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</front><body><![CDATA[ <P><font size="3"><b>POP ART</b></font></P>     <P><font size="3"><b><font size=5>Andy Warhol:Um &iacute;cone do s&eacute;culo    XX</font></b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">"No futuro todos ser&atilde;o mundialmente famosos por 15 minutos".    Assim como suas obras que abusavam da repeti&ccedil;&atilde;o e das cores dram&aacute;ticas,    a frase dita por Andy Warhol em 1968 continua sendo citada at&eacute; o limite    da exaust&atilde;o nos dias de hoje, como se fosse uma vers&atilde;o oral da    s&eacute;rie de famosos retratos dos &iacute;cones americanos (Marilyn Monroe    e Jackeline Kennedy/Onassis entre eles). Dizer que Warhol ultrapassou seus quinze    minutos seria piegas, sem gra&ccedil;a, mas faria sentido, de alguma maneira.    Uma contradi&ccedil;&atilde;o? Andy Warhol &eacute; a encarna&ccedil;&atilde;o    da contradi&ccedil;&atilde;o. </font></P>     <P><font size="3">Apelidado de "Drella" &#150; "uma mistura de Dr&aacute;cula    e Cinderella" como disse Ondine, ator que trabalhou em alguns dos filmes feitos    por Warhol &#150; ele foi multim&iacute;dia antes que o termo existisse efetivamente.    Trabalhou com pintura, fotografia, v&iacute;deo e cinema. As fronteiras n&atilde;o    existiam para o artista: arte, design, publicidade e uma autopromo&ccedil;&atilde;o    egoc&ecirc;ntrica de sua imagem era tudo um grande conjunto. Separar essas produ&ccedil;&otilde;es    afeta a complexidade que Warhol representa.</font></P>     <P><font size="3">Para aqueles que quiserem se aventurar em descobrir as v&aacute;rias    facetas desse artista, que &eacute; sin&ocirc;nimo de pop Art (ou simplesmente    se deliciar com a explos&atilde;o de cores e texturas), a exposi&ccedil;&atilde;o    "Andy Warhol, Mr. America" estar&aacute; na Esta&ccedil;&atilde;o Pinacoteca    &#150; anexo da Pinacoteca do Estado de S&atilde;o Paulo &#150; at&eacute; o    pr&oacute;ximo dia 23 de maio. A exposi&ccedil;&atilde;o promete ser uma das    maiores j&aacute; feitas sobre o artista em solo brasileiro: s&atilde;o 170    obras &#150; pinturas, gravuras, fotografias, instala&ccedil;&otilde;es &#150;    e 44 filmes abrangendo as produ&ccedil;&otilde;es dos anos 1960 (a maioria das    obras) at&eacute; a d&eacute;cada de 1980.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n2/a23img02.jpg"></font></P>     <P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3"><b>PARA AL&Eacute;M DAS FRONTEIRAS</b> Andy Warhol &eacute;    um dos principais nomes da pop Art. Surgida nos anos 1950, na Inglaterra, o    movimento teve seu &aacute;pice na d&eacute;cada de 1960, quando chegou aos    EUA. A pop Art se caracteriza pela apropria&ccedil;&atilde;o de imagens do universo    de consumo (embalagens de produtos) e da cultura de massa (televis&atilde;o,    cinema, revistas de celebridades, quadrinhos, propaganda) como tema de suas    obras e, ao mesmo tempo, faz uma cr&iacute;tica a essa ind&uacute;stria que,    na vis&atilde;o dos artistas, exercia uma poderosa influ&ecirc;ncia na vida    cotidiana das pessoas.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n2/a23img01.jpg"></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Desenhista talentoso, reconhecido nos anu&aacute;rios de publicidade,    Warhol tornou-se um dos mais c&eacute;lebres artistas comerciais na sua &eacute;poca    e no final da d&eacute;cada de 1950 realiza uma exposi&ccedil;&atilde;o emblem&aacute;tica    na Ferus Gallery em Los Angeles (EUA), na qual est&aacute; presente a not&oacute;ria    obra com latas de sopas Campbell. Ele tamb&eacute;m passa a utilizar a serigrafia    e outros m&eacute;todos de reprodu&ccedil;&atilde;o mec&acirc;nica, para fazer    suas obras, diminuindo a dist&acirc;ncia entre a fotografia e a pintura. Assim    como a pop Art faz desaparecer a distin&ccedil;&atilde;o entre arte "erudita"    e "comercial", "Warhol parte da publicidade &#150; onde trabalhou inicialmente    &#150; para as artes. Ele carrega consigo toda essa quest&atilde;o t&eacute;cnica,    que ele aprendeu a dominar nos est&uacute;dios de publicidade e design", explica    Elaine Caramelo, professora e pesquisadora do curso de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    em arte, cr&iacute;tica e curadoria, da Pont&iacute;ficia Universidade Cat&oacute;lica    de S&atilde;o Paulo (PUC-SP). "Essa apropria&ccedil;&atilde;o dos modos de produ&ccedil;&atilde;o    d&atilde;o uma identidade pl&aacute;stica muito &uacute;nica &agrave; obra dele.    