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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n2/moda.gif"></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b><font size=5>ERA UMA VEZ A MODA… ALGUMAS HIST&Oacute;RIAS    PARA SE LEMBRAR</font></b></font></P>     <P><font size="3"><b>Mara R&uacute;bia Sant'Anna</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P> <font size="3"><b>Q</b>uem estuda moda e nunca leu James Laver e seu mais    famoso livro para n&oacute;s brasileiros: <I>A roupa e a moda</I>?(1) Qual professor    de hist&oacute;ria da moda, dos mais diferentes n&iacute;veis de ensino, nunca    se apropriou das imagens e descri&ccedil;&otilde;es que o curador do Victoria    and Albert Museum deixou em seus livros e que nos ilustram um passado, descrito    como homog&ecirc;neo e consensual? Certamente, para ambas as quest&otilde;es,    a resposta &eacute; todos ou quase todos.</font></P>     <P><font size="3"> Nada contra os trabalhos de James Laver, de Fran&ccedil;ois    Boucher, Carl Kohler ou, ainda, o livro de ilustra&ccedil;&otilde;es de Albert    Racinet sobre os costumes dos povos. Cada um contribui a sua maneira para que    as aulas e os estudos no campo da hist&oacute;ria da moda possam ocorrer. Contudo,    como qualquer produto humano, ele precisa ser contextualizado por sua autoria,    em seu tempo e ao p&uacute;blico e objetivos que visava alcan&ccedil;ar. Al&eacute;m    disso, como a postura cient&iacute;fica exige, n&atilde;o se pode tomar como    a verdade o que se construiu como conhecimento. &Eacute; a partir dessas an&aacute;lises    e cr&iacute;ticas, visando contribuir para um avan&ccedil;o qualitativo no ensino    da hist&oacute;ria da moda, que este texto, pelos limites impostos para a publica&ccedil;&atilde;o    (2), se prop&otilde;e a suscitar alguns questionamentos aos professores e pesquisadores    da moda em nosso pa&iacute;s e contextualizar algumas das produ&ccedil;&otilde;es    mais usadas nos cursos de moda desenvolvidos presentemente.</font></P>     <P><font size="3"> James Laver nasceu no final do s&eacute;culo XIX, na cidade    de Liverpool em 1899. Educado no Liverpool Institute e no New College Oxford    (3), foi um homem do seu tempo e da sociedade inglesa que o cercava. Publicou    seu primeiro livro (4) aos 23 anos de idade, demonstrando seu brilhantismo e    a cultura erudita que o envolveu em sua educa&ccedil;&atilde;o de filho da elite    inglesa. Nessa mesma fase da sua juventude tornou-se curador do Departamento    de Gravura, Desenho e Pintura do museu londrino, permanecendo ali at&eacute;    1959. Veio a falecer em 1975, tendo mais de sete livros publicados, entre outros    trabalhos. O seu cargo no Victoria and Albert Museum facilitou enormemente suas    possibilidades de pesquisa iconogr&aacute;fica e s&atilde;o exemplares desse    acervo que podemos observar fartamente no seu livro traduzido para o portugu&ecirc;s.</font></P>     <P><font size="3"> Albert Racinet (5) um grande ilustrador do seu tempo, nasceu    em Paris em 20 de julho de 1825 e faleceu em Montfort-l'Amaury em 29 de outubro    de 1893 (6). Esse desenhista renomado produziu entre 1875 e 1888, 500 pranchas,    300 coloridas, algumas em ouro e prata, e 200 em preto e branco, mas com a t&eacute;cnica    francesa chamada <I>cama&iuml;eu</I>. No frontisp&iacute;cio da obra vinha descrito    que esta trazia os "tipos principais do vestir e do traje, contemplando aqueles    do interior das moradias de todos os tempos e de todos os povos, com numerosos    detalhes sobre o imobili&aacute;rio, as armas, os objetos cotidianos, os meios    de transporte etc" (7).</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Essa obra cont&eacute;m notas explicativas acompanhando a maior    parte das pranchas e uma introdu&ccedil;&atilde;o geral, al&eacute;m de um &iacute;ndice    e gloss&aacute;rio. Seu lan&ccedil;amento ocorreu pela Editora Firmin-Didot,    de Paris, em 1888. N&atilde;o apresenta qualquer quest&atilde;o relacionada    &agrave; metodologia empregada para obter as informa&ccedil;&otilde;es sobre    os povos antigos que s&atilde;o ilustrados.