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</front><body><![CDATA[ <P><font size="3"><b>P&Uacute;BLICO/PRIVADO</b></font></P>     <P><font size="3"><b><font size=5>MECENATO GARANTE PROGRAMA&Ccedil;&Atilde;O    DE QUALIDADE</font></b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">O apoio financeiro estatal ou particular a atores, escritores,    m&uacute;sicos e artistas em geral, tradicionalmente conhecido como mecenato,    existe desde a Antiguidade, passando pela aristocracia que financiava m&uacute;sicos    como Bach e Beethoven, nos s&eacute;culos XVII e XVIII, at&eacute; os dias de    hoje. Trata-se de uma refer&ecirc;ncia a Caio Mecenas, conselheiro do imperador    romano Ot&aacute;vio Augusto, que formou um c&iacute;rculo de intelectuais e    poetas no primeiro s&eacute;culo antes de Cristo, e sustentou sua produ&ccedil;&atilde;o.    No Brasil de hoje, embora a cultura pare&ccedil;a estar em segundo plano em    rela&ccedil;&atilde;o a outras prioridades, como a educa&ccedil;&atilde;o e    a gera&ccedil;&atilde;o de empregos, t&ecirc;m sido expressivos os investimentos    tanto p&uacute;blicos quanto privados, especialmente na cria&ccedil;&atilde;o    e manuten&ccedil;&atilde;o de centros de cultura e lazer. </font></P>     <P><font size="3">Os primeiros anos da redemocratiza&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s    foram bastante significativos nesse sentido. O Servi&ccedil;o Social do Com&eacute;rcio    (Sesc), que j&aacute; vinha investindo regularmente em cultura desde o in&iacute;cio    da d&eacute;cada de 1980, com pequenas produ&ccedil;&otilde;es locais em cada    estado, implantou uma pol&iacute;tica nacional e come&ccedil;ou a apostar em    espa&ccedil;os para teatro, dan&ccedil;a, m&uacute;sica, cinema, literatura    e artes pl&aacute;sticas. Tamb&eacute;m surgiram, no final daquela d&eacute;cada,    espa&ccedil;os como o Ita&uacute; Cultural e o Centro Cultural Banco do Brasil.    No in&iacute;cio da d&eacute;cada seguinte, outro banco privado investiria na    cria&ccedil;&atilde;o de duas importantes institui&ccedil;&otilde;es culturais:    o Instituto Moreira Salles e o Espa&ccedil;o Unibanco de Cinema. E, em 1998,    &eacute; a vez da ind&uacute;stria investir na cria&ccedil;&atilde;o do Centro    Cultural Fiesp, que re&uacute;ne o Teatro e a Galeria de Arte do Sesi (Servi&ccedil;o    Social da Ind&uacute;stria). Esses centros se espalharam pelas principais capitais    do pa&iacute;s, principalmente do Sul e do Sudeste &#150; al&eacute;m da capital    federal e de outras cidades, como Santos (SP) e Po&ccedil;os de Caldas (MG).    J&aacute; os espa&ccedil;os culturais do Sesi e do Sesc est&atilde;o em todos    os estados brasileiros.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n2/a22img01.jpg"></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Tamb&eacute;m &eacute; do in&iacute;cio dos anos 1990 a Lei    Rouanet, que d&aacute; incentivo fiscal para empresas privadas que investem    em projetos culturais. Esse mecanismo permite que o empresariado fa&ccedil;a    algo semelhante ao que se v&ecirc; atualmente na "onda verde" das propagandas    de bancos e petrol&iacute;feras: o marketing cultural. O setor privado vende    a imagem de apoiador da cultura e, em troca, reduz uma parcela da sua carga    tribut&aacute;ria federal. Indiretamente, &eacute; como se fosse a antecipa&ccedil;&atilde;o    de um investimento p&uacute;blico, aplicado em cultura antes mesmo de ser arrecadado.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Tanto o Ita&uacute; Cultural, com seu acervo de artes visuais    e sua programa&ccedil;&atilde;o musical, quanto o Instituto Moreira Salles,    com suas exposi&ccedil;&otilde;es, s&atilde;o mantidos com a destina&ccedil;&atilde;o    de parte do lucro dos bancos Ita&uacute; e Unibanco para a &aacute;rea cultural.    Mas seus projetos, principalmente os que envolvem parcerias que estendem o acesso    &agrave;s obras para outros espa&ccedil;os, podem se beneficiar da Lei Rouanet.    O Ita&uacute; Cultural, por exemplo, j&aacute; fez quase uma centena de parcerias    com secretarias municipais, estaduais, organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais    e TVs educativas. "S&atilde;o parcerias com institui&ccedil;&otilde;es com pol&iacute;ticas    semelhantes &agrave;s nossas, parcerias de vontades. Mas nenhum parceiro participa    financeiramente. Todo o recurso vem do banco Ita&uacute;, que se beneficia,    em cada projeto, da Lei Rouanet", afirma Ana de F&aacute;tima Sousa, gerente    de comunica&ccedil;&atilde;o do Ita&uacute; Cultural. </font></P>     <P><font size="3">Os espa&ccedil;os culturais do Sesi e do Sesc e suas respectivas    programa&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m s&atilde;o mantidos, na grande maioria,    por recursos privados da arrecada&ccedil;&atilde;o compuls&oacute;ria de suas    entidades associadas da ind&uacute;stria e do com&eacute;rcio, prevista em lei,    tamb&eacute;m destinada a educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de e esporte. E    a expertise na elabora&ccedil;&atilde;o de projetos que possam se beneficiar    de incentivos fiscais tamb&eacute;m come&ccedil;a a ganhar espa&ccedil;o no    setor industrial. O Sesi lan&ccedil;ou em 2007 um guia em quatro volumes para    estimular seus associados a assumir a responsabilidade social de investir em    cultura e perceber os benef&iacute;cios econ&ocirc;micos e sociais desse investimento.    