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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n2/mundo.gif"></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b>ENTREVISTA</b></font></P>     <P><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n2/line_blk.gif"></font></P>     <P><font size="3"><b><font size=5>Am&eacute;rica Latina e o impacto de suas    publica&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas</font></b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n2/a07img07.jpg"></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Em 1964, ele fundou o International Science Institute (ISI,    hoje Thomson Reuters), uma institui&ccedil;&atilde;o pioneira na indexa&ccedil;&atilde;o,    produ&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas,    que deu subs&iacute;dios para a cria&ccedil;&atilde;o de boa parte dos &iacute;ndices    que medem e estabelecem padr&otilde;es de produtividade que surgiram com o desenvolvimento    da cientometria. Eugene Garfield, 84 anos, divide seu tempo proferindo palestras    sobre o fator de impacto (usado para medir a import&acirc;ncia de peri&oacute;dicos    cient&iacute;ficos indexados) &#151; "um t&oacute;pico que est&aacute; constantemente    em discuss&atilde;o, ao ponto de exaust&atilde;o" &#151; dando consultorias    e desenvolvendo ferramentas para melhorar a organiza&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o    de qualidade de &aacute;reas, como o software HistCite (que auxilia na administra&ccedil;&atilde;o    dos dados de busca do ISI) e dois novos &iacute;ndices para medir o impacto    dos trabalhos cient&iacute;ficos individualmente. Formado em qu&iacute;mica,    com contribui&ccedil;&otilde;es &iacute;mpares na &aacute;rea de ci&ecirc;ncia    da informa&ccedil;&atilde;o, Garfield tem uma trajet&oacute;ria que faz jus    a corrente demanda por n&uacute;meros que ajudou a desenvolver: contribuiu com    impressionantes 1.532 artigos (incluindo editoriais e coment&aacute;rios), que    podem ser localizados no banco de dados Web of Science, em &aacute;reas e peri&oacute;dicos    m&uacute;ltiplos, que geraram mais de 6 mil cita&ccedil;&otilde;es (fator-h    igual a 35). Nesta entrevista, realizada por telefone, o provocativo Garfield    fala sobre a necessidade de um pa&iacute;s emergente como o Brasil fortalecer    o impacto de suas publica&ccedil;&otilde;es somando esfor&ccedil;os, ao inv&eacute;s    de insistir nas multiplica&ccedil;&otilde;es de peri&oacute;dicos. </font></P>     <P> <font size="3">"O Brasil, a China e outros pa&iacute;ses elevaram o percentual    de produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, mas n&atilde;o vejo evid&ecirc;ncia    de publicarem os artigos de alto impacto". </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3"><b><i>Existe um limite para o crescimento da produ&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica?</i></b></font></P>     <P><font size="3">N&atilde;o vejo qualquer evid&ecirc;ncia de decl&iacute;nio    nas publica&ccedil;&otilde;es e todos os pa&iacute;ses, como a China, &Iacute;ndia    e o Brasil, est&atilde;o crescendo sua produ&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o vejo    os investimentos de outros pa&iacute;ses necessariamente em queda, talvez, em    fun&ccedil;&atilde;o das m&uacute;ltiplas pesquisas realizadas em colabora&ccedil;&atilde;o.    </font></P>     <P><font size="3"><b><i>Como o senhor v&ecirc; a publica&ccedil;&atilde;o de artigos    online que n&atilde;o s&atilde;o indexados ou avaliados por pares? </i></b></font></P>     <P><font size="3">Acho que a resposta a isso &eacute; que, da mesma forma que    ocorre com os livros e com todas essas coisas que s&atilde;o publicadas em formato    tradicional de um peri&oacute;dico, o Web of Science e outros bancos de dados    ter&atilde;o que descobrir formas de os considerarem. O mesmo ter&aacute; que    acontecer, provavelmente, com materiais de acesso livre. Toda vez que surgirem    novas formas de publica&ccedil;&otilde;es as bases de dados ter&atilde;o que    se adaptar a elas ou n&atilde;o ser&atilde;o bem aceitas.