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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n2/moda.gif"></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b><font size=5>O DESIGN PARA CAL&Ccedil;ADOS MASCULINOS E    A MODERNIDADE</font></b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b>Luis Fernando Campanella Rocha</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b>E</b>scolher um cal&ccedil;ado para homens, tem significado    diferente do que para mulheres? Quais as raz&otilde;es para que a oferta e diversidade    de cal&ccedil;ados masculinos, no mercado brasileiro e internacional, sejam    bem menores que a de cal&ccedil;ados femininos? Considera&ccedil;&otilde;es    de g&ecirc;nero como a preocupa&ccedil;&atilde;o dos homens com pe&ccedil;as    do vestu&aacute;rio ser vista como comprometimento da sua masculinidade pode    ser uma primeira abordagem? </font></P>     <P><font size="3">As vitrines das lojas especializadas est&atilde;o lotadas de    sapatos, em sua maioria nas cores preto e marrom (1). Os modelos variam entre    poucas vers&otilde;es, todas parecidas. Qual o real motivo dessa limita&ccedil;&atilde;o?    <I>Designers</I>, industriais, varejistas e consumidores n&atilde;o s&atilde;o    sens&iacute;veis a tais diferen&ccedil;as?</font></P>     <P><font size="3">Paradoxalmente, a compra de um belo par de cal&ccedil;ados,    h&aacute; muito tempo, &eacute; realizada com extremo cuidado pela maioria dos    homens, embora os motivos que chamem a aten&ccedil;&atilde;o tenham diferen&ccedil;as    importantes entre os g&ecirc;neros. Para os homens, a qualidade do sapato n&atilde;o    &eacute; sempre norteada pelo conforto que possa ocasionar, como se justifica    na maioria das vezes, mas sim, pelo valor que essa pe&ccedil;a do vestu&aacute;rio    signifique para a sociedade em geral. Dessa maneira, na Europa dos s&eacute;culos    XIX e XX, se estendendo at&eacute; hoje, (principalmente Inglaterra (2) e Fran&ccedil;a),    um belo cal&ccedil;ado masculino indica o grau de civilidade, a seguran&ccedil;a    econ&ocirc;mica e o gosto impec&aacute;vel de quem o cal&ccedil;a.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">A cren&ccedil;a de que esses cal&ccedil;ados masculinos de origem    europeia refletem a supremacia moral dos homens bem sucedidos tem sido sustentada    por mais de dois s&eacute;culos. Por outro lado, a grande participa&ccedil;&atilde;o    dos cal&ccedil;ados esportivos com a introdu&ccedil;&atilde;o no mercado masculino    do t&ecirc;nis (3), valorizou durante todo o s&eacute;culo XX, o ideal norte-americano    de competitividade, for&ccedil;a e juventude. S&atilde;o essas duas refer&ecirc;ncias,    o cl&aacute;ssico cal&ccedil;ado europeu e o esportivo cal&ccedil;ado norte-americano,    que v&ecirc;m dividindo e estruturando os valores do mercado de cal&ccedil;ados    masculinos at&eacute; agora, in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI. Nesse sentido,    &eacute; importante examinarmos como esses dois "tipos" se constitu&iacute;ram    historicamente.</font></P>     <P><font size="3">A preocupa&ccedil;&atilde;o que o dandismo (4) trouxe ao quarda-roupa    masculino tem sua origem no vestu&aacute;rio da aristocracia inglesa do final    do s&eacute;culo XVIII, per&iacute;odo que marca a decad&ecirc;ncia da aristocracia    francesa e a consequente preocupa&ccedil;&atilde;o em n&atilde;o utilizar o    modo de vestir franc&ecirc;s como refer&ecirc;ncia. O exagero de rendas e brocados,    os abundantes la&ccedil;os e o pesado p&oacute;-de-arroz usados pelos aristocratas    personagens da pr&eacute;-Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa s&atilde;o banidos.