O guia, que apresenta leis de incentivo &agrave; cultura em todas as esferas    p&uacute;blicas e explica como viabilizar projetos culturais, detalha, passo    a passo, todas as etapas envolvidas na submiss&atilde;o de um projeto ao amparo    da Lei Rouanet. Em 2008, no entanto, as entidades do chamado sistema "S" temeram    o comprometimento de sua programa&ccedil;&atilde;o com as mudan&ccedil;as na    arrecada&ccedil;&atilde;o e destina&ccedil;&atilde;o de recursos, quando o governo    federal decidiu criar o Fundo Nacional de Forma&ccedil;&atilde;o Profissional    T&eacute;cnica (Funtec) e priorizar o ensino profissionalizante. </font></P>     <P><font size="3">"A preocupa&ccedil;&atilde;o com a queda da receita era procedente.    Por&eacute;m, a press&atilde;o social foi grande, o que desaguou no acordo que    alterou os regulamentos das entidades, dispondo sobre a aplica&ccedil;&atilde;o    do percentual de participa&ccedil;&atilde;o da arrecada&ccedil;&atilde;o em    gratuidade para educa&ccedil;&atilde;o. A quest&atilde;o do investimento em    cultura para o Sesc e o Sesi ficou preservada porque, para essas entidades,    o atendimento em cultura de forma gratuita &eacute; computado como atividade    socioeducacional, atendendo e mantendo, portanto, o objetivo do Estado. A mudan&ccedil;a    maior foi para os 'S' de educa&ccedil;&atilde;o profissional (Senac e Senai),    que tiveram 66% de sua arrecada&ccedil;&atilde;o destinada &agrave; educa&ccedil;&atilde;o    gratuita at&eacute; 2014, situa&ccedil;&atilde;o que as entidades concordaram    porque as mantiveram em seu rumo inicial, e a sociedade, com certeza, ir&aacute;    agradecer", conta &Aacute;lvaro Salmito, diretor de planejamento e desenvolvimento    do Departamento Nacional do Sesc.</font></P>     <P><font size="3">Para manter uma programa&ccedil;&atilde;o cultural de qualidade,    al&eacute;m dos financiamentos p&uacute;blicos das leis de incentivo e dos recursos    privados dos bancos aos quais est&atilde;o ligados ou das empresas da ind&uacute;stria    e do com&eacute;rcio, esses centros contam com profissionais altamente especializados    em seus quadros. "Na produ&ccedil;&atilde;o, os especialistas v&ecirc;m de gravadoras,    produtoras de cinema; na comunica&ccedil;&atilde;o e divulga&ccedil;&atilde;o,    h&aacute; jornalistas, designers; nos eventos educativos, h&aacute; educadores    culturais", aponta Ana, do Ita&uacute; Cultural. No Sesc, n&atilde;o &eacute;    diferente. "Os profissionais que trabalham envolvidos em programa&ccedil;&otilde;es    culturais s&atilde;o t&eacute;cnicos especializados (graduados e p&oacute;s-graduados)    em artes c&ecirc;nicas, m&uacute;sica, artes pl&aacute;sticas, cinema e literatura",    revela Salmito, do Sesc.</font></P>     <P><font size="3">Al&eacute;m de atender a trabalhadores do com&eacute;rcio e    usu&aacute;rios associados, a programa&ccedil;&atilde;o cultural das diversas    unidades do Sesc atinge um amplo p&uacute;blico. Entre os in&uacute;meros projetos    j&aacute; realizados, o diretor de planejamento e desenvolvimento destaca o    Palco Girat&oacute;rio, que envolveu a circula&ccedil;&atilde;o e o interc&acirc;mbio    de grupos de teatro de todo o pa&iacute;s; o Sonora Brasil, voltado para grupos    alternativos de m&uacute;sica sem espa&ccedil;o no mercado comercial; e o Arte    Sesc, que circula por todos os estados exposi&ccedil;&otilde;es de artistas    pl&aacute;sticos brasileiros contempor&acirc;neos.</font></P>     <P><font size="3">J&aacute; o Ita&uacute; Cultural, al&eacute;m de seu Programa    Rumos, que inicialmente apoiava a produ&ccedil;&atilde;o de m&uacute;sicos e    cineastas, e atualmente se espalhou para atividades intelectuais de escritores,    educadores, pesquisadores e artistas de todo o pa&iacute;s, tem entre suas principais    contribui&ccedil;&otilde;es para o p&uacute;blico uma Midiateca aberta &agrave;    visita&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica e uma Enciclop&eacute;dia Digital sobre    artes visuais, literatura e teatro que pode ser consultada pela internet. Curiosamente,    o p&uacute;blico virtual, entre 800 mil e 1 milh&atilde;o a cada m&ecirc;s,    contraria a l&oacute;gica da jovialidade da maioria na web. "O p&uacute;blico    que vem ao Ita&uacute; Cultural &eacute;, na maioria, o adulto jovem entre 18    e 35 anos. J&aacute; na internet, &eacute; mais misto. Tem desde a crian&ccedil;a    at&eacute; o idoso acessando a Enciclop&eacute;dia", revela Ana.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="right"><font size="3"><I>Rodrigo Cunha</I></font></P>      ]]></body>
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