</font></P>     <P><font size="3">Carl Kohler (8) viveu no s&eacute;culo XIX, em um per&iacute;odo    de fortes transforma&ccedil;&otilde;es na Europa, exatamente entre 1825 e 1876.    Seu livro, produzido em 1870, foi publicado somente em 1928. Tem sido reproduzido    at&eacute; hoje, nas mais diferentes l&iacute;nguas e se constitui numa obra    de base para a pesquisa, especialmente, da modelagem empregada na confec&ccedil;&atilde;o    de pe&ccedil;as antigas. Ele, como seus outros colegas, teve acesso a acervos    preciosos, podendo tocar e investigar diretamente as pe&ccedil;as que relatava.    Algumas de suas fontes foram imagens e relatos das pe&ccedil;as, por&eacute;m    boa parte se constituiu do pr&oacute;prio exemplar.</font></P>     <P><font size="3">Fran&ccedil;ois Leon Louis Boucher nasceu em Paris em 1885 e    faleceu em 1966, na cidade pr&oacute;xima da capital francesa Neuilly-sur-Seine(9).    Entre suas profiss&otilde;es &eacute; citado como arquivista e pale&oacute;grafo    e historiador da arte e diretor de jornal. Entre todos os seus trabalhos destaca-se    o de conservador e curador do Museu Carnavalet, de Paris e diretor do Centro    de Documenta&ccedil;&atilde;o do Costume.</font></P>     <P><font size="3">Coordenou e capacitou dezenas de profissionais da moda no &acirc;mbito    da pesquisa hist&oacute;rica, entre eles Yvonne Deslandres que possui obras    publicadas em sua l&iacute;ngua materna sobre a hist&oacute;ria da moda. Dentre    esses livros que citamos, o seu <I>Histoire du costume: en occident de l'antiquite    a nos jours </I>(10), publicado em 1965 pela editora Flammarion de Paris, &eacute;    o &uacute;nico que possui uma introdu&ccedil;&atilde;o na qual &eacute; explicado    o m&eacute;todo de trabalho, a dificuldade do uso das fontes e os recortes temporais    e espaciais selecionados, dando ao leitor plenas condi&ccedil;&otilde;es de    fazer uma leitura contextualizada empregando o rigor cient&iacute;fico em sua    produ&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <P><font size="3">Com essas breves biografias t&iacute;nhamos a inten&ccedil;&atilde;o    de insinuar como os escritos, que temos em m&atilde;os para o estudo da hist&oacute;ria    da moda, possuem sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria. As obras de Kohler e de    Racinet, produzidas no s&eacute;culo XIX, serviram de inspira&ccedil;&atilde;o    aos seus sucessores e estavam dentro do esp&iacute;rito da &eacute;poca em que    foram produzidas. Tinham um forte teor de antiqu&aacute;rio e buscavam constituir    um arcabou&ccedil;o indiscut&iacute;vel de informa&ccedil;&atilde;o sobre um    passado e uma civilidade que a Europa via desaparecer rapidamente, sob o impulso    da forte industrializa&ccedil;&atilde;o e moderniza&ccedil;&atilde;o de suas    institui&ccedil;&otilde;es. Conjuntamente, nesse cen&aacute;rio europeu, havia    a constitui&ccedil;&atilde;o de um discurso nacionalista, ocupado em produzir    um passado &agrave;s na&ccedil;&otilde;es que se constitu&iacute;am, homogeneizando    suas tradi&ccedil;&otilde;es e aspectos culturais sob a &eacute;gide de uma    nacionalidade compacta (11).</font></P>     <P><font size="3">Renato Ortiz nos fala com propriedade sobre o desenvolvimento    de um tipo de pesquisa hist&oacute;rica que come&ccedil;ou com os antiqu&aacute;rios    no s&eacute;culo XVIII europeu e que se desenvolveu ao longo do s&eacute;culo    XIX na proposta rom&acirc;ntica de centenas de intelectuais que, buscando resguardar    tradi&ccedil;&otilde;es que julgavam amea&ccedil;adas de exist&ecirc;ncia e    que continham em si a "raiz" das sociedades em que viviam, criaram uma mem&oacute;ria    social e hist&oacute;rica autorizada e a ser preservada em museus e livros did&aacute;ticos.