</font></P>     <P><font size="3">O dandismo criou a imagem do novo homem urbano. Agora, o bom    corte, o cuidado com o acabamento das pe&ccedil;as, a perfeita queda dos tecidos    eram vistos como valor, em substitui&ccedil;&atilde;o aos adornos e exageros    dos trajes barroco e rococ&oacute;. O brilho e aspecto natural dos materiais    passam a ser notados, enquanto os cal&ccedil;ados masculinos s&atilde;o mais    apreciados quando limpos e engraxados. Serem bem fabricados e se apresentarem    com formas mais simples, puras e menos mut&aacute;veis do que os cal&ccedil;ados    femininos tamb&eacute;m os qualificam. Tudo para melhor compor o vestu&aacute;rio    masculino. O ideal do per&iacute;odo &eacute; manter uma postura atemporal,    de uma eleg&acirc;ncia que os modernos ir&atilde;o denominar de an&ocirc;nima,    discreta, mas vis&iacute;vel.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n2/a14fig01.gif"></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Os cal&ccedil;ados masculinos se resumem, desde esse per&iacute;odo    at&eacute; hoje, em cinco tipos essenciais: o modelo <I>Oxford</I> (fig 1),    um sapato de amarrar original da Inglaterra por volta de 1640; o <I>Derby</I>    (fig 2), tamb&eacute;m de amarrar, mas que difere do <I>Oxford</I> por apresentar    na pala uma costura a m&atilde;o que melhora o calce e que aparece no meio do    s&eacute;culo XIX; o <I>Monk</I> (fig 3), derivado dos sapatos dos monges do    s&eacute;culo XV, tem uma fivela no peito do p&eacute; como fechamento; o <I>Loafer</I>    (fig 4), um sapato mais desestruturado que tem sua origem na Noruega e o <I>Mocassin</I>    (5) (fig 5), origin&aacute;rio dos &iacute;ndios norte-americanos e canadenses,    foi introduzido ao vocabul&aacute;rio dos cal&ccedil;ados masculinos durante    o s&eacute;culo XX, na d&eacute;cada de 60.</font></P>     <P><font size="3">Como sabemos, o in&iacute;cio do s&eacute;culo XX &eacute; o    per&iacute;odo de sedimenta&ccedil;&atilde;o dos processos advindos da Revolu&ccedil;&atilde;o    Industrial, e caracter&iacute;sticas de padroniza&ccedil;&atilde;o e simplifica&ccedil;&atilde;o    ser&atilde;o bastante valorizadas juntando-se aos ideais das vanguardas modernas.</font></P>     <P><font size="3">Na Exposi&ccedil;&atilde;o Internacional de Paris em 1925, Le    Corbusier escrevendo o manifesto <I>L`Art decoratif d`aujord`hui</I>, contesta    o valor social dos itens com excesso de adornos e defende urg&ecirc;ncia na    mudan&ccedil;a dos padr&otilde;es morais e est&eacute;ticos dos produtos que    eram exibidos nos sal&otilde;es da Exposi&ccedil;&atilde;o (6), onde o arquiteto    apresentou o seu Pavilh&atilde;o do Esp&iacute;rito Novo. Est&aacute;vamos diante    de uma pol&ecirc;mica que se assemelhava &agrave; levantada pelo per&iacute;odo    Dandi. Le Corbusier chama a aten&ccedil;&atilde;o para a import&acirc;ncia de    percebermos e considerarmos as novas condi&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o    oferecidas pela ind&uacute;stria. As mudan&ccedil;as devem incorporar as novas    formas de produ&ccedil;&atilde;o e o grau de finaliza&ccedil;&atilde;o dos produtos    que se tornam mais perfeitos a cada dia, exigindo concep&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via,    pureza de execu&ccedil;&atilde;o, efici&ecirc;ncia funcional, enfim, a totalidade    dos valores que estruturaram a nova &eacute;poca. Em seu manifesto, Le Corbusier    aponta a import&acirc;ncia da nova classe social que se forma com a industrializa&ccedil;&atilde;o,    o proletariado moderno, e defende que ele possa se beneficiar das transforma&ccedil;&otilde;es    positivas proporcionadas pela produ&ccedil;&atilde;o em massa.</font></P>     <P><font size="3">O exemplo dos cal&ccedil;ados masculinos que tanto entusiasmaram    Corbusier &eacute; considerado por Breward como n&atilde;o totalmente original.    