "Acho que se tem muito mais cuidado e se estudou muito mais    estrat&eacute;gias de preservar, de cuidar do fluxo g&ecirc;nico com os transg&ecirc;nicos,    do que com os cultivares comerciais n&atilde;o transg&ecirc;nicos. Se j&aacute;    houvesse esse conhecimento antes, talvez o crioulo n&atilde;o estivesse t&atilde;o    misturado hoje", afirma a pesquisadora, usando como o exemplo a cultura de milho.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P align="center"><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n2/a04img01.jpg"></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b>ACEITOS OU N&Atilde;O? </b>A presen&ccedil;a, no mercado    brasileiro, de produtos que contenham OGM, n&atilde;o parece ser um fator relevante    para a maioria dos consumidores. A rotulagem, obrigat&oacute;ria em todo produto    destinado ao consumo humano que possa conter OGM em quantidade acima de 1%,    nem sempre &eacute; obedecida. "As pessoas nem t&ecirc;m conhecimento que a    soja entra em mais de 80% de todo alimento manufaturado, em biscoito, em massas",    lembra Leila Macedo Oda, presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de    Biosseguran&ccedil;a (ANBio), ressaltando que quase toda a produ&ccedil;&atilde;o    de soja no Brasil hoje &eacute; transg&ecirc;nica. Para a pesquisadora, a aceita&ccedil;&atilde;o    de produtos contendo OGM pela popula&ccedil;&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o    que passa pela equa&ccedil;&atilde;o risco-benef&iacute;cio, e n&atilde;o como    resultado do entendimento e aceita&ccedil;&atilde;o da tecnologia. Segundo Leila,    ainda hoje existe um grande desconhecimento p&uacute;blico da tecnologia dos    transg&ecirc;nicos. Os consumidores em geral tendem a se interessar por produtos    que identifiquem como vantajosos, e isso poderia, potencialmente, acontecer    com os produtos OGM. Seria o caso, por exemplo, de um tomate ainda mais rico    em licopeno, com maior a&ccedil;&atilde;o anticancer&iacute;gena, exemplifica.</font></P>     <P><font size="3">Segundo Bernardo Soares, pesquisador do N&uacute;cleo de Biosseguran&ccedil;a    da Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz (NuBio /DSSA /ENSP), existe uma grande    demanda de entendimento p&uacute;blico sobre biotecnologia no Brasil. "Pesquisas    de opini&atilde;o feitas em diferentes regi&otilde;es do pa&iacute;s v&ecirc;m    mostrando que a maioria das pessoas concorda com o avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico,    mas reconhece riscos nessa tecnologia e pede maior divulga&ccedil;&atilde;o    de fatos sobre o tema, antes de aceit&aacute;-los completamente", diz. Para    o pesquisador, dois aspectos importantes est&atilde;o envolvidos nessa quest&atilde;o.    Primeiramente, um maior grau de instru&ccedil;&atilde;o estaria ligado a uma    melhor avalia&ccedil;&atilde;o dos pr&oacute;s e contras associados aos produtos    transg&ecirc;nicos. E, segundo, existe uma tend&ecirc;ncia maior do p&uacute;blico    em aceitar o uso da modifica&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica para preparo de    vacinas ou medicamentos, do que em alimentos ou na agricultura &#150; o que,    para ele, estaria relacionado aos bons resultados obtidos pela ind&uacute;stria    m&eacute;dica e farmac&ecirc;utica nessa &aacute;rea.</font></P>     <P><font size="3">Outro grupo diretamente afetado pela quest&atilde;o das OGM    &eacute; o da agricultura. Na esfera brasileira do LAC-Biosafety, esse setor    ser&aacute; inclu&iacute;do em estudos de outro grande t&oacute;pico do projeto,    o de socioeconomia. "O enfoque ser&aacute; mais na parte t&eacute;cnica, com    resultados mais experimentais, num trabalho de campo, com mais conversa e intera&ccedil;&atilde;o",    diz Deise Capalbo. Em alguns contatos preliminares com os agricultores, a pesquisadora    percebeu grande preocupa&ccedil;&atilde;o no aumento da produtividade e redu&ccedil;&atilde;o    do trabalho para produzir. "Vamos usar aquilo que j&aacute; est&aacute; no campo    para recolher informa&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnico-cient&iacute;ficas assim    como usar a parte de percep&ccedil;&atilde;o, do que eles identificam como ganho    ou perda, e o que ainda se mant&eacute;m como d&uacute;vida", explica.</font></P>     <P><font size="3">No grupo dos agricultores, entrar&atilde;o apenas os que trabalham    com milho, algod&atilde;o, batata e mandioca, escolhidas por terem como centro    de origem os pa&iacute;ses membros do projeto, ou vizinhos a estes. Em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; mandioca, Deise ressalta que, embora n&atilde;o exista mandioca transg&ecirc;nica    no Brasil, j&aacute; se cogita us&aacute;-la em outras partes do mundo, como    na &Aacute;frica. Por isso, a import&acirc;ncia dos estudos para essa cultura:    como a mandioca tem o Brasil como centro de origem, &eacute; importante mapear    as &aacute;reas de ocorr&ecirc;ncia de variabilidade gen&eacute;tica e garantir    a preserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade nessas regi&otilde;es. </font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="right"><font size="3"><I>Alessandra Pancetti</I></font></P>      ]]></body>
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