</font></P>     <P><font size="3"><b><i>O Brasil possui o SciELO, biblioteca virtual de acesso    gratuito a peri&oacute;dicos de 15 pa&iacute;ses, que tem contribu&iacute;do    para aumentar a visibilidade de sua produ&ccedil;&atilde;o. No entanto, os pesquisadores    tendem a preferir publica&ccedil;&otilde;es internacionais. </i></b></font></P>     <P><font size="3">Primeiramente temos que come&ccedil;ar pelo problema mais importante:    Por que os editores querem publicar em portugu&ecirc;s? Que tal ampliar as publica&ccedil;&otilde;es    em ingl&ecirc;s? Voc&ecirc; tem interesse que seu material seja citado apenas    em peri&oacute;dicos brasileiros ou citado no mundo? Se h&aacute; interesse    que o material atinja relev&acirc;ncia internacional &eacute; preciso publicar    em ingl&ecirc;s, assim como em portugu&ecirc;s. Por que a Am&eacute;rica Latina    publica tantos peri&oacute;dicos? Por que n&atilde;o publicar menos, mas peri&oacute;dicos    maiores? Ao inv&eacute;s de cem peri&oacute;dicos poderiam ser dez, com impactos    melhores.</font></P>     <P><font size="3"><b><i>Como os &iacute;ndices PRI e ASI (veja box), propostos    pelo senhor, poder&atilde;o contribuir para medir a produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica    individual?</i></b></font></P>     <P><font size="3">O problema &eacute; que, quando se compara autores, infelizmente,    voc&ecirc; compara ma&ccedil;&atilde;s e laranjas. Limitando as compara&ccedil;&otilde;es,    primeiramente, baseando-se no per&iacute;odo e no peri&oacute;dico, &eacute;    mais f&aacute;cil de se trabalhar. Quando se trata de peri&oacute;dicos como    <i>Science e Nature</i> &#91;multidisciplinares&#93; est&aacute; se lidando    com todos os tipos de ci&ecirc;ncia misturados. N&atilde;o se pode fazer as    melhores compara&ccedil;&otilde;es com os resultados de &#91;seus&#93; diferentes    artigos. As distribui&ccedil;&otilde;es de cita&ccedil;&otilde;es na Nature    seriam muito maiores do que em outros peri&oacute;dicos. Assim, se voc&ecirc;    usa o peri&oacute;dico e o ano para ranquear o peri&oacute;dico voc&ecirc; ter&aacute;    uma representa&ccedil;&atilde;o muito melhor, mesmo em &aacute;reas pequenas.    As cita&ccedil;&otilde;es, de modo geral, s&atilde;o inclinadas em favor dos    grandes peri&oacute;dicos multidisciplinares e isso &eacute; o que o ranking    atual faz. </font></P>     <P><font size="3"> O fator-h &eacute; apenas mais uma vari&aacute;vel para se    medir cita&ccedil;&otilde;es totais. Os resultados n&atilde;o s&atilde;o apenas    evidenciados primeiro, mas soam como um modo muito inteligente e f&aacute;cil    de ser calculado e &eacute; muito popular, mas ele n&atilde;o &eacute; uniformemente    v&aacute;lido. Bem, se olharmos para o ranque percentual &#91;PRI&#93; de um    autor teremos uma impress&atilde;o diferente da que ter&iacute;amos se tiv&eacute;ssemos    olhado apenas para as frequ&ecirc;ncias de cita&ccedil;&otilde;es do artigo,    porque est&aacute; sendo dito &#91;que o artigo foi citado&#93; uma centena    de vezes e no peri&oacute;dico, &agrave;s vezes, &eacute; um artigo com cem    cita&ccedil;&otilde;es na <i>Nature</i> &#91;por exemplo&#93;, que equivaleria    a um percentual 50 ou outra posi&ccedil;&atilde;o. </font></P>     <P><font size="3">Por que estamos fazendo essa avalia&ccedil;&atilde;o? As pessoas    fazem alguns tipos de avalia&ccedil;&otilde;es baseadas no impacto. O que &eacute;    impacto? Voc&ecirc; tem que ter uma medida muito mais v&aacute;lida do impacto.    &Eacute; algo muito dif&iacute;cil de ser feito e, novamente, &eacute; muito    dif&iacute;cil de ser feito por meio da subjetiva avalia&ccedil;&atilde;o por    pares. Muitas decis&otilde;es s&atilde;o tomadas com base em opini&otilde;es    pessoais. A outra coisa &eacute; que o PRI leva um pouco mais de tempo para    calcular, e muitas pessoas n&atilde;o querem faz&ecirc;-lo.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3"><b><i>Depois de 50 anos de Science Citation Index como ficar&aacute;    a lideran&ccedil;a da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica nos pr&oacute;ximos    anos? </i></b></font></P>     <P><font size="3">Claro que haver&aacute; mudan&ccedil;as nessa distribui&ccedil;&atilde;o.    