Adolf Loos (7) j&aacute; tinha feito rela&ccedil;&otilde;es interessantes a    respeito dos sapatos e do vestu&aacute;rio masculino nos seus escritos da &eacute;poca.    Loos acredita que as vestes masculinas, principalmente os cal&ccedil;ados, alcan&ccedil;aram    uma condi&ccedil;&atilde;o de padroniza&ccedil;&atilde;o e funcionalidade convenientes    &agrave;s mudan&ccedil;as econ&ocirc;micas e sociais que estavam ocorrendo enquanto,    ao contr&aacute;rio, as vestes femininas se repetiam de maneira c&iacute;clica.    Essas conclus&otilde;es s&atilde;o levantadas por Loos ap&oacute;s sua visita    a exibi&ccedil;&atilde;o do Jubileu Vienense, no mesmo ano que a Exposi&ccedil;&atilde;o    Internacional de Paris, 1925. Segundo Breward (8), as observa&ccedil;&otilde;es    do arquiteto sobre os cal&ccedil;ados exibidos durante a exposi&ccedil;&atilde;o    vienense podem ser sintetizadas em tr&ecirc;s considera&ccedil;&otilde;es.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Em primeiro lugar, os cal&ccedil;ados masculinos, ao contr&aacute;rio    dos in&uacute;meros modelos femininos, se restringiam a uma quantidade limitada    de tipos, onde facilmente se reconhece o respeito pela fabrica&ccedil;&atilde;o    padronizada. Loos entende que esse cuidado em limitar os tipos tem o claro objetivo    de encontrar solu&ccedil;&otilde;es que atendam ao que ele chamou de necessidade    natural de conformidade ou seja, de adequa&ccedil;&atilde;o aos processos de    fabrica&ccedil;&atilde;o em ritmo industrial. Em segundo lugar, devido ao fen&ocirc;meno    de valoriza&ccedil;&atilde;o funcional, os cal&ccedil;ados contempor&acirc;neos    a um mundo mais r&aacute;pido e veloz deveriam priorizar o conforto ao inv&eacute;s    da apar&ecirc;ncia. Em terceiro, o cal&ccedil;ado do per&iacute;odo que se iniciava    deveria se adaptar &agrave;s novas condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de e    higiene, resultado da r&aacute;pida urbaniza&ccedil;&atilde;o; subentendia-se    uma nova maneira, agora moderna, de viver nas cidades.</font></P>     <P><font size="3">Interessante &eacute; a maneira como Breward faz a leitura do    texto de Loos (9), entendendo que ele considera os cal&ccedil;ados masculinos    como oportunos para explicitar a nova faceta do homem moderno. Loos elabora    uma cr&iacute;tica consciente dos mecanismos de manipula&ccedil;&atilde;o sociol&oacute;gica    quando da escolha das formas para cal&ccedil;ar os p&eacute;s. Essas prefer&ecirc;ncias    s&atilde;o regularmente formatadas para exaltar um determinado grupo social    e o consequente reconhecimento do seu poder sobre os outros. Loos identifica    neste objeto, o cal&ccedil;ado masculino do per&iacute;odo, uma capacidade de    s&iacute;ntese dif&iacute;cil de encontrar. S&iacute;ntese entre a forma predominante    dos cal&ccedil;ados, as exig&ecirc;ncias modernas de padroniza&ccedil;&atilde;o,    a aceita&ccedil;&atilde;o para uso universal, a aprova&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica    dos grupos sociais dominantes e o di&aacute;logo com a condi&ccedil;&atilde;o    racional e biol&oacute;gica dos p&eacute;s.</font></P>     <P><font size="3">Ser &aacute;gil no mundo moderno &eacute; condi&ccedil;&atilde;o    essencial. Nossos p&eacute;s crescem porque praticamos muito mais atividades    f&iacute;sicas: percorremos maiores dist&acirc;ncias a p&eacute;, andamos de    bicicleta, escalamos montanhas etc. Tais atividades geram tamanhos de p&eacute;s    maiores, e o ideal de eleg&acirc;ncia baseada em tamanhos pequenos vai desaparecendo    lentamente, especialmente para os homens. Os efeitos de valoriza&ccedil;&atilde;o    pela cultura feminina baseada na sexualidade, distinguem as mulheres no conjunto    social e as difere na nova classe prolet&aacute;ria moderna que se forma. N&atilde;o    &eacute; interessante, nesse per&iacute;odo, valorizar as diferen&ccedil;as    e, sim, ressaltar as afinidades.