A hibridiza&ccedil;&atilde;o visual &eacute; claramente presente em Andy Warhol",    completa Carlos Roberto Fernandes, pesquisador e professor ligado ao curso de    artes visuais da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). </font></P>     <P><font size="3">Para Fernandes, a publicidade tamb&eacute;m se apropria de Warhol.    "A pr&oacute;pria m&iacute;dia banaliza o trabalho de Warhol. Por isso o trabalho    dele &eacute; t&atilde;o presente, at&eacute; nos dias de hoje. Ele se utiliza    do popular, do que est&aacute; dispon&iacute;vel e depois &eacute; 'disponibilizado'    para a grande massa. Quando uma publicidade passa a repetir imagens coloridas,    super contrastadas, imediatamente se reconhece Warhol".</font></P>     <P><font size="3"><b>IRREVER&Ecirc;NCIA E PARADOXO </b>"Andy Warhol &eacute; um    paradoxo. O pr&oacute;prio nome da exposi&ccedil;&atilde;o, 'Mr. America' &eacute;    um paradoxo. Por um lado, ele trazia para suas obras as estrelas de Hollywood,    pol&iacute;ticos e esportistas que eram representantes do glamour e do poder    americano, ou mesmo os &iacute;cones do consumo, da industrializa&ccedil;&atilde;o,    da superioridade tecnol&oacute;gica e triunfante dos EUA nas d&eacute;cadas    de 1960 e 1970", aponta Elaine. "Mas, ao mesmo tempo, ele demonstra claramente    que n&atilde;o acredita no sonho americano. &Eacute; uma carnavaliza&ccedil;&atilde;o    da cultura de massa: consumo virando consumo. &Eacute; o popular sendo elevado    ao estado da arte, e rendendo milh&otilde;es para ele", continua.</font></P>     <P><font size="3"> Em seu livro <I>A filosofia de Andy Warhol &#150; De A a B    e de volta a A </I> (lan&ccedil;ado no Brasil pela Editora Cobogo), o pr&oacute;prio    artista brinca: "o que &eacute; maravilhoso sobre este pa&iacute;s &eacute;    que a Am&eacute;rica iniciou a tradi&ccedil;&atilde;o onde os consumidores mais    ricos compram essencialmente as mesmas coisas que os mais pobres. Voc&ecirc;    pode estar assistindo TV e v&ecirc; a Coca Cola, e voc&ecirc; sabe que o presidente    toma Coca Cola, Liz Taylor toma Coca Cola. Uma Coca &eacute; uma Coca e nenhum    dinheiro pode conseguir uma Coca melhor do que a que aquele mendigo na esquina    est&aacute; tomando". Mas Elaine explica que "a Am&eacute;rica de Warhol &eacute;    uma Am&eacute;rica imagin&aacute;ria dos grandes astros, dos presidentes idealizados,    de um avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico sem precedentes." &Eacute; a Am&eacute;rida    das propagandas e do consumo. Warhol tamb&eacute;m se insere nessa Am&eacute;rica    como pr&oacute;prio objeto de desejo dos colecionadores de arte.</font></P>     <P><font size="3">Ele era parte da vanguarda art&iacute;stica, mas influenciava    pe&ccedil;as de publicidade; era tamb&eacute;m o queridinho das rodinhas de    <I>socialites</I>, e n&atilde;o era incomum v&ecirc;-lo nas colunas policiais,    envolvido em algum esc&acirc;ndalo. Era distante, com ares de intoc&aacute;vel,    mas presenteou sua recepcionista, Cathy Naso, com um auto-retrato que agora    vale alguns milh&otilde;es de d&oacute;lares. </font></P>     <P><font size="3"> E como receber Andy Warhol na Am&eacute;rica Latina, em &eacute;pocas    de Hugo Ch&aacute;ves e de anti-americanismo em alta. Ser&aacute; que a ambiguidade,    o questionamento de conceitos e conven&ccedil;&otilde;es de sua obra pode trazer    um novo olhar para a terra do Tio Sam (que est&aacute; inclusive entre as fotos    expostas na mostra)? Ou ser&aacute; que j&aacute; sabemos demais dessa Am&eacute;rica    imagin&aacute;ria?</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P align="right"><font size="3"><I>Enio Rodrigo Barbosa</i></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v62n2/a23img03.jpg"></font></P>     <P>&nbsp;</P>      ]]></body>
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