</font></P>     <P><font size="3">Gesta-se desta forma uma mem&oacute;ria que funciona como um    estoque de lembran&ccedil;as. No entanto, nem tudo o que ela abarca &eacute;    realmente passado; v&aacute;rias de suas manifesta&ccedil;&otilde;es s&atilde;o    recentes, mas surgem para as pessoas como algo h&aacute; muito existentes. Neste    sentido, pode-se falar da inven&ccedil;&atilde;o das tradi&ccedil;&otilde;es    (…). O fato de celebr&aacute;-las faz com que se esque&ccedil;a sua idade, sua    origem atual, camuflada pelo tempo imaginado. A "tradi&ccedil;&atilde;o criada"    confere a ilus&atilde;o de perenidade, reabilitando o nexo entre o presente    e o pret&eacute;rito reconstru&iacute;do (12).</font></P>     <P><font size="3">Portanto, o que alguns dos autores citados fizeram foi se imbuir    de um esp&iacute;rito de antiqu&aacute;rios rom&acirc;nticos e produzir, a partir    das pesquisas que realizavam sobre os acervos que trabalhavam, uma vis&atilde;o    homog&ecirc;nea e pac&iacute;fica da produ&ccedil;&atilde;o e usos das roupas,    como se estas sintetizassem toda a sua &eacute;poca e sociedade.</font></P>     <P><font size="3">Barthes, em seu texto de 1959 "Linguagem e vestu&aacute;rio"    (13) tamb&eacute;m alerta que o trabalho de sintetiza&ccedil;&atilde;o de muitos    autores sobre as formas e meios das sociedades se vestirem t&ecirc;m uma historicidade    precisa e que deve ser analisada antes de acatar os produtos desses trabalhos    como verdade.</font></P>     <P><font size="3">Nas palavras de Barthes: </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>        <p><font size="3">"A hist&oacute;ria dos trajes s&oacute; come&ccedil;ou realmente      com o romantismo, e entre os teatr&oacute;logos; como os atores quisessem      representar seus pap&eacute;is em trajes de &eacute;poca, pintores e desenhistas      iniciaram uma pesquisa sistem&aacute;tica sobre a verdade hist&oacute;rica      das apar&ecirc;ncias (vestu&aacute;rio, decora&ccedil;&atilde;o, mob&iacute;lia      e acess&oacute;rio), em suma, daquilo que se chamava justamente costume. Portanto,      o que se come&ccedil;ou a reconstituir foram essencialmente personagens, e      a realidade buscada era de ordem puramente teatral; reconstitu&iacute;am-se      francamente mitos (reis, rainhas, senhores feudais); a primeira consequ&ecirc;ncia      dessa atitude foi que o vestu&aacute;rio era apreendido sen&atilde;o num estado      antol&oacute;gico: era o atributo de uma ra&ccedil;a precisa, selecionada      em vista do drama rom&acirc;ntico; era como se o povo nunca tivesse se vestido;      a segunda consequ&ecirc;ncia &#150; talvez mais importante do ponto de vista      do m&eacute;todo &#150; &eacute; que o pintor colocava toda a sua aten&ccedil;&atilde;o      sobre o pitoresco e n&atilde;o sobre o ordin&aacute;rio, sobre os acess&oacute;rios      e n&atilde;o sobre a sistem&aacute;tica. Talvez, paradoxalmente, as facilidades      do desenho tenham prejudicado muito a hist&oacute;ria dos trajes: a representa&ccedil;&atilde;o      gr&aacute;fica, espont&acirc;nea, afastava todo esfor&ccedil;o especulativo,      pois se atualizava imediatamente uma generalidade mal estabelecida. &Eacute;      por isso, a meu ver, que as ilustra&ccedil;&otilde;es mais corretas metodologicamente      s&atilde;o os desenhos claramente esquematizados, aqueles que pretendem entrever      um estado ordin&aacute;rio, quase abstrato, do sistema vestimentar de uma      &eacute;poca, como por exemplo o de N. Truman em <I>Historic Costuming</I>".      (14)</font></p> </blockquote>     <P><font size="3">Tal como Ortiz, Barthes aponta o romantismo como o momento hist&oacute;rico    em que as hist&oacute;rias dos trajes se multiplicaram e, bem contextualizadas,    essas hist&oacute;rias serviam a um fim c&ecirc;nico que explica suas preocupa&ccedil;&otilde;es    com os detalhes, o exagero e a estereotipagem de uma personagem e de uma &eacute;poca.    Um exemplo claro entre os autores trabalhados &eacute; o de Albert Racinet.</font></P>     <P><font size="3">Segundo Barthes, a partir de 1850 as pesquisas arqueol&oacute;gicas    substitu&iacute;ram os trabalhos de cunho rom&acirc;ntico e cada traje buscou    ser descrito detalhadamente, enquadrando-os numa cronologia que seguia os reinados    dos povos europeus. O trabalho de James Laver e Carl Kohler tem esse perfil.    