</font></P>     <P><font size="3">Loos, no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, foi o respons&aacute;vel    por colocar o cal&ccedil;ado com import&acirc;ncia fetichista ou produto de    moda, introduziu-o como produto de valor econ&ocirc;mico, indicador antropol&oacute;gico,    sinal semi&oacute;tico e objeto art&iacute;stico. O com&eacute;rcio cal&ccedil;adista    recebeu essas cr&iacute;ticas e se posicionou. Alguns sapateiros, antes mesmo    de Loos, j&aacute; defendiam a import&acirc;ncia do cal&ccedil;ado como objeto    do design e seu consequente compromisso como produto de uso racional e resistente    aos efeitos de moda (10).</font></P>     <P><font size="3">Imposs&iacute;vel concorrer com um produto como o cal&ccedil;ado,    fabricado somando o melhor do artesanato com o melhor da tecnologia industrial.    Esse &eacute; o motivo dele permanecer, do in&iacute;cio do s&eacute;culo XX    at&eacute; hoje, unindo esses dois universos e sem grandes mudan&ccedil;as.</font></P>     <P><font size="3">Nathan Brown (11), americano de Oregon, nos Estados Unidos,    depois de trabalhar por anos em neg&oacute;cios de cal&ccedil;ados esportivos    tradicionais como a Adidas e a Nike tem uma ambi&ccedil;&atilde;o transformadora    para o s&eacute;culo XXI nos cal&ccedil;ados masculinos, comparada &agrave;s    ambi&ccedil;&otilde;es de Le Corbusier para o in&iacute;cio do s&eacute;culo    XX. Brown sempre se reunia com amigos do segmento e juntos celebravam a paix&atilde;o    pelos sapatos cl&aacute;ssicos ingleses e italianos. Depois de fazer parte das    equipes desses dois grandes conglomerados, voltou-se ao empreendorismo e estruturou    seu pr&oacute;prio neg&oacute;cio perseguindo a reuni&atilde;o do melhor destes    dois mundos: o conforto dos cal&ccedil;ados esportivos e a apar&ecirc;ncia elegante    dos sapatos tradicionais ingleses e italianos. Como realizar essa tarefa?</font></P>     <P><font size="3">Estruturou em Londres, exatamente em Savile Row (12), a Lodger    Shoes, empresa que tem como miss&atilde;o oferecer um sapato masculino com calce    perfeito, aliado &agrave; melhor mat&eacute;ria-prima (subentende-se o melhor    couro) e somado ao m&aacute;ximo de cuidado durante a produ&ccedil;&atilde;o.    Em entrevista a revista <I>Wallpaper</I>, Nathan explica que a diferen&ccedil;a    entre um bom sapato e um excepcional &eacute; o tempo gasto na produ&ccedil;&atilde;o    com os seus detalhes. Essa tarefa n&atilde;o significa utilizar produ&ccedil;&atilde;o    100% &agrave; m&atilde;o. A tecnologia industrial &eacute; extremamente necess&aacute;ria.    Por exemplo: algumas partes dos mocassins, como as gaspias podem ser muito bem    executadas a m&atilde;o (13), enquanto em outras a m&aacute;quina &eacute; que    oferece as melhores op&ccedil;&otilde;es de qualidade, como na costura dos solados    &agrave;s palmilhas, nas condi&ccedil;&otilde;es de flexibilidade oriundas das    novas mat&eacute;rias que utilizam processos qu&iacute;micos complexos, na resist&ecirc;ncia    ao desgaste pela colagem, no amortecimento de impactos e muitas outras opera&ccedil;&otilde;es.