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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n2/moda_not.gif"></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">CINEMA</font></P>     <P><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n2/line_blk.gif"></font></P>     <P> <font size="3"><b><font size=5>Final da Belle &Eacute;poque marca novo rumo    no mundo da moda </font></b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Cinema e moda andam juntos desde que as estrelas de Hollywood    nasceram. Ambos s&atilde;o reflexo &#150; ou vitrine &#150; de sua &eacute;poca    e trazem &agrave; tona elementos est&eacute;ticos que influenciam e s&atilde;o    influenciados pela sociedade. Dois filmes recentes trazem novas perspectivas    sobre a revolu&ccedil;&atilde;o na hist&oacute;ria da moda, centrando os olhares    sobre a Belle &Eacute;poque, per&iacute;odo que vai do final do s&eacute;culo    XIX at&eacute; o in&iacute;cio da Primeira Guerra Mundial. Gabrielle Bonheur    "Coco" Chanel, &iacute;cone da moda feminina, em filme dirigido por Anne Fontaine    (<I>Coco avant Chanel</I>, Fran&ccedil;a, 2009) e <I>Ch&eacute;ri</I>, estrelado    por Michelle Pfeiffer e dirigido por Stephen Frears (2009).</font></P>     <P><font size="3"> A biografia de uma dos maiores estilistas de todos os tempos    evidencia a simbiose entre a arte das imagens e a arte dos corpos em movimento.    O filme mostra tanto a figura p&uacute;blica de Coco Chanel, dona de uma das    mais influentes <I>maisons</I> francesas de todos os tempos, quanto a vida pessoal    da mulher que se tornaria sin&ocirc;nimo de moda feminina moderna. Chanel libertou    o corpo feminino das saias rodadas e roupas bufantes &#150; iniciado por Paul    Poiret, que decretou o fim do espartilho &#150; e ainda libertou a alma feminina    ao lhe proporcionar, atrav&eacute;s de suas cria&ccedil;&otilde;es, o movimento    e a seriedade que antes era direito somente dos homens. "Chanel n&atilde;o via    o corpo apenas como base para adere&ccedil;o, mas como movimento. E suas roupas    favorecem o movimento da mulher", explica J&ocirc; Souza, pesquisadora e professora    de moda da Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo    (PUC-SP). "Nesse ponto Channel foi libertadora: ela deu &agrave; mulher n&atilde;o    s&oacute; movimentos do corpo, mas tamb&eacute;m social, prop&ocirc;s uma igualdade    entre homens e mulheres atrav&eacute;s do vestu&aacute;rio."</font></P>     <P><font size="3"> No filme, o olhar cr&iacute;tico de Chanel &eacute; acompanhado    pela c&acirc;mera. Suas refer&ecirc;ncias estavam l&aacute;, desfilando no dia    a dia &#150; os listrados azuis do uniforme dos marinheiros, os <I>tailleurs</I>    ainda em forma de ternos exclusivos dos homens &#150; prontos para serem remodelados    e ganharem as ruas por meio das mulheres libertas de uma posi&ccedil;&atilde;o    de submiss&atilde;o. Sua hist&oacute;ria &eacute; a hist&oacute;ria do final    de uma &eacute;poca. Antes de Chanel as mulheres ainda estavam presas a uma    concep&ccedil;&atilde;o t&iacute;pica do final da Belle &Eacute;poque, onde    o corpo feminino era tratado como uma pe&ccedil;a decorativa.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center"><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n2/a18img02.gif"></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">E &eacute; exatamente o final desse per&iacute;odo que &eacute;    o foco de outra obra cinematogr&aacute;fica lan&ccedil;ada no in&iacute;cio    deste ano no Brasil: <I>Ch&eacute;ri</I>. "As mulheres nessa &eacute;poca estavam    ornamentadas, quase se confundiam com a arquitetura, os m&oacute;veis, o jardim.    &Eacute; tudo pesado, h&aacute; uma ornamenta&ccedil;&atilde;o excessiva, quase    rococ&oacute;, nas estamparias", observa J&ocirc;. Al&eacute;m disso, pontua    a pesquisadora, as roupas femininas eram compostas de camadas, sobreposi&ccedil;&otilde;es    infind&aacute;veis de pe&ccedil;as, quase uma met&aacute;fora da estrutura social    do final do s&eacute;culo XIX. "Era um estilo pomposo e t&iacute;pico de uma    sociedade elitizada. Se vestir no estilo Belle &Eacute;poque tamb&eacute;m significava    ter criados para ajudar, a amarrar o corselette &#150; pe&ccedil;a que afinava    a cintura e a silhueta feminina &#150; o que ficou mais dif&iacute;cil ap&oacute;s    a Primeira Grande Guerra", explica Dhora Costa, professora do Centro Universit&aacute;rio    Belas Artes de S&atilde;o Paulo.</font></P>     <P><font size="3">J&aacute; Chanel vive o final da primeira Grande Guerra. Suas    cria&ccedil;&otilde;es s&atilde;o econ&ocirc;micas, como a &eacute;poca que    viveu. Os tecidos mais "pobres" s&atilde;o revalorizados, os cortes s&atilde;o    simples e pr&aacute;ticos. "&Eacute; uma esp&eacute;cie de mistura entre chique    e pobre, onde o material pode ser simples, mas a forma o valoriza. Chanel enfatizava    isso: ela n&atilde;o fazia moda, fazia estilo", enfatiza J&ocirc;.</font></P>     <P><font size="3">Para vislumbrar a &eacute;poca contempor&acirc;nea &agrave;    Chanel, J&ocirc; faz paralelo com um cl&aacute;ssico do cinema, dirigido por    Fran&ccedil;ois Truffaut, <I>Jules et Jim</I> (Fran&ccedil;a, 1962). "O filme    de Truffaut se passa em dois tempos, antes e p&oacute;s Primeira Guerra. E &eacute;    n&iacute;tida essa mudan&ccedil;a da sociedade e das roupas nesse curto per&iacute;odo    de tempo. Chanel &eacute; parte dessa mudan&ccedil;a tamb&eacute;m, e a traduz    em formas."</font></P>     <P><font size="3"> O visual que se v&ecirc; ap&oacute;s o &aacute;pice de Chanel    (j&aacute; sin&ocirc;nimo da <I>maison</I> e de um estilo) foi registrado no    cinema tamb&eacute;m, especialmente nos cl&aacute;ssicos do per&iacute;odo de    "star system" hollywoodiano. Marlene Dietrich, por exemplo, abusava da androgenia    proporcionada pelas roupas da era "p&oacute;s" Chanel. "Dietrich foi o &iacute;cone    do <I>la gar&ccedil;onne</I>, um estilo de se vestir um tanto masculinizado.    Ela tamb&eacute;m popularizou algo que Chanel introduziu e que n&atilde;o existia    at&eacute; ent&atilde;o: o uso de cal&ccedil;as compridas pelas mulheres no    dia a dia", observa Dhora. O legado de Chanel, ali&aacute;s, foi t&atilde;o    absorvido pelo cotidiano que, n&atilde;o coincidentemente, ainda &eacute; sin&ocirc;nimo    de eleg&acirc;ncia cl&aacute;ssica e moderna.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="right"><font size="3"><I>Enio Rodrigo Barbosa</I></font></P>      ]]></body>

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