Tal como no per&iacute;odo anterior as pesquisas careciam de rigor metodol&oacute;gico    e se reduziam a descri&ccedil;&atilde;o, a mais pormenorizada poss&iacute;vel,    dos trajes encontrados em pinturas, desenhos e relatos. Nessa postura que podemos    chamar de historicista, nas palavras de Barthes, "a pe&ccedil;a n&atilde;o passa    de acontecimento; o problema &eacute; dat&aacute;-lo (…) recensearam-se fatos,    n&atilde;o valores" (15).</font></P>     <P><font size="3">Para o fim do s&eacute;culo XIX, uma postura de maior sistematiza&ccedil;&atilde;o,    buscou relacionar o vestu&aacute;rio com a sociedade que o produziu, criando    um argumento que se ouve frequentemente, qual seja, "a moda reflete a sociedade    na qual foi produzida". Para essa postura te&oacute;rica, Barthes indica a tentativa    de "postular uma transcend&ecirc;ncia dos trajes"(16), como se houvesse uma    impregna&ccedil;&atilde;o do tempo nas coisas e elas se assemelhassem por uma    simples coincid&ecirc;ncia temporal. Gilda de Mello e Souza em seu livro <I>O    esp&iacute;rito das roupas </I>(17) defende essa teoria, descuidando da quest&atilde;o    que a forma em si n&atilde;o produz o significado, mas o uso, a fun&ccedil;&atilde;o    a qual esta forma se aplica que se ocupa de dar sentido e nexo aquele significante.    Ou como James Laver faz, afirmando categoricamente no in&iacute;cio de seu cap&iacute;tulo    9 "De 1900 a 1939": "A moda, como sempre, era um reflexo da &eacute;poca" (18).</font></P>     <P><font size="3"> O engano ou simplifica&ccedil;&atilde;o historiogr&aacute;fica    se deu a <I>posteriori,</I> quando pessoas imbu&iacute;das da vontade de ensinar    ou aprender sobre a hist&oacute;ria dos trajes tomaram esses desenhos e descri&ccedil;&otilde;es    como fi&eacute;is &agrave;s roupas e trajes de um tempo passado em sua generalidade.    E aos profissionais e historiadores da moda da atualidade conv&eacute;m o mesmo    engano, o mesmo descuido e as reprodu&ccedil;&otilde;es das mesmas amenidades?    E mais, cabe-nos discutir a hist&oacute;ria da moda estudando prioritariamente    a hist&oacute;ria dos trajes, s&atilde;o essas hist&oacute;rias as mesmas? Somos    capazes de distinguir com clareza em nossas aulas que a hist&oacute;ria dos    trajes n&atilde;o &eacute; a mesma que a da moda? </font></P>     <P><font size="3">Enfim, cabe aos educadores e pesquisadores constituir uma reflex&atilde;o    cr&iacute;tica sobre o passado nos estudantes e profissionais da moda, fazendo    dessa experi&ecirc;ncia intelectual tamb&eacute;m uma oportunidade de sensibiliza&ccedil;&atilde;o    diante das sociedades, al&eacute;m de fazer pensar o passado como uma imagem,    que se constitui sempre a partir do presente, a fim de servir aos nossos prop&oacute;sitos,    tamb&eacute;m contempor&acirc;neos, como Walter Benjamim (19) nos faz compreender.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><I><b>Mara R&uacute;bia Sant'Anna</b> &eacute; doutora em hist&oacute;ria,    professora titular da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e membro    permanente do mestrado em hist&oacute;ria da mesma institui&ccedil;&atilde;o.    Coordenadora do Laborat&oacute;rio e Grupo de Pesquisa "Moda e sociedade".</i></font></P>     <P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3"><B> NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS </B></font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">1. Laver, J. <I>A roupa e a moda: uma hist&oacute;ria concisa</I>.    Tradu&ccedil;&atilde;o Gloria Maria de Mello Carvalho. S&atilde;o Paulo: Companhia    das Letras, 1989.    </font></P>     <P><font size="3">2. Num outro trabalho a ser publicado futuramente, esse estudo    &eacute; ampliado com a discuss&atilde;o da import&acirc;ncia do uso de fontes    visuais e orais para a constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento no campo da    hist&oacute;ria da moda.