</font></P>     <P><font size="3">Esse apanhado de experi&ecirc;ncias pretendeu oferecer uma boa    oportunidade de reflex&atilde;o: &eacute; o design aplicado ao cal&ccedil;ado    que, hoje, no Brasil (14) e no exterior, deve refletir a continuidade dessa    dicotomia. Por um lado, o consumidor masculino se mant&eacute;m fiel &agrave;    tradi&ccedil;&atilde;o e ainda escolhe os mesmos modelos em apar&ecirc;ncia    desde o in&iacute;cio do s&eacute;culo XX. Por outro, diferentemente da escolha    daquele per&iacute;odo, hoje ela reflete os valores sociais da nossa &eacute;poca,    cada vez mais complexa. Afinado com a cultura contempor&acirc;nea, o consumidor    do s&eacute;culo XXI explora ao m&aacute;ximo tudo o que possa ser oportunidade    de diferencia&ccedil;&atilde;o; quer medidas exatas (mas exatas mesmo!), quer    conforto, o m&aacute;ximo que possa ser oferecido, quer acabamento, durabilidade,    pre&ccedil;o justo, bom atendimento, manuten&ccedil;&atilde;o, originalidade,    novos materiais, flexibilidade, leveza, facilidade de reposi&ccedil;&atilde;o,    enfim…tudo e mais o que puder ser incorporado ao produto. Desafio e tanto para    o design de cal&ccedil;ados masculinos do nosso tempo.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><I><b>Luis Fernando Campanella Rocha </b>&eacute; arquiteto,    designer de produto, mestre pela Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica    de Campinas (Puccamp), professor pesquisador do Grupo de Pesquisa em Artes,    Design e Moda do Instituto de Filosofia e Ci&ecirc;ncias Humanas (IFCH) da Universidade    Estadual de Campinas (Unicamp). Email: </I><a href="mailto:lfcampanella@uol.com.br">lfcampanella@uol.com.br</a></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</B> </font></p>     <P><font size="3">1. Preto e marrom nas suas varia&ccedil;&otilde;es, mais claro,    mais escuro, mais avermelhado, mais brilhante etc.</font></P>     <P><font size="3">2. Os ingleses assumem, durante o final do s&eacute;culo XVIII,    a responsabilidade em criar para produtores e consumidores de cal&ccedil;ados    a refer&ecirc;ncia para a indument&aacute;ria masculina do per&iacute;odo. A    difus&atilde;o desses cal&ccedil;ados se faz pelos artistas da &eacute;poca    em todo o globo.</font></P>     <P><font size="3">3. T&ecirc;nis, denomina&ccedil;&atilde;o de cal&ccedil;ado    com solados de borracha natural desde 1800 at&eacute; hoje e que muito se beneficiou    da industrializa&ccedil;&atilde;o em seu desenvolvimento, s&atilde;o considerados    os produtos que mais incorporam o uso e desenvolvimento tecnol&oacute;gico no    in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI.</font></P>     <P><font size="3">4. Dandismo: derivado do termo ingl&ecirc;s "dandy", trata-se    de um fen&ocirc;meno cujos contornos sociopol&iacute;ticos come&ccedil;am a    se delinear na virada do s&eacute;culo XVIII para o XIX. &Eacute; o per&iacute;odo    da reg&ecirc;ncia inglesa (1800-1830), onde a afeta&ccedil;&atilde;o no traje    masculino se torna sin&ocirc;nimo de uma postura ideol&oacute;gica pr&oacute;-aristocr&aacute;tica    e da concomitante rejei&ccedil;&atilde;o dos c&oacute;digos de conduta e dos    valores burgueses. Enquanto estes enfatizam a igualdade, a responsabilidade    e a perseveran&ccedil;a, o dandy op&otilde;e-lhes um sentimento de superioridade    elitista, cultivando a irresponsabilidade no decurso de um dia a dia votado    ao &oacute;cio. Favorece tamb&eacute;m um interc&acirc;mbio de influ&ecirc;ncias    com a Fran&ccedil;a, o pa&iacute;s mais perme&aacute;vel, nessa &eacute;poca,    &agrave; voga da "anglomania" e do dandismo. A partir de ent&atilde;o, e a fim    de sobreviver, o dandismo necessita ganhar novos contornos. E cabe a um dandy    franc&ecirc;s, na d&eacute;cada de 1860, esse papel de revitaliza&ccedil;&atilde;o,    orientada no sentido da aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; arte e da conquista    de uma dimens&atilde;o eminentemente intelectual. Charles Baudelaire &eacute;    a figura respons&aacute;vel por essa nova configura&ccedil;&atilde;o do dandismo    que, da&iacute; em diante, se apoia e se refor&ccedil;a na doutrina da arte    pela arte e no esteticismo.