Os chineses aumentam o n&uacute;mero de universidades diariamente. &Eacute;    um crescimento fenomenal na quantidade de investimento que eles t&ecirc;m destinado    &agrave; educa&ccedil;&atilde;o e pesquisa, o que levar&aacute;, inevitavelmente,    a um aumento na quantidade de publica&ccedil;&otilde;es. A rela&ccedil;&atilde;o    entre investimento e publica&ccedil;&atilde;o &eacute; bem conhecida. Mas, at&eacute;    agora, n&atilde;o h&aacute; evid&ecirc;ncias que tenham aumentado sua participa&ccedil;&atilde;o    nos artigos mais citados. Inova&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; uma exclusividade    norte-americana, mas &#91;os norte-americanos&#93; continuam, me parece, sendo    mais inovadores. A situa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica pode mudar isso, mas    vai levar muito tempo. Acho que o Brasil, a China e outros pa&iacute;ses elevaram    o percentual de produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, mas n&atilde;o vejo    evid&ecirc;ncia de publicarem artigos de alto impacto.</font></P>     <P><font size="3"> <i><b>O Brasil investe cerca de 1,13% de seu PIB em ci&ecirc;ncia,    na 13ª posi&ccedil;&atilde;o do ranking de produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica    mundial, embora sejamos a 8ª economia mundial.</b></i></font></P>     <P><font size="3">O Brasil ter&aacute; que chegar a 3% se quiser aumentar a produ&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica. Se h&aacute; disposi&ccedil;&atilde;o para fazer isso n&atilde;o    sei, mas conforme o pa&iacute;s se torna mais pr&oacute;spero deve-se pensar    nisso. O quanto se investe em pesquisa &eacute; uma quest&atilde;o de se acreditar    no impacto dessa pesquisa. </font></P>     <P><font size="3"><b><i>Qual &eacute; a principal quest&atilde;o que deve ser    melhorada na cientometria? </i></b></font></P>     <P><font size="3">Existem muitas opini&otilde;es sobre os pr&oacute;s e contras    de v&aacute;rios fatores cientom&eacute;tricos, como o fator-h e suas muitas    vari&aacute;veis. Enquanto isso, o JCR &#91;Journal of Citation Reports, base    de dados que calcula o fator de impacto dos peri&oacute;dicos nele indexados&#93;    continua sendo, me parece, a melhor op&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <P><font size="3"><b><i>Como o senhor v&ecirc; a aproxima&ccedil;&atilde;o de    peri&oacute;dicos com a m&iacute;dia?</i></b></font></P>     <P><font size="3"> John Maddox, editor da <i>Nature</i> &#91;1966-1973 e 1980-1995&#93;,    fez alguns estudos sobre a rela&ccedil;&atilde;o com o p&uacute;blico e o fator    de impacto. Se voc&ecirc; pega artigos muito citados, muitos deles foram publicados    na m&iacute;dia. Ent&atilde;o, claramente, tem-se a impress&atilde;o que todos    os cientistas est&atilde;o lendo os jornais, assim como todo mundo, e a publicidade    que certos estudos ganham na imprensa aumenta a visibilidade entre cientistas.    Aparentemente, isso leva, &agrave;s vezes, ao aumento das cita&ccedil;&otilde;es.    Ent&atilde;o, pode-se dizer aos cientistas que eles devem se esfor&ccedil;ar    ao m&aacute;ximo para comunicar &#91;suas pesquisas&#93; ao p&uacute;blico.</font></P>     <P><font size="3">Por alguma raz&atilde;o, um artigo que recebe muita aten&ccedil;&atilde;o    na imprensa acrescenta seu impacto cient&iacute;fico, apenas por se tornar conhecido.    Mas n&atilde;o somente por isso e sim por fazer com que outras pessoas desenvolvam    pesquisas. Se voc&ecirc; &eacute; o &uacute;nico a trabalhar em certo t&oacute;pico,    algo que poderia fazer para chamar aten&ccedil;&atilde;o para sua ci&ecirc;ncia,    al&eacute;m de impressionar outros cientistas, &eacute; convenc&ecirc;-los a    trabalhar na sua &aacute;rea. </font></P>     <P align="right"><font size="3"><i>Germana Barata</i></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P align="center"><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n2/a07img08.gif"></font></P>     <P>&nbsp;</P>      ]]></body>
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