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">3. <I><a href="http://www.archiveshub.ac.uk/news/0307lave.html" target="_blank">http://www.archiveshub.ac.uk/news/0307lave.html</a></I>.    Acesso em 25/02/2008.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3"> 4. <I>His Last Sebastian</I> (1922). In: <I><a href="http://encyclopedia.jrank.org /Cambridge/entries/059/James-Laver.html" target="_blank">http://encyclopedia.jrank.org    /Cambridge/entries/059/James-Laver.html</a></I>. Acesso em 25/02/2008.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3"> 5. Racinet, A. <I>Histoire du costume</I>. Paris: Bookking    international, &nbsp; 1995.    </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P><font size="3"> 6. In:<I><a href="http://catalogue.bnf.fr/servlet/autorite;jsessionid=0000QrF7iHLLxBo4nxEcV1nr7ja:-1?ID=12311305&idNoeud=1.1&host=catalogue" target="_blank">http://catalogue.bnf.fr/servlet/autorite;jsessionid=0000QrF7iHLLxBo4nxEcV1nr7ja:-1?ID=12311305&amp;idNoeud=1.1&amp;host=catalogue</a></I>.    Acesso em 25/02/2008.    </font></P>     <P><font size="3">7. Idem. "Le costume historique : cinq cents planches, trois    cents en couleurs, or et argent, deux cent en camaieu; types principaux du v&ecirc;tement    et de la parure, rapproch&eacute;s de ceux de l'int&eacute;rieur de l'habitation    dans tous les temps et chez tous les peuples, avec de nombreux d&eacute;tails    sur le mobilier, les armes, les objets usuels, les moyens de transport, etc.    Recueil publi&eacute; sous la direction de M. A. Racinet,… avec des notices    explicatives, une introduction g&eacute;n&eacute;rale, des tables et un glossaire"</font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">8. Kohler, C. <I>Hist&oacute;ria do vestu&aacute;rio</I>. &#91;Editado    e atualizado por Emma Von Sichart&#93;. Tradu&ccedil;&atilde;o de Jefferson    Luis Camargo. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes. 1993.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3"> 9. In:<I> <a href="http://catalogue.bnf.fr/servlet/autorite;jsessionid=0000qXZhdKVCdsqWMzVGP-P2xUX:-1?ID=12208951&idNoeud=1.5.2.1.1&host=catalogue" target="_blank">http://catalogue.bnf.fr/servlet/autorite;jsessionid=0000qXZhdKVCdsqWMzVGP-P2xUX:-1?ID=12208951&amp;idNoeud=1.5.2.1.1&amp;host=catalogue</a></I>    . Acesso em 03/03/2008.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3"> 10. Boucher, F. <I>History of costume in the west</I>. &#91;with    an additional chapter by Yvonne Deslandres&#93;. London: Thames and Hudson.    1987.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3"> 11. Remond, Ren&eacute;. <I>O s&eacute;culo XIX: 1815-1914</I>.    Tradu&ccedil;&atilde;o de Frederico Pessoa de Barros. 7ª. ed. S&atilde;o Paulo:    Cultrix. 1997.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3"> 12. Ortiz, Renato. <I>Rom&acirc;nticos e folcloristas</I>.    Rio de Janeiro: Olho d'&aacute;gua, 1990. p. 27.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3"> 13. Edi&ccedil;&atilde;o em portugu&ecirc;s em Barthes, R.    <I>In&eacute;ditos</I>, Vol.3 &#150; Imagem e moda. S&atilde;o Paulo: Martins    Fontes. 2005. pp. 282&#150;299.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3"> 14. O trecho foi traduzido da edi&ccedil;&atilde;o francesa    - Barthes, R. <I>Le bleu est &agrave; la mode cette ann&eacute;e</I>. Paris:    &Eacute;ditions de l'Institut Frna&ccedil;ais de la Mode. 2001. p, 49e 50.    </font></P>     <P><font size="3"> 15. Barthes,R. <I>Op. Cit</I>., p. 51.</font></P>     <P><font size="3">16. Idem, p. 52.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">17. Souza, Gilda de Mello e. <I>O esp&iacute;rito das roupas:    a moda no s&eacute;culo dezenove</I>. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras.    1987.    </font></P>     <P><font size="3"> 18. Laver,J. <I>Op. Cit.</I>, p. 213</font></P>     <!-- ref --><P><font size="3"> 19. Benjamin, Walter. <I>Magia e t&eacute;cnica, arte e pol&iacute;tica:    ensaios sobre literatura e hist&oacute;ria da cultura</I>. 7ª ed. S&atilde;o    Paulo: Brasiliense. 1994.</font> ]]></body><back>
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