&nbsp;</font></P>     <P><font size="3">5. A maior diferen&ccedil;a entre o <I>loafer</I> e o <I>mocassin</I>    est&aacute; no tipo de fabrica&ccedil;&atilde;o e acabamento: o <I>mocassin</I>    &eacute; constru&iacute;do em uma &uacute;nica pe&ccedil;a de baixo para cima,    e a sua pala &eacute; costurada a m&atilde;o com pontos largos; j&aacute; o    <I>loafer</I> &eacute; fabricado de cima para baixo e tem uma tira com um losango    vazado no peito do p&eacute;.</font></P>     <P><font size="3"> 6. Le Corbusier,<I> A arte decorativa</I>, S&atilde;o Paulo:    Martins Fontes, 1996.</font></P>     <P><font size="3">7. Arquiteto austr&iacute;aco,(1870-1933) pioneiro da arquitetura    moderna. Sua maior contribui&ccedil;&atilde;o foi ter confiado nas formas fundamentais    utilizadas pelo homem nas suas constru&ccedil;&otilde;es desde os prim&oacute;rdios    como solu&ccedil;&atilde;o para a arquitetura. Foi o precursor da nova objetividade    e procurou sempre solu&ccedil;&otilde;es arquitet&ocirc;nicas simples para seus    projetos e m&eacute;todos de constru&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <P><font size="3">8. Breward, Christopher; em <I>Fashioning masculinity</I>, Footnotes,    pg 125.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3"> 9. Loos, Adolf; <I>Spoken into the void: Collection Essays,    1897-1910,</I> introdu&ccedil;&atilde;o de Aldo Rossi, Cambridge: MIT Press,    1982.</font></P>     <P><font size="3"> 10. Moda como uso, h&aacute;bito ou estilo geralmente aceito,    vari&aacute;vel no tempo, e resultante de determinado gosto, ideia, capricho,    e das influ&ecirc;ncias do meio. <I>Novo Dicion&aacute;rio Aur&eacute;lio</I>.</font></P>     <P><font size="3"> 11. <I>Wallpaper Magazine</I>, janeiro 2009. <I><a href="http://www.wallpaper.com/fashion/nathan-brown-qa/3008" target="_blank">http://www.wallpaper.com/fashion/nathan-brown-qa/3008</a></i></font></P>     <P><font size="3">12. Savile Row &eacute; uma rua comercial situada em Mayfair,    centro da capital inglesa, Londres, famosa pela presen&ccedil;a dos melhores    e mais conhecidos alfaiates por s&eacute;culos.</font></P>     <P><font size="3">13. Um costurador de palas numa ind&uacute;stria de cal&ccedil;ados    masculinos &eacute; remunerado de maneira diferenciada, com sal&aacute;rio dos    mais altos na produ&ccedil;&atilde;o, os bons profissionais s&atilde;o muito    disputados nos polos cal&ccedil;adistas.</font></P>     <P><font size="3">14. Importante lembrarmos que o Brasil &eacute; o terceiro maior    fabricante de cal&ccedil;ados do mundo.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><B> BIBLIOGRAFIA CONSULTADA</B></font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">1. Benstock, Shari; Ferriss, Suzanne. <I>Footnotes &#150; On    shoes</I>. New Brunswick, EUA: Rutgers University Press, 2001.    </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P><font size="3"> 2. Carassus, Emilien. <I>Le mythe du dandy</I>.U2. Paris: Armand    Colin, 1971.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3"> 3. Eli Adams, James. <I>Dandies and desert saints: styles of    victorian masculinity</I>. New York: Cornell University Press, 1995.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3"> 4. Lv, Luo; Huiguang, Zhang; <I>Sneakers</I>. Singapura: Liaoning    Science &amp; Technology Press, 2007.</font><!-- ref --><P><font size="3"> 5. Malcolm. Bradbury and David Palmer. <I>Decadence and the    1890's</I>.New York: Holmes and Meier, 1979.</font><!-- ref --><P><font size="3"> 6. Moers, Ellen. <I>The dandy: Brummell to Beerbohm.</I> New    York: Viking. Press, 1960.</font><!-- ref --><P><font size="3"> 7. Raymaud, Ernest. <I>Baudelaire et la religion du dandysme</I>.    Paris: Editions du Sandre, 1918.